PAINEL LITÚRGICO DO TEMPO DA QUARESMA

Arte de Cláudio Pastro
Produção e comercialização: Apostolado Litúrgico
Tamanho: 125×130 cm

O Painel Litúrgico do Tempo da Quaresma integra o conjunto dos Painéis Litúrgicos do Ciclo Pascal e foi concebido como instrumento de oração, catequese e participação no mistério celebrado pela Igreja. Mais do que uma ilustração bíblica, trata-se de uma obra que introduz a assembleia no caminho espiritual da Quaresma, compreendida como etapa fundamental da caminhada pascal.

A Quaresma é o tempo em que a Igreja intensifica, por meio da oração, do jejum e da esmola, a vivência da aliança com Deus. Longe de ser apenas um período marcado pela penitência, ela é, essencialmente, um tempo de preparação para a Páscoa, no qual somos convidados a “esperar na alegria a santa Páscoa”. Nesse sentido, o painel resgata o verdadeiro conteúdo quaresmal: a experiência pascal de passagem da morte para a vida, do pecado para o amor, da escravidão para a liberdade.

A obra evidencia que Quaresma e Páscoa formam uma unidade inseparável. Ainda que, no tempo quaresmal, se acentue o aspecto da cruz e, na Páscoa, o da ressurreição, existe um único centro que unifica toda a caminhada: o mistério pascal de Cristo. Assim, toda conversão vivida na Quaresma é já participação na Páscoa do Senhor.

Esse conteúdo pascal da Quaresma é visualmente indicado pelas cores ouro queimado e branco e pela faixa central do painel, onde aparece Cristo, servo e rei, entrando em Jerusalém para celebrar sua paixão, morte e ressurreição, simbolizadas pelas três cruzes. O verde-esperança, associado ao Domingo de Ramos, evoca a esperança messiânica finalmente cumprida no servo Jesus, bendito aquele que vem em nome do Senhor.

No centro da composição está Cristo que caminha com o povo. Ele não aparece isolado, mas profundamente ligado à humanidade, conduzindo, sustentando e reunindo. Trata-se do Cristo novo Moisés, Bom Pastor e Servo sofredor, que assume a condição humana e percorre com ela o caminho da fidelidade ao Pai. A Quaresma, assim, é apresentada como seguimento, não como esforço individual, mas como experiência comunitária de fé.

A Quaresma faz memória da caminhada do povo de Deus durante os quarenta anos no deserto. Essa trajetória é visualizada na faixa correspondente, que destaca momentos fundamentais da história da salvação:
– a aliança de Deus com Noé após o dilúvio – Gn 9,8-15;
– a fé de Abraão e a entrega de Isaac – Gn 22,1-18 e 15, 5-18;
– o chamado de Moisés na sarça ardente – Ex 3,1 – 8a; 13-15;
– a entrega da Lei no Sinai – Ex 20,1-17;
– a deportação e o novo êxodo após o exílio da Babilônia – Is 43, 16-21; 2Cr 36,14-23.

Ao mesmo tempo, a Quaresma é sobretudo a recordação dos quarenta dias de Jesus no deserto e de sua doação total até a morte. Por isso, outra faixa do painel evidencia as cenas proclamadas nos primeiros domingos quaresmais — a tentação de Jesus e sua transfiguração — e, a partir do terceiro domingo, o itinerário batismal do Ano A, representado pelas figuras da Samaritana, do cego de nascença e de Marta, que expressam a profissão de fé e o caminho de iluminação dos que se preparam para a Páscoa.

Elementos da realidade contemporânea também estão presentes na composição. O sofrimento humano, o trabalho pesado, as estruturas de opressão e os sinais de morte do mundo atual são colocados em diálogo com a Paixão de Cristo. Dessa forma, o painel recorda que a Quaresma não é fuga da realidade, mas leitura da vida à luz da cruz, compromisso concreto de transformação e fidelidade ao Evangelho.

A faixa lilás, em sintonia com o sentido da Campanha da Fraternidade, reforça que a prática quaresmal da oração, do jejum e da caridade ganha um conteúdo renovado de solidariedade, justiça e compromisso social, convidando a transformar sinais de morte em sinais de vida e salvação.

Apesar da sobriedade própria do tempo quaresmal, o painel não se apresenta como uma obra triste ou sombria. Há movimento, comunhão e esperança. A cruz está presente, mas já iluminada pela tensão pascal que aponta para a ressurreição, recordando que a caminhada quaresmal conduz inevitavelmente à alegria da Páscoa.

