Papa Leão XIV convida fiéis a “escutar e jejuar” e propõe jejum de palavras ofensivas na Quaresma

O Papa Leão XIV divulgou, no dia 5 de fevereiro de 2026, a sua Mensagem para a Quaresma intitulada “Escutar e jejuar. Quaresma como tempo de conversão”. Nela ele convida os fiéis a reencontrar o mistério de Deus no centro da vida e a viver a temporada quaresmal como um verdadeiro tempo de transformação espiritual.

A Quaresma, que terá início na Quarta-feira de Cinzas, em 18 de fevereiro, é apresentada pelo Pontífice como um período privilegiado para renovar a fé, abrir o coração à Palavra de Deus e aprofundar o compromisso de seguir Jesus no caminho que leva à Páscoa.

Na mensagem, o Papa destaca que a escuta da Palavra deve ser a base da vida espiritual quaresmal. Segundo o texto, ouvir a Deus e ao próximo é essencial para compreender melhor a realidade e responder ao sofrimento e às injustiças que marcam a vida das pessoas. Ele recorda que Deus mesmo, ao revelar-se a Moisés, manifesta a importância da escuta nesse diálogo de amor e libertação.

O Pontífice ressaltou que o jejum tradicional não deve ser visto apenas como abstinência de alimentos, mas como um meio para descobrir aquilo que realmente nos alimenta: a sede de justiça, a responsabilidade para com o outro e o desejo de vivenciar mais profundamente a fé.

Desafiando os fiéis a repensar a própria forma de jejuar, Leão XIV propôs uma perspectiva inédita: o jejum de palavras que ferem o próximo. Em vez de comentários ofensivos, calúnias ou julgamentos precipitados, o Papa pede que os cristãos cultivem a gentileza e o respeito — tanto nas relações pessoais quanto nas redes sociais, nos debates públicos e na convivência comunitária.

“Comecemos por desarmar a linguagem, renunciando às palavras mordazes, ao juízo temerário e ao falar mal de quem está ausente” — escreve o Pontífice, sugerindo que palavras de ódio cedam lugar a palavras de esperança e de paz.

A mensagem aponta também para a dimensão comunitária da Quaresma: mais do que um empenho individual, o tempo quaresmal é visto como um caminho a ser trilhado em conjunto — em paróquias, famílias e comunidades cristãs. A escuta da Palavra e o jejum tornam-se, assim, práticas que fortalecem relações, promovem o diálogo e abrem os corações à solidariedade com os mais necessitados.

O Papa conclui a mensagem pedindo graça para que este tempo seja vivido com mais atenção a Deus e aos “últimos”, fazendo das comunidades lugares onde o clamor de quem sofre seja acolhido com respeito e amor.


Leia a mensagem na íntegra: https://www.vatican.va/content/leo-xiv/pt/messages/lent/documents/20260205-messaggio-quaresima.html



O CARNAVAL E O SENTIDO PARA A COMUNIDADE CRISTÃ

O Carnaval é uma das manifestações culturais mais marcantes do Brasil e de outros países, reconhecido por sua alegria, música e expressão popular. Para as comunidades cristãs, porém, essa celebração carrega um significado mais profundo, que vai além da festa em si e está diretamente ligado ao calendário litúrgico e à vivência da fé.

Historicamente, o Carnaval acontece imediatamente antes da Quarta-feira de Cinzas, que inaugura a Quaresma, período de quarenta dias dedicado à oração, à penitência, ao jejum e à preparação espiritual para a Páscoa. O próprio termo “Carnaval”, derivado da expressão latina carne vale (“adeus à carne”), remete à ideia de despedida dos excessos e de transição para um tempo de maior recolhimento e disciplina espiritual. Nesse sentido, o Carnaval não deveria ser compreendido apenas como um momento de indulgência, mas como uma etapa que antecede e prepara o coração para a conversão quaresmal.

Para as comunidades cristãs, o verdadeiro significado do Carnaval está no discernimento e no equilíbrio. Alguns fiéis optam por participar das celebrações culturais de maneira moderada, valorizando o convívio social, a alegria saudável e o respeito ao próximo. Nessa perspectiva, o Carnaval pode ser vivido como um tempo de lazer responsável, sem que isso signifique abandono dos valores cristãos.

Outros cristãos, por sua vez, escolhem viver esse período de forma mais introspectiva, afastando-se da folia para participar de retiros espirituais, encontros de oração e momentos de reflexão. Essas iniciativas são comuns em diversas igrejas e oferecem um espaço de silêncio, escuta da Palavra e renovação da fé, ajudando os fiéis a iniciar a Quaresma de maneira consciente e profunda.

Ao mesmo tempo, é importante reconhecer que muitas comunidades cristãs enxergam o Carnaval de forma crítica, especialmente quando ele é associado a excessos, comportamentos irresponsáveis e atitudes que ferem a dignidade humana. Para esses grupos, práticas como o abuso de álcool, a banalização do corpo e a perda do autocontrole entram em conflito com princípios centrais do cristianismo, como a moderação, o respeito e o cuidado com o outro.

Dessa forma, o Carnaval pode ser compreendido pelas comunidades cristãs não como um fim em si mesmo, nem apenas como algo a ser rejeitado, mas como um convite à consciência espiritual. Ele se torna uma oportunidade para refletir sobre escolhas, limites e prioridades, preparando o coração para o tempo quaresmal que se aproxima.

Em essência, o que o Carnaval deveria significar para os cristãos é um chamado ao equilíbrio entre alegria e responsabilidade, liberdade e compromisso, celebração e fé. Vivido dessa maneira, ele deixa de ser apenas uma festa cultural e passa a ser um momento de transição, no qual cada fiel é convidado a alinhar sua vida com os ensinamentos de Cristo e a se preparar, de forma sincera, para a renovação espiritual que a Quaresma propõe.

Que tipo de consciência espiritual devo viver o contexto do Carnaval?

A consciência espiritual, no contexto do Carnaval, não é moralismo nem simples rejeição da festa. Ela é, antes de tudo, discernimento. Trata-se da capacidade de o cristão se perguntar, com honestidade: O que isso desperta em mim? Isso me aproxima ou me afasta do amor a Deus e ao próximo? Como minhas escolhas afetam meu corpo, minha fé e as outras pessoas?

