Documentário registra todo o processo do Sínodo para a Amazônia

Fonte: Notícias da CNBB

A Verbo Filmes divulgou em setembro de 2019 o documentário “Sínodo para a Amazônia – convocação, processos e expectativas”, sobre a Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos convocada pelo Papa Francisco para o período de 6 a 27 de outubro próximo. Em entrevista ao Portal da CNBB, o padre Cireneu Kuhn, missionário da Congregação do Verbo Divino que dirigiu a produção audiovisual, falou sobre o sentimento de “obrigação de fazer este material informativo”. Também partilhou um pouco da realidade que pôde conferir de perto por ocasião das gravações.

“O que vimos e documentamos foi a Igreja – Povo de Deus – se reunindo, celebrando a Eucaristia, escutando a Palavra, refletindo sobre os desafios na região pan-amazônica e expressando suas angústias diante das incertezas que recaem sobre nossos tempos”, afirma padre Cireneu.

O vídeo tem 14 minutos, apresenta entrevistas com agentes de pastoral, representantes dos povos amazônicos, especialistas e bispos. Boa parte do documentário é marcada por uma versão dinamizada da música “Tudo está interligado”, de autoria de padre Cireneu e inspirada na encíclica Laudato Si’ – sobre o cuidado da casa comum. A música perpassou todas as escutas na preparação para o Sínodo.

Confira a entrevista:

Padre Cireneu Kuhn | Foto: reprodução

Qual a proposta e a ideia que motivaram a realização deste documentário?

Ninguém nos encomendou este vídeo; nem a CNBB, nem a REPAM, muito menos o Papa! Fazer este tipo de material faz parte da vocação da Verbo Filmes. Pertencemos a uma Congregação Missionária – do Verbo Divino – que, entre outras dimensões, tem como missão a evangelização através dos meios de comunicação social. Sentimos a obrigação de fazer este material informativo, pois tivemos uma significativa participação no processo sinodal até agora.

Documentamos dezenas de eventos que aconteceram no percurso destes dois anos, desde a convocatória do Papa Francisco.

Penso assim: uma coisa é fazer um documentário “a partir de dentro”, sentindo de perto o que realmente está acontecendo, como é o nosso caso; outra coisa é, a partir de suposições e de preconceitos, produzir-se “informações” recheadas de ódio e de interpretações difamatórias, com a intenção muito distante da de alguém realmente preocupado em somar e “caminhar junto”, como é o significado literal da palavra “sínodo”. Infelizmente, há pessoas que preferem caminhar por esta via.

Como verbitas, procuramos estar em comunhão com a Igreja local e com a Igreja Universal, representada pelo Papa.

A Verbo Filmes já tem uma experiência histórica de proximidade e visitas às comunidades amazônicas. Como foi a experiência de fazer as gravações dentro do processo do Sínodo? Foi possível à equipe perceber nas comunidades a expectativa por este evento?

O que vimos e documentamos foi a Igreja – Povo de Deus – se reunindo, celebrando a Eucaristia, escutando a Palavra, refletindo sobre os desafios na região pan-amazônica e expressando suas angústias diante das incertezas que recaem sobre nossos tempos. Experts em Teologia, Eclesiologia, Doutrina da Igreja e experts nas disciplinas que envolvem o bioma amazônico sempre estiveram presentes para assessorar os encontros. É muito bonito ver pessoas simples, pobres, participando em rodas de conversa, com a presença de religiosas, padres e até de bispos. Essa é a Igreja do Vaticano II. Algumas pessoas ainda conservam uma mentalidade pré-vaticano! É preciso um olhar de compaixão para com estas pessoas…

A expectativa do povo amazônida em relação ao sínodo é grande. Só pelo fato das pessoas se sentirem “incluídas” no processo, dizem que “já valeu a pena”! Temos vários depoimentos neste sentido. Como sabemos, o “Instrumento de Trabalho” não é o documento final. Este documento é uma expressão de milhares de vozes sinodais. O Papa e o colégio sinodal, em Roma – agora em outubro – saberão o que fazer com este material. O Papa é um iluminado, é referência mundial e não somente para os católicos. Se existem pessoas que preferem atirar pedras em Sua Santidade, isso não poderá ser motivo de tanta preocupação. Jesus também não conseguiu unanimidade. 

As pessoas que chamam o Papa Francisco de herético, se lerem os Evangelhos certamente terão dificuldade para entender certas atitudes de Jesus: em relação aos poderosos, aos doutores da lei, às prostitutas e pessoas excluídas de seu tempo. Jesus não morreu de câncer nem num acidente de camelo numa curva de Jerusalém. Foi assassinado! Crucificaram Jesus naquele tempo e querem crucificar o Papa Francisco, hoje, por motivos muito parecidos…

Este vídeo pode ser instrumento de melhor conhecimento e menos preconceito em relação à Assembleia Sinodal?

Quem tem preconceito em relação à CNBB, ao Papa e à Igreja vai olhar também este vídeo com preconceito.  

Não é este vídeo que vai “converter” as pessoas. Mas, sem dúvida, aqui, de maneira muito sucinta, apresenta-se o propósito deste sínodo que não é o primeiro e nem será o último. Lembremos que recentemente houve o sínodo para as famílias e para a juventude. Lá também houve reações adversas e contrárias… e assim sempre será.  

Rezemos, sim, para que a assembleia que acontecerá agora no Vaticano continue com o mesmo clima dialogal e de escuta do Espírito, para que, de fato, a Exortação Apostólica (o documento final) nos ilumine a enveredarmos por novos caminhos na Igreja,com maior profecia e maior fidelidade ao Reino, na busca de uma Ecologia Integral.

Gostaria de destacar mais alguma coisa?

Para finalizar: estive recentemente em Humaitá, documentando o trabalho missionário de um confrade meu, com as comunidades ribeirinhas. São centenas de comunidades, distantes umas das outras. O povo se reúne com alegria e expressa uma fé profunda; só lamenta não poder celebrar a Eucaristia a cada semana. As visitas do padre acontecem duas ou três vezes ao ano. Como responder a desafios como este? É pra isso e outras questões que este sínodo foi convocado e, certamente, será um grande Pentecostes para toda Igreja.

Para ver mais sobre o Sínodo da Amazônia, consulte o site: http://www.sinodoamazonico.va/content/sinodoamazonico/pt.html

Neste site, você pode baixar o documento final e a carta exortação intitulada “Querida Amazônia”.

http://www.sinodoamazonico.va/content/sinodoamazonico/pt/documentos/documento-final-do-sinodo-para-a-amazonia.html

http://www.sinodoamazonico.va/content/sinodoamazonico/pt/documentos/exortacao-apostolica-pos-sinodal–querida-amazonia-.html

Quaresma 2020 Apostolado Litúrgico

Ingresso no Postulado das Pias Discípulas

Neste ofício de vigília da Festa da Apresentação do Senhor, 01/01, as pré-postulantes Katerin Yuleth Nulutahua Toledo, Karine Gabrielle da Silva Pinto e Kaina Barbosa da Silva celebraram ritualmente o ingresso ao postulado das Irmãs Pias Discípulas do Divino Mestre.

Com já vem acontecendo há alguns anos, o Brasil acolhe jovens vindas de outras nações para formação aqui. Este ano, a jovem Karerin, mexicana, junto com as jovens Karine e Kaina (brasileiras) iniciam este caminho formativo orientadas pela Ir. Juceli de Mesquita.

Na celebração, as provinciais: Ir. Marilez Furlanetto (Brasil) e Ir. Sara Beatriz Serrano (México) acompanharam as jovens neste pedido manifestado comunitariamente de seguir o caminho de discipulado à Jesus Mestre, Caminho, Verdade e Vida, segundo o modo de vida das Irmãs Pias Discípulas do Divino Mestre, abertas à escuta da Palavra de Deus e à graça que as acompanha neste processo formativo.

