QUARESMA: RECEBER O PERFUME DAS NOSSAS CINZAS

“Quando jejuares, perfuma a cabeça e lava o rosto…” (Mt 6,17)

Na Quarta-feira, dia 05/02/2025, iniciaremos o Tempo da Quaresma. E começamos este período recebendo as cinzas. A Quaresma é um tempo favorável para “ordenar a própria vida” de acordo com o sonho de Deus para a humanidade. Este período litúrgico nos convida a refletir sobre nossas relações mais profundas: com Deus, com os outros, com o mundo e conosco mesmos. A partir das práticas quaresmais da oração, esmola e jejum, somos chamados a analisar e questionar o modo como nos relacionamos, guiados pelo exemplo de Jesus.

Esses três gestos — oração, esmola e jejum — são essenciais para vivermos de forma plena e fecunda a Quaresma. Eles não apenas humanizam, mas também tornam a vida mais leve e cheia de sentido. Eles condensam o propósito da vida cristã: abrir-se aos outros (esmola), mergulhar no mistério de Deus (oração) e ordenar a própria existência (jejum).

É essencial criar um espaço novo no coração e na mente, permitindo que algo novo aconteça dentro de nós. Vividos a partir da identificação com Cristo, esses valores ajudam a esvaziar o “ego” e nos aproximam dos pobres e excluídos. Eles nos convidam à compaixão, à misericórdia, ao exercício do bem, ao acolhimento, ao perdão gratuito e ao cuidado com o que nos cerca. O verdadeiro espírito da Quaresma é deixar que o amor circule em nós e no mundo, gerando vida em abundância. Este não é um gesto pontual, mas um “modo de proceder” permanente, que deve se estender além do período quaresmal.

Quaresmas que Acontecem “Fora do Tempo”

A vida nos traz “quaresmas” em momentos inesperados, que não escolhem datas no calendário. São as quaresmas que chegam quando enfrentamos doenças, crises, rupturas ou lutos. Essas situações nos forçam a atravessar momentos difíceis, mas também nos ensinam sobre nossa limitação, fragilidade e pecado.

Ao recebermos as cinzas na Quarta-feira de Cinzas, não estamos realizando um gesto de tristeza ou derrotismo. Pelo contrário, estamos fazendo uma profissão de fé na força da esperança. Mesmo diante das dificuldades, há uma potência interior que nos permite recomeçar, perdoar, confiar novamente nas pessoas e seguir o caminho da vida com renovada energia. As cinzas, simbolizando a fragilidade da vida humana, não são um fim, mas um convite à renovação e à conversão.

O Valor das Nossas Cinzas

As cinzas que recebemos têm significados diferentes, dependendo de sua origem. Elas podem simbolizar a perda e a destruição, como as cinzas de uma casa destruída pelo fogo, ou podem representar algo mais suave, como as cinzas de uma chaminé em um campo. As cinzas que carregamos sobre nossas cabeças são um lembrete da fragilidade humana: do que perdemos, do que desperdiçamos, do amor que não cultivamos, das indiferenças que alimentamos e dos sonhos que não deixamos florescer.

Mas, mesmo que carreguemos essas cicatrizes, há também um caminho novo diante de nós, uma oportunidade de transformação. As cinzas, no sentido bíblico, não representam destruição, mas sim força, espírito, vida, projeto e renovação. Elas são símbolos de esperança, ressurreição e conversão, tanto de nós mesmos quanto dos outros. A imposição das Cinzas é, assim, um convite à purificação, à renovação e à comunhão.

A Travessia Interior e a Graça de Deus

A finalidade da imposição das Cinzas e das práticas quaresmais (oração, jejum e esmola) é nos ajudar a realizar uma verdadeira “travessia interior”. Não se trata de apenas ajustar superficialmente nossa vida, mas de permitir que a Graça de Deus toque os recantos mais profundos de nosso ser. Jesus nos ensina que “o Pai, que vê o que está escondido, te dará a recompensa” (Mt 6,18). Portanto, precisamos de tempos de silêncio, de espaços especiais, para criar um ambiente que favoreça o encontro verdadeiro com Deus.

Re-descobrir nosso lugar interior é um sinal de maturidade e sabedoria. Esse lugar não se refere ao reconhecimento social ou ao êxito externo, mas ao espaço íntimo onde a Graça de Deus tem liberdade para atuar. Nesse “escondido”, podemos encontrar a paz e a serenidade, e é a partir desse lugar que a transformação profunda começa.

