Abaixo, na integra, a carta circular númeo 1 deste ano, com a mensagem celebrativa pelo 25º Dia Mundial da Vida Consagrada e Festa da Apresentação do Senhor.

———— CIRCULAR N. 1 ————-
Pie Discepole del Divin Maestro – Casa Generalizia
Roma, 31 de janeiro de 2021
Dia do Senhor

Queridas irmãs,
recebemos una carta afetuosa do Card. João Braz de Aviz, Prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, por ocasião do XXV Dia da Vida consagrada que celebramos no próximo 02 de fevereiro, com todo o povo fiel de Deus.
É uma mensagem que convido a acolher com profunda gratidão. Com palavras animadas pela esperança e cheias de participação fraterna, reflete sobre a situação particular e dramática em que estamos imersas, solidárias com toda a humanidade. E nos convida a superar a tentação de nos recuar, lamentarmos, e fechar os olhos, ouvindo, ao invés, as entranhas da misericórdia, como o samaritano que se fez próximo do infeliz encontrado ao longo do caminho.
Ele nos dirige o apelo direto para focar na Encíclica do Papa Francisco Fratelli tutti: “Consagradas e consagrados em institutos religiosos, monásticos, contemplativos, institutos seculares e novos institutos, membros do ‘ordo virginum’, eremitas, membros das sociedades de vida apostólica, pedimos a todos vocês que coloquem esta Encíclica no centro de sua vida, formação e missão. De agora em diante, não podemos ignorar essa verdade: somos todos irmãos e irmãs, como rezamos, talvez não com tanta consciência, no Pai nosso, porque “Sem uma abertura ao Pai de todos, não pode haver razões sólidas e estáveis para o apelo à fraternidade” (FT n. 272)»
A partir de nossa comunidade vocacional abrimos nossos olhos para as sombras de um mundo fechado e, na escola do Evangelho, aprendemos a pensar e gerar um mundo aberto, com um coração aberto para o mundo inteiro. Portanto, imediatamente, no diálogo e favorecendo a amizade social, abrimos caminhos de novos encontros.
Sem esconder-nos as muitas feridas à fraternidade que provocamos todos os dias, ou as sofremos, na vida em comunidade, juntas reencontramos as raízes da profecia da vida consagrada. Firmes e enraizadas nela, descobriremos a beleza do que professamos na vida: O amor de Cristo nos reuniu para tornar-nos uma só família de suas discípulas. Como Ele e graças a Ele, no Espírito, podemos responder ao mandamento: “amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e com toda a tua força e amarás o teu próximo como ti mesmo”. Reunidas no seu Nome, e não só por motivos humanos, desejamos ser um sinal humilde e plausível da misericórdia do Pai que opera maravilhas (RV 73).
Todas, independentemente da idade ou situação de vida, somos habilitadas a ser esta profecia: sinal humilde e possível da misericórdia do Pai, que opera em nós e ao nosso redor suas maravilhas. São palavras sobre as quais refletir e, fazê-las descer no profundo da consciência, para que se enraízem e deem bons frutos. Nos ungimos mutuamente com o bálsamo do perdão, da cura e da ternura eucarística – como diz o papa Francisco – que atinjamos à uma vida de fé e de intimidade com Deus, para ser reconhecidas por aquilo que somos: discípulas de Jesus Mestre (cf. Jo 13, 34 – 35).
Nessas semanas temos a alegria de acolher entre nós, definitivamente, as juniores que emitem a Profissão Perpétua – em Burkina Faso, Coreia, Índia,–; as noviça que emitem a profissão religiosa temporária – no Congo, na Coreia, nas Filipinas,– e outras jovens que estão progredindo no caminho formativo. É uma bela oportunidade para nos lembrar, realisticamente, que não é importante ser numerosas, mas ser acesas. Como o Bemaventurado Padre Alberione muitas vezes repete: “Ser acesas para iluminar”.
No dia 10 de fevereiro, celebraremos juntas a Festa dos inícios na memória daquele dia em que tudo teve, publicamente, princípio. Na gratidão por Madre Escolástica Rivata e pelas Irmãs, por ela escolhidas para constituir a primeira comunidade de Pias Discípulas, entramos, idealmente, em diálogo com elas para ouvir delas “como era no princípio “. Não se trata apenas de fazer um exercício de reconstrução histórica, mas de deixar emergir do profundo de mim mesma aquilo que da experiência carismática das primeiras Madres ainda hoje me regenera e me dá alegria. De fato, o carisma das origens é a experiência do Espírito que, de geração em geração, chegou até nós. E hoje, em cada uma de nós, ele é vivido, guardado, aprofundado e constantemente desenvolvido em harmonia com o corpo de Cristo em constante crescimento (cf. MR 11).
O inovador compositor e maestro Gustav Mahler (1860-1911) dizia: “Tradição é guardar fogo, não adorar cinzas”. Eu me pergunto: O que resta, em nós e entre nós, do “fogo dos inícios”? A quem, na comunidade eclesial, ou civil, oferecemos um lugar em torno desse “fogo dos inícios” para continuar a se aquecer, reavivar-se, encontrar conforto e sentido da vida?
A partilha fraterna das respostas a estas perguntas favoreça entre nós a experiência da narração de vida, em encontros comunitários nutritivos, que alimentem o crescimento na fé e na alegria da vocação, para que a Palavra de Deus corra e seja glorificada.

Ir. M. Micaela Monetti, superiora geral

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