As jovens receberam da Ir. Marilez e Ir. Beatriz a bíblia e medalha com a a imagem de Maria, Rainha dos Apóstolos.

Além das irmãs citadas, estiveram prestentes irmãs de todas as comunidades de São Paulo e também os Amigos e Amigas do Divino Mestre.

A celebração foi encerrada com a oração a Maria, Rainha dos Apóstolos:

Acolhei-me, ó Maria, Mãe, Mestre e Rainha,
entre os que amais, nutris, santificais e guiais,
na escola de Jesus Cristo, Divino Mestre.
Vós reconheceis nos planos de Deus os filhos que Ele chama,
e por eles intercedeis, obtendo-lhes graça, luz e conforto.
Desde a Encarnação até a Ascenção, o meu Mestre Jesus Cristo
se entregou completamente a vós.
Isto é para mim ensinamento, exemplo e dom inefável.
Também eu me coloco inteiramente em vossas mãos.
Alcançai-me a graça de conhecer, imitar e amar
sempre mais o Divino Mestre, Caminho, Verdade e Vida.
Apresentai-me a Jesus:
sou pecador, não tenho outro documento
para ser acolhido na sua escola senão a vossa recomendação.
Iluminai a minha mente, fortificai a minha vontade, santificai o meu coração nesta etapa de meu trabalho espiritual, para que eu possa corresponder plenamente à vossa bondade e possa um dia dizer:
“Já não sou eu que vivo, mas Jesus Cristo é que vive em mim”.
São Paulo Apóstolo, meu pai e fidelíssimo discípulo de Jesus,
fortalecei-me; desejo empenhar-me e super empenhar-me,
até que em mim se forme Jesus Cristo.

Acompanhemos estas jovens com a nossa oração e desejo de bem.

Ano Bíblico para a Família Paulina

Fonte: Paulinas

Animados pelo Papa Francisco que no dia 26 de janeiro, no 3º domingo do Tempo Comum, na conclusão do Ano Vocacional da Família Paulina, provocou a Igreja com a declaração do Domingo da Palavra de Deus, a Família Paulina inicia o Ano Bíblico.

No desejo de renovar a centralidade na Palavra de Deus na vida e missão, segundo o legado deixado pelo Fundador, o bem-aventurado Tiago Alberione, a Família Paulina propõe que de 26 de novembro de 2020 a 26 de novembro de 2021, a Família celebre um Ano da Palavra de Deus com o tema: “Para que a Palavra do Senhor corra” (2Ts 3,1).

Segundo a carta dirigida às Superioras e aos Superiores de Circunscrição e aos irmãos e irmãs da Família Paulina, os superiores gerais das Congregações da Família Paulina propõe o objetivo comum deste Ano Bíblico: “Em caminho com a Igreja, renovar-nos através da familiarização, estudo e leitura orante das Escrituras Sagradas, para viver da Palavra a fim que ela alcance a todos, especialmente as periferias existenciais e do pensamento”.

Ainda nesta carta, recorda-se que a escolha do dia 26 de novembro, aniversário da Páscoa eterna do nosso Fundador, Pe. Tiago Alberione, quer recordar o seu vínculo particular com a Palavra. Ele é definido como um homem da Palavra de Deus: ouvinte e apóstolo incansável e profético. Essa renovada centralidade da Palavra de Deus, encarnada em Jesus Mestre Caminho, Verdade e Vida, e Bom Pastor, prepara para celebrar o 50º aniversário da sua morte de Alberione, em 2021.

Para a celebração do Ano Bíblico Paulino, foi contituída uma Comissão Bíblica Central composta por representantes das cinco congregações da Família Paulina: Pe. Giacomo Perego (ssp), Ir. Anna Matikova (fsp), Ir. Myriam Manca (pddm), Ir. Sandra Pascoalato (sjbp), Ir. Letizia Molesti (ap).

A carta conclui-se com o convite:

Convidamos agora todos os Superiores e as Superioras das Circunscrições – especialmente nos países onde existem diferentes Congregações Paulinas, Institutos Agregados e Cooperadores – a também constituírem uma Comissão Bíblica composta por irmãos e irmãs da Família Paulina e que, com o objetivo de animação apostólica a nível nacional, proponha iniciativas bíblicas, pastorais e ecumênicas. Solicitamos que, até 1º de março de 2020, sejam comunicados à Comissão Bíblica Central os nomes dos componentes e uma pessoa de referência da Comissão local, de modo a criar entre as Comissões – central e nacional – uma rede de comunicação interativa, destinada a incentivar uma animação criativa em resposta às questões eclesiais, ecumênicas e culturais que gradualmente se apresentarem. Cada membro da Comissão Bíblica Central será o referente das Comissões Bíblicas Nacionais conforme segue:

► para a América Latina: Ir. Sandra Pascoalato (spascoalato@yahoo.com.br);

► para a Ásia e a Europa Central e Oriental: Ir. Anna Matikova (anna@paulinky.cz);

► para a África: Pe. Giacomo Perego (giacomo.perego@stpauls.it);

► para aos EUA e a Austrália: sr. Myriam Manca (miriam.manca@piediscepole.it);

► para a Europa: Ir. Letizia Molesti (molesti.l@apostoline.it).

Esperamos que esta iniciativa seja acolhida e assumida com alegria por todos e que o tempo de preparação para a celebração do Ano Bíblico Paulino seja vivido intensamente em todos os lugares, a fim de que “a Palavra do Senhor corra e seja glorificada” hoje e sempre (cf. 2Ts 3,1).

Pe. Valdir José De Castro, ssp
Superior geral

Ir. Anna Caiazza, fsp
Superiora geral

Ir. Micaela Monetti, pddm
Superiora geral

Ir. Aminta Sarmiento Puentes, sjbp
Superiora geral

Ir. Marina Beretti, ap
Superiora geral

É um tempo de graça acolhido por toda Família Paulina. A herança carismática propõe o anúncio da Palavra de Deus pela vida e pelo apostolado destas congregações nascidas pela Palavra para a Palavra de Deus.

Para honra e glória da Santíssima Trindade…

Dia 9 de fevereiro, as Irmãs Pias Discípulas estão em festa. Duas jovens professam os votos pela primeira vez de pobreza, castidade e obediência, segundo o carisma das Pias Discípulas: a Bianca e a Samillis. Elas fizeram parte de um postulantado e noviciado internacionais. Com elas, mais 3 outras jovens, de outras nações, emitem os votos religiosos: Marilina (Argentina); Sara (Itália); Jessica (Venezuela).

Este projeto formativo reúne as jovens em formação em uma nação. O Brasil sedia esta experiência há alguns anos, iniciado apenas com a Argentina. Agora outras nações também enviam suas jovens para uma formação conjunta.

As jovens brasileiras professam os votos em Caxias do Sul, RS, na casa do noviciado. Abaixo, um pouco da história vocacional destas duas amazonenses.

Convite das jovens para a Primeira Profissão Religiosa

Me chamo Antônia Bianca Oliveira dos Santos. Nasci em 21 de janeiro de 1998 na Vila de Tamanicuá, Juruá, Amazonas. Tenho 22 anos.Sou a segunda filha do casal Ana Maria Gomes de Oliveira  e Ejânio Lima dos Santos. Tenho cinco irmãos: duas meninas e três meninos.

O despertar da minha vocação foi na catequese quando me preparava para receber o sacramento da Eucaristia. Especificamente em um encontro no qual líamos o texto do Evangelho de Mateus, onde Jesus faz o chamado para os seus primeiros discípulos nas margens do mar da Galileia e os convida a deixarem as redes, segui-lo e se tornarem pescadores de gente. Com essa passagem bíblic, senti que Jesus também me chamava para ser pescadora de gente. Naquele momento não tinha consciência do que Jesus me pedia e se era realmente isso que Ele queria para mim, mas lembro que falei para minha catequista e disse: “quero ser pescadora de gente como os discípulos de Jesus”.

