Aprofundamento bíblico para o Tríduo Pascal

Nesta semana, a REVISTA DE LITURGIA publicou um texto da ir. Helena Ghiggi, pddm, com aprofundamento bíblico do Tríduo Pascal. Nossas Igrejas Domésticas se animam, mais do que nunca, para celebrarem com fervor as festas pascais.

Abaixo, o texto na íntegra. Vai nos ajudar na nossa leitura orante de cada dia do Tríduo Pascal:

ESTE É O DIA QUE O SENHOR FEZ PARA NÓS; ALEGREMO-NOS E NELE EXULTEMOS! (Sl 118,24)

QUINTA FEIRA NA CEIA DO SENHOR

A antífona da entrada nos introduz no mistério da paixão, morte e ressurreição do Senhor: “A cruz de nosso Senhor Jesus Cristo deve ser a nossa glória: nele está nossa vida e ressurreição; foi ele que nos salvou e libertou” (Gl 6,14). A cruz, maldição (Dt 21,22-23), instrumento de tortura, torna-se sinal de salvação na entrega de Jesus. A oração do dia enfatiza o sentido da “santa ceia, na qual o Filho único do Pai, ao entregar-se à morte, deu à sua Igreja um novo e eterno sacrifício, como banquete do seu amor”.

Nesse momento difícil de sofrimento causado pelo Covid-19, o Papa Francisco destaca que o Senhor reanima a nossa fé pascal. Temos uma âncora: na sua cruz, fomos salvos. Temos um leme: na sua cruz, fomos resgatados. Temos uma esperança: na sua cruz, fomos curados e abraçados, para que nada e ninguém nos separem do seu amor redentor (homilia, 27/03/2020).

O texto do evangelho segundo João (Jo 13,1-15) faz referência a Última Ceia, mas não relata a instituição da eucaristia, pois Jesus já havia revelado sua vida como pão e vinho, verdadeira comida e bebida (Jo 6,51-58). Aqui o evangelista traz o gesto do lava pés, símbolo do amor gratuito de Jesus aos irmãos e irmãs, memorial de sua atuação ao longo do ministério. “Tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim” (Jo 13,1). O “Mestre e Senhor”, com seu exemplo de humilde serviço, ensina um novo modo de viver na fraternidade, que transforma as desigualdades e toda forma de injustiça e dominação. O cuidado recíproco, realçado no mandamento novo de “amar como Jesus amou” (Jo 13,34-35), é essencial para que todos tenham vida digna. Como Igreja doméstica, somos chamados a celebrar a memória da entrega radical de Cristo, servidor até a cruz, solidários com o bem comum de toda a sociedade, de toda a comunidade.

A Leitura do livro do Êxodo (Ex 12,1-8.11-14) recorda a Páscoa dos hebreus, antiga festa pastoril que se torna memorial da passagem da escravidão no Egito para a liberdade em busca da terra prometida, de vida melhor para todos os povos. O Salmo 116 (115) mostra que o povo agradece a salvação e os benefícios recebidos do Senhor, “erguendo o cálice da salvação”, gesto de compromisso com o seu projeto. Paulo, na Leitura de 1Coríntios (1Cor 11,23-26), apresenta a narrativa mais antiga da Ceia do Senhor. “Este é o Corpo que será entregue por vós, este é o cálice da nova aliança no meu Sangue, diz o Senhor. Todas as vezes que os receberdes fazei-o em minha memória”. A eucaristia, memória da morte de Jesus como dom de vida para a humanidade, é testemunhada na compaixão, cuidado, partilha com os irmãos (1Cor 11,17-34).

SEXTA FEIRA DA PAIXÃO DO SENHOR

O caminho de fidelidade trilhado por Jesus, Servo sofredor, é acentuado já na aclamação ao evangelho: “Jesus Cristo se tornou obediente, obediente até a morte numa cruz, pelo que o Senhor Deus o exaltou, e deu-lhe um nome muito acima de outro nome” (Fl 2,8-9). A narrativa da Paixão de Jesus segundo João (Jo 18,1–19,42) acentua o sentido soteriológico, salvífico da morte de Jesus, e também o significado de revelação na qual a natureza profunda de Deus se torna manifesta. Jesus revela o Deus compassivo que ouve o clamor do povo “Eu Sou” (Jo 18,6; Ex 3,14), e livra os discípulos dos que chegam para prendê-lo com a força e a violência.

Conduzido ao palácio dos sumos sacerdotes, Jesus aguarda a reunião do Sinédrio na manhã seguinte. Após o julgamento, ele é enviado ao pretório onde ficava o governador romano, de modo que sua acusação torna-se política. Diante do poder imperial, Jesus reafirma que seu Reino não é deste mundo e dá testemunho da verdade, que é ele mesmo (Jo 14,6). Apesar de ser reconhecido inocente Jesus é condenado à morte, consequência de seu compromisso com as vítimas do sistema, com os últimos. Assim, Jesus assume livremente o caminho até o Calvário, carregando a própria cruz. “Crucificaram Jesus no meio de outros dois”, com tantas pessoas que carregam a cruz da violência, desemprego, fome. O sofrimento de Jesus até à morte violenta na cruz não é da vontade do Pai, mas causa de salvação e fonte de vida e libertação para a humanidade.

Em meio a tanta dor, Jesus não se encontra só, ao pé da cruz a comunidade fortalece a fé e a esperança para dar continuidade à missão. A presença da mãe de Jesus, como nas bodas em Caná da Galileia (Jo 2,1-12), sublinha que chegou a “hora” da glorificação do Filho. A solidariedade dos discípulos e discípulas junto ao Mestre na cruz multiplica-se através dos gestos de bondade de tantas pessoas, que consolam os doentes, os idosos, os abandonados. “Tudo está consumado” revela a soberania de Jesus, que completa a obra confiada pelo Pai com fidelidade. “E, inclinando a cabeça, Jesus entregou o Espírito” como dom de vida nova para seus seguidores e seguidoras.

Nenhum osso é quebrado de Jesus, o verdadeiro Cordeiro Pascal (Ex 12,46), que entrega a vida enquanto eram imolados os cordeiros para a Páscoa. A leitura do Livro do Profeta Isaías (Is 52,13–53,12) é o quarto cântico do “Servo do Senhor”. Convida a contemplar a vida do Servo oprimido e exaltado, cujo sofrimento substitui a culpa do povo, como prefiguração de Jesus Cristo. O Salmo 31 (30) é um cântico de lamentação e confiança, que Jesus rezou na cruz: “Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito” (Lc 23,46). A leitura da Carta aos Hebreus (Hb 4,14-16; 5,7-9) ressalta a solidariedade de Jesus com a humanidade e sua fidelidade ao Pai, que o tornam fonte de salvação, mediador único e definitivo.

O Papa Francisco fala de tantos companheiros de viagem exemplares, que arriscam suas vidas para curar e defender as pessoas. É a força operante do Espírito derramada e plasmada em entregas corajosas e generosas. É a vida do Espírito, capaz de resgatar, valorizar e mostrar como as nossas vidas são tecidas e sustentadas por pessoas comuns, que hoje marcam os acontecimentos decisivos da nossa história: médicos, enfermeiros e enfermeiras, trabalhadores dos supermercados, pessoal da limpeza, cuidadores, transportadores, forças policiais, voluntários, sacerdotes, religiosos e muitos – mas muitos – outros que compreenderam que ninguém se salva sozinho (homilia, 27/03/2020).

VIGÍLIA PASCAL DO SENHOR

A Páscoa infunde confiança no Pai, que nunca abandona seus filhos/filhas e oferece a plenitude da vida à humanidade mediante a ressurreição de seu Filho Amado. No texto do evangelho segundo Mateus (Mt 28,1-10), a vida nova que jorrou do Crucificado fortalece a fé e a esperança da comunidade, impelida a realizar a missão na certeza da presença viva do Ressuscitado. As discípulas fiéis desde a Galileia, que permanecem junto de Jesus e o acompanham até a paixão e a morte de Cruz (Mt 27,55-56), se dirigem ao local onde o Mestre fora enterrado para “ver o sepulcro”. A experiência pascal possibilita encontrar novos caminhos, para anunciar a Boa Nova do Reino após a morte de Jesus Cristo.