A Mística do Encontro

A oração é um convite para entrar nesse “escondido”, onde encontramos a verdadeira essência de nosso ser e nos encontramos com Deus. Ela não é uma obrigação ou uma imposição, mas uma conversa íntima com o Autor da vida. Orar é buscar o centro, é agir a partir do nosso ser mais profundo, e não de influências externas.

A Quaresma nos oferece a chance de reavivar nossas práticas espirituais e transformar nosso coração. Devemos fazer do nosso coração um espaço de humildade e riqueza, de nossas mãos um gesto de ternura, e de nossos pés um desejo de proximidade e comunhão. Dessa forma, podemos ungir com o azeite da misericórdia e o vinho da fragilidade os feridos que encontramos em nosso caminho.

Reflexão para a Quaresma

Iniciamos este caminho quaresmal com a intenção de nos aproximarmos mais de Deus, buscando transformar nossos gestos em expressão de amor e misericórdia. A Quaresma é uma jornada que nos convida a ir além das camadas exteriores de nossa vida, para alcançar a verdade profunda e essencial que habita em nosso interior.

Que, ao longo deste tempo, possamos ser tocados pela Graça de Deus e encontrar, a cada dia, o verdadeiro significado de nossa caminhada de conversão e renovação.


QUARTA-FEIRA DE CINZAS, Ano C

Leituras:

Jl 2,12-18

Sl 50(51),3-4.5-6a.12-13.14 e 17 (R. cf. 3a)

2Cor 5,20-6,2

Mt 6,1-6.16-18


Campanha da Fraternidade 2025: Fraternidade e Ecologia Integral

No início da Quaresma, a Igreja Católica no Brasil dá início à tradicional Campanha da Fraternidade, um importante momento de reflexão e ação em prol da solidariedade e do bem comum. Em 2025, o tema escolhido para esta campanha é “Fraternidade e Ecologia Integral“, e o lema que norteia as ações e reflexões deste ano é retirado do livro de Gênesis: “Deus viu que tudo era muito bom” (Gn 1,31).

A proposta da Campanha da Fraternidade 2025 é convidar todos os fiéis e a sociedade em geral a refletirem sobre a relação entre a fraternidade humana e a preservação do meio ambiente. A escolha do tema busca destacar a importância de uma abordagem integrada da ecologia, que não só defende a preservação da natureza, mas também considera as dimensões sociais e culturais do cuidado com a criação. Este conceito de “Ecologia Integral” nos chama a atenção para a interdependência entre os seres humanos e o planeta, ressaltando que o bem-estar do ser humano está profundamente ligado ao cuidado com o ambiente em que vive.

A mensagem central da campanha é um convite à conversão ecológica, promovendo a conscientização sobre o impacto das nossas ações no planeta e chamando-nos a viver de forma mais responsável, solidária e harmoniosa com a criação divina. O lema “Deus viu que tudo era muito bom” nos recorda a visão positiva e criativa de Deus sobre o mundo, reforçando a beleza e a perfeição da criação, mas também a nossa responsabilidade em cuidar dela.

Neste tempo de Quaresma, a Igreja convida todos a refletirem sobre como suas escolhas diárias impactam o meio ambiente e a sociedade, estimulando ações concretas que promovam a justiça social, a paz e a preservação da Casa Comum. Que a Campanha da Fraternidade 2025 inspire um compromisso renovado com a vida, com a fraternidade e com a ecologia integral, fazendo com que, como cristãos, sejamos verdadeiros cuidadores da criação de Deus.

ITINERÁRIO QUARESMAL 

Desde o início do Tempo Quaresmal, a Pastoral Vocacional e os Cooperadores Paulinos Amigos do Divino Mestre estão produzindo o Itinerário Quaresmal. Este Itinerário Quaresmal são programas veiculados no Youtube e são compostos da proclamação o Evangelho do Domingo; um texto da Patrística com link para a “temática” abordada pelo Evangelho; e a equipe sempre conclui com perguntas e atitudes importantes a se despertar em cada pessoa para melhor viver a Palavra de Deus.