Aos 12 anos, entrei no grupo de corainhas e passei a atuar ativamente na comunidade. Com isso passei também a ter um contato mais próximo com os (as) missionários (as) e irmãs que passavam fazendo missão na minha comunidade. Vendo o testemunho dessas irmãs e a missão que elas realizavam na comunidade, senti o desejo de fazer o bem e ajudar as pessoas como elas. Foi ai que voltou o convite de Jesus feito aos seus discípulos. Lembro-me que um dia disse para minha mãe: “acho que vou ser freira porque quero fazer o bem para pessoas”. Não lembro se ela me disse algo. Falei e depois saí. O tempo foi passando e, entre os meus 14 e 15 anos, fui descobrindo outras coisas e o desejo de ser freira foi ficando adormecido no meu coração. No final de 2013, tive a oportunidade de conversar com uma irmã sobre a vocação religiosa e novamente o convite de Jesus para segui-lo e o desejo de ser freira voltou a aquecer meu coração. 

No inicio de 2014, após ter expressado para o pároco da minha comunidade o desejo de ser religiosa ele me apresentou a Congregação das irmãs Pias Discípulas do Divino Mestre. Na ocasião conversei com a Letícia Pontini e comecei o acompanhamento vocacional.

Durante o ano de 2014, respondi as fichas que ela me enviava e, em janeiro de 2015, fui convidada a fazer uma experiência de 15 dias em nossa comunidade de Manaus. No mês de Julho deste mesmo ano, viajei novamente e fiquei mais alguns dias com as irmãs. Essas duas experiências foram muito importantes, pois conheci mais de perto o nosso Carisma e me encantei com a nossa missão. Foi exatamente a missão e a alegria das irmãs que me chamaram a atenção.

Em 2016, entrei no aspirantado, a primeira etapa da formação que se deu na cidade de São Paulo­-SP. Ali foi uma experiência desafiadora, pois tive que deixar minha família, amigos, minha terra, minha cultura e a passar a morar em uma realidade totalmente diferente do Amazonas e a conviver com pessoas tão diferentes! Mas o amor pelo Divino Mestre e sua graça; o apoio da minha família que sempre me ajudou e o carinho e acolhida das irmãs, fiz uma linda experiência de fortalecimento na fé e aprofundamento no seguimento de Jesus Mestre Caminho, Verdade e Vida.

No ano de 2017, fiz o postulantado na cidade de Cabreúva- SP. Nesta etapa de formação tive a graça de fazer parte de um grupo de formandas internacional. Três das quatro jovens que estavam junto comigo na formação eram de outros países. Ao mesmo tempo em que essa realidade era desafiadora, foi também enriquecedora, favorecendo crescer na abertura e acolhida ao diferente.

De 2018 a 2020, fiz o noviciado, em Caxias do Sul-RS. Esta etapa é central na caminhada formativa da vida religiosa consagrada. Um tempo muito bonito que me possibilitou maior encontro comigo mesma, crescimento na intimidade com Jesus Mestre e no conhecimento da Congregação, o que me faz hoje assumir com confiança e alegria a graça da vocação.

Louvo e agradeço a Deus que me ama e chama para seguir o seu Filho Jesus mais de perto como sua discípula. Agradeço a congregação que me acolhe com carinho e a minha família que me acompanhou na caminhada vocacional e em todos os momentos. Jesus Mestre nos abençoe e nos conceda a graça da perseverança na fidelidade ao seu amor a serviço dos irmãos.

Meu nome é Samillis Praia de Castro. Tenho 24 anos. Sou natural de Coari-Amazonas.

Bem, quando eu tinha 15 anos um fato questionou meu coração…
Certo dia, em um retiro, por volta das 5hs da manhã, ouvi sussurros: alguns jovens se levantavam para preparar o café. Eles estavam tão contentes. Decidi em meu coração que também faria isso: qualquer coisa que pudesse ajudar as pessoas a conhecer o Senhor e sentirem-se amadas, porque foi também neles que eu pude sentir que Deus me ama, ama nas entrelinhas da vida, nos gestos concretos, pequenos e grandes.

Logo comecei a participar daquele grupo, mas não me encontrei ali. Sentia que poderia ir além, porém, não sabia para onde e como.
Nos meus 17 anos, aconteceu um encontro da campanha da fraternidade lá em casa. Enquanto as pessoas liam a Palavra e falavam da sua vida a partir da Palavra meu coração palpitava forte, sentia que devia seguir com aquele grupo, mas ali só havia pessoas adultas e idosas, então eu entusiasmada convidei muitos jovens. Depois que terminou a campanha formamos um grupo de jovens, mas sempre sentia que devia ir além, que Deus me pedia algo mais, algo me inquietava.

Durante três anos participei de muitas pastorais, mas ainda não era suficiente, sentia que devia ir além. Fui com o pároco por vários dias visitar e celebrar nas comunidades ribeirinhas. No meio dos belos rios do Amazonas ele me perguntou se já havia pensado na vida religiosa e prontamente respondei: Não! Mas quem sabe! Ele disse: vou entrar em contato com umas irmãs. Eu logo pensei: aquela que responder primeiro, é com essa que eu vou. Dias depois estava lá na cidade Irmã Letícia Pontini da congregação das Irmãs Pias Discípulas do Divino Mestre e me procurou. Logo iniciei um processo de discernimento. Ela me enviava cartas e eu respondia por cartas também.

No ano seguinte já com 20 anos ingressei na congregação. Tinha no coração duas coisas: conhecer o Senhor e fazer sua vontade, independente do que tivesse que fazer. Sinto ter encontrado o caminho, o meu caminho. Só Nele me encontro e encontro o sentido para doar a minha vida.

Hoje tenho 24 anos, sou noviça e no próximo dia 09 de fevereiro de 2020, com alegria e liberdade professarei os votos religiosos de pobreza, castidade e obediência. Desejo permanecer sempre com o Senhor, fazendo a sua vontade e vivendo como discípula missionária, nesta família religiosa.

Papa Francisco institui Domingo da Palavra de Deus

Com o Motu Proprio “Aperuit illis”, o Santo Padre estabelece que “o III Domingo do Tempo Comum seja dedicado à celebração, reflexão e divulgação da Palavra de Deus”.

Texto: Vatican News

Foi divulgada, nesta segunda-feira (30/09), a Carta Apostólica sob forma de Motu Proprio “Aperuit illis” do Papa Francisco com a qual se institui o Domingo da Palavra de Deus.

Com esse documento, o Santo Padre estabelece que “o III Domingo do Tempo Comum seja dedicado à celebração, reflexão e divulgação da Palavra de Deus”. O Motu Proprio foi publicado no dia em que a Igreja celebra a memória litúrgica de São Jerônimo, início dos 1.600 anos da morte do conhecido tradutor da Bíblia em latim que afirmava: “A ignorância das Escrituras é a ignorância de Cristo”.

Jesus abre as mentes para a compreensão das Escrituras

Francisco explica que com essa decisão quis responder aos muitos pedidos dos fiéis para que na Igreja se celebrasse o Domingo da Palavra de Deus. A carta começa com a seguinte passagem do Evangelho de Lucas (Lc 24,45): “Encontrando-se os discípulos reunidos, Jesus aparece-lhes, parte o pão com eles e abre-lhes o entendimento à compreensão das Sagradas Escrituras. Revela àqueles homens, temerosos e desiludidos, o sentido do mistério pascal, ou seja, que Ele, segundo os desígnios eternos do Pai, devia sofrer a paixão e ressuscitar dos mortos para oferecer a conversão e o perdão dos pecados; e promete o Espírito Santo que lhes dará a força para serem testemunhas deste mistério de salvação.”