Essa consciência envolve três dimensões principais. A primeira delas é a Consciência de si. O cristão é convidado a reconhecer seus próprios limites, desejos e fragilidades. O Carnaval pode intensificar emoções, impulsos e excessos. E a consciência espiritual ajuda a perceber quando a alegria deixa de ser saudável e passa a ser fuga, anestesia ou autodestruição. Aqui, espiritualidade não é repressão, mas autocuidado e verdade interior.

A segunda é Consciência do outro. A fé cristã nunca é apenas individual. Ter consciência espiritual é perguntar: Estou respeitando a dignidade do outro? Meu comportamento contribui para a vida, para o bem comum, para relações mais humanas?

Isso toca temas como respeito ao corpo, consentimento, cuidado com os mais vulneráveis e rejeição de qualquer forma de violência ou exploração, realidades que também atravessam o Carnaval.

E, por fim, a Consciência do tempo litúrgico. O Carnaval não está “fora” da vida cristã: ele antecede a Quaresma. A consciência espiritual reconhece esse tempo de passagem. Não é só “antes da Quaresma”, mas um limiar, um convite a desacelerar e a preparar o coração para a conversão.

Ver o Carnaval assim, comporta admitir o seu caráter complexo, como todas as coisas, nos ajuda a recusar visões simplistas como “É tudo pecado” ou “É tudo liberdade e alegria”. A realidade é mais profunda.

Temos que admitir que o carnaval é cultural, social e histórico. Ele carrega expressões legítimas de alegria popular, de resistência cultural, de vozes de comunidades marginalizadas e de muita arte, música, identidade e crítica social. Ignorar isso é empobrecer a leitura cristã do mundo. A fé não vive fora da cultura: ela dialoga com ela.

O Carnaval também revela contradições humanas. Ao mesmo tempo, ele expõe excessos, desigualdades, mercantilização dos corpos, fugas emocionais e espirituais. Uma leitura cristã madura não nega essas sombras, mas também não reduz toda a festa a elas.

Ver este fenômeno do Carnaval valorizando a sua complexidade exige discernimento, não julgamento. Jesus não se afastava da realidade humana por medo do pecado. Pelo contrário, Ele entrava nela com misericórdia e verdade. Ver o Carnaval com complexidade é fazer o mesmo: nem romantizar, nem demonizar, mas discernir.

Em síntese, para as comunidades cristãs, o Carnaval pode ser visto como:

  • Um espelho da condição humana: sede de alegria, liberdade, sentido
  • Um tempo de escolhas conscientes, não automáticas
  • Um convite à responsabilidade espiritual, pessoal e comunitária
  • Um limiar entre a festa e o silêncio, entre o exterior e o interior

Viver o Carnaval com consciência espiritual é perguntar menos “posso ou não posso?” e mais “isso me humaniza? Isso me aproxima do amor?”




PIAS DISCÍPULAS DO DIVINO MESTRE CELEBRAM 102 ANOS DE FUNDAÇÃO

No dia 10 de fevereiro, data em que a Igreja celebra Santa Escolástica, as Pias Discípulas do Divino Mestre comemoram 102 anos de fundação. A congregação foi fundada pelo Bem-aventurado Padre Tiago Alberione, que escolheu simbolicamente essa data para dar início a uma nova expressão de vida consagrada a serviço da Igreja.

Inspirado pela espiritualidade beneditina de Santa Escolástica — irmã de São Bento —, Padre Alberione confiou às Pias Discípulas uma missão profundamente enraizada na centralidade da Eucaristia, na oração litúrgica e no serviço apostólico, em comunhão com toda a Família Paulina.

Neste ano de 2026, a celebração dos 102 anos é iluminada pelo tema bíblico “Olha para o céu e conta as estrelas” (Gn 15,5), escolhido pelo Conselho do Instituto, realizado nas Filipinas entre 20 de janeiro e 10 de fevereiro de 2026. A imagem evoca o chamado feito por Deus a Abraão, convidando-o a sair da tenda para ampliar o olhar e confiar na promessa divina.

O tema também retoma o caminho indicado pelo 10º Capítulo Geral, que propõe como horizonte para o sexênio as “estrelas” da interculturalidade, da missão, do discernimento como estilo de vida e da formação integral e contínua. São luzes que orientam a vida e a missão da Congregação no contexto atual da Igreja e do mundo.

Celebrar mais de um século de história é, para as Pias Discípulas do Divino Mestre, um tempo de gratidão, memória agradecida e renovação do compromisso vocacional. Como recordava o fundador, os desígnios de Deus sobre a Congregação sempre foram claros e conduzidos para a maior glória de Deus e a santificação de suas integrantes.

Ao completar 102 anos, a Congregação renova o seu desejo de “olhar para o céu”, deixar-se conduzir por Deus, transformar as fragilidades em fecundidade e seguir adiante com esperança, permanecendo fiel à missão recebida na Igreja: ser discípulas íntimas de Jesus Mestre, a serviço do seu Corpo Místico, hoje e sempre.



Gn 15,5 – A promessa que nasce sob o céu estrelado

Em Gn 15,5, somos conduzidos a uma das cenas mais decisivas de toda a revelação bíblica. Deus leva Abraão para fora e o convida a erguer os olhos ao céu: “Olha para o céu e conta as estrelas, se és capaz de as contar. Assim será a tua descendência.” A promessa é proclamada justamente no momento em que tudo parece humanamente impossível. Abraão é idoso, Sara é estéril e o futuro parece fechado. É nesse contexto de limite que Deus abre um horizonte novo.

O gesto de “levar para fora” não é apenas físico, mas profundamente simbólico. Abraão é retirado do espaço estreito de seus cálculos e medos para contemplar o cosmos, sinal da grandeza e da fidelidade do Criador. O convite a olhar o céu não é um simples ato de observação, mas um chamado à contemplação: diante da imensidão das estrelas, Abraão reconhece seus limites e, ao mesmo tempo, a potência da palavra divina.

As estrelas, incontáveis aos olhos humanos, tornam-se imagem de uma promessa que ultrapassa toda lógica natural. A descendência prometida não é apenas numerosa, mas duradoura, inserida no próprio desígnio de Deus para a história. O “assim será” indica que a promessa não se funda em evidências visíveis, mas na correspondência entre a palavra de Deus e a fé daquele que a acolhe.

