ENCONTROS REGIONAIS DOS COOPERADORES PAULINOS

Após o início da programação nacional, os Cooperadores Paulinos seguem realizando encontros regionais em diversas partes do país. Neste mês de novembro, mais uma etapa importante do calendário anual foi concluída.

Nos dias 16 e 17 de novembro de 2025, ocorreu o 3º Encontro Regional Sudeste dos Cooperadores Paulinos, realizado na Cidade Regina, em São Paulo. No mesmo período, também aconteceu um encontro regional em Manaus, reunindo cooperadores da Região Norte; e os Cooperadores Paulinos do Nordeste, se reuniram em Maceió, no dia 15/11/2025.

Essas iniciativas fazem parte do processo contínuo de integração e fortalecimento da missão dos Cooperadores Paulinos no Brasil, promovendo formação, convivência e alinhamento ao novo Estatuto.

Encontro dos Cooperadores Paulinos da região Norte em Manaus/AM – novembro de 2025
Encontro Regional Nordeste em Maceió no dia 15/11/2025.

O COOPERADOR PAULINO CHAMADO À SANTIDADE NA FAMÍLIA PAULINA, NA IGREJA E NO MUNDO

“Em 1908 recebi este convite do meu diretor espiritual: “Lembra-te sempre: Annuerunt sociis (cfr Lc 5,7); é preciso buscar a ajuda das pessoas”. Então começou-se a procurar os Cooperadores” (RSP, 566).

Na noite de adoração para o início do século vinte, uma luz vinda de Jesus Mestre Eucarístico fez ressoar no jovem Tiago Alberione seu convite “Vinde a mim todos”, traçando-lhe o caminho de sua vocação e missão a ser realizado no século que estava começando. Alberione sentiu claramente que pessoas generosas “sentiriam o que ele sentia e que reunidas em organização” eram chamadas a ser os “novos apóstolos para sanearem as leis, a escola, a literatura, a imprensa, os costumes; para que a Igreja tivesse um novo impulso missionário; que os novos meios de apostolado fossem usados bem… especialmente em relação às questões sociais e à liberdade da Igreja” (AD 15-19). “Sentiu-se obrigado a servir a Igreja, os homens do novo século e a agir em união com outras pessoas” (AD 16, 20).

A encíclica Tametsi futura do Papa Leão XIII oferecia-lhe uma análise da sociedade do seu tempo e traçava para a Igreja a missão de reunir todas as coisas em Cristo (cfr. Ef 1,9-10), que é o Caminho, a Verdade e a Vida (Jo 14,6). Alberione confessa, então, de haver assumido tal encíclica como “herança sagrada” para si e para a futura missão.

Tomado pela experiência daquela noite, inicialmente pensou numa organização de católicos, aos quais “dar orientação, trabalho, espírito de apostolado…” (AD 23). Mas, “Pelo ano de 1910 deu um passo definitivo: viu numa maior luz: escritores, técnicos, propagandistas, porém, religiosos e religiosas” (AD 24).

Chegava-se assim à clara intuição da Família Paulina que “na oração apresentava de manhã com o cálice ao Senhor”: em primeiro lugar a Associação dos “Cooperadores que dão contribuição intelectual, espiritual, econômica” (AD 25) e, em segundo lugar, as Congregações, compostas por homens e mulheres que unem a “prática dos conselhos evangélicos ao mérito da vida apostólica” (AD 24).

Como pessoas que desejam melhorar sua vida cristã, os Cooperadores Paulinos realizam a vocação recebida no Batismo, enriquecendo-a com o espírito paulino, e realizam seu apostolado por meio da oração, das obras, das ofertas. (cfr. AD, 122).

O Cooperador – afirma Padre Alberione, em referência ao carisma paulino – tem o mesmo ideal de Jesus: acender o fogo do amor de Deus em cada alma e em todo o mundo… colabora… para fazer o Evangelho chegar aos recantos mais remotos do mundo, e por isso a acender nas mentes dos homens a luz da fé e o fogo do amor”. (CP, p. 209).

Na visão do Evangelho, isso significa ser fermento na massa do mundo, luz sobre o candelabro, uma cidade colocada sobre o monte (cf. Mt 5,14 ss). «Vós sois o sal da terra… Vós sois a luz do mundo… Comece, assim, vossa luz a brilhar diante dos homens, para que, vendo as vossas boas obras, glorifiquem vosso Pai que está nos céus” (Mt 5,13-16).

Alberione afirma: o leigo é “um paulino no mundo.”  E nesse sentido, o leigo cooperador paulino é realmente a “extensão” da presença da Família Paulina no mundo.

O Cooperador Paulino na Família Paulina

A Família Paulina nasceu em 20 de agosto de 1914, na cidade de Alba, com a fundação da Pia Sociedade São Paulo (Paulinos) para o apostolado da Boa Imprensa. Desde o início, o Fundador se inspirou na experiência da família humana, constituída de pais e mães, irmãos e irmãs. Ela é constituída por dez instituições religiosas e leigas, às quais o Fundador se referia como os ramos de uma grande árvore.

Assim, em 1915, reuniu um grupo de jovens moças e fundou a Pia Sociedade das Filhas de São Paulo (Paulinas) sempre para o apostolado da Boa Imprensa. Em 1917 deu início à “União Cooperadores Boa Imprensa”, chamada depois “Associação Cooperadores Paulinos” a qual reúne leigos e leigas que desejam viver, segundo seu particular estado de vida secular, o carisma paulino nas pegadas do Fundador, “em santidade, em Cristo e na Igreja” (Cfr. AD 3).

Em 1924 fundou as Pias Discípulas do Divino Mestre para o apostolado eucarístico, sacerdotal e litúrgico; as Irmãs de Jesus Bom Pastor (Pastorinhas), em 1938, que se dedicam ao apostolado pastoral em nível diocesano e paroquial; e o Instituto Rainha dos Apóstolos (Apostolinas), em 1959, voltadas para o apostolado vocacional nas diversas formas. Em 1960 receberam a aprovação pontifícia 3 Institutos Paulinos de Vida secular Consagrada, agregados à Sociedade de São Paulo: São Gabriel Arcanjo (Gabrielinos) e Maria Santíssima Anunciada (Anunciatinas), para leigos consagrados; o Instituto Jesus Sacerdote, destinado a padres diocesanos que aspiram a viver a espiritualidade paulina em seu ministério. Sucessivamente, em 1982 teve a aprovação pontifícia o Instituto Santa Família, para a santificação conjugal e familiar; nascido também este do coração do Alberione.

Os membros da Associação Cooperadores Paulinos, por vocação, são parte integrante da Família Paulina, com “igual dignidade e igual caráter” de paulino e paulina”, como todos aqueles que compõem a Família Paulina; vivem o mesmo “espírito paulino”, assim definido por Alberione: “A Família Paulina aspira viver integralmente o Evangelho de Jesus Cristo, Caminho, Verdade e Vida, no espírito de são Paulo, sob o olhar da Rainha dos Apóstolos” (AD 93).

De modo progressivo, sob a orientação do Fundador, os Cooperadores Paulinos ampliaram o raio de ação segundo as finalidades específicas do apostolado das Congregações da Família Paulina, que além de anunciar o Evangelho com os meios da comunicação, o realizam também no apostolado eucarístico/litúrgico; na pastoral paroquial/diocesana e na pastoral vocacional.

Os Cooperadores Paulinos trazem para a Família Paulina os valores específicos de sua condição laical, no respeito à identidade e autonomia próprias de cada instituição da mesma Família. “Esta profunda unidade na diversidade pertence à natureza carismática da Família Paulina” (Catequese Paulina p.101). Todo Cooperador Paulino valoriza e vive a comunhão com todos os outros membros da Família Paulina.

