DIA INTERNACIONAL DA MULHER: A VOZ DA IGREJA CATÓLICA SOBRE A PRESENÇA FEMININA

No Dia Internacional da Mulher, celebramos não apenas as conquistas e a força feminina, mas também refletimos sobre o papel da mulher na sociedade e na Igreja. Ao longo da história, a Igreja Católica tem se manifestado sobre a dignidade, a vocação e a importância das mulheres em diversos documentos oficiais. Confira abaixo um resumo de alguns desses importantes textos, que iluminam a missão feminina sob a luz da fé cristã.

  1. Gaudium et Spes (1965) – A Constituição Pastoral do Concílio Vaticano II traz uma visão abrangente sobre o papel da mulher na sociedade moderna. O documento destaca a igualdade de dignidade entre homens e mulheres e reforça os direitos femininos, promovendo o respeito e a valorização das mulheres em todos os âmbitos.
  2. Inter Mulieres Claras (1970) – Na Carta Apostólica do Papa Paulo VI, Santa Teresa de Ávila foi proclamada Doutora da Igreja. Este reconhecimento reafirma o valor da contribuição intelectual e espiritual das mulheres na teologia e na vida da Igreja.
  3. Mulieris Dignitatem (1988) – Carta Apostólica do Papa João Paulo II sobre a dignidade e a vocação da mulher. O documento destaca o “gênio feminino”, ressaltando o valor insubstituível das mulheres na família, na Igreja e na sociedade. João Paulo II reflete sobre o papel da mulher na história da salvação, inspirando-se especialmente em Maria, mãe de Jesus.
  4. Christifideles Laici (1988) – Este documento de João Paulo II fala sobre a vocação e a missão dos leigos na Igreja e no mundo, sublinhando a relevância da contribuição feminina. O Papa encoraja as mulheres a atuarem ativamente na evangelização e no serviço à comunidade.
  5. Carta às Mulheres (1995) – Também escrita pelo Papa João Paulo II, esta carta expressa gratidão e reconhecimento pelo papel das mulheres em todos os campos da vida humana. O Papa agradece às mães, esposas, filhas, irmãs, trabalhadoras, consagradas e mulheres de todas as vocações, exaltando seu valor e contribuição.
  6. Verbum Domini (2010) – Na Exortação Apostólica do Papa Bento XVI, é destacada a importância das mulheres no anúncio da Palavra de Deus e na transmissão da fé. O Papa Bento XVI valoriza o papel das mulheres na evangelização e no testemunho cristão, especialmente como catequistas e educadoras da fé.
  7. Evangelii Gaudium (2013) – Na Exortação Apostólica do Papa Francisco, é reforçada a importância da presença feminina na vida eclesial. O Papa destaca a necessidade de uma maior participação das mulheres em posições de liderança e responsabilidade na Igreja, respeitando a sua dignidade e carismas.
  8. Querida Amazonia (2020) – Nesta Exortação Apostólica Pós-Sinodal, o Papa Francisco destaca o papel essencial das mulheres na região amazônica e na Igreja. Ele enfatiza a necessidade de ampliar os espaços para uma participação feminina mais incisiva na Igreja, especialmente em áreas de liderança e decisão pastoral.
  9. Praedicate Evangelium (2022) – A Constituição Apostólica sobre a Cúria Romana, promulgada pelo Papa Francisco, permite que leigos, incluindo mulheres, possam ocupar cargos de governo e chefia na Cúria. Essa mudança reforça a importância da colaboração feminina em posições de destaque na estrutura da Igreja.

Neste Dia Internacional da Mulher, ao celebrarmos as muitas conquistas das mulheres, também recordamos o reconhecimento da Igreja Católica à importância feminina. Que o exemplo de Maria e das santas mulheres, somado à reflexão desses documentos, nos inspire a promover uma sociedade mais justa, inclusiva e cheia de amor.

Parabéns a todas as mulheres! Que Deus abençoe e fortaleça cada uma de vocês!

Referências Bibliográficas

CONCÍLIO VATICANO II. Gaudium et Spes: Constituição Pastoral sobre a Igreja no Mundo Atual. 1965.

PAULO VI. Inter Mulieres Claras: Carta Apostólica. 1970.

JOÃO PAULO II. Mulieris Dignitatem: Carta Apostólica sobre a dignidade e a vocação da mulher. 1988.

JOÃO PAULO II. Christifideles Laici: Exortação Apostólica sobre a vocação e missão dos leigos na Igreja e no mundo. 1988.

JOÃO PAULO II. Carta às Mulheres. 1995.

BENTO XVI. Verbum Domini: Exortação Apostólica sobre a Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja. 2010.

FRANCISCO. Evangelii Gaudium: Exortação Apostólica sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual. 2013.

FRANCISCO. Querida Amazonia: Exortação Apostólica Pós-Sinodal sobre a Amazônia. 2020.

FRANCISCO. Praedicate Evangelium: Constituição Apostólica sobre a Cúria Romana. 2022.

MISTAGOGIA NO TEMPO DA QUARESMA: UM CAMINHO DE CONVERSÃO E RENOVAÇÃO ESPIRITUAL

Por Ir. Veronice Fernandes, pddm

O texto abaixo “Mistagogia no Tempo da Quaresma” foi escrito pela Ir. Veronice Fernandes, pddm, e é uma reflexão profunda e prática destinada a guiar os fiéis durante o período quaresmal, desde a Quarta-feira de Cinzas até o Domingo de Ramos e da Paixão. Este material propõe um exercício espiritual que une preparação, participação e reflexão, oferecendo um caminho de conversão e crescimento na fé.

