AS BEM-AVENTURANÇAS: O CAMINHO DO REINO REVELADO AOS PEQUENOS

Ir. Julia Almeida, pddm

4º Domingo do Tempo Comum – Ano A | 1º de fevereiro de 2026
Leituras: Sf 2,3;3,12-13 | Sl 145(146),7.8-9a.9bc-10 (R. Mt 5,3) | 1Cor 1,26-31 | Mt 5,1-12a

O Evangelho deste 4º Domingo do Tempo Comum nos conduz ao coração da mensagem de Jesus: as Bem-aventuranças (Mt 5,1-12a). Diante da multidão, Jesus sobe ao monte, senta-se como Mestre e começa a ensinar. Não se trata apenas de um discurso moral, mas da revelação de um modo novo de viver, de ver o mundo e de se colocar diante de Deus. As Bem-aventuranças não descrevem pessoas ideais ou situações perfeitas; revelam, antes, o agir do Reino de Deus na fragilidade humana.

Domingo passado, com os textos do 3º Domingo do Tempo Comum, Mateus apresentou o início da missão pública de Jesus: o anúncio da proximidade do Reino, o chamado dos primeiros discípulos e a formação de um povo que se reúne em torno de sua palavra e de seus gestos de vida e cura. É o momento do convite decisivo:“Vinde após mim”. Este convite inaugura um caminho de seguimento, conversão e disponibilidade interior. O Reino começa como movimento: deixar as próprias redes, aproximar-se de Jesus e entrar na dinâmica de uma vida que se orienta a partir dele.

Neste 4º Domingo, o Evangelho nos conduz a um novo patamar desse mesmo caminho. Jesus sobe ao monte, senta-se e, diante dos discípulos, revela o coração do Reino por meio das Bem-aventuranças. Já não se trata apenas de seguir, mas de deixar-se configurar por Ele; não apenas de ouvir o anúncio, mas de assumir um modo de viver. As Bem-aventuranças não são exigências abstratas, mas o retrato da vida que floresce quando o Reino é acolhido: uma existência marcada pela pobreza de espírito, pela mansidão, pela misericórdia e pela fome de justiça, sinais de uma humanidade transformada pela presença de Deus.

Mateus 5,1-12a é escrito dentro de um contexto histórico, comunitário e teológico muito preciso, que ajuda a compreender a força e a originalidade das Bem-aventuranças. Não se trata de palavras soltas de Jesus, mas de um texto cuidadosamente elaborado para uma comunidade concreta e para um momento decisivo da narrativa evangélica.

O Evangelho de Mateus é redigido provavelmente entre os anos 80–90 d.C., para uma comunidade cristã de origem majoritariamente judaica, que vive uma situação de tensão e reorganização após a destruição do Templo de Jerusalém (70 d.C.). Esses cristãos enfrentam a ruptura progressiva com o judaísmo rabínico nascente, a perseguição e a marginalização social, a necessidade de afirmar sua identidade como comunidade dos discípulos de Jesus.

As Bem-aventuranças, nesse contexto, oferecem critérios de identidade: indicam quem são, de fato, os herdeiros do Reino, não a partir do poder religioso ou do prestígio social, mas da fidelidade vivida em meio à fragilidade, à perseguição e à esperança.

Em especial, Mateus 5,1-12a abre o chamado Sermão da Montanha (Mt 5–7), o primeiro dos cinco grandes discursos de Jesus em Mateus. Ele é colocado logo após o início da missão de Jesus (Mt 4,12-17), o chamado dos discípulos (4,18-22), a formação das multidões (4,23-25). Ao situar Jesus “subindo ao monte” e “sentando-se”, Mateus o apresenta como o novo Moisés, não para abolir a Lei, mas para revelar seu sentido pleno. As Bem-aventuranças funcionam como o portal de entrada desse ensinamento: olha que interessante, não começam com mandamentos, mas com promessas de vida e felicidade.

Teologicamente, Mt 5,1-12a expressa a lógica inversa do Reino dos Céus. Em um mundo marcado por hierarquias, honra e exclusões, Jesus proclama bem-aventurados aqueles que parecem estar à margem: pobres, mansos, aflitos, misericordiosos, perseguidos. Isso revela um Deus que se inclina para os pequenos, um Reino que já está presente, mas se manifesta de modo paradoxal, uma felicidade fundada na relação com Deus, e não no sucesso visível.

Assim, o contexto de Mateus 5,1-12a é o de uma comunidade chamada a reconhecer-se nas Bem-aventuranças, não como ideais inalcançáveis, mas como a descrição da vida dos discípulos que, mesmo em meio às provações, já vivem sob o senhorio do Reino.

E o texto inicia de forma interessante: “Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus”. A felicidade proclamada por Jesus não se confunde com sucesso, poder ou prestígio. Ela nasce da confiança radical em Deus, da abertura interior que reconhece a própria pobreza e necessidade. O “pobre em espírito” é aquele que não se apoia em si mesmo, mas se deixa conduzir pelo Senhor. É o discípulo que aprende a viver da graça.

Ser pobre de espírito, no sentido evangélico, não é uma atitude de desvalorização de si nem simples carência material, mas uma postura interior diante de Deus e da vida. Trata-se de reconhecer que tudo é dom e que a própria existência não se sustenta por si mesma. O pobre de espírito sabe que não é autossuficiente: vive na escuta, na confiança e na disponibilidade para acolher o agir de Deus, sem pretender controlar tudo ou garantir-se apenas por seus próprios méritos.

Efetivamente, ser pobre de espírito significa desapegar-se das falsas seguranças como o poder, prestígio, saber, até mesmo de imagens rígidas de si e de Deus para viver na liberdade de quem depende do Senhor. É uma pobreza que gera espaço interior: espaço para a Palavra, para o outro, para o Reino que já se faz presente. Por isso, o pobre de espírito é bem-aventurado, porque vive da graça e não da posse; caminha na humildade que abre o coração à ação transformadora de Deus.

Por que Jesus proclama bem-aventurados justamente os pobres, os aflitos, os mansos, os perseguidos? Por que Ele chama de felizes aqueles que, aos olhos do mundo, parecem frágeis ou perdedores? Jesus proclama bem-aventurados os pobres, os aflitos, os mansos e os perseguidos porque revela a lógica do Reino de Deus, tão diferente da lógica do mundo. Enquanto a sociedade associa felicidade ao sucesso, ao poder e à autossuficiência, Jesus aponta que a verdadeira bem-aventurança nasce da confiança em Deus e da abertura ao seu amor.

