6º DOMINGO DA PÁSCOA – ANO C: O ESPÍRITO VOS RECORDARÁ TUDO O QUE EU VOS DISSE.

📖 Leituras:

  • 1ª Leitura: Atos dos Apóstolos 15,1-2.22-29
  • Salmo: 66(67),2-3.5.6 e 8 (R. 4)
  • 2ª Leitura: Apocalipse 21,10-14.22-23
  • Evangelho: João 14,23-29

Neste 6º Domingo da Páscoa, a liturgia nos convida a contemplar a presença viva do Senhor ressuscitado que prepara a sua comunidade para a missão no mundo, guiada pela força do Espírito Santo.

1ª Leitura: Atos dos Apóstolos 15,1-2.22-29

O relato do Concílio de Jerusalém nos mostra uma Igreja nascente, confrontada com desafios de unidade diante da diversidade. A questão era: os cristãos vindos do paganismo deveriam seguir as práticas da Lei judaica? A resposta, fruto do discernimento comunitário, é clara: “Decidimos, o Espírito Santo e nós” (v.28). Este é um marco eclesial que revela que a verdadeira comunhão se constrói na escuta do Espírito e no respeito às diferenças, sem impor fardos desnecessários.

A comunidade pascal é chamada a ser espaço de acolhida, unidade e liberdade no seguimento de Jesus.

Salmo 66(67)

O salmista eleva um cântico de louvor, pedindo que a bênção de Deus se estenda a todos os povos: “Que as nações vos glorifiquem, ó Senhor, que todas as nações vos glorifiquem!”. Este salmo ecoa o desejo missionário da Igreja, que, iluminada pelo Ressuscitado, deseja que todos conheçam a sua salvação e experimentem sua misericórdia.

2ª Leitura: Apocalipse 21,10-14.22-23

A visão da Jerusalém Celeste, descendo do céu, é um sinal de esperança escatológica. Ela representa a plenitude da comunhão entre Deus e a humanidade. Essa cidade não necessita de templo, pois “o Senhor Deus Todo-poderoso e o Cordeiro são seu templo” (v.22). A luz de Cristo ilumina a vida, e suas portas estão sempre abertas, acolhendo todos os povos.

A comunidade pascal, hoje, é chamada a ser sinal desta cidade santa, testemunhando a luz de Cristo que dissipa toda treva.

Evangelho: João 14,23-29

Neste trecho do discurso de despedida, Jesus oferece palavras de consolo e promessa. O amor a Ele se manifesta na escuta e na prática de sua palavra: “Se alguém me ama, guardará minha palavra, e meu Pai o amará, e nós viremos e faremos nele a nossa morada” (v.23).

Ele promete o Paráclito, o Espírito Santo, que ensinará e recordará tudo o que Ele revelou. O dom da paz que Jesus oferece não é uma paz passageira, mas a certeza da presença de Deus no coração dos discípulos, sustentando-os na missão e nos desafios da vida.

Este domingo insere-se na preparação imediata para a Ascensão e Pentecostes. A Igreja, nascida da Páscoa, é formada na escuta da Palavra, fortalecida pela presença do Espírito e enviada para testemunhar o amor de Deus no mundo.

A liturgia destaca:

  • A comunhão que vence as divisões (Atos).
  • A missão universal, que brota da Páscoa (Salmo).
  • A esperança escatológica na plena comunhão com Deus (Apocalipse).
  • A presença amorosa de Deus, que habita nos corações dos que guardam sua Palavra (Evangelho).

Oração Final

Senhor Jesus, que prometestes o Espírito da Verdade para consolar e conduzir a vossa Igreja, fortalecei-nos no amor e na escuta da vossa Palavra. Que sejamos sinal de unidade, paz e esperança no mundo, testemunhando a luz da vossa ressurreição. Amém.

VISITA FRATERNA DO GOVERNO GERAL DAS PIAS DISCÍPULAS NO BRASIL /2025

De 12 de maio a 27 de junho de 2025, as Irmãs M. Bernardita Meraz Sotelo e Kanikai Mary, do Governo Geral das Pias Discípulas do Divino Mestre, realizam a Visita Fraterna de Formação e Verificação à Província do Brasil.

Este importante momento de comunhão, acompanhamento e fortalecimento da missão congregacional inclui encontros formativos, diálogos fraternos, momentos de oração e visitas às comunidades. A presença das Irmãs do Governo Geral reforça os vínculos de unidade e anima o caminho de fidelidade carismática e missionária.

Percurso da Visita

  • São Paulo (Casa Provincial, Comunidades Madre Escolástica, Rainha dos Apóstolos, Timóteo Giaccardo e Paulo Apóstolo) – Acolhida, encontros formativos e atendimentos às Irmãs.
  • Rio de Janeiro – Visita à comunidade, ao Centro de Apostolado Litúrgico e a Casa Betânia.
  • Caxias do Sul/RS – Encontro com a comunidade local.
  • Cabreúva/SP (Comunidade Divino Mestre e Nazaré) – Formação, convivência fraterna e presença nos setores de apostolado litúrgico.
  • Brasília/DF – Encontro com a comunidade e Centro de Apostolado Litúrgico.
  • Manaus/AM e Codajás/AM – Visita às comunidades da Região Norte, na missão em contexto amazônico.
  • Belo Horizonte/MG – Formação e acompanhamento da comunidade.
  • Olinda/PE (Região Nordeste) – Encontro formativo, visita fraterna e visita do Centro de Apostolado Litúrgico.
  • Retorno à Casa Provincial (São Paulo) – Encerramento com formação direcionada ao Governo Provincial.

Durante a visita, está prevista também uma peregrinação ao Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, no contexto do Ano Jubilar de 2025, como expressão de gratidão e renovação da fé. A visita fraterna é uma oportunidade de escuta, partilha e renovação espiritual, fortalecendo os laços que unem a Congregação em sua missão de ser presença viva do Mestre no mundo.