Os Cooperadores no coração da Igreja

Os membros da Associação Cooperadores Paulinos, “após terem sido incorporados a Cristo pelo Batismo e constituídos em povo de Deus e, na própria medida, feitos participantes da função sacerdotal, profética e real de Cristo, exercem, pela parte que lhes toca, na Igreja e no mundo, a missão de todo o povo cristão” (LG 31), e se empenham em corresponder concretamente ao chamado universal de Deus à santidade.

Na exortação apostólica Christifideles laici, São João Paulo II salienta que, “Em virtude da comum dignidade batismal, o fiel leigo é corresponsável, com os ministros ordenados e com os religiosos e as religiosas, pela missão da Igreja”. Possui, contudo, uma modalidade que o distingue e lhe é peculiar: a laicidade. (cfr. ChL. 15).

A Associação Cooperadores Paulino é testemunha da comum missão paulina e é corresponsável do projeto apostólico do Fundador de comunicar Jesus Mestre Pastor Caminho, Verdade e Vida na Igreja e no mundo.

Os Cooperadores Paulinos são chamados antes de tudo à santidade e a vivê-la no mundo. Para isso, são movidos pelo Espírito Santo a cultivar com solicitude a vida interior e a relação pessoal com Cristo, de modo que, iluminados pelo Espírito, tudo façam para dar “glória a Deus e a paz aos homens

Os Cooperadores Paulinos se santificam de forma peculiar na sua inserção nas realidades temporais, no cotidiano da vida familiar, profissional, social e eclesial.

Os fiéis leigos são chamados por Deus para que no mundo, exercendo o seu próprio ofício, animados pelo espírito evangélico, colaboram para a santificação do mundo a partir de dentro como fermento, e deste modo manifestem Cristo aos outros, sobretudo pelo testemunho da própria vida, pela irradiação da sua fé, esperança e caridade” (LG 31; cfr. também ChL 15). Os Cooperadores Paulinos se empenham em dar ao mundo “uma mentalidade cristã, a qual gera, depois,… uma vida cristã, legislação cristã… e tudo aquilo que pode assegurar uma vida espiritual para as almas e uma vida cristã para a sociedade” (FSP58, p. 436).

Os Cooperadores Paulinos, no espírito das bem-aventuranças evangélicas, empenham-se em viver o Evangelho em companhia da humanidade de hoje. O caminho de santidade é caracterizado por uma vida segundo o Espírito como resposta livre, pessoal e consciente de amor a um amor recebido. Tal vida segundo o espírito se manifesta:

  • na pobreza evangélica, tal como definida por Alberione, com os critérios de sobriedade, laboriosidade e partilha à luz do bem comum;
  • na pureza de coração, da mente, da vontade e dos comportamentos;
  • na misericórdia como abertura e caridade pastoral;
  • na justiça, para construir um mundo mais fraterno que reconhece e promove os direitos de todos, especialmente dos mais fracos;
  • no ser artesãos de comunhão e de paz num mundo agitado e esmagado pela violência e pelas diferenças sociais;
  • em ser pessoas de comunicação, de boas relações para criar pontes numa humanidade multicultural e multiétnica.

Sob o exemplo de são Paulo Apóstolo, o Cooperador Paulino é chamado a viver e testemunhar com coragem e alegria a fé em Cristo crucificado e ressuscitado. “Não temais, eu estou convosco  todos os dias, até ao fim dos tempos” (Mt 28,20).

Espiritualidade do Cooperador Paulino

“Aquilo que nutre vocês é o espírito paulino. Vocês têm uma espiritualidade cristã paulina e nada mais, isto é, a espiritualidade cristã como é interpretada por São Paulo. Nada há de melhor… O nosso espírito é o Evangelho” FSP-SdC, pp. 62-63).

A espiritualidade do Cooperador Paulino é a mesma cultivada por toda a Família Paulina, que tem por pontos de referência essenciais: Jesus Mestre Pastor, Caminho Verdade e Vida, Maria Rainha dos Apóstolos,  São Paulo e São Pedro.

O Cooperador Paulino se alimenta em Cristo  mediante a Palavra de Deus e a Eucaristia; em Cristo unifica a oração, o estudo, o apostolado e a própria vida; em Cristo recebe graça, força e audácia para ser fermento e luz em seu testemunho de uma vida nova em meio à humanidade de hoje. “O homem todo em Jesus Cristo, para um total amor a Deus: inteligência, vontade, coração, forças físicas” (AD 100).

Na visão cristocêntrica de são Paulo espelha-se a orientação espiritual do Fundador, o qual nos convida a compreender o mistério total do Filho de Deus através do conceito evangélico de Mestre e Pastor que, “sendo o Caminho, a Verdade e a Vida, responde a todas as expectativas do espírito humano, aliás as supera infinitamente” (AG 13).

A visão alberioniana de Maria Rainha dos Apóstolos, a nós transmitida, é aquela expressa na liturgia: “Edidit nobis Salvatorem”. A Virgem Santíssima deu-nos o Salvador, carregou-o no seio, gerou-o e o deu à humanidade. Sobre tal sequência desenvolve-se também a nossa vida espiritual.

De São Paulo, o Fundador indica-nos principalmente duas características: “não sou mais eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim” (Gl 2,20) e “fiz-me tudo a todos” (1Cor 9,22). O processo de cristificação e a paixão de torná-lo conhecido a todos, especialmente  aos “gentios” caracterizam o Espírito Paulino de toda a Família Paulina.

O método paulino, Verdade, Caminho e Vida é uma característica da Família Paulina para cuidar e desenvolver a nossa vida espiritual. Assimilado e tornado próprio, será de grande ajuda para os Cooperadores e as Cooperadoras.

O “Pacto” ou “Segredo de êxito” é a oração criada por nosso Fundador e exprime a consciência pessoal que deve animar o estilo de vida e o modo de pensar dos membros da Família Paulina e, portanto, dos Cooperadores.

As práticas diárias de piedade, bem como o acompanhamento espiritual, favorecem a vivência da própria vocação no mundo com uma continua atenção aos sinais dos tempos.

Para viver a espiritualidade, os Cooperadores encontrarão ajuda no testemunho de vida do Primeiro Mestre, sempre em busca de uma santidade paulina, como também no testemunho de vida das primeiras gerações, especialmente das testemunhas paulinas das quais estão em curso as causas de beatificação e canonização.

Os retiros espirituais e a celebração das datas e festas paulinas constituem momentos de graça para reavivar a nossa espiritualidade, a nossa a pertença à Família Paulina e a partilha dos frutos do empenho apostólico.

O Cooperador Paulino, radicado em Cristo Mestre e consciente de que todos os batizados são chamados à santidade e à perfeição da caridade, acolhe as próprias fragilidades e os sofrimentos derivantes da vida e da missão e os vive confiando na misericórdia do Senhor e na convicção de “que tudo concorre ao bem daqueles de amam Deus(Rm 8,28)

Estilo de vida paulino

O espírito e a cor paulina traduzem-se concretamente num “estilo de vida paulino” que é o modo pessoal de ser na realidade cotidiana que se vive, feito de gestos, de relações, de escolhas. O estilo encontra suas raízes e seu sentido nos valores que a pessoa assumiu como próprios e deles são a expressão e a manifestação externa.

O estilo de vida Paulino encontra a sua origem e sua exemplaridade no estudo e no conhecimento de nossos modelos: Paulo e Alberione, nossas referências para aquelas motivações e convicções interiores que geraram neles comportamentos e atitudes que nós hoje admiramos e às quais queremos nos inspirar.

O estilo de Paulo e de Alberione é, em síntese, este: “paixão por Deus, paixão pelo ser humano”.

Apostolado: leigos no mundo e na Igreja com a cor paulina

“Se anuncio o Evangelho, não é para mim motivo de vangloria, pois é uma necessidade que me é imposta; ai de mim se não anuncio o Evangelho” (1Cor,9,16).

O Cooperador Paulino realiza em primeiro lugar seu apostolado através dos compromissos cotidianos. Segue Jesus Cristo Mestre, Caminho, Verdade e Vida, enviado pelo Pai para servir e salvar os homens no mundo. Para isto se empenham em atuar o ideal evangélico do amor a Deus e ao próximo nas ordinárias condições de vida.