É importante salientar que as Bem-aventuranças não exaltam o sofrimento nem idealizam a dor. Elas anunciam que Deus está particularmente próximo daqueles que vivem a fragilidade, a pobreza e a injustiça. É nesses lugares que o Reino se manifesta com mais força, oferecendo consolo, justiça e esperança.

Ao proclamá-las, Jesus também apresenta o seu próprio caminho: Ele mesmo é pobre, manso, misericordioso, promotor da paz e fiel até a perseguição. Seguir o Mestre é aprender a viver segundo esse estilo, deixando que a Palavra transforme nossos critérios, escolhas e relações.

Assim, as Bem-aventuranças tornam-se um convite concreto à vida cristã: viver a misericórdia, promover a paz, buscar a justiça e permanecer fiel, certos de que a verdadeira felicidade não está na ausência de dificuldades, mas na presença fiel de Deus que caminha conosco.

Essa lógica atravessa todo o Evangelho e encontra eco profundo nas outras leituras deste domingo. O profeta Sofonias anuncia que Deus preservará “um povo humilde e pobre”, que buscará refúgio no nome do Senhor (Sf 3,12). Não são os fortes ou autossuficientes que permanecem, mas os pequenos, aqueles que vivem na fidelidade e na esperança. O Salmo responsorial confirma essa certeza: o Senhor faz justiça aos oprimidos, sustenta o órfão e a viúva, ama os justos e permanece fiel para sempre (Sl 145).

São Paulo, escrevendo aos coríntios, aprofunda ainda mais essa inversão de valores. Deus escolhe o que é fraco para confundir os fortes, o que é desprezado para revelar sua sabedoria (1Cor 1,26-31). A lógica do Reino desmonta os critérios do mundo. A salvação não é conquista humana, mas dom gratuito, oferecido em Cristo, nossa sabedoria, justiça e redenção.

As Bem-aventuranças, portanto, não são promessas distantes, mas um caminho concreto de discipulado. Elas nos interrogam como cristãos e cristãs: onde colocamos nossa segurança? Que tipo de felicidade buscamos? Somos capazes de reconhecer a presença de Deus na mansidão, na misericórdia, na fome e sede de justiça, na paz construída no cotidiano?

Neste primeiro domingo do mês de fevereiro, como Família Paulina, somos convidados a contemplar Jesus como Divino Mestre, aquele que ensina não apenas com palavras, mas com a própria vida. No monte das Bem-aventuranças, Jesus revela seu coração e nos educa para uma fé encarnada, sensível, profundamente humana e, ao mesmo tempo, aberta ao mistério do Reino. Aprender do Divino Mestre é deixar que sua Palavra molde nossos critérios, nossos afetos e nossas escolhas.

À luz dessa Palavra, também somos chamados a rezar com especial atenção pela intenção do Apostolado da Oração deste mês: por todas as crianças com doenças incuráveis e suas famílias. As Bem-aventuranças nos ajudam a olhar para essas vidas com os olhos de Deus. Elas nos lembram que a fragilidade não é sinal de abandono, mas lugar privilegiado da presença do Senhor. “Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados.” A promessa de Jesus não elimina a dor, mas garante que ela não é a última palavra.

Como comunidade cristã, somos convidados a ser sinal desse consolo: pela oração, pela proximidade, pelo cuidado concreto, pela esperança partilhada. O Reino anunciado por Jesus começa a acontecer quando nos fazemos próximos dos que sofrem, quando escolhemos a compaixão em vez da indiferença, a mansidão em vez da violência, a justiça em vez da exclusão.

Ao propor Mateus 5,1-12 para a liturgia do 4º Domingo do Tempo Comum – Ano A, a Igreja não pretende apenas oferecer um ensinamento moral elevado, mas animar as comunidades a reconhecerem sua própria vocação e identidade à luz do Reino. As Bem-aventuranças funcionam como um espelho no qual a comunidade é convidada a se contemplar e a se deixar interpelar: quem somos nós enquanto discípulos reunidos em torno de Jesus?

Em primeiro lugar, a liturgia anima as comunidades a relerem sua experiência concreta de vida e fé. Muitas vezes marcadas por fragilidades, limites, sofrimentos, conflitos ou falta de reconhecimento, as comunidades escutam que essas situações não as afastam do Reino, mas podem tornar-se lugar de bênção e de esperança. A proclamação das Bem-aventuranças sustenta e consola, afirmando que Deus está próximo dos pobres, dos que choram, dos mansos e dos perseguidos, e que a fidelidade vivida no cotidiano já participa da felicidade prometida.

Ao mesmo tempo, o texto impulsiona uma conversão do olhar e das práticas comunitárias. A animação proposta não é intimista, mas profundamente eclesial: ser comunidade bem-aventurada significa cultivar relações marcadas pela misericórdia, pela busca da justiça, pela mansidão e pela paz. Assim, a liturgia deste domingo convoca as comunidades a tornarem-se sinal visível do Reino no mundo, não pela força ou pelo prestígio, mas pelo testemunho humilde e coerente de uma vida transformada pelo Evangelho.

Que este 4º Domingo do Tempo Comum nos ajude a acolher o ensinamento do Divino Mestre e a percorrer, com confiança, o caminho das Bem-aventuranças. Nele, mesmo em meio às dores e fragilidades, aprendemos que a verdadeira felicidade nasce de Deus e se manifesta no amor vivido no cotidiano.


Bem-aventuranças e Vaticano II: a identidade da Igreja chamada pelo Reino

A liturgia do 4º Domingo do Tempo Comum – Ano A, ao proclamar o Evangelho das Bem-aventuranças (Mt 5,1-12a), coloca a comunidade cristã diante do coração do anúncio de Jesus: a revelação de um modo novo de viver, fundado na confiança em Deus, na mansidão, na misericórdia e na busca da justiça. Não se trata de um ideal abstrato ou reservado a poucos, mas da descrição concreta da identidade dos discípulos e das comunidades que acolhem o Reino já presente na história.

