Aprofundamento bíblico para o Tríduo Pascal

Nesta semana, a REVISTA DE LITURGIA publicou um texto da ir. Helena Ghiggi, pddm, com aprofundamento bíblico do Tríduo Pascal. Nossas Igrejas Domésticas se animam, mais do que nunca, para celebrarem com fervor as festas pascais.

Abaixo, o texto na íntegra. Vai nos ajudar na nossa leitura orante de cada dia do Tríduo Pascal:

ESTE É O DIA QUE O SENHOR FEZ PARA NÓS; ALEGREMO-NOS E NELE EXULTEMOS! (Sl 118,24)

QUINTA FEIRA NA CEIA DO SENHOR

A antífona da entrada nos introduz no mistério da paixão, morte e ressurreição do Senhor: “A cruz de nosso Senhor Jesus Cristo deve ser a nossa glória: nele está nossa vida e ressurreição; foi ele que nos salvou e libertou” (Gl 6,14). A cruz, maldição (Dt 21,22-23), instrumento de tortura, torna-se sinal de salvação na entrega de Jesus. A oração do dia enfatiza o sentido da “santa ceia, na qual o Filho único do Pai, ao entregar-se à morte, deu à sua Igreja um novo e eterno sacrifício, como banquete do seu amor”.

Nesse momento difícil de sofrimento causado pelo Covid-19, o Papa Francisco destaca que o Senhor reanima a nossa fé pascal. Temos uma âncora: na sua cruz, fomos salvos. Temos um leme: na sua cruz, fomos resgatados. Temos uma esperança: na sua cruz, fomos curados e abraçados, para que nada e ninguém nos separem do seu amor redentor (homilia, 27/03/2020).

O texto do evangelho segundo João (Jo 13,1-15) faz referência a Última Ceia, mas não relata a instituição da eucaristia, pois Jesus já havia revelado sua vida como pão e vinho, verdadeira comida e bebida (Jo 6,51-58). Aqui o evangelista traz o gesto do lava pés, símbolo do amor gratuito de Jesus aos irmãos e irmãs, memorial de sua atuação ao longo do ministério. “Tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim” (Jo 13,1). O “Mestre e Senhor”, com seu exemplo de humilde serviço, ensina um novo modo de viver na fraternidade, que transforma as desigualdades e toda forma de injustiça e dominação. O cuidado recíproco, realçado no mandamento novo de “amar como Jesus amou” (Jo 13,34-35), é essencial para que todos tenham vida digna. Como Igreja doméstica, somos chamados a celebrar a memória da entrega radical de Cristo, servidor até a cruz, solidários com o bem comum de toda a sociedade, de toda a comunidade.

A Leitura do livro do Êxodo (Ex 12,1-8.11-14) recorda a Páscoa dos hebreus, antiga festa pastoril que se torna memorial da passagem da escravidão no Egito para a liberdade em busca da terra prometida, de vida melhor para todos os povos. O Salmo 116 (115) mostra que o povo agradece a salvação e os benefícios recebidos do Senhor, “erguendo o cálice da salvação”, gesto de compromisso com o seu projeto. Paulo, na Leitura de 1Coríntios (1Cor 11,23-26), apresenta a narrativa mais antiga da Ceia do Senhor. “Este é o Corpo que será entregue por vós, este é o cálice da nova aliança no meu Sangue, diz o Senhor. Todas as vezes que os receberdes fazei-o em minha memória”. A eucaristia, memória da morte de Jesus como dom de vida para a humanidade, é testemunhada na compaixão, cuidado, partilha com os irmãos (1Cor 11,17-34).

SEXTA FEIRA DA PAIXÃO DO SENHOR

O caminho de fidelidade trilhado por Jesus, Servo sofredor, é acentuado já na aclamação ao evangelho: “Jesus Cristo se tornou obediente, obediente até a morte numa cruz, pelo que o Senhor Deus o exaltou, e deu-lhe um nome muito acima de outro nome” (Fl 2,8-9). A narrativa da Paixão de Jesus segundo João (Jo 18,1–19,42) acentua o sentido soteriológico, salvífico da morte de Jesus, e também o significado de revelação na qual a natureza profunda de Deus se torna manifesta. Jesus revela o Deus compassivo que ouve o clamor do povo “Eu Sou” (Jo 18,6; Ex 3,14), e livra os discípulos dos que chegam para prendê-lo com a força e a violência.

Conduzido ao palácio dos sumos sacerdotes, Jesus aguarda a reunião do Sinédrio na manhã seguinte. Após o julgamento, ele é enviado ao pretório onde ficava o governador romano, de modo que sua acusação torna-se política. Diante do poder imperial, Jesus reafirma que seu Reino não é deste mundo e dá testemunho da verdade, que é ele mesmo (Jo 14,6). Apesar de ser reconhecido inocente Jesus é condenado à morte, consequência de seu compromisso com as vítimas do sistema, com os últimos. Assim, Jesus assume livremente o caminho até o Calvário, carregando a própria cruz. “Crucificaram Jesus no meio de outros dois”, com tantas pessoas que carregam a cruz da violência, desemprego, fome. O sofrimento de Jesus até à morte violenta na cruz não é da vontade do Pai, mas causa de salvação e fonte de vida e libertação para a humanidade.