A Associação Cooperadores Paulinos adota a finalidade da Família Paulina, abraçando “do externo” – como dizia o Fundador – todos os apostolados das outras Congregações paulinas, para viver integralmente o Evangelho no espírito de São Paulo, sob o olhar de Maria Rainha dos Apóstolos, e comunicá-lo ao mundo com aqueles meios que mais correspondem à índole de cada uma das Congregações: a comunicação social (fim específico da Sociedade São Paulo-Paulinos e Pia Sociedade das Filhas de São Paulo-Paulinas), a Eucaristia, o Sacerdócio, a Liturgia (fim específico das Pias Discípulas do Divino Mestre), a pastoral paroquial e diocesana (fim específico das Irmãs de Jesus Bom Pastor-Pastorinhas), a promoção e cuidado das vocações (fim específico do Instituto Rainha dos Apóstolos para as vocações – Apostolinas) bem como a abertura para outros âmbitos que caracterizam a vida secular própria dos Cooperadores.

Um dos principais empenhos dos Cooperadores Paulinos quanto ao apostolado é inserir-se na ação pastoral orgânica da Igreja, quer geral como local, colaborando com ela nos setores que caracterizam o específico das Congregações Paulinas.

O Cooperador Paulino é chamado a participar da vida e da missão da Família Paulina das seguintes formas:

  1. Oração: é a cooperação mais necessária e consiste na oferta pessoal e comunitária da oração para a difusão do Evangelho e para o advento do Reino de Deus no mundo. O Cooperador cultiva a oração, de louvor, de agradecimento, de reparação, de intercessão e promove também iniciativas de oração no próprio ambiente. O Cooperador oferece o próprio empenho cotidiano de vida, as orações e os sofrimentos, segundo o espírito do Ofertório Paulino.
  2. Ação: o Cooperador vive a solidariedade e a caridade fraterna para com todos, participa, conforme a possibilidade, das diversas expressões do apostolado paulino, oferecendo gratuitamente a colaboração no cumprimento da missão paulina.
  3. Ofertas: em sinal de generosidade e de zelo contribui, livremente, de acordo com as próprias possibilidades, para as iniciativas apostólicas e vocacionais da Família Paulina, a fim de que atinjam seus objetivos. Além disso, torna-se disponível para organizar ações a fim de angariar fundos em favor da formação das vocações e da missão.

Os Cooperadores Paulinos podem realizar seu empenho apostólico em obras gerenciadas autonomamente pela Associação e mediante iniciativas correspondentes às finalidades da Associação e aprovadas pelos próprios Superiores.

Em nível local e circunscricional procure-se uma coordenação entre as atividades apostólicas programadas para melhor eficácia das mesmas.

O nome mesmo de Cooperadores Paulinos expressa a realidade de Cooperação nas várias formas do apostolado da Família Paulina. Não se subestime a riqueza e a criatividade que pode derivar da partilha dos talentos próprios de cada pessoa, juntamente com o desenvolvimento de um maior sentido de pertença e de engajamento.

Os Cooperadores Paulinos podem dar um bom contributo na Promoção vocacional para a Igreja e para a Família Paulina.

Texto: Estatuto dos Cooperadores Paulinos

LITURGIA DO DIA: A CORAGEM DE SERVIR COM FIDELIDADE

Liturgia do Dia – 19 de Novembro de 2025

Memória de Santos Roque González, Afonso Rodríguez e João de Castillo, presbíteros e mártires
33ª Semana do Tempo Comum

No Evangelho de hoje (Lc 19,11-28), Jesus conta a parábola dos servos que recebem moedas para administrar enquanto o senhor parte em viagem. A narrativa revela o desejo profundo de Deus: que cada pessoa faça frutificar os dons recebidos, colocando-os a serviço do Reino. O senhor da parábola não exige dos servos aquilo que não lhes foi dado, mas espera fidelidade, coragem e disposição em assumir responsabilidades, mesmo diante de riscos e incertezas.

O contraste entre os servos que trabalham e aquele que esconde a moeda expressa duas posturas espirituais. A primeira é a da confiança: reconhecer que tudo vem de Deus e pode ser devolvido multiplicado em forma de amor, justiça, serviço e compromisso. A segunda é a do medo: paralisia, fechamento em si mesmo e incapacidade de permitir que o dom se torne vida para outros. A censura dirigida ao servo que nada fez lembra-nos que a omissão também tem peso no caminho de fé; não basta “não fazer o mal”, é preciso fazer o bem possível.

O Evangelho de Lc 19,11-28 termina de forma bastante forte. Depois de elogiar os servos que fizeram render as moedas e de repreender o que a escondeu, Jesus conclui a parábola dizendo: “Quanto aos meus inimigos, que não quiseram que eu reinasse sobre eles, trazei-os aqui e matai-os na minha frente.” (Lc 19,27)

Esse desfecho duro cumpre duas funções fundamentais na mensagem de Jesus: a primeira, revela a seriedade da escolha pelo Reino. Esse final deixa claro que rejeitar o Reino de Deus não é algo neutro.
A parábola não fala apenas da omissão do servo medroso, mas também da resistência ativa daqueles que “não querem que Ele reine”. A cena simboliza o juízo final: Deus respeita a liberdade humana, mas essa liberdade tem consequências. A recusa do reinado de Deus é, ao mesmo tempo, recusa da vida.

Ele adverte sobre a responsabilidade de quem recebe dons. O servo que não faz render a moeda é contrastado não só com os servos fiéis, mas também com os inimigos do rei. Isso funciona como um alerta: não basta não fazer o mal; é preciso fazer o bem possível, utilizando os dons recebidos para a construção do Reino. A parábola liga omissão e rejeição: quem se fecha sobre si mesmo, mesmo sem atacar, acaba colaborando com a lógica do “não-reinado” de Deus.

Este desfecho também prepara a entrada de Jesus em Jerusalém. Ou seja, este bramo antecede diretamente a entrada triunfal de Jesus na cidade (Lc 19,28ss). Assim, Jesus se apresenta como o Rei que vem, mas não um rei dominador, e sim o Rei que oferece salvação. No entanto, sua realeza exige decisão: acolher ou rejeitar.

E por fim, este desfecho reforça o chamado à fé corajosa. A dureza do final não pretende inspirar medo, mas responsabilidade e seriedade espiritual. A parábola inteira gira em torno da confiança: quem confia, arrisca; quem teme, paralisa-se; quem rejeita, fecha-se à vida. O final sublinha que o tempo de Jesus é momento de decisão: a fé verdadeira transforma a vida e a vida transformada testemunha o Reino.

A leitura deste Evangelho na 33ª Semana do Tempo Comum, imediatamente antes do Advento, tem um valor espiritual muito profundo. A Igreja, nesses últimos dias do ano litúrgico, orienta nossa atenção para o sentido último da vida, para o juízo, para a vinda do Senhor e para a responsabilidade cristã. A parábola das moedas, com sua forte conclusão, encaixa-se perfeitamente nesse contexto.

Ele nos prepara o coração para a vinda do Senhor. O Advento é tempo de esperança e vigilância, e a liturgia das últimas semanas do Tempo Comum nos ajuda a ajustar essa vigilância. A parábola dos servos que devem administrar o que receberam até o retorno do Senhor é um convite direto a despertar do comodismo, revisar o próprio caminho, reavivar o desejo pela vinda de Cristo. A Igreja quer que entremos no Advento não adormecidos, mas alertas e desejosos de Deus.

Ele também recorda que somos administradores, não donos. A proximidade do novo ano litúrgico é um chamado a avaliar como usamos o tempo, os dons, a fé e as oportunidades que Deus nos deu ao longo do ano que termina. A parábola mostra que não se trata de “guardar” a fé, mas de fazê-la frutificar. Assim, antes do Advento, ela nos ajuda a perguntar:

  • Como vivi a fé este ano?
  • O que Deus me confiou e como respondi?
  • Em que preciso crescer antes de começar um novo tempo de graça?