A pedra que fechava o túmulo (Mt 27,60) foi removida pelo anjo do Senhor, cuja aparência fulgurante evoca o transfigurado-ressuscitado (Mt 17,2). O diálogo do anjo com as mulheres (Mt 28,5-7) ilumina a “não ter medo”, que corresponde a manter viva a fé. Jesus, o Crucificado a quem procuravam, “foi ressuscitado”, voz passiva que acentua a intervenção divina na vitória da vida sobre a morte. A missão confiada às mulheres, no anúncio da ressurreição de Jesus aos discípulos, rompe o esquema social excludente que não reconhecia o testemunho delas. Enquanto as mulheres corriam para anunciar a Boa Notícia aos discípulos, o Ressuscitado vem-lhes ao encontro e as saúda com a alegria pascal, plenificando-as de confiança. As mulheres se prostram diante do Senhor, reconhecendo sua presença que conduz no caminho para a Galileia, região onde o Mestre havia iniciado o ministério (Mt 4,12-17).

As Leituras recordam as grandes maravilhas realizadas por Deus ao longo da história da salvação, plenificada na ressurreição de Jesus. O Ressuscitado é a primícia da nova criação, que faz resplandecer a luz sobre as trevas do pecado e da morte. Filho único, que passa pela cruz assumida por amor fiel, Jesus revela o Deus que quer a vida como no episódio de Abraão e Isaac. A Páscoa de Jesus realiza plenamente o êxodo, a libertação do povo que atravessa o Mar Vermelho em busca da Terra Prometida. Em Jesus manifestam-se a consolação do povo e o banquete messiânico, anunciados no fim do exílio babilônico (Is 54 e 55). A vida doada de Jesus interpela a converter e a renovar o coração, como proclamam Baruc e Ezequiel. Rm 6,3-11 sublinha a participação na morte e ressurreição de Cristo pelo batismo, que nos reveste da vida nova para construirmos a fraternidade entre os povos (Revista de Liturgia, Março/Abril, 2020).

O Papa Francisco diz que a resposta de Deus ao problema da morte é Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida… Tenham fé! Em meio ao choro continuem a ter fé, ainda que pareça que a morte tenha vencido. Removam a pedra de seus corações! Deixem que a Palavra de Deus leve de novo a vida onde há morte. Deus não nos criou para o túmulo, nos criou para a vida, bela, boa, alegre. Jesus Cristo veio nos libertar dos laços da morte. Cristo vive, e quem o acolhe e se une a Ele participa da vida. O batismo nos insere no Mistério Pascal de Cristo. Pela ação e a força do Espírito Santo, o cristão é uma pessoa que caminha na vida como uma nova criatura: uma criatura para a vida, e que vai em direção à vida. Que a Virgem Maria nos ajude a sermos compassivos como o seu Filho Jesus, que fez sua a nossa dor. Que cada um de nós seja próximo daqueles que estão sofrendo, tornando-se para eles um reflexo do amor e da ternura de Deus, que liberta da morte e faz vencer a vida (29/03/2020).

DOMINGO DA PÁSCOA

NA RESSURREIÇÃO DO SENHOR

A oração do dia realça o sentido da “ressurreição de Jesus” como acontecimento central da nossa fé: “Ó Deus, por vosso Filho Unigênito, vencedor da morte, abristes hoje para nós as portas da eternidade. Concedei que, celebrando a ressurreição do Senhor, renovados pelo vosso Espírito, ressuscitemos na luz da vida nova”. O Ressuscitado caminha conosco, sustentando a nossa fé e esperança nesse momento de trevas e morte, causada pela pandemia. No texto do evangelho segundo João (Jo 20,1-9), Maria de Mágdala se dirigiu ao sepulcro no alvorecer do “primeiro dia da semana”, quando ainda estava escuro. A ressurreição de Jesus inaugura a nova criação, a vitória da vida sobre o pecado da injustiça e da morte. A caminhada de fé da comunidade leva a compreender os sinais do sepulcro, o poder da vida que vence a morte pelo amor solidário.

Com a experiência pascal, os que foram ao sepulcro à procura do corpo de Jesus compreendem as Escrituras, que anunciavam o corpo do Ressuscitado como novo e definitivo santuário da humanidade (Jo 2,21). A comunidade unida como “Corpo de Cristo” continua a missão libertadora de Jesus, conduzida pela força do seu Espírito (Jo 20,11-23). No texto do evangelho segundo Lucas (Lc 24,13-35), Jesus ressuscitado caminha com os discípulos de Emaús, reafirmando a presença viva de Deus que nunca abandona o seu povo. O Ressuscitado se faz presente na escuta e compressão da Palavra: “Não estava ardendo o nosso coração, quando ele nos falava pelo caminho e nos abria as Escrituras?”. Os olhos dos discípulos se abrem verdadeiramente, quando repetem os gestos de acolhida de Jesus “fica conosco”, e da entrega de sua vida por amor “tomou o pão, abençoou, partiu e deu a eles” (22,19; 24,30).

A Leitura dos Atos dos Apóstolos (At 10,34a.37-43) é um anúncio querigmático sobre Jesus de Nazaré, o Ungido de Deus que passou a vida fazendo o bem e curando todos os males; foi morto pelas autoridades, mas “Deus o ressuscitou no terceiro dia” e permanece na vida da comunidade como “o Senhor de todos” (10,36). O salmo 118(117), ação de graças a Deus pelas vitórias que dá ao seu povo, celebra a esperança de nossa libertação definitiva na ressurreição de Cristo: “Este é o dia que o Senhor fez para nós; alegremo-nos e nele exultemos”! A Leitura da Carta aos Colossenses (Cl 3,1-4) reflete a experiência de morte e ressurreição pela fé batismal (Cl 2,12), que faz trilhar o caminho da vida nova, buscando as coisas do alto, os valores do Reino anunciados por Jesus.

 A leitura orante da Palavra faz arder o nosso coração e permanecer vigilantes, nesse momento em que a prioridade deve ser a vida das pessoas. O Papa Francisco nos alerta: sabemos que defender as pessoas supõe um prejuízo econômico. Mas seria triste se o oposto fosse escolhido, o que levaria à morte muitas pessoas, algo como um “genocídio viral” (carta enviada a Roberto Andrés Gallardo). O Ressuscitado caminha conosco, suscitando “novas formas de hospitalidade, de fraternidade e de solidariedade”. Cantemos com esperança: “Da região da morte cesse o clamor ingente: Ressuscitou! exclama o anjo refulgente. Jesus, perene Páscoa, a todos alegrai-nos. Nascidos para a vida, da morte libertai-nos. Louvor ao que da morte ressuscitado vem, ao Pai e ao Paráclito eternamente. Amém”. (hino de Laudes, no Domingo da Páscoa).

Fonte: site da Revista de Liturgia

CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2020: "Viu, sentiu compaixão e cuidou dele", Lc 10,33-34

A Campanha da Fraternidade é o modo com o qual a Igreja no Brasil vivencia a Quaresma. Há mais de cinco décadas, ela anuncia a importância de não se separar conversão e serviço à sociedade e ao planeta. A cada ano, um tema é destacado, assim, a Campanha da Fraternidade já refletiu sobre realidades muito próximas dos brasileiros: família, políticas públicas, saúde, trabalho, educação, moradia e violência, entre outros enfoques.

Em 2020, a CF convida, por meio de seu texto-base, a olhar de modo mais atento e detalhado para a vida. Com o tema “Fraternidade e Vida: Dom e Compromisso” e lema “Viu, sentiu compaixão e cuidou dele” (Lc 10,33-34), busca conscientizar, à luz da palavra de Deus, para o sentido da vida como dom e compromisso, que se traduz em relações de mútuo cuidado entre as pessoas, na família, na comunidade, na sociedade e no planeta, casa comum. 

Sobre a CF 2020

Lançado pela editora da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a Edições CNBB, o texto-base convida a um olhar que se eleva para Deus, no mais profundo espírito quaresmal, e volta-se também para os irmãos e irmãs, identificando a criação como presente amoroso do Pai. No texto, a presidência da CNBB afirma que a Campanha será uma motivação para olhar transversalmente as diversas realidades, interpelando a todos ao respeito do sentido que, na prática, se atribui à vida, nas suas diversas dimensões: pessoal, comunitária, social e ecológica.

“Não se pode viver a vida passando ao largo das dores dos irmãos e irmãs”, diz um trecho do texto base. Versentir, compaixão cuidar são os verbos de ação que irão conduzir este tempo quaresmal. Para isso, o texto-base que é dividido em três partes, convida que cada pessoa, cada grupo pastoral, movimento, associação, Igreja Particular e o Brasil inteiro, motivados pela Campanha da Fraternidade, possam ver fortalecida a revolução do cuidado, do zelo, da preocupação mútua e, portanto, da fraternidade.

HINO DA CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2020

O autor da letra é o padre José Antônio de Oliveira, 67 anos, da paróquia São João Batista de Barão de Cocais da arquidiocese de Mariana (MG). Segundo ele, o hino tem o poder de levar a mensagem central da campanha da fraternidade para todo o Brasil. “É uma semente que será semeada por aí. Não deixa de ser uma alegria muito grande evangelizar por meio da música”, disse.