Em meio a tanta dor, Jesus não se encontra só, ao pé da cruz a comunidade fortalece a fé e a esperança para dar continuidade à missão. A presença da mãe de Jesus, como nas bodas em Caná da Galileia (Jo 2,1-12), sublinha que chegou a “hora” da glorificação do Filho. A solidariedade dos discípulos e discípulas junto ao Mestre na cruz multiplica-se através dos gestos de bondade de tantas pessoas, que consolam os doentes, os idosos, os abandonados. “Tudo está consumado” revela a soberania de Jesus, que completa a obra confiada pelo Pai com fidelidade. “E, inclinando a cabeça, Jesus entregou o Espírito” como dom de vida nova para seus seguidores e seguidoras.

Nenhum osso é quebrado de Jesus, o verdadeiro Cordeiro Pascal (Ex 12,46), que entrega a vida enquanto eram imolados os cordeiros para a Páscoa. A leitura do Livro do Profeta Isaías (Is 52,13–53,12) é o quarto cântico do “Servo do Senhor”. Convida a contemplar a vida do Servo oprimido e exaltado, cujo sofrimento substitui a culpa do povo, como prefiguração de Jesus Cristo. O Salmo 31 (30) é um cântico de lamentação e confiança, que Jesus rezou na cruz: “Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito” (Lc 23,46). A leitura da Carta aos Hebreus (Hb 4,14-16; 5,7-9) ressalta a solidariedade de Jesus com a humanidade e sua fidelidade ao Pai, que o tornam fonte de salvação, mediador único e definitivo.

O Papa Francisco fala de tantos companheiros de viagem exemplares, que arriscam suas vidas para curar e defender as pessoas. É a força operante do Espírito derramada e plasmada em entregas corajosas e generosas. É a vida do Espírito, capaz de resgatar, valorizar e mostrar como as nossas vidas são tecidas e sustentadas por pessoas comuns, que hoje marcam os acontecimentos decisivos da nossa história: médicos, enfermeiros e enfermeiras, trabalhadores dos supermercados, pessoal da limpeza, cuidadores, transportadores, forças policiais, voluntários, sacerdotes, religiosos e muitos – mas muitos – outros que compreenderam que ninguém se salva sozinho (homilia, 27/03/2020).

VIGÍLIA PASCAL DO SENHOR

A Páscoa infunde confiança no Pai, que nunca abandona seus filhos/filhas e oferece a plenitude da vida à humanidade mediante a ressurreição de seu Filho Amado. No texto do evangelho segundo Mateus (Mt 28,1-10), a vida nova que jorrou do Crucificado fortalece a fé e a esperança da comunidade, impelida a realizar a missão na certeza da presença viva do Ressuscitado. As discípulas fiéis desde a Galileia, que permanecem junto de Jesus e o acompanham até a paixão e a morte de Cruz (Mt 27,55-56), se dirigem ao local onde o Mestre fora enterrado para “ver o sepulcro”. A experiência pascal possibilita encontrar novos caminhos, para anunciar a Boa Nova do Reino após a morte de Jesus Cristo.

A pedra que fechava o túmulo (Mt 27,60) foi removida pelo anjo do Senhor, cuja aparência fulgurante evoca o transfigurado-ressuscitado (Mt 17,2). O diálogo do anjo com as mulheres (Mt 28,5-7) ilumina a “não ter medo”, que corresponde a manter viva a fé. Jesus, o Crucificado a quem procuravam, “foi ressuscitado”, voz passiva que acentua a intervenção divina na vitória da vida sobre a morte. A missão confiada às mulheres, no anúncio da ressurreição de Jesus aos discípulos, rompe o esquema social excludente que não reconhecia o testemunho delas. Enquanto as mulheres corriam para anunciar a Boa Notícia aos discípulos, o Ressuscitado vem-lhes ao encontro e as saúda com a alegria pascal, plenificando-as de confiança. As mulheres se prostram diante do Senhor, reconhecendo sua presença que conduz no caminho para a Galileia, região onde o Mestre havia iniciado o ministério (Mt 4,12-17).

As Leituras recordam as grandes maravilhas realizadas por Deus ao longo da história da salvação, plenificada na ressurreição de Jesus. O Ressuscitado é a primícia da nova criação, que faz resplandecer a luz sobre as trevas do pecado e da morte. Filho único, que passa pela cruz assumida por amor fiel, Jesus revela o Deus que quer a vida como no episódio de Abraão e Isaac. A Páscoa de Jesus realiza plenamente o êxodo, a libertação do povo que atravessa o Mar Vermelho em busca da Terra Prometida. Em Jesus manifestam-se a consolação do povo e o banquete messiânico, anunciados no fim do exílio babilônico (Is 54 e 55). A vida doada de Jesus interpela a converter e a renovar o coração, como proclamam Baruc e Ezequiel. Rm 6,3-11 sublinha a participação na morte e ressurreição de Cristo pelo batismo, que nos reveste da vida nova para construirmos a fraternidade entre os povos (Revista de Liturgia, Março/Abril, 2020).