Redescoberta da Palavra de Deus na Igreja

O Papa recorda o Concílio Vaticano II que “deu um grande impulso à redescoberta da Palavra de Deus com a Constituição Dogmática Dei Verbum”, e Bento XVI que convocou o Sínodo, em 2008, sobre o tema “A Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja” e escreveu a Exortação Apostólica Verbum Domini, que “constitui um ensinamento imprescindível para as nossas comunidades”. Nesse documento, observa, “aprofunda-se o caráter performativo da Palavra de Deus, sobretudo quando o seu caráter sacramental emerge na ação litúrgica”.

Uma Palavra que impulsiona rumo à unidade

“O Domingo da Palavra de Deus”, sublinha o Pontífice, “situa-se num período do ano que convida a reforçar os laços com os judeus e a rezar pela unidade dos cristãos”: “Não é uma mera coincidência temporal: celebrar o Domingo da Palavra de Deus expressa um valor ecumênico, porque as Sagradas Escrituras indicam para aqueles que se colocam à escuta o caminho a ser percorrido para alcançar uma unidade autêntica e sólida”.

Como celebrar o Domingo da Palavra de Deus

Francisco exorta a viver esse domingo “como um dia solene. Entretanto será importante que, na celebração eucarística, se possa entronizar o texto sagrado, de modo a tornar evidente aos olhos da assembleia o valor normativo que possui a Palavra de Deus (…). Neste Domingo, os Bispos poderão celebrar o rito do Leitorado ou confiar um ministério semelhante, a fim de chamar a atenção para a importância da proclamação da Palavra de Deus na liturgia. De fato, é fundamental que se faça todo o esforço possível no sentido de preparar alguns fiéis para serem verdadeiros anunciadores da Palavra com uma preparação adequada (…). Os párocos poderão encontrar formas de entregar a Bíblia, ou um dos seus livros, a toda a assembleia, de modo a fazer emergir a importância de continuar na vida diária a leitura, o aprofundamento e a oração com a Sagrada Escritura, com particular referência à lectio divina.

Bíblia, livro do Povo de Deus não de poucos privilegiados

“A Bíblia”, escreve o Papa, “não pode ser patrimônio só de alguns e, menos ainda, uma coletânea de livros para poucos privilegiados (…). Muitas vezes, surgem tendências que procuram monopolizar o texto sagrado, desterrando-o para alguns círculos ou grupos escolhidos. Não pode ser assim. A Bíblia é o livro do povo do Senhor que, escutando-a, passa da dispersão e divisão à unidade. A Palavra de Deus une os fiéis e faz deles um só povo”.

Importância da homilia para explicar as Escrituras

Também nessa ocasião, o Papa reitera a importância da preparação da homilia: “Os Pastores têm a grande responsabilidade de explicar e fazer compreender a todos a Sagrada Escritura (…) com uma linguagem simples e adaptada a quem escuta (…). Para muitos dos nossos fiéis, esta é a única ocasião que têm para captar a beleza da Palavra de Deus e a ver referida à sua vida diária (…). Não se pode improvisar o comentário às leituras sagradas. Sobretudo a nós, pregadores, pede-se o esforço de não nos alongarmos desmesuradamente com homilias enfatuadas ou sobre assuntos não atinentes. Se nos detivermos a meditar e rezar sobre o texto sagrado, então seremos capazes de falar com o coração para chegar ao coração das pessoas que escutam”.

Natureza da Bíblia entre história e salvação

Recordando o episódio dos discípulos de Emaús, o Papa recorda também “como seja indivisível a relação entre a Sagrada Escritura e a Eucaristia”. Cita a Constituição Apostólica Dei Verbum que ilustra “a finalidade salvífica, a dimensão espiritual e o princípio da encarnação para a Sagrada Escritura”. “A Bíblia não é uma coletânea de livros de história nem de crônicas, mas está orientada completamente para a salvação integral da pessoa. A inegável radicação histórica dos livros contidos no texto sagrado não deve fazer esquecer esta finalidade primordial: a nossa salvação. Tudo está orientado para esta finalidade inscrita na própria natureza da Bíblia, composta como história de salvação na qual Deus fala e age para ir ao encontro de todos os homens e salvá-los do mal e da morte”.

Papel do Espírito Santo na Sagrada Escritura

“Para alcançar esta finalidade salvífica, a Sagrada Escritura, sob a ação do Espírito Santo, transforma em Palavra de Deus a palavra dos homens escrita à maneira humana. O papel do Espírito Santo na Sagrada Escritura é fundamental. Sem a sua ação, estaria sempre iminente o risco de ficarmos fechados apenas no texto escrito, facilitando uma interpretação fundamentalista, da qual é necessário manter-se longe para não trair o caráter inspirado, dinâmico e espiritual que o texto possui. Como recorda o Apóstolo, «a letra mata, enquanto o Espírito dá a vida».”

Magistério inspirado pelo Espírito Santo

O Papa recorda a afirmação importante dos Padres conciliares “segundo a qual a Sagrada Escritura deve ser «lida e interpretada com o mesmo Espírito com que foi escrita». Com Jesus Cristo, a revelação de Deus alcança a sua realização e plenitude; e, todavia, o Espírito Santo continua a sua ação. De facto, seria redutivo limitar a ação do Espírito Santo apenas à natureza divinamente inspirada da Sagrada Escritura e aos seus diversos autores. Por isso, é necessário ter confiança na ação do Espírito Santo que continua a realizar uma sua peculiar forma de inspiração, quando a Igreja ensina a Sagrada Escritura, quando o Magistério a interpreta de forma autêntica e quando cada fiel faz dela a sua norma espiritual.”

A fé bíblica funda-se na Palavra viva

Falando sobre a encarnação do Verbo de Deus que “dá forma e sentido à relação entre a Palavra de Deus e a linguagem humana, com as suas condições históricas e culturais”, o Papa ressalta que “muitas vezes corre-se o risco de separar Sagrada Escritura e Tradição, sem compreender que elas, juntas, constituem a única fonte da Revelação (…). A fé bíblica funda-se sobre a Palavra viva, não sobre um livro. Quando a Sagrada Escritura é lida com o mesmo Espírito com que foi escrita, permanece sempre nova”. Assim, “quem se alimenta dia a dia da Palavra de Deus torna-se, como Jesus, contemporâneo das pessoas que encontra; não se sente tentado a cair em nostalgias estéreis do passado, nem em utopias desencarnadas relativas ao futuro”.

Sair do individualismo e viver na caridade

“Por isso, é necessário que nunca nos abeiremos da Palavra de Deus por mero hábito, mas nos alimentemos dela para descobrir e viver em profundidade a nossa relação com Deus e com os irmãos. A Palavra de Deus apela constantemente para o amor misericordioso do Pai, que pede a seus filhos para viverem na caridade. A Palavra de Deus é capaz de abrir os nossos olhos, permitindo-nos sair do individualismo que leva à asfixia e à esterilidade enquanto abre a estrada da partilha e da solidariedade.

A carta se conclui com uma referência a Maria que nos acompanha “no caminho do acolhimento da Palavra de Deus”. “A bem-aventurança de Maria antecede todas as bem-aventuranças pronunciadas por Jesus para os pobres, os aflitos, os mansos, os pacificadores e os que são perseguidos, porque é condição necessária para qualquer outra bem-aventurança.”

CEN 2020: abertas inscrições para Simpósio Teológico, em Olinda (PE)

Na perspectiva para o Congresso Eucarístico Nacional (CEN 2020), que será realizado no próximo mês de novembro, na arquidiocese de Recife e Olinda (PE), foram abertas as inscrições para o Simpósio Teológico, uma das atividades que faz parte da programação do CEN 2020, entre os dias 12 e 15 de novembro. Os interessados devem acessar o endereço cen2020.com.br/simposio-teologico para adquirir os ingressos.

O investimento é de R$100 mais taxa de R$8 e pode ser pago via boleto bancário ou cartão de crédito. O ingresso dará ao participante o direito de participar das três conferências e escolher três das nove oficinas disponíveis na programação. Tanto as conferências quanto as oficinas do Simpósio Teológico serão ministradas por teólogos de várias regiões do Brasil, com larga experiência teológica e pastoral, entre os dias 13 e 14 de novembro, no Centro de Convenções de Pernambuco, em Olinda.

