Na segunda quinzena de outubro de 1717, no Rio Paraíba, onde mais tarde recebeu o nome de Aparecida, três pescadores, Filipe Pedroso, Domingos Garcia e João Alves, tentavam pescar a noite toda e nada conseguiam. Mas era uma ordem, um decreto: o Conde de Assumar ia passar por ali e queria experimentar os peixes do Rio Paraíba, que na língua indígena significa, “rio ruim de peixes” e numa época ruim de peixes, mas continuavam tentando porque acreditavam em Deus e, de repente, ao lançarem sua rede para pescar, colheram o corpo de uma imagem. “Vejam é um santo! Mas que santo é? Está sem a cabeça.” Enquanto tentavam descobrir, a barca foi descendo. Cerca de 100 metros para baixo, resolvem lançar a rede novamente e, mesmo sendo um grande rio, colhem a cabecinha da imagem e colocando ao seu corpo, reconhecem: “É a Imaculada Conceição!” Eles que confiavam tanto em Nossa Senhora, decidem lançar as redes novamente. E estas saem abarrotadas de peixes.

O Milagre da Pescaria se repete. Quando tinha acontecido antes? Na ressurreição de Jesus, quando os apóstolos desanimados pela sua morte, tinham voltado às antigas atividades e, após tentar pescar a noite toda, quando chegam à beira do lago, veem um moço, que a princípio não reconhecem que era o Cristo Ressuscitado. E Jesus pede que lancem as redes para o outro lado da barca no mais profundo e, lançando, saem abarrotadas de peixes. Essa semelhança nos mostra que este milagre acontecido nas águas do Rio Paraíba foi um milagre realizado lá no céu por Cristo Ressuscitado, a pedido de sua mãe, Nossa Senhora. Por isso, no encontro da imagem de Nossa Senhora. Desta forma percebemos que Nossa Senhora continua atenta aos nossos apuros, como foi nas bodas de Caná. Continua intercedendo à Jesus por nós e Jesus continua sendo um bom filho e atendendo ao pedido da mãe. Nisso vemos a força que tem a intercessão de Nossa Senhora. Nas bodas de Caná, Jesus até antecipa o momento de realizar o seu primeiro milagre e nas águas do Rio Paraíba, vemos que continua atendendo a intercessão de sua mãe. Nestes acontecimentos, Maria também nos ensina a estarmos sempre atentos às necessidades de nossos irmãos e, sem esperar que nos peçam, gratuitamente, sem esperar nada em troca, oferecermos a nossa ajuda, o nosso socorro.

A imagem de Nossa Senhora aparecida no Rio Paraíba é uma imagem de negra cor e é encontrada na época da escravidão dos negros. Assim, vemos Nossa Senhora confirmando a mensagem de Jesus, que pede o fim da escravidão, o fim de qualquer preconceito, de qualquer discriminação, de qualquer marginalização, de qualquer opressão. Quer sejamos brancos ou negros, sulinos ou nordestinos, católicos ou protestantes, homem ou mulher, somos todos iguais, filhos do mesmo Pai.

Esta imagem encontrada no Rio Paraíba, não é uma imagem caída do céu, mas é uma imagem feita de barro paulista, portanto feita por pessoas humanas. Ou seja, até aquele momento, não tinha nada de especial naquela imagem. Era apenas uma imagem quebrada e jogada no rio. A partir daquele momento Deus quis usar daquele singelo sinal para ser um grande sinal, reunindo todos os anos milhões de pessoas em Aparecida e em diversas igrejas que a tem como padroeira, ajudando a estas pessoas a se aproximarem mais de Deus, passarem pelo sacramento da Reconciliação e se fortalecerem na sua fé.

