Atos dos Apóstolos e a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos

 “Eles nos demonstraram uma benevolência fora do comum” (At 28,2), lema escolhido para esta semana de oração: “24 a 31 de maio”. As pessoas que haviam sofrido um naufrágio, durante a viagem de Paulo a Roma, foram acolhidas com generosidade pelos habitantes da ilha de Malta. Essa ilha, situada no coração do mar Mediterrâneo, marca o encontro de civilizações, culturas e religiões. A leitura de “Atos dos Apóstolos 27,18–28,10”, utilizada na festa em Malta para celebrar a chegada da fé cristã através de Paulo, é o texto indicado para iluminar a oração e as celebrações pela unidade dos cristãos, no respeito às diferenças e comunhão na diversidade. O texto bíblico mostra o drama enfrentado pelos diversos grupos de passageiros do navio, para vencer as divisões e garantir a vida para todos em meio à tempestade. A travessia do mar Mediterrâneo reflete também a situação de tantos migrantes e refugiados em busca de vida mais digna.

& Atos dos Apóstolos 27,18–28,10, últimos capítulos do livro que foi escrito em torno do ano 90 da era cristã, quando a perseguição aumentava com o imperador Dominicano (81–96).  Segundo Fernando Altemeyer, o livro dos Atos dos Apóstolos se estrutura em cinco grandes sessões ou blocos:

1. Origens da Igreja em Jerusalém, onde a questão ecumênica está no conflito com o judaísmo legalista. O preço humano desse conflito serão as vidas ceifadas de Estevão e Tiago.

2. Perseguição e missão ecumênica: de Jerusalém a Antioquia, onde a crise ecumênica se situará no encontro das diversas identidades culturais dos samaritanos, antioquenos e etíopes. Aqui vivemos a conversão de Paulo e a perseguição de Pedro.

3. Primeira viagem e Concílio, sendo questão chave no ecumenismo o debate em Jerusalém sobre a circuncisão e os costumes judaicos.  A proclamação de Pedro e o decreto conciliar abrirão caminho para a liberdade ecumênica sem rupturas internas.

4. Grande viagem e fundação das Igrejas na Ásia e na Grécia, sendo o tema ecumênico central a inserção do Evangelho de Cristo no mundo cultural grego e o confronto com as autoridades e estruturas imperiais de Roma.

5. Paulo prisioneiro, desde Jerusalém (ano 58) e Cesareia, e o complexo processo diante de Félix com a narração da viagem à capital do Império, Roma (no outono-inverno do ano 60), e sua prisão domiciliar entre os anos 61-63.

Paulo de Tarso é o defensor de metodologia e pedagogia ecumênicas, marcadas pela abertura e pela superação de imposições. De perseguidor a evangelizador, vive na carne o drama das primeiras divisões entre os cristãos. O clímax da crise ele vive na Igreja de Éfeso. A experiência pessoal de Damasco irá impregnar-se em seus atos e palavras. Sua conversão constitui-se na reviravolta histórica fundamental no movimento cristão primitivo. Depois do que Paulo viveu ali em Damasco, tudo será feito como uma grande tarefa ecumênica.  O “néo-apóstolo ecumênico”, após permanecer três dias sem ver, comer e beber, está preparado para empreender o caminho novo. Escreve cartas para animar e superar conflitos e preconceitos. Fala do único corpo de Cristo em suas epístolas e realiza viagens para costurar e compor um corpo firme e unido. Paulo reconhece que todos têm a possibilidade de conhecer a vontade de Deus e viver o Evangelho (Vida Pastoral – Julho-Agosto de 2001).

& Atos dos Apóstolos 27,1-12: “Embarque para Roma”

A viagem a Roma é consequência do recurso de Paulo ao imperador (25,11; 26,32), mas também a realização de um projeto apostólico (19,21) e de um desígnio providencial (23,11). Paulo viaja em companhia de outros prisioneiros e do centurião com seus soldados. A navegação dependia de ventos favoráveis. A escala em Sidônia possibilitaPaulo “encontrar seus amigos e receber assistência deles” (27,3). Ao chegar a Mira, embarcam em um navio comercial vindo de Alexandria, no Egito, carregado de trigo (27,38) e com outros passageiros. Em Bons Portos tiveram que decidir os rumos da viagem. Já havia passado o “jejum”, o Dia da Expiação celebrado entre o fim de setembro e o início de outubro, e aproximava-se o inverno, quando a navegação era suspensa. Paulo aconselha a permanecer ao abrigo de Creta, a fim de preservar a carga, o navio e, sobretudo as vidas. O piloto queria chegar a Fênix, um porto de Creta mais seguro para passar o inverno. O centurião desejava continuar a viagem e prevalece sua opinião.

& Atos dos Apóstolos 27,13-26: “A tempestade”

O início do inverno no mar Mediterrâneo oriental se caracterizava pela formação de repentinas tempestades. Em tais circunstâncias abandonar a costa meridional de Creta era uma decisão imprudente, pois a embarcação ficava exposta a fortes ventos do norte como o “euraquilão”. Por isso, enfrentaram uma violenta tempestade e o apóstolo Paulo lembra sua predição profética para não deixar Creta. Neste momento difícil, a presença de Paulo anima a esperança dos tripulantes e passageiros:Convido a manter a coragem; pois nenhum de vós perderá a vida” (27,22). Deus manifesta seu plano salvífico mediante o apóstolo Paulo, que transmite confiança a todos os seus companheiros de travessia: “Confio em Deus, que tudo acontecerá como me foi dito” (27,23-25).  “Devemos encalhar em alguma ilha”.

& Atos dos Apóstolos 27,27-44: “Salvos do naufrágio”

 O navio continuava à deriva no mar “Adriático”, parte do Mediterrâneo entre Creta (Grécia) e a Cicília (Itália). Os marinheiros pressentem a aproximação de terra e têm a intenção de abandonar o navio. Paulo comunica paz, promove o diálogo e a colaboração entre todos os passageiros. Ele mesmo se fortalece ao “tomar o pão, dar graças a Deus, partir o pão e comer”, exemplo que reanima todos a se alimentarem também (27,33-38). Esta comida tem sentido eucarístico e o barco neste momento simboliza as comunidades dos seguidores de Cristo, navegando entre ondas tormentosas, porém oferecendo segurança aos que estão a bordo.  O navio finalmente encalha, mas os soldados decidem matar os prisioneiros, os mais vulneráveis (27,41-42). A vida dos descartáveis é conservada em vista de Paulo, instrumento de salvação ao qual Deus confiou a vida de todos os seus companheiros de viagem (27,24).  Assim, “todos chegaram sãos e salvos em terra”.

& Atos dos Apóstolos 28,1-10: “Paulo em Malta”

Malta, com seus portos, servia de base para o comércio no mar Mediterrâneo e era utilizada para passar o inverno. Os que haviam sofrido o naufrágio foram acolhidos com amabilidade: “Eles nos demonstraram uma benevolência fora do comum” (28,2). Unidos ao redor do fogo com os povos da ilha, os grupos que estavam no navio superam as divisões e fortalecem a comunhão na diversidade. “Acolhida e hospitalidade” (28,7) contribuem para o apóstolo Paulo evangelizar, mesmo sob a total vigilância da tropa. A víbora, o poder opressor (Mc 16,18; Lc 10,19) não impede o prisioneiro Paulo de realizar sinais libertadores em favor da vida e dignidade das pessoas.  O pai de Públio, governador da ilha, estava doente e “Paulo foi visitá-lo, rezou, impôs-lhe as mãos e o curou” (28,8). Os habitantes da ilha reconhecem que o apóstolo Paulo é sinal da presença de Deus: “Os doentes vinham ter com ele e eram curados” (28,9).  Eles nos deram numerosas provas de estima, e quando partimos “proveram-nos de todo o necessário” (28,10).  Acolhem com gratidão a Boa Nova que chega por meio de Paulo, o apóstolo de todas as gentes.