Confira a notícia na íntegra e a programação.

Semana pela Unidade dos Cristãos 2020: o drama dos migrantes

“Trataram-nos com gentileza”: este versículo dos Atos dos Apóstolos (28,2) é o tema do subsídio da Semana de Oração pela Unidade de Cristãos 2020. O texto foi redigido pelas Igrejas cristãs de Malta e Gozo.

A Europa, diferentemente do hemisfério sul, celebra a Semana de Unidade dos Cristão de 18 a 25 de janeiro. Neste ano de 2020, os materiais para a Semana de Oração pela Unidade Cristã foram preparados pelas Igrejas cristãs em Malta e Gozo (Cristãos Unidos em Malta).

Em 10 de fevereiro, muitos cristãos em Malta celebram a festa do naufrágio de São Paulo, destacando e agradecendo a chegada da fé cristã nessas ilhas. Por isso, está sendo proposto a leitura de Atos dos Apóstolos usada na festa. A história começa com Paulo sendo levado a Roma como prisioneiro (At 27,1ss). Paulo está preso, mas mesmo numa viagem que se torna perigosa, a missão de Deus continua através dele.

Essa narrativa é um clássico drama da humanidade confrontada com o aterrorizante poder dos elementos. Os passageiros do navio estão expostos às forças dos mares abaixo e das poderosas tempestades que se erguem ao seu redor. Essas forças os levam a um território desconhecido, onde estão perdidos e sem esperança.

As 276 pessoas a bordo do navio são divididas em grupos distintos. O centurião e seus soldados têm poder e autoridade mas dependem da perícia e da experiência dos marinheiros. Embora todos estejam assustados e vulneráveis, os prisioneiros são os mais vulneráveis de todos. Suas vidas são consideradas dispensáveis, eles estão em risco de uma execução sumária (cf 27,42).

À medida que a história se desenvolve, sob pressão e temendo por suas vidas, vemos desconfiança e suspeita ampliando as divisões entre os diferentes grupos. Notavelmente, porém, Paulo se ergue como um centro de paz no tumulto. Ele sabe que sua vida não é governada por forças indiferentes ao seu destino, mas está segura nas mãos do Deus a quem ele pertence e serve (cf 27,23).

Por causa de sua fé, ele está confiante de que se erguerá diante do imperador em Roma, e na força da sua fé pode se erguer diante de seus companheiros de viagem e dar graças a Deus. Todos estão encorajados. Seguindo o exemplo de Paulo, eles partilham pão, unidos numa nova esperança e confiando em suas palavras. Isso indica o tema principal dessa passagem: a providência divina. Foi decisão do centurião navegar em tempo ruim, mas ao longo da tempestade os marinheiros tomam decisões sobre como lidar com o navio. Mas ao final seus próprios planos são alterados e, somente permanecendo juntos e permitindo que o navio naufrague, eles chegam a ser salvos pela divina providência.

O navio e toda a sua valiosa carga se perderão, mas todas as vidas serão salvas, “nenhum de vós perderá um cabelo sequer de sua cabeça” (cf 27,34; Lc 21,18). Em nossa busca da unidade cristã, entregar-nos à divina providência vai exigir deixar de lado muitas coisas a que estamos profundamente ligados. O que importa para Deus é a salvação de todas as pessoas. Esse grupo de pessoas diversas e em conflito desembarca em uma ilha (cf 27,26).

Tendo sido jogados juntos no mesmo navio, chegam ao mesmo destino, onde a sua unidade humana se manifesta na hospitalidade que recebem dos nativos da ilha. Ao se unirem ao redor do fogo, cercados por um povo que nem os conhece nem os compreende, diferenças de poder e posição social se esvaem. Os 276 não estão mais na dependência de forças indiferentes, mas envolvidos pela amorosa previdência de Deus, que se mostra presente através de um povo que lhes demonstra uma “benevolência fora do comum” (Cf 28,2).

Com frio e molhados, eles podem se aquecer e secar perto do fogo. Com fome, recebem comida. São abrigados até que seja seguro para eles continuar a viagem.

Hoje muitas pessoas estão enfrentando terrores semelhantes nesses mesmos mares. Os mesmos lugares mencionados no texto lido (cf 27,1; 28,1) também fazem parte das histórias de migrantes de tempos modernos. Em outras partes do mundo muitos outros estão fazendo jornadas igualmente perigosas por terra e pelo mar para escapar de desastres naturais, guerra e pobreza. Suas vidas também estão expostas a imensas e friamente indiferentes forças – não apenas naturais, mas também políticas, econômicas e humanas.

Essa indiferença humana assume várias formas: a indiferença dos que vendem lugares em barcos inadequados para pessoas desesperadas; a indiferença que leva à decisão de não enviar barcos de socorro; a indiferença que faz mandar embora barcos de imigrantes. Isso são apenas alguns exemplos.

Como cristãos unidos encarando as crises da migração essa história nos desafia: apoiamos as frias forças da indiferença, ou mostramos “benevolência fora do comum” e nos tornamos testemunhas da amorosa providência de Deus para todas as pessoas? A hospitalidade é uma virtude muito necessária em nossa busca da unidade cristã. É uma prática que nos leva a uma maior generosidade para os necessitados.

As pessoas que mostraram benevolência fora do comum a Paulo e seus companheiros não conheciam ainda Cristo, mas mesmo assim é através de sua benevolência fora do comum que um povo dividido vai ficando unido. Nossa própria unidade cristã será descoberta não apenas mostrando hospitalidade de uns para os outros, embora isso seja muito importante, mas também através de encontros amigáveis com aqueles que não partilham nossa língua, cultura ou fé. Em tais viagens tempestuosas e encontros casuais, a vontade de Deus para a Igreja e para todas as pessoas será cumprida. Como Paulo proclamará em Roma, a salvação de Deus foi enviada a todos os povos (cf At 28,28).

As reflexões para os oito dias e a celebração serão baseadas no texto de Atos dos Apóstolos.

Os temas para os oito dias são:

Dia 1: Reconciliação: Atirando a carga ao mar

Dia 2: Iluminação: Buscando e apresentando a luz de Cristo

Dia 3: Esperança: Mensagem de Paulo

Dia 4: Confiança: Não tenha medo, creia

Dia 5: Fortalecimento: Partilhando pão para a viagem

Dia 6: Hospitalidade: Demonstre benevolência fora do comum

Dia 7: Conversão: Mudando nossos corações e mentes

Dia 8: Generosidade: Recebendo e dando

Para baixar os textos, clique no link: http://www.christianunity.va/content/dam/unitacristiani/Settimana%20di%20preghiera%20per%20unit%C3%A0/2020/PORT%202020%20Libretto.pdf

Fonte da Notícia: Vatican News

UM NATAL DE LUZ

“E aconteceu que eles estando ali,
se cumpriram os dias em que ela havia de dar à luz.
E deu à luz seu filho primogênito e envolveu-o em panos,
e deitou-o em uma manjedoura,
porque não havia lugar para eles na estalagem. ” (Lc 2,6-7)

A espiritualidade natalina nos convida a celebrarmos a chegada da grande luz que é Jesus. É um convite para olharmos nossa trajetória e nos perguntarmos: “Estou sendo luz na vida dos solidários, dos doentes, dos perturbados e dos empobrecidos? ”. Essa luz é relação, comunicação e comprometimento com o amor para conosco e para com o nosso próximo. É disso que nos conscientiza o Advento, ele nos iguala na experiência espiritual na luz do Natal. A disciplina do Advento nos ensina a fazer bem as pequenas coisas, amando sem acepções de pessoas, até porque a criatividade generosa do espírito natalino está na paz enraizada nos corações dos homens e mulheres de boa vontade.