O Papa Francisco diz que a resposta de Deus ao problema da morte é Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida… Tenham fé! Em meio ao choro continuem a ter fé, ainda que pareça que a morte tenha vencido. Removam a pedra de seus corações! Deixem que a Palavra de Deus leve de novo a vida onde há morte. Deus não nos criou para o túmulo, nos criou para a vida, bela, boa, alegre. Jesus Cristo veio nos libertar dos laços da morte. Cristo vive, e quem o acolhe e se une a Ele participa da vida. O batismo nos insere no Mistério Pascal de Cristo. Pela ação e a força do Espírito Santo, o cristão é uma pessoa que caminha na vida como uma nova criatura: uma criatura para a vida, e que vai em direção à vida. Que a Virgem Maria nos ajude a sermos compassivos como o seu Filho Jesus, que fez sua a nossa dor. Que cada um de nós seja próximo daqueles que estão sofrendo, tornando-se para eles um reflexo do amor e da ternura de Deus, que liberta da morte e faz vencer a vida (29/03/2020).

DOMINGO DA PÁSCOA

NA RESSURREIÇÃO DO SENHOR

A oração do dia realça o sentido da “ressurreição de Jesus” como acontecimento central da nossa fé: “Ó Deus, por vosso Filho Unigênito, vencedor da morte, abristes hoje para nós as portas da eternidade. Concedei que, celebrando a ressurreição do Senhor, renovados pelo vosso Espírito, ressuscitemos na luz da vida nova”. O Ressuscitado caminha conosco, sustentando a nossa fé e esperança nesse momento de trevas e morte, causada pela pandemia. No texto do evangelho segundo João (Jo 20,1-9), Maria de Mágdala se dirigiu ao sepulcro no alvorecer do “primeiro dia da semana”, quando ainda estava escuro. A ressurreição de Jesus inaugura a nova criação, a vitória da vida sobre o pecado da injustiça e da morte. A caminhada de fé da comunidade leva a compreender os sinais do sepulcro, o poder da vida que vence a morte pelo amor solidário.

Com a experiência pascal, os que foram ao sepulcro à procura do corpo de Jesus compreendem as Escrituras, que anunciavam o corpo do Ressuscitado como novo e definitivo santuário da humanidade (Jo 2,21). A comunidade unida como “Corpo de Cristo” continua a missão libertadora de Jesus, conduzida pela força do seu Espírito (Jo 20,11-23). No texto do evangelho segundo Lucas (Lc 24,13-35), Jesus ressuscitado caminha com os discípulos de Emaús, reafirmando a presença viva de Deus que nunca abandona o seu povo. O Ressuscitado se faz presente na escuta e compressão da Palavra: “Não estava ardendo o nosso coração, quando ele nos falava pelo caminho e nos abria as Escrituras?”. Os olhos dos discípulos se abrem verdadeiramente, quando repetem os gestos de acolhida de Jesus “fica conosco”, e da entrega de sua vida por amor “tomou o pão, abençoou, partiu e deu a eles” (22,19; 24,30).

A Leitura dos Atos dos Apóstolos (At 10,34a.37-43) é um anúncio querigmático sobre Jesus de Nazaré, o Ungido de Deus que passou a vida fazendo o bem e curando todos os males; foi morto pelas autoridades, mas “Deus o ressuscitou no terceiro dia” e permanece na vida da comunidade como “o Senhor de todos” (10,36). O salmo 118(117), ação de graças a Deus pelas vitórias que dá ao seu povo, celebra a esperança de nossa libertação definitiva na ressurreição de Cristo: “Este é o dia que o Senhor fez para nós; alegremo-nos e nele exultemos”! A Leitura da Carta aos Colossenses (Cl 3,1-4) reflete a experiência de morte e ressurreição pela fé batismal (Cl 2,12), que faz trilhar o caminho da vida nova, buscando as coisas do alto, os valores do Reino anunciados por Jesus.

 A leitura orante da Palavra faz arder o nosso coração e permanecer vigilantes, nesse momento em que a prioridade deve ser a vida das pessoas. O Papa Francisco nos alerta: sabemos que defender as pessoas supõe um prejuízo econômico. Mas seria triste se o oposto fosse escolhido, o que levaria à morte muitas pessoas, algo como um “genocídio viral” (carta enviada a Roberto Andrés Gallardo). O Ressuscitado caminha conosco, suscitando “novas formas de hospitalidade, de fraternidade e de solidariedade”. Cantemos com esperança: “Da região da morte cesse o clamor ingente: Ressuscitou! exclama o anjo refulgente. Jesus, perene Páscoa, a todos alegrai-nos. Nascidos para a vida, da morte libertai-nos. Louvor ao que da morte ressuscitado vem, ao Pai e ao Paráclito eternamente. Amém”. (hino de Laudes, no Domingo da Páscoa).

Fonte: site da Revista de Liturgia

CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2020: "Viu, sentiu compaixão e cuidou dele", Lc 10,33-34

A Campanha da Fraternidade é o modo com o qual a Igreja no Brasil vivencia a Quaresma. Há mais de cinco décadas, ela anuncia a importância de não se separar conversão e serviço à sociedade e ao planeta. A cada ano, um tema é destacado, assim, a Campanha da Fraternidade já refletiu sobre realidades muito próximas dos brasileiros: família, políticas públicas, saúde, trabalho, educação, moradia e violência, entre outros enfoques.

Em 2020, a CF convida, por meio de seu texto-base, a olhar de modo mais atento e detalhado para a vida. Com o tema “Fraternidade e Vida: Dom e Compromisso” e lema “Viu, sentiu compaixão e cuidou dele” (Lc 10,33-34), busca conscientizar, à luz da palavra de Deus, para o sentido da vida como dom e compromisso, que se traduz em relações de mútuo cuidado entre as pessoas, na família, na comunidade, na sociedade e no planeta, casa comum. 