O cuidado, a solidariedade demonstra sintonia com Jesus e seu projeto (Mt 25,31-46). O papa Francisco fala dos migrantes e refugiados, forçados como Jesus Cristo a fugir. Convida a acolher, proteger, promover e integrar os deslocados. Quase todos os dias, a televisão e os jornais dão notícias de refugiados que fogem da fome, guerra e outros perigos graves, em busca de segurança e de uma vida digna para si e para as suas famílias. Em cada um deles, está presente Jesus, forçado – como no tempo de Herodes – a fugir para Se salvar. Os conflitos e as emergências humanitárias, agravadas pelas convulsões climáticas, aumentam o número dos deslocados e se repercutem sobre as pessoas que já vivem em grave estado de pobreza. Muitos dos países atingidos por estas situações carecem de estruturas adequadas, que permitam atender às necessidades daqueles que foram deslocados. 

            A pandemia recordou-nos como é essencial a corresponsabilidade, pois só é possível enfrentar a crise com a contribuição de todos, mesmo de categorias frequentemente subestimadas. Devemos encontrar a coragem de abrir espaços onde todos possam sentir-se chamados e permitir novas formas de hospitalidade, de fraternidade e de solidariedade.  É necessário colaborar para construir. O apóstolo Paulo recomenda a superar as divisões e a permanecer unidos no mesmo espírito(1Cor 1,10). A construção do Reino de Deus é um compromisso comum a todos os cristãos. Para salvaguardar a Casa Comum e torná-la cada vez mais parecida com o plano original de Deus, devemos empenhar-nos em garantir a cooperação internacional, a solidariedade global e o compromisso local, sem deixar ninguém de fora.

No próximo dia 24 de maio terá início o Ano Especial dedicado à “Laudato Si”. No Brasil, em particular, é urgente concretizar essa Encíclica no contexto da Amazônia. Estamos bem próximos do ponto de não retorno, à beira da desertificação desse bioma. O Grito da terra e dos pobres na Amazônia chega ao limite, denuncia Pe. Dario Bossi. E, com a pandemia, todos estamos na mesma tempestade mesmo se, em barcos muito diferentes: alguns mais frágeis, outros mais fortes. Porém, mais uma vez, os mais pobres estão sendo as maiores vítimas de um mundo desajustado que traiu o sonho de Deus.

Que o clamor em prol de vida digna para todos leve a superar as divisões e desigualdades como propõe o apóstolo Paulo ao dizer: “Não há mais judeu ou grego, escravo ou livre, homem ou mulher, pois todos vós sois um só em Cristo Jesus” (Gl 3,28). Ao longo desta semana de oração pela unidade dos cristãos, invoquemos confiantes: “Vinde, Espírito de Deus, e enchei os corações dos fiéis com vossos dons! Acendei neles o amor como um fogo abrasador! Vós que unistes tantas gentes, tantas línguas diferentes numa fé, na unidade e na mesma caridade”.     

Irmã Helena Ghiggi, da congregação Discípulas do Divino Mestre.

REZAR O TERÇO

O Papa Franciso motivou a oração do rosário para todo este mês de maio. No calendário popular, dedicamos este mês a Maria, Mãe de Jesus. A oração do Terço (ou Rosário) é uma oração milenar da igreja. Segundo a Carta Apostólica ROSARIUM VIRGINIS MARIAE, “o Rosário situa-se na melhor e mais garantida tradição da contemplação cristã. Desenvolvido no Ocidente, é oração tipicamente meditativa e corresponde, de certo modo, à « oração do coração » ou « oração de Jesus » germinada no húmus do Oriente cristão”.

Ainda na introdução desta Carta Apostólica, o Papa João Paulo II motiva para a oraçao: “Na sobriedade dos seus elementos, concentra a profundidade de toda a mensagem evangélica, da qual é quase um compêndio. Nele ecoa a oração de Maria, o seu perene Magnificat pela obra da Encarnação redentora iniciada no seu ventre virginal. Com ele, o povo cristão frequenta a escola de Maria, para deixar-se introduzir na contemplação da beleza do rosto de Cristo e na experiência da profundidade do seu amor. Mediante o Rosário, o crente alcança a graça em abundância, como se a recebesse das mesmas mãos da Mãe do Redentor”. 

Assim somos convidados a contemplar Cristo por Maria. A contemplação de Cristo tem em Maria o seu modelo insuperável. O rosto do Filho pertence-lhe sob um título especial. Foi no seu ventre que Se plasmou, recebendo d’Ela também uma semelhança humana que evoca uma intimidade espiritual certamente ainda maior. À contemplação do rosto de Cristo, ninguém se dedicou com a mesma assiduidade de Maria. Os olhos do seu coração concentram-se de algum modo sobre Ele já na Anunciação, quando O concebe por obra do Espírito Santo; nos meses seguintes, começa a sentir sua presença e a pressagiar os contornos. Quando finalmente O dá à luz em Belém, também os seus olhos de carne podem fixar-se com ternura no rosto do Filho, que envolveu em panos e recostou numa manjedoura (cf. Lc 2, 7).

Como rezar o terço?

A partir da cruz, siga as orações na sequência indicada

  • Inicia-se segurando pela cruz, com o Sinal a Cruz, Oferecimento do Terço e a oração do Creio (ver orações abaixo)
  • Reza-se um Pai-Nosso, seguido de três Ave-Maria.
  • Recita-se: Glória ao Pai, ao Filho…
  • O terço possui 5 dezenas. A cada dezena contempla-se o mistério, seguido de 1 Pai-Nosso e 10 Ave-Maria
  • Ao final de cada dezena reza-se Glória ao Pai seguido da jaculatória Oh! meu bom Jesus… (vide orações abaixo)
  • Ao concluir as 5 dezenas, reza-se os agradecimentos

Orações do Terço

Oferecimento do Terço (reza-se no início)

Divino Jesus, eu vos ofereço este terço (Rosário) que vou rezar, contemplando os mistérios de nossa Redenção. Concedei-me, pela intercessão de Maria, vossa Mãe Santíssima, a quem me dirijo, as graças necessárias para bem rezá-lo para ganhar as indulgências desta santa devoção.

Creio em Deus Pai

Creio em Deus Pai todo-poderoso, Criador do céu e da terra, e em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor, que foi concebido pelo poder do Espírito Santo, nasceu da Virgem Maria, padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado; desceu à mansão dos mortos; ressuscitou ao terceiro dia; subiu aos céus, está sentado à direita de Deus Pai todo poderoso, donde há de vir julgar os vivos e os mortos. Creio no Espírito Santo, na Santa Igreja Católica, na comunhão dos santos, na remissão dos pecados, na ressurreição da carne e na vida eterna. Amém.

Pai Nosso

Pai Nosso que estais no Céu, santificado seja o Vosso nome, venha a nós o Vosso reino, seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje; perdoai-nos as nossa ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal. Amém.

Ave Maria

Ave Maria cheia de graça, o Senhor é convosco, bendita sois vós entre as mulheres e bendito é o fruto do vosso ventre Jesus. Santa Maria Mãe de Deus, rogai por nós pecadores, agora e na hora de nossa morte. Amém.

Glória ao Pai

  • Glória ao Pai, ao Filho e o Espírito Santo. Como era no princípio, agora é sempre. Amém.

Oh! Meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno, levai as almas todas para o céu e socorrei principalmente as que mais precisarem. Amém.