O Natal é nosso lembrete anual de que a luz que escolhemos abraçar e acolher em qualquer nível está lá para nós sempre brilhando intensamente, esperando corações que queiram acolher e compartilhar a luz que habita seus corações. Acolhendo essa luz assumimos a
fertilidade do seu significado, ou seja, vivenciaremos uma busca do nosso verdadeiro EU, que se encontra adormecido dentro de nós.

Infelizmente, o simbolismo e o significado do Natal foram deturpados por nosso EGO ferido, na busca da constante dos lucros, do ter, do prazer e do poder. Precisamos passar por um esvaziamento para vivenciarmos o sentido originário do Natal. Isso pode ter apenas uma
explicação: as pessoas encontram-se vazias por dentro! Do contrário, não esvaziariam as demais coisas de seu sentido originário.

Por isso, Deus Se desprendeu do céu, rumando ao mundo terreno, encarnado no ventre de Maria, para que pudessem ser reatados os laços com a luz. Cristo, como uma parte do Criador, serviu de ponte para que a humanidade pudesse despertar do seu sono espiritual. No entanto, poucos ouviram a sua Palavra, conforme o seu sentido originário. A maioria interpretou segundo os seus interesses, sendo que ocorreu a perda do seu significado, geração após geração. O nascimento do Menino Jesus foi usurpado pelo Papai Noel e isso foi desviando a proposta do nascimento e renascimento do amor, que é celebrar o nascimento do verdadeiro sol, ou seja, Cristo, que apareceu no mundo depois de uma longa noite de trevas. O natal do Senhor nos alerta a lutar contra as trevas da hipocrisia, contra as trevas da corrupção, contra as trevas da miséria que vem assolando milhões de filhos e filhas de Deus. A celebração do Natal não pode ser desperdiçada em recordações sentimentais ou discursos polêmicos, mas valorizada como dom de amor, de verdade e de esperança para todos os homens e mulheres de nosso tempo.

Portanto, a luz da espiritualidade natalina revela para nós que uma estrela brilhou intensamente no céu e sua luz desceu sobre um menino chamado Jesus. Aí começou o Natal, por meio de uma luz, um Natal de luz. Isso para dissipar as trevas, pois, como cantamos, “A luz
resplandeceu em plena escuridão, jamais irão as trevas vencer o seu clarão”. É essa a proposta verdadeira do Natal. Sejamos confiantes e cheios de esperanças para a construção de um mundo mais fraterno e cheio de compaixão.

Que o espírito do Natal alcance cada um de nós como uma força avassaladora e nos revista de empoderamento da justiça e da paz! E que nossos corações sejam verdadeiras manjedouras para acolher a luz que vem para habitar e renascer nos nossos corações! Não se esqueça: Natal feliz é Natal com Cristo!

Pe. Kleber Farias, OMI

SANTA LUZIA: UMA LUZ!

            Falar e pensar em Santa Luzia deveria ser momento de se refletir sobre a luz. Luzia é mais que uma santa. Ela carrega outro código que, em geral, não é observado. Assim é a vida dos santos. Em geral, a nossa catequese é deficiente e não atinge a sua realidade e grandeza da santidade de um cristão.

            Luzia nasce em Siracusa, na Itália, nos meados do ano de 283, na região da atual Sicília. Não seria uma mulher diferente se ela não fosse cristã, virgem, mártir e corajosa. Trazia dentro de si um punhado de luz. Era irreverente para o seu tempo. Tinha a força virginal do Espírito.

            Amiga de Santa Águeda que não se deixou seduzir pelos deuses daquele tempo. Era sua líder espiritual. As pessoas buscam líderes fracos e, humanamente, destronados. Ela era uma brava cristã. Mantinha o tino da altivez diante daquilo que acreditava.

            Luzia é mulher do êxtase. Ao despertar adentra-se à missão que lhe seria peculiar: ser testemunho de vida. Começa a se desfazer dos seus bens dando-os aos pobres. Primeira atitude de libertação. Não adianta imaginar cura e libertação se não se desfaz daquilo que nos prende às barganhas materiais.

            Um jovem pretendente indaga à sua mãe a razão de tanto esbanjamento. A mãe lhe responde que a filha encontrou as belezas do Paraiso mais estimulantes que as migalhas do mundo. O jovem entendeu que ela era cristã e a denunciou ao Imperador Diocleciano.

            Começa uma saga de atropelos desejando persuadi-la desse propósito cristão. Luzia se mantem firme na fé e no testemunho vital por uma fé inabalável. As tentativas de persuasão de nada valiam e não surtiam efeito algum. Tudo era em vão e os detratores vão se irritando com as derrotas.

            Luzia era uma luz que apagava todas as labaredas que se apresentavam diante dela. Era um milagre atrás do outro. Tudo a olhos vistos. Era uma jovem plena e tomada do Espírito de Deus que ascendia nela o desejo do testemunho cristão. O Imperador, soldados e os demais detratores ficavam corados e envergonhados.

            As chamas não surtiam o menor efeito; a degolação de nada adiantou até que lhe arrancaram os olhos e nasceram dois olhos mais lindos que os anteriores. Em síntese, degolaram seu pescoço como último recurso e sem sucesso em demover seu propósito de cristã.

Luzia dizia: “Adoro a um só Deus verdadeiro, a quem prometi amor e fidelidade”.  No mesmo instante a sua cabeça rolou pelo o chão. Era 13 de Dezembro do ano de 304 d.C.

Os cristãos recolheram o seu corpo e sepultaram-no nas catacumbas de Roma. A sua fama de santa se espalhou por toda a Itália e Europa e depois para todo o mundo, sendo hoje venerada e honrada como a “Santa da Visão”. Amemos Luzia e demos graças a Deus pela sua coragem e dedicação pela causa do Reino. Imploremos a sua proteção nas necessidades dos cuidados com os olhos.

“Nesse túnel escuro da vida, deve-se recorrer à Santa Luzia, buscando algumas fagulhas de luz. Por ele muitos passam, de modo que as carências sociais e econômicas têm levado muitas pessoas a buscarem, nos Santos de Deus, uma luz, uma esperança de iluminação” (p. 11. Santa Luzia: o brilho de uma luz, Paulus Editora).

Pe. Jerônimo Gasques
Paróquia Santo Antônio de Pádua
Presidente Prudente, SP

NOSSA SENHORA DE GUADALUPE

Na América Latina o título mariano que se destaca é, realmente, Nossa Senhora de Guadalupe. Já existe há quase 500 anos.

Na liturgia da Igreja Nossa Senhora de Guadalupe tem sua festa celebrada no dia 12 de dezembro. É considerada a padroeira principal da América Latina. A festa foi instituída em 1754.

A Igreja de Nossa Senhora de Guadalupe localize-se na cidade do México. É uma basílica menor da Igreja Católica.

A atual Basílica de Nossa Senhora de Guadalupe constitui um santuário nacional do México. Está situado no monte de Tepyac.

O Santuário mariano é considerado o principal templo da Igreja católica no continente americano. É a segunda igreja mais visitada do catolicismo no mundo, só perdendo para a Basílica de São Pedro.

A nova Basílica recebe mais de 20 milhões de visitantes ao longo do ano e inumeráveis peregrinações de todo o México. As grandes peregrinações chegam a 2.500 por ano. Os grupos espontâneos perfazem 6 mil anuais.

Basílica moderna

O Santuário de Nossa Senhora de Guadalupe é composto de várias igrejas e capelas, dentre elas as duas basílicas, uma do século XVI, e outra da década de 1970. A Basílica nova foi edificada em razão do afundamento da antiga devido ao terreno movediço. Isso porque a cidade do México foi construída em cima de um lago aterrado, o Lago de Texcoco.

A Basílica nova foi construída entre os anos de 1974 e 1976. Foi projetada pelo arquiteto mexicano Pedro Ramírez Vásquez. Sua inauguração transcorreu aos 12 de outubro de 1976.