Também nos ajuda a reacender a responsabilidade: vigiar é agir. O servo que esconde a moeda representa quem vive a fé de forma estática, paralisada. Às portas do Advento, esse Evangelho ensina que esperar o Senhor não é cruzar os braços, mas servir, amar, construir, multiplicar. O Advento é expectativa, mas uma expectativa ativa, missionária.

Portanto, nos convida à conversão, antes que comece o novo ciclo. O final da parábola, com o juízo sobre os servos e os inimigos do rei, lembra a dimensão escatológica da fé: Cristo virá. Essa memória conduz à conversão imediata, preparando interiormente o fiel para viver o Advento como tempo de purificação, de esperança, de reencontro com Deus, de reorientação da vida. É como fazer uma limpeza espiritual antes da chegada do hóspede esperado.

Nos últimos domingos do ano litúrgico celebramos Cristo Rei. Este Evangelho apresenta Jesus justamente como esse Rei que entrega dons, se ausenta por um tempo, volta para pedir contas. À luz disso, o Advento não é apenas preparação para o Natal, mas para a segunda vinda de Cristo, quando Ele reinará plenamente.

A leitura deste Evangelho na semana que antecede o Advento:

  • nos desperta,
  • nos responsabiliza,
  • nos convida a rever nossa vida,
  • nos prepara para acolher Cristo com o coração ativo e fecundo.

A primeira leitura (2Mc 7,1.20-31) apresenta o testemunho heroico da mãe e de seus filhos, que permanecem fiéis à Lei de Deus diante da perseguição. A coragem deles ecoa o chamado do Evangelho: viver a fé de modo coerente, mesmo quando somos pressionados a escondê-la ou silenciá-la. Assim como os mártires de hoje — Santos Roque González, Afonso Rodríguez e João de Castillo — testemunharam Cristo com a própria vida, também nós somos convidados a fazer render a graça que recebemos, oferecendo-nos diariamente no serviço e na verdade.

O salmo responsorial proclama: “Eu, por minha justiça, contemplarei a vossa face; ao despertar me saciará a vossa presença” (Sl 16). Essa promessa ilumina todo o sentido de nossa entrega: no fim, não buscamos recompensas, mas a alegria plena de viver diante de Deus e com Ele.

Que a liturgia de hoje nos inspire a assumir com coragem as moedas, isto é, os dons que nos foram confiados: nossas capacidades, nossa fé, nossas oportunidades, e a fazê-los frutificar em favor dos irmãos. E que, sustentados pelo exemplo dos mártires, possamos viver uma vida transparente, generosa e fiel ao Evangelho.



ACENDER A COROA DO ADVENTO

O tempo do Advento é marcado pela atitude de espera vigilante a fim de captar todos os sinais que Deus vai nos revelando.

Desde o primeiro domingo, somos interpelados (as) como  Isaías, João Batista e Maria, a fortalecer a esperança, assumir a história de uma maneira diferente, lutar para pôr fim a uma cultura de morte e proclamar com atos e palavras que a vida é mais forte. De domingo a domingo vai crescendo em nós, na comunidade, no universo inteiro, a certeza de que a luz brilha nas trevas e que Deus nos ama a tal ponto que se faz gente como nós. E assim, o dom vai crescendo em nós e nos tornando capazes de ir ao encontro das outras pessoas, de esparramar no mundo a solidariedade, a esperança, a justiça, a paz…

Com certeza, utilizando a coroa do advento nas comunidades, com toda a dimensão simbólica que ela contém, será um sinal que nos ajudará a “enxergar” e a experienciar mais profundamente todo o sentido da espera do Salvador.

O acendimento da Coroa do Advento

A Coroa do Advento é um dos símbolos do ciclo do Natal. Ela contém a linguagem do silêncio. Fala através do círculo, da luz, das cores, dos gestos correspondentes… É feita de folhas verdes e nela se colocam quatro velas e quatro fitas.

É preciso preparar antecipadamente a coroa do advento no local da celebração. Eis algumas orientações:

  • Priorize o uso de materiais naturais no arranjo da coroa.
  • Deixe que a verdade dos sinais brilhe.
  • Mantenha a decoração da Coroa do Advento com sobriedade, evitando o excesso de brilho.
  • Procedendo desta forma, você celebra a feliz espera e a manifestação do Senhor, que se realiza plenamente nas festas do Natal, experimentando o valor e a beleza do tempo do Advento.
  • Coloque a coroa do Advento em um local de destaque, mas diferente do altar, respeitando-o como símbolo de Cristo.

Fonte: A coroa do Advento, Gregório Lutz, Revista de Liturgia 156: nov/dez 1999.

Sugestão de melodia para acender a Coroa do Advento




Coroa do Advento Mini em Cerâmica

R$ 87,90


Coroa do Advento pequena em Cerâmica

R$ 144,90


Coroa do Advento Grande em Cerâmica

R$ 232,90


MEMÓRIA DA DEDICAÇÃO DAS BASÍLICAS DE SÃO PEDRO E SÃO PAULO, APÓSTOLOS

18 de novembro de 2025

Hoje a Igreja celebra a Memória da Dedicação das Basílicas de São Pedro e São Paulo, erigidas em Roma sobre os túmulos dos dois grandes Apóstolos que sustentam, com sua fé e seu martírio, os alicerces da vida cristã.

Desde o século XII, a Igreja de Roma fazia memória anual da dedicação das duas basílicas: a de São Pedro, no Vaticano, e a de São Paulo, na Via Ostiense. As primeiras dedicatórias remontam ao século IV, realizadas pelos papas Silvestre (São Pedro) e Siriaco (São Paulo). Com o passar dos séculos, essa celebração ultrapassou os limites das basílicas romanas e passou a ser observada em todas as igrejas do Rito Romano, como sinal de comunhão com o centro da cristandade e com a fé apostólica que sustenta toda a Igreja.

Assim como, em 5 de agosto, o aniversário da Basílica de Santa Maria Maior celebra a Maternidade divina da Virgem Maria, também hoje a liturgia nos convida a venerar os Dois Príncipes dos Apóstolos. Em São Pedro, reconhecemos a rocha sobre a qual Cristo edificou sua Igreja; em São Paulo, contemplamos o ardor missionário que levou o Evangelho para além das fronteiras do povo de Israel.

Celebrar esta memória é voltar às fontes: recordar os fundamentos apostólicos, renovar a comunhão com a Igreja universal e reafirmar que nossa fé está edificada sobre testemunhas que deram a vida por Cristo. As basílicas dedicadas a Pedro e Paulo permanecem como sinais visíveis da continuidade da tradição cristã, lugares onde a memória se torna presença e onde a Igreja, ainda hoje, se reconhece unida na mesma fé.

Que esta celebração fortaleça em nós a fidelidade ao Evangelho e o desejo de testemunhá-lo com a mesma generosidade dos santos Apóstolos.

Conheça mais sobre a Basílica de São Pedro: https://www.basilicasanpietro.va/en

Conheça mais sobre a Basília de São Paulo fora dos Muros: https://www.iubilaeum2025.va/pt/pellegrinaggio/cammini-giubilari-dentro-roma/il-pellegrinaggio-delle-sette-chiese/basilica-di-san-paolo-fuori-le-mura.html


Dos Sermões de São Leão Magno, papa

(Sermo 82, in natali apostolorum Petri et Pauli 1,6-7: PL 54,426-428). (Séc. V)

É preciosa aos olhos do Senhor a morte de seus santos (Sl 115,15), e nenhuma crueldade pode destruir a religião fundada no mistério da cruz de Cristo. A Igreja não diminui pelas perseguições; pelo contrário, cresce. O campo do Senhor se reveste de messes sempre mais ricas, porque os grãos, que caem um a um, nascem multiplicados.