O religioso já teve outras letras de música escolhidas para concursos da CNBB, entre elas o canto de comunhão: “Vamos Juntos para a Mesa”, da CF 2002, musicada por Lucas de Paula Almeida.

Processo de escolha –  31 propostas de letra para o hino da CF 2020 chegaram à CNBB após a prorrogação do edital de concurso nacional até 22 de julho de 2019. A Comissão Episcopal Pastoral para a Liturgia da CNBB fez uma triagem entre todas as propostas e pré-selecionou 5 letras que foram apresentadas em reunião do Conselho Episcopal Pastoral (Consep) da entidade. Entre as cinco finalistas, os bispos, membros do Consep, escolheram o hino.

A próximo passo segundo o irmão Fernando Benedito Vieira, assessor do Setor de Música Litúrgica da CNBB, será colocar a música na letra, o que será feito com o apoio de uma equipe composta de cinco peritos em música litúrgica. A proposta é que em um mês a versão final de letra com a música seja apresentada para a Comissão para a Liturgia da CNBB para a aprovação final.

Conheça a letra do Hino da Campanha da Fraternidade 2020:

Tema: Fraternidade e Vida: Dom e Compromisso
Lema: “Viu, sentiu compaixão e cuidou dele” (cf. Lc 10,33-34)
Autor: Pe. José Antonio de Oliveira

1) Deus de amor e de ternura, contemplamos
este mundo tão bonito que nos deste. (Cf. Gn 1,2-15; 2,1-25)
Desse Dom, fonte da vida, recordamos: (Cf. SI 36,10)
Cuidadores, guardiões tu nos fizeste. (Cf. Gn 2,15)

Peregrinos, aprendemos nesta estrada
o que o “bom samaritano” ensinou:
Ao passar por uma vida ameaçada,
Ele a viu, compadeceu e cuidou. (Cf. Lc 10,33-34)

2) Toda vida é um presente e é sagrada,
seja humana, vegetal ou animal. (Cf. LS, esp. Cap. IV)
É pra sempre ser cuidada e respeitada,
desde o início até seu termo natural.

3) Tua glória é o homem vivo, Deus da Vida; (Cf. Santo Irineu)
ver felizes os teus filhos, tuas filhas;
é a justiça para todos, sem medida; (Cf. Am 5,24)
É formarmos, no amor, bela Família.

4) Mata a vida o vírus torpe da ganância,
da violência, da mentira e da ambição.
Mas também o preconceito, a intolerância.
O caminho é a justiça e conversão. (Cf. 2Tm 2,22-26)

HINO DA CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2020

CEN 2020: abertas inscrições para Simpósio Teológico, em Olinda (PE)

Na perspectiva para o Congresso Eucarístico Nacional (CEN 2020), que será realizado no próximo mês de novembro, na arquidiocese de Recife e Olinda (PE), foram abertas as inscrições para o Simpósio Teológico, uma das atividades que faz parte da programação do CEN 2020, entre os dias 12 e 15 de novembro. Os interessados devem acessar o endereço cen2020.com.br/simposio-teologico para adquirir os ingressos.

O investimento é de R$100 mais taxa de R$8 e pode ser pago via boleto bancário ou cartão de crédito. O ingresso dará ao participante o direito de participar das três conferências e escolher três das nove oficinas disponíveis na programação. Tanto as conferências quanto as oficinas do Simpósio Teológico serão ministradas por teólogos de várias regiões do Brasil, com larga experiência teológica e pastoral, entre os dias 13 e 14 de novembro, no Centro de Convenções de Pernambuco, em Olinda.

Confira a notícia na íntegra e a programação.

NOSSA SENHORA DE GUADALUPE

Na América Latina o título mariano que se destaca é, realmente, Nossa Senhora de Guadalupe. Já existe há quase 500 anos.

Na liturgia da Igreja Nossa Senhora de Guadalupe tem sua festa celebrada no dia 12 de dezembro. É considerada a padroeira principal da América Latina. A festa foi instituída em 1754.

A Igreja de Nossa Senhora de Guadalupe localize-se na cidade do México. É uma basílica menor da Igreja Católica.

A atual Basílica de Nossa Senhora de Guadalupe constitui um santuário nacional do México. Está situado no monte de Tepyac.

O Santuário mariano é considerado o principal templo da Igreja católica no continente americano. É a segunda igreja mais visitada do catolicismo no mundo, só perdendo para a Basílica de São Pedro.

A nova Basílica recebe mais de 20 milhões de visitantes ao longo do ano e inumeráveis peregrinações de todo o México. As grandes peregrinações chegam a 2.500 por ano. Os grupos espontâneos perfazem 6 mil anuais.

Basílica moderna

O Santuário de Nossa Senhora de Guadalupe é composto de várias igrejas e capelas, dentre elas as duas basílicas, uma do século XVI, e outra da década de 1970. A Basílica nova foi edificada em razão do afundamento da antiga devido ao terreno movediço. Isso porque a cidade do México foi construída em cima de um lago aterrado, o Lago de Texcoco.

A Basílica nova foi construída entre os anos de 1974 e 1976. Foi projetada pelo arquiteto mexicano Pedro Ramírez Vásquez. Sua inauguração transcorreu aos 12 de outubro de 1976.

A Basílica nova foi idealizada em estilo moderno. Viabiliza permitir uma vista total do altar para os devotos que estão no interior.

A estrutura é suportada por 350 pilares. Pode abrigar 10 mil peregrinos dentro da Igreja.

Na nova Basílica, em celebrações especiais, são colocados assentos adicionais e a capacidade chega até 40 mil lugares. O santuário abriga, em seu interior a tilma de Juan Diego Cuauhtlatoatzin.

Basílica antiga

A antiga Basílica é o primeiro templo católico dedicado a Nossa Senhora de Guadalupe. Começou a ser construída em 1531.

Foi concluída e inaugurada no dia 1º. de maio de 1709. Foi projetada por Pedro Arrieta. Em 24 de outubro de 1887 foram feitas reparações na igreja.

No dia 12 de outubro de 1895 a imagem de Nossa Senhora de Guadalupe foi solenemente coroada pelo arcebispo do México. 50 mil fiéis participaram com piedade e comoção.

O interior do templo é decorado em mármore com duas estátuas de Juan Diego e de D. Fr. Juan de Zumárraga. Em 1904, foi elevado à categoria de Basílica pelo Papa São Pio X.

As vestes de Juan Diego ficaram abrigadas na Igreja até 1974. Quando a nova Basílica ficou pronta, passaram para ela.

Na década de 1970 foi descoberto o afundamento do terreno. E novo templo teve que ser planejado.

Já em 1979, o Instituto Nacional de Antropologia e História (INAH), em parceria com a Igreja católica mexicana, iniciou um trabalho arqueológico para restaurar o chão da Igreja e impedir a perda de artefatos importantes.

Embora ainda não tenham sido finalizados os trabalhos na Basílica antiga, a primeira etapa da restauração já foi concluída com sucesso em 2000. O templo foi reaberto em 2001.

Origem da devoção

Os primeiros missionários, que chegaram ao México, eram originários da Espanha, país de tradição mariana. Além de transmitirem a fé cristã, eles também ensinaram a devoção da Virgem Maria. Nos albores da evangelização, o primeiro sinal luminoso do culto mariano foi a presença de Nossa Senhora de Guadalupe na religiosidade de nosso povo.

A devoção de Nossa Senhora de Guadalupe é proveniente do país do México, no século XVI. Surgiu em 1531, quando a Virgem Maria apareceu a Juan Diego, de 48 anos, na colina de Tepyac, localizado a noroeste da cidade do México.

Originário do México, Juan nasceu em 1474, em Calpuli. Era um índio nativo, que antes de ser batizado tinha o nome de Cuauhtlatoatzin.

Juan era um índio pobre, da Tribo de Nahua. Pertencia a mais baixa casta do Império Asteca. Dedicava ao difícil trabalho do campo e à fabricação de esteira.

Possuía um pedaço de terra, onde vivia feliz com a esposa, numa pequena casa, mas não tinha filho. Sua esposa se chamava Maria Lúcia.

Atraído pela pregação dos frades franciscanos que chegaram ao Méxido em 1524, Juan converteu-se ao cristianismo. Foi batizado junto com sua esposa. Receberam o nome cristão de  Juan Diego e Maria Lúcia.

Homem piedoso

Juan era um homem dedicado e piedoso, que sempre se retirava para fazer suas orações e penitências. Costumava caminhar de sua vila à cidade do Mèxico, percorrendo três horas e meia até a igreja, onde participava da missa e aprendia religião.