São propostas do Itinerário Quaresmal para o internauta:

– No decorrer da semana tire um tempo para rezar e meditar.
– Se possível reserve um lugar na sua casa. Prepare o ambiente colocando um pano roxo, uma cruz, uma vela.
– Invoque o Espírito Santo.
– Retome o texto do Evangelho e da patrística ou um dos dois, de acordo com sua disponibilidade de tempo.
– Preste atenção nas palavras, nas imagens…Se recordar de outra Palavra dê atenção.
– Qual a Boa Notícia?
Medite… O que este texto diz para você.
– Conclua com uma oração espontânea.

Obs: Caso você tenha tempo de anotar… anote o que você considera importante para o seu caminho espiritual-mistagógico.

São todas propostas que remetem a Leitura Orante da Palavra de Deus que, mais que um método, é um modelo de espiritualidade.

O Itinerário Quaresmal pode ser acompanhado pelo Youtube das @piasdiscipulasdodivinomestre. Todos os textos estão sendo disponibilizados no site www.espacoorante.piasdiscipulas.org.br

ITINERÁRIO QUARESMAL – QUARTA-FEIRA DE CINZAS – PARTE 1

ITINERÁRIO QUARESMAL – QUARTA-FEIRA DE CINZAS – PARTE 2

ITINERÁRIO QUARESMAL – 1º DOMINGO DA QUARESMA

ITINERÁRIO QUARESMAL – 2º DOMINGO DA QUARESMA

Textos do Itinerário Quaresmal do 2º Domingo da Quaresma:

Evangelho – Lucas 9,28b-36

Naquele tempo: Jesus levou consigo Pedro, João e Tiago, e subiu à montanha para rezar. Enquanto rezava, seu rosto mudou de aparência e sua roupa ficou muito branca e brilhante. Eis que dois homens estavam conversando com Jesus: eram Moisés e Elias. Eles apareceram revestidos de glória
e conversavam sobre a morte, que Jesus iria sofrer em Jerusalém. Pedro e os companheiros estavam com muito sono. Ao despertarem, viram a glória de Jesus e os dois homens que estavam com ele.
E quando estes homens se iam afastando, Pedro disse a Jesus: ‘Mestre, é bom estarmos aqui. Vamos fazer três tendas: uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias.’ Pedro não sabia o que estava dizendo. Ele estava ainda falando, quando apareceu uma nuvem que os cobriu com sua sombra.
Os discípulos ficaram com medo ao entrarem dentro da nuvem. Da nuvem, porém, saiu uma voz que dizia: ‘Este é o meu Filho, o Escolhido. Escutai o que ele diz!’ Enquanto a voz ressoava, Jesus encontrou-se sozinho. Os discípulos ficaram calados e naqueles dias não contaram a ninguém
nada do que tinham visto.

ITINERÁRIO QUARESMAL - Ícone da Transfiguração
Ícone da Transfiguração

Texto da Patrística

Dos Sermões de São Leão Magno, papa[1]

(Sermo 51, 3-4.8: PL 54, 310-311.313) – (Séc. V)

Por meio de Moisés foi dada a Lei, mas a graça e a verdade nos chegaram através de Jesus Cristo

O Senhor manifesta a sua glória na presença de testemunhas escolhidas, e de tal modo fez resplandecer o seu corpo, semelhante ao de todos os homens, que seu rosto se tornou brilhante como o sol e suas vestes brancas como a neve.

A principal finalidade dessa transfiguração era afastar dos discípulos o escândalo da cruz, para que a humilhação da paixão, voluntariamente suportada, não abalasse a fé daqueles a quem tinha sido revelada a excelência da dignidade oculta de Cristo.

Mas, segundo um desígnio não menos previdente, dava-se um fundamento sólido à esperança da santa Igreja, de modo que todo o Corpo de Cristo pudesse conhecer a transfiguração com que ele também seria enriquecido, e os seus membros pudessem contar com a promessa da participação daquela glória que primeiro resplandecera na Cabeça.

A esse respeito, o próprio Senhor dissera, referindo-se à majestade de sua vinda: “Então os justos brilharão como o sol no Reino de seu Pai” (Mt 13,43). E o apóstolo Paulo declara o mesmo, dizendo: “Eu entendo que os sofrimentos do tempo presente nem merecem ser comparados com a glória que deve ser revelada em nós” (Rm 8,18). E ainda: “Vós morrestes e a vossa vida está escondida com Cristo, em Deus. Quando Cristo, vossa vida, aparecer, então vós aparecereis também com ele, revestidos de glória” (Cl 3,3-4).

