Estamos no tempo e assim como o tempo passa, também a liturgia tem sua cadência e seu tempo que passa. A liturgia cristã é movimento, é dinâmica e leva o ser humano a mergulhar toda a sua vida, na experiência mais profunda do mistério da vida, paixão , morte e Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Nossa formação hoje não tem a pretensão de fazer um estudo profundo sobre o ano litúrgico, até porque o nosso tempo não permite. Mas, desejamos provocar em cada um, curiosidade de conhecer melhor o ano litúrgico e celebrá-lo bem.

Hoje no último domingo do ano litúrgico de 2019 vamos contemplar o mistério de um ano que não está preso ao Kronos (ao tempo do relógio ), mas vamos mergulhar nossa reflexão no tempo da “Graça”, da profunda experiência do celebrar em comunidade, do fazer memória de um amor tão grande que não se deixa aprisionar em um tempo: Ele (Cristo Jesus) é o Senhor que transcende o tempo, até o Dia em que Ele virá uma segunda vez, concluindo o tempo e inaugurando o verdadeiro Tempo: a Eternidade. Enquanto isso não chega, a Igreja, celebra a cada tempo, a liturgia fazendo das estações litúrgicas espaços de tempos celebrativos que se renova a cada movimento do ser humano, em direção ao Sagrado, ao Santo, ao Indizível…

O que é Advento?

Todo começo requer uma preparação. Toda visita que vem, nos motiva a preparar o ambiente para a chegada. O tempo do advento na cadência celebrativa, inaugura o novo ano litúrgico: é a porta para a entrada no mistério da humanização do Verbo de Deus. Cf. O prólogo do Ev. de João: ” e o Verbo de Deus se fez carne e habitou entre nós.” O advento consiste nas quatro semanas que antecedem o Natal do Senhor. É um tempo rico em simbolismo e denso no que diz respeito ao conteúdo teológico.
Por isso, nosso estudo é incompleto e abre perspectiva para outros estudos.

A Liturgia do Advento

  • A palavra liturgia no grego significa serviço ao povo. A liturgia do Advento é a forma como a Igreja prepara e celebra a chegada do Senhor.
  • Observem que os dois verbos condutores da dinâmica celebrativa é: preparar e chegar.
  • Advento – significa chegada. Então, que chegada se espera no Advento? A vinda de Jesus, o seu nascimento no tempo cronológico. O nascimento do Emanuel, do Deus em meio a nós é a grande novidade mistérica do estudo e da especulação da religião. A chegada do príncipe da paz em forma de bebê, desconcerta qualquer coração cético. Se o verbo “chegar” conduz a densidade do advento, podemos de igual modo conjugar o verbo “preparar” e colocá-lo em justa posição com o verbo “chegar”.
  • Preparar, esperar e chegar são os verbos do advento. preparar o coração, preparar a mente, preparar a família, preparar o ambiente, preparar a Igreja e comunidade para e esperar com alegria a CHEGADA do Salvador.
  • No Evangelho de Lucas temos toda a narrativa da preparação da Chegada do Menino Jesus: desde a anunciação até a fuga ao Egito. Lucas conta com detalhes a riqueza do tempo que se cumpre com a chegada de um menino.
  • Contudo, a liturgia do Advento é espera sempre nova do novo que vem a cada ano com o Natal. Muito suave e cheio de detalhes é o advento: os canto, os salmos e orações são alusivos à chegada do Salvador. Usa-se as antífonas “Ó” nos nove dias que antecedem o Natal: nas missas e na liturgia das horas nos nove dias antes da noite do dia 24 de dezembro todos rezam e cantam com um Ó que ressoa admiração, o mundo se plasma diante do mistério do Nascimento de Jesus Cristo, o verdadeiro Sol da Justiça (se antes na liturgia pagã 25 de dezembro era a Festa do Sol, na liturgia cristã celebra-se o nascimento daquele que aquece mentes e corações como sua forma de ser.
  • Essas antifonas “Ó” são uma proposição de admiração e vislumbre pelo Menino nasce. A cor litúrgica é o roxo claro. Usa-se a coroa do advento com quatro velas, três roxas e uma róseo. Essas velas são acesas em cada domingo do advento. A róseo acende-se no domingo letarae (domingo da alegria – 3o. domingo.)
  • Não se canta o Glória nas missas, para evocar uma expectativa para a Santa Noite do Natal. Prepare-se na Igreja e nas casas uma árvore de Natal que simboliza a árvore da vida, cujo fruto é o próprio Salvador. E também se constrói um presépio para ilustrar o ambiente do nascimento, não coloca -se o menino na manjedoura, somente na noite de Natal o expõe, ou cobre-o com um lenço e o descobre na noite Santa.
  • Pode-se cantar o Aleluia nas celebrações e também decorar a Igreja com discreta ambientação lembrando que o roxo deve ser o mais sóbrio e não intenso quanto o roxo da quaresma.