Do ponto de vista litúrgico, o painel destina-se à ambientação celebrativa e à catequese visual da assembleia. Pode ser colocado em espaço lateral do presbitério, sem competir com o altar, o ambão ou a cruz; próximo ao ambão, em diálogo com a Palavra proclamada; ou em outros espaços celebrativos adequados durante o Tempo da Quaresma. Sua função não é decorativa, mas mistagógica: favorecer a oração, a contemplação e a participação consciente no mistério celebrado.

Produzido e comercializado pelas Irmãs Pias Discípulas do Divino Mestre, por meio do Centro de Apostolado Litúrgico, o Painel Litúrgico da Quaresma expressa uma concepção de arte a serviço da liturgia, em plena sintonia com a renovação promovida pelo Concílio Vaticano II. É uma obra pensada para ajudar a Igreja a celebrar, educar e rezar, conduzindo a comunidade a viver a Quaresma como verdadeiro caminho pascal.




PAINEL ICONOGRÁFICO DA SANTÍSSIMA TRINDADE – 30 ANOS  EM ITAICI

A Sabedoria construiu a sua casa, talhando suas sete colunas. Abateu seus animais, preparou o vinho e pôs a mesa. Enviou suas criadas para anunciar nos pontos mais altos da cidade: “Os ingênuos venham até aqui. Quero falar aos que não tem juízo. Venham comer do meu pão e beber do vinho que eu preparei. Deixem de ser ingênuos, e vocês viverão; sigam o caminho da inteligência.                                                         

Provérbios 9, 1-6

 

Em grande festa, com a Igreja, celebramos a Solenidade da Santíssima Trindade. Contemplando este grande Mistério e vivendo a nossa vocação à vida de santidade, no seio de Deus, renovamos nossa fé e nossa adesão à aliança com Deus.

 

Especialmente neste ano de 2019 recorda-se um marco importante na vida de fé e na iconografia que explicita os dados da fé. Há 30 anos, a capela da Vila Kostka em Itaici (SP) recebeu um painel iconográfico, que seguramente representa uma grande herança da arte sacra do nosso país. O artista de grande sensibilidade e outros incontáveis valores já reconhecidos, Cláudio Pastro, representou a Santíssima Trindade na figura dos três anjos. Este tema é inspirado no texto bíblico do livro do Gênesis (cf. Gn 18, 1-15) e tem sua representação já muito antiga na tradição da Igreja.

 

O ícone mais conhecido da Santíssima Trindade (pelas Igrejas tanto do Oriente quanto do Ocidente) é do iconógrafo Andrej Rublëv (1360-1430) e foi escrito no ano de 1441, por ocasião da construção de uma igreja de madeira sobre o sepulcro de São Sérgio, na Rússia. As Igrejas conheceram muitos outros ícones da Santíssima Trindade, mas sem dúvida, O iconógrafo Rublev soube expressar a Unidade da Trindade com uma particular harmonia.

 

O afresco da Santíssima Trindade em Itaici também marcou a tradição iconográfica da Igreja no Brasil. Ele se apresenta como lugar de contemplação, a partir do mundo interior do observador. A própria capela é lida como a tenda, aquele que se detém na contemplação também se percebe dentro da tenda. No centro, estão as três figuras, os três anjos, que envolvem a atenção do observador; d’Eles emanam a comunicação e a iniciativa da cena. No meio, o Pai, que com a mão aponta para o Filho. A direita do Pai, O Filho direciona seu olhar diretamente para o observador; Ele nos revela o Pai. O Espírito Santo tem seu olhar voltado para além do que está visível, para fora, para o mundo. Ele está continuamente inspirando a humanidade. A composição geral da cena, comunica a dinâmica das dunas, (que o vento, símbolo do Espírito, transforma a todo instante), a força central da árvore da vida e a contemplação humana diante do Eterno Deus.

 

Colocando-nos diante deste Mistério, somos envolvidos, como Abraão e Sara para adorar e reconhecer a grandiosidade da Vida Divina. A fé nos aproxime da dinâmica do Deus Trino que é a Unidade, a Comunhão, a Vida. Renovemos também nossa vocação à Vida Comunitária, sinal visível do Reino acontecendo entre nós.

 

Ir. Jeyd Gomes, pddm

Arquiteta do Apostolado Litúrgico