Durante a Quaresma, a Igreja nos convida a vivenciar o jejum, a oração e a esmola como práticas essenciais para a liberdade espiritual, a unificação do coração e a solidariedade concreta. Através da escuta da Palavra, das celebrações litúrgicas e de uma atitude constante de penitência e conversão, os cristãos são chamados a seguir os passos de Jesus rumo à Páscoa.

A proposta mistagógica vai além das celebrações, convidando cada fiel a recordar os ritos, refletir sobre sua experiência espiritual e permitir que o Espírito Santo conduza a oração interior. A inspiração das catequeses de Cirilo de Jerusalém ressalta o valor da iniciação cristã e da participação ativa nos sacramentos.

Este exercício espiritual é um convite para transformar a fé em caridade, promovendo ações concretas de solidariedade e justiça. Com um olhar atento à misericórdia de Deus e à renovação das promessas batismais, a Mistagogia no Tempo da Quaresma busca preparar os fiéis para a vivência plena do mistério pascal.

CULTIVAR UM CORAÇÃO QUE FLORESCE

A liturgia do 8º Domingo do Tempo Comum (Ano C) nos convida a olhar para dentro de nós e perceber que nossas palavras e ações refletem aquilo que cultivamos no coração. A forma como falamos e agimos é um espelho do que nutrimos em nosso interior. Se plantamos bondade, paciência e amor, isso se manifestará no mundo à nossa volta. Se, por outro lado, deixamos crescer ressentimentos, críticas e julgamentos, inevitavelmente isso também se refletirá. Por isso, a Palavra de Deus hoje nos convida a cuidar daquilo que alimentamos internamente, para que possamos ser fonte de vida para os outros.

O livro do Eclesiástico (27,5-8) usa imagens simples, mas poderosas, para falar sobre autenticidade. Ele compara a vida com um processo semelhante ao da peneira que separa as impurezas, ou ao fogo que purifica os metais. Quando passamos por desafios, o que é verdadeiro em nós se revela. A forma como reagimos às dificuldades e provações diz muito sobre quem somos. Se nossa fé é só aparência, as tempestades da vida a farão desmoronar. Mas, se estamos enraizados em valores sólidos, enfrentaremos as adversidades com esperança e confiança.

Este trecho também nos ensina que é preciso tempo e paciência para conhecer verdadeiramente alguém. Muitas vezes, julgamos pelas aparências, sem perceber que o que importa está no interior. Em um mundo de redes sociais e impressões rápidas, esse é um lembrete essencial: devemos aprender a olhar além da superfície e valorizar o que é genuíno.

O Salmo 91(92) traz uma mensagem de confiança e esperança. Ele compara aqueles que confiam em Deus a árvores plantadas junto às águas, que dão frutos mesmo em tempos difíceis. Isso nos lembra que a fé não nos isenta de dificuldades, mas nos dá força para continuar crescendo. Muitas vezes, pensamos que o tempo de frutificar passou, que já não há espaço para mudanças ou novos começos. No entanto, Deus nos mostra que sempre há tempo para florescer. Não importa a idade ou a fase da vida em que estamos, podemos continuar crescendo e espalhando bondade ao nosso redor.

Na primeira carta aos Coríntios (15,54-58), São Paulo nos recorda que a morte não tem a última palavra, porque Cristo venceu a morte. Essa é uma mensagem de esperança poderosa, que nos encoraja a continuar firmes, sem desanimar. Nenhuma boa ação é em vão, nenhuma escolha pelo amor é desperdiçada. Às vezes, podemos sentir que nossos esforços para fazer o bem são pequenos diante do mundo, mas Paulo nos lembra que tudo o que fazemos por amor tem valor eterno. A bondade que espalhamos, por menor que pareça, permanece e se multiplica.

O Evangelho de Lucas (6,39-45) aprofunda essa reflexão ao trazer uma imagem clara: “Não existe árvore boa que dê frutos ruins, nem árvore ruim que dê frutos bons.” Jesus nos convida a um olhar sincero sobre nós mesmos. Antes de tentar corrigir os outros, precisamos primeiro trabalhar nosso próprio crescimento. É fácil apontar erros, mas muito mais valioso é buscar o autoconhecimento e a transformação interior.

Jesus nos ensina que nossas palavras e atitudes revelam o que carregamos por dentro. Se nosso coração está cheio de amor, paciência e compaixão, é isso que transmitiremos ao mundo. Se, por outro lado, cultivamos ressentimento e negatividade, isso também se refletirá.

Essa mensagem não é uma cobrança, mas um convite cheio de esperança. Jesus não quer nos condenar, mas nos ajudar a crescer. A cada dia, temos uma nova oportunidade de plantar coisas boas dentro de nós. Podemos escolher nutrir nosso coração com aquilo que traz paz e alegria, para que nossas palavras e gestos se tornem fonte de vida para quem está ao nosso redor.

Na prática, isso significa estar atento ao que consumimos e cultivamos. O que alimenta nosso coração? O que assistimos, ouvimos e lemos nos torna pessoas melhores? Estamos cercados de pessoas que nos inspiram ao bem? Quais são os pensamentos e sentimentos que mais cultivamos no dia a dia? Refletir sobre isso nos ajuda a construir um caminho de mais leveza e amor.

A liturgia deste domingo nos ensina que a transformação não precisa ser algo grandioso ou imediato. Pequenos gestos diários fazem a diferença. Um sorriso, um pedido de desculpas, uma palavra gentil, um momento de oração… Aos poucos, criamos um ambiente onde o bem floresce naturalmente.

Que esta mensagem nos inspire a sermos mais conscientes do que cultivamos dentro de nós. Cada dia é uma nova oportunidade de plantar o bem, de crescer e de espalhar frutos de amor e esperança.