Sobre a CF 2020

Lançado pela editora da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a Edições CNBB, o texto-base convida a um olhar que se eleva para Deus, no mais profundo espírito quaresmal, e volta-se também para os irmãos e irmãs, identificando a criação como presente amoroso do Pai. No texto, a presidência da CNBB afirma que a Campanha será uma motivação para olhar transversalmente as diversas realidades, interpelando a todos ao respeito do sentido que, na prática, se atribui à vida, nas suas diversas dimensões: pessoal, comunitária, social e ecológica.

“Não se pode viver a vida passando ao largo das dores dos irmãos e irmãs”, diz um trecho do texto base. Versentir, compaixão cuidar são os verbos de ação que irão conduzir este tempo quaresmal. Para isso, o texto-base que é dividido em três partes, convida que cada pessoa, cada grupo pastoral, movimento, associação, Igreja Particular e o Brasil inteiro, motivados pela Campanha da Fraternidade, possam ver fortalecida a revolução do cuidado, do zelo, da preocupação mútua e, portanto, da fraternidade.

HINO DA CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2020

O autor da letra é o padre José Antônio de Oliveira, 67 anos, da paróquia São João Batista de Barão de Cocais da arquidiocese de Mariana (MG). Segundo ele, o hino tem o poder de levar a mensagem central da campanha da fraternidade para todo o Brasil. “É uma semente que será semeada por aí. Não deixa de ser uma alegria muito grande evangelizar por meio da música”, disse.

O religioso já teve outras letras de música escolhidas para concursos da CNBB, entre elas o canto de comunhão: “Vamos Juntos para a Mesa”, da CF 2002, musicada por Lucas de Paula Almeida.

Processo de escolha –  31 propostas de letra para o hino da CF 2020 chegaram à CNBB após a prorrogação do edital de concurso nacional até 22 de julho de 2019. A Comissão Episcopal Pastoral para a Liturgia da CNBB fez uma triagem entre todas as propostas e pré-selecionou 5 letras que foram apresentadas em reunião do Conselho Episcopal Pastoral (Consep) da entidade. Entre as cinco finalistas, os bispos, membros do Consep, escolheram o hino.

A próximo passo segundo o irmão Fernando Benedito Vieira, assessor do Setor de Música Litúrgica da CNBB, será colocar a música na letra, o que será feito com o apoio de uma equipe composta de cinco peritos em música litúrgica. A proposta é que em um mês a versão final de letra com a música seja apresentada para a Comissão para a Liturgia da CNBB para a aprovação final.

Conheça a letra do Hino da Campanha da Fraternidade 2020:

Tema: Fraternidade e Vida: Dom e Compromisso
Lema: “Viu, sentiu compaixão e cuidou dele” (cf. Lc 10,33-34)
Autor: Pe. José Antonio de Oliveira

1) Deus de amor e de ternura, contemplamos
este mundo tão bonito que nos deste. (Cf. Gn 1,2-15; 2,1-25)
Desse Dom, fonte da vida, recordamos: (Cf. SI 36,10)
Cuidadores, guardiões tu nos fizeste. (Cf. Gn 2,15)

Peregrinos, aprendemos nesta estrada
o que o “bom samaritano” ensinou:
Ao passar por uma vida ameaçada,
Ele a viu, compadeceu e cuidou. (Cf. Lc 10,33-34)

2) Toda vida é um presente e é sagrada,
seja humana, vegetal ou animal. (Cf. LS, esp. Cap. IV)
É pra sempre ser cuidada e respeitada,
desde o início até seu termo natural.

3) Tua glória é o homem vivo, Deus da Vida; (Cf. Santo Irineu)
ver felizes os teus filhos, tuas filhas;
é a justiça para todos, sem medida; (Cf. Am 5,24)
É formarmos, no amor, bela Família.

4) Mata a vida o vírus torpe da ganância,
da violência, da mentira e da ambição.
Mas também o preconceito, a intolerância.
O caminho é a justiça e conversão. (Cf. 2Tm 2,22-26)

HINO DA CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2020

Vamos participar da 33ª Semana de Liturgia 2019?

Já saiu todos os detalhes para aqueles já que marcaram a data de 21 a 25 de outubro de 2019 na agenda. A semana de liturgia deste ano acontece, pela primeira vez, em Itaici, Indaiatuba. Até a edição 32ª, o local era no Espaço Anhanguera – Centro Pastoral Santa Fé, também dos Jesuítas, em São Paulo. Em 2018 o Centro Pastoral Santa Fé informou que o local passará por reformas. Deste modo foi necessário encontrar um novo local que comportasse o número de participantes, bem como toda a estrutura necessária ao evento.  Nesta 33ª edição, com o tema “Novo impulso à reforma litúrgica no Brasil: contribuições do pontificado do Papa Francisco”, o Centro de Liturgia Dom Clemente Isnard, com parceria com a Rede Celebra e a Faculdade Unisal convida a todos que desejam participar deste aprofundamento.