Essa perspectiva encontra profunda consonância com o atual ciclo de audiências do Papa Leão XIV sobre os Documentos do Concílio Vaticano II. Ao retomar o Concílio, o Papa insiste que a Igreja é, antes de tudo, uma comunidade que nasce da escuta da Palavra viva de Deus, num diálogo de aliança em que o Senhor se comunica como amigo e chama à resposta livre da fé. As Bem-aventuranças expressam exatamente essa dinâmica: não são simples normas morais, mas Palavra proclamada por Cristo que interpela, consola e configura interiormente aqueles que se colocam à sua escuta.

Além disso, o Vaticano II, como recorda Leão XIV, apresentou a Igreja como Povo de Deus, sacramento de comunhão e sinal de esperança para o mundo. As Bem-aventuranças delineiam o rosto desse povo: uma Igreja pobre de espírito, solidária com os que sofrem, comprometida com a paz e a justiça, capaz de testemunhar o Evangelho não pelo poder ou prestígio, mas pela coerência de vida. Assim, o Evangelho deste domingo e a releitura conciliar caminham juntos ao animar as comunidades a redescobrirem sua vocação fundamental: viver e manifestar, no cotidiano da história, a alegria paradoxal do Reino que já se faz presente entre nós.




DA LUZ AO SEGUIMENTO: O CAMINHO QUE A LITURGIA NOS ENSINA

Domingo, 25 de Janeiro de 2026
3º Domingo do Tempo Comum, Ano A
Hoje, omite-se a Festa de Conversão de São Paulo, Apóstolo

Leituras: Is 8,23b-9,3 ou At 9,1-22 | Sl 26(27),1.4.13-14 (R. 1a.1c) | 1Cor 1,10-13.17 | Mt 4,12-23

A liturgia deste 3º Domingo do Tempo Comum nos ajuda a compreender que a fé cristã não começa por uma ideia ou por uma norma, mas por um encontro que ilumina e chama. Ao longo das últimas celebrações, desde o 2º Domingo do Tempo Comum, a Igreja vem nos conduzindo por um verdadeiro caminho pedagógico: primeiro, somos convidados a reconhecer quem é Jesus; depois, a perceber o que sua presença provoca; e, finalmente, a responder ao seu chamado.

No Evangelho de hoje, Jesus inicia sua missão pública na Galileia, região considerada periférica e marcada por contrastes. A escolha não é casual. É ali, onde a vida parece mais confusa e ferida, que a luz prometida pelos profetas começa a brilhar. A liturgia retoma as palavras de Isaías: “O povo que andava nas trevas viu uma grande luz”. Com isso, nos ensina que Deus não espera um mundo ideal para agir; Ele entra na história concreta e a transforma a partir de dentro.

A primeira palavra de Jesus é clara: “Convertei-vos, porque o Reino dos Céus está próximo.” A conversão que a liturgia nos propõe não é apenas moral ou individual. Trata-se, antes de tudo, de aprender a olhar a realidade a partir do Reino. Quando o Reino se aproxima, muda-se o centro da vida, mudam-se as prioridades, mudam-se as relações.

Esse chamado à conversão já vinha sendo preparado ao longo da semana: nos Evangelhos de Marcos, vimos Jesus questionar práticas religiosas rígidas, colocar a vida acima da norma, curar no sábado e enfrentar resistências. A liturgia nos educa, assim, para compreender que seguir Jesus exige mais do que cumprir regras: exige discernimento, escuta e abertura ao novo de Deus.

Ao chamar os primeiros discípulos, Jesus não faz um longo discurso. Ele convida: “Vinde após mim.” A resposta é imediata: eles deixam as redes, o barco e o pai. Essas imagens falam diretamente à nossa vida.

As redes simbolizam aquilo que nos sustenta e nos dá segurança. O barco representa o espaço conhecido, controlável. Deixar tudo isso não significa desprezar a própria história, mas permitir que ela seja reorganizada a partir do Evangelho. A liturgia nos ensina que o seguimento cristão não é uma atividade paralela à vida, mas um novo modo de viver tudo.

A segunda leitura, da Primeira Carta aos Coríntios, reforça essa catequese. Paulo recorda que a comunidade cristã não pode se dividir em grupos ou preferências pessoais. Todos foram chamados pelo mesmo Cristo. A liturgia ajuda a compreender que a Igreja nasce do chamado e da escuta comum, não de afinidades humanas ou disputas internas.

Por isso, celebrar este domingo é também aprender a ser assembleia: pessoas diferentes, reunidas pela mesma Palavra, iluminadas pela mesma luz e enviadas para a mesma missão.

A liturgia, portanto, nos apresenta como escola de discipulado. Neste 3º Domingo do Tempo Comum, a liturgia nos educa passo a passo: ensina a reconhecer a luz que é Cristo; ajuda a discernir o que precisa ser convertido em nosso modo de viver a fé; e nos convida a responder com gestos concretos de seguimento.

Assim, a celebração não apenas fala de conversão e discipulado, mas os forma em nós. A cada domingo, a liturgia nos toma pela mão e nos conduz no caminho da fé, transformando a escuta em vida e a vida em missão.




Leitura Orante – 2º Domingo do Advento Ano C

Algumas recomendações: Antes de começar a leitura, prepare o ambiente, acenda uma vela…Encontre uma posição confortável, acalma-se de toda a agitação, preste atenção aos próprios sentimentos, pensamentos, preocupações…Deixe que volte ao coração acontecimentos, pessoas, situações…Entregue tudo ao Senhor. Em atitude de fé, invoque o Espírito Santo, pois é ele que ‘perscruta todas as coisas, até mesmo as profundidades de Deus’ (cf. I Coríntios 2,10-12). Se desejar escreve no seu caderno pessoal tudo que viveu durante a oração e partilhe.