Que possamos ser árvores que florescem e dão frutos de paz, alegria e vida! 🌳💛


SUGESTÕES DE CANTOS PARA A CELEBRAÇÃO EUCARÍSTICA

8º Domingo do Tempo Comum – Ano C – 02/03/2025

Sugestões da Arquidiocese de Goiânia

ENTRADA – TODA A TERRA TE ADORE
Áudio: https://www.youtube.com/watch?v=4AgEFpEzwKI

HINO DE LOUVOR – GLÓRIA A DEUS NOS ALTOS CÉUS
Áudio: https://www.youtube.com/watch?v=ZOasT8hYblU

SALMO 91 (92) – COMO É BOM AGRADECERMOS AO SENHOR
Áudio: https://www.youtube.com/watch?v=fKn9hNCTkx4

Aclamação – ALELUIA… COMO ASTROS NO MUNDO
Áudio: https://www.youtube.com/watch?v=5ZSIrgM7srw

OFERENDAS – DE MÃOS ESTENDIDAS
Áudio: https://www.youtube.com/watch?v=b_Y8N-CT0cY

SANTO
Áudio: http://www.youtube.com/watch?v=lV-RL98cNBA

ACLAMAÇÃO MEMORIAL
Áudio: http://www.youtube.com/watch?v=UHI-dl4CrEg

AMÉM
Áudio: https://www.youtube.com/watch?v=ke38zXN9Hqg

CORDEIRO DE DEUS
Áudio: https://www.youtube.com/watch?v=6XCyWxWpPAo

COMUNHÃO – É BOM ESTARMOS JUNTOS
Áudio: https://www.youtube.com/watch?v=aM1wWNKjt3Q

FINAL – HINO MARIANO – À VOSSA PROTEÇÃO
Áudio: https://www.youtube.com/watch?v=c6hSHsTC6bo

1º ENCONTRO DAS COORDENAÇÕES NACIONAIS DOS COOPERADORES PAULINOS NO BRASIL FORTALECE SINODALIDADE E COMUNHÃO

Entre os dias 21 e 23 de fevereiro de 2025, na Cidade Regina, em São Paulo, foi realizado o 1º Encontro das Coordenações Nacionais dos Cooperadores Paulinos no Brasil. O evento reuniu representantes dos apostolados da comunicação, litúrgico, pastoral e vocacional da Família Paulina em uma experiência marcada pela espiritualidade, partilha e construção de unidade.

Um momento de graça e comunhão

Desde sua preparação, o encontro foi permeado pelo espírito sinodal, com cada participante contribuindo com sua história e vivências. O evento reforçou a identidade dos Cooperadores Paulinos como membros ativos da Igreja e da Família Paulina, reafirmando o sonho de unidade do fundador, o Bem-aventurado Tiago Alberione.

No primeiro dia, os participantes compartilharam suas histórias vocacionais e refletiram sobre a trajetória dos Cooperadores Paulinos no Brasil. Já no segundo dia, com a orientação de Ir. Suzimara B. Almeida, sjbp, e do Cooperador Paulino Fernando Geronazzo, revisitaram a história da fundação da associação e redescobriram a beleza de sua identidade comum à luz do novo Estatuto da Associação CP.

Construindo o futuro da Associação

Ao longo do encontro, os 48 grupos de Cooperadores Paulinos do Brasil apresentaram suas alegrias, desafios e sonhos, fortalecendo a caminhada conjunta. As discussões levaram à formação de uma equipe de referência para cada apostolado:

  • Comunicação – Rosane Silva
  • Litúrgico – Maria Ivete U. dos S. de Vasconcelos
  • Vocacional – Cláudia Aparecida dos Santos
  • Pastoral – Rosane Manfro

As delegadas Ir. Ninfa Becker, fsp; Ir. Veronice Fernandes, pddm; Ir. Tereza Boschetto, ap; e Ir. Suzimara B. de Almeida, sjbp, oferecerão suporte à equipe, enquanto Fernando Geronazzo atuará como referência na comissão do Estatuto.

O encontro foi encerrado com uma Celebração Eucarística presidida pelo Pe. Luiz Miguel Duarte, SSP. Os participantes saíram renovados na fé e no compromisso com a missão da Família Paulina, reforçando a mensagem: “Cooperadores Paulinos, alarguemos a tenda do nosso coração!”



Leia a mensagem final do encontro:

Ir. M. Bernardita Meráz Sotelo: Uma Vida de Fé e Serviço

Hoje, celebramos a vida e a trajetória de Ir. M. Bernardita Meráz Sotelo, que nasceu em 27 de fevereiro de 1958 em El Molino Namiquipa, província de Chihuahua, no México. Sua jornada de fé e dedicação iniciou-se cedo, culminando em sua consagração como Pia Discípula do Divino Mestre em 25 de março de 1977.

Ao longo de sua caminhada religiosa, Ir. M. Bernardita tem sido um exemplo de serviço e amor ao próximo. Sua vocação reflete a missão das Pias Discípulas do Divino Mestre, que buscam viver em comunhão com Cristo e servir à Igreja por meio da oração e da liturgia.

Neste dia especial, rendemos graças pela sua vida e missão, reconhecendo sua entrega generosa e seu compromisso com a espiritualidade e o serviço à todas as irmãs Pias Discípulas, neste seu ministério como superiora geral deste instituto. Que sua trajetória continue a inspirar a todos aqueles que buscam viver com fé e dedicação.