A Basílica nova foi idealizada em estilo moderno. Viabiliza permitir uma vista total do altar para os devotos que estão no interior.

A estrutura é suportada por 350 pilares. Pode abrigar 10 mil peregrinos dentro da Igreja.

Na nova Basílica, em celebrações especiais, são colocados assentos adicionais e a capacidade chega até 40 mil lugares. O santuário abriga, em seu interior a tilma de Juan Diego Cuauhtlatoatzin.

Basílica antiga

A antiga Basílica é o primeiro templo católico dedicado a Nossa Senhora de Guadalupe. Começou a ser construída em 1531.

Foi concluída e inaugurada no dia 1º. de maio de 1709. Foi projetada por Pedro Arrieta. Em 24 de outubro de 1887 foram feitas reparações na igreja.

No dia 12 de outubro de 1895 a imagem de Nossa Senhora de Guadalupe foi solenemente coroada pelo arcebispo do México. 50 mil fiéis participaram com piedade e comoção.

O interior do templo é decorado em mármore com duas estátuas de Juan Diego e de D. Fr. Juan de Zumárraga. Em 1904, foi elevado à categoria de Basílica pelo Papa São Pio X.

As vestes de Juan Diego ficaram abrigadas na Igreja até 1974. Quando a nova Basílica ficou pronta, passaram para ela.

Na década de 1970 foi descoberto o afundamento do terreno. E novo templo teve que ser planejado.

Já em 1979, o Instituto Nacional de Antropologia e História (INAH), em parceria com a Igreja católica mexicana, iniciou um trabalho arqueológico para restaurar o chão da Igreja e impedir a perda de artefatos importantes.

Embora ainda não tenham sido finalizados os trabalhos na Basílica antiga, a primeira etapa da restauração já foi concluída com sucesso em 2000. O templo foi reaberto em 2001.

Origem da devoção

Os primeiros missionários, que chegaram ao México, eram originários da Espanha, país de tradição mariana. Além de transmitirem a fé cristã, eles também ensinaram a devoção da Virgem Maria. Nos albores da evangelização, o primeiro sinal luminoso do culto mariano foi a presença de Nossa Senhora de Guadalupe na religiosidade de nosso povo.

A devoção de Nossa Senhora de Guadalupe é proveniente do país do México, no século XVI. Surgiu em 1531, quando a Virgem Maria apareceu a Juan Diego, de 48 anos, na colina de Tepyac, localizado a noroeste da cidade do México.

Originário do México, Juan nasceu em 1474, em Calpuli. Era um índio nativo, que antes de ser batizado tinha o nome de Cuauhtlatoatzin.

Juan era um índio pobre, da Tribo de Nahua. Pertencia a mais baixa casta do Império Asteca. Dedicava ao difícil trabalho do campo e à fabricação de esteira.

Possuía um pedaço de terra, onde vivia feliz com a esposa, numa pequena casa, mas não tinha filho. Sua esposa se chamava Maria Lúcia.

Atraído pela pregação dos frades franciscanos que chegaram ao Méxido em 1524, Juan converteu-se ao cristianismo. Foi batizado junto com sua esposa. Receberam o nome cristão de  Juan Diego e Maria Lúcia.

Homem piedoso

Juan era um homem dedicado e piedoso, que sempre se retirava para fazer suas orações e penitências. Costumava caminhar de sua vila à cidade do Mèxico, percorrendo três horas e meia até a igreja, onde participava da missa e aprendia religião.

Juan andava descalço. Vestia, nas manhãs frias, uma roupa de tecido grosso de fibras de cactos como um manto, chamado tilma ou ayate, como todos de sua classe social.

Sua esposa adoeceu e faleceu em 1529. Juan foi morar com seu tio, diminuindo a distância da igreja. Fazia esse percurso todo sábado e domingo, saindo bem cedo, antes do amanhecer. Foi numa destas idas que Nossa Senhora lhe apareceu.

Quando ocorreram as aparições marianas, Juan tinha 57 anos. Ele dedicou-se ao serviço de Nossa Senhora de Guadalupe em sua pequena igreja. Deixando seu povoado para sempre, ele foi morar num pequeno quarto junto à igreja como ermitão, com licença do bispo. Amou, profundamente, o sacramento da eucaristia e consegui uma especial licença do bispo para receber a comunhão três vezes na semana, um fato bastante raro na época.

Juan cuidava bem do templo mariano. Todos os dias fazia uma oração familiar diante da imagem da Mãe de Deus. Era um homem exemplar, temente a Deus de consciência reta e louváveis costumes. Tinha tal reputação de santidade que os peregrinos, que frequentavam o pequeno santuário para suplicar favores a Virgem Maria, tomavam o indígena como intercessor e se recomendava às suas preces.

Juan faleceu no dia 30 de maio de 1538, aos 74 anos, de morte natural. Foi beatificado pelo Papa São João Paulo II em 1990.

Foi também canonizado por São João Paulo II em 2002. Foi o primeiro santo católico indígena americano. É modelo de fé simples e humilde nutrida pelo catecismo.

A festa litúrgica de São Juan é celebrada no dia 9 de dezembro. É padroeiro dos povos indígenas e floristas.

Aparições marianas

De acordo com os relatos históricos, a Virgem Maria apareceu primeiro quatro vezes a Juan. E também apareceu uma vez ao seu tio.

No dia 9 de dezembro de 1531, sábado, de madrugada, na cidade do México, Juan, recém batizado, dirigiu-se à Igreja de Santa Cruz de Tlaltelolco, que ficava a 24 km de sua casa, a fim de para participar da missa.

Ao passar junto à colina de Tepyac, o indígena ouviu um cântico harmonioso e suave, vindo do alto do morro. Enquanto admirava e olhava ao redor, cessou, de repente, o canto. Então ouviu uma voz delicada do alto que o chamava carinhosamente pelo nome.

Ao olhar em direção à colina, Juan viu uma Senhora belíssima, de pé, que o convidava a se aproximar. Subiu com toda pressa a encosta do outeiro. No topo do monte, estando diante dela, ele ficou maravilhado com sua beleza. Sua vestimenta brilhava.

Com ternura e polidez, a Senhora se apresentou a Juan como a Virgem Maria, Mãe de Jesus Cristo, o Verbo de Deus. Falando-lhe em sua língua, náhuatl, ela o enviou para dizer ao primeiro bispo do México, D. Fr. João de Zumárraga, que era seu desejo ardente que fosse erigida naquele local uma igreja em sua honra.

Logo após a aparição, Juan dirigiu-se até a cidade do México, onde ficava o palácio episcopal. Acanhado, transmitiu ao bispo a mensagem que recebera de Nossa Senhora. Sua missão não foi bem sucedida, porque a autoridade eclesiástica não acreditou na veracidade do fato.

Na tarde do mesmo dia 9, Juan novamente se encontrou com a Virgem Maria, que o esperava na colina. Ele quis renunciar a ser embaixador da Mãe de Deus junto ao bispo, pedindo que escolhesse outro mensageiro mais importante.

Missão reafirmada

Entretanto, Nossa Senhora não aceitou a renúncia de Juan. Reafirmou missão dele, dizendo-lhe que ele era plenamente capaz. Então, ela solicitou que ele, em seu nome, voltasse a falar com o bispo no dia seguinte e continuasse insistindo em seu pedido.

No domingo de manhã, 10 de dezembro, Juan, obedecendo a Mãe de Jesus, procurou novamente o bispo. O prelado instruiu que o indígena retornasse ao monte Tepyac e pedisse a Virgem Maria uma prova de sua identidade sobrenatural.

Ainda no dia 10, à tarde, Juan voltou para a colina e viu novamente Nossa Senhora, informando-lhe a resposta do bispo. Ela consentiu em fornecer no dia seguinte o sinal que o bispo lhe havia solicitado.

