Semana da Família 2020

Dentro do Mês Vocacional, a Igreja no Brasil celebra, na segunda semana de agosto, a Semana Nacional da Família, uma mobilização de grupos e comunidades que ocorre, desde 1992, com momentos de oração, formação e reflexão. Neste ano, a Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) propôs como tema “Eu e minha casa serviremos ao Senhor” (Josué 24, 15).

Para animar a Semana Nacional da Família – do Dia dos Pais até o dia 15 de agosto – a Comissão Nacional da Pastoral Familiar (CNPF), organismo vinculado à Comissão Vida e Família da CNBB, elabora o subsídio “Hora da Família”, que começou a ser editado desde a vinda de São João Paulo II ao Brasil, em 1994. Neste ano de 2020, o material ganhou duas versões, uma com encontros mensais e outra especialmente preparada para a Semana Nacional da Família, agora chamada “Hora da Família Especial”.

O subsídio possui roteiro para os sete dias da semana com atividades que envolvem toda a família, sugestões de oração e de cantos. O material está disponível na versão impressa e também no aplicativo Estante Pastoral Familiar, numa versão digital.

O Hora da Família se coloca a serviço da Igreja e da construção do Reino de Deus começando em nossas casas. Aproveitem cada encontro e animem sua comunidade a vivenciarem os temas propostos como um itinerário de aprofundamento da fé em família a serviço da comunidade”, motiva o bispo de Rio Grande (RS) e presidente da Comissão para a Vida e a Família da CNBB, dom Ricardo Hoepers.

Recordando a celebração das diversas vocações pela Igreja neste mês de agosto, o assessor da Comissão para a Vida e a Família e secretário executivo da CNPF, padre Crispim Guimarães, ressalta que o Hora da Família Especial, em comunhão com a Igreja, “celebra a vocação comum: ser família. Na família todas as vocações nascem e se encontram”.

Celebrar em tempos de pandemia

O bispo auxiliar do Rio de Janeiro (RS) e secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Joel Portella Amado, recordou em mensagem o momento desafiador da pandemia do novo coronavírus, que tem imposto limites ao agir Pastoral “ameaçando e mesmo levando embora tantas vidas”.

Segundo dom Joel, o lema deste ano, “Eu e minha serviremos ao Senhor”, é muito adequado para o momento que estamos passando: “Eu tomo mesmo a liberdade de compreender o lema do seguinte modo: ‘Eu e minha casa serviremos ao Senhor com pandemia ou sem pandemia, no modo presencial ou no modo virtual’. Isso porque, em qualquer condição uma família que se volta para o Senhor em atitude de fé, atitude traduzida em escuta da Palavra de Deus e no serviço a Deus através do próximo, aqui está um aspecto irrenunciável da nossa fé”.

O casal coordenador nacional da Pastoral Familiar, Luiz e Kátia Stolf, deseja que seja possível fazer uma Semana da Família abençoada mesmo com a pandemia, com o isolamento social: “que possamos fazer em nossas casas, a nossa pequena Igreja doméstica, acontecer também a Semana da Família, com nossos filhos, com nossos netos, enfim, com aqueles que convivem conosco. Aproveitemos esse momento especial de graça que Deus está nos dando para realizar e também celebrar a Semana da Família”.

Luiz e Kátia motivam a participação da forma disponível, seja nas comunidades, nas paróquias ou nas suas casas, com um grupo de conhecidos online, de forma virtual. “Que muitos frutos possamos estar colhendo a partir dessa semana”.

Fonte: CNBB

Semana pela Unidade dos Cristãos 2020: o drama dos migrantes

“Trataram-nos com gentileza”: este versículo dos Atos dos Apóstolos (28,2) é o tema do subsídio da Semana de Oração pela Unidade de Cristãos 2020. O texto foi redigido pelas Igrejas cristãs de Malta e Gozo.

A Europa, diferentemente do hemisfério sul, celebra a Semana de Unidade dos Cristão de 18 a 25 de janeiro. Neste ano de 2020, os materiais para a Semana de Oração pela Unidade Cristã foram preparados pelas Igrejas cristãs em Malta e Gozo (Cristãos Unidos em Malta).

Em 10 de fevereiro, muitos cristãos em Malta celebram a festa do naufrágio de São Paulo, destacando e agradecendo a chegada da fé cristã nessas ilhas. Por isso, está sendo proposto a leitura de Atos dos Apóstolos usada na festa. A história começa com Paulo sendo levado a Roma como prisioneiro (At 27,1ss). Paulo está preso, mas mesmo numa viagem que se torna perigosa, a missão de Deus continua através dele.

Essa narrativa é um clássico drama da humanidade confrontada com o aterrorizante poder dos elementos. Os passageiros do navio estão expostos às forças dos mares abaixo e das poderosas tempestades que se erguem ao seu redor. Essas forças os levam a um território desconhecido, onde estão perdidos e sem esperança.

As 276 pessoas a bordo do navio são divididas em grupos distintos. O centurião e seus soldados têm poder e autoridade mas dependem da perícia e da experiência dos marinheiros. Embora todos estejam assustados e vulneráveis, os prisioneiros são os mais vulneráveis de todos. Suas vidas são consideradas dispensáveis, eles estão em risco de uma execução sumária (cf 27,42).