BEM-AVENTURADO PE. TIMÓTEO GIACCARDO E AS PIAS DISCÍPULAS DO DIVINO MESTRE

O Bem-Aventurado Pe. Timóteo Giaccardo (1896–1948) foi um sacerdote italiano, membro da Família Paulina, e um dos principais colaboradores do Bem-Aventurado Tiago Alberione na fundação das congregações paulinas. Dotado de uma profunda espiritualidade e amor pela Igreja, Pe. Giaccardo desempenhou um papel essencial na formação e consolidação das Pias Discípulas do Divino Mestre, uma congregação feminina dedicada à adoração eucarística, ao serviço sacerdotal e ao apostolado litúrgico.

Infância e Vocacão

Pe. Timóteo Giaccardo nasceu em Bra, na Itália, em 13 de junho de 1896. Desde pequeno, demonstrava grande devoção e interesse pela vida religiosa, destacando-se por sua piedade e amor à Eucaristia. Seu encontro com Pe. Tiago Alberione, fundador da Família Paulina, foi determinante para sua vocação. Aos doze anos, ingressou no seminário menor e, posteriormente, passou a integrar a Sociedade de São Paulo, fundada por Alberione.

Durante seus anos de formação, Pe. Giaccardo aprofundou seu compromisso com a espiritualidade e a missão da Família Paulina, tornando-se um dos mais fiéis colaboradores de Pe. Alberione. Foi ordenado sacerdote em 19 de outubro de 1919, assumindo de imediato responsabilidades na propagação do carisma paulino.

O Apoio Fundamental de Pe. Giaccardo

Desde a sua criação, as Pias Discípulas encontraram em Pe. Timóteo Giaccardo um verdadeiro guia espiritual. Ele não apenas ajudou a estruturar a espiritualidade da congregação, mas também defendeu sua existência em momentos de grande dificuldade. Junto com Madre Escolástica Rivata, primeira Pia Discípula e animadora da congregação, Pe. Giaccardo trabalhou para garantir que as Pias Discípulas tivessem um caminho seguro dentro da Família Paulina.

A missão das Pias Discípulas do Divino Mestre sempre esteve ligada a três grandes pilares: a Eucaristia, o Sacerdócio e a Liturgia. Pe. Giaccardo compreendia profundamente a necessidade de uma congregação feminina que se dedicasse à oração, ao apoio aos sacerdotes e à evangelização por meio da liturgia e da arte sacra. Ele acompanhou de perto a formação espiritual das irmãs e intercedeu constantemente para que a nova comunidade fosse reconhecida oficialmente.

Seus esforços e orações foram tão intensos que ele chegou a oferecer sua própria vida pela aprovação da congregação. Pouco tempo depois de sua morte em 1948, as Pias Discípulas receberam o reconhecimento oficial da Santa Sé em 1957, consolidando sua missão na Igreja.

Espiritualidade e Missão das Pias Discípulas

As Pias Discípulas do Divino Mestre têm como carisma a vivência profunda da espiritualidade eucarística, sacerdotal e litúrgica. Seu apostolado se expressa na adoração perpétua ao Santíssimo Sacramento, no apoio e oração pelos sacerdotes, e na evangelização por meio da arte sacra, da liturgia e da formação cristã.

As irmãs exercem sua missão em diversos países, proporcionando formação litúrgica, confecção de objetos sagrados, e prestando assistência espiritual a comunidades e clero. Sua presença silenciosa, mas profundamente ativa, reflete o desejo de Pe. Giaccardo de que a Igreja fosse sempre nutrida pelo Divino Mestre, Cristo, que é Caminho, Verdade e Vida.

Beatificação e Legado

Pe. Timóteo Giaccardo foi beatificado em 22 de outubro de 1989 pelo Papa João Paulo II, reconhecido por sua santidade e pelo compromisso fiel ao carisma paulino. Seu testemunho de amor à Eucaristia, à Igreja e à Família Paulina continua inspirando fiéis em todo o mundo.

Seu legado é lembrado especialmente nas casas das Pias Discípulas do Divino Mestre, onde sua memória e ensinamentos seguem vivos no apostolado das irmãs. Ele é considerado um exemplo de humildade, dedicação e profunda vida de oração.

A história das Pias Discípulas e a vida do Pe. Timóteo Giaccardo são um convite a uma vida centrada em Cristo Mestre, Caminho, Verdade e Vida. Seu exemplo nos motiva a um compromisso mais profundo com a oração, a santidade e o serviço à Igreja.

O Bem-Aventurado Pe. Timóteo Giaccardo foi um verdadeiro apóstolo do Divino Mestre. Sua vida foi marcada pela fé inabalável, pelo zelo pastoral e pelo amor à Eucaristia. Seu empenho na fundação e no reconhecimento das Pias Discípulas do Divino Mestre foi um testemunho de sua dedicação à Família Paulina e à Igreja.

Hoje, sua espiritualidade continua inspirando religiosos e leigos a viverem com intensidade a relação com Cristo Mestre. Que seu exemplo de entrega total a Deus seja um modelo para todos os que desejam seguir o caminho da santidade.

“Cristo Mestre seja tudo para vocês!” – Bv. Pe. Timóteo Giaccardo.

PAPA FRANCISCO E AS PIAS DISCÍPULAS DO DIVINO MESTRE

Diante da delicada situação de saúde do Papa Francisco, voltamos nosso olhar para suas palavras dirigidas a nós em 2017, durante o nosso Capítulo Geral. Suas mensagens de encorajamento e seu desejo de bem para nossa congregação continuam a nos inspirar. Movidas por essa lembrança, renovamos nossa fé e reforçamos nossas orações por sua recuperação, pedindo a Deus que lhe conceda força, serenidade e saúde para seguir conduzindo a Igreja com sabedoria e amor.