Algumas fotos:

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O LIVRO DOS SALMOS

“Todo ser que respira louve o Senhor! Aleluia!” (Sl 150,6)

Na tradição cristã, o livro de orações do antigo Israel, de Jesus de Nazaré e da Igreja recebeu o nome de Salmos, palavra grega usada para traduzir o termo hebraico mais presente nos títulos colocados acima de diversas orações (ver, por exemplo, mizmor em Sl 3,1).  O termo indica uma oração em forma de recitação poética, ou seja, cantada com o acompanhamento de instrumentos de cordas. A expressão grega Saltério, também utilizada pelos cristãos para o conjunto dos Salmos, refere-se ao instrumento musical lira. O povo judeu chama o livro dos Salmos de louvores (em hebraico, tehilim), pois as muitas orações em forma de lamentações, preces e súplicas irão resultar em um louvor múltiplo (Sl 150,6).  Os salmos, com sua linguagem poética fundamentada nos paralelismos, nas metáforas e, sobretudo, no diálogo dramático, parecem corresponder à experiência de fé que o orante é convidado a fazer, haja vista esta envolver as experiências do dia em sua conversa com Deus.  

Os salmos podem ser classificados de acordo com determinados gêneros literários. Existem hinos, com os elementos característicos de um apelo, que convidam os ouvintes-leitores ao louvor, sendo depois apresentada a justificativa do louvor. Além disso, há lamentações individuais e coletivas, as quais apresentam uma invocação (muitas vezes com a menção do nome de Deus), a descrição do sofrimento (por vezes acompanhada de perguntas sobre a origem do mal) e  a formulação da prece ou súplica; é possível que declarações de confiança ou promessas de louvor acompanhem as lamentações. Às lamentações correspondem os cantos de ação de graça, nos quais se narra, sobretudo, como Deus salvou o fiel ou a comunidade dos fiéis, suscitando nos últimos o agradecimento. Além disso, certas temáticas – por exemplo, a realeza do Senhor, a figura messiânica do rei de Israel, Sião, a história do povo de Deus ou a proposta de vida oriunda da sabedoria – dão origem à formação de paralelismos e, com isso, de grupos de textos no livro dos Salmos.[1]

Organização do livro dos Salmos

Os salmos, que são principalmente composições anônimas, foram vivenciados e transmitidos de forma oral antes de serem escritos. A memória da ação salvífica do Senhor foi conservada viva ao longo da história, especialmente através do culto, das celebrações. Vários indícios nos salmos refletem um contexto cultual, com alusões a festas, procissões, sacrifícios, bênçãos etc. A formação do livro dos Salmos, reunindo cento e cinquenta orações, durou muito tempo até adquirir a forma atual no século II a.C. Trata-se de uma obra organizada literalmente como indicam quatro fórmulas doxológicas (Sl 41,14; 72,18-19; 89,53; 106,48), que marcam a divisão do livro dos Salmos em cinco grandes partes com uma  estrutura paralela ao Pentateuco (Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio). Assim, os Salmos exprimem adesão comprometida do povo de Deus ao caminho de instrução proposto na Torá.  Os salmos chamados aleluiáticos (Sl 146–150) servem como doxologia conclusiva da quinta parte do livro e de todo o Saltério. Sendo que o livro dos Salmos fora introduzido pelos Sl 1–2, os quais oferecem a chave de interpretação mediante a espiritualidade da Torá e a esperança do Messias.

Salmo 150: O último aleluia

Com esse coro em aleluia, encerra-se a coleção dos Salmos. É um suntuoso, grande e solene canto de louvor ao Senhor, é a última mensagem do Saltério. Uma sequência de aleluia acompanha a orquestra do Templo, a qual é integralmente convocada com o shofar, o tamborim, a harpa, a cítara, os tímpanos, as cordas, a flauta e os címbalos. Mas, no final ergue-se um som supremo: é o respiro de cada ser vivente que se torna oração e louvor (v. 6). Com esse canto cósmico, frequentemente transformado em música, encerram-se os tehilim, os louvores, como os hebreus chamaram os Salmos.[2]

A tradição cristã reconheceu a incomparável riqueza dos Salmos. O Concílio Vaticano II lhes deu lugar de destaque na Liturgia da Palavra (Salmo responsorial) e na renovada Liturgia das Horas. As numerosas alusões ao Saltério e as citações do mesmo demonstram que o livro dos Salmos foi o preferido por autores do Novo Testamento. O evangelista Lucas designa com o título de Salmos (Lc 24,44), a terceira parte do Antigo Testamento (os Escritos, colocados após o Pentateuco e os Profetas). Jesus de Nazaré acolheu os Salmos como orações em sua vida, especialmente nas controvérsias e durante a sua paixão. Gianfranco Ravasi destaca que Jesus em sua última Páscoa cantou o hallel, isto é, a coleção dos Salmos destinados às celebrações litúrgicas solenes (sendo talvez os Sl 113–118 ou o Sl 136: veja Mt 26,30). Imitando Jesus, também a comunidade cristã – sobretudo no tempo jubilar – por meio da Liturgia das Horas e da Palavra, une-se a esse coro que há séculos se eleva a Deus. É significativo, em relação a isso, o apelo: “Que a Palavra de Cristo habite em vós com abundância. Com toda a sabedoria, instruí-vos e aconselhai-vos uns aos outros. Movidos pela graça, cantai a Deus, em vossos corações, com salmos, hinos e cânticos inspirados pelo Espírito” (Cl 3,16).[3]

A Bíblia Nova Pastoral nos convida a descobrir as inúmeras imagens do rosto de Deus nos Salmos. Quem reza um salmo está sempre se perguntando: Quais são os traços do rosto de Deus que transparece em minha prece? E na minha vida?