Esse versículo prepara imediatamente Gn 15,6, onde se afirma que Abraão creu no Senhor, e isso lhe foi imputado como justiça. Por isso, Gn 15,5 ocupa um lugar central na teologia bíblica da fé. A promessa não elimina a noite nem resolve imediatamente a crise de Abraão; ela transforma a noite em espaço de revelação. Deus não oferece provas, mas uma palavra confiável.

No Novo Testamento, essa promessa é relida à luz de Cristo. Para o apóstolo Paulo, a descendência de Abraão se estende a todos os que creem, fazendo dele pai de uma multidão que não se define apenas por laços de sangue, mas pela fé. Assim, as estrelas do céu tornam-se imagem da comunidade dos fiéis, chamados a viver da mesma confiança que sustentou Abraão.

Gn 15,5 revela, portanto, o coração da fé bíblica: confiar quando o caminho ainda não é visível, crer quando a promessa parece maior que a realidade, e aprender a levantar os olhos para além dos próprios limites, certos de que a palavra de Deus é fiel.



RENOVAÇÃO DE VOTOS RELIGIOSOS DE IR. ANTÔNIA BIANCA

Nesta segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026, a Capela da Comunidade Timóteo Giaccardo, em Pacaembu (SP), foi espaço de profunda ação de graças, comunhão fraterna e renovação da esperança com a celebração da renovação dos votos religiosos, pela sexta vez, da Ir. M. Antônia Bianca Oliveira dos Santos. O momento marcou mais uma etapa significativa em sua caminhada vocacional e foi vivido com alegria, simplicidade e espírito orante pelas Irmãs ali presentes.

A celebração eucarística foi presidida pelo Pe. Frei Jair Roberto Pasquali, TOR, que conduziu o rito com serenidade e profundidade espiritual, destacando o valor do compromisso assumido pela religiosa e o significado eclesial da vida consagrada. A presença das Irmãs, reunidas em clima de fraternidade, expressou a comunhão comunitária e o apoio à caminhada vocacional da Ir. M. Antônia Bianca, que neste ano segue sua formação em Roma, onde realizará a preparação imediata para os votos perpétuos.

A renovação dos votos religiosos representa, na tradição da Igreja, a reafirmação consciente e livre do “sim” dado a Deus, renovando o compromisso com os conselhos evangélicos da pobreza, castidade e obediência. Ao renovar seus votos pela sexta vez, a Ir. M. Antônia Bianca manifesta maturidade vocacional e disponibilidade interior para continuar colocando sua vida a serviço do Reino, em fidelidade ao carisma congregacional e à missão confiada pela Igreja.

A celebração foi iluminada pela liturgia da 5ª Semana do Tempo Comum, Ano Par (II), cujas leituras ofereceram uma chave de leitura profunda para compreender o sentido do momento vivido. A primeira leitura, retirada do Primeiro Livro dos Reis (1Rs 8,1-7.9-13), narrou a solene transferência da Arca da Aliança para o Templo de Jerusalém, construída por Salomão. O texto bíblico apresenta um povo reunido para reconhecer que Deus escolheu habitar no meio deles, fazendo do Templo um lugar de encontro, memória e fidelidade à Aliança.

Esse relato bíblico dialoga diretamente com a vida consagrada, na medida em que recorda que é o próprio Deus quem toma a iniciativa de habitar no coração daqueles que se oferecem inteiramente a Ele. Assim como a Arca representava a presença divina no meio do povo, a vida consagrada torna-se sinal visível de que Deus continua a fazer morada entre os homens, chamando-os à comunhão, à escuta e à fidelidade.

O Salmo 131(132), rezado responsorialmente, reforçou esse desejo profundo de estar na presença do Senhor: “Entremos em sua morada, prostremo-nos ante o escabelo de seus pés”. O salmista expressa a alegria do povo que busca a casa de Deus e reconhece nela o lugar do repouso divino. Na celebração da renovação dos votos, esse salmo ganhou um significado especial, pois a entrega da vida religiosa é também um gesto de permanência, de escolha deliberada por “habitar” com o Senhor e colocar Nele toda a confiança.

Já o Evangelho segundo Marcos (Mc 6,53-56) apresentou Jesus que, ao chegar às aldeias e cidades, é reconhecido pelo povo, que leva até Ele os doentes, certos de que um simples toque poderia trazer cura. O texto evidencia a sensibilidade de Jesus diante do sofrimento humano e sua constante disponibilidade para acolher, curar e restaurar vidas. Esse Evangelho lança luz sobre a missão da vida consagrada, chamada a ser presença de Cristo no mundo, especialmente junto aos que mais sofrem, oferecendo cuidado, escuta, esperança e proximidade.

À luz dessas leituras, a renovação dos votos da Ir. M. Antônia Bianca pode ser compreendida como um gesto que une contemplação e missão. Contemplação, porque nasce da escuta da Palavra e da intimidade com Deus; missão, porque se traduz em serviço concreto ao povo, seguindo os passos de Jesus que passa fazendo o bem. A formação que a religiosa iniciará em Roma, como preparação para os votos perpétuos, insere-se nesse dinamismo, ajudando-a a aprofundar sua consagração e a fortalecer sua disponibilidade para a missão que a Igreja lhe confiará.

Durante a celebração, o presidente da Eucaristia ressaltou que a perseverança na vida religiosa não é fruto apenas do esforço humano, mas da graça de Deus, acolhida e cultivada diariamente. A fidelidade aos votos, renovados ano após ano, é sustentada pela oração, pela vida comunitária e pela escuta atenta da Palavra, que orienta as escolhas e dá sentido ao caminho vocacional.

O clima de ação de graças vivido neste dia foi ampliado também por outro motivo de grande alegria para a congregação. Também nesta data, a comunidade acolheu a chegada de duas jovens que pediram para iniciar o seu caminho formativo na congregação. Trata-se de Edna, natural de Manaus (AM), e Vitória, de Boa Esperança (MG), que dão os primeiros passos em um processo de discernimento vocacional marcado pela escuta, pelo acompanhamento e pela vida comunitária. A celebração de ingresso está marcada para dia 10 de fevereiro de 2026.

A acolhida dessas jovens representa um sinal concreto de esperança e continuidade da missão, evidenciando que o chamado de Deus continua a ressoar no coração de novas gerações. O início do caminho formativo é um tempo privilegiado de discernimento, no qual as aspirantes são convidadas a aprofundar sua relação com Cristo, a conhecer mais de perto o carisma congregacional e a amadurecer, com liberdade e responsabilidade, a resposta ao chamado recebido.