DISCURSO DO PAPA FRANCISCO
 ÀS PARTICIPANTES NO CAPÍTULO GERAL
DAS PIAS DISCÍPULAS DO DIVINO MESTRE

Sala do Consistório
Segunda-feira, 22 de maio de 2017


Queridas Irmãs!

Dou as minhas boas-vindas a todas vós e saúdo cordialmente a nova Superiora-Geral e as novas Conselheiras. Faço votos para que este tempo forte que é o Capítulo Geral traga abundantes frutos evangélicos à vida do vosso Instituto.

Antes de tudo, frutos de comunhão. Abertas ao Espírito Santo, Mestre da diversidade, da unidade nas diferenças, caminhareis numa comunhão entre vós que respeite a pluralidade, que vos impulsione a tecer incansavelmente a unidade nas legítimas diferenças, considerando também o facto de que estais presentes em diversos países e culturas. «Como consentir a cada um de se exprimir, ser acolhido com os seus dons específicos, tornar-se plenamente corresponsável?» (Carta ap. Às pessoas consagradas, 21 de novembro de 2014, II, 3). Cultivando a atenção e o acolhimento recíproco; praticando a correção fraterna e o respeito pelas irmãs mais débeis; crescendo no espírito do viver juntas; banindo das comunidades as divisões, as invejas, os mexericos; dizendo tudo com franqueza e caridade. Sim, pode-se viver assim. Tudo isto que acabei de mencionar destrói a Congregação.

Frutos de comunhão com os irmãos e as irmãs da Família Paulina. Tendes em comum o sacerdote e fundador, padre Giacomo Alberione, e também a missão: anunciar o Evangelho aos homens e às mulheres do nosso tempo, particularmente no vosso caso, mediante o serviço litúrgico e o cuidado dos sacerdotes. Isto é bonito.

Frutos de comunhão com os outros carismas. É o momento da sinergia de todos os consagrados para acolher as riquezas dos demais carismas e pô-las todas ao serviço da evangelização, permanecendo fiéis à própria identidade. «Ninguém constrói o futuro isolando-se, nem contando apenas com as próprias forças« (ibidem). Por conseguinte, convido-vos a cultivar o diálogo e a comunhão com os outros carismas, e a combater de todos os modos a autorreferencialidade. Não é bom quando um consagrado ou consagrada é autorreferencial, sempre diante do espelho a olhar para si mesmo. É terrível.

Por fim, frutos de comunhão com os homens e as mulheres do nosso tempo. O nosso Deus é o Deus da história e a nossa é uma fé que age na história. Nas dúvidas e nas expetativas dos homens e das mulheres de hoje encontramos indicações importantes para o nosso seguimento de Cristo.

O Capítulo é tempo de escuta do Senhor que nos fala através dos sinais dos tempos; tempo de escuta recíproca e portanto de abertura a quanto o Senhor nos comunica mediante os irmãos; tempo de confronto sereno e sem preconceitos entre os próprios projetos e os dos outros. Tudo isto exige abertura da mente e do coração. Neste sentido o Capítulo é um tempo propício para praticar o espírito do êxodo e da hospitalidade: sair de si mesmo para acolher com alegria a parte de verdade que o outro me comunica e juntos caminhar para a verdade plena, a única que nos torna livres (cf. Jo 8, 32).

Ouvir as irmãs. Penso que um dos apostolados mais importantes hoje é o do ouvido: escutar. Ouvir as irmãs, assim como os homens e as mulheres de hoje, e partilhar com eles: estas atitudes são necessárias para um bom Capítulo e para uma santa vida fraterna em comunidade, em cujo crescimento todos se sentem participantes, todos oferecem e todos recebem. Não vos canseis de vos exercitar continuamente na arte da escuta e da partilha. Neste tempo de grandes desafios, que exigem dos consagrados fidelidade criativa e busca apaixonada, a escuta e a partilha são mais necessárias do que nunca, se quisermos que a nossa vida seja plenamente significativa para nós mesmos e para as pessoas que encontramos.

Para tal finalidade é necessário manter um clima de discernimento, para reconhecer o que pertence ao Espírito e o que lhe é contrário. Diante de nós abre-se um mundo de possibilidades. A cultura na qual estamos imersos apresenta-se-nos todas como válidas, boas, mas se não quisermos ser vítimas da cultura do zapping e, às vezes, de uma cultura de morte, devemos incrementar o habitus do discernimento, formar-nos e formar para o discernimento. Não vos canseis de perguntar pessoal e comunitariamente: «Senhor, o que queres que eu faça?», «o que queres que façamos?».

O Capítulo é também tempo para renovar a docilidade ao Espírito que anima a profecia. Ela é um valor irrenunciável para a vida consagrada, porque é uma forma especial de participação na missão profética de Cristo. Isto inclui o ser audaz e ao mesmo tempo humilde, apaixonado por Deus e pela humanidade, para se tornar porta-voz de Deus contra o mal e contra todo o pecado (cf. Vita consecrata , 84).

Como consagradas vivei, em primeiro lugar, a profecia da alegria. Ela está em primeiro lugar. Em primeiro lugar está a profecia da alegria: a alegria do Evangelho. É uma profecia. Hoje o mundo precisa disto: a alegria que nasce do encontro com Cristo numa vida de oração pessoal e comunitária, na escuta diária da Palavra, no encontro com os irmãos e as irmãs, numa feliz vida fraterna em comunidade, inclusiva da fragilidade e no abraço à carne de Cristo nos pobres. Profetas de uma alegria que nasce do nos sentirmos amados e, porque somos amados, perdoados.

A alegria é uma linda realidade na vida de muitos consagrados, mas é também um grande desafio para todos nós. Um seguimento triste é um triste seguimento! E a alegria autêntica, não autorreferencial nem arrogante, é o testemunho mais credível de uma vida plena (cf. Jo 10, 10), porque nele «transparecem a alegria e a beleza de viver o Evangelho e de seguir Cristo» (Carta ap. Às pessoas consagradas , 21 de novembro de 2014, II, 1).