 Na oração do Rosário contemplam-se todos os mistérios. No caso da oração do Terço, contempla-se um dos mistérios, conforme dias e mistérios a seguir:

Mistérios Gozosos (segundas e sábados)

1º Mistério – Encarnação do Filho de Deus
No primeiro mistério contemplemos a Anunciação do Arcanjo São Gabriel à Nossa Senhora. Disse o Anjo à Maria: “Eis que conceberás e darás à luz um filho e o chamarás com o nome de Jesus”. Disse então Maria: “Eu sou a serva do Senhor; faça-se em mim, segundo a tua palavra”. (Lc 1,31.37)
Intenção: aprendamos e peçamos a humildade de Maria ante o chamado de Deus.

2º Mistério – Maria visita sua prima Isabel.
“Maria pôs-se a caminho, para a região montanhosa, dirigindo-se apressadamente a uma cidade de Judá. Entrando em casa de Zacarias, saudou Isabel (…) que repleta do Espírito Santo, exclamou: ‘Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre” (…) Feliz a que acreditou, pois o que lhe foi dito da parte do Senhor será cumprido”. Lc 1,39-45
Intenção: admiremos e peçamos o amor de Maria para com o próximo.

3º Mistério – Jesus nasce na pobreza de Belém
Enquanto se encontravam em Belém, completaram-se os dias para o parto, e ela deu à luz o seu filho primogênito, envolveu-o com faixas e reclinou-o numa manjedoura, porque não havia um lugar para eles na sala. Lc 2, 6-7
Intenção: peçamos a Jesus e a Maria o espírito de pobreza evangélica.

4º Mistério – Cumprindo a lei de Moisés, Maria apresenta Jesus no templo
“Quando se completaram os dias para a purificação deles, segundo a lei de Moséis, levaram-no a Jerusalém, a fim de apresentá-lo ao Senhor… E Simeão disse a Maria: “Eis que este menino foi colocado para a queda e o soerguimento de muitos em Israel, e como um sinal de contradição. E a ti, uma espada transpassará a tua alma, para que se revelem os pensamentos íntimos de muitos corações”. Lc 2, 22.34-35
Intenção: consideremos e peçamos a obediência que teve a Virgem Maria.

5º Mistério – O menino Jesus, perdido e encontrado no Templo, entre os doutores.
“Ao vê-lo, ficaram surpresos, e a mãe lhe disse: ‘Meu filho, por que agiste assim conosco? Olha que teu pai e eu, aflitos, te procurávamos’. Ele respondeu: ‘Por que me procuráveis? Não sabíeis que devo estar na casa de meu Pai?’ Eles porém, não compreenderam a palavra que eles lhe dissera” Lc 2, 48-50
Intenção: peçamos a graça de conhecer e seguir nossa vocação.

Mistérios Dolorosos (terças e sextas-feiras)

 1º Mistério – A oração e o sofrimento de Jesus no Jardim das Oliveiras.
“Disse-lhe Jesus: ‘Minha alma está triste até a morte. Permanecei aqui e vigiai comigo”. E, indo um pouco diante, prostrou-se com o rosto em terra e orou: ‘Meu Pai, se é possível, passe de mim este cálice; todavia, não seja como eu quero, mas como tu queres. Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; pois o espírito está pronto, mas a carne é fraca”. Mt 26,38-39.41
Intenção: peçamos o espírito de oração.

2º Mistério – Jesus é flagelado.
Disse-lhes: Vós me apresentastes este homem como agitador do povo. Ora, eu o interroguei diante de vós e não encontrei neste homem motivo algum de condenação, como o acusais (…) Como vedes, este homem nada fez que mereça a morte. Por isso, vou soltá-lo, depois de o castigar. Eles, porém, vociferaram todos juntos: ‘Morra este homem! Solta-nos Barrabás!’. Pilatos então tomou a Jesus e o mandou flagelar. Lc 23,14.15b-18; Jo 19,1
Intenção: peçamos a virtude do amor ao próximo.

3º Mistério – A coroação de espinhos de Jesus.
“Os soldados, tecendo uma coroa de espinhos, puseram-na em sua cabeça e jogaram sobre ele um manto de púrpura. Aproximando-se dele, diziam: ‘Salve, rei dos Judeus!’ E o esbofeteavam”. Jo 19, 2-3
Intenção: peçamos a pureza de intenções e de desejos.

4º Mistério – Jesus carrega a pesada cruz, rumo ao Calvário
“Depois de caçoarem dele, despiram-lhe a capa escarlate e tornaram a vesti-lo com suas próprias vestes e levaram-no para o crucificar. Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me”. Mt 27,31; Mc 8,34b
Intenção: admiremos a paciência do Salvador e peçamos a graça de ser pacientes em nossas provas e sofrimentos.

5º Mistério – Jesus morre na cruz por todos os homens
“Tomaram então a Jesus. E ele saiu, carregando a sua cruz e chegou ao chamado ‘lugar da Caveira’ (…) onde o crucificaram; e com ele, dois outros: um de cada lado, e Jesus no meio”. Jesus, então, vendo a sua mãe e, perto dela, o discípulo a quem amava, disse à sua mãe: ‘Mulher, eis o teu filho!’ Depois disse ao discípulo: ‘Eis a tua mãe!’.” Jo 19,16b-18.26-27a
Intenção: Peçamos a graça de compreender e viver a missa, que é renovação do sacrifício do Calvário.

 Mistérios Gloriosos (quartas-feiras e Domingos)

1º Mistério – Jesus ressuscita, vencendo a morte
“Disse o Anjo às mulheres: ‘Não temais! Sei que estais procurando Jesus, o crucificado. Ele não está aqui, pois ressurgiu, conforme havia dito (…). Ide dizer aos seus discípulos e a Pedro que ele vos precede na Galileia. Lá o vereis, como vos tinha dito’.” Mt 28,5b-6a; Mc 16,7
Intenção: peçamos a plena transformação de nossa vida em Cristo.

2º Mistério – A ascensão de Jesus Cristo ao céu.
“Jesus levou os discípulos até Betânia. E erguendo as mãos, abençoou-os. E enquanto os abençoava, distanciou-se deles e era elevado ao céu. Eles se prostraram diante dele, e depois voltaram a Jerusalém, com grande alegria(…)” Lc 24, 50b-52
Intenção: peçamos a graça de buscar unicamente o Reino de Deus e sua justiça, porque tudo mais nos será dado por acréscimo.

3º Mistério – A vinda do Espírito Santo sobre Maria e os Apóstolos.
“Quando chegou o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar. De repente, veio do céu um ruído semelhante ao soprar de impetuoso vendaval; e encheu toda a casa onde se achavam. E apareceram umas línguass de fogo, que se distribuíram e foram pousar sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito os impelia a falar (…) Pedro disse: “Não, esses homens não estão ébrios, como pensais (…) mas é que se realiza a palavra do profeta: Sucederános últimos dias, diz o Senhor, derramarei o meu Espírito sobre toda carne”. ” At 2,1-4.15a-16.17a
Intenção: peçamos os dons do Espírito Santo, especialmente a sabedoria, a fortaleza e o zelo.

4º Mistério – A gloriosa assunção de Maria no Céu.
“A gloriosa assunção de Maria ao céu é a festa do seu destino de plenitude e de felicidade, da glorificação de sua alma imaculada e de seu corpo virginal, bem como de sua perfeita configuração com o Cristo ressuscitado”. (Paulo VI)
Intenção: peçamos a graça de viver noss vocação à santidade.

5º Mistério – Maria é coroada Rainha do céu e da terra, e intercessora de todos os homens junto a seu Filho Jesus.
“A festa da Assunção prolonga-se alegremente na celebração da festa da realeza de Maria. Neste mistério, nós a contemplamos junto ao Rei dos séculos, onde resplandece como Rainha e intercede com Mãe”. (Paulo VI)
Intenção: proponhamo-nos confiar na mediação de Maria e peçamos o dom da perseverança.