Em quantos rebentos estes dois excelentes germes da divina semente brotaram são testemunhas os milhares de santos mártires que, rivais das vitórias apostólicas, envolveram com uma multidão coberta de púrpura nossa Urbe e a coroaram com um diadema de glória, cravejado de muitas pedras preciosas.

Temos de alegrar-nos sumamente, caríssimos, com a comemoração de todos os santos por esta proteção, preparada por Deus, para exemplo e confirmação da fé. Mas, em vista da excelência destes patronos, é justo que os glorifiquemos com ainda maior exultação, porque a graça de Deus, dentre todos os membros da Igreja, os elevou ao cume. Por isso, no corpo, cuja cabeça é Cristo, constituem como que os dois olhos.

Não devemos pensar que os seus méritos e virtudes acima de toda a expressão sejam diferentes de algum modo ou tenham algo de peculiar, pois a eleição divina os tornou pares, o trabalho assemelhou-os e o fim da vida os igualou.

Por experiência pessoal e pela afirmação de nossos antepassados, cremos e confiamos que, nas lutas da vida, temos sempre a intercessão destes especiais padroeiros para obter a misericórdia de Deus; e por mais abatidos que estejamos pelos próprios pecados, somos reerguidos pelos méritos apostólicos.

Oração
Ó Deus, guarda sob a proteção dos apóstolos Pedro e Paulo a vossa Igreja, que deles recebeu a primeira semente do Evangelho, e concede que por eles receba até o fim dos tempos a graça que a faz crescer. Por nosso Senhor Jesus Cristo, teu Filho, na unidade do Espírito Santo.

3ª MARATONA SACROSANCTUM CONCILIUM

Tesouro de Inestimável Valor: A Sacrosanctum Concilium e a música litúrgica

No dia 4 de dezembro, celebramos os 62 anos da promulgação da Sacrosanctum Concilium – a Constituição sobre a Sagrada Liturgia do Concílio Vaticano II. Para marcar esta data tão significativa para a vida da Igreja, será realizada a III Maratona Sacrosanctum Concilium, uma jornada online de formação e partilha.

Das 08h às 20h, especialistas em liturgia e música litúrgica conduzirão reflexões, diálogos e apresentações que aprofundam o tema “Tesouro de inestimável valor: A Sacrosanctum Concilium e a música litúrgica”.

O encontro será totalmente gratuito, sem necessidade de inscrição, e transmitido ao vivo pelos seguintes canais do YouTube:

A maratona é um convite à formação, à espiritualidade e ao aprofundamento da compreensão da música na liturgia, reconhecida pelo Concílio como tesouro precioso que eleva o coração dos fiéis e manifesta a beleza da fé.

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Sacrosanctum Concilium e a música litúrgica

A Constituição Sacrosanctum Concilium, do Concílio Vaticano II, dedica um conjunto de artigos à música litúrgica (§112–§120), reconhecendo sua importância singular na vida de oração da Igreja. Para o Concílio, a tradição musical eclesial é um “tesouro de inestimável valor”, não pela sofisticação estética, mas porque o canto sagrado, unido ao texto litúrgico, faz parte integrante da própria ação ritual. A música, por isso, não é acessória: ela participa da comunicação simbólica da liturgia e contribui para a elevação espiritual dos fiéis.

O documento afirma que a música sacra tem um duplo propósito: a glória de Deus e a santificação dos fiéis. Por essa razão, o culto adquire maior nobreza quando celebrado com canto, envolvendo ministros, coro e assembleia. Essa dimensão comunitária do canto está diretamente ligada ao princípio da participação ativa, tão central à reforma litúrgica.

A Sacrosanctum Concilium também pede que a Igreja preserve e promova seu patrimônio musical. Isso inclui o incentivo à formação de coros, especialmente nas catedrais, e o compromisso de bispos e pastores em assegurar uma prática musical que realmente permita a participação do povo. A formação musical é destacada como fundamental: seminários, casas de formação e institutos especializados devem oferecer sólida preparação aos que atuam na liturgia.

Entre as expressões musicais, o Concílio reconhece a primazia do canto gregoriano, próprio da liturgia romana, recomendando que ele tenha lugar preferencial nas celebrações. Ao mesmo tempo, abre espaço para outras formas de música sacra, como a polifonia, desde que estejam em consonância com o espírito da liturgia e favoreçam a oração e a comunhão da assembleia. Também atribui importância ao órgão de tubos, tradicional na Igreja latina, por sua capacidade de elevar o espírito a Deus, sem excluir outros instrumentos adequados ao culto.

Por fim, o Concílio orienta que os textos destinados ao canto sejam doutrinariamente sólidos e inspirados na Sagrada Escritura e nas fontes litúrgicas, garantindo assim que o canto seja, ao mesmo tempo, beleza estética e expressão de fé.

Assim, a Sacrosanctum Concilium oferece uma visão equilibrada e profundamente teológica da música litúrgica: tradição e participação, beleza e função ritual, formação e vida espiritual caminham juntas. A música, iluminada pelo espírito do Concílio, torna-se caminho de encontro com Deus e de comunhão entre os fiéis.

Leia na íntegra o documento da SC:

LITURGIA DO DIA: QUANDO TUDO PARECE DESABAR… RESPIRA, PERMANECE, CONFIA!

33º Domingo do Tempo Comum – Ano C
Leituras: Ml 3,19-20a | Sl 97(98),5-6.7-8.9a.9bc (R. cf. 9) | 2Ts 3,7-12 | Lc 21,5-19

Às vezes, parece que Jesus gosta de nos pegar desprevenidos. Enquanto alguns discípulos admiravam o Templo de Jerusalém, Jesus solta, com toda serenidade: “Dias virão em que não ficará pedra sobre pedra.” Imagina a cena. É mais ou menos como você comentar: “Nossa, que prédio bonito!”, e alguém responder: “Pois é, vai cair tudinho.” Não exatamente o tipo de conversa que anima um domingo de manhã.

Mas é justamente desse espanto inicial que nasce a reflexão deste domingo. Jesus não está fazendo terrorismo espiritual. Ele está ensinando seus discípulos — e nós — a não colocar o coração nas estruturas que passam, por mais impressionantes que sejam. É como se dissesse: “Gente, foquem no essencial.” O Evangelho começa com pedras e termina com promessa. Entre uma coisa e outra, existe um caminho feito de perseverança, coragem e olhos atentos.

1. Quando as estruturas tremem

Os discípulos, evidentemente alarmados, perguntam: “Mestre, quando será isso?” A pergunta que a gente adoraria fazer também. Jesus, porém, não dá datas, cronogramas ou tabelas de eventos proféticos. Ele prefere falar do coração humano, das ilusões, dos medos e da tentação de ser enganado. “Cuidado para não serdes enganados.” Quando o cenário confunde, quando o mundo parece um grande reality show apocalíptico, a primeira coisa que Jesus pede é: discernimento.

E aqui entra o toque humorístico da vida real: quantas vezes, quando algo dá errado, a nossa mente já começa a criar um filme inteiro de catástrofes? “Meu Deus, o carro fez um barulho estranho… será que é o motor? Será que vai explodir? Será que devo vender tudo e virar eremita?” O imaginário humano é fértil, às vezes até demais.

Jesus, porém, nos convida a olhar para a realidade sem pânico e com fé. Não se trata de negar os desafios do mundo (guerras, violências, tensões sociais, injustiças), mas de não deixar que eles nos roubem a paz. Ele nos ensina a viver com os pés no chão e o coração no alto.

2. Entre perseguições e testemunhos

Depois, Jesus aprofunda o discurso: “Antes disso, sereis presos e perseguidos… isso será uma oportunidade para testemunhardes.” Aqui está um dos maiores paradoxos do Evangelho: momentos difíceis não são sinais de abandono, mas oportunidades de fidelidade.