Ao mesmo tempo, esta alegria que enche os vossos corações e se manifesta nos vossos rostos levar-vos-á a sair rumo às periferias participando da alegria da Igreja que é a evangelização. Mas para fazer isto a alegria deve ser verdadeira, não uma alegria falsificada! Não falsifiqueis a alegria. A evangelização, quando estamos convictos de que Jesus é a Boa Nova, é alegria e felicidade para todos. Esta alegria afasta de nós o cancro da resignação, fruto da preguiça que torna a alma árida. Por favor, irmãs resignadas, não! Alegria. Mas o diabo dirá: «Somos poucas, não temos vocações…». Deste modo, fecha-se a cara, faz-se carranca… e perde-se a alegria, acabando na resignação. Não, não se pode viver assim: a esperança de Jesus Cristo é alegria.

Encorajo-vos também a ser profetas de esperança, com os olhos dirigidos para o futuro, lá onde o Espírito impele, para continuar a fazer convosco grandes coisas (cf. Vita consecrata , 110). Santo Hilário de Poitiers, no seu Comentário aos salmos (118, 15, 7), fazia-se eco de uma pergunta que muitos formulavam e ainda hoje formulam aos cristãos: «Onde está, ó cristãos, a vossa esperança?». Como consagrados sabemos que não podemos ser surdos a esta questão. Como todos os discípulos de Jesus sabemos que a esperança é para nós uma responsabilidade, porque fomos chamados a responder a todos que nos perguntarem a sua razão (cf. 1 Pd 3, 15). A esperança que não desilude não se baseia em números nem em obras, mas n’Aquele para o qual nada é impossível (cf. Lc 1, 37).

Santo Agostinho diz que «só a esperança nos torna propriamente cristãos» (A Cidade de Deus, 6, 9, 5). E noutra obra afirma: «A nossa vida, agora, é esperança, depois será eternidade» (Comentário aos salmos 103, 4, 17). Só a esperança permite que caminhemos na estrada da vida, só ela nos torna capazes de futuro. Jesus Cristo é a nossa esperança (cf. 1 Tm 1, 1): n’Ele depositemos a nossa confiança (cf. 2 Tm 1, 12), e com a força do Espírito Santo podemos ser profetas de esperança.

Com esta confiança e força repito-vos: não vos unais aos profetas de desventura, que fazem muitos danos à Igreja e à vida consagrada; não cedais à tentação da sonolência — como os apóstolos no Getsémani — e do desespero. Fortalecei a vossa vocação de «sentinelas da manhã» (cf. Is 21, 11-12) para poder anunciar aos outros a chegada da aurora. Despertai o mundo, iluminai o futuro! Sempre com o sorriso, a alegria, a esperança.

Obrigado pelo que sois, pelo que fazeis e como o fazeis, também aqui na Cidade do Vaticano. Muito obrigado! Maria nossa Mãe vos proteja com o seu olhar e o Senhor vos abençoe, vos mostre o seu Rosto, vos conceda paz e misericórdia.

Por favor, rezai por mim.


Copyright © Dicastero per la Comunicazione – Libreria Editrice Vaticana

Fonte:

PAPA FRANCISCO. Discurso do Papa Francisco às Pias Discípulas do Divino Mestre. Vaticano: Libreria Editrice, 22 maio 2017. Disponível em: https://www.vatican.va/content/francesco/pt/speeches/2017/may/documents/papa-francesco_20170522_pie-discepole-divin-maestro.html. Acesso em: [19 fev. 2025].

JUNIORISTAS PIAS DISCÍPULAS DO DIVINO MESTRE RENOVAM SEUS VOTOS RELIGIOSOS

As junioristas Pias Discípulas do Divino Mestre, Ir. M. Antônia Bianca Oliveira dos Santos e Ir. M. Kainã Barbosa da Silva, renovaram recentemente seus votos religiosos em celebrações marcadas pela fé, pela entrega a Deus e pela alegria da vida consagrada. A renovação dos votos representa um passo significativo na caminhada vocacional dessas irmãs, reafirmando seu compromisso com a missão e com a espiritualidade da congregação.

Celebração em São Paulo: Ir. M. Antônia Bianca Oliveira dos Santos

No dia 09 de fevereiro de 2025, na cidade de São Paulo, Ir. M. Antônia Bianca Oliveira dos Santos renovou seus votos religiosos em uma celebração marcada pela profundidade espiritual e pelo eco da Palavra de Deus. A liturgia do dia, com os textos de Lucas 5,1-11, Isaías 6,1-2a.3-8, o Salmo 138 (137) e a Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios 15,1-11, trouxe um rico significado ao seu compromisso renovado.

Neste 5º domingo do Tempo Comum, a Palavra de Deus nos apresenta o chamado dos primeiros discípulos, conforme narrado por Lucas. Jesus convida Simão Pedro a lançar novamente as redes, conduzindo a uma pesca milagrosa. Esse episódio se entrelaça com a experiência do profeta Isaías, que, ao sentir-se indigno diante da santidade divina, acolhe com humildade sua missão. Essa mesma atitude de entrega e confiança é essencial a todos os que seguem o Senhor, reconhecendo suas limitações, mas aceitando o chamado divino.

O apóstolo Paulo, na Carta aos Coríntios, recorda o anúncio do Evangelho e ressalta como a graça de Deus opera na fraqueza humana. Assim, a liturgia deste dia iluminou de forma especial o sim de Ir. M. Antônia Bianca, fortalecendo seu compromisso ao renovar os votos religiosos. Como Pedro, Isaías e Paulo, ela respondeu com amor e confiança ao chamado do Divino Mestre, reafirmando sua disposição para seguir em missão, mesmo diante dos desafios.