Juan andava descalço. Vestia, nas manhãs frias, uma roupa de tecido grosso de fibras de cactos como um manto, chamado tilma ou ayate, como todos de sua classe social.

Sua esposa adoeceu e faleceu em 1529. Juan foi morar com seu tio, diminuindo a distância da igreja. Fazia esse percurso todo sábado e domingo, saindo bem cedo, antes do amanhecer. Foi numa destas idas que Nossa Senhora lhe apareceu.

Quando ocorreram as aparições marianas, Juan tinha 57 anos. Ele dedicou-se ao serviço de Nossa Senhora de Guadalupe em sua pequena igreja. Deixando seu povoado para sempre, ele foi morar num pequeno quarto junto à igreja como ermitão, com licença do bispo. Amou, profundamente, o sacramento da eucaristia e consegui uma especial licença do bispo para receber a comunhão três vezes na semana, um fato bastante raro na época.

Juan cuidava bem do templo mariano. Todos os dias fazia uma oração familiar diante da imagem da Mãe de Deus. Era um homem exemplar, temente a Deus de consciência reta e louváveis costumes. Tinha tal reputação de santidade que os peregrinos, que frequentavam o pequeno santuário para suplicar favores a Virgem Maria, tomavam o indígena como intercessor e se recomendava às suas preces.

Juan faleceu no dia 30 de maio de 1538, aos 74 anos, de morte natural. Foi beatificado pelo Papa São João Paulo II em 1990.

Foi também canonizado por São João Paulo II em 2002. Foi o primeiro santo católico indígena americano. É modelo de fé simples e humilde nutrida pelo catecismo.

A festa litúrgica de São Juan é celebrada no dia 9 de dezembro. É padroeiro dos povos indígenas e floristas.

Aparições marianas

De acordo com os relatos históricos, a Virgem Maria apareceu primeiro quatro vezes a Juan. E também apareceu uma vez ao seu tio.

No dia 9 de dezembro de 1531, sábado, de madrugada, na cidade do México, Juan, recém batizado, dirigiu-se à Igreja de Santa Cruz de Tlaltelolco, que ficava a 24 km de sua casa, a fim de para participar da missa.

Ao passar junto à colina de Tepyac, o indígena ouviu um cântico harmonioso e suave, vindo do alto do morro. Enquanto admirava e olhava ao redor, cessou, de repente, o canto. Então ouviu uma voz delicada do alto que o chamava carinhosamente pelo nome.

Ao olhar em direção à colina, Juan viu uma Senhora belíssima, de pé, que o convidava a se aproximar. Subiu com toda pressa a encosta do outeiro. No topo do monte, estando diante dela, ele ficou maravilhado com sua beleza. Sua vestimenta brilhava.

Com ternura e polidez, a Senhora se apresentou a Juan como a Virgem Maria, Mãe de Jesus Cristo, o Verbo de Deus. Falando-lhe em sua língua, náhuatl, ela o enviou para dizer ao primeiro bispo do México, D. Fr. João de Zumárraga, que era seu desejo ardente que fosse erigida naquele local uma igreja em sua honra.

Logo após a aparição, Juan dirigiu-se até a cidade do México, onde ficava o palácio episcopal. Acanhado, transmitiu ao bispo a mensagem que recebera de Nossa Senhora. Sua missão não foi bem sucedida, porque a autoridade eclesiástica não acreditou na veracidade do fato.

Na tarde do mesmo dia 9, Juan novamente se encontrou com a Virgem Maria, que o esperava na colina. Ele quis renunciar a ser embaixador da Mãe de Deus junto ao bispo, pedindo que escolhesse outro mensageiro mais importante.

Missão reafirmada

Entretanto, Nossa Senhora não aceitou a renúncia de Juan. Reafirmou missão dele, dizendo-lhe que ele era plenamente capaz. Então, ela solicitou que ele, em seu nome, voltasse a falar com o bispo no dia seguinte e continuasse insistindo em seu pedido.

No domingo de manhã, 10 de dezembro, Juan, obedecendo a Mãe de Jesus, procurou novamente o bispo. O prelado instruiu que o indígena retornasse ao monte Tepyac e pedisse a Virgem Maria uma prova de sua identidade sobrenatural.

Ainda no dia 10, à tarde, Juan voltou para a colina e viu novamente Nossa Senhora, informando-lhe a resposta do bispo. Ela consentiu em fornecer no dia seguinte o sinal que o bispo lhe havia solicitado.

Na segunda-feira, 11 de dezembro, Juan não se apresentou ao encontro marcado com a Virgem Maria. Teve que cuidar do tio e pai de criação, Juan Bernardino, que adoecera gravemente. Em vão procurou um médico que atendesse o tio.

Na terça-feira, dia 12 de dezembro, Juan teve que ir às pressas a Tlatelolco para buscar um sacerdote para ouvir a confissão do tio e ministrar a unção dos enfermos em seu leito de morte.

Para evitar ser atrasado pela aparição e por sentir envergonhado por não ter conseguido ver a Virgem Maria na segunda-feira, Juan escolheu outra rota ao redor da colina. Mas a Mãe de Jesus o interceptou no desvio e pergunto-lhe para onde ele estava indo. O vidente desculpou-se, falando-lhe do tio doente.

Flores raras

Como mãe benigna, dadivosa e protetora, Nossa Senhora assegurou a Juan que seu tio obteria perfeito restabelecimento. Logo em seguida, ela lhe pediu que subisse o monte Tepyac e colhesse flores do seu cume, levando-as ao bispo.

No alto do morro o solo era estéril, principalmente em dezembro. Era inverno no hemisfério norte. Seguindo as instruções de Nossa Senhora, Juan colheu rosas castelhanas, não nativas do México, florescendo lá. Eram flores frescas. Ele as recolheu e as enrolou na manta.

Chegando ao palácio episcopal, depois de longa espera, Juan conseguiu a audiência com o bispo no dia 12 de dezembro. Repetiu-lhe a mensagem da Virgem Maria. Desdobrou a manta diante do bispo e de um grupo de assistentes.

Surpreso, o bispo viu a imagem de Nossa Senhora pintada na manta, de onde caíam as flores frescas em pleno inverno. Era o retrato da Mãe de Jesus que Juan tinha visto várias vezes na colina de Tepyac.

Emocionados, o bispo e todos os presentes caíram de joelhos beijando a imagem milagrosa. O bispo a guardou em sua capela.

Nome querido pela Virgem

No outro dia, 13 de dezembro, Juan e o bispo, com numeroso séquito, foram conhecer o lugar das aparições. Imediatamente, foram convidadas pessoas para construir a igreja no lugar que Nossa Senhora indicara.

No mesmo dia, Juan e o bispo foram visitar Juan Bernardino, seu tio, encontrando-o totalmente recuperado. Sorrindo, ouvindo o relato das aparições, Bernardino contou também que tinha visto a Virgem Maria ao lado de sua cama. Disse-lhe que ela desejava a construção de um templo na colina de Tepyac. Declarou que a Mãe de Deus queria que sua imagem fosse chamada: “Santa Maria de Guadalupe”.

Inicialmente, a imagem de Nossa Senhora de Guadalupe permaneceu por certo tempo na catedral da cidade. Os fiéis vinham ver e admirar a imagem como obra divina e rezavam diante dela. Ficavam muito comovidos da maneira como, por milagre, ela aparecera. Para eles, ficava evidente que nenhum ser humano da terra havia pintado aquela imagem da Mãe do Salvador.

Diante do fenômeno da aparição de Nossa Senhora de Guadalupe, em pouco tempo, os indígenas se converteram ao catolicismo. Eles “se sentiram amados pela Virgem Maria” (Pe. Ernesto N. Roman, sacerdote diocesano e escritor).

Em 26 de dezembro de 1531, a imagem de Nossa Senhora de Guadalupe foi solenemente transladada para uma pequena capela erguida no outeiro da coluna de Tepyac. No singular templo a pintura mariana ficou exposta à veneração pública dos fiéis.

O culto de Nossa Senhora de Guadalupe propagou-se rapidamente na região. Contribuiu muito para a difusão da fé católica entre os indígenas.

A devoção mariana provocou rápidas conversões dos mexicanos à Igreja de Cristo. Os franciscanos batizaram dez milhões de pessoas.

Padroeira da América Latina

Em 25 de maio de 1754, o Papa Bento XIV declarou Nossa Senhora de Guadalupe patrona da chamada Nova Espanha, que correspondia à América Central e América do Norte. Aprovou também os textos litúrgicos para a missa e breviário em sua homenagem.

Em 1891, o Papa Leão XII concedeu novos textos litúrgicos. Em 8 de fevereiro de 1895, ele autorizou a coroação canônica da imagem. Aos 12 de outubro de 1897, a imagem foi solenemente coroada.