Entretanto, aos apóstolos que deviam ser confirmados na fé e introduzidos no conhecimento de todos os mistérios do Reino, esse prodígio ofereceu ainda outro ensinamento.

Moisés e Elias, isto é, a Lei e os Profetas, apareceram conversando com o Senhor, a fim de cumprir-se plenamente, na presença daqueles cinco homens, o que fora dito: “Será digna de fé toda palavra proferida na presença de duas ou três testemunhas” (cf. Mt 18,16).

Que pode haver de mais estável e mais firme que esta palavra? Para proclamá-la, ressoa em uníssono a dupla trombeta do Antigo e do Novo Testamento, e os testemunhos dos tempos passados concordam com o ensinamento do Evangelho.

Na verdade, as páginas de ambas as alianças confirmam-se mutuamente; e o esplendor da glória presente mostra, com total evidência, Aquele que as antigas figuras tinham prometido sob o véu dos mistérios. Porque, como diz João, “por meio de Moisés foi dada a Lei, mas a graça e a verdade nos chegaram através de Jesus Cristo” (Jo 1,17). Nele cumpriram-se integralmente não só a promessa das figuras proféticas, mas também o sentido dos preceitos da lei; pois pela sua presença mostra a verdade das profecias e, pela sua graça, torna possível cumprir os mandamentos.

Sirva, portanto, a proclamação do santo Evangelho para confirmar a fé de todos, e ninguém se envergonhe da cruz de Cristo, pela qual o mundo foi redimido.

Ninguém tenha medo de sofrer por causa da justiça ou duvide da recompensa prometida, porque é pelo trabalho que se chega ao repouso, e pela morte, à vida. O Senhor assumiu toda a fraqueza de nossa pobre condição e, se permanecermos no seu amor e na proclamação do seu nome, venceremos o que ele venceu e receberemos o que prometeu.

Assim, quer cumprindo os mandamentos ou suportando a adversidade, deve sempre ressoar aos nossos ouvidos a voz do Pai, que se fez ouvir, dizendo: “Este é o meu filho amado, no qual pus todo o meu agrado. Escutai-o” (Mt 17,5).


[1] OFÍCIO DIVINO – Liturgia das Horas, volume II, São Paulo: Vozes/Paulinas/Paulus/Ave Maria, p. 130-132.

Tempo da Quaresma

Na próxima quarta-feira, dia 02 de março de 2022, iniciaremos o Tempo da Quaresma. A Quaresma lembra os quarenta dias que Jesus ficou no deserto em jejum e oração se preparando para a sua Paixão, Morte e Ressurreição. Iniciamos a Quaresma com a Quarta-feira de Cinzas, nessa Celebração se dá também a Abertura da Campanha da Fraternidade.

A Quaresma também é tempo de conversão. E a Campanha da Fraternidade possui essa proposta ao motivar “um coração convertido”. Há mais de cinco décadas, a iniciativa anuncia a importância de não separar a conversão do serviço aos irmãos e irmãs, à sociedade e ao planeta, a Casa Comum.  

“A cada ano, um tema é destacado como sinal de que realmente necessitamos de conversão. Em cada um dos temas específicos tratados pela Campanha da Fraternidade há o convite para alargar o olhar e perceber que o pecado ameaça a vida como um todo”, explicou a Presidência da CNBB no texto-base da Campanha da Fraternidade de 2019. 

Citando o Papa Francisco, a Presidência da CNBB recorda que a “Quaresma é tempo favorável para sairmos de nossa alienação existencial causada pelo pecado”, é “tempo de abertura ao mistério da dor e da morte, da cruz, do Crucificado, Vencedor da morte”.  

No Tempo Quaresmal, a liturgia e a catequese voltam-se para a lembrança e a preparação do Batismo, assim como os catecúmenos faziam no início da Igreja, exigindo profunda reorientação de vida e conversão de coração.  

“E é a meditação da Palavra de Deus, os exercícios espirituais que nós fazemos, e as práticas que nós já conhecemos que vão nos ajudar a fazer essa boa preparação. Um coração convertido, jamais será indiferente aos irmãos e irmãs. Um coração convertido é um coração fraterno. Então, não tenha medo da fraternidade, ela é irmã gêmea da conversão”, orienta padre Patriky. 