Celebração em Olinda/PE: Ir. M. Kainã Barbosa da Silva

Poucos dias depois, no dia 11 de fevereiro de 2025, foi a vez de Ir. M. Kainã Barbosa da Silva renovar seus votos religiosos em uma celebração especial na cidade de Olinda, Pernambuco. A solenidade ocorreu na comunidade local das Pias Discípulas do Divino Mestre, reunindo irmãs da congregação e amigos que acompanham sua trajetória vocacional.

Assim como Ir. M. Antônia Bianca, Ir. M. Kainã renovou seus votos religiosos com fervor e profunda espiritualidade, reafirmando sua consagração ao Senhor. Sua jornada tem sido marcada pela busca constante de serviço e de vivência do carisma da congregação, que se dedica à espiritualidade e à missão evangelizadora por meio da liturgia e da pastoral vocacional.

A comunidade local celebrou com alegria esse momento especial, reforçando a importância da vocação religiosa e da vida consagrada na construção do Reino de Deus.

Significado da Renovação dos Votos Religiosos

A renovação dos votos é um momento essencial na caminhada das religiosas, pois reafirma sua escolha de seguir a Cristo de maneira plena e dedicada. Para as junioristas, esse período é de aprofundamento da vocação e de vivência do carisma congregacional, preparando-as para a profissão perpétua no futuro.

As Pias Discípulas do Divino Mestre, congregação fundada pelo Bem-Aventurado Tiago Alberione, têm como missão principal a oração e o apostolado litúrgico. Seu carisma está intimamente ligado à vivência da espiritualidade e ao testemunho de vida centrado na Eucaristia, no Sacerdócio e na Liturgia.

Ao renovarem seus votos, Ir. M. Antônia Bianca e Ir. M. Kainã reafirmam sua disponibilidade em servir a Deus e aos irmãos, mantendo viva a essência da vocação religiosa.

As celebrações realizadas em São Paulo e Olinda foram momentos de graça e bênção, que marcaram a caminhada vocacional das irmãs junioristas. A renovação dos votos é uma ocasião de renovar o sim a Deus, fortalecendo a missão e o compromisso com o Reino.

A comunidade das Pias Discípulas do Divino Mestre segue em oração por Ir. M. Antônia Bianca e Ir. M. Kainã, para que continuem firmes em sua caminhada de fé e doação. Que o Divino Mestre as fortaleça e guie em sua missão, para que possam testemunhar com alegria e amor a presença de Deus no mundo.

TECLA MERLO: UM EXEMPLO DE FÉ E DEDICAÇÃO AO SERVIÇO DE DEUS

No dia 5 de fevereiro de 2025, celebramos o 61º aniversário de morte da Mestra Tecla Merlo (1894-1964) que foi uma mulher visionária e devota, cuja vida e legado continuam a inspirar. Nascida na Itália, ela, junto com o Bem Aventurado Tiago Alberione, ajudou a fundar a Congregação das Irmãs de São Paulo (ou Irmãs Paulinas) com um propósito claro: utilizar os meios de comunicação para evangelizar e transmitir os ensinamentos cristãos ao mundo.

Sua visão inovadora a levou a explorar a imprensa, a rádio, o cinema e outros canais de comunicação como ferramentas poderosas de evangelização. Ao longo de sua vida, Tecla Merlo buscou capacitar mulheres para se tornarem instrumentos de transformação social e espiritual, cumprindo sua missão de espalhar a mensagem de Cristo através das novas tecnologias.

Com profunda fé e coragem, Tecla animou uma congregação dedicada à caridade e à comunicação. Suas Irmãs Filhas de São Paulo desempenham até hoje um papel fundamental na formação de líderes cristãos e na disseminação de valores cristãos através de diversos meios de comunicação.

A dedicação de Tecla Merlo à causa do Evangelho e seu compromisso com a educação religiosa, a justiça e o papel das mulheres na Igreja Católica são fontes de inspiração para muitas pessoas ao redor do mundo. Em reconhecimento à sua vida de serviço, o processo de beatificação de Tecla Merlo foi iniciado em 2003, reafirmando a importância de seu trabalho e de seu legado.

Com coragem e determinação, Tecla Merlo provou que a fé pode se expressar de muitas formas, e que os meios de comunicação são aliados poderosos para levar a mensagem de Cristo a todos os cantos do mundo.

A figura de Tecla Merlo continua a inspirar novas gerações da Família Paulina, que veem nela um exemplo de fé profunda, dedicação ao serviço de Deus e paixão pela missão. Seu trabalho ainda é um modelo de como integrar o cristianismo com as necessidades do mundo contemporâneo.

Abaixo, a carta escrita para esta ocasião pela Ir. Anna Caiazza, superiora geral das Irmãs Filhas de São Paulo:

Em memória de Maestra Tecla 2025

Carta de ir. Anna Caiazza, superiora geral das Irmãs Filha de São Paulo

Roma, 5 de fevereiro 2025

Caríssimas irmãs e jovens em formação,

inicio esta página dedicada a Mestra Tecla, no 61° aniversário de sua morte, com as palavras que o papa Francisco dirigiu aos participantes do Jubileu da comunicação, no dia 25 de janeiro passado:

… narrai também histórias de esperança, histórias que alimentam a vida. Que o vosso storytelling seja também hopetelling. (…) Narrar a esperança significa ver as migalhas de bem escondidas até quando tudo parece perdido, significa permitir esperar até contra toda a esperança. Significa dar-se conta dos rebentos que brotam quando a terra ainda está coberta de cinzas. Narrar a esperança significa ter um olhar que transforma a realidade, levando-a a tornar-se o que poderia, o que deveria ser. Significa fazer com que a realidade se encaminhe para o seu destino. Eis o poder das histórias! E é isto que vos encorajo a fazer: narrar a esperança, compartilhá-la. Este é – como diria São Paulo – o vosso “bom combate”.