Desde o momento em que assumiu a cátedra de Pedro, o Papa Francisco, bispo de Roma, tem se mostrado uma pessoa de palavras e gestos profundamente significativos para a vida
da Igreja. Como um filho legítimo do Concilio Vaticano II, tem convocado à Igreja a retomar o caminho central indicado pela assembleia conciliar à luz da experiência originária: Ser Igrejas Discípula de Jesus, pobre, a serviço dos pobres. Este é o eixo do pontificado de Francisco como foi do Concilio, assumido criativamente em nossa América Latina por Medellín. E é em função de uma Igreja viva, que Francisco defende uma liturgia viva. Aos participantes da 68ª Semana de Liturgia, Itália, recordou que “não se trata de reconsiderar a reforma revendo as suas escolhas, mas de conhecer melhor as razões subjacentes (…), assim como de interiorizar os seus princípios inspiradores e de observar a disciplina que a regular”. E afirma “com autoridade magistral que a reforma litúrgica é irreversível” (RL 267, p. 17]. Recentemente, na assembleia plenária da Congregação para o Culto Divino [RL, 273, p. 29), enfatizou a importância da formação litúrgica para o povo, para o clero e demais ministros, porque a “a liturgia é a via mestra através da qual passar a vida cristã em todas as fases do seu crescimento”. Diante dos ataques e retrocessos que ameaçam os princípios ditados pela Sacrossanctum Concilium, nos anima e encoraja o Papa Francisco, a retomar o processo que vivemos no Brasil, graças ao árduo trabalho da CNBB. É sobre este caminho que está à nossa frente, que vamos nos debruçar nesta 33ª semana de Liturgia.

As inscrições podem ser feitas, em breve, no site www.centrodeliturgia.com.br. Enquanto isto, verifiquem todas as informações necessárias para participação nestes evento:

I.DATA

21 a 25 de outubro de 2019 (de segunda a sexta-feira)
Início: 21/10 (segunda-feira) às 12h (com almoço)
Término: 25/10 (sexta-feira) às 12h (com almoço)
*Exige-se permanência integral no evento devido a sua metodologia.

II.LOCAL

Mosteiro de Itaici
Rodovia José Boldrini, 170 | Bairro Itaici | Indaiatuba – SP
Telefones: Geral: (19) 2107-8500 | Secretaria: (19) 2107-8501 | (19) 2107-8502
www.itaici.org.br

 

A – Hospedagem: R$660,00 (total)

  • Do dia 21/10, às 12h (com almoço) ao dia 25/10, às 12h, (com almoço).
  • Para chegadas após o almoço do dia 21/10 (segunda-feira) e saídas antes do almoço do dia 25/10 (sexta-feira) é preciso informar a casa para obter os devidos descontos e também para a programação interna.
  • A casa não dispõe de quartos individuais.
  • Neste valor não está incluso o kit cama/banho, ou seja, cada participante deve trazer o seu.
  • O participante que não trouxer kit cama/banho poderá usar o oferecido pela própria casa de encontros, no valor de R$25,00 (por kit).
  • Para aqueles(as) que chegarem Domingo (20/10) o valor da pernoite é R$80,00 (com café da manhã).
  • Para aqueles(as) que chegarem na manhã do dia 21/10 (segunda-feira) e desejarem tomar café da manhã (até às 09h) o valor é R$15,00.
  • Check-out realizado após às 14h do dia 25/10 (sexta-feira) incorre no acréscimo de uma nova diária (R$160,00).

 

B – Formas de pagamento:

*Pagamento antecipado: boleto bancário ou transferência bancária direto com o Mosteiro.

*No dia da entrada na recepção do Mosteiro: cartão de débito/crédito ou dinheiro.

*A casa não aceita cheques

 

C – Como chegar:

  • Aeroporto Internacional Viracopos – Campinas: é o aeroporto mais próximo do Mosteiro de Itaici. Segundo informações obtidas através do Google Maps o trajeto é de 17,3km, 22 min (aprox) de carro. Segundo informações da casa de encontros o mais comum é fazer este trajeto por meio de táxi e/ou aplicativos de mobilidade urbana (Uber, 99pop, etc).
  • Campinas-Indaiatuba: transitar pela Rod. SP-75 até chegar a Saída 57-C e Sorocaba-Indaiatuba, Saída 55-A, saindo na Av. Cel. Antonio Estanislau do Amaral / Estr. Municipal Indaiatuba-Itupeva / Rod. José Boldrini. Manter-se nesse percurso até passar a ponte do Rio Jundiaí. A entrada fica à direita em frente a E.E. Joaquim Pedroso de Alvarenga.
  • São Paulo-Indaiatuba: transitar pela Rod. dos Bandeirantes até a Saída 88. Fazer o contorno no pontilhão entrando para a Rod. SP-75. Manter-se no percurso até encontrar a Saída 57-C, saindo na Av. Cel. Antonio Estanislau do Amaral / Estr. Municipal Indaiatuba-Itupeva / Rod. José Boldrini. Manter-se nesse percurso até passar a ponte do Rio Jundiaí. A entrada fica à direita em frente a E.E. Joaquim Pedroso de Alvarenga.
  • Sorocaba e região: seguir pela Rod. Sen. José E. de Moraes até chegar a Rod. Dep. Archimedes Lammoglia, manter-se no percurso até encontrar a Rod. Pref. Hélio Steffen. Siga nessa rota até encontrar a Rod. Eng. Ermênio de Oliveira Penteado, mantenha-se nesse percurso até encontrar à sua direita a Saída 55-A, saindo na Av. Cel. Antonio Estanislau do Amaral / Estr. Municipal Indaiatuba-Itupeva / Rod. José Boldrini. Manter-se nesse percurso até passar a ponte do Rio Jundiaí. A entrada fica à direita em frente a E.E. Joaquim Pedroso de Alvarenga.
  • Rio de Janeiro-Indaiatuba: acesso pela Rod. Dom Pedro I, até a rotatória que leva a Rod. Anhanguera, seguir até encontrar a Rod. Alberto Panzan. Continuar em frente até a Rod. Bandeirantes, seguindo até chegar a Rod. SP-75.
  • Ônibus (VB Transportes)– Informações pelo telefone (19) 3875-2342 ou pelo site vbtransportes.com.br
    VB Transportes mantém horários diários de Campinas-Indaiatuba e São Paulo-Indaiatuba. De Indaiatuba ao bairro Itaici é preciso tomar táxi ou ônibus circular. O circular da Viação Guaianazes (Linhas: Engenho, Terras de Itaici ou Vale das Laranjeiras) passa no portão de entrada do Mosteiro de Itaici, sendo necessário andar 1,2Km até a recepção da casa.