Ao final da celebração, a gratidão marcou os corações das Irmãs presentes, que elevaram preces pela perseverança da Ir. M. Antônia Bianca e por todas as vocações, pedindo ao Senhor que continue a chamar e sustentar aqueles que se dispõem a segui-Lo mais de perto. A comunhão fraterna vivida naquele dia reforçou os laços comunitários e renovou o compromisso coletivo com a missão evangelizadora.

A Igreja confia à oração e ao cuidado de Deus a caminhada formativa da Ir. M. Antônia Bianca, que, em Roma, dará mais um passo decisivo rumo à consagração definitiva, assim como o início do percurso vocacional de Edna e Vitória. Que estes tempos de formação e discernimento sejam marcados pela escuta, pela confiança e pela fidelidade cotidiana, para que suas vidas se tornem sinais vivos da presença amorosa de Deus no mundo.

Continuamos em prece e comunhão, acompanhando com alegria estes acontecimentos significativos da vida congregacional e renovando, com esperança, a confiança no chamado do Divino Mestre.



CONSELHO DE INSTITUTO DAS PIAS DISCÍPULAS: UM CAMINHO SINODAL DE ESCUTA, DISCERNIMENTO E ESPERANÇA

Realizado em Antipolo, nas Filipinas, entre os dias 20 de janeiro e 10 de fevereiro de 2026, o Conselho do Instituto das Pias Discípulas do Divino Mestre vem se configurando como um tempo privilegiado de escuta, discernimento sinodal e renovação da vida consagrada, à luz do tema bíblico: “Olha para o céu e conta as estrelas…” (Gn 15,5), que inspira o caminho de transformar a fragilidade em um percurso gerador.

O Conselho teve início com a celebração eucarística de abertura, presidida por Dom Charles John Brown, Núncio Apostólico nas Filipinas, que, em sua homilia, convidou as irmãs a viverem o discernimento sinodal com coragem e verdade, sem medo de reconhecer as feridas, fragilidades e limites das comunidades, à semelhança de Cristo ressuscitado que mostra suas chagas como fonte de paz e vida nova. Ao longo dos trabalhos, a presença do Espírito Santo foi constantemente invocada como guia do caminho comum, da palavra compartilhada e do perdão recíproco.

Nos primeiros dias, após um retiro vivido na escuta da Palavra de Deus e da Igreja, as conselheiras se dedicaram à escuta recíproca e ao aprofundamento da identidade congregacional, refletindo sobre a unidade das “quatro estrelas”, os horizontes da missão e a vivência da paixão apostólica na fragilidade, à luz do carisma paulino e do testemunho da Madre Escolástica.

Um momento central do Conselho foi a apresentação e escuta dos relatórios das Circunscrições, que permitiram percorrer simbolicamente a “terra sagrada” da presença das Pias Discípulas no mundo, encontrando rostos, histórias, culturas, alegrias e desafios. Esse processo evidenciou a riqueza da diversidade e, ao mesmo tempo, a necessidade de respostas criativas e proféticas diante das transformações rápidas da realidade atual.

Os relatórios da Superiora Geral, Ir. M. Bernardita Meraz Sotelo, e da Ecônoma Geral, Ir. M. Giovanna Colombo, ajudaram a reler o caminho do Instituto à luz da comunhão, da confiança na Providência e do compromisso com relações autênticas, com a solidariedade concreta e com o cuidado da casa comum, fortalecendo o sentido de pertença a uma única Família.

Em clima de verdadeiro caminho sinodal, os dias seguintes foram dedicados ao diálogo com os Secretariados Gerais, aprofundando o serviço que realizam nos diversos âmbitos da vida da Congregação. Um espaço significativo foi reservado ao Secretariado para a Formação, com a participação, também à distância, das equipes que trabalham na revisão do Plano Geral de Formação e do Ritual da Profissão. As partilhas favoreceram contribuições, sugestões e discernimentos a serem integrados no processo em curso.

O Conselho foi também marcado por momentos de vida fraterna, espiritualidade e gratidão. A celebração da Festa da Apresentação do Senhor, no contexto do Dia Mundial de Oração pela Vida Consagrada, reuniu as irmãs em clima de solenidade e alegria, culminando em um encontro fraterno com a comunidade local de Antipolo, animado por cantos vocacionais em diversas línguas, sinal da universalidade da vocação e da missão.

Outro momento significativo foi a visita à Catedral de Manila e ao histórico bairro de Intramuros, onde a memória, a fé e a resiliência do povo filipino se tornaram também inspiração para o caminho do Instituto. O encontro com as comunidades locais das Pias Discípulas expressou, de modo concreto, o espírito de hospitalidade, comunhão e alegria que sustenta a vida consagrada.

À medida que se aproxima de sua conclusão, o Conselho do Instituto se revela como um tempo fecundo de graça, no qual a escuta do Espírito, o diálogo sincero e a partilha das fragilidades se transformam em fonte de esperança, renovando o compromisso das Pias Discípulas do Divino Mestre de serem presença profética e geradora na Igreja e no mundo de hoje.

Fonte: Boletins informativos do Conselho de Instituto 2026
Boletim 1
Boletim 2
Boletim 3



PAPA LEÃO XIV DESTACA A DIMENSÃO HUMANA E DIVINA DA SAGRADA ESCRITURA EM CATEQUESE NA AUDIÊNCIA DESTA SEMANA

Vaticano, 4 de fevereiro de 2026 – Durante a Audiência Geral desta quarta-feira (04/02), realizada na Sala Paulo VI, o Papa Leão XIV deu continuidade ao ciclo de catequeses dedicado à Constituição dogmática Dei Verbum, do Concílio Vaticano II, aprofundando a reflexão sobre a Sagrada Escritura como Palavra de Deus expressa em linguagem humana.

Na catequese, o Santo Padre ressaltou que a Bíblia é um meio privilegiado pelo qual Deus se comunica com a humanidade, falando por meio de palavras, culturas e contextos históricos concretos. Segundo o Papa, compreender a Escritura exige reconhecer simultaneamente a sua origem divina e a sua forma humana, evitando interpretações parciais que privilegiem apenas um desses aspectos.

Leão XIV explicou que os textos bíblicos não foram escritos numa linguagem sobre-humana, mas em línguas e estilos próprios de povos e épocas específicas. Essa característica, longe de diminuir o valor da Palavra de Deus, manifesta a escolha divina de se aproximar do ser humano, em um movimento semelhante ao mistério da Encarnação de Jesus Cristo.