Colaboração de Irmã Helena Ghiggi,
da congregação Pias Discípulas do Divino Mestre.


[1]  A Bíblia / São Paulo: Paulinas, 2023. 

[2]  Item tirado do livro de Gianfranco Ravasi / Rezar com os Salmos (Cadernos sobre a Oração – 2). Brasília: Edições CNBB, 2024.

[3]  Ibidem.

“PAZ DESARMADA E DESARMADORA AO MUNDO”: PAPA LEÃO XIV EMOCIONA EM SEU PRIMEIRO DISCURSO COMO SUCESSOR DE PEDRO

Em um clima de emoção e esperança, o novo Papa Leão XIV foi apresentado ao mundo neste 08 de maio de 2025, com palavras que tocaram corações e acenderam a fé dos fiéis: “Que a paz esteja convosco.” Assim começou o seu primeiro discurso, pronunciado da sacada central da Basílica de São Pedro, diante de uma Praça repleta de peregrinos e câmeras ligadas ao redor do mundo.

Com uma fala marcada por simplicidade, firmeza e espiritualidade profunda, Leão XIV destacou a missão da Igreja como “ponte” entre Deus e a humanidade, pedindo união, diálogo e caridade: “A humanidade necessita de pontes para que sejam alcançadas por Deus e ao mundo.”

Assumindo o legado do Papa Francisco, a quem agradeceu emocionadamente, o novo pontífice fez ecoar o espírito sinodal da Igreja e recordou sua vocação como agostiniano: “Convosco sou cristão, e para vós bispo.”

Em espanhol, dirigiu-se também com carinho ao povo da sua antiga diocese de Chiclayo, no Peru, reconhecendo a fé viva daquele povo que o formou como pastor.

Encerrando com a oração à Virgem Maria, Leão XIV deixou um apelo ao mundo: “Rezemos juntos por essa nova missão, por toda a Igreja, pela paz no mundo.”

Em seguida, concedeu sua primeira Bênção Urbi et Orbi – à cidade de Roma e ao mundo –, abrindo um novo capítulo na história da Igreja com humildade e determinação.

Abaixo, o seu discurso na íntegra:

“Que a paz esteja convosco. Irmãos, irmãs caríssimos, esta é a primeira saudação do Cristo ressuscitado, o bom pastor, que deu a vida pelo rebanho de Deus. Também eu gostaria que esta saudação, de paz, entrasse no vosso coração, alcançasse vossas famílias, a todas as pessoas. Onde quer que estejam, a todos os povos, a toda a terra, a paz esteja convosco. Esta é a paz de Cristo ressuscitado, uma paz desarmada, uma paz desarmadora, humilde e perseverante, que provém de Deus. Deus que nos ama a todos, incondicionalmente. Ainda conservamos em nossos ouvidos aquela voz frágil, mas sempre corajosa do papa Francisco, que abençoava Roma. O papa que abençoava Roma, dava a sua bênção ao mundo inteiro naquela manhã do dia de Páscoa. Permitam-me dar sequência àquela mesma bênção: Deus nos quer bem, Deus nos ama a todos. O mal não prevalecerá. Estamos todos nas mãos de Deus. Portanto, sem medo, unidos, mão na mão com Deus e entre nós, sigamos adiante. Somos discípulos de Cristo. Cristo nos precede. O mundo precisa da sua luz. A humanidade necessita de pontes para que sejam alcançadas por Deus e ao mundo. Ajudai-nos também vós, unam-se aos outros, a construir pontes, com o diálogo, com o encontro, unindo-nos todos para sermos um só povo, sempre, em paz. Obrigado, papa Francisco. Gostaria de agradecer a todos os irmãos cardeais que me escolheram para ser sucessor de Pedro, e caminharei junto a vós, como Igreja unida, buscando sempre a paz, a justiça, buscando sempre trabalhar como homens e mulheres fiéis a Jesus Cristo. Sem medo, para proclamar o Evangelho. Para sermos missionários. Sou um filho de Santo Agostinho, agostiniano, que disse: “Convosco sois cristão, e para vós bispo”. Nesse sentido, podemos todos caminhar juntos rumo a essa pátria, à qual Deus nos preparou. À Igreja de Roma, uma saudação especial. Devemos buscar juntos como ser igreja missionária, uma igreja que constrói pontes, que dialoga, sempre aberta a receber como esta praça de braços abertos, a todos, todos aqueles que precisam da nossa caridade, da nossa presença, do diálogo, de amor. E se me permitem também uma palavra: [em espanhol] a todos aqueles, de modo particular, à minha querida diocese de Chiclayo no Peru, onde um povo fiel acompanhou o seu bispo, compartilhou a sua fé e deu tanto a mim para seguir sendo igreja fiel de Jesus Cristo. A todos vós irmãos e irmãs, de Roma, da Itália e do mundo inteiro, queremos ser uma igreja sinodal, uma igreja que caminha, que busca sempre a paz, que busca sempre a caridade e busca sempre estar próxima, especialmente daqueles que sofrem. O dia da súplica à Nossa Senhora de Pompeia, nossa mãe Maria quer sempre caminhar conosco, estar próxima, ajudar-nos com a sua interseção e seu amor. Agora gostaria de rezar junto convosco, rezemos juntos por essa nova missão, por toda a Igreja, pela paz no mundo. Peçamos essa graça especial à Maria, nossa mãe.”

Nós, Pias Discípulas do Divino Mestre, acolhemos com alegria o Papa Leão XIV!

Com coração filial e espírito de comunhão, nos unimos a toda a Igreja para dar graças a Deus pelo dom do Santo Padre Papa Leão XIV. Reconhecemos nele o sucessor de Pedro, sinal visível da unidade e guia seguro para o povo de Deus em tempos de grandes desafios e esperanças renovadas.