III.INSCRIÇÕES

Direto pelo site: www.centrodeliturgia.com.br (em breve)
*Investimento: R$ 250,00
*Após o pagamento da inscrição o valor não será devolvido.
*Vagas limitadas: 250.

IV.INFORMAÇÕES

  1. Trazer o Ofício Divino das Comunidades.
  2. Trazer comidas e bebidas típicas da sua região para a Confraternização.
  3. Para um maior aproveitamento da Semana de Liturgia recomenda-se que os participantes leiam:

Discurso do Santo Padre o Papa Francisco aos participantes da Semana de Liturgia de Roma.

*O discurso será enviado por e-mail às pessoas que realizarem a sua inscrição.

Outras dúvidas e informações escreva para o e-mail: secretaria@centrodeliturgia.com.br ou pelo telefone (whatsapp) [41] 9-9883-2313 (TIM), com Arnaldo (Secretário, CLDCI)

V.REALIZAÇÃO

 

Baixe TODAS  ESTAS INFORMAÇÕES em PDF: 

33ª Semana de Liturgia 2019

 

CENTRO DE LITURGIA TEM NOVA DIRETORIA

Os membros do Centro de Liturgia Dom Clemente Isnard, reunidos em Assembleia Geral Ordinária nos dias 22 e 23 de março de 2019, elegeram a nova Diretoria para o triênio 2019-2021:

Coordenadora: Ir. Veronice Fernandes, PDDM
Vice-coordenador: Prof. Márcio Antônio de Almeida
Secretário geral: Prof. Arnaldo Antonio de Souza Temochko
Tesoureiro: Pe. Hernaldo Pinto Farias, SSS
Vice-tesoureira: Ir. Maria Jeydjane Lunguinho Gomes, PDDM
Conselho fiscal: Pe. Carlos Gustavo Haas; Pe. Francisco Inácio Vieira Junior, SDB; Profa. Elza Helena de Abreu

Expressamos nossa gratidão aos membros da Diretoria anterior pelo frutuoso empenho, e desejamos sucesso à nova gestão.

O Centro de Liturgia Dom Clemente Isnard está a serviço da formação litúrgica de todo o Povo de Deus, em nível nacional, regional e local. Em sua atuação, privilegia cursos, publicações e Semanas de Liturgia. Em parceria com o Centro Universitário Salesiano de São Paulo (UNISAL), proporciona três cursos de Pós-Graduação lato sensu (Especialização) em Liturgia, Música Litúrgica e Espaço Litúrgico, Arquitetura e Arte Sacra.

Um pouco da nossa história
Segundo a Profa. Elza Helena de Abreu, o Centro de Liturgia é uma associação de natureza educativa, vinculada à Igreja Católica, constituída por um grupo de liturgistas que se dedica ao estudo, à formação, à pesquisa e à produção cientifica na área da liturgia. Com sede em São Paulo, nasceu também nesta cidade. No dia 18 de novembro de 1986, Dom Paulo Evaristo Arns, em conjunto com os bispos de São Paulo, aprovou a criação do Centro de Liturgia, a partir da apresentação de um texto com o título: “Histórico, motivações e ideias para um instituto de liturgia em São Paulo”. Bem mais tarde, em 1994, ainda com o apoio de Dom Paulo, foi oficialmente regulamentada a criação do Centro de Liturgia, integrado à Pontifícia Faculdade de Teologia Nossa Senhora da Assunção. O regimento interno, elaborado pela Faculdade em conjunto com o Centro, foi assinado no dia 1º de julho de 1994 pelo diretor da Faculdade, o Cônego José Adriano, e, como representante do Centro, o Pe. Gregório Lutz. Foram quatro os membros fundadores: Pe. Gregório Lutz, Pe. Marcelino Sivinski, Ione Buyst, Pe. Armando João Henn. Com o tempo, juntaram-se a estes outros competentes liturgistas.