Aprofundando o tema:

  • É importante perceber o simbolismo do tronco de Jessé (Aqui é um mergulho na tradição salvífica – cf. Isaías, 11/ Confira também 2 Samuel 7,14. ) Da casa de Davi, do tronco de Jessé, da raiz de Davi nasce um ‘Rei que reinará para sempre’. Importante mergulhar a reflexão com ajuda do Livro do Profeta Isaías nos capítulos 11, 42, 61.
  • Os personagens que são aprofundados na liturgia do Advento são: Maria e José, Isabel e Zacarias: João Batista. Dentro do tempo litúrgico do Advento se celebra também a Festa da Imaculada Conceição, 08 de dezembro. Festa da Igreja que recorda que Maria foi concebida e preservada da culpa Adâmica (dogma proclamado pelo papa Pio IX em 1854).
  • Não cabe ao tempo do Advento o papai Noel, não é uma figura litúrgica o Noel. Importante que se dê ênfase a chegada do Salvador. Nas nove noites que antecedem o Natal, as famílias e comunidades podem celebrar a novena de preparação para o Natal. Advento é tempo de preparação para o advento, na tradição cristã os presentes ficam em baixo da árvore e são dados na noite do dia 24 de dezembro recordando que aquele presentinho é um mimo ao menino Jesus que mora no coração dos irmãos a quem vamos presentear.

Conclusão

Importante entender que o Natal não é o centro do Ano Litúrgico. A festa principal e mais densa da liturgia cristã é a Páscoa da Ressurreição.

O Natal mesmo com suas luzes e colorido não pode sobrepor-se à Luz da noite gloriosa da Ressureição de Nosso Senhor, onde o Cristo Rei do Universo e servidor da humanidade com sua paixão, morte e ressureição abre para nós as portas do Paraíso: fechadas desde a desobediência de Adão.

Seguir a Luz da Estrela e buscar a gruta de Belém, nos conduz a uma outra gruta-sepulcro, onde na aurora de um domingo glorioso a vida vence a morte e as mulheres que possuem útero, órgão gerador da vida, anunciam assustadas que o Senhor ressuscitou. Façamos a ponte entre o Natal e a Páscoa sejamos como os reis magos, os pastores e corramos à Belém (casa do pão) para ver Jesus-menino. Sejamos como as mulheres e tenhamos coragem de gritar alegres, que Jesus está vivo e presente no meio de nós.

Concluamos com a metáfora do Jardim:

Imaginemos novamente o Jardim, você, eu, nós somos os ajudantes do ‘jardineiro’: na primeira semana do advento vamos tirar as ervas daninhas do terreno, limpá-lo com cuidado, na segunda semana vamos cavar os sulcos na terra, adubá-la para colocarmos a roseira. Na terceira semana plantemos a roseira e a reguemos, fiquemos alegres pois já se vê um rebento e na quarta semana vejamos que da roseira brotou um botão: uma semana depois nascerá para nós o Salvador, como o fruto mais genuíno que a humanidade pode receber. Preparemos o nosso coração e a nossa voz para cantar um expectante: Maranatha: vem Senhor Jesus, vem não tardes mais.

Pe. Sóstenes Luna,
Missionário da Sagrada Família.

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