Leituras dos textos bíblicos:

Evangelho Lucas 1, 26-38

1ªLeitura do Livro do Gênesis 3,9-15.20

Salmo 98 (97),1.2-3ab.3cd-4 

2ªLeitura – Leitura da Carta de São Paulo aos Efésios 1,3-6.11-12

QUATRO PASSOS DA LEITURA ORANTE

Invocação ao Espírito Santo…

Primeiro passo: LER[1]

“Ele me desperta a cada manhã e me excita o ouvido,

para prestar atenção como um discípulo” (Is 50,4b)

  • Ler e reler o texto, baixinho e em voz alta; escutar o texto (alguém está falando!).
  • Prestar atenção a cada palavra, às ideias, às imagens, ao ritmo, à melodia.
  • Tentar entender o texto (no contexto em que foi escrito).
  • Se for possível, recorrer também a um bom comentário de um biblista.
  • Ler como se fosse a primeira vez.
  • Ler quantas vezes forem necessárias para deixar o texto falar.
  • O que o texto está dizendo?
  • Não interpretar, nem jogar suas ideias no texto – escute!
  • Responder: Nível literário: Quem? O quê? Quando? Como? Onde? Por quê? O texto faz insistências (imagens, verbos, substantivos…)? Nível histórico: Quando o texto foi escrito? O relato coincide com a data da redação? Para quem foi escrito? Nível teológico: O que Deus estava dizendo naquela situação? Como ele se revelava? Como o povo respondia?
  • Obs.: procurar as respostas em primeiro lugar no texto, depois em algum subsídio.
  • Ao final desse momento, experimente reler o texto.[2]

Segundo passo: MEDITAR

“Uma vez Deus Falou, duas eu ouvi” (Sl 62,12)

  • Repetir o texto (ou parte dele) com a boca, a mente e o coração: não “engolir” logo o texto, e sim mastigá-lo, “ruminá-lo”, tirando dele todo o seu sabor; não ficar só com as idéias que contém, mas deixar que as próprias palavras mostrem sua força; aprender de cor (= de coração!) pelo menos uma parte do texto.
  • Penetrar no texto, interiorizá-lo; compreendê-lo, interpretá-lo a partir de nossa realidade; identificarmo-nos com ele. Perceber como o texto expressa nossas próprias experiências, sentimentos e pensamentos. Principalmente no caso dos salmos, estas experiências podem ser entendidas também como se referindo a Jesus, o Cristo.
  • Trata-se de atualizar o texto: perceber como ele acontece hoje, em nossa realidade pessoal comunitária e social; perceber qual a palavra que o Senhor poderá estar nos dizendo…
  • Ouvir o que Deus está dizendo hoje através do texto.
  • Relacionar o texto com outras leituras (texto da Bíblia ou da Liturgia).
  • Experimente reler o texto!
  • Escolha uma frase ou expressão do texto que te marcou.

Terceiro passo: ORAR

“O Espírito nos socorre em nossa fraqueza,

pois não sabemos orar como convém” (Rm 8,26)

  • Deixar brotar de dentro do coração tocado pela Palavra uma resposta ao Senhor. Dependendo da leitura e da meditação feitas, poderá ser uma resposta de admiração, louvor, agradecimento, pedido de perdão, compromisso, clamor, pedido, intercessão…
  • O que o texto me faz dizer a Deus?
  • Não “maquiar” os sentimentos diante de Deus.
  • A oração pode ser feita a partir de um salmo ou cântico bíblico.
  • Levar em conta o próprio texto e deixar o “movimento” do Espírito conduzir sua prece, louvor, adoração…
  • Você pode também compor uma oração estilo coleta ou uma introdução para a celebração dominical (sentido litúrgico).
  • Formular um compromisso: “Senhor, que queres que eu faça?”
  • Experimente reler o texto.

Quarto passo: CONTEMPLAR

“Tende em vós os mesmos sentimentos que havia em Jesus Cristo” (Fl 2,5)

  • A Bíblia não usa o verbo contemplar e, sim, escutar, conhecer, ver. Trata-se de saborear, “curtir” a presença de Deus, o jeito de ele ser e agir, o quanto ele é bom e o quanto faz por nós. Supõe uma entrega total na fé. Passa necessariamente pelo conhecimento de Jesus Cristo (“Quem me vê, vê o Pai”), que se encontra ao lado dos pobres.
  • Ver a realidade com os olhos de Deus. Transformação interior de que se pôs à escuta da palavra.
  • Contemplar = “viver no templo” – atitude permanente de vida.
  • Permitir a encarnação do Verbo – o sentido das escrituras está na sua realização em nossas vidas: “Hoje se cumpriu”.

Palavra de um lavrador: “…fui notando que se a gente vai deixando a palavra de Deus entrar dentro da gente, a gente vai se divinizando. Assim, ela vai tomando conta da gente e a gente não consegue mais separar o que é de Deus e o que é da gente. Nem sabe muito bem o que é Palavra dele e palavra da gente. A Bíblia fez isso em mim”.[3]

Para ajudar no aprofundamento dos textos

Alegria, Esperança, Liberdade! Tudo começou com um Sim!

“Tudo no mundo começou com um sim. Uma molécula disse sim a outra molécula e nasceu a vida. Mas antes da pré-história havia a pré-história da pré-história e havia o nunca e havia o sim.”  

(Clarice Lispector)

Evangelho de Lc 1 26-38.

Adentramos pelo tempo litúrgico em que somos convidadas(os) a fazer memória, refletir e alegrar-nos com o mistério da natividade de Jesus. Oportuna se faz a solenidade da Imaculada Conceição, que nos oferta o melhor exemplo de conversão ao trazer o Verbo Divino como salvação encarnada em seu ventre.

A jovem periférica, em sua pequenez, tornou-se grandiosa pela graça de Deus, exultada na saudação angélica: “Ave cheia de graça!”

Ah, menina Maria!

Somos chamadas(os) a contemplar, com Maria, o mistério supremo de Deus que nos interpela por sua Palavra de Salvação e nos revela seus desígnios divinos e, com a menina da Nazaré, mantermos a chama de uma vigilância permanente, renovadora e esperançada.

De um breve caminhar com Lucas

O texto da anunciação é tão conhecido por nós e nos parece simples. No entanto, talvez devamos nos acercar de certos aspectos relevantes desta boa notícia para a humanidade e assim sentirmos a alegria do anúncio a Maria.

Deve-se levar em consideração esforços feitos pelo evangelista, conforme ele mesmo afirma, em sua busca pelo Jesus humano e divino na história da salvação. Entretanto, o autor do Terceiro Evangelho faz parte de uma sociedade patriarcal, em um período de grande opressão do império vigente aliado a autoridades religiosas. Tanto no mundo judaico, como no mundo greco-romano, a mulher era desvalorizada, silenciada, de pouca valia. E ainda que os textos bíblicos sejam também influenciados pelo patriarcado, não conseguiram apagar brisa divina por meio da memória subversiva das mulheres. E é com este olhar que somos provocadas a refletir como seriam os desafios a uma jovem de periferia.