O Papa alertou para os riscos de leituras fundamentalistas, que ignoram o contexto histórico e literário da Bíblia, bem como de interpretações que reduzem a Escritura a um simples documento do passado ou a mensagens éticas isoladas. Para ele, a Palavra de Deus deve ser lida e interpretada à luz do Espírito Santo, no seio da Igreja.

Ao concluir, Leão XIV recordou que a Sagrada Escritura, proclamada especialmente na liturgia, é chamada a iluminar a vida concreta dos fiéis, orientando escolhas, fortalecendo a fé e promovendo a caridade. O Papa convidou todos a agradecerem pelo dom da Palavra e a viverem de modo coerente com a mensagem de amor revelada por Deus nas Escrituras.

Leia a Catequese na íntegra: AUDIÊNCIA GERAL 04/02/2026





43º ENCONTRO DOS GOVERNOS GERAIS DA FAMÍLIA PAULINA DESTACA UNIDADE, SINODALIDADE E MISSÃO COMPARTILHADA

Entre os dias 9 e 12 de janeiro de 2026, foi realizado em Roma o 43º Encontro dos Governos Gerais da Família Paulina, com a participação dos Governos Gerais, representantes dos Institutos Agregados e dos Cooperadores Paulinos. Foram dias marcados pela oração, reflexão, escuta, discernimento, partilha da Palavra e convivência fraterna.

Inspirado pela imagem “A Família Paulina: carro que corre apoiado sobre quatro rodas”, o encontro retomou a herança carismática do Beato Tiago Alberione, reafirmando a riqueza da diversidade e a unidade entre as várias expressões da Família Paulina. As quatro rodas (Oração, Estudo, Apostolado e Pobreza) foram aprofundadas como dimensões inseparáveis da vida e da missão paulina.

Durante o encontro, os participantes revisitaram o próprio caminho como uma “história dupla”, marcada pela ação da graça de Deus e, ao mesmo tempo, pelas fragilidades humanas. Essa releitura favoreceu um olhar de realismo e esperança, reconhecendo limites, mas também sinais de novidade e fidelidade criativa ao carisma.

Em sintonia com o caminho da Igreja, foi fortemente ressaltada a sinodalidade como estilo de vida e de missão, compreendida como um percurso a ser feito juntos, em comunhão e corresponsabilidade. A unidade foi reconhecida como força que atrai e gera fecundidade, enquanto a divisão enfraquece a missão.

Outro destaque do encontro foi a redescoberta da fraternidade como elemento essencial da identidade paulina. A Família Paulina foi novamente chamada a viver como “um só coração e uma só alma” (At 4,32), fortalecendo a colaboração espiritual, intelectual e apostólica entre todos os seus membros.

À luz do Centenário da presença paulina em Roma, os participantes olharam para o futuro com gratidão e senso de responsabilidade compartilhada. O que foi vivido durante o encontro é entendido não apenas como memória, mas como impulso para escolhas concretas, relações mais evangélicas e uma missão cada vez mais vivida em comunhão.

Confiantes na ação de Deus, primeiro operador da história, e inspirados pelo testemunho do Beato Tiago Alberione, os participantes reafirmaram o desejo de seguir caminhando unidos, guiados pela única lâmpada da Família Paulina: Jesus Mestre e Pastor, Caminho, Verdade e Vida.

O 43º Encontro dos Governos Gerais foi vivido como um tempo de bênção, renovação e fortalecimento do compromisso comum a serviço do Evangelho e do mundo de hoje.

📽️ Assista ao vídeo com imagens do encontro:
https://youtu.be/FEIk-tSw0Iw

Leia a mensagem final na íntegra:




AS BEM-AVENTURANÇAS: O CAMINHO DO REINO REVELADO AOS PEQUENOS

Ir. Julia Almeida, pddm

4º Domingo do Tempo Comum – Ano A | 1º de fevereiro de 2026
Leituras: Sf 2,3;3,12-13 | Sl 145(146),7.8-9a.9bc-10 (R. Mt 5,3) | 1Cor 1,26-31 | Mt 5,1-12a

O Evangelho deste 4º Domingo do Tempo Comum nos conduz ao coração da mensagem de Jesus: as Bem-aventuranças (Mt 5,1-12a). Diante da multidão, Jesus sobe ao monte, senta-se como Mestre e começa a ensinar. Não se trata apenas de um discurso moral, mas da revelação de um modo novo de viver, de ver o mundo e de se colocar diante de Deus. As Bem-aventuranças não descrevem pessoas ideais ou situações perfeitas; revelam, antes, o agir do Reino de Deus na fragilidade humana.

Domingo passado, com os textos do 3º Domingo do Tempo Comum, Mateus apresentou o início da missão pública de Jesus: o anúncio da proximidade do Reino, o chamado dos primeiros discípulos e a formação de um povo que se reúne em torno de sua palavra e de seus gestos de vida e cura. É o momento do convite decisivo:“Vinde após mim”. Este convite inaugura um caminho de seguimento, conversão e disponibilidade interior. O Reino começa como movimento: deixar as próprias redes, aproximar-se de Jesus e entrar na dinâmica de uma vida que se orienta a partir dele.

Neste 4º Domingo, o Evangelho nos conduz a um novo patamar desse mesmo caminho. Jesus sobe ao monte, senta-se e, diante dos discípulos, revela o coração do Reino por meio das Bem-aventuranças. Já não se trata apenas de seguir, mas de deixar-se configurar por Ele; não apenas de ouvir o anúncio, mas de assumir um modo de viver. As Bem-aventuranças não são exigências abstratas, mas o retrato da vida que floresce quando o Reino é acolhido: uma existência marcada pela pobreza de espírito, pela mansidão, pela misericórdia e pela fome de justiça, sinais de uma humanidade transformada pela presença de Deus.

Mateus 5,1-12a é escrito dentro de um contexto histórico, comunitário e teológico muito preciso, que ajuda a compreender a força e a originalidade das Bem-aventuranças. Não se trata de palavras soltas de Jesus, mas de um texto cuidadosamente elaborado para uma comunidade concreta e para um momento decisivo da narrativa evangélica.