Parece até contraditório; nós preferiríamos que “oportunidades de testemunho” viessem na forma de aplausos, holofotes e cafés bem passados, e não de dificuldades. Mas Jesus insiste: as provações podem se tornar palco para o amor e para a resistência da fé.

A primeira leitura, de Malaquias, ilumina essa parte. O profeta fala do “dia do Senhor”, visto por alguns como ameaça, mas, para aqueles que permanecem fiéis, esse dia é “sol de justiça” que traz cura. Em outras palavras: para quem confia no Senhor, os dias difíceis não são o fim, mas começo de algo novo.

3. “É ficando firmes que ireis ganhar a vida”

O versículo final do Evangelho é uma verdadeira bússola espiritual: “É pela vossa perseverança que ireis ganhar a vida.” Não é pela força, não é pela esperteza, não é pela estratégia humana: é pela perseverança, essa palavra tão pequena e tão exigente.

Perseverar significa continuar mesmo quando o entusiasmo diminui. É correr a maratona da fé sabendo que não é sprint. É ser fiel no ordinário, no discreto, no repetitivo. Parece pouco, mas é ali que se constrói a santidade.

E é aqui que Paulo, na segunda leitura (2Ts 3,7-12), entra com uma conversa que parece saída diretamente de uma reunião comunitária: “Trabalhem. Não fiquem à toa. Não vivam às custas dos outros.” A comunidade cristã não é refúgio para preguiçosos espirituais ou sociais. Perseverar também significa contribuir, estar presente, colocar a mão na massa, com alegria, responsabilidade e humildade.

4. O horizonte da liturgia deste domingo

Quando reunimos as leituras, temos um mosaico espiritual:

  • Malaquias fala do dia do Senhor como purificação e cura;
  • O Salmo 97 canta que Deus vem para governar com justiça;
  • Paulo lembra a importância do testemunho concreto;
  • Jesus nos convida à perseverança diante de tempos turbulentos.

Tudo converge para uma mensagem central: a vida cristã não é fuga do mundo, mas fidelidade dentro dele. Mesmo quando os “templos” da vida (aquilo que construímos, admiramos ou seguramos com tanta força) parecem desabar, Deus permanece. E é nessa permanência divina que a nossa própria fidelidade se apoia.

5. Quando o Evangelho encontra a vida real

O Evangelho de hoje também tem um lado profundamente humano. Todos nós temos nossos “templos”: projetos, seguranças, rotinas, planos infalíveis (ou não tão infalíveis assim). E todos nós já sentimos o chão tremer quando algo inesperado acontece.

O que Jesus nos diz é: não coloquem o coração no que passa. Não absolutizem o que é relativo. Não façam eternos os cenários provisórios. E, sobretudo, não busquem atalhos espirituais, nem gurus da moda, nem profetas do pânico, nem receitas mágicas de fé.

A fé verdadeira não precisa de pirotecnia. Ela precisa de constância. De passos pequenos e firmes. De escuta. De discernimento. De coragem.

E, sim, às vezes precisa também de humor. Aquele humor que nasce da humildade, de reconhecer que não controlamos tudo, e que Deus continua sendo Deus mesmo quando nossos planos não são aprovados.

O penúltimo domingo do Tempo Comum nos prepara para o Advento. Fala de fins, mas aponta para começos. Porque o Evangelho não termina com destruição, mas com promessa: “Eu vos darei sabedoria.” “Nenhum fio de cabelo se perderá.” “Pela perseverança ganhareis a vida.”

Quando sentimos que tudo está incerto, Jesus nos entrega três convites simples e profundos:

  1. Não tenham medo.
  2. Não se deixem enganar.
  3. Permaneçam.

E talvez seja isso que precisamos ouvir mais do que nunca: mesmo quando tudo parece desabar, respira, permanece, confia. Porque Deus não abandona o seu povo: Ele o sustenta. Ele o atravessa. Ele o conduz. E, no fim, como diz Malaquias, o Sol da Justiça voltará a brilhar. Com cura. Com esperança. Com vida plena.

SOBRE A NOTA DOUTRINAL SOBRE OS TÍTULOS MARIANOS: MARIA ENTRE A MEDITAÇÃO E O MAL-ENTENDIDO

A nova nota publicada pelo Dicastério para a Doutrina da Fé representa uma intervenção pontual, mas de grande significância, no campo da teologia mariana. Sob o título Mater Populi fidelis: “Mãe do Povo fiel”, o documento busca clarificar “em que sentido são aceitáveis, ou não, alguns títulos e expressões referentes a Maria, Mãe de Jesus” que aludem à sua cooperação na obra da salvação.

Leia a nota publicada: https://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/documents/rc_ddf_doc_20251104_mater-populi-fidelis_po.html

Essa tarefa de “aclarar” não é mera retórica: o texto aponta para uma tensão real entre a piedade popular (legítima e antiga) e certos usos teológicos ou devocionais que, segundo o documento, podem gerar “problemas importantes no que se refere ao conteúdo” (cristologia, eclesiologia, antropologia) se não forem bem ponderados.

O que a nota propõe

Três traços principais se destacam:

  1. Cooperação de Maria, mas jamais concorrência com Cristo
    A nota reafirma que Maria “cooperou livremente, pela sua fé e obediência, na salvação dos homens”. (Vaticano) Mas enfatiza que essa cooperação está radicalmente subordinada à obra única de Jesus Cristo: Ele “único Redentor”, “único Mediador entre Deus e os homens” (cf. 1 Tm 2, 5). (Vaticano)
    Em outras palavras: Maria ajuda, Maria intercede, Maria, sim, tem função materna singular na salvação, mas não se coloca como equivalente ou paralela a Cristo na mediação e redenção.
  2. Cautela com títulos específicos
    O documento dedica-se a avaliar (de modo positivo ou crítico) alguns títulos marianos que se difundiram no correr da vida da Igreja: “Corredentora”, “Medianeira (ou Medianeira de todas as graças)”, entre outros. (Vaticano)
    Por exemplo: no título “Corredentora”, reconhece-se uma figura histórica (desde o século XV) que pretende expressar a união de Maria com Cristo nos sofrimentos e na Cruz. (Vaticano) Contudo, o Dicastério alerta que esse vocábulo “corre o risco de obscurecer a única mediação salvífica de Cristo e, portanto, pode gerar confusão e desequilíbrio na harmonia das verdades da fé cristã”. (Vaticano)
    No caso “Medianeira” ou “Medianeira de todas as graças”, a nota aponta que, embora exista um uso espiritual e popular desse título, a base bíblica e patrística não o sustenta de modo suficientemente claro para definições dogmáticas ou universalizadas. (Vaticano)
    Há, portanto, uma chamada à fidelidade da linguagem: evitar termos teológicos “capciosos”, que ambicionem uma “mediação paralela” ou “dominante” de Maria, e que possam induzir a uma espiritualidade confusa ou desviada.
  3. Valorização da devoção mariana, com equilíbrio
    Importante: o tom da nota não é puramente negativo. Em sua apresentação, afirma que “a devoção mariana … é apresentada aqui como um tesouro da Igreja” e que não se trata de “corrigir a piedade do Povo fiel de Deus” que encontra em Maria “refúgio, fortaleza, ternura e esperança”. (Vaticano)
    O que se pretende é “valorizar, admirar e encorajar” essa devoção, mas com os devidos parâmetros, sobretudo cristológicos e eclesiológicos. O documento propõe, por exemplo, que Maria seja vista como a “primeira discípula” e “Mãe dos fiéis”, em comunhão com a Igreja, e não fora dela. (Vaticano)

Significado para a teologia mariana

O que esta nota significa e quais são as suas consequências para a teologia mariana? Aqui algumas reflexões críticas:

  • Clarificação necessária num contexto plural: em tempos em que a devoção mariana se diversifica de modo intenso, inclusive por redes sociais, movimentos populares, novas expressões religiosas, surge com pertinência esta nota. A teologia mariana precisava de um “balizamento” para lidar com expressões que, embora bem intencionadas, podem deslizar para territórios de ambiguidade ou de exagero. A nota exerce esse papel de clarificador.
  • Risco de polarização entre piedade e teologia: contudo, há um risco: se a teologia se coloca demasiado como “guardã” da linguagem, pode parecer distante da vivência dos fiéis que experimentam Maria como mãe e intercessora com ternura e proximidade. A nota tenta equilibrar, mas será que consegue sempre vincular os títulos aos “fundamentos bíblico-patrísticos” sem alienar a piedade popular? A tensão permanece.
  • Limites e tensões doutrinais evidenciados: ao apontar que títulos como “Corredentora” ou “Medianeira de todas as graças” carecem de maturidade teológica ou dogmática, a nota abre um debate sobre os limites da teologia mariana: até que ponto se deve definir dogmas marianos? Qual é o risco de “acréscimo” à obra de Cristo? Nesse sentido, a teologia mariana é chamada não à “ampliação” ilimitada, mas à fidelidade à verdade central: Cristo. Isso pode significar uma contenção (para alguns, talvez uma limitação) da exuberância mariana tradicional.
  • Para ecumenismo e diálogo inter-cristão: a nota também destaca que a clareza na linguagem mariana é importante para o ecumenismo. Títulos mal explicados ou exagerados podem criar mal-entendidos com comunidades cristãs que rejeitam mediações secundárias ou que atribuem a Cristo o lugar único. Portanto, a teologia mariana se reposiciona também no campo do diálogo. (Vaticano)
  • Impulso para uma mariologia “disponível”: finalmente, o documento convoca a mariologia a retomar uma dimensão “servil” ou “disponível”: Maria como aquela que aponta para Cristo (“façam o que Ele vos disser” Jo 2,5) e não se apresenta como protagonista autônoma. É uma tentativa de responder à espiritualidade contemporânea que busca sempre “novidade”, “empoderamento”, mas aqui se reafirma a “maternidade servil” de Maria. Essa ideia materna, próxima, fiel, pode renovar a teologia mariana num ambiente onde o culto mariano pode parecer simbólico em vez de radicalmente cristocêntrico.

Um olhar crítico final

A nota Mater Populi fidelis é, sem dúvida, uma contribuição valiosa para a teologia mariana: acende luzes sobre linguagens e práticas que pedem discernimento, ao mesmo tempo que valoriza a devoção fiel a Maria. Porém, ela também revela os dilemas teológicos que essa área ancora: o risco de diminuir Cristo, ou de exagerar Maria; o diálogo com a tradição versus as expressões contemporâneas; a fidelidade à fé vs. a vitalidade devocional.

Enfim, a nota Mater Populi Fidelis não é um golpe na devoção mariana; é um convite à maturidade teológica e pastoral. Recoloca-se a velha pergunta: como honrar uma mãe que sempre aponta para o Filho, sem construir em torno dela uma mediação que ofusque o único Redentor? A resposta exigirá do magistério, dos bispos e das comunidades locais uma combinação de clareza conceitual, sensibilidade pastoral e catequese amorosa.

Para muitos teólogos e fiéis, a nota será vista como um “ajuste de rota”: reafirma-se que a teologia mariana deve respeitar cuidadosamente os fundamentos cristológicos e eclesiológicos, ao mesmo tempo que mantém vivo o amor filial a Maria. Para outros, pode parecer contenção ou limitação de expressões populares que encontraram em Maria uma presença maternal profunda.

Em todo caso, a mariologia sai deste documento estimulada a uma revisão: não para contrair-se, mas para se tornar mais articulada, mais dialógica e, por que não, mais capaz de encarnar a ternura de Maria sem perder de vista a centralidade de Cristo e a missão da Igreja.

LITURGIA DO DIA: DOMINGO, DIA DO SENHOR. FESTA DA DEDICAÇÃO DA BASÍLICA DE SÃO JOÃO LATRÃO

Reflexão – Domingo, 9 de novembro de 2025
Dedicação da Basílica de São João de Latrão – Festa – Ano C

A Igreja celebra a Dedicação da Basílica de São João de Latrão, a catedral de Roma e igreja-mãe de todas as igrejas do mundo, sinal visível da unidade da Igreja em torno do sucessor de Pedro. Esta festa, porém, não é apenas uma comemoração arquitetônica: é uma profissão de fé na presença viva de Deus em seu povo, um convite a reconhecer que o verdadeiro templo onde o Senhor habita é o coração humano transformado pelo Espírito.

“Destruí este templo e em três dias eu o levantarei” (Jo 2,19)

O Evangelho de João nos leva ao episódio em que Jesus expulsa os vendedores do Templo. Ele encontra o espaço sagrado transformado em um mercado e reage com força profética, denunciando a profanação daquele lugar. O gesto de Jesus não é um simples ato moral contra o comércio; é um sinal escatológico, um gesto simbólico que anuncia o fim do antigo culto e o início de uma nova forma de presença de Deus no meio dos homens.

Quando Jesus declara: “Destruí este templo e em três dias o levantarei”, os seus ouvintes pensam no edifício de pedra que levou décadas para ser construído. Mas o evangelista esclarece: “Ele falava do templo do seu corpo”. Aqui está o coração da revelação: Cristo é o novo e definitivo Templo de Deus, o lugar onde o Pai se encontra com a humanidade. Nele, o culto não depende mais de paredes, sacrifícios ou ritos exteriores, mas do amor que se entrega e renova a criação. O corpo de Cristo morto e ressuscitado é o novo espaço de adoração em espírito e verdade (cf. Jo 4,23).

O Templo vivo: a Igreja e cada cristão

A leitura da Primeira Carta aos Coríntios, na segunda leitura, aprofunda essa dimensão: “Vós sois o templo de Deus, e o Espírito de Deus habita em vós”. São Paulo revela a dimensão eclesial e pessoal dessa nova realidade. A comunidade cristã, edificada sobre o único fundamento que é Cristo, é o edifício espiritual onde Deus faz morada. Cada batizado é uma “pedra viva” (1Pd 2,5) dessa construção. Por isso, destruir a comunhão, ferir o corpo da Igreja ou desprezar a dignidade de qualquer pessoa é profanar o próprio templo de Deus.

A visão de Ezequiel na primeira leitura antecipa essa vida nova: do templo jorra uma água que fertiliza a terra e dá vida a tudo por onde passa. Essa água é símbolo do Espírito Santo, que brota do Cristo glorificado e faz da Igreja um rio de graça para o mundo. Assim, a Basílica de Latrão, como qualquer igreja consagrada, torna-se sinal visível dessa realidade invisível, sacramento do mistério da presença de Deus entre nós.

A liturgia como lugar de encontro e conversão

Celebrar a dedicação de uma igreja é recordar que os templos de pedra só têm sentido se apontam para o templo vivo que somos nós. Uma comunidade que vive a fé, que se alimenta da Palavra e da Eucaristia, é o verdadeiro santuário onde Deus habita. A liturgia, portanto, não é mero rito, mas encontro transformador: nela o Cristo purifica o templo do nosso coração, expulsa o que é comércio e cálculo, e renova o espaço interior para que ali floresça a graça.

Para nossa vida

Esta Palavra nos convida a uma conversão do coração. É fácil venerar um templo de pedra e, ao mesmo tempo, deixar que nosso interior se torne um mercado de interesses, vaidades e ressentimentos. Jesus hoje também entra no templo do nosso ser e nos chama à purificação.

Perguntemo-nos:

  • O que em mim precisa ser expulso para que Deus volte a habitar plenamente?
  • O que em minha comunidade precisa ser reconstruído sobre o verdadeiro fundamento que é Cristo?
  • Como posso ser, no cotidiano, uma presença de Deus que gera vida e paz como o rio de Ezequiel?

Que a festa da Dedicação da Basílica de Latrão renove em nós a consciência de que somos a casa viva de Deus, templos de sua glória e instrumentos de sua presença no mundo. Que a graça desta liturgia nos ajude a transformar nossa vida e nossa comunidade em lugares onde o amor de Cristo resplandeça e onde o mundo possa encontrar o Deus que quer fazer morada entre nós.