Em 1910, São Pio X proclamou Nossa Senhora de Guadalupe como Padroeira da América Latina.

Em 1945, o Papa Pio XII deu-lhe o título de “Imperatriz da América”.

Atualmente, no centro da abside da majestosa Basílica observa-se o manto com as feições da Virgem Maria, conservados durante os últimos 500 anos. Testemunha o culto ininterrupto da Virgem Maria desde os inícios até hoje. “A presença de Maria de Guadalupe é um abraço amoroso a todos os seus devotos” (Pe. Corrado Maggioni, sacerdote montfortiano e escritor mariano).

Os devotos têm visitado continuamente a Basílica de Nossa Senhora de Guadalupe. Não só peregrinos do país, mas também do estrangeiro. O Santuário se transforma em centro de evangelização e nicho de aconchego dos filhos de Maria. “As aparições da Virgem Maria oficializadas pela Igreja sempre deixaram profundas marcas na história, na alma e no coração dos fiéis” (Pe. Reginaldo Manzotti, sacerdote evangelizador, escritor e cantor).

Ao contemplar a imagem de Nossa Senhora, todos os fiéis experimentam nela a ternura, a acolhida, a solicitude e o amparo daquela que é Mãe da humanidade, que intercede sempre por seus filhos junto a Jesus Cristo, o Salvador. Eles a veneram e a invocam com piedade, confiança e carinho.

Tilma e os olhos

A tilma de Juan é uma espécie de tecido tradicionalmente indígena dos povos pré-colombianos. Era um manto feito de fibras de cacto agave manguey.

Na tilma, usada por Juan, ficou originalmente estampada a imagem de Nossa Senhora de Guadalupe. A tilma mede 168 x 105 cm. A pintura tem 143 x 55 cm.

A pintura retrata uma mulher contemplativa de pele mestiça, rodeada por raios solares. Trata-se de uma jovem, com pele morena e rosto ovalado. Seu rosto é modesto, formoso e amável, de beleza inimitável. Suas mãos estão postas.

Na cabeça, por cima do manto, a imagem tinha uma coroa dourada, de dez pontas. Todavia, ao fazerem os preparativos para a solene coroação da Virgem Maria, a coroa havia desaparecido misteriosamente, sem deixar vestígio de raspadura ou outra intervenção humana.

A jovem está vestida com uma túnica de cor rosa, com arabescos dourados. A túnica é coberta por manto azul esverdeado, todo adornado de estrelas de oito pontas. Está em cima de uma lua crescente escurecida, que representa as forças do mal. É carregada por um anjo querubim.

O tecido da tilma é fraco, porque é constituído de fibras vegetais. Pode durar no máximo 20 anos.

A tilma ficou exposta ao longo de quase cinco séculos em lugares abertos. Foi levada em procissões. Ficou em diferentes templos. Tem sido atingida pelas emanações gasosas do lago subterrâneo vizinho.  No entanto, não se deteriorou. Ao contrário, tem resistido até hoje, permanecendo intacta mesmo após a passagem de quase 500 anos.

Os olhos de Nossa Senhora de Guadalupe estão sendo estudas por inúmeras investigações cientificas durante os últimos cinquenta anos.

Em 1929, os pesquisadores descobriram que as pupilas dos olhos dela refletem o momento em que Juan abriu o manto diante do bispo em 1531.

Nos olhos da Virgem de Guadalupe estão reproduzidos o pátio da residência episcopal, Juan e mais dez pessoas, algumas das quais estão sentadas.

Pe. Eugênio Antônio Bisinoto C.Ss.R.
Missionário Redentorista
Sacerdote e escritor
Igreja Santa Cruz – Araraquara – SP

Celebração da Memória Litúrgica do Bem-aventurado Tiago Alberione

26-11-2019 | A Família Paulina presente nas comunidades de São Paulo juntamente com a comunidade paroquial de Santo Inácio de Loyola celebraram a Eucaristia presidida pelo Pe. Antônio Lúcio e concelebrada pelos padres paulinos.

Nesta celebração do 48º Aniversário da Páscoa do Bem-aventurado Alberione, foi recordado a sua vida: o testemunho da missão carismática e valores vivenciados por ele como: a experiência de oração diária, a meditação, a contemplação, o silêncio, o carisma apostólico, amor à Palavra de Deus e seu anúncio.

Na homilia Padre Antonio Lúcio recordou as palavras do Papa Paulo IV ditas no dia 28 de Junho de 1969 durante sua visita ao bem-aventurado Pe. Tiago Alberione: Ei-lo humilde, silencioso, incansável, recolhido nos seus pensamentos, que passam da oração à obra, sempre atento a perscrutar os sinais dos tempos”. Lembrou também as palavras ditas pelo próprio Pe. Tiago Aberione, dois anos mais tarde, no dia 26 de Novembro de 1971, deixadas como testamento espiritual aos seus filhos e filhas: Morro… rezo por todos, Paraíso”. Estas palavras são incentivo e sinais de esperança para todos da Família Paulina, desejosos de fazer reverberar o carisma proposto à Igreja.

No final da celebração foi lida a Carta do Superior Geral Padre Valdir de Castro que recordou os 100 anos da oração do Segredo de Êxito e a sua importância na construção da espiritualidade e missão na obra deixada pelo Bem-Aventurado Alberione.

Após a celebração membros da Família paulina visitaram a exposição: “O silêncio do comunicador – A vida de Padre Alberione contada em fotografias”. Esta exposição foi organizada pela Equipe de Pastoral da Faculdade Paulus de Tecnologia e Comunicação (FAPCOM).

Curso de Iconografia no Apostolado Litúrgico de São Paulo

De 11 a 20 de novembro teremos o Curso de Iconografia no Apostolado Litúrgico de São Paulo. O curso tem duração de 7 dias. Será feito nos dias 11 a 14 e de 18 a 20 de novembro.

O Curso de Iconografia será ministrado pela Ir. Goretti Medeiros. Ela é Pia Discípula do Divino Mestre e reside em Cabreúva, SP. A irmã é formada em Artes Plásticas e tem pós-graduação em Comunicação, Arte e Educação. Além disto, fez vários cursos extras em Iconografia e Policromia (barroco). Ela já colabora em diversos cursos de Iconografia e Arte Floral nas comunidades.

As inscrições vão até o dia 05 de novembro. Para este primeiro grupo, estão abertas 5 vagas. Cada participante receberá todo o material para escrita de um ícone: pigmentos, quadro, pincel, apostila. O investimento é de R$ 1500,00.

A inscrição no Curso de Iconografia será feita pelo site do Apostolado Litúrgico. Clique abaixo e inscreva-se. Vagas limitadas.

Local do Curso:

Dia da Pátria

O Dia da Independência (também chamado Dia da Independência do Brasil, Sete de setembro, e Dia da Pátria) é um feriado nacional do Brasil celebrado no dia 7 de setembro de cada ano. A data comemora a Declaração de Independência do Brasil do Império Português no dia 7 de setembro de 1822.

A independência do Brasil aconteceu em 1822, tendo como grande marco o grito da independência que foi realizado por Pedro de Alcântara (D. Pedro I durante o Primeiro Reinado), às margens do Rio Ipiranga, no dia 7 de setembro de 1822. Com a independência do Brasil declarada, o país transformou-se em uma monarquia com a coroação de D. Pedro I.

A chegada da família real no Brasil ocasionou uma série de mudanças que contribuiu para o desenvolvimento comercial, econômico e, em última instância, possibilitou a independência do Brasil.

Com a chegada da família real, o Brasil experimentou, em seus grandes centros, um grande desenvolvimento resultado de uma série de medidas implementadas por D. João VI, rei de Portugal. Instalado no Rio de Janeiro, o rei português autorizou a abertura dos portos brasileiros às nações amigas, permitiu o comércio entre os brasileiros e os ingleses como medidas de destaque no âmbito econômico.

Outras medidas de destaque são destacadas pelo jornalista Chico Castro:

Tomou providências, um ano após a sua chegada, para que houvesse interesse pela educação e literatura brasileiras no ensino público, abrindo vagas para professores. Instalou na Bahia uma loteria para arrecadar fundos em favor da conclusão das obras do teatro da cidade; mandou estabelecer em Pernambuco a cadeira de Cálculo Integral, Mecânica e Hidromecânica e um curso de Matemática para os estudantes de Artilharia e Engenharia da capitania; isentou do pagamento de direitos de entrada em alfândegas brasileiras de matérias-primas a serem manufaturadas em qualquer província e criou, pela primeira vez no país, um curso regular de língua inglesa na Academia Militar do Rio de Janeiro|1|.