Ao narrar a anunciação feita pelo anjo Gabriel, o evangelista traz à lembrança outros anúncios de Deus feitos no Primeiro Testamento a mulheres estéreis cujos filhos teriam um papel importante no projeto divino. Ademais, nesse tempo sabemos que o autor do Terceiro Evangelho já havia revelado em seu texto o anúncio a Zacarias no templo onde era sacerdote; atente-se aqui para o que se assemelha e o que difere.

ALEGRIA

O evangelista inicia seu relato precisando um tempo e um local, ao explicitar que “no sexto mês”, em Nazaré da Galileia, uma periferia insignificante e desprezada, estava em sua casa e não em um templo, uma jovem virgem prometida em compromisso pré-nupcial já oficializado com José, um descendente de Davi. Ali se dá a visita de Gabriel (“Deus é forte”) a Maria a (“amada de Deus”) que lhe diz: “Ave, cheia de graça! Alegra-te, Maria, pois encontraste graça diante de Deus!” A pequena dos pequenos é engrandecida nesse momento, mas ela não se ensoberbece, ao contrário, se reconhece como é perante um evento perturbador.

Alegre-se, Maria, e vá! O caminho é longo…travessia!

Um pouco mais da anunciação

O “sexto mês”: ora, o anúncio do anjo Gabriel a Zacarias já havia acontecido e a gravidez de Isabel, a mulher mais idosa considerada estéril, já estava no sexto mês. Tempo em que o novo se apresentou para romper com o velho, aquele que duvidou ficou silenciado.

O primeiro passo da promessa já estava em curso em Isabel havia seis meses. A travessia começara. No entanto, era só o início ainda frágil do novo gestando seu porvir no que estava desgastado e ainda engessado no antigo, faltava a boa nova na nova, terra fértil – a jovem Maria. Conectadas estão essas mulheres, conectados estão as anunciações.

Isabel é a memória da fé do povo chegada até aquele presente, da promessa a se cumprir, memória é suporte que alimenta as primícias da transformação a chegar. Isabel é a porta aberta para o primeiro passo do caminho da nova travessia.

Maria é a fé presente em movimento. Maria comunidade nova e terra fecunda cujo novo, como projeto de Deus, surgirá para se insurgir em meio ao povo. É Maria que poderá passar a soleira da porta aberta e caminhar do antigo para o novo que virá, fazer a travessia salvífica libertadora da justiça prometida.

ESPERANÇA

Como estava a jovem no momento da anunciação? Atenta, em prontidão, ouviu, ressoou e escutou e em sua pouca vivência, conhecimento ou experiência, confusa, sente, pensa, indaga, busca saber, não rejeita, nem se acomoda. A explicação do anjo a acalma, pois na fé trazida em si a  menina deveria conhecer as promessas e as profecias de um rebento que viria para justiça aos povos, mas como se daria para ela não iniciada em sua vida de convivência conjugal.

– “Não tenhas medo!” Essa saudação de Deus a ela, algo tão recorrente à humanidade, a fortalece. Como temer? Esperança-se! E se lhe recorda as antigas promessas feitas pelo Senhor, que a partir de então serão realizadas, pois o anjo lhe explica: “Espírito a cobrirá com sua sombra”. A divina Ruah sopra e encobre a menina com sua luz.

E tudo ficou claro, iluminado para Maria. Sombra, não de obscuridade, mas de luminosidade gerando nela uma nova Vida. Ela sabe da imensa missão, nada fácil, de perigo no meio em que vivia, mas é pela graça nela inserida e Maria confia e esperança-se.

Esperance-se, Maria, e vá! O caminho é longo…travessia!

LIBERDADE!

A claridade veio a Maria e ela se doa em plenitude e com toda liberdade dada por Deus ao dizer: “Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo sua Palavra”, não é submissão é, sim, a grandeza de Deus libertador que revela em Maria no seu sim livre para a missão, para o serviço que ali se inicia. Jesus, se entretecendo na carne de Maria, já começa a servir no serviço da mãe. Sim! O sim da coragem confiante que como flecha atirada não volta em busca de seu alvo. O sim da salvação libertadora para o povo espezinhado, explorado, angustiado, sofrido, oprimido e injustiçado.

O sim é uma afirmativa feminina para que se dê o aconteça. “A SIM”!

Sabedoria

Indelével

Matriarcal!

Liberta és, Maria, e vá! O caminho é longo…Travessia!

REFLETINDO

É possível ver na resposta de Maria a maneira de caminhar da comunidade chamada por Deus para continuar a missão a ela confiada. Deve ser um relacionar-se com a Palavra ao modo de Maria: ouvir, acolher, ressoar ou ruminar, deixa-la encarnar-se para o nascimento e crescimento no deixar-se moldar por ela.

O sim de Maria como comunidade de fé e caminhada atuante, em marcha contra a velha opulência da injustiça que mata. Maria-comunidade do sim à vida. Ser a Maria de tantas e tantas Marias na fé de prontidão e atitude esperançadas.

SIM!

E nós? E os anúncios? Ouvimos, acolhemos, escutamos? O que está sobre nossa vida? Sombra que obscurece ou que ilumina? Confiantes? Como estamos e como vamos? Onde pisamos e aonde vamos? E o nosso sim? Que respostas damos? Agimos? De que maneira?

Margarida Maria Soares/Dez 2024.

Contribuição na revisão pelo Prof. Edmilson Schinelo.

CEBI-MG

Roteiro preparado pelas irmãs Pias Discípulas do Divino Mestre – Pastoral Vocacional

Site: www.piasdiscipulas.org.br


[1] Cf. BUYST, Ione. Mística e liturgia; beba da fonte! Col. Rede Celebra, Vol 08. São Paulo, Paulinas, p. 66.

[2] As observações nas caixas são dicas. Não fazem parte do texto original da autora acima citada.

[3] Cf. CRB. A leitura orante da Bíblia. Col. Tua Palavra é Vida, vol. 1. São Paulo, Loyola/Publicações CRB/1990, 1997, p.31.