Em artigo sobre a relação da Campanha da Fraternidade e o tempo quaresmal, a assessora da Comissão para a Juventude da CNBB, irmã Valéria Andrade Leal, ressalta que o seguimento a que Cristo convida consiste “no processo de aprender d’Ele a realizar a vontade do Pai para nós, para toda a humanidade”. E é essa dinâmica que acontece na Quaresma, “tempo de retomar, avaliar e reavivar nossa opção por estar no seguimento do Mestre, escolhendo com ele a vontade de Deus sobre nós”. 

“A quaresma para nós não é deserto do isolamento, mas do silêncio donde brota a experiência de encontro com o Pai, que nos faz compassivos, à semelhança do Mestre. Logo, caminhando com Ele, não podemos passar ao largo daqueles a quem Ele se acerca. A Campanha da Fraternidade nos ajuda a fazer este exercício. Quaresma é exercício de santidade. Santidade é assumir o projeto de Deus tal como nos mostra Jesus: até as últimas consequências, mas a partir das coisas pequenas, como nos ensina a vida de tantos santos e santas”, orienta irmã Valéria. 

Modo de viver a Quaresma 

A Campanha da Fraternidade ilumina de modo particular os gestos fundamentais desse tempo litúrgico: a oração, o jejum e a esmola. Assim, a iniciativa promovida pela CNBB tem a finalidade principal vivenciar e assumir a dimensão comunitária e social da Quaresma. 

A Campanha da Fraternidade é um dos modos de viver a espiritualidade quaresmal. Ou seja, não se esgota a Quaresma na vivência da Campanha, mas a Campanha também não contradiz a vivência quaresmal, pelo contrário, a enriquece. 

A cada ano, um tema é destacado como sinal de que realmente necessitamos de conversão. Em cada um dos temas específicos tratados pela Campanha da Fraternidade há o convite para alargar o olhar e perceber que o pecado ameaça a vida como um todo. 

A partir dos temas, as campanhas propõem um programa quaresmal 

  • Escuta da Palavra que converte o coração 
  • Verdadeira atenção pelos outros 
  • Romper com a indiferença frente ao sofrimento 
  • Disponibilidade para o serviço 

Mensagens do Papa 

Padre Patriky também recorda que os Papa incentivam a vivência da Campanha da Fraternidade como parte do itinerário quaresmal. “Sempre nas mensagens se faz essa relação bonita da Campanha da Fraternidade com o período quaresmal”. 

Na mensagem para a CF de 1979, São João Paulo II falava da necessidade de viver a quaresma com ascese pessoal, mas sem esquecer da importância do doar-se. Em suas próprias palavras: “Dar mostras dessa conversão ao amor de Deus com gestos concretos de amor ao próximo”. 

Em 2007, a mensagem do Papa Bento XVI afirmava: “Ao iniciar o itinerário espiritual da Quaresma, a caminho da Páscoa da ressurreição do Senhor, desejo uma vez mais aderir à Campanha da Fraternidade (…) tempo em que cada cristão é convidado a refletir de modo particular sobre as várias situações sociais do povo brasileiro que requerem maior fraternidade”. 

“Se toda a dinâmica da Quaresma é resgatar a catequese batismal, viver a Campanha da Fraternidade, é viver também o nosso batismo”, destaca Patriky. 

Motivação litúrgica 

A Campanha da Fraternidade também busca atender ao que a Igreja orienta na liturgia celebrada. “O prefácio do tempo quaresmal fala em imitar a misericórdia do Pai, repartir o pão com os necessitados, que o coração convertido vai ser sempre um coração solidário. E o que a Igreja pede é exatamente isto: que nesse caminho de preparação para a Páscoa, a gente dedique um tempo também para pensar a nossa relação com a educação”, explica Patriky, situando na reflexão proposta neste ano de 2022, com o tema “Fraternidade e Educação”. 

Além dos prefácios das Orações Eucarísticas do tempo quaresmal, a Constituição Conciliar Sacrosanctum Concilium sobre a Sagrada Liturgia ensina que “a penitência quaresmal deve ser também externa e social, que não só interna e individual”. Assim, o documento rege que seja estimulada a prática da penitência, “adaptada ao nosso tempo, às possibilidades das diversas regiões e à condição de cada um dos fiéis”. 

Fonte: CNBB