 Mistérios Luminosos (quinta-feira)

Introdução dos mistérios feitas pelo São João Paulo II.

1º Mistério – Contemplamos Jesus sendo batizado por João Batista no Rio Jordão. Enquanto Cristo desce à água do rio, como inocente que se faz pecado por nós, o céu se abre e voz do Pai proclama-o Filho dileto, ao mesmo tempo em que o Espírito vem sobre ele para investi-lo na missão que o espera.

2º Mistério – contemplamos o início dos sinais de Caná, quando Cristo, transformando a água em vinho, abre à fé o coração dos discípulos graças à intervenção de Maria, a primeira entre os que creem.

3º Mistério – Contemplamos a pregação com a qual Jesus anuncia o advento do Reino de Deus e convida à conversão, perdoando os pecados de quem se dirige a ele com humilde confiança, início do mistério de misericórdia que ele prosseguirá exercendo até o fim do mundo, especialmente por meio do sacramento da reconciliação confiado à sua Igreja.

4º Mistério – Contemplamos a transfiguração de Jesus que, segundo a tradição, se deu no monte Tabor. A glória da divindade reluz no rosto de Cristo, enquanto o Pai o credencia aos apóstolos extasiados para que o “escutem” e se disponham a viver com ele o momento doloroso da paixão, a fim de chegarem com ele à glória da ressurreição e a uma vida transfigurada pelo Espírito Satno.

5º Mistério – Contemplamos a instituição da Eucaristia, na qual Cristo se faz alimento com o seu corpo e o seu sangue sob os sinais do pão e do vinho, testemunhando “até o extremo” seu amor pela humanidade, por cuja salvação se oferecerá em sacrifício.

Agradecimentos – no final do terço

Infinitas graças vos damos, Soberana Rainha, pelos benefícios que todos os dias recebemos de vossa mão liberais. Dignai-vos, agora e para sempre, tomar-nos debaixo do vosso poderoso amparo e para mais vos obrigar vos saudamos com uma Salve Rainha:

Salve Rainha, Mãe de Misericórdia, vida, doçura, esperança nossa, salve! A vós bradamos, os degredados filhos de Eva; a vós suspiramos gemendo e chorando neste vale de lágrimas. Eia, pois, advogada nossa esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei, e depois deste desterro nos mostrai a Jesus, bendito fruto do vosso ventre, ó Clemente, ó Piedosa, ó Doce, sempre virgem Maria.

V. Rogai por nós, Santa Mãe de Deus,
R. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo. Amém.

Venerável Majorino Vigolungo: modelo de santidade

Hoje celebramos o nascimento do jovem estudante paulino Majorino Vigolungo. Ele nasceu a 6 de maio de 1904 em Benvello, norte da Itália. Filho de trabalhadores rurais, não admitia a mediocridade. Ingressou nos Padres e Irmãos Paulinos a 15 de outubro de 1916, com apenas 12 anos.

Seu ideal de vida era alcançar a santidade o mais rápido possível, ser padre e ser apóstolo da boa imprensa. Ficou conhecido na Família Paulina pela seguinte máxima: “progredir um pouquinho a cada dia”.

Amante da Eucaristia, dedicou-se à vocação e missão dos Paulinos com grande entusiasmo, até que em 1918, no dia 27 de julho, vítima de meningite, veio a falecer enquanto era assistido por Padre Alberione. Suas últimas palavras foram: “cumprimente a todos os meus companheiros, diga-lhes que rezem por mim e que nos encontraremos todos no céu”. Considerado patrono dos Aspirantes Paulinos, foi declarado venerável no dia 28 de março de 1988, pelo Papa João Paulo II.

Fonte: https://www.paulinos.org.br/home/modelos-de-santidade/

São José, Operário de Nazaré e o dia 1º de maio

O dia 1º de maio tornou-se dia do trabalhador, celebrado internacionalmente, depois que um grupo de operários morreu em violentos confrontos nos EUA, em 1886, justamente quando reivindicavam a valorização e o reconhecimento da dignidade do seu trabalho. Cumprindo jornadas extenuantes de até 13 ou 14 horas diárias de atividades laborais, os operários não tinham benefícios, seguridade social ou direitos trabalhistas garantidos em leis. A industrialização seguia acelerada priorizando o capital em prejuízo da mão-de-obra dos trabalhadores.

Assim, a celebração desse dia surgiu para fazer memória dos trabalhadores que morreram defendendo a causa do trabalho com dignidade. No entanto, aos poucos, a data foi se transformando em dia de festa e comemoração. E o eixo da celebração se deslocou da memória da vida dos trabalhadores para “dia do trabalho”. No entanto, o mais correto é que o dia 1º de maio seja “dia do trabalhador”, uma vez que todos os dias do ano são dias de trabalho, especialmente para os mais pobres que são, justamente, os que mais trabalham ao longo da vida, com jornadas mais intensas, realizando trabalhos mais exigentes e com menor remuneração.

Em 1955 o Papa Pio XII (1939-1958) estabeleceu que no dia 1º de maio seja celebrada, na Igreja, a memória de São José Operário, pai adotivo de Jesus, cuja vida foi toda marcada pelo trabalho e pelo cuidado e proteção dispensados ao Menino e a Maria, sua mãe. Refletindo sobre a importância da figura de São José e do testemunho de sua vida para os cristãos, o Papa João Paulo II (1978-2005) afirmou que “no crescimento humano de Jesus em sabedoria, em estatura e em graça teve uma parte notável a virtude da laboriosidade, dado que o trabalho é um bem do homem, que transforma a natureza e torna o homem, em certo sentido, mais homem [ou seja, mais humano]” (Exortação apostólica Redemptoris Custos, n. 23).

O trabalho, com efeito, é uma dimensão constitutiva do ser humano, sem a qual a pessoa não se realiza plenamente. Segundo os relatos evangélicos, o próprio Filho de Deus foi primeiramente identificado entre os seus conterrâneos pelo trabalho que exercia, herdado do pai, conforme o costume da época. O evangelista Mateus informa que, entrando Jesus em sua cidade natal, as pessoas admiradas com a sabedoria de seu ensinamento se perguntavam: “Não é este o filho do carpinteiro” (Mt 13,55). No evangelho de Marcos a mesma cena se repete e as pessoas se indagam: “Não é este o carpinteiro, filho de Maria?” (Mc 6,3). Em outra passagem Jesus afirma que Deus Pai também é trabalhador: “Meu Pai trabalha sempre e eu também trabalho” (Jo 5,17). O livro do Gênesis, com efeito, afirma que Deus trabalhou intensamente na obra da criação durante vários dias e que também descansou: “Tendo Deus terminado no sétimo dia a obra que tinha feito, descansou do seu trabalho” (Gn 2,2). 

Ora, criada à imagem e semelhança de Deus, a pessoa humana define-se pelo trabalho, que lhe dá sustento, satisfação, alegria, realização, e a ajuda a significar cotidianamente a vida. Os filósofos afirmam que o homem é homo faber, ou seja, aquele ser que transforma constantemente a natureza com seu trabalho, elaborando ferramentas e desenvolvendo tecnologias para essa finalidade, visando sempre satisfazer suas necessidades e criar condições mais favoráveis à vida. E, na mesma medida em que trabalhando o homem transforma a natureza, ele é também transformado por seu trabalho. Bem por isso o trabalho é algo de sagrado na vida humana, tanto quanto é sagrada a vida dos trabalhadores.

De acordo com o Papa João Paulo II, São José “é o modelo dos humildes…é a prova de que para ser bons e autênticos seguidores de Cristo não se necessitam grandes coisas, mas requerem-se somente virtudes comuns, humanas, simples e autênticas” (Exortação apostólica Redemptoris Custos, n.24). A São José Operário, portanto, confiamos todos os trabalhadores, de todas as categorias, bem como os aposentados e os que se encontram desempregados.