Essas e outras medidas que foram tomadas pelo rei português demonstravam uma clara intenção de modernizar o país como parte de uma proposta que fizesse o Brasil deixar de ser apenas uma colônia portuguesa, tornando-se de fato parte integrante do Reino de Portugal. Isso foi confirmado quando, em 16 de dezembro de 1815, D. João VI decretou a elevação do Brasil para parte do Reino Unido.

Isso, na prática, significou que o Brasil deixava de ser uma colônia e transformava-se em parte integrante do Reino português, que agora passava a ser chamado de Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves. Essa medida era importante para o Brasil e, segundo as historiadoras Lilia Schwarcz e Heloísa Starling, a medida tinha como objetivo principal evitar que o Brasil seguisse pelo caminho da fragmentação revolucionária – como havia acontecido na relação entre EUA e Inglaterra|2|.

A presença da família real no Brasil havia proporcionado grandes avanços, mas, ainda assim, demonstrações de insatisfação aconteceram por meio da Revolução Pernambucana de 1817. A mudança da família real para o Brasil havia resultado em grande aumento de impostos e interferido diretamente na administração da capitania.

A Revolução Pernambucana de 1817 foi reprimida violentamente. Três anos depois de lidarem com ela, o rei D. João VI teve de lidar com insatisfações em Portugal que se manifestaram em Revolução Liberal do Porto de 1820. Esse foi o ponto de partida do processo de independência do Brasil.

Portugal vivia uma forte crise, tanto política quanto econômica, em consequência da invasão francesa. Além disso, havia uma forte insatisfação em Portugal por conta das transformações que estavam acontecendo no Brasil, sobretudo com a liberdade econômica que o Brasil havia conquistado com as medidas de D. João VI.

A Revolução Liberal do Porto eclodiu em 1820 e foi organizada pela burguesia portuguesa inspirada em ideais liberais. Um dos grandes objetivos dos portugueses era o retorno do rei para Portugal. Na visão da burguesia portuguesa, Portugal deveria ser a sede do Império português.

Outra reivindicação importante dos portugueses foi a exigência de restabelecimento do monopólio comercial sobre o Brasil. Essa exigência causou grande insatisfação no Brasil, uma vez que demonstrava a intenção dos portugueses em permanecer os laços coloniais em relação ao Brasil. O rei português, pressionado pelos acontecimentos em seu país, resolveu retornar para Portugal em 26 de abril de 1821.

Na viagem de D. João VI, cerca de quatro mil pessoas retornaram para Portugal. O rei português, além disso, levou para Portugal uma grande quantidade de ouro e diamantes que estavam nos cofres do Banco do Brasil. Com o retorno de D. João VI, Pedro de Alcântara foi transformado em regente do Brasil.

Processo de independência do Brasil

O processo de independência do Brasil aconteceu, de fato, durante a regência de Pedro de Alcântara no Brasil. As Cortes portuguesas (instituição surgida com a Revolução do Porto) tomaram algumas medidas que foram bastante impopulares aqui, como a exigência de transferência das principais instituições criadas durante o Período Joanino para Portugal, o envio de mais tropas para o Rio de Janeiro e a exigência de retorno do príncipe regente para Portugal.

Essas medidas junto com a intransigência dos portugueses, no decorrer das negociações com representantes brasileiros, e do tratamento desrespeitoso em relação ao Brasil fizeram com que a resistência dos brasileiros com os portugueses aumentasse, e reforçou a ideia de separação em alguns locais do Brasil, como no Rio de Janeiro. A exigência de retorno de D. Pedro para Portugal resultou em uma reação instantânea no Brasil.

Em dezembro de 1821, chegou a ordem exigindo o retorno de D. Pedro para Portugal e a reação decorreu da criação do Clube da Resistência. Em janeiro de 1822, durante uma audiência do Senado, um documento com mais de 8 mil assinaturas foi entregue a D. Pedro. Esse documento exigia a permanência do príncipe regente no Brasil.

Supostamente motivado por isso, D. Pedro disse palavras que entraram para a história do país: “Como é para bem de todos e felicidade geral da nação, estou pronto; diga ao povo que fico”|3|. Os historiadores não sabem ao certo se essas palavras foram mesmo ditas por D. Pedro. De toda forma, esse acontecimento marcou o Dia do Fico. Apesar disso, os historiadores afirmam que em janeiro de 1822 ainda não havia um desejo em muitos de permanecer o vínculo com Portugal.

A sucessão dos acontecimentos nos meses seguintes foram responsáveis por incitar o Brasil à ruptura com Portugal, uma vez que, como mencionado, isso não era certo em janeiro de 1822. Ao longo do processo de independência, duas pessoas tiveram grande influência na tomada de decisões de D. Pedro: sua esposa, Maria Leopoldina, e José Bonifácio de Andrada e Silva.

O rompimento ficou cada vez mais evidente com algumas medidas aprovadas no Brasil. Em maio de 1822, foi decretado o “Cumpra-se”, medida que determinava que as leis e as ordens decretadas em Portugal só teriam validade no Brasil com o aval do príncipe regente. No mês seguinte, em junho, foi determinada a convocação de eleição para a formação de uma Assembleia Constituinte no Brasil.

Essas medidas reforçavam a progressiva separação entre Brasil e Portugal, uma vez que as ordens de Portugal já não teriam validade aqui conforme determinava o “Cumpra-se” e, além disso, esboçava-se a elaboração de uma nova Constituição para o país com a convocação de uma Constituinte.

A relação das Cortes portuguesas com as autoridades brasileiras permaneceu irreconciliável e prejudicial aos interesses dos brasileiros. Em 28 de agosto de 1822, ordens de Lisboa chegaram ao Brasil com a mensagem que o retorno de D. Pedro para Portugal deveria ser imediato. Além disso, anunciava-se o fim de uma série de medidas em vigor no Brasil e tidas pelos portugueses como “privilégios” e os ministros de D. Pedro eram acusados de traição.

A ordem, lida por Maria Leopoldina, a convenceu da necessidade do rompimento com Portugal e, em 2 de setembro, organizou uma sessão extraordinária, assinou uma declaração de independência e a enviou para D. Pedro que estava em viagem a São Paulo. O mensageiro, chamado Paulo Bregaro, alcançou a comitiva de D. Pedro, na altura de São Paulo, quando estavam próximos ao Rio Ipiranga.

Na ocasião, D. Pedro I estava sofrendo de problemas intestinais (que não se sabe sua origem específica). O príncipe regente leu todas as notícias e ratificou a ordem de independência com um grito às margens do Rio Ipiranga, conforme registrado na história oficial. Atualmente, os historiadores não têm evidência que comprovem o grito do Ipiranga.

O 7 de setembro não encerrou o processo de independência do Brasil. Esse processo seguiu-se com uma guerra de independência e nos meses seguintes acontecimentos importantes aconteceram, como a Aclamação de D. Pedro como imperador do Brasil, no dia 12 de outubro, e sua coroação que aconteceu no dia 1º de dezembro.

Guerra de independência do Brasil

Diferente do que muitos acreditam, a independência do Brasil não foi pacífica. Com a declaração da independência, uma série de regiões no Brasil demonstrou sua insatisfação e rebelou-se contra o processo de independência. Eram movimentos “não adesistas”, isto é, movimentos que eclodiram nas províncias que não aderiram ao processo de independência e que se mantiveram leais a Portugal.

Os quatro grandes centros da resistência contra a independência do Brasil aconteceram nas seguintes províncias: Pará, Bahia, Maranhão e Cisplatina (atual Uruguai). Aconteceram campanhas militares nessas localidades e os combates contra as forças que não aderiram à independência estenderam-se até 1824. Para saber mais sobre, leia este texto: Guerra de Independência do Brasil.

Consequências da independência do Brasil

Entre as consequências do processo de independência do Brasil, podem ser mencionados:

  • Surgimento do Brasil enquanto nação independente;
  • Construção da nacionalidade “brasileira”;
  • Estabelecimento de uma monarquia nas Américas (a única no continente junto da haitiana e mexicana);
  • Endividamento do Brasil por meio de um pagamento de 2 milhões de libras como indenização aos portugueses.

|1| CASTRO, Chico. A Noite das Garrafadas. Brasília: Senado Federal, 2013, p. 33 e 34.
|2| SCHWARCZ, Lilia Moritz e STARLING, Heloisa Murgel. Brasil: uma biografia. São Paulo: Companhia das Letras, 2015, p. 189.
|3| Idem, p. 212.

Por Daniel Neves
Graduado em História
Fonte: https://brasilescola.uol.com.br/historiab/independencia-brasil.htm

175 anos de fundação do Apostolado da Oração. Conheça a História.