Como Pias Discípulas, renovamos com entusiasmo nossa oferta de oração e missão ao serviço da Eucaristia, do sacerdócio e da liturgia, em profunda sintonia com o Papa Leão XIV, que inicia seu ministério com coragem evangélica e olhar voltado para Cristo, Caminho, Verdade e Vida.

Acolhemos o Papa Leão XIV com gratidão, esperança e o firme propósito de caminhar em comunhão com ele, colocando nossos dons a serviço da evangelização, da formação litúrgica e da vida espiritual do povo de Deus. Seu sim generoso é para nós sinal de fidelidade e inspiração para vivermos também nossa vocação com renovado ardor.

Confiamos ao Divino Mestre o início deste pontificado, para que o Papa Leão XIV seja sempre guiado pela sabedoria do Espírito Santo, animado pelo amor à Igreja e fortalecido na missão de confirmar os irmãos na fé. Desejamos que sua palavra toque os corações, promova a paz, a justiça e renove a esperança nos caminhos do Evangelho.

Seja bem-vindo, Papa Leão XIV! Com afeto e fidelidade, caminhamos contigo, em comunhão, fé e amor à Igreja.

CURSO DE PÓS-GRADUÇÃO EM LITURGIA

Curso de Especialização em Liturgia
Faculdade Católica do Amazonas

Aprofunde seus conhecimentos litúrgicos com uma formação sólida, contextualizada e em sintonia com os desafios pastorais da Igreja na Amazônia.


Coordenação: Dra. Elisângela Maciel
Carga horária total: 360 horas
Modalidade: Presencial e Híbrido
Duração: Junho de 2025 a Julho de 2026
Horário: Intensivo
Início das aulas: 30 de junho de 2025
Local: Faculdade Católica do Amazonas
Curso com reconhecimento pelo MEC

Parceria: Irmãs Pias Discípulas e Faculdade Católica do Amazonas
Aberto para o Regional Norte 1 da CNBB
Corpo Docente: Mestres e Doutores


Investimento

  • Mensalidade: R$ 430,00
  • Desconto de pontualidade: 10%
  • Valor com desconto: R$ 387,00
  • Parcelamento: 12 vezes

Estrutura Curricular

📚 1ª Etapa (30/06/2025 a 16/07/2025)

  • Inculturação da Liturgia: Exortação Apostólica Querida Amazônia – 24h
  • Introdução à Liturgia – 24h
  • Igreja na Amazônia – 24h
  • Seminário I: Piedade Popular na Região Norte – 24h
  • Seminário de Pesquisa – 24h

📚 2ª Etapa (19/01/2026 a 03/03/2026)

  • Liturgia e Pedagogia: Laboratório e Assembleia Litúrgica – 24h
  • Palavra de Deus: Liturgia, Sacramentalidade e Ritualidade – 24h
  • Música e Ritual Litúrgico – 20h
  • Ministérios, Eucologia e Espiritualidade Litúrgica – 28h
  • Catequese, Liturgia e Sacramentais: Exéquias e Bênçãos – 24h

📚 3ª Etapa (30/06/2026 a 17/07/2026)

  • Artigo Final – 24h
  • Ano Litúrgico e Pastoral Litúrgica – 24h
  • Sacramentos da Iniciação Cristã – 28h
  • Sacramentos do Serviço e da Cura – 24h
  • Espaço Litúrgico e Arte Sacra – 20h

Observação:
O curso será realizado em três etapas:

  • A 1ª e a 2ª em formato híbrido (presencial para Manaus e online ao vivo para outras dioceses e prelazias);
  • A 3ª etapa será presencial para todos os participantes.

Inscrições

  1. Preencha o formulário de inscrição:
    👉 Clique aqui para se inscrever
  2. Efetue o pagamento da taxa de inscrição no valor de R$ 430,00:
    • PIX (CNPJ): 07.864.772/0001-10
    • Depósito/Transferência:
      AAPEC – Associação Amazônica para Pesquisa e Educação Cristã
      Banco Bradesco (237)
      Agência: 3053-8
      Conta Corrente: 6350-9
    • Ou presencialmente no setor financeiro da Faculdade Católica do Amazonas
  3. Envie o comprovante de pagamento para whats: (92) 9 8562-8206 | (92) 9 9668-2250

⚠️ A inscrição só será confirmada após o envio do comprovante de pagamento.


Informações

📞 (92) 9 8562-8206 | (92) 9 9668-2250
🌐 www.catolicadoamazonas.edu.br


P A R T I C I P E !
Uma oportunidade única de formação litúrgica na Amazônia!


3º DOMINGO DA PÁSCOA: “É O SENHOR” (Jo 21,7)

A liturgia do 3º Domingo da Páscoa nos convida a mergulhar mais profundamente na experiência do Cristo ressuscitado, que se revela na vida cotidiana dos discípulos, reorienta suas missões e transforma o medo em alegria, a negação em amor, a fraqueza em testemunho corajoso.

1. A Palavra de Deus nos ilumina

No Evangelho de João (21,1-19), Jesus aparece aos discípulos às margens do mar de Tiberíades. Eles haviam voltado à antiga atividade de pesca, mas a noite toda de trabalho não rendeu frutos. É ao romper da manhã que o Ressuscitado se faz presente. Sua palavra reencaminha os discípulos: “Lançai a rede” — e a pesca se torna abundante. A rede cheia simboliza a missão universal da Igreja, e o número 153 reforça esse alcance total: a salvação é para todos.