Leitura Orante – 1º Domingo do Advento Ano C

Nossas perguntas para Lucas – Lucas 21,1-5; 29-33

O povo de Deus vivia na Palestina, periferia do Império Romano, e a Galileia, como nosso nordeste, era a periferia das periferias. Uma pesquisa em Petrolina mostra a semelhança geográfica entre as duas regiões. Temos uma história comum do ponto de vista geográfico, político, econômico e social. Vivemos a opressão das autoridades locais, da desigualdade nacional e dos poderes religiosos.

O pensamento de Frei Carlos Mesters me fez perceber que vivemos no porão da humanidade e na contramão da história. Não foi uma escolha, nascemos aqui onde só podemos sobreviver na contramão e nosso sonho é participar de um mundo desinvertido, onde a pirâmide se torne vértice e as armas da sabedoria popular substituam os fuzis.

A pergunta pela sobrevivência

A resposta do evangelista Lucas sobre o sobreviver é a esperança que não se encontra no Templo, nas Sinagogas nem nos palácios, mas na casa dos pobres.

A população de rua está mais próxima do Reino de Deus do que nós. Em uma ceia de Natal fiquei impressionado com a alegria desses nossos irmãos, que entendem, que prestam atenção na homilia e cantam alegremente. Eu me senti em uma igreja sem cercas, o significado da libertação, fui evangelizado.

O espaço da liberdade é o lugar do perigo, do conflito, da doença. Mas é também o espaço da solidariedade, de ceder o lugar na fila da sopa para os mais vulneráveis e apartar a briga dos outros. No entanto, é o lugar de ouvir a história de cada um e sofrer com quem sofre e dançar o amor com todas e todos.

A pergunta pelo olhar

A questão do olhar perpassa todos os evangelhos. O pobre de Lucas não olha para o chão nem para cima, segue em frente esperançando, sabendo que o amanhã chegará com suas complicações e belezas. O Reino de Deus é um grande mutirão, uma construção que resista às tempestades. Podemos dormir tranquilos como os pássaros do céu e ser vestidos como o lírio dos campos.

O pobre entende de justiça, de beleza e de amor, suas armas são de paz e Deus é o seu escudo. Colher, cantar e conversar são os mandamentos da rua. Um morador de rua de Feira de Santana era cantor e fazia do seu peito um tamborim. Acompanhando sua voz serena. Uma vez me disse que era chamado de excluído. Entretanto, não queria ser incluído no espaço da opressão.

Nos ver com o olhar do pobre é oportunidade. A sabedoria não está nos livros, mas em quem sabe viver. Cada pessoa é uma estante de conhecimento acessível a todas e todos.

A mulher invisível

No início do capítulo cinco, Jesus mostra uma mulher depositando duas moedas no gazofilácio, tudo o que tinha, enquanto os ricos depositavam grandes quantias, das suas sobras. Deus aceitou a oferta da viúva, mas não as sobras dos ricos. Deus não gosta de sobras.

Medimos as pessoas pela conta bancária e não pelo seu caráter. Os pobres nada têm, ainda repartem, apartam brigas em nome da justiça e dão o seu lugar na fila da sopa para os mais vulneráveis. Choram com os que choram e dançam com os que sofrem.

As suas tristezas passam como a fumaça. Seus mandamentos estão escritos na areia e se desfazem quando o vento sopra.

São desconfiados e hospitaleiros, escondem os seus nomes e a sua sabença, estão prontos para brigar ou ocar o pneu dos carros dos ricos. Jogam fora a comida que não gostam. Riem de si e dos outros. Confiam nos padres e pastores desconfiando e cantam alto para a glória do Pai. Sabem que somos todas filhas e filhos do mesmo Pai. Amam e querem a palavra de Deus. Amam a Bíblia, mas nosso Salvador não escreveu livro nenhum.

A figueira invisível

Havia uma figueira que só dava frutos no tempo próprio, esquecidas que foram criadas para servir no tempo da fome e não eram donas do que em si floria. Quem vivia no Reino do Pai não tinha tempo para comer e repartia com todas e todos o pouco que tinham. Nas casas dos ricos, os trabalhadores não podiam comer a comida dos donos e os adoentados comiam as migalhas que caiam das mesas.

Na casa do Pai não havia distinção, todos e todas cominam do bezerro gordo e do perdão do Pai.

Uma mulher sangrando bateu na casa de vários ricos pedindo socorro e muitos nem abriram a porta. Na favela, lhe oferecem uma cadeira, um carro a levou para a emergência e todos contribuíram com toalhas, lençóis e dinheiro para ajudar. Quem sofre a injustiça entende mais de justiça e quem mais recebeu desamor entende mais de amor.

Ver, ouvir, agir e Celebrar

Os profetas viveram em situações mais restritas do que a maioria de nós, líderes religiosos. Chegamos como o dono de Deus e somos tratados com regalias. Trabalhamos em terra arada e o Pai chegou antes de nós para onde nos enviou. A sabedoria dos nativos aprendem na sua tradição do Pai, das plantas, das mulheres e dos homens.

O missionário Pablo Richard conta que depois de ler as narrativas do Livro Sagrado, o cacique explicou que Jesus era índio, um poderoso Pajé de uma tribo longínqua. O modo como curava quem os procurava, o modo de contar verdades através de histórias, a bondade para com todos e o fato de transmitir segredos para as mulheres confirmava isso.

O antropólogo Darcy Ribeiro conta que na tentativa de pacificar tribos hostis, os indigenistas ficaram apavorados quando uma tribo apareceu, retesaram seus arcos por três vezes e depois desapareceram. Posteriormente, compreendeu que estavam tentar apaziguar a violenta tribo de brancos, mostrando que eram pacíficos, mostrando suas armas sem usar.

Somos chamados a aprender com as periferias, a ver, agir e celebrar. Enxergar os sinais do tempo, enfrentar os perigos e celebrar a vitória do amor. Convidadas a descalçar os sapatos da Terra Santa que ferimos, respirar com avidez o ar que poluímos e celebrar o amor que desconhecemos. Deus é o Pai de todas e todos e Jesus nos convida a dançar ciranda. A pedra do seu anel brilha mais do que o sol. Corremos como crianças pelo parque do Grande Cacique que não faz acepção de pessoas.

Um dia estaremos, cingidos com uma toalha, lavando os pés de Abraão, Mãe Menininhia, Frei Ibiapina, Krenak e Marielle, com muita louvação.

Saravá, Axé, Aleluia, amém.