Conta o Pe. Gregório que a pré-história do Centro começou quando nos anos 70 borbulharam na capital paulista diversas atividades em favor da liturgia, do seu conhecimento aprofundado e da sua celebração mais inculturada. Realizaram-se, sobretudo na Faculdade de Teologia da Arquidiocese de São Paulo, semanas e meses de estudos na área da liturgia e cursos de canto litúrgico. As Pias Discípulas do Divino Mestre começaram a publicar a revista “A Vida em Cristo e na Igreja”, que hoje se chama “Revista de Liturgia”.

Os liturgistas que promoviam esse trabalho de formação litúrgica deram-se conta de que não deviam se limitar às boas condições presentes em São Paulo para um incremento da liturgia. Constatou-se que no Brasil afora quase não havia liturgistas formados ou bem preparados para ensinar nas Faculdades de Teologia e nos Seminários. Também os leigos precisavam de formação litúrgica de qualidade. Um passo para atingir esta meta eram os encontros anuais dos liturgistas promovidos pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Diante da falta de formação litúrgica científica de professores, foi criado na Faculdade da Assunção um Curso de Especialização em Liturgia. Dom Paulo Evaristo Arns, por meio de um decreto com data de 20 de dezembro de 1983, reconheceu tal curso como Seção de Liturgia, com o direito de promover também a formação acadêmica para Mestre e Doutor em Teologia dogmática, com Especialização em Liturgia.

Os membros do Centro de Liturgia foram os responsáveis pela programação dos cursos e por todas as outras atividades do Centro: a nova Especialização em Liturgia, que se realizava durante quatro meses no primeiro semestre de cada ano; o Curso de Atualização em Liturgia, durante o mês de janeiro; a Semanas de Liturgia a cada ano em outubro; a publicação do Boletim do Centro de Liturgia; os Cadernos de Liturgia; assessorias dos mais diversos tipos, e colaboração com a Comissão Nacional de Liturgia da CNBB.

Merece destaque a metodologia de estudo da liturgia, que o Centro desenvolveu e vem promovendo em suas atividades formativas. Ela foi elaborada no próprio Centro. Leva em consideração o contexto eclesial e segue o método ver-julgar-agir. Parte da constatação e análise de práticas celebrativas bem concretas (primeiro passo); confronta e reflete teologicamente sobre esta realidade à luz da Sagrada Escritura e da Tradição (segundo passo); para assim chegar a conclusões e propostas concretas para o aperfeiçoamento destas práticas, a serviço da vida e missão da Igreja (terceiro passo). Muitas vezes, o objetivo final dos trabalhos acadêmicos são sugestões para a inculturação da liturgia no Brasil e na América Latina.

Quem deseja aprofundar este assunto poderá ler os seguintes textos: Lutz, Gregório. Ione Buyst e o Centro de Liturgia da Pontifícia Faculdade de Teologia Nossa Senhora da Assunção em São Paulo-SP. In: Sivinski, Marcelino; Silva, José Ariovaldo da (orgs.). Liturgia no coração da vida. São Paulo: Paulus 2006, p. 27-31. Buyst, Ione. Formação litúrgica. Memória pessoal: Centro de Liturgia, 1985-2006. 2. ed. Ribeirão Preto: s/ed., 2010.

O Centro de Liturgia Dom Clemente Isnard, em parceria com o UNISAL
Uma parceria com uma entidade acadêmica reconhecida também pelos órgãos civis é indispensável para um Centro de Liturgia que queira fornecer aos alunos dos seus cursos certificados e diplomas reconhecidos pelo Ministério da Educação.

Ora, quando a Faculdade de Teologia Nossa Senhora da Assunção estava em fase de integração plena na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, no dia 19 de fevereiro de 2009 o então diretor da Faculdade informou que o Centro de Liturgia não poderia acompanhar o processo de integração na PUC-SP. Com a finalidade de garantir a realização dos seus projetos, os membros do Centro decidiram fazer uma proposta de parceria ao UNISAL – Centro Universitário Salesiano de São Paulo, Unidade São Paulo, Campus Pio XI, que foi prontamente acolhida pelo diretor do Curso de Teologia, o Prof. Dr. Pe. Ronaldo Zacharias, que veio a tornar-se Reitor do UNISAL (de 2012 a 2017). As atividades do Centro de Liturgia continuaram sem interrupção, exceto o Curso de Especialização que foi retomado no ano de 2012, com uma nova forma, como Curso de Pós-graduação lato sensu em Liturgia. Atualmente é realizado intensivamente, e com grande procura, em três meses de julho em anos consecutivos, com um total de 400 horas aula.

O título atual do Centro foi decidido na reunião ordinária de novembro de 2009, de modo que de lá em diante passou a ser chamado de Centro de Liturgia Dom Clemente Isnard. Esta foi uma forma de homenagear a Dom Clemente, porque este grande bispo, liturgo e liturgista beneditino (1917-2011) acompanhou a renovação da liturgia no Brasil desde os primeiros momentos do Movimento Litúrgico no Rio de Janeiro, sua cidade natal; ele participou de todas as sessões do Concílio Vaticano II, cujo primeiro documento publicado foi a Constituição sobre a Sagrada Liturgia Sacrosanctum Concilium. Depois do Concílio, em Roma, ele foi membro do Conselho para a Execução da Reforma Litúrgica; durante mais de vinte anos participou e presidiu a Comissão Nacional de Liturgia da CNBB, e também, por vários anos, o Departamento de Liturgia do CELAM.