“O Senhor dos Exércitos está conosco, o nosso refúgio é o Deus de Jacó.” (Sl 45,8)

ARQUITETURA DO APOSTOLADO LITÚRGICO

Desde 1981, a Arquitetura do Apostolado Litúrgico está a serviço das comunidades eclesiais com o objetivo de tornar os espaços litúrgicos celebrativos revelação do mistério de Cristo e da Igreja, expressando as aspirações e a busca de Deus por parte da comunidade local.

Na elaboração de nossos projetos arquitetônicos de construção, reforma, interiores e vitrais, bem como o desenho e execução de painéis artísticos, procuramos seguir as diretrizes elaboradas pelo Concílio Vaticano II, de acordo com as quais a arte sacra deve “visar à beleza nobre, mais do que à suntuosidade” e que “as novas igrejas devem ser apropriadas às celebrações litúrgicas com a participação dos fiéis” (SC 124).

No meio desta exigência diária de fazer avançar o bem, a evangelização jubilosa torna-se beleza na liturgia. A Igreja evangeliza e se evangeliza com a beleza da liturgia, que é também celebração da atividade evangelizadora e fonte de um renovado impulso para se dar” (EG 24).

Por meio da elaboração de projetos, cursos e palestras sobre o espaço celebrativo e da assessoria litúrgica, desejamos contribuir para que toda obra de arte se destine para a glória de Deus e edificação dos fiéis.

A Arquitetura do Apostolado Litúrgico acredita que a verdadeira beleza, se estiver a serviço da liturgia, pode revelar, com aquilo que é, o mistério de Deus. A liturgia necessita da arte porque necessita do envolvimento do homem todo, o homem que cria, que transfigura, que expressa. Se for colocada em evidência, a necessidade deste mistério de revelação, aí se intui a diferença entre uma obra religiosa não apta para a catequese e a arte que pode ser ministra na liturgia.

Além dos projetos arquitetônicos, o setor de Arquitetura do Apostolado Litúrgico é responsável de elaborar todos os desenhos de novos produtos do Apostolado Litúrgico. É um serviço responsável para garantir que realmente cada objeto, cada veste, seja portador da mensagem de Deus. Nada é feito apenas pelo belo pelo belo. Tudo tem o seu sentido mais profundo e significativo, que realmente evangeliza e transforma.

Conheça os projetos e trabalhos da Arquitetura do Apostolado Litúrgico

NOSSO SUCESSO VEM DE UM COMPROMISSO

“A liturgia necessita da arte porque necessita do envolvimento do homem todo, o homem que cria, que transfigura, que expressa. Se for colocada em evidência, a necessidade deste ministério de revelação, aí se intui a diferença entre uma obra religiosa, não apta para a catequese e a arte que pode ser ministra na liturgia.”

Enzo Bianchi

REFORMAS CONTEMPLADAS PARA PENETRAR AS REALIDADES ESSENCIAIS

“A Igreja não é um conjunto de coisa e de interesses, mas é o Templo do Espírito Santo, o Templo no qual Deus trabalha, o Templo no qual cada um de nós com o dom do Batismo é pedra viva.”

Papa Francisco

PARA QUE TUDO FALE DE DEUS

Tudo aquilo que está a serviço da comunidade deve ser feito não para glorificar a si mesmo com preciosismos e rebuscamentos. Também não é o caso de transcender a realidade pessoal e o que somos para poder trabalhar com o espaço sagrado. Buscar em tudo o essencial, através das formas puras, que nunca passam com o tempo.”

Ir. Laíde Sonda

DESIGN DE INTERIORES QUE FALE AO CORAÇÃO

“Somente quando Deus falou é que começou a ser transmitida sua Palavra; somente quando Deus se tornou visível é que pôde ser transmitida sua imagem. Assim como a Sagrada Escritura começa com a Revelação de Deus, assim a iconografia se inicia com a encarnação de Deus.”

P. Gabriele Bragantini

QUE AS CORES E LUZES TRANSMITAM O SAGRADO

“Os vitrais são as escrituras divinas, que na igreja manifestam a clareza do verdadeiro sol, isto é, Deus e ao mesmo tempo iluminam o coração dos fieis.”

Durando di Mende

 

CONDUZIR TUDO E TODOS PARA CRISTO

Tornamos fácil e prático projetar e construir o melhor espaço litúrgico que se adapte ao estilo de vida, propriedade e orçamento da comunidade. A Arquitetura do Apostolado Litúrgico elabora projetos com conhecimento de causa e habilidade técnica. A nossa primeira prioridade é exceder as expectativas dos nossos clientes e proporcionar uma experiência do Sagrado através dos espaços feitos.

Informações de Endereço/Contato

ARQUITETURA DO APOSTOLADO LITÚRGICO

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LITURGIA DO DIA: A SABEDORIA DOS FILHOS DA LUZ

Sexta-feira, 7 de novembro de 2025
31ª Semana do Tempo Comum – Ano Ímpar (I)
Leituras: Rm 15,14-21; Sl 97(98),1.2-3ab.3cd-4; Lc 16,1-8

O Evangelho de hoje nos apresenta uma das parábolas mais instigantes de Jesus: a do administrador infiel (Lc 16,1-8). À primeira vista, o texto causa desconforto, pois parece que Jesus elogia a desonestidade. No entanto, ao olharmos mais profundamente, percebemos que o Senhor nos convida a enxergar a realidade com um olhar mais amplo, onde as contradições da vida se tornam espaço de aprendizado espiritual.

O administrador é acusado de desperdiçar os bens do patrão e, diante da perda iminente do emprego, age com astúcia: busca garantir sua sobrevivência aproximando-se dos devedores. Jesus não aprova sua falta de ética, mas destaca sua esperteza diante das circunstâncias. O elogio não é à trapaça, mas à capacidade de discernir, agir com criatividade e tomar decisões rápidas diante de uma crise.

A vida humana é feita de enredos entrelaçados — relações, escolhas, consequências — e nem sempre é possível reduzi-la a categorias simples de certo ou errado. Jesus nos convida a compreender essa trama da existência, onde o bem e o mal se misturam, e a perceber que a verdadeira sabedoria está em agir com prudência e visão, orientando toda a nossa habilidade e inteligência para o Reino de Deus.

Enquanto os “filhos deste mundo” usam de sagacidade para seus interesses imediatos, os “filhos da luz” são chamados a empregar a mesma energia e criatividade para o bem, para a comunhão, para a justiça. O Evangelho nos provoca a refletir: temos colocado a mesma dedicação e engenhosidade nas coisas do Reino quanto colocamos em nossos projetos pessoais?

Na primeira leitura, Paulo expressa seu zelo missionário: ele não se contenta com o já conquistado, mas deseja levar o Evangelho a novos lugares. Seu impulso evangelizador é o oposto da inércia. É o dinamismo de quem compreende que o Reino de Deus exige movimento, inteligência e coragem.

Assim também nós, discípulos de Cristo, somos chamados a uma fé lúcida e ativa, não ingênua, mas capaz de enfrentar as tensões e ambiguidades da vida sem perder o horizonte do amor.

O administrador infiel nos ensina, paradoxalmente, que o Evangelho exige criatividade espiritual: saber discernir, planejar e agir com sabedoria diante dos desafios. O cristão autêntico não é aquele que foge do mundo, mas aquele que o lê com profundidade, compreende suas múltiplas dimensões e nele constrói sinais do Reino, onde a justiça e a misericórdia se encontram.

Os filhos deste mundo são mais espertos em seus negócios do que os filhos da luz” (Lc 16,8). Que esta palavra nos desperte: que sejamos também sagazes — não para enganar, mas para amar com inteligência, servir com discernimento e construir, com criatividade e fé, o Reino que Cristo nos confiou.