Marcos Monteiro
CEBI-AL

Roteiro preparado pelas irmãs
Pias Discípulas do Divino Mestre – Pastoral Vocacional
Site: www.piasdiscipulas.org.br

Leitura Orante do 26º Domingo do Tempo Comum Ano B

Algumas recomendações:

-Antes de começar a leitura, prepare o ambiente, acenda uma vela…

Encontre uma posição confortável, acalma-se de toda a agitação, preste atenção aos próprios sentimentos, pensamentos, preocupações…

Deixe que volte ao coração acontecimentos, pessoas, situações…Entregue tudo ao Senhor.
Em atitude de fé, invoque o Espírito Santo, pois é ele que ‘perscruta todas as coisas, até mesmo as profundidades de Deus’ (cf. I Coríntios 2,10-12 ).

Se desejar, escreva no seu caderno pessoal tudo o que experimentou durante a oração. Se possível, partilhe com alguém.

Abaixo o roteiro na íntegra.

Algumas recomendações: Antes de começar a leitura, prepare o ambiente, acenda uma vela…Encontre uma posição confortável, acalma-se de toda a agitação, preste atenção aos próprios sentimentos, pensamentos, preocupações…Deixe que volte ao coração acontecimentos, pessoas, situações…Entregue tudo ao Senhor. Em atitude de fé, invoque o Espírito Santo, pois é ele que ‘perscruta todas as coisas, até mesmo as profundidades de Deus’ (cf. I Coríntios 2,10-12). Se desejar escreve no seu caderno pessoal tudo que viveu durante a oração e partilhe.
26º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO B
Leituras dos textos bíblicos:
Evangelho Marcos 9,38-43.45.47-48
1ªLeitura Livro dos Números 11,25-29
Salmo 19 (18),8.10.12-13.14 (R.8a 9b)
2ªLeitura da Carta de São Tiago 5,1-6
 Quatro passos da Leitura Orante
Invocação ao Espírito Santo…
Primeiro passo: LER
“Ele me desperta a cada manhã e me excita o ouvido,
para prestar atenção como um discípulo” (Is 50,4b)
● Ler e reler o texto, baixinho e em voz alta; escutar o texto (alguém está falando!).
● Prestar atenção a cada palavra, às ideias, às imagens, ao ritmo, à melodia.
● Tentar entender o texto (no contexto em que foi escrito).
● Se for possível, recorrer também a um bom comentário de um biblista.

  • Ler como se fosse a primeira vez.
  • Ler quantas vezes forem necessárias para deixar o texto falar.
  • O que o texto está dizendo?
  • Não interpretar, nem jogar suas ideias no texto – escute!
  • Responder: Nível literário: Quem? O quê? Quando? Como? Onde? Por quê? O texto faz insistências (imagens, verbos, substantivos…)? Nível histórico: Quando o texto foi escrito? O relato coincide com a data da redação? Para quem foi escrito? Nível teológico: O que Deus estava dizendo naquela situação? Como ele se revelava? Como o povo respondia?
  • Obs.: procurar as respostas em primeiro lugar no texto, depois em algum subsídio.
  • Ao final desse momento, experimente reler o texto.

Segundo passo: MEDITAR
“Uma vez Deus Falou, duas eu ouvi” (Sl 62,12)
● Repetir o texto (ou parte dele) com a boca, a mente e o coração: não “engolir” logo o texto, e sim mastigá-lo, “ruminá-lo”, tirando dele todo o seu sabor; não ficar só com as idéias que contém, mas deixar que as próprias palavras mostrem sua força; aprender de cor (= de coração!) pelo menos uma parte do texto.
● Penetrar no texto, interiorizá-lo; compreendê-lo, interpretá-lo a partir de nossa realidade; identificarmo-nos com ele. Perceber como o texto expressa nossas próprias experiências, sentimentos e pensamentos. Principalmente no caso dos salmos, estas experiências podem ser entendidas também como se referindo a Jesus, o Cristo.
● Trata-se de atualizar o texto: perceber como ele acontece hoje, em nossa realidade pessoal comunitária e social; perceber qual a palavra que o Senhor poderá estar nos dizendo…

  • Ouvir o que Deus está dizendo hoje através do texto.
  • Relacionar o texto com outras leituras (texto da Bíblia ou da Liturgia).
  • Experimente reler o texto!
  • Escolha uma frase ou expressão do texto que te marcou.

Terceiro passo: ORAR
“O Espírito nos socorre em nossa fraqueza,
pois não sabemos orar como convém” (Rm 8,26)
● Deixar brotar de dentro do coração tocado pela Palavra uma resposta ao Senhor. Dependendo da leitura e da meditação feitas, poderá ser uma resposta de admiração, louvor, agradecimento, pedido de perdão, compromisso, clamor, pedido, intercessão…

  • O que o texto me faz dizer a Deus?
  • Não “maquiar” os sentimentos diante de Deus.
  • A oração pode ser feita a partir de um salmo ou cântico bíblico.
  • Levar em conta o próprio texto e deixar o “movimento” do Espírito conduzir sua prece, louvor, adoração…
  • Você pode também compor uma oração estilo coleta ou uma introdução para a celebração dominical (sentido litúrgico).
  • Formular um compromisso: “Senhor, que queres que eu faça?”
  • Experimente reler o texto.

Quarto passo: CONTEMPLAR
“Tende em vós os mesmos sentimentos que havia em Jesus Cristo” (Fl 2,5)
● A Bíblia não usa o verbo contemplar e, sim, escutar, conhecer, ver. Trata-se de saborear, “curtir” a presença de Deus, o jeito de ele ser e agir, o quanto ele é bom e o quanto faz por nós. Supõe uma entrega total na fé. Passa necessariamente pelo conhecimento de Jesus Cristo (“Quem me vê, vê o Pai”), que se encontra ao lado dos pobres.

  • Ver a realidade com os olhos de Deus. Transformação interior de que se pôs à escuta da palavra.
  • Contemplar = “viver no templo” – atitude permanente de vida.
  • Permitir a encarnação do Verbo – o sentido das escrituras está na sua realização em nossas vidas: “Hoje se cumpriu”.
    Palavra de um lavrador: “…fui notando que se a gente vai deixando a palavra de Deus entrar dentro da gente, a gente vai se divinizando. Assim, ela vai tomando conta da gente e a gente não consegue mais separar o que é de Deus e o que é da gente. Nem sabe muito bem o que é Palavra dele e palavra da gente. A Bíblia fez isso em mim”.