Sofrendo as consequências das reformas trabalhista (que privilegiou o capital em prejuízo do trabalho) e previdenciária (que violou a dignidade dos trabalhadores) e com um contingente de aproximadamente 12 milhões de trabalhadores desempregados, a celebração do 1º de maio de 2020 não comporta festa e comemoração, mas é momento de reflexão acerca do futuro do país e da vida dos trabalhadores. A pandemia do covid-19 (corona vírus), enfrentada com atraso pelas autoridades do país, de forma mais ou menos improvisada e sob o véu da negação da seriedade do problema, ameaça gravemente a vida de todos, sobretudo dos trabalhadores, expostos ao vírus e às graves consequências que se seguirão à pandemia.

A oposição entre a defesa da vida e a salvaguarda da economia é um falso dilema, criado para encobrir a falta de projetos sérios e competentes para resgatar a vida da sociedade quando o surto viral for vencido. Não se trata de escolher entre uma e outra coisa, pois a vida humana e a economia são realidades interdependentes. Mas, é urgente e prioritário defender a vida acima de qualquer outro bem ou valor, para que, vivos, os trabalhadores possam reconstruir a economia quando a pandemia arrefecer.

São José, o virtuoso operário de Nazaré, rogue a Deus por todos os trabalhadores do Brasil e do mundo inteiro para que não lhes falte trabalho, moradia e condições dignas para sustento de suas vidas e de suas famílias. E, sempre que faltar justiça nas condições de trabalho ou nas relações trabalhistas, que não faltem aos trabalhadores consciência e coragem para se organizar e defender seus direitos.

Pe. João Batista Cesário

Presbítero da Arquidiocese de Campinas

MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO PARA O 57º DIA MUNDIAL DE ORAÇÃO PELAS VOCAÇÕES

O Papa Francisco na sua mensagem para este 57° Dia Mundial de Oração pelas Vocações, celebrado no IV Domingo da Páscoa, dá quatro palavras-chave para agradecer os sacerdotes e apoiar o seu ministério: gratidão, coragem, tribulação e louvor.

A experiência da travessia de Jesus e Pedro, durante a noite de tempestade no lago de Tiberíades, também ajudou a conduzir a mensagem do Papa . É uma imagem que sugere “a viagem da nossa existência”, que não se faz sozinho, mas com o Senhor e a abertura do coração.

Mais do que uma escolha pessoal, recorda Francisco, a vocação é uma resposta gratuita ao Senhor, possível de ser descoberta quando o coração se abrir à gratidão.

Para abraçar o matrimônio, o sacerdócio ordenado ou a vida consagrada, isto é, “a opção fundamental de vida”, é preciso coragem. A fé na escolha da vocação também vai nos ajudar a vencer as próprias tempestades e a tribulação em jogo, “as fadigas”, as responsabilidades e adversidades que surgirão para, em meio às ondas, nos abrirmos ao louvor.

Leia a Mensagem do Papa Francisco na íntegra:

[3 de maio de 2020 – IV Domingo da Páscoa]

«As palavras da vocação»

Queridos irmãos e irmãs!

A 4 de agosto do ano passado, no 160º aniversário da morte do Santo Cura d’Ars, quis dedicar uma Carta aos sacerdotes, que todos os dias, obedecendo à chamada que o Senhor lhes dirigiu, gastam a vida ao serviço do Povo de Deus.

Então escolhi quatro palavras-chave – tribulação, gratidão, coragem e louvor – para agradecer aos sacerdotes e apoiar o seu ministério. Acho que, neste 57º Dia Mundial de Oração pelas Vocações, poder-se-iam retomar aquelas palavras e dirigi-las a todo o Povo de Deus, tendo como pano de fundo o texto evangélico que nos conta a experiência singular que sobreveio a Jesus e a Pedro durante uma noite de tempestade no lago de Tiberíades (cf. Mt 14, 22-33).

Depois da multiplicação dos pães, que entusiasmou a multidão, Jesus manda os discípulos subir para o barco e seguir à sua frente para a outra margem, enquanto Ele despedia o povo. A imagem desta travessia do lago sugere de algum modo a viagem da nossa existência. De facto, o barco da nossa vida avança lentamente, sempre preocupado à procura dum local afortunado de atracagem, pronto a desafiar os riscos e as conjunturas do mar, mas desejoso também de receber do timoneiro a orientação que o coloque finalmente na rota certa. Às vezes, porém, é possível perder-se, deixar-se cegar pelas ilusões em vez de seguir o farol luminoso que o conduz ao porto seguro, ou ser desafiado pelos ventos contrários das dificuldades, dúvidas e medos.

Assim acontece também no coração dos discípulos, que, chamados a seguir o Mestre de Nazaré, têm de se decidir a passar à outra margem, optando corajosamente por abandonar as próprias seguranças e seguir os passos do Senhor. Esta aventura não é tranquila: cai a noite, sopra o vento contrário, o barco é sacudido pelas ondas, e há o risco de sobrepor-se o medo de falhar e não estar à altura da vocação.

Mas, na aventura desta travessia não fácil, o Evangelho diz-nos que não estamos sozinhos. Quase forçando a aurora no coração da noite, o Senhor caminha sobre as águas tumultuosas e vai ter com os discípulos, convida Pedro a vir ao encontro d’Ele sobre as ondas e salva-o quando o vê afundar; finalmente, sobe para o barco e faz cessar o vento.

Assim, a primeira palavra da vocação é gratidão. Navegar pela rota certa não é uma tarefa confiada só aos nossos esforços, nem depende apenas dos percursos que escolhemos fazer. A realização de nós mesmos e dos nossos projetos de vida não é o resultado matemático do que decidimos dentro do nosso «eu» isolado; pelo contrário, trata-se, antes de mais nada, da resposta a uma chamada que nos chega do Alto. É o Senhor que nos indica a margem para onde ir e, ainda antes disso, dá-nos a coragem de subir para o barco; e Ele, ao mesmo tempo que nos chama, faz-Se também nosso timoneiro para nos acompanhar, mostrar a direção, impedir de encalhar nas rochas da indecisão e tornar-nos capazes até de caminhar sobre as águas tumultuosas.

Toda a vocação nasce daquele olhar amoroso com que o Senhor veio ao nosso encontro, talvez mesmo quando o nosso barco estava à mercê  da tempestade. «Mais do que uma escolha nossa, a vocação é resposta a uma chamada gratuita do Senhor» (Carta aos Presbíteros, 4/VIII/2019); por isso conseguiremos descobri-la e abraçá-la, quando o nosso coração se abrir à gratidão e souber reconhecer a passagem de Deus pela nossa vida.

Quando os discípulos veem aproximar-Se Jesus caminhando sobre as águas, começam por pensar que se trata dum fantasma e assustam-se. Mas, Jesus imediatamente os tranquiliza com uma palavra que deve acompanhar sempre a nossa vida e o nosso caminho vocacional: «Coragem! Sou Eu! Não temais!» (Mt 14, 27). Esta é precisamente a segunda palavra que gostaria de vos deixar: coragem.

Frequentemente aquilo que nos impede de caminhar, crescer, escolher a estrada que o Senhor traça para nós são os fantasmas que pululam nos nossos corações. Quando somos chamados a deixar a nossa margem segura para abraçar um estado de vida – como o matrimónio, o sacerdócio ordenado, a vida consagrada – muitas vezes a primeira reação é constituída pelo «fantasma da incredulidade»: não é possível que esta vocação seja para mim; trata-se verdadeiramente da estrada certa? Precisamente a mim é que o Senhor pede isto?