Na segunda-feira, 11 de dezembro, Juan não se apresentou ao encontro marcado com a Virgem Maria. Teve que cuidar do tio e pai de criação, Juan Bernardino, que adoecera gravemente. Em vão procurou um médico que atendesse o tio.

Na terça-feira, dia 12 de dezembro, Juan teve que ir às pressas a Tlatelolco para buscar um sacerdote para ouvir a confissão do tio e ministrar a unção dos enfermos em seu leito de morte.

Para evitar ser atrasado pela aparição e por sentir envergonhado por não ter conseguido ver a Virgem Maria na segunda-feira, Juan escolheu outra rota ao redor da colina. Mas a Mãe de Jesus o interceptou no desvio e pergunto-lhe para onde ele estava indo. O vidente desculpou-se, falando-lhe do tio doente.

Flores raras

Como mãe benigna, dadivosa e protetora, Nossa Senhora assegurou a Juan que seu tio obteria perfeito restabelecimento. Logo em seguida, ela lhe pediu que subisse o monte Tepyac e colhesse flores do seu cume, levando-as ao bispo.

No alto do morro o solo era estéril, principalmente em dezembro. Era inverno no hemisfério norte. Seguindo as instruções de Nossa Senhora, Juan colheu rosas castelhanas, não nativas do México, florescendo lá. Eram flores frescas. Ele as recolheu e as enrolou na manta.

Chegando ao palácio episcopal, depois de longa espera, Juan conseguiu a audiência com o bispo no dia 12 de dezembro. Repetiu-lhe a mensagem da Virgem Maria. Desdobrou a manta diante do bispo e de um grupo de assistentes.

Surpreso, o bispo viu a imagem de Nossa Senhora pintada na manta, de onde caíam as flores frescas em pleno inverno. Era o retrato da Mãe de Jesus que Juan tinha visto várias vezes na colina de Tepyac.

Emocionados, o bispo e todos os presentes caíram de joelhos beijando a imagem milagrosa. O bispo a guardou em sua capela.

Nome querido pela Virgem

No outro dia, 13 de dezembro, Juan e o bispo, com numeroso séquito, foram conhecer o lugar das aparições. Imediatamente, foram convidadas pessoas para construir a igreja no lugar que Nossa Senhora indicara.

No mesmo dia, Juan e o bispo foram visitar Juan Bernardino, seu tio, encontrando-o totalmente recuperado. Sorrindo, ouvindo o relato das aparições, Bernardino contou também que tinha visto a Virgem Maria ao lado de sua cama. Disse-lhe que ela desejava a construção de um templo na colina de Tepyac. Declarou que a Mãe de Deus queria que sua imagem fosse chamada: “Santa Maria de Guadalupe”.

Inicialmente, a imagem de Nossa Senhora de Guadalupe permaneceu por certo tempo na catedral da cidade. Os fiéis vinham ver e admirar a imagem como obra divina e rezavam diante dela. Ficavam muito comovidos da maneira como, por milagre, ela aparecera. Para eles, ficava evidente que nenhum ser humano da terra havia pintado aquela imagem da Mãe do Salvador.

Diante do fenômeno da aparição de Nossa Senhora de Guadalupe, em pouco tempo, os indígenas se converteram ao catolicismo. Eles “se sentiram amados pela Virgem Maria” (Pe. Ernesto N. Roman, sacerdote diocesano e escritor).

Em 26 de dezembro de 1531, a imagem de Nossa Senhora de Guadalupe foi solenemente transladada para uma pequena capela erguida no outeiro da coluna de Tepyac. No singular templo a pintura mariana ficou exposta à veneração pública dos fiéis.

O culto de Nossa Senhora de Guadalupe propagou-se rapidamente na região. Contribuiu muito para a difusão da fé católica entre os indígenas.

A devoção mariana provocou rápidas conversões dos mexicanos à Igreja de Cristo. Os franciscanos batizaram dez milhões de pessoas.

Padroeira da América Latina

Em 25 de maio de 1754, o Papa Bento XIV declarou Nossa Senhora de Guadalupe patrona da chamada Nova Espanha, que correspondia à América Central e América do Norte. Aprovou também os textos litúrgicos para a missa e breviário em sua homenagem.

Em 1891, o Papa Leão XII concedeu novos textos litúrgicos. Em 8 de fevereiro de 1895, ele autorizou a coroação canônica da imagem. Aos 12 de outubro de 1897, a imagem foi solenemente coroada.

Em 1910, São Pio X proclamou Nossa Senhora de Guadalupe como Padroeira da América Latina.

Em 1945, o Papa Pio XII deu-lhe o título de “Imperatriz da América”.

Atualmente, no centro da abside da majestosa Basílica observa-se o manto com as feições da Virgem Maria, conservados durante os últimos 500 anos. Testemunha o culto ininterrupto da Virgem Maria desde os inícios até hoje. “A presença de Maria de Guadalupe é um abraço amoroso a todos os seus devotos” (Pe. Corrado Maggioni, sacerdote montfortiano e escritor mariano).

Os devotos têm visitado continuamente a Basílica de Nossa Senhora de Guadalupe. Não só peregrinos do país, mas também do estrangeiro. O Santuário se transforma em centro de evangelização e nicho de aconchego dos filhos de Maria. “As aparições da Virgem Maria oficializadas pela Igreja sempre deixaram profundas marcas na história, na alma e no coração dos fiéis” (Pe. Reginaldo Manzotti, sacerdote evangelizador, escritor e cantor).

Ao contemplar a imagem de Nossa Senhora, todos os fiéis experimentam nela a ternura, a acolhida, a solicitude e o amparo daquela que é Mãe da humanidade, que intercede sempre por seus filhos junto a Jesus Cristo, o Salvador. Eles a veneram e a invocam com piedade, confiança e carinho.

Tilma e os olhos

A tilma de Juan é uma espécie de tecido tradicionalmente indígena dos povos pré-colombianos. Era um manto feito de fibras de cacto agave manguey.

Na tilma, usada por Juan, ficou originalmente estampada a imagem de Nossa Senhora de Guadalupe. A tilma mede 168 x 105 cm. A pintura tem 143 x 55 cm.

A pintura retrata uma mulher contemplativa de pele mestiça, rodeada por raios solares. Trata-se de uma jovem, com pele morena e rosto ovalado. Seu rosto é modesto, formoso e amável, de beleza inimitável. Suas mãos estão postas.

Na cabeça, por cima do manto, a imagem tinha uma coroa dourada, de dez pontas. Todavia, ao fazerem os preparativos para a solene coroação da Virgem Maria, a coroa havia desaparecido misteriosamente, sem deixar vestígio de raspadura ou outra intervenção humana.

A jovem está vestida com uma túnica de cor rosa, com arabescos dourados. A túnica é coberta por manto azul esverdeado, todo adornado de estrelas de oito pontas. Está em cima de uma lua crescente escurecida, que representa as forças do mal. É carregada por um anjo querubim.

O tecido da tilma é fraco, porque é constituído de fibras vegetais. Pode durar no máximo 20 anos.

A tilma ficou exposta ao longo de quase cinco séculos em lugares abertos. Foi levada em procissões. Ficou em diferentes templos. Tem sido atingida pelas emanações gasosas do lago subterrâneo vizinho.  No entanto, não se deteriorou. Ao contrário, tem resistido até hoje, permanecendo intacta mesmo após a passagem de quase 500 anos.

Os olhos de Nossa Senhora de Guadalupe estão sendo estudas por inúmeras investigações cientificas durante os últimos cinquenta anos.

Em 1929, os pesquisadores descobriram que as pupilas dos olhos dela refletem o momento em que Juan abriu o manto diante do bispo em 1531.

Nos olhos da Virgem de Guadalupe estão reproduzidos o pátio da residência episcopal, Juan e mais dez pessoas, algumas das quais estão sentadas.

Pe. Eugênio Antônio Bisinoto C.Ss.R.
Missionário Redentorista
Sacerdote e escritor
Igreja Santa Cruz – Araraquara – SP