Pedro, ao reconhecer a presença de Jesus, exclama: “É o Senhor!”. Esse encontro é profundamente restaurador. Jesus prepara uma refeição e convida os discípulos a partilhá-la, revelando-se como aquele que continua a alimentar, a guiar e a reunir seu povo. O diálogo com Pedro, com a tríplice pergunta “Tu me amas?”, não apenas reconcilia a negação passada, mas também confere a ele uma nova responsabilidade: apascentar o rebanho do Senhor. O seguimento de Jesus exige amor, entrega e disposição para servir até as últimas consequências.

2. A missão nasce da experiência pascal

A primeira leitura (At 5,27b-32.40b-41) retrata o testemunho ousado dos apóstolos. Apesar das ameaças e perseguições, eles afirmam com convicção: “É preciso obedecer a Deus antes que aos homens”. Fortalecidos pelo Espírito Santo, anunciam a ressurreição com alegria, conscientes de que participam da missão do próprio Cristo. Ser discípulo é ser testemunha — com coragem, fé e fidelidade.

O Salmo 30 (29) eleva uma ação de graças jubilosa: o Senhor transforma o pranto em dança, a dor em festa. É a experiência de quem foi salvo e agora canta a vida nova que Deus oferece. A Páscoa é essa passagem contínua da morte para a vida.

A segunda leitura (Ap 5,11-14) nos conduz à contemplação litúrgica do Cristo glorificado. Toda a criação, celeste e terrestre, rende louvor ao Cordeiro que foi imolado. Sete palavras descrevem sua dignidade — poder, riqueza, sabedoria, força, honra, glória e louvor — indicando a plenitude da realeza do Ressuscitado. Ele é o centro da história e da liturgia da Igreja.

3. A missão da Igreja hoje

A barca, as redes, os peixes, o cuidado das ovelhas… todos esses elementos falam da missão e da identidade da Igreja: comunidade enviada para evangelizar, acolher, alimentar e cuidar. Como os discípulos, também somos chamados a lançar as redes, confiando na presença do Senhor, que nos assegura: “Sem mim, nada podeis fazer” (Jo 15,5).

Em cada Eucaristia, participamos da Ceia pascal, sentando-nos à mesa com o Ressuscitado. É Ele quem nos fortalece e envia. Seu chamado permanece: “Segue-me!”. Com liberdade e alegria, somos convidados a renovar nossa adesão ao discipulado e ao serviço, certos de que Ele caminha conosco.

4. Vivência litúrgica

Celebrar este domingo pascal é renovar nosso compromisso com o Cristo vivo. Ao proclamarmos a Palavra, ao cantarmos o salmo, ao partilharmos o pão, damos testemunho de que o Senhor está conosco. Louvamos o Cordeiro Pascal que venceu a morte e permanece no meio de nós.

Que, ao ouvir a voz do Senhor que nos chama à margem de nossa vida, possamos responder com o coração ardente: “Senhor, tu sabes que te amo”, e assim, seguir firmes no caminho da missão e da comunhão.

Sugestão para a Celebração Dominical deste 3º Domingo da Páscoa – ano C:

A aspersão com a água batismal, quando utilizada no início da missa, substitui o ato penitencial e convida a assembleia a renovar sua identidade batismal. É um gesto litúrgico que ajuda a comunidade a recordar que, pelo batismo, participamos do mistério pascal de Cristo — sua morte e ressurreição.

HOMENAGEM AO PAPA FRANCISCO – UM GESTO DE GRATIDÃO E ESPERANÇA

No dia 26 de abril de 2025, atendendo ao chamado para participar do sepultamento do Papa Francisco de forma simbólica e significativa, nós, Pias Discípulas do Divino Mestre, unimo-nos a tantas outras comunidades ao redor do mundo em oração e ação concreta.

Em comunhão com esse momento histórico e espiritual, algumas de nossas comunidades realizaram o plantio de árvores como sinal de vida, esperança e continuidade da missão. Em Cabreúva, as Irmãs e o núcleo dos Cooperadores Paulinos, Amigos do Divino Mestre, de Osasco e Cabreúva, reuniram-se em um momento orante, embalado pela oração de São Francisco, e plantaram um resedá branco no jardim, como gesto de fé e memória.

Já em Olinda, onde o espaço é mais restrito, as irmãs escolheram um Cróton (Codiaeum variegatum) – um arbusto de folhas vibrantes em tons de vermelho, laranja, amarelo e verde. Resistente e cheio de cor, ele foi plantado com carinho como símbolo da diversidade, beleza e força da criação, tão amada e valorizada pelo Papa Francisco.

Agradecemos a Deus pela vida e pelo testemunho do Papa Francisco. Que ele interceda por nós e continue a inspirar nossa caminhada com seu legado de simplicidade, cuidado com os pobres e amor à criação.

Obrigada, Papa Francisco!

Irmãs na Comunidade Divino Mestre, em Olinda/PE.

22º ANIVERSÁRIO DA BEATIFICAÇÃO DO BEATO TIAGO ALBERIONE

Por Secretariado para a Espiritualidade do Governo Geral, 27/04/2025

27 de abril de 2025 – Segundo Domingo da Páscoa | Domingo da Divina Misericórdia

Tiago Alberione: Apóstolo dos Tempos Novos, “Farol” de Esperança

Neste Segundo Domingo da Páscoa (27/04/2025), em que a Igreja celebra a Divina Misericórdia, a Família Paulina se une em ação de graças pelo 22º aniversário da beatificação do seu Fundador: o Beato Tiago Alberione. Um momento de renovação espiritual, memória viva e oração pela sua canonização.

Comemoramos a vida de um verdadeiro “apóstolo dos tempos novos”, que buscou incessantemente dar a conhecer Jesus Cristo – Caminho, Verdade e Vida – com os meios de comunicação do seu tempo. Inspirado por São Paulo Apóstolo, Alberione fundou a Família Paulina com a missão de evangelizar o mundo moderno através da imprensa, rádio, cinema e, hoje, também pela internet.