Para marcar e celebrar estes 175 anos de fundação, o pe. Eliomar Ribeiro, sj, pediu ao Apostolado Litúrgico uma proposta de paramentos para este jubileu.  As irmãs Kelly de Oliveira e Laíde Sonda desenvolveram o desenho para a estola e casula desta grande festa. Os paramentos são dourados ou brancos, próprios para solenidade do Sagrado Coração, mas os desenhos propostos são de cor vermelha associada Coração de Cristo. As estolas são feitas do tecido ravena. Uma das casulas têm o estolão bordado no tecido ravena e é feita no tecido shantung. A outra casula é feita totalmente no tecido ravena, bordado direto, sem estolão.

Ano Jubilar

O Apostolado da Oração completa, neste ano de 2019, 175 anos de sua fundação. Este importante momento da Igreja Católica nasceu numa Casa de estudos da Companhia de Jesus, em Vals perto de Le Pruy na França. O Apostolado da Oração é uma união dos fiéis que, no oferecimento cotidiano de si mesmos, se juntam ao Sacrifício Eucarístico do qual se exerce continuamente a obra de nossa redenção e dessa forma, pela união vital com Cristo, da qual depende a fecundidade apostólica colaboram na salvação do mundo.

Assim como Cristo se entregou ao Pai por nós, remiu o mundo, também todo apostolado externo deve estar unido à oração e ao sacrifício a fim de que, em virtude do Sacrifício da Cruz, contribua para a edificação do Corpo de Cristo.

A Igreja nos ensina que o amor de Cristo está principalmente representado no seu coração e nos convida a que reverenciemos esse amor, simbolizado pelo Coração de Cristo, como fonte de salvação e misericórdia.

História do Apostolado da Oração

Origem

O Apostolado da Oração teve origem numa casa de estudo da Companhia de Jesus, em França (Vals, perto de Le Puy), na festa de S. Francisco Xavier do ano de 1844. Naquela ocasião, o Padre Espiritual do Colégio – P. Francisco Xavier Gautrelet – fez uma conferência aos estudantes, em que explicou como podiam eficazmente satisfazer o desejo de colaborar com os que trabalhavam nos vários campos de apostolado para a salvação dos homens. Podiam fazê-lo, sem interromper o seu trabalho principal, que era o estudo, oferecendo com fim apostólico as suas orações, os seus sacrifícios e trabalhos.

As ideias propostas pelo P. Gautrelet, que constituem o fundamento do Apostolado da Oração, foram recebidas com entusiasmo pelos estudantes e divulgadas primeiro nas terras vizinhas do colégio e depois em toda a França. Para difundir estas ideias, o próprio P. Gautrelet propôs uma pequena organização com o nome precisamente de «Apostolado da Oração», que teve a aprovação do Bispo de Le Puy e, em 1849, alcançou as primeiras indulgências do Papa Pio IX.

Desenvolvimento

A divulgação propriamente dita do Apostolado da Oração deve-se principalmente ao P. Henrique Ramière, também ele da Companhia de Jesus, que deve considerar-se o verdadeiro fundador, divulgador e organizador do Apostolado da Oração no mundo. O P. Ramière, por meio de numerosos escritos, em que soube harmonicamente unir a simplicidade de expressão e a profundidade de pensamento teológico, propagou o Apostolado da Oração em todas as classes de pessoas e a todos os níveis, e deu à Obra forma definitiva e organização estável.
À morte do P. Ramière (1883), o Apostolado da Oração tinha já 35 mil centros, com mais de 13 milhões de associados nas várias partes do mundo.

O Apostolado da Oração em Portugal

O Apostolado da Oração chegou a Portugal em 1864, trazido pelo italiano P. António Marcocci. Mas o grande impulsionador foi o seu colega P. Luís Prosperi, primeiro Diretor Nacional, o qual se dedicou ardorosamente às missões populares. Uma história com altos e baixos, como é a história dos homens, mas que não tem deixado de produzir abundantes frutos. Assim o confirma a voz autorizada do Papa Pio XII, na mensagem radiofónica dirigida ao 3º Congresso Nacional do A. O., reunido em Braga (19-5-1957): «Os Anais do Apostolado da Oração são uma das mais belas páginas da história da Igreja em Portugal. E nós sabemos como, em tempos relativamente recentes, quando a propaganda autorizada do mal se propunha eliminar em duas gerações os últimos vestígios do Catolicismo, em terras lusitanas, foi o Apostolado da Oração, por testemunho dos sagrados pastores, uma das principais forças da resistência, para manter vivo o espírito cristão e o fazer vigoroso, mal a tempestade acenou a abrandar».

Na Atualidade

Em 2014, o Papa Francisco aprovou o documento de recriação do Apostolado da Oração que levou à mudança de nome deste Serviço Pontifício, para “Rede Mundial de Oração do Papa”, sendo o Apostolado da Oração um dos modos de participação nesta Rede.
No Brasil o primeiro centro foi fundado em 30 de junho de 1867 no Recife -PE na igreja de Santa Cruz, oficiada pelos padres jesuítas que haviam chegado a Pernambuco em 1865.

Fonte sobre a história do Apostolado da Oração: https://redemundialdeoracaodopapa.pt/quem-somos/historia

Estola Presbiteral Ravena Bordado Sagrado Coração

Casula Shantung Sagrado Coração Creme

Casula Ravena Sagrado Coração Pérola

FESTA DE CORPUS CHRISTI

Em todos os anos, é celebrada a festa de Corpus Christi. O nome “Corpus Christi” vem do latim e significa “Corpo de Cristo”.

A festa é denominada oficialmente de solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo. É sempre realizada na quinta-feira após o domingo da solenidade da Santíssima Trindade.

A festa pode também ser prorrogada para o segundo domingo depois de Pentecostes, particularmente nas regiões onde não se têm feriado nesse dia.

A Eucaristia é um dos sete sacramentos cristão. Foi instituído pelo próprio Jesus na última ceia com os discípulos (Mt 26,26-29;Mc 14,22-25;Lc 22,14-20;1Cor 11,23-29). Porque a Eucaristia foi celebrada pela primeira vez na quinta-feira santa, Corpus Christi  é celebrada comumente numa quinta-feira.

Honrar a presença eucarística de Jesus

A festa é um convite para os cristãos prestarem homenagem a Cristo presente nas espécies consagradas de pão e vinho. Visa propor à piedade dos cristãos o culto do sacramento da Eucaristia, para que possam celebrar a salvação de Jesus em seu mistério pascal, de maneira que aprendam a participar da missa e viver dela mais intensamente.

Os participantes são interpelados a entender mais e honrar melhor a presença de Jesus Cristo Vivo e Ressuscitado no sacramento da Eucaristia, de maneira que saibam render ao Senhor o louvor, a adoração, a profissão de fé e a ação de graças.

A festa reflete o crescimento da consciência e do valor da Eucaristia na espiritualidade cristã. Na Idade Média o movimento em favor da devoção eucarística se manifestou cada vez mais vigoroso e vivo entre os fiéis, bispos, sacerdotes e teólogos.

Origem da festa

A Bélgica foi o palco em que apareceu e expandiu, com grande fervor, a piedade e o culto da Eucaristia.

A festa originou-se em Liège, na Bélgica, no século XIII, quando Santa Juliana (1192-1258), da Ordem de Santo Agostinho, teve as visões de Jesus Cristo demonstrando-lhe o desejo de que o mistério da Eucaristia fosse celebrado com destaque.

Ao conhecer as visões eucarísticas de Santa Juliana, o bispo da cidade acabou por acatá-las. No ano de 1246, em sua diocese, ele celebrou pela primeira fez uma festa de Corpus Christi.

A festa contribuiu para resgatar a importância da Eucaristia na vida da Igreja. Foi uma resposta à heresia de Berengário, no século XI, que negava a presença real de Cristo no sacramento da Eucaristia.

A solenidade foi instituída oficialmente para toda a Igreja pelo Papa Urbano IV, em 11 de outubro de 1264. Quando Cardeal, o Pontífice conhecera pessoalmente a irmã Juliana.

Depois do Concílio de Viena (1311-1313), o Papa Clemente V confirmou e revigorou a solenidade em 1314. Nesta ocasião, ela tomou o nome de festa de Corpus Christi.

Missa e procissão

Normalmente, a festa é precedida por momentos de adoração do Santíssimo Sacramento.  Ao adorar, os cristãos prestam culto a Jesus presente na hóstia consagrada. Honram o Cristo eucarístico com amor, respeito e fé.

Com grande participação dos fiéis, o sacerdote celebra a missa do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo na igreja. A celebração reveste-se de caráter solene, tendo glória, sequência, creio e preces da comunidade. Tem prefácio e orações próprias. A cor dos paramentos é branca.