Oramos a Deus para continuarmos a honrar o legado do Concílio Vaticano II, de Medellín e Puebla, de Santo Domingo e Aparecida e de Dom Clemente Isnard.

Fonte: site CENTRO DE LITURGIA

32º Aniversário de morte de Madre Escolástica Rivata

No aniversário 32º aniversário da pascoa da Venerável Escolástica, a Família Paulina esteve reunida na celebração da Eucaristia, neste 3º Domingo da Quaresma.
Na palavra de Jesus o apelo continuo à conversão, concretizada na atitude de serviço e entrega gratuita ao Reino, ecoava no testemunho de Moisés, na experiência do encontro com Deus sendo instrumento de libertação, solidário com os que sofrem injustamente. Madre Escolástica bebeu desta fonte inesgotável do Ano Litúrgico e soube reverter em testemunho de vida seu amor à Eucaristia, às pessoas.

Úrsula nasceu em Guarene Itália, no dia 12 de julho de 1897. É a primeira entre quatro filhos do casal Antonio Rivata e Lúcia Alessandria. Úrsula teve duas irmãs e um irmão, que viveu apenas dez meses após a morte da mãe, a qual faleceu quando Úrsula tinha somente seis anos de idade. O pai casou-se novamente e educou suas filhas em ambiente familiar de valores humanos e cristãos.

A pequena Úrsula se destacava na escola e entre as colegas, por sua sensibilidade, inteligência e capacidade de iniciativa. Aos sete anos foi admitida à primeira comunhão e recebeu o sacramento da confirmação em 1909. Fortalecida no empenho cristão, participa do coral da paróquia e experimenta, na sua adolescência e juventude, vários tipos de trabalho, desde a lavoura à fábrica de seda. Isso a colocou em contato com diversas realidades sociais e contribuiu para o seu crescimento.

O pai, Antonio, se orgulha de suas três belas filhas, e como bom e vigilante patriarca, dirige-se um dia a Úrsula para lhe dizer que um rapaz a pediu em casamento, acrescentando: É um bom jovem e tem também algumas posses; com ele você poderá ter uma vida feliz. Quarenta anos mais tarde, narrando este episódio, Úrsula escreve: …depois da Missa, vindo para casa, diante de uma bela estátua do Sagrado Coração… eu lhe disse: Senhor, só Tu e basta. Desci a escada e fui ter com papai e dizer-lhe: não, não aceito a mão dele.

Com a expressão Senhor, só tu e basta, a jovem Úrsula diz o seu “sim” Àquele que por primeiro a escolheu e que, a partir daquele momento lhe pedirá para ser “o Único” da sua vida, “na alegria e na dor, na saúde e na doença, na pátria e no exílio…” Embora já tenha atingido a maioridade, a sua decisão provoca certo contraste na família, acolhido por ela como uma prova que a reforça ainda mais na decisão.

Úrsula continua a sua formação lendo muito. A paixão pela leitura, na busca de bons livros, leva-a ao encontro de um grande apóstolo dos tempos modernos: padre Tiago Alberione o qual, sem rodeios, enquanto procura o livro pedido por ela, e depois num breve diálogo, lhe diz: Quando você vem para a casa São Paulo? A partir disso tendo já vinte e quatro anos, sente-se impulsionada a romper com as demoras e a oposição da família.

Acompanhada pelo pai, no dia 29 de julho de 1922, Úrsula entrou na aventura que a conduziu nos insondáveis caminhos do Senhor. No vivaz contexto das primeiras fundações paulinas, no dia 21 de novembro de 1923, padre Alberione diz: Separai para mim Úrsula e Matilde, para a obra à qual as destinei. Assim começou a escolha de Úrsula para iniciar a nova fundação juntamente com outras seis jovens que a própria Úrsula ajudará escolher dentre as jovens do grupo feminino já existente.

O dia 10 de fevereiro de 1924, memória de Santa Escolástica, foi escolhido pelo padre Alberione para o início da nova fundação. No dia 25 de março do mesmo ano, festa da Anunciação, este grupo de oito jovens, faz sua manifestação oficial com o hábito religioso e a profissão dos votos. Recebem um nome novo e Úrsula torna-se Irmã Escolástica da Divina Providência.

No mesmo dia inicia aquele que será o seu trabalho principal: a Adoração Eucarística e o viver como irmã e mãe ao lado dos Sacerdotes e Discípulos da Sociedade São Paulo. Desde estes inícios, Madre Escolástica Rivata passa a ser a colaboradora em Cristo com Padre Alberione, para a realização do carisma das Pias Discípulas do Divino Mestre. Com vinte e oito anos é a responsável pela nova família que surge e, a partir deste momento, pode-se ler a história de Escolástica somente seguindo passo a passo o caminho das Pias Discípulas.

Ela foi a primeira sobre a qual o bem-aventurado Tiago Alberione havia posto o olhar para dar vida à nova fundação e é a última do primeiro núcleo das oito a concluir, podemos assim dizer, o arco fundacional. No dia 24 de março de 1987, Madre Escolástica conclui seu peregrinar terreno. Dia 13 de março de 1993, em Alba, inicia-se o processo diocesano para a beatificação e canonização de Madre Escolástica Rivata. Ela foi proclamada Venerável pelo papa Francisco no dia 9 de dezembro de 2013 e agora continua o processo para o próximo passo, a beatificação.