E pouco a pouco avolumam-se em nós todas aquelas considerações, justificações e cálculos que nos fazem perder o ímpeto, confundem-nos e deixam-nos paralisados na margem de embarque: julgamos ter sido um erro, não estar à altura, ter simplesmente visto um fantasma que se deve afugentar.

O Senhor sabe que uma opção fundamental de vida – como casar-se ou consagrar-se de forma especial ao seu serviço – exige coragem. Ele conhece os interrogativos, as dúvidas e as dificuldades que agitam o barco do nosso coração e, por isso, nos tranquiliza: «Não tenhas medo! Eu estou contigo». A fé na presença d’Ele que vem ao nosso encontro e nos acompanha mesmo quando o mar está revolto, liberta-nos daquela acédia que podemos definir uma «tristeza adocicada» (Carta aos Presbíteros, 4/VIII/2019), isto é, aquele desânimo interior que nos bloqueia impedindo-nos de saborear a beleza da vocação.

Na Carta aos Presbíteros, falei também da tribulação, que aqui gostaria de especificar concretamente como fadiga. Toda a vocação requer empenhamento. O Senhor chama-nos, porque nos quer tornar, como Pedro, capazes de «caminhar sobre as águas», isto é, pegar na nossa vida para a colocar ao serviço do Evangelho, nas formas concretas que Ele nos indica cada dia e, de modo especial, nas diferentes formas de vocação laical, presbiteral e de vida consagrada. À semelhança do Apóstolo, porém, sentimos desejo e ardor e, ao mesmo tempo, vemo-nos assinalados por fragilidades e temores.

Se nos deixarmos arrastar pelo pensamento das responsabilidades que nos esperam – na vida matrimonial ou no ministério sacerdotal – ou das adversidades que surgirão, bem depressa desviaremos o olhar de Jesus e, como Pedro, arriscamo-nos a afundar. Pelo contrário a fé permite-nos, apesar das nossas fragilidades e limitações, caminhar ao encontro do Senhor Ressuscitado e vencer as próprias tempestades. Pois Ele estende-nos a mão, quando, por cansaço ou medo, corremos o risco de afundar e dá-nos o ardor necessário para viver a nossa vocação com alegria e entusiasmo.

Por fim, quando Jesus sobe para o barco, cessa o vento e aplacam-se as ondas. É uma bela imagem daquilo que o Senhor realiza na nossa vida e nos tumultos da história, especialmente quando estamos a braços com a tempestade: Ele ordena aos ventos contrários que se calem, e então as forças do mal, do medo, da resignação deixam de ter poder sobre nós.

Na vocação específica que somos chamados a viver, estes ventos podem debilitar-nos. Penso em quantos assumem funções importantes na sociedade civil, nos esposos, que intencionalmente me apraz definir «os corajosos», e de modo especial penso nas pessoas que abraçam a vida consagrada e o sacerdócio. Conheço a vossa fadiga, as solidões que às vezes tornam pesado o coração, o risco da monotonia que pouco a pouco apaga o fogo ardente da vocação, o fardo da incerteza e da precariedade dos nossos tempos, o medo do futuro. Coragem, não tenhais medo! Jesus está ao nosso lado e, se O reconhecermos como único Senhor da nossa vida, Ele estende-nos a mão e agarra-nos para nos salvar.

E então a nossa vida, mesmo no meio das ondas, abre-se ao louvor. Esta é a última palavra da vocação, e pretende ser também o convite a cultivar a atitude interior de Maria Santíssima: agradecida pelo olhar que Deus pousou sobre Ela, superando na fé medos e perturbações, abraçando com coragem a vocação, Ela fez da sua vida um cântico eterno de louvor ao Senhor.

Caríssimos, especialmente neste Dia de Oração pelas Vocações, mas também na ação pastoral ordinária das nossas comunidades, desejo que a Igreja percorra este caminho ao serviço das vocações, abrindo brechas no coração de todos os fiéis, para que cada um possa descobrir com gratidão a chamada que Deus lhe dirige, encontrar a coragem de dizer «sim», vencer a fadiga com a fé em Cristo e finalmente, como um cântico de louvor, oferecer a própria vida por Deus, pelos irmãos e pelo mundo inteiro. Que a Virgem Maria nos acompanhe e interceda por nós.

Roma, São João de Latrão, no II Domingo da Quaresma, 8 de março de 2020.

Franciscus

Fonte: http://www.vatican.va/content/francesco/pt/messages/vocations/documents/papa-francesco_20200308_57-messaggio-giornata-mondiale-vocazioni.html

EM DEFESA DA VIDA

A CNBB emitiu uma nota em relação ao julgamento pelo STF, no próximo dia 24 de abril de 2020, em sessão virtual, da Ação Direta de Inconstitucionalidade – ADI 5581, ajuizada pela Associação Nacional dos Defensores Públicos – ANADEP. Nesta ação pleiteia-se, como efeito final, autorizar, de qualquer forma, o aborto de crianças cujas mães sejam diagnosticadas com o zikavirus durante a gestação.

Abaixo nota emitda neste 2º Domingo da Páscoa na íntegra:

EM DEFESA DA VIDA:
É TEMPO DE CUIDAR

A Presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, porta-voz da Igreja Católica na sociedade brasileira, em sintonia com segmentos, instituições, homens e mulheres de boa vontade, convoca a todos pelo empenho em defesa da vida, contra o aborto, e se dirige, publicamente, como o faz em carta pessoal, aos Senhores e Senhoras Ministros do Supremo Tribunal Federal para dizer, compartilhar e ponderar argumentações, e considerar, seriamente, pelo dom inviolável da vida, o quanto segue:

  1. “É tempo de cuidar”, a vida é dom e compromisso! A fé cristã nos compromete, de modo inarredável, na defesa da vida, em todas as suas etapas, desde a fecundação até seu fim natural. Este compromisso de fé é também um compromisso cidadão, em respeito Carta Magna que rege o Estado e a Sociedade Brasileira, como no seu Art 5º, quando reza sobre a inviolabilidade do direito à vida.
  2. Preocupa-nos e nos causa perplexidades, no grave momento de luta sanitária pela vida, neste tempo de pandemia do COVID-19, desafiados a cuidar e amparar muitos pobres e empobrecidos pelo agravamento da crise econômico-financeira, saber que o Supremo Tribunal Federal pauta para este dia 24 de abril 2020, em sessão virtual, o tratamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade – ADI 5581, ajuizada pela Associação Nacional dos Defensores Públicos – ANADEP, requerendo a declaração de inconstitucionalidade de alguns dispositivos da Lei 13.301/2016 e a interpretação conforme a Constituição de outros dispositivos do mesmo diploma legal.
  3. Há de se examinar juridicamente a legitimidade ativa desta Associação de Defensores Públicos, como bem destacado nas manifestações realizadas nos autos pela Presidência da República, Presidência do Congresso Nacional, Advocacia Geral da União e Procuradoria Geral da República, pois nos parece, também, que a referida Associação não é legitimada para propor a presente ADI, tendo bem presente que a Lei 13.985/2020 trouxe suporte e apoio para as famílias que foram afetadas pelo Zika vírus, instituindo uma pensão vitalícia as crianças com Síndrome Congênita como consequência.
  1. A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB, reitera sua imutável e comprometida posição em defesa da vida humana com toda a sua integralidade, inviolabilidade e dignidade, desde a sua fecundação até a morte natural comprometida com a verdade moral intocável de que o direito à vida é incondicional, deve ser respeitado defendido, em qualquer etapa ou condição em que se encontre a pessoa humana. Não compete a nenhuma autoridade pública reconhecer seletivamente o direito à vida, assegurandoo a alguns e negando-o a outros. Essa discriminação é iníqua e excludente; “causa horror só o pensar que haja crianças que não poderão jamais ver a luz, vítimas do aborto”. São imorais leis que imponham aos profissionais da saúde a obrigação de agir contra a sua consciência, cooperando, direta ou indiretamente, na prática do aborto.
  2. A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil insta destacar que o combatido artigo 18 da referida Lei 13.301/2016, cuja ADI pretendia a declaração de inconstitucionalidade de alguns dispositivos, foi completamente revogado pela MP 894 de 2019, convertida em Lei em 2020 (L. 13.985/2020). Desta forma, parece-nos ainda que o objeto da ação foi superado, não servindo a ação para declarar a inconstitucionalidade de outra lei que não a inicialmente combatida.
  3. A CNBB requer, portanto, que, acaso seja superada a preliminar de ilegitimidade ativa suscitada por todas as autoridades públicas que se manifestaram, e não seja extinta a ADI pela perda do objeto, no mérito não sejam acolhidos quaisquer dos pedidos formulados para autorizar, de qualquer forma, o aborto de crianças cujas mães sejam diagnosticadas com o zikavirus durante a gestação.
  4. Reafirmamos, fiéis ao Evangelho de Jesus Cristo, nosso repúdio ao aborto e quaisquer iniciativas que atentam contra a vida, particularmente, as que se aproveitam das situações de fragilidade que atingem as famílias. São atitudes que utilizam os mais vulneráveis para colocar em prática interesses de grupos que mostram desprezo pela integridade da vida humana. (S. João Paulo II, Carta Encíclica Evangelium Vitae, 58)