O Evangelho de Mateus é redigido provavelmente entre os anos 80–90 d.C., para uma comunidade cristã de origem majoritariamente judaica, que vive uma situação de tensão e reorganização após a destruição do Templo de Jerusalém (70 d.C.). Esses cristãos enfrentam a ruptura progressiva com o judaísmo rabínico nascente, a perseguição e a marginalização social, a necessidade de afirmar sua identidade como comunidade dos discípulos de Jesus.

As Bem-aventuranças, nesse contexto, oferecem critérios de identidade: indicam quem são, de fato, os herdeiros do Reino, não a partir do poder religioso ou do prestígio social, mas da fidelidade vivida em meio à fragilidade, à perseguição e à esperança.

Em especial, Mateus 5,1-12a abre o chamado Sermão da Montanha (Mt 5–7), o primeiro dos cinco grandes discursos de Jesus em Mateus. Ele é colocado logo após o início da missão de Jesus (Mt 4,12-17), o chamado dos discípulos (4,18-22), a formação das multidões (4,23-25). Ao situar Jesus “subindo ao monte” e “sentando-se”, Mateus o apresenta como o novo Moisés, não para abolir a Lei, mas para revelar seu sentido pleno. As Bem-aventuranças funcionam como o portal de entrada desse ensinamento: olha que interessante, não começam com mandamentos, mas com promessas de vida e felicidade.

Teologicamente, Mt 5,1-12a expressa a lógica inversa do Reino dos Céus. Em um mundo marcado por hierarquias, honra e exclusões, Jesus proclama bem-aventurados aqueles que parecem estar à margem: pobres, mansos, aflitos, misericordiosos, perseguidos. Isso revela um Deus que se inclina para os pequenos, um Reino que já está presente, mas se manifesta de modo paradoxal, uma felicidade fundada na relação com Deus, e não no sucesso visível.

Assim, o contexto de Mateus 5,1-12a é o de uma comunidade chamada a reconhecer-se nas Bem-aventuranças, não como ideais inalcançáveis, mas como a descrição da vida dos discípulos que, mesmo em meio às provações, já vivem sob o senhorio do Reino.

E o texto inicia de forma interessante: “Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus”. A felicidade proclamada por Jesus não se confunde com sucesso, poder ou prestígio. Ela nasce da confiança radical em Deus, da abertura interior que reconhece a própria pobreza e necessidade. O “pobre em espírito” é aquele que não se apoia em si mesmo, mas se deixa conduzir pelo Senhor. É o discípulo que aprende a viver da graça.

Ser pobre de espírito, no sentido evangélico, não é uma atitude de desvalorização de si nem simples carência material, mas uma postura interior diante de Deus e da vida. Trata-se de reconhecer que tudo é dom e que a própria existência não se sustenta por si mesma. O pobre de espírito sabe que não é autossuficiente: vive na escuta, na confiança e na disponibilidade para acolher o agir de Deus, sem pretender controlar tudo ou garantir-se apenas por seus próprios méritos.

Efetivamente, ser pobre de espírito significa desapegar-se das falsas seguranças como o poder, prestígio, saber, até mesmo de imagens rígidas de si e de Deus para viver na liberdade de quem depende do Senhor. É uma pobreza que gera espaço interior: espaço para a Palavra, para o outro, para o Reino que já se faz presente. Por isso, o pobre de espírito é bem-aventurado, porque vive da graça e não da posse; caminha na humildade que abre o coração à ação transformadora de Deus.

Por que Jesus proclama bem-aventurados justamente os pobres, os aflitos, os mansos, os perseguidos? Por que Ele chama de felizes aqueles que, aos olhos do mundo, parecem frágeis ou perdedores? Jesus proclama bem-aventurados os pobres, os aflitos, os mansos e os perseguidos porque revela a lógica do Reino de Deus, tão diferente da lógica do mundo. Enquanto a sociedade associa felicidade ao sucesso, ao poder e à autossuficiência, Jesus aponta que a verdadeira bem-aventurança nasce da confiança em Deus e da abertura ao seu amor.

É importante salientar que as Bem-aventuranças não exaltam o sofrimento nem idealizam a dor. Elas anunciam que Deus está particularmente próximo daqueles que vivem a fragilidade, a pobreza e a injustiça. É nesses lugares que o Reino se manifesta com mais força, oferecendo consolo, justiça e esperança.

Ao proclamá-las, Jesus também apresenta o seu próprio caminho: Ele mesmo é pobre, manso, misericordioso, promotor da paz e fiel até a perseguição. Seguir o Mestre é aprender a viver segundo esse estilo, deixando que a Palavra transforme nossos critérios, escolhas e relações.

Assim, as Bem-aventuranças tornam-se um convite concreto à vida cristã: viver a misericórdia, promover a paz, buscar a justiça e permanecer fiel, certos de que a verdadeira felicidade não está na ausência de dificuldades, mas na presença fiel de Deus que caminha conosco.

Essa lógica atravessa todo o Evangelho e encontra eco profundo nas outras leituras deste domingo. O profeta Sofonias anuncia que Deus preservará “um povo humilde e pobre”, que buscará refúgio no nome do Senhor (Sf 3,12). Não são os fortes ou autossuficientes que permanecem, mas os pequenos, aqueles que vivem na fidelidade e na esperança. O Salmo responsorial confirma essa certeza: o Senhor faz justiça aos oprimidos, sustenta o órfão e a viúva, ama os justos e permanece fiel para sempre (Sl 145).

São Paulo, escrevendo aos coríntios, aprofunda ainda mais essa inversão de valores. Deus escolhe o que é fraco para confundir os fortes, o que é desprezado para revelar sua sabedoria (1Cor 1,26-31). A lógica do Reino desmonta os critérios do mundo. A salvação não é conquista humana, mas dom gratuito, oferecido em Cristo, nossa sabedoria, justiça e redenção.

As Bem-aventuranças, portanto, não são promessas distantes, mas um caminho concreto de discipulado. Elas nos interrogam como cristãos e cristãs: onde colocamos nossa segurança? Que tipo de felicidade buscamos? Somos capazes de reconhecer a presença de Deus na mansidão, na misericórdia, na fome e sede de justiça, na paz construída no cotidiano?

Neste primeiro domingo do mês de fevereiro, como Família Paulina, somos convidados a contemplar Jesus como Divino Mestre, aquele que ensina não apenas com palavras, mas com a própria vida. No monte das Bem-aventuranças, Jesus revela seu coração e nos educa para uma fé encarnada, sensível, profundamente humana e, ao mesmo tempo, aberta ao mistério do Reino. Aprender do Divino Mestre é deixar que sua Palavra molde nossos critérios, nossos afetos e nossas escolhas.

