Dom Armando Bucciol: Criatividade selvagem é prejudicial à liturgia

Fonte: Jornal O São Paulo, 12/04/2018

 

A Comissão Episcopal Pastoral para a Liturgia concluiu a penúltima parte da revisão do Missal Romano e espera entregar a que resta até o próximo ano, com uma linguagem fiel ao Latim e, ao mesmo tempo, compreensível a todos os fiéis.

 

Foi o que afirmou aos jornalistas na tarde da quinta-feira, 12, Dom Armando Bucciol, Bispo de Livramento de Nossa Senhora (BA) e Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Liturgia da CNBB, a participar da coletiva de imprensa durante a 56ª Assembleia Geral da CNBB, em Aparecida (SP), que segue até o próximo dia 20.

 

Dom Armando ressaltou as duas dimensões da liturgia: louvar a Deus e santificar, “isto é, encher a vida, transformar com a força do Espírito dos que seguem a Jesus como Senhor”.

 

Música litúrgica e evangelização


Dom Armando comentou que a Comissão de Liturgia está trabalhando em um documento também sobre a música litúrgica, para que esta “possa servir à liturgia de uma maneira sempre mais adequada, coerente, fiel. Trata-se, antes de tudo, de ajudar todos os atores da liturgia, sobretudo músicos, tocadores e cantores, a compreenderem o sentido dos diferentes momentos do rito e os critérios para a escolha dos cantos. É uma questão complexa, pede competência não só musical, mas também litúrgica, cultural, espiritual. Música que vise e favoreça o encontro com Deus e uma experiência não só emocional, mas que anime e transforme a pessoa que vive o momento litúrgico”.

 

Também na Assembleia deste ano será apresentada uma reflexão sobre liturgia e evangelização. “Na liturgia os cristãos recebem a vida nova no Batismo, escutam a Palavra, se alimentam com o pão da vida, experimentam a presença e a força do espírito. É dado por meio da liturgia, o perdão, o óleo da consolação divina. Na liturgia, a Igreja inteira recebe o Evangelho, que é chamada a proclamar e testemunhar”.

 

Ainda de acordo com o Bispo de Livramento de Nossa Senhora, “quem viver a liturgia de dentro, animado e iluminado pela presença e força do espírito, com certeza, não precisa procurar pressões, que eu chamo de criatividade selvagem. Basta viver com intensidade, com autenticidade a nobre beleza do rito da liturgia Latina, que nós adotamos”.

 

Ao responder à pergunta de uma jornalista sobre os padres que por vezes não seguem os ritos da liturgia, Dom Armando enfatizou que “ninguém na Igreja é dono da liturgia”, por isso não se deve manipulá-la. “A liturgia é obra do Espírito e da Igreja ao longo dos séculos”, comentou. “Eu espero que pouco a pouco os padres que manipulam a liturgia com a criatividade selvagem compreendam que não é por aí que se evangeliza. Tem numerosos espaço na liturgia da Igreja para a criatividade sóbria, fecunda e profunda. Eu penso que uma pessoa que compreende de dentro e vive de dentro a liturgia que celebra, com certeza transmitirá aos que participam uma força transformadora que ilumina consola e fecunda a vida, é por aí que devemos caminhar, finalizou.

 




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