Narrar a esperança, antes de tudo com a vida, com o testemunho de um modo novo de viver. É o quanto fez a Primeira Mestra, por isso é “história de esperança” para nós.

Maestra Tecla semeou, no terreno bom da vida paulina, alegria e confiança no futuro; nos ajudou a crer e a perseverar nas provas, a esperar com paciência a hora de Deus, a não temer o cansaço, os sofrimentos e os sacrifícios por um objetivo “alto”.

Ensinou-nos que esperar não é saber se tudo irá bem ou irá mal, mas a certeza de que aquilo que acontece tem um sentido, e portanto, é preciso viver e testemunhar a esperança também nas trevas sem sentido.

Incentivou-nos a fazer-nos companheiras de estrada dos homens e das mulheres do nosso tempo, radicadas no presente que continuamente muda e acolhendo, portanto, o desafio de caminhar com os tempos, em busca contemplativa das novas estradas que o Espírito abre ao anúncio da Bela Notícia, aberta ao futuro de Deus, rumo à concretização daquilo que, no momento parece impossível, porque de nós nada podemos; com ele, tudo.

Eis, confiemo-nos a Deus, a nossa esperança está toda nele, procuremos só a Deus. Sejamos espertas, a santidade consiste totalmente nisto: buscar só a Deus. Quando temos o coração e a alma plenos de Deus e trabalhamos só por ele, o que mais podemos desejar além disso? (CSAS 109,11)

A Primeira Mestra, peregrina da esperança, partilhou o sonho de dar a todos, através das diversas formas do nosso apostolado, “razões para esperar”, com doçura e respeito (cf. 1Pd 3,16), com aquela mansidão que é fruto do Espírito, tecendo relações e promovendo a comunhão, antes de tudo entre nós. Nisso nos reconhecerão…

Com o seu exemplo e por ela acompanhadas, renovemos o nosso empenho em comunicar, juntas, a beleza da fé, a audácia da esperança, as nuances da caridade nas linguagens e nas modalidades comunicativas mais adequadas para falar ao coração do homem e da mulher de hoje.

Maestra Tecla continue a proteger, acompanhar e bendizer todas nós, os membros da Família Paulina e a humanidade ferida dos nossos dias.

Com afeto, em comunhão de esperança.

Ir. Anna Caiazza
superiora geral

TEMPO DO NATAL

“Hoje, na cidade de Davi, nasceu para vós um Salvador, que é Cristo Senhor” (Lc 2,11).

O Senhor fez resplandece esta noite santa com o esplendor da verdadeira luz! (liturgia).

Nesta noite, Papa Francisco abre de novo a Porta Santa da Basílica de São Pedro no Vaticano, dando início ao Jubileu Ordinário, o jubileu da Encarnação. Somos convidados a contemplar os “sinais de luz no nosso mundo” e invocar o Espírito Santo de Deus sobre cada uma destas boas obras e luz de Deus na humanidade. A liturgia do Natal leva-nos a uma experiência de luz, de exultação, de alegria, porque a verdadeira “Luz” que veio ao mundo ilumina cada ser humano.

O SIGNIFICADO DO NATAL

“Uma das maiores obras de Deus em favor de todos nós, uma das maiores ‘liturgias’ de Deus, portanto, foi quando ele nos ‘presenteou’ seu próprio Filho para ser o nosso Salvador. Desde muito tempo, Deus vinha se mostrando um ‘tremendo apaixonado’ pela nossa humanidade. E, enfim, depois de um longo período de ‘noivado’, em todo o Antigo Testamento, Deus acabou se ‘casando’ com a humanidade, na pessoa de Maria. Realizou-se a promessa, realizou-se a profecia (cf. Is 62,1-5). E deste ‘casamento’ resultou – por obra do Espírito Santo! – uma ‘gravidez’ e, por esta ‘gravidez’, foi-nos dado Jesus, Filho de Deus, Emanuel (Deus-conosco!) (cf. Mt 1,18-25): ‘O Verbo eterno de Deus se fez carne e habitou entre nós’ (Jo 1,14). Que maravilhosa obra de Deus em favor da humanidade!… […] um enorme bem que Deus fez para nós, através do ‘sim’ de Maria: O Verbo eterno de Deus ‘mergulhou’, de cabeça, para dentro do imenso e abissal mistério da nossa existência humana. É muito amor por nós! […] no Natal, podemos ouvir a auspiciosa notícia do anjo: ‘Não tenham medo! Eu lhes anuncio uma grande alegria, que deve ser espalhada para todo o povo. Hoje… nasceu para vocês um Salvador, que é o Cristo Senhor’. E um coral imenso de anjos irrompe num alegre hino de louvor: ‘Glória a Deus no mais alto dos céus, e paz na terra aos homens por ele amados’ (cf. Lc 1,10-14). Paz na terra aos homens (e mulheres) amados por ele!… Deus nos amou e, deste amor resultou para nós a paz, que no fundo é sinônimo de vida. E nisto está precisamente a sua admirável grandeza: ‘A glória de Deus é a vida do ser humano’ (Santo Irineu)”.[1]


[1] ARIOVALDO DA SILVA, José. A liturgia do natal, apostila.

[2] https://www.youtube.com/watch?v=AX5vsjRJb10