Esperamos e contamos que a Suprema Corte, pautada no respeito à inviolabilidade da vida, no horizonte da fidelidade moral e profissional jurídica, finalize esta inquietante pauta, fazendo valer a vida como dom e compromisso, na negação e criminalização do aborto, contribuindo ainda mais decisivamente nesta reconstrução da sociedade brasileira sobre os alicerces da justiça, do respeito incondicional à dignidade humana e na reorganização da vivência na Casa Comum, segundos os princípios e parâmetros da solidariedade.


Cordialmente,
Brasília, 19de abril de 2020
Domingo da Misericórdia

Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Presidente

Dom Jaime Spengler
1º Vice-presidente

Dom Mário Antônio da Silva
2º Vice-presidente

Dom Joel Portella Amado
Secretário-geral

Noviças no ano da Pandemia

Ser noviça em tempos de COVID-19

As Irmãs Pias Discípulas do Divino Mestre, como mencionado noutro artigo, comemoram neste 2º Domingo de Páscoa, o Dia da Noviça. Noviça é o nome dado para a jovem que está na etapa do Noviciado, terceiro degrau, vamos dizer, na formação de uma religiosa Pia Discípula.

Neste ano em especial, temos quatro noviças no primeiro ano e uma do segundo ano. Sim, o noviciado é uma etapa de dois anos. O primeiro, a noviça o faz dentro da casa destinada para a formação e é introduzida de forma mais profunda na vida e missão do carisma das Pias Discípulas. No segundo ano, a jovem é enviada por 3 ou 4 meses para fazer uma experiência como irmã numa comunidade. Este ano temos a noviça Indianara que está na Comunidade Divino Mestre, em Olinda, PE.

Mas como as nossas jovens estão vivenciado este período tão intenso nas suas vidas, longe de suas famílias, neste período que o mundo vive o medo do Covid19? Nós perguntamos isto para elas e gentilmente as nossas queridas noviças responderam:

Agradecemos a Deus por estes dois messes de caminhada no noviciado. Vivemos diversas experiências que nos ajudaram muito a crescer no Caminho do seguimento ao Divino Mestre, uma delas está sendo muito forte e significativa e é o que está atingindo ao mundo inteiro: a pandemia do COVID-19, com a peculiaridade da quarentena.

Neste contexto queremos partilhar a experiência que cada uma está vivendo:

Este tempo vivenciado de noviciado durante a quarentena pelo Covid-19 tem sido para mim momento de grande graça, onde tive a oportunidade de ficar perto da presença de Jesus Mestre na Eucaristia, na sua Palavra, em cada irmã da comunidade e nas tarefas cotidianas de cada dia na casa de formação. E também foi uma grande oportunidade de permanecer em comunhão com o mundo inteiro por meio da oração e interceção pedinho a Deus especialmente pelos que mais sofrem as consequências do vírus.
Noviça Odette Jagou
, 1º ano de noviciado

Para mim esta epidemia covid-19 que estamos vivenciando na sociedade tem sido oportunidade para refletir bastante que nós temos tudo na congregação, que a providência não nos abandona: temos eucaristia, aula, trabalho, comida, mestra em casa. As pessoas de fora se vêm na necessidade de sair de casa, para levar às suas famílias o pão cotidiano. Sempre penso que sou peregrina aqui. Na vida terrena tudo passa. Quem permanece para sempre é Deus que é o meu ideal, projeto e meta na minha vida. Neste curto tempo de noviciado estou muito mais conectada com o Mestre na minha oração pessoal e comunitária. Sinto estes dois meses como um tempo propício de graça, reconciliação, de maneira mais profunda com o Mestre, tendo um grande desejo interior de viver a vontade de Deus em meu ser e fazer, o qual me faz sentir muito feliz, agradecida, e motivada para continuar com a minha etapa de noviciado.
Noviça Virginia Landín Rodríguez
, 1º ano de noviciado

Este momento histórico que vivemos me fez lembrar dos inícios da nossa congregação, cheios de incerteza, de medo, de dificuldade, mas Alberione tinha a certeza de que tudo era obra de Deus e que tudo estava em suas mãos. Essa deve ser a nossa esperança neste tempo que vivemos: “tudo está nas mãos de Deus”.
O mundo inteiro está diante de grandes mudanças, repensando muitas coisas na parte social, política, econômica, formativa; nós não escapamos dessa realidade. Sinto-me convidada a me confirmar no chamado que Jesus me fez de ser sua discípula nesta congregação.
Não deixa de me preocupar a situação que vivem as famílias especialmente minha família na Venezuela um país que já se encontrava em crise humanitária. Mas tenho a certeza de que Deus vai cuidar deles e lhes vai providenciar o necessário para viver este tempo.
Agradeço a Deus por sempre ensinar-me com simplicidade, no cotidiano da vida. Além de aprender a ser discípula de Jesus Mestre e a conhecer nossa congregação, neste tempo estou aprendendo que o pessoal da saúde vale mais que qualquer futebolista, que somos frágeis; que a morte não distingue de raça nem status social; que o planeta se regenera rapidamente sem nossa presença; que a prevenção pode salvar vidas; que a nossa família é a Igreja doméstica e podemos celebrar juntos como família a nossa fé.
Desejo que Jesus, o rosto de Deus Pai, seja o ideal de toda a humanidade e que depois de tudo isto que vivemos sejamos melhores seres humanos.
Noviça Belimar Victoria Hernandez Escobar
, 1º ano de noviciado

Ainda nos primeiros meses do primeiro ano do noviciado quase não sei como é um noviciado sem quarentena. Para mim está sendo uma experiência muito significativa. É um tempo de viver bem intensamente a nossa missão de oração e intercessão pelo mundo inteiro; de poder viver uma forte comunhão com todo o povo que está sofrendo; e não só pela pandemia do COVID-19, e também trazer à Eucaristia, tanto na missa como na Adoração, a todas as pessoas que não podem receber a Jesus eucarístico.
Esta situação de isolamento social é quase como estar vivendo num deserto, como estar fazendo um grande retiro espiritual totalmente conectada com a realidade histórica.
Para mim está sendo uma oportunidade grande de tomada de consciência de muitas coisas. E estou vivendo positivamente, com a fé e certeza de que o Senhor Ressuscitado vai dar vida e vida em abundancia a tudo o que está morto e precisa de Ressurreição “Esta doença não é para a morte, mas para a glória de Deus, para que seja glorificado, por ela, o Filho de Deus” (Jo. 11,4)
O noviciado é um tempo de Graça e assim o creio. Hoje faço a experiência que a Graça de Deus vai além da situação histórica. Ele continua derramando sobre nós a sua Graça e acho que ainda com mais força nos tempos difíceis. O Senhor não nos abandona e, nessa certeza, fé e alegria são os motores nesta caminhada do noviciado nas pegadas de Jesus Mestre, querendo viver como a sua fiel discípula em todas as circunstâncias da vida.
Noviça Amira Giselle Isleño, 1º ano de noviciado