MENSAGEM ESPIRITUAL

“Louvai ao Senhor porque Ele é bom, porque a sua misericórdia dura para sempre” (Sl 117,1). Neste clima pascal, nos unimos em oração pelo dom da canonização do Beato Alberione, cuja missão continua a inspirar gerações de religiosos e leigos comprometidos com a comunicação do Evangelho. Abaixo, um trecho da homilia de São João Paulo II feita no dia 27 de abril de 2003, dia da sua canonização (o texto integral da homilia, em várias línguas, se encontra neste link):

O Bem-aventurado Tiago Alberione sentiu a necessidade de dar a conhecer Jesus Cristo, Caminho, Verdade e Vida, ‘aos homens do nosso tempo com os meios do nosso tempo’ – como gostava de dizer – e inspirou-se no apóstolo Paulo, a quem chamou ‘teólogo e artífice da Igreja’, permanecendo sempre dócil e fiel ao Magistério do Sucessor de Pedro, ‘farol’ de verdade em um mundo muitas vezes desprovido de sólidas referências ideais. ‘Que haja um grupo de santos para usar esses meios’, repetia este apóstolo dos novos tempos.Que legado formidável ele deixa para sua família religiosa! Que seus filhos e filhas espirituais mantenham inalterado o espírito de suas origens, a fim de responder adequadamente às exigências da evangelização no mundo de hoje“. Papa João Paulo II

ORAÇÃO PELA CANONIZAÇÃO DO BEATO TIAGO ALBERIONE

Trindade Santíssima,
que quisestes reavivar na Igreja o
carisma apostólico de São Paulo,
revelando-se à luz da Eucaristia
ao Beato Tiago Alberione,
fazei com que a presença de Cristo Mestre,
Caminho, Verdade e Vida,
se irradie em todo o mundo
por Maria, Rainha dos Apóstolos.
[…]
Glória ao Pai…


UM ENCONTRO DE GERAÇÕES: BEATO TIAGO ALBERIONE E CARLO ACUTIS

No mesmo dia em que se celebraria a canonização de Carlo Acutis — adiada devido ao falecimento do Papa Francisco — recordamos as convergências e as singularidades de duas figuras que marcam profundamente a espiritualidade contemporânea da Igreja.

Convergências

  • Ambos apaixonados pela Eucaristia e por Nossa Senhora.
  • Evangelizadores incansáveis em seus contextos históricos.
  • Pioneiros no uso dos meios modernos para a missão cristã.
  • Inspiração contínua para jovens, religiosos e comunicadores.

Divergências Complementares

LEGADO VIVO

Padre Tiago Alberione e Carlo Acutis representam dois polos de uma mesma corrente: a santidade vivida na contemporaneidade. Um sacerdote inovador e um jovem genial. Um fundou uma família religiosa; o outro transformou sua curta vida em um testemunho profundo da presença viva de Jesus na Eucaristia.

Ambos nos ensinam que a missão evangelizadora continua — nos templos, nas ruas, na mídia e na internet — onde Cristo precisa ser anunciado.


Contato:
Secretariado para a Espiritualidade – Pias Discípulas do Divino Mestre
📧 segretariatogen_spirit@pddm.org

A Fraternidade como Resistência: Um Ensaio sobre a Proposta Ético-Social da Fratelli Tutti

Por Ir. Julia de Almeida, pddm

Em um mundo marcado por polarizações, desigualdades e indiferença crescente, a encíclica Fratelli Tutti, publicada por Papa Francisco em 2020, propõe uma resposta radicalmente ética: a fraternidade universal e a amizade social como fundamentos de um novo pacto civilizatório. Longe de ser um apelo utópico ou ingênuo, a proposta do pontífice configura-se como uma crítica contundente aos sistemas econômicos, políticos e culturais que alimentam o descarte humano, o individualismo e o medo. Este ensaio argumenta que a Fratelli Tutti é um texto contracultural, que reivindica o amor ao próximo como critério político e existencial, convocando indivíduos e nações a refundarem suas relações sobre a base da dignidade compartilhada.

O primeiro aspecto que marca a encíclica é sua análise aguda da realidade contemporânea. O Papa denuncia uma globalização que separa as pessoas, embora conecte as economias: “A sociedade cada vez mais globalizada torna-nos vizinhos, mas não nos faz irmãos” (n. 12). Essa frase sintetiza a crítica de Francisco ao modelo de desenvolvimento centrado no lucro, que esvazia o sentido de comunidade. O crescimento das desigualdades e dos nacionalismos, segundo ele, reflete uma regressão ética e política: “Ressurgem nacionalismos fechados, exacerbados, ressentidos e agressivos” (n. 11). O Papa identifica ainda o enfraquecimento da política, dominada pelo marketing e pela destruição do adversário, e lamenta que “a política deixou de ser um debate saudável […] para o desenvolvimento de todos” (n. 15).

Diante desse cenário, Francisco propõe a fraternidade como alternativa à lógica do medo, do consumo e da exclusão. A inspiração vem de São Francisco de Assis, cujo amor “ultrapassa as barreiras da geografia e do espaço” (n. 1). A fraternidade, tal como proposta, não é um sentimento abstrato, mas um imperativo ético-político que deve orientar estruturas sociais e decisões de Estado. Um exemplo claro está no apelo ao acolhimento dos migrantes: “Os migrantes não são considerados suficientemente dignos de participar na vida social como os outros” (n. 39). A crítica atinge tanto o fechamento dos países ricos quanto a indiferença que transforma seres humanos em “objetos descartáveis” (n. 18).