À luz dessa Palavra, também somos chamados a rezar com especial atenção pela intenção do Apostolado da Oração deste mês: por todas as crianças com doenças incuráveis e suas famílias. As Bem-aventuranças nos ajudam a olhar para essas vidas com os olhos de Deus. Elas nos lembram que a fragilidade não é sinal de abandono, mas lugar privilegiado da presença do Senhor. “Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados.” A promessa de Jesus não elimina a dor, mas garante que ela não é a última palavra.

Como comunidade cristã, somos convidados a ser sinal desse consolo: pela oração, pela proximidade, pelo cuidado concreto, pela esperança partilhada. O Reino anunciado por Jesus começa a acontecer quando nos fazemos próximos dos que sofrem, quando escolhemos a compaixão em vez da indiferença, a mansidão em vez da violência, a justiça em vez da exclusão.

Ao propor Mateus 5,1-12 para a liturgia do 4º Domingo do Tempo Comum – Ano A, a Igreja não pretende apenas oferecer um ensinamento moral elevado, mas animar as comunidades a reconhecerem sua própria vocação e identidade à luz do Reino. As Bem-aventuranças funcionam como um espelho no qual a comunidade é convidada a se contemplar e a se deixar interpelar: quem somos nós enquanto discípulos reunidos em torno de Jesus?

Em primeiro lugar, a liturgia anima as comunidades a relerem sua experiência concreta de vida e fé. Muitas vezes marcadas por fragilidades, limites, sofrimentos, conflitos ou falta de reconhecimento, as comunidades escutam que essas situações não as afastam do Reino, mas podem tornar-se lugar de bênção e de esperança. A proclamação das Bem-aventuranças sustenta e consola, afirmando que Deus está próximo dos pobres, dos que choram, dos mansos e dos perseguidos, e que a fidelidade vivida no cotidiano já participa da felicidade prometida.

Ao mesmo tempo, o texto impulsiona uma conversão do olhar e das práticas comunitárias. A animação proposta não é intimista, mas profundamente eclesial: ser comunidade bem-aventurada significa cultivar relações marcadas pela misericórdia, pela busca da justiça, pela mansidão e pela paz. Assim, a liturgia deste domingo convoca as comunidades a tornarem-se sinal visível do Reino no mundo, não pela força ou pelo prestígio, mas pelo testemunho humilde e coerente de uma vida transformada pelo Evangelho.

Que este 4º Domingo do Tempo Comum nos ajude a acolher o ensinamento do Divino Mestre e a percorrer, com confiança, o caminho das Bem-aventuranças. Nele, mesmo em meio às dores e fragilidades, aprendemos que a verdadeira felicidade nasce de Deus e se manifesta no amor vivido no cotidiano.


Bem-aventuranças e Vaticano II: a identidade da Igreja chamada pelo Reino

A liturgia do 4º Domingo do Tempo Comum – Ano A, ao proclamar o Evangelho das Bem-aventuranças (Mt 5,1-12a), coloca a comunidade cristã diante do coração do anúncio de Jesus: a revelação de um modo novo de viver, fundado na confiança em Deus, na mansidão, na misericórdia e na busca da justiça. Não se trata de um ideal abstrato ou reservado a poucos, mas da descrição concreta da identidade dos discípulos e das comunidades que acolhem o Reino já presente na história.

Essa perspectiva encontra profunda consonância com o atual ciclo de audiências do Papa Leão XIV sobre os Documentos do Concílio Vaticano II. Ao retomar o Concílio, o Papa insiste que a Igreja é, antes de tudo, uma comunidade que nasce da escuta da Palavra viva de Deus, num diálogo de aliança em que o Senhor se comunica como amigo e chama à resposta livre da fé. As Bem-aventuranças expressam exatamente essa dinâmica: não são simples normas morais, mas Palavra proclamada por Cristo que interpela, consola e configura interiormente aqueles que se colocam à sua escuta.

Além disso, o Vaticano II, como recorda Leão XIV, apresentou a Igreja como Povo de Deus, sacramento de comunhão e sinal de esperança para o mundo. As Bem-aventuranças delineiam o rosto desse povo: uma Igreja pobre de espírito, solidária com os que sofrem, comprometida com a paz e a justiça, capaz de testemunhar o Evangelho não pelo poder ou prestígio, mas pela coerência de vida. Assim, o Evangelho deste domingo e a releitura conciliar caminham juntos ao animar as comunidades a redescobrirem sua vocação fundamental: viver e manifestar, no cotidiano da história, a alegria paradoxal do Reino que já se faz presente entre nós.




O DOMINGO DA PALAVRA DE DEUS: ESCUTAR, CELEBRAR E VIVER A PALAVRA QUE SALVA

No último domingo (3º Domingo do Tempo Comum – 25/01/2026), a Igreja celebrou o Domingo da Palavra de Deus, uma data relativamente recente no calendário litúrgico, mas profundamente enraizada na tradição cristã. Instituído pelo Papa Francisco por meio da Carta Apostólica Aperuit illis (2019), esse domingo convida toda a comunidade eclesial a redescobrir o lugar central da Palavra de Deus na vida da Igreja, na liturgia e no cotidiano dos fiéis.

Mais do que uma comemoração simbólica, trata-se de um chamado à conversão pastoral e espiritual: voltar a colocar a Palavra no centro, não como objeto de estudo isolado ou leitura ocasional, mas como voz viva de Deus que continua a falar ao seu povo hoje.

O título do documento — Aperuit illis (“Abriu-lhes o entendimento”) — é retirado do Evangelho de Lucas (24,45), no episódio dos discípulos de Emaús. O Papa Francisco parte desse texto para lembrar que é o próprio Cristo quem abre as Escrituras e permite que elas sejam compreendidas em profundidade. Sem Ele, a Bíblia corre o risco de se tornar apenas um livro do passado; com Ele, torna-se Palavra viva, atual e transformadora.

O Papa afirma logo no início do documento:

“A relação entre o Ressuscitado, a comunidade dos crentes e a Sagrada Escritura é extremamente vital para a nossa identidade cristã” (Aperuit illis, n. 1).