A celebração evidencia a eucaristia como fonte e ápice de toda a vida cristã. Mostra que o sacramento perpetua pelos séculos o sacrifício de Jesus na Cruz. Encerra todo o bem espiritual da Igreja: o mesmo Cristo, nossa Páscoa.

A festa salienta a eucaristia como memorial da morte e ressurreição do Senhor, o sinal de piedade e de unidade, o vínculo de caridade, o banquete pascal, em que Cristo nos é comunicado como alimento de nossa caminhada na terra. É o penhor da futura glória.

Depois da celebração da missa na Igreja, todo o povo participa da procissão eucarística. Jesus na hóstia consagrada é exposto no ostensório e colocado para a adoração dos fiéis que caminham pelas ruas da cidade.

A procissão popular termina com a bênção do Santíssimo Sacramento a todos os fiéis. Rei de todo o universo e Luz do mundo, Jesus está vivo e presente no meio da humanidade, abençoando-a, salvando-a, protegendo-a e orientando-a.

Momento litúrgico e devocional

Ao longo do século XIV, Corpus Christi foi convertendo-se rapidamente numa das festas mais apreciadas pelo povo. Paulatinamente, a solenidade atingiu todas as dioceses do mundo. A diocese de Colônia na Alemanha celebrava a festa desde antes de 1270.

Em 1317, o Papa João XXII confirmou o costume de fazer a procissão eucarística. Essa procissão surgiu em Colônia, no ano de 1274. Depois propagou na França e na Itália. Em Roma já acontecida desde 1350.

O Concílio de Trento (1545-1563) insistiu na exposição pública da Eucaristia. Orientou também a ter a procissão eucarística.

Atualmente, a Igreja preserva a festa como momento litúrgico e devocional do povo cristão. O Código de Direito Canônico corrobora a validade das exposições públicas da Eucaristia. Recomenta que, principalmente em Corpus Christi, haja procissão pelas vias públicas (cân. 944),

Testemunho público

A procissão eucarística tem importância e significado especial nas dioceses, nas paróquias e nas cidades em que são promovidas. Entre as procissões litúrgicas é a que tem mais destaque.

A procissão de Corpus Christi é o testemunho público da presença de Jesus eucarístico. Nela a hóstia consagrada é conduzida em caminhada de fé e apresentada para ser honrada por todos os cidadãos que acompanham o cortejo.

No Missal do Papa Paulo VI, de 1970, a festa é denominada liturgicamente Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo. Assim assumiu também a memória do Sangue de Cristo, que era comemorada em 1 de julho e foi supressa nesta data.

Prefácios e leituras

As orações e a sequência são as mesmas do Missal do Papa Pio V (1570). Qualquer um dos dois prefácios sobre a Eucaristia – um para quinta-feira santa e o outro para Corpus Christi – podem ser proclamados na solenidade.

A solenidade é enriquecida com uma série de leituras bíblicas. São diferentes nos três ciclos dominicais (A, B e C).

A festa também assume um caráter devocional popular. O momento expressivo de Corpus Christi é a procissão, em que os fiéis suplicam as bênçãos de Jesus Eucarístico para suas casas, famílias e ambientes.

Enfeites tapetados

Em muitos lugares, o povo tem o costume de enfeitar as ruas com tapetes de serragem, flores e outros materiais, formando um mosaico multicolor e belo.

No Brasil, a tradição dos tapetes coloridos, como decoração da procissão de Corpus Christi, constitui uma herança de Portugal. Lá, em todas as 20 dioceses, fazem-se solenes procissões a partir da igreja catedral. As festividades começaram a ser celebrada cedo, em 1282. De Portugal passaram para a cultura religiosa e folclórica do Brasil.

Dimensões teológicas do sacramento

Corpus Christi ressalta e aprofunda as dimensões teológicas centrais do sacramento da Eucaristia. Em primeiro lugar, a Eucaristia recorda a pessoa e a obra de Jesus, que passou no meio da humanidade salvando e fazendo o bem (passado).

A Eucaristia também celebra a unidade fundamental de Cristo com sua Igreja e com todas as pessoas de boa vontade (presente). Enfim, a Eucaristia prefigura nossa união definitiva e plena com Cristo no Reino do Pai (futura).

Celebrar a festa significa fazer memória litúrgica da entrega que Jesus fez de sua própria carne e sangue para vida da Igreja. É renovar e aprofundar o compromisso de fé nele e com Ele, para centrar a vida pessoal e comunitária no mistério eucarístico.

Durante a solenidade e a procissão, os cristãos corroboram e confessam sua fé no sacramento da Eucaristia. Expressam seus sentimentos mais profundos diante de Jesus que se faz presente na celebração litúrgica e na hóstia consagrada exposta no ostensório.

Participação dos fiéis

Corpus Christi é uma festa de preceito. Para os católicos é obrigatório comparecer e participar da missa.

A festa conduz os seres humanos a Jesus, para que possa conhecer a pessoa do Salvador e seguir seus passos. “Deus não é amado, porque não é conhecido. É necessário tirar Cristo do sacrário, apresentá-lo ao povo como o grande Senhor, Mestre, Salvador, vivo, realmente em nosso meio” (São Pedro Julião Eymart, 1811-1866, sacerdote francês).

 

Pe. Eugênio Antônio Bisinoto C.Ss.R.
Sacerdote e escritor – Missionário Redentorista
Araraquara, SP

Ostensório Estrelas 57 cm

Ostensório Labirinto 65 cm

Ostensório Guto Godoy 63 cm

Ostensório Guto Godoy 61 cm

PAINEL ICONOGRÁFICO DA SANTÍSSIMA TRINDADE – 30 ANOS  EM ITAICI

A Sabedoria construiu a sua casa, talhando suas sete colunas. Abateu seus animais, preparou o vinho e pôs a mesa. Enviou suas criadas para anunciar nos pontos mais altos da cidade: “Os ingênuos venham até aqui. Quero falar aos que não tem juízo. Venham comer do meu pão e beber do vinho que eu preparei. Deixem de ser ingênuos, e vocês viverão; sigam o caminho da inteligência.                                                         

Provérbios 9, 1-6

 

Em grande festa, com a Igreja, celebramos a Solenidade da Santíssima Trindade. Contemplando este grande Mistério e vivendo a nossa vocação à vida de santidade, no seio de Deus, renovamos nossa fé e nossa adesão à aliança com Deus.

 

Especialmente neste ano de 2019 recorda-se um marco importante na vida de fé e na iconografia que explicita os dados da fé. Há 30 anos, a capela da Vila Kostka em Itaici (SP) recebeu um painel iconográfico, que seguramente representa uma grande herança da arte sacra do nosso país. O artista de grande sensibilidade e outros incontáveis valores já reconhecidos, Cláudio Pastro, representou a Santíssima Trindade na figura dos três anjos. Este tema é inspirado no texto bíblico do livro do Gênesis (cf. Gn 18, 1-15) e tem sua representação já muito antiga na tradição da Igreja.

 

O ícone mais conhecido da Santíssima Trindade (pelas Igrejas tanto do Oriente quanto do Ocidente) é do iconógrafo Andrej Rublëv (1360-1430) e foi escrito no ano de 1441, por ocasião da construção de uma igreja de madeira sobre o sepulcro de São Sérgio, na Rússia. As Igrejas conheceram muitos outros ícones da Santíssima Trindade, mas sem dúvida, O iconógrafo Rublev soube expressar a Unidade da Trindade com uma particular harmonia.

 

O afresco da Santíssima Trindade em Itaici também marcou a tradição iconográfica da Igreja no Brasil. Ele se apresenta como lugar de contemplação, a partir do mundo interior do observador. A própria capela é lida como a tenda, aquele que se detém na contemplação também se percebe dentro da tenda. No centro, estão as três figuras, os três anjos, que envolvem a atenção do observador; d’Eles emanam a comunicação e a iniciativa da cena. No meio, o Pai, que com a mão aponta para o Filho. A direita do Pai, O Filho direciona seu olhar diretamente para o observador; Ele nos revela o Pai. O Espírito Santo tem seu olhar voltado para além do que está visível, para fora, para o mundo. Ele está continuamente inspirando a humanidade. A composição geral da cena, comunica a dinâmica das dunas, (que o vento, símbolo do Espírito, transforma a todo instante), a força central da árvore da vida e a contemplação humana diante do Eterno Deus.

 

Colocando-nos diante deste Mistério, somos envolvidos, como Abraão e Sara para adorar e reconhecer a grandiosidade da Vida Divina. A fé nos aproxime da dinâmica do Deus Trino que é a Unidade, a Comunhão, a Vida. Renovemos também nossa vocação à Vida Comunitária, sinal visível do Reino acontecendo entre nós.

 

Ir. Jeyd Gomes, pddm

Arquiteta do Apostolado Litúrgico