A parábola do Bom Samaritano, centro simbólico da encíclica, serve como chave interpretativa para toda a reflexão. Diante do homem ferido à beira do caminho, apenas o samaritano – estrangeiro e marginalizado – oferece ajuda concreta. O Papa pergunta: “Com quem te identificas?” (n. 64), conduzindo o leitor a uma escolha inescapável. O amor ao próximo, argumenta, não é um mandamento restrito à fé, mas um fundamento antropológico: “Viver indiferente à dor não é uma opção possível” (n. 68). A crítica não poupa sequer os religiosos que “passam ao largo” (n. 73), alertando que a fé sem compaixão é estéril.

Outro ponto forte da Fratelli Tutti é sua crítica à cultura digital e à falsa comunicação. Francisco observa que “as relações digitais […] não constroem verdadeiramente um ‘nós’” (n. 43), alertando para os perigos da polarização, da desinformação e da perda da escuta. Para ele, a comunicação digital criou “formas insólitas de agressividade” (n. 44) e facilitou “mecanismos de manipulação das consciências e do processo democrático” (n. 45). Isso compromete a possibilidade de diálogo autêntico, essencial para a construção da paz e da justiça.

A encíclica também se destaca por recusar a neutralidade. Ao afirmar que “todos temos uma responsabilidade pelo ferido que é o nosso povo e todos os povos da terra” (n. 79), Francisco assume uma posição profética: a de que não há ética sem engajamento. Ele insiste que “ninguém se salva sozinho” (n. 32) e que só é possível reconstruir o tecido social a partir de um “nós” solidário, que reconheça a dignidade de todos.

Em conclusão, Fratelli Tutti é mais que um documento da Igreja: é um chamado à resistência ética. Contra a lógica do lucro, do descarte e da indiferença, o Papa propõe a fraternidade como critério para reorganizar nossas sociedades. O amor ao próximo, longe de ser um princípio religioso exclusivo, torna-se o alicerce de um novo humanismo, capaz de reorientar a política, a economia e a cultura. A fraternidade que Francisco propõe não é um adorno moral, mas uma urgência histórica.

REFERÊNCIA:

FRANCISCO. Fratelli tutti: sobre a fraternidade e a amizade social. Vaticano, 3 out. 2020. Disponível em: https://www.vatican.va/content/francesco/pt/encyclicals/documents/papa-francesco_20201003_enciclica-fratelli-tutti.html. Acesso em: 25 abr. 2025.

PAPA FRANCISCO E SEUS ESCRITOS: UM PONTIFICADO DE ESPERANÇA E RENOVAÇÃO

Jorge Mario Bergoglio, mais conhecido como Papa Francisco, nasceu em 17 de dezembro de 1936, em Buenos Aires, Argentina. Filho de imigrantes italianos, cresceu em um ambiente modesto e desde cedo demonstrou interesse pela religião e pelo serviço à comunidade.

Em 1958, ingressou na Companhia de Jesus, tornando-se jesuíta. Foi ordenado sacerdote em 1969 e, ao longo dos anos, desempenhou diversas funções na Igreja Católica, incluindo a de arcebispo de Buenos Aires e cardeal. Em 13 de março de 2013, foi eleito o 266º Papa da Igreja Católica, tornando-se o primeiro pontífice latino-americano e o primeiro jesuíta a ocupar o cargo.

Desde o início de seu pontificado, Francisco tem se destacado por seu carisma, simplicidade e forte compromisso com a justiça social. Ele tem abordado questões fundamentais como a pobreza, a ecologia, os direitos humanos e a reforma da própria Igreja. Seu estilo pastoral próximo do povo e seu desejo de diálogo com diferentes culturas e religiões o tornaram uma figura influente e respeitada no cenário global.

AS CARTAS E ENCÍCLICAS DO PAPA FRANCISCO

Ao longo de seu pontificado, o Papa Francisco escreveu diversas cartas e encíclicas que refletem sua visão de mundo e os desafios que a humanidade enfrenta. Seus textos são amplamente lidos e discutidos tanto dentro quanto fora da Igreja, pois oferecem reflexões profundas sobre temas sociais, espirituais e ambientais.

EVANGELII GAUDIUM (A ALEGRIA DO EVANGELHO) – 2013

Publicada poucos meses após sua eleição, esta exortação apostólica trata da missão da Igreja no mundo moderno. Francisco incentiva os fiéis a saírem de suas zonas de conforto e a evangelizarem com alegria e misericórdia. Ele critica o consumismo desenfreado, a exclusão social e a desigualdade econômica, destacando a necessidade de uma Igreja mais próxima dos pobres e marginalizados.

LAUDATO SI’ (LOUVADO SEJA) – 2015

Uma das encíclicas mais impactantes do Papa Francisco, “Laudato Si’” trata da ecologia e do cuidado com a Casa Comum, o planeta Terra. O pontífice alerta para os danos ambientais causados pela atividade humana e pela exploração irresponsável dos recursos naturais. Ele destaca a interconexão entre os problemas ambientais e sociais, chamando líderes e cidadãos do mundo inteiro à responsabilidade ecológica e à busca por um modelo de desenvolvimento sustentável.

AMORIS LAETITIA (A ALEGRIA DO AMOR) – 2016

Essa exortação apostólica trata do amor na família e do matrimônio. Baseada nos debates realizados durante os sínodos sobre a família, o documento enfatiza a importância da compreensão, da misericórdia e do acolhimento dentro das comunidades cristãs. Francisco também aborda questões como o divórcio, a educação dos filhos e os desafios enfrentados pelas famílias contemporâneas.

GAUDETE ET EXSULTATE (ALEGRAI-VOS E EXULTAI) – 2018

Este documento trata do chamado universal à santidade no mundo atual. O Papa explica que a santidade não é um privilégio de poucos, mas um chamado acessível a todos, independentemente da vocação ou estado de vida. Ele alerta contra o perigo do individualismo e do consumismo, ressaltando a necessidade de uma vida de serviço e de amor ao próximo.