À medida que a história se desenvolve, sob pressão e temendo por suas vidas, vemos desconfiança e suspeita ampliando as divisões entre os diferentes grupos. Notavelmente, porém, Paulo se ergue como um centro de paz no tumulto. Ele sabe que sua vida não é governada por forças indiferentes ao seu destino, mas está segura nas mãos do Deus a quem ele pertence e serve (cf 27,23).

Por causa de sua fé, ele está confiante de que se erguerá diante do imperador em Roma, e na força da sua fé pode se erguer diante de seus companheiros de viagem e dar graças a Deus. Todos estão encorajados. Seguindo o exemplo de Paulo, eles partilham pão, unidos numa nova esperança e confiando em suas palavras. Isso indica o tema principal dessa passagem: a providência divina. Foi decisão do centurião navegar em tempo ruim, mas ao longo da tempestade os marinheiros tomam decisões sobre como lidar com o navio. Mas ao final seus próprios planos são alterados e, somente permanecendo juntos e permitindo que o navio naufrague, eles chegam a ser salvos pela divina providência.

O navio e toda a sua valiosa carga se perderão, mas todas as vidas serão salvas, “nenhum de vós perderá um cabelo sequer de sua cabeça” (cf 27,34; Lc 21,18). Em nossa busca da unidade cristã, entregar-nos à divina providência vai exigir deixar de lado muitas coisas a que estamos profundamente ligados. O que importa para Deus é a salvação de todas as pessoas. Esse grupo de pessoas diversas e em conflito desembarca em uma ilha (cf 27,26).

Tendo sido jogados juntos no mesmo navio, chegam ao mesmo destino, onde a sua unidade humana se manifesta na hospitalidade que recebem dos nativos da ilha. Ao se unirem ao redor do fogo, cercados por um povo que nem os conhece nem os compreende, diferenças de poder e posição social se esvaem. Os 276 não estão mais na dependência de forças indiferentes, mas envolvidos pela amorosa previdência de Deus, que se mostra presente através de um povo que lhes demonstra uma “benevolência fora do comum” (Cf 28,2).

Com frio e molhados, eles podem se aquecer e secar perto do fogo. Com fome, recebem comida. São abrigados até que seja seguro para eles continuar a viagem.

Hoje muitas pessoas estão enfrentando terrores semelhantes nesses mesmos mares. Os mesmos lugares mencionados no texto lido (cf 27,1; 28,1) também fazem parte das histórias de migrantes de tempos modernos. Em outras partes do mundo muitos outros estão fazendo jornadas igualmente perigosas por terra e pelo mar para escapar de desastres naturais, guerra e pobreza. Suas vidas também estão expostas a imensas e friamente indiferentes forças – não apenas naturais, mas também políticas, econômicas e humanas.

Essa indiferença humana assume várias formas: a indiferença dos que vendem lugares em barcos inadequados para pessoas desesperadas; a indiferença que leva à decisão de não enviar barcos de socorro; a indiferença que faz mandar embora barcos de imigrantes. Isso são apenas alguns exemplos.

Como cristãos unidos encarando as crises da migração essa história nos desafia: apoiamos as frias forças da indiferença, ou mostramos “benevolência fora do comum” e nos tornamos testemunhas da amorosa providência de Deus para todas as pessoas? A hospitalidade é uma virtude muito necessária em nossa busca da unidade cristã. É uma prática que nos leva a uma maior generosidade para os necessitados.

As pessoas que mostraram benevolência fora do comum a Paulo e seus companheiros não conheciam ainda Cristo, mas mesmo assim é através de sua benevolência fora do comum que um povo dividido vai ficando unido. Nossa própria unidade cristã será descoberta não apenas mostrando hospitalidade de uns para os outros, embora isso seja muito importante, mas também através de encontros amigáveis com aqueles que não partilham nossa língua, cultura ou fé. Em tais viagens tempestuosas e encontros casuais, a vontade de Deus para a Igreja e para todas as pessoas será cumprida. Como Paulo proclamará em Roma, a salvação de Deus foi enviada a todos os povos (cf At 28,28).

As reflexões para os oito dias e a celebração serão baseadas no texto de Atos dos Apóstolos.

Os temas para os oito dias são:

Dia 1: Reconciliação: Atirando a carga ao mar

Dia 2: Iluminação: Buscando e apresentando a luz de Cristo

Dia 3: Esperança: Mensagem de Paulo

Dia 4: Confiança: Não tenha medo, creia

Dia 5: Fortalecimento: Partilhando pão para a viagem

Dia 6: Hospitalidade: Demonstre benevolência fora do comum

Dia 7: Conversão: Mudando nossos corações e mentes

Dia 8: Generosidade: Recebendo e dando

Para baixar os textos, clique no link: http://www.christianunity.va/content/dam/unitacristiani/Settimana%20di%20preghiera%20per%20unit%C3%A0/2020/PORT%202020%20Libretto.pdf

Fonte da Notícia: Vatican News