Celebrar o Domingo da Palavra de Deus é, portanto, reafirmar essa relação vital entre Cristo, a Igreja e as Escrituras.

Um dos aspectos mais importantes ressaltados pelo Papa Francisco é a relação intrínseca entre Palavra e liturgia. A Bíblia não foi entregue à Igreja para ser apenas lida individualmente, mas proclamada e escutada no seio da assembleia. É na liturgia que a Palavra manifesta plenamente seu caráter de evento: Deus fala, o povo escuta, responde e é transformado.

O Papa recorda que:

“A Bíblia não pode ser entendida como uma coleção de livros de história, nem como um conjunto de textos morais, mas é o livro do povo de Deus” (Aperuit illis, n. 5).

Por isso, a proclamação da Palavra na liturgia exige cuidado, preparação, silêncio e escuta atenta. Não se trata de um momento secundário da celebração, mas de uma verdadeira ação sacramental, na qual Cristo se faz presente e fala à sua Igreja.

O Domingo da Palavra de Deus também recorda que escutar a Palavra nunca é um gesto individualista. A escuta é sempre eclesial e comunitária. A Palavra convoca, forma e envia. Como afirma o Papa:

“Escutar a Sagrada Escritura cria comunhão com Deus e com os irmãos” (Aperuit illis, n. 4).

Essa comunhão, porém, não se fecha em si mesma. A Palavra escutada gera compromisso e missão. Quem acolhe a Palavra é chamado a traduzi-la em gestos concretos de amor, justiça, misericórdia e serviço, especialmente aos pobres e sofredores. Não por acaso, o Papa insiste que a Bíblia deve estar sempre ligada à vida real do povo.

Outro objetivo fundamental do Domingo da Palavra de Deus é educar o povo cristão para uma relação madura e constante com as Escrituras. Isso implica formação bíblica, catequese contínua e iniciação à leitura orante da Bíblia (Lectio Divina).

O Papa Francisco alerta que o desconhecimento das Escrituras empobrece a fé:

“Sem a Sagrada Escritura, os acontecimentos da missão de Jesus e da sua Igreja no mundo permanecem incompreensíveis” (Aperuit illis, n. 7).

Por isso, esse domingo é também um convite às comunidades para investirem na formação de leitores, catequistas, ministros ordenados e agentes de pastoral, para que todos saibam escutar, interpretar e anunciar a Palavra com fidelidade e profundidade.

Dentro da celebração litúrgica, o Domingo da Palavra de Deus valoriza de modo especial o ministério do leitor. O leitor não é alguém que “apenas lê”, mas alguém que empresta sua voz para que Deus fale ao seu povo. Sua postura, preparação, vestes e modo de proclamar fazem parte da pedagogia simbólica da liturgia. Como recorda o Papa Francisco, a Palavra exige respeito, dignidade e amor:

“A proclamação da Palavra de Deus requer uma atenção especial à sua preparação e à sua execução” (Aperuit illis, n. 9).

Isso ajuda a assembleia a compreender que, quando a Palavra é proclamada, é o próprio Cristo quem fala.

Celebrar o Domingo da Palavra de Deus não se limita ao espaço da igreja. O Papa insiste que a Bíblia deve acompanhar a vida diária dos cristãos: nas famílias, nos grupos, nas decisões pessoais e comunitárias. A Palavra ilumina a realidade, consola nas dificuldades, corrige os caminhos e sustenta a esperança.

Nesse sentido, o Papa afirma:

“A Palavra de Deus une os crentes e faz deles um único povo” (Aperuit illis, n. 3).

Essa unidade se constrói quando a Palavra é acolhida, meditada e vivida.

O Domingo da Palavra de Deus é, em última análise, um convite a reaprender a escutar. Num mundo marcado pelo excesso de palavras e ruídos, a Igreja é chamada a criar espaços de silêncio, escuta e acolhida da Palavra que salva.

Celebrar esse domingo é reconhecer que a Palavra de Deus não pertence ao passado, mas continua a agir no presente; não é letra morta, mas voz viva do Espírito; não é propriedade de alguns, mas dom oferecido a todo o povo de Deus.

Como nos recorda o Papa Francisco, a Palavra “não passa”, porque é o próprio Deus que continua a falar. Cabe à Igreja — e a cada fiel — abrir o coração, como os discípulos de Emaús, e deixar-se transformar por essa Palavra que gera vida, comunhão e missão.

Ler na íntegra: Carta Apostólica Aperuit illis




ABERTURA DO CONSELHO DE INSTITUTO DAS PIAS DISCIPÚLAS

Ir. M. Louise O’Rourke, pddm

Erguer o olhar para o céu e deixar-se guiar pela promessa de Deus: é com esta atitude de fé e esperança que, no caminho inaugurado pelo X Capítulo Geral, as Pias Discípulas do Divino Mestre se preparam para viver um momento significativo para a vida da Congregação. No dia 20 de janeiro aconteceu a Celebração Eucarística de abertura deste evento que vai até o dia 10 de fevereiro de 2026, em Antipolo City, nas Filipinas. O Conselho de Instituto é um espaço privilegiado de escuta, discernimento comunitário e corresponsabilidade na missão.

Convocado pela Superiora geral, Ir. M. Bernardita Meráz Sotelo, o Conselho de Instituto configura-se como um verdadeiro tempo de graça, no qual reler o caminho percorrido e orientar, juntas, as escolhas futuras, segundo o estilo sinodal de caminhar juntas. A sua dimensão internacional e intercultural torna visível uma Congregação que vive a sinodalidade como estilo permanente, integrando vozes, culturas e experiências diversas num único horizonte carismático e missionário.

O tema do Conselho – «Olha para o céu e conta as estrelas…» (Gn 15,5). Transformar a fragilidade em um caminho gerador – convida a reconhecer a fidelidade de Deus também nas fragilidades pessoais e comunitárias. À luz das “quatro estrelas” do Capítulo Geral, as Circunscrições partilharão o próprio caminho como sinal concreto de sermos um só corpo.

Este encontro é um apelo a fortalecer o sentido de corresponsabilidade, a crescer na consciência de caminhar como um único corpo e a renovar, juntas, a missão das Pias Discípulas do Divino Mestre a serviço da Igreja e da humanidade, com confiança, criatividade e esperança.

Desejamos que este Conselho de Instituto seja um tempo fecundo de escuta, partilha e comunhão, capaz de gerar vida nova e orientações para o caminho futuro.