FRATELLI TUTTI (TODOS IRMÃOS) – 2020

Publicada em meio à pandemia de COVID-19, “Fratelli Tutti” aborda a fraternidade e a amizade social. Francisco critica a cultura do descarte, o aumento das desigualdades e o fechamento de fronteiras entre os povos. Ele propõe um modelo de sociedade baseado na solidariedade, na inclusão e no diálogo inter-religioso.

CARTA APOSTÓLICA PATRIS CORDE (COM CORAÇÃO DE PAI) – 2020

Dedicada a São José, essa carta apostólica destaca a importância desse santo como modelo de pai, trabalhador e homem justo. Francisco ressalta a humildade e o serviço de São José, convidando os cristãos a aprenderem com sua discrição e confiança em Deus.

DILEXIT NOS – 2024

A mais recente encíclica do Papa Francisco, “Dilexit Nos“, publicada em 2024, aborda o amor redentor de Cristo e sua importância na vida cristã. O Papa destaca a centralidade do amor na missão da Igreja e a necessidade de testemunhar esse amor no mundo contemporâneo. Ele enfatiza o perdão, a reconciliação e a caridade como elementos fundamentais para a construção de uma sociedade mais fraterna e pacífica. “Dilexit Nos” convida os fiéis a refletirem sobre o significado do amor de Deus e sua manifestação nas relações humanas.

O IMPACTO DAS CARTAS DO PAPA FRANCISCO

As cartas e encíclicas do Papa Francisco têm um impacto profundo tanto dentro da Igreja quanto na sociedade em geral. Seus escritos são direcionados não apenas aos católicos, mas a todas as pessoas de boa vontade. Seu estilo acessível e suas reflexões baseadas na realidade contemporânea tornam seus textos fontes de inspiração para líderes políticos, ambientalistas, teólogos e fiéis em todo o mundo.

Francisco busca sempre aproximar a Igreja das pessoas, promovendo um diálogo aberto e acolhedor. Ele desafia as estruturas de poder e propõe uma visão de mundo mais humana e solidária. Sua preocupação com os marginalizados, os pobres e o meio ambiente reflete um compromisso genuíno com a justiça e a paz.

Além de suas encíclicas e exortações apostólicas, o Papa também escreve cartas e mensagens para diferentes ocasiões, como eventos internacionais, congressos religiosos e crises humanitárias. Seus escritos são frequentemente citados em debates sobre políticas públicas, economia e direitos humanos.

O Papa Francisco, desde o início de seu pontificado, tem demonstrado um compromisso inabalável com os valores do Evangelho e com a transformação do mundo em um lugar mais justo e fraterno. Suas cartas e encíclicas são documentos fundamentais para compreender sua visão pastoral e seus esforços em enfrentar os desafios do século XXI.

Seja ao abordar a necessidade de uma Igreja mais missionária, a importância do cuidado com o meio ambiente ou a urgência da fraternidade entre os povos, suas palavras ecoam como um chamado à reflexão e à ação. Em um mundo marcado por divisões e crises, as mensagens do Papa Francisco continuam a inspirar milhões de pessoas na busca por um futuro mais humano e solidário.


Fonte:

Documentos do Papa Francisco:

PAPA FRANCISCO. Evangelii Gaudium: A Alegria do Evangelho. Vaticano: Libreria Editrice Vaticana, 2013. Disponível em: https://www.vatican.va/content/francesco/pt/apost_exhortations/documents/papa-francesco_esortazione-ap_20131124_evangelii-gaudium.html. Acesso em: [19 fev. 2025].

PAPA FRANCISCO. Laudato Si’: Sobre o Cuidado da Casa Comum. Vaticano: Libreria Editrice Vaticana, 2015. Disponível em: https://www.vatican.va/content/francesco/pt/encyclicals/documents/papa-francesco_20150524_enciclica-laudato-si.html. Acesso em: [19 fev. 2025].

PAPA FRANCISCO. Amoris Laetitia: Sobre o Amor na Família. Vaticano: Libreria Editrice Vaticana, 2016. Disponível em: https://www.vatican.va/content/francesco/pt/apost_exhortations/documents/papa-francesco_esortazione-ap_20160319_amoris-laetitia.html. Acesso em: [19 fev. 2025].

PAPA FRANCISCO. Gaudete et Exsultate: Sobre o Chamado à Santidade no Mundo Atual. Vaticano: Libreria Editrice Vaticana, 2018. Disponível em: https://www.vatican.va/content/francesco/pt/apost_exhortations/documents/papa-francesco_esortazione-ap_20160319_amoris-laetitia.html. Acesso em: [19 fev. 2025].

PAPA FRANCISCO. Fratelli Tutti: Sobre a Fraternidade e a Amizade Social. Vaticano: Libreria Editrice Vaticana, 2020. Disponível em: https://www.vatican.va/content/francesco/pt/encyclicals/documents/papa-francesco_20201003_enciclica-fratelli-tutti.htmlAcesso em: [19 fev. 2025].

PAPA FRANCISCO. Patris Corde: Com Coração de Pai. Vaticano: Libreria Editrice Vaticana, 2020. Disponível em: https://www.vatican.va/content/francesco/pt/apost_letters/documents/papa-francesco-lettera-ap_20201208_patris-corde.html Acesso em: [19 fev. 2025].

PAPA FRANCISCO. Dilexit Nos. Vaticano: Libreria Editrice Vaticana, 2024. Disponível em: https://www.vatican.va/content/francesco/pt/encyclicals/documents/20241024-enciclica-dilexit-nos.html. Acesso em: [19 fev. 2025].

Texto de Ir. Julia Cristina de Almeida.
Publicado dia 20 de fevereiro de 2025.