A imagem encontrada no Rio Paraíba, não foi encontrada com coroa e nem com o manto azul, mas com o seu manto que já faz parte da própria imagem. E olhando ela assim, sem o manto azul e de perfil, dá para perceber que é uma imagem de Nossa Senhora levemente grávida, ou seja, no inicio de uma gravidez. Portanto Nossa Senhora que nos traz Jesus no seu ventre. Maria continua nos apontando a Jesus e pedindo que façamos tudo o que ele nos disser. Maria é a ponte que nos conduz a Jesus e nos ajuda a sermos verdadeiros cristãos. Portanto nós como verdadeiros católicos, não precisamos de falsas pontes que dizem ser o caminho seguro para o cristianismo, mas nos conduzem para a construção do ódio, da violência, do desejo de atirar e matar a outros irmãos, ou seja, nos conduzem para o caminho oposto ao de Jesus, nos conduzem para o precipício, para a morte, para o inferno. Maria nos mostra sempre o caminho de Jesus que ensina com a Palavra e com o Testemunho que a construção da Vida Eterna passa pela prática da humildade, do amor e do perdão. No alto da cruz, Jesus é capaz de pedir a Deus que perdoe seus malfeitores e ali mesmo, diante do pedido de Dimas que era um dos ladrões que estava crucificado ao seu lado, Jesus garante a ele que naquele mesmo dia estaria com Ele no Paraíso. Aí temos o primeiro santo canonizado pelo próprio Jesus e que era um pecador, um ladrão. Aí percebemos o quanto é grande a misericórdia de Deus por nós. E Maria é a nossa mãe de misericórdia.

Após aquela pescaria, a imagem encontrada ficou 15 anos na casa do Filipe Pedroso e depois ele passou para seu filho Atanásio Pedroso que construiu um pequeno oratório onde a vizinhança se reunia todos os sábados para rezar. Onze anos depois, com a ocorrência de milagres e a divulgação da devoção à Nossa Senhora Aparecida, como começou a ser chamada pelo povo, foi inaugurado a primeira Capela. Como esta, com o passar dos anos, não comportasse mais o número de devotos, iniciou-se 97 anos depois a construção de um novo templo que foi inaugurado em 1888 e alguns anos depois foi elevado à dignidade de “Episcopal Santuário de Nossa Senhora Aparecida”. Em 1904, por ordem do Papa Pio X, a imagem foi solenemente coroada e em 1908 foi concedido ao santuário o título de Basílica Menor. Em 1930 o Papa Pio XI declarou e proclamou Nossa Senhora Aparecida Padroeira do Brasil “para promover o bem espiritual dos fiéis e aumentar cada vez mais a devoção à Imaculada Mãe de Deus”. Assim ela recebe o manto azul que tem a bandeira do Brasil e também a bandeira do Vaticano, mostrando que Nossa Senhora é a mãe da Igreja e é a padroeira do Brasil. Em 1967, o Papa Paulo VI homenageou Nossa Senhora Aparecida com uma “Rosa de Ouro”. Em 1952 iniciou-se a construção da nova Basílica Nacional de Nossa Senhora Aparecida, solenemente dedicada pelo Papa João Paulo II em 1980.

Outro detalhe na imagem de Nossa Senhora Aparecida, são as suas mãos postas, em oração. Ela nos ensina que devemos rezar sempre. Em 1978 quando a imagem ainda ficava na Antiga Basílica, um louco protestante aproximou onde a imagem estava, quebrou o vidro e quando os guardas se aproximaram, jogou-a com força no chão e ela se quebrou em um montão de pedacinhos, sendo depois toda restaurada. Mas um fato chamou a atenção nesse acontecimento: mesmo a imagem tendo se quebrada por inteiro, as suas mãozinhas postas, mesmo minúsculas, não se quebraram. Deus também quis nos falar nesse acontecimento: Aconteça o que acontecer em nossa vida, pode quebrar tudo, podemos perder tudo o que tivermos, até mesmo toda família, jamais devemos perder a nossa fé. E Maria nos dá esse testemunho: mesmo vendo seu único filho morrer pregado na cruz, ela não perdeu a fé. Pelo contrário, ela e outras mulheres foram quem reuniram novamente os apóstolos que já tinham perdido as esperanças na ressurreição. Assim, Nossa Senhora nos ajuda a entender que o nosso único caminho de salvação é o caminho de Jesus. Ele é o verdadeiro messias, o nosso Salvador. Que a nossa Segurança e a nossa Força estejam sempre em Jesus. E confiando unicamente na sua Palavra, sigamos o seu exemplo e sejamos também nós defensores da vida e construtores do Reino de Deus na prática do amor fraterno. Que Nossa Senhora Aparecida interceda a Jesus por cada um de nós e especialmente pelo nosso Brasil, para que sejamos um povo mais irmão, fraterno e justo e fiel no seguimento à Jesus! Amém!

Pe. Luiz Carlos Treider CSsR

Missionário Redentorista

São João da Boa Vista – SP

 

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