Penso que quando Pe. Timóteo iniciou a tradição de celebrar o dia das Noviças no Domingo In Albis, domingo que marcava a continuidade de caminho de aprofundamento e adesão a Cristo, ele desejou que cada uma de nós noviças buscássemos o Mestre como fonte e alimento que sustenta o caminho e isso a nós bastaria.
Pe. Alberione costumava dizer que o noviciado é uma preparação a união a maior com o Senhor, como os catecúmenos que após um longo caminho com Cristo junto à comunidade recebiam os sacramentos assumindo o ser cristão, nós noviças após um caminho de resposta ao amor generoso do Mestre, junto as nossas irmãs de congregação, assumimos a vida religiosa segundo o espírito da nossa Regra de Vida.
O Período Apostólico na vida de uma noviça é uma grande graça, em tempos de pandemia é também um desafio, pois se faz necessário deixar fluir um novo jeito de viver esse período, afinal a pandemia mudou nossas agendas, rotina e jeito de ver a vida.
Neste tempo tenho pisado o chão da vida fraterna, numa maior vivencia comunitária, partilhando da vida, medos, sonhos, realidades congregacionais e esperança que nascem a partir dessa realidade.
Estamos em casa e a nossa união com o Senhor como intercessoras, que pelo carisma e estilo de vida já era realidade vivida, tornou-se mais forte, Ele o Cristo Ressuscitado se coloca entre nós em meio as incertezas e desafios e por sua cruz reacende em nós a esperança e a confiança no amor do Pai. Estamos unidas como família como discípulas no Cristo chagado e ressuscitado.
Neste dia bendigo a Deus pelo dom da vocação e de ser Discípula em comunhão com todas as noviças da nossa congregação espalhadas no mundo, que a todas se acendam as luzes necessárias do amor de Deus.
Noviça Indyanara Bonardi
, 2º ano de noviciado

As noviças concluem seu testemunho de vida saudando todas as noviças Pias Discípulas no mundo: “Estamos em comunhão de orações e saudamos a todas, mas especialmente as noviças neste Domingo “In Albis” no qual, por iniciativa do Bem-Aventurado Timóteo Giaccardo, celebramos na nossa Congregação o dia das noviças”.

Noviça Indyanara e Comunidade Divino Mestre em Olinda, PE. Ela iniciou o período apostólico nesta comunidade em fevereiro.

DIA DAS NOVIÇAS PIAS DISCÍPULAS DO DIVINO MESTRE

Domingo “in Albis”: Páscoa da Igreja para os neófitos

Segundo a tradição das Pias Discípulas do Divino Mestre, celebra-se o dia da noviça no 2º Domingo da Páscoa, anteriormente chamado domingo “in Albis” (= branco).

Todas as pessoas que haviam recebido os sacramentos da iniciação na Vigília Pascal recebiam uma veste branca e permaneciam com ela durante toda a oitava da Páscoa. Este tempo era chamado de catequese mistagógica,. Os neófitos – como eram chamados os que tinham recebido o Batismo – aprofundavam o sentido dos sacramentos pascais e entravam em relação fraterna com a Igreja.

No Domingo “in Albis” deixavam esta veste branca, sinal de que a celebração terminava e entravam na vida do Mistério celebrado. A antífona de entrada: “Como recém-nascidos, desejem o puro leite espiritual para crescerem na Salvação, Aleluia!” (1ºPd 2,2) entoa o sentido deste sinal. Isto é, renascidos em Cristo, todos os que haviam recebido os sacramentos da iniciação à vida cristã e que já estavam há um tempo caminhando no aprofundamento da fé e vida cristã são convidados a desejar o alimento da vida nova recebida e assumida. Este é o paralelo com as noviças que estão no início do caminho de seguimento a Jesus, no estilo de vida das Discípulas do Divino Mestre.

As Noviças são convidadas a também assumir este desejo constante de nutrir-se bem e crescer em todas as dimensões para um seguimento autêntico à Jesus, no estilo de vida da Irmãs Pias Discípulas.

Quem iniciou esta tradição foi Pe. Timóteo Giaccardo, primeiro sacerdote Paulino, quando se ocupava da formação das noviças Pias Discípulas do Divino Mestre.

Atualmente temos cinco noviças no Brasil:

1° ano- 09/02/2020
 Belimar Victoria Hernández Escobar (Venezuela)
 Maria Odette Jagou Hultsch (Irlanda-U.S.A.)
 Virginia Landín Rodriguez (México)
 Amira Giselle Isleño (Argentina)

2° anno – 09/02/2019
 Indianara Cristina da Silva Pereira (Brasil)

Rezamos com cada uma delas, invocando de Deus todas as luzes para bem viver esta etapa de formação.

Via-Sacra: meditações escritas do cárcere

Cinco detentos, uma família vítima de homicídio, a filha de um condenado a prisão perpétua, uma educadora, um juiz corregedor de presídios, a mãe de um presidiário, uma catequista, um sacerdote acusado injustamente, um frade voluntário, um policial, todos ligados à Capelania do Cárcere “Due Palazzi” de Pádua: são os autores das meditações que serão lidas durante a Via-Sacra deste ano, presidida pelo Papa Francisco no adro da Basílica de São Pedro.

“Acompanhar Cristo no Caminho da Cruz, com a voz rouca dos que vivem no mundo carcerário, é uma oportunidade para assistir ao prodigioso duelo entre a Vida e a Morte, descobrindo como os fios do bem se entrelacem inevitavelmente com os fios do mal”. São palavras escritas na introdução das meditações da Via-Sacra publicadas pela Libreria Editrice Vaticana. Os textos, as narrações do capelão do Instituto carcerário “Due Palazzi” de Pádua, padre Marco Pozza, e da voluntária Tatuana Mario, foram escritos por eles mesmos, mas pretendem dar voz a todos os que compartilham a mesma condição no mundo inteiro.

Confira o texto integral das meditações: https://is.gd/vrEHWj

Texto: Vaticano News

XVIII Congresso Eucarístico Nacional será adiado para 2021

Uma decisão colegiada, pensada em conjunto após deliberação entre os 21 bispos da CNBB Regional Nordeste 2 teve o apoio da Presidência da CNBB nesta segunda-feira, 30/03/2020. Trata-se do pedido de adiamento da realização do XVIII Congresso Eucarístico Nacional (CEN), que seria sediado no Recife e aconteceria no segundo semestre, no período de 12 a 15 de novembro deste ano.

Diante do quadro imprevisível causado pela pandemia do novo coronavírus, tanto em relação à duração do surto epidêmico como em relação às possíveis sequelas econômicas, a medida mais sensata no momento foi optar pelo adiamento do XVIII CEN. A resposta da CNBB chegou endereçada ao Arcebispo da Arquidiocese de Olinda e Recife, Dom Fernando Saburido e foi assinada pelo Secretário geral da CNBB, Dom Joel Portela Amado.

Segue abaixo a Nota Oficial da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) sobre o adiamento do XVIII Congresso Eucarístico Nacional, a ser realizado na Arquidiocese de Olinda e Recife, com nova previsão, entre os dias 12 e 15 de novembro de 2021:

Fonte: PASCOM RECIFE/OLINDA