Para ajudar no aprofundamento dos textos:

O poder, a solidariedade e os pequeninos – Marcos 9,38-43.45.47-48
A narrativa do Evangelho escolhida para a nossa reflexão na liturgia deste final de semana foi tirada de Marcos 9,38-50. Esse relato se divide em três partes.

1 – Autonomia das comunidades e a luta pelo poder (Marcos 9,38-40)

Para compreendermos bem a repreensão de Jesus ao apóstolo João, convém recordar algumas situações a respeito desse apóstolo. Certamente, os autores do Evangelho segundo Marcos conheciam estas tradições. De Paulo sabemos: João, junto com Pedro e Tiago, o irmão do Senhor (cf. Gálatas 1,19), era uma das autoridades em Jerusalém (cf. Gálatas 2,9). Tinha, portanto, uma posição de poder. Segundo o próprio Evangelho de Marcos nos informa, João, dessa vez junto com seu irmão Tiago, lutava por poder, pelo lugar mais importante, de maior prestígio, isto é, sentar-se ao lado do trono de Jesus em seu Reino (cf. Marcos 10,36-37). Por outro lado, Lucas nos informa que, mais uma vez junto com seu irmão, João tinha postura antiecumênica em relação aos samaritanos. Chegaram a propor a Jesus que um raio os queimasse vivos (cf. Lucas 9,51-55). Esse modo de agir do apóstolo João nos faz compreender sua dificuldade em aceitar a diversidade, a autonomia de outras equipes missionárias que não “seguissem” os seus ditames, as suas ordens (cf. v. 38).
Com essa cena do Evangelho de hoje, Jesus nos ensina que ninguém pode ter o monopólio da Boa Nova, da prática do bem. Nenhuma pessoa pode considerar-se dona exclusiva da missão confiada por Jesus a seus discípulos, nem pode se impor sobre outras comunidades ou grupos que promovem o respeito, a tolerância, a justiça, o amor.

Por trás dessa narrativa, é provável que as comunidades de Marcos reivindicassem o respeito por sua autonomia, livres de um poder centralizado, representado aqui por João. Agindo assim, Jesus legitima a soberania das comunidades e critica a centralização do poder. Certamente, essa postura do Nazareno nos faz pensar sobre as hierarquias das instituições de hoje.
A atitude de Jesus é ecumênica, não coibindo ninguém de contribuir com seu projeto, isto é, com a libertação de todas as formas de opressão e com a promoção da vida. Jesus não é monopólio de ninguém.
Para seguir Jesus em seu caminho, ele nos coloca, entre outras exigências, libertar-nos da tentação do poder como privilégio, como status, como prestígio (cf. João 13,1-17). Quem lidera, quer lavar os pés de seus liderados. Quem quer ser grande, que sirva (cf. Marcos 10,43).

2 – A solidariedade com quem segue Jesus (Mc 9,41)

De um lado, sabemos que o seguimento radical de Jesus na luta pela justiça do Reino, desperta violência, ódio e perseguição (cf. Mateus 5,10-12). De outro, sabemos também que muita gente é acolhedora e solidária. Enquanto Jesus está a caminho de Jerusalém para o grande gesto de doação de sua vida, afirma que também é nos pequenos gestos de solidariedade que se revela o Reino de Deus.

3 – Não escandalizar os pequeninos que creem (Mc 9,42-50)

Para que possa entrar na Vida, no Reino (vv. 43.45.47), quem segue Jesus não pode servir de queda (escandalizar = fazer tropeçar) para os pequeninos, os “discípulos novos” (v. 42).
Não pode seguir o profeta de Nazaré quem escandalizar os pequeninos. O lugar de quem assim age é o fundo do mar, onde deve permanecer junto aos porcos que lá foram precipitados (v. 42; cf. 5,13).
Para seguir o Mestre é necessário “cortar a mão” que rouba, acumula, esbofeteia e violenta. É preciso mudar o “modo de agir” (v. 43). Além disso, é necessário também “cortar o pé” que pisa, esmaga, faz tropeçar. Para quem segue Jesus, é imprescindível “mudar a conduta”, o “modo de caminhar” (v. 45). E mais. É necessário também “arrancar o olho” que julga, deseja, cobiça e inveja. Portanto, é indispensável “mudar o modo de ver” as coisas, as pessoas, a vida e o próprio Deus (v. 47).
Escandalizar os pequeninos é seduzi-los a se desviarem do projeto do Reino e sua justiça, a fim de que sigam as tentações de Satanás (riqueza, poder, prestígio). Escandalizar os pequeninos é desencaminhá-los através de mentiras, de modo que sigam cegamente o ódio, a indiferença, a intolerância. Daí a insistência em evitar o escândalo dos pequeninos, para que não se afastem do projeto do Reino, da verdade, do amor e da justiça.

Essa mensagem fala muito para nós hoje, quando vemos tantas pessoas dizerem que seguem Jesus, mas seu “modo de agir” é intolerante. Jesus, porém, pediu-nos mais que tolerância, pediu-nos respeito. Ou ainda, quando a “conduta” dessa gente segue pelos caminhos do ódio. Jesus, ao contrário, pediu-nos amor. Ou ainda, quando seu “modo de ver” é movido pela mentira. O mestre de Nazaré, porém, propõe-nos a verdade.
Três vezes, a narrativa se refere à Geena. Geena era um vale a sudoeste de Jerusalém, onde se queimava o lixo e, no passado, se sacrificavam pessoas (vv. 43.45.47; cf. Jeremias 7,32; 19,6). Era considerado um lugar impuro, de desprezo, de maldição.
Os vv. 50-51 se referem ao sal. Ser “salgado com fogo” é ser purificado (vv. 49-50; cf. 2Reis 2,20-22; Ezequiel 16,4). Portanto, quem decidir seguir radicalmente à Boa Nova de Jesus precisa purificar seu modo de agir, de caminhar e de ver, de modo a não escandalizar os pequeninos.
O sal também era símbolo da aliança da paz, sinal de amizade (cf. Levítico 2,13; Números 18,19). Daí o pedido de Jesus aos apóstolos e a nós hoje: “vivei em paz uns com os outros” (Marcos 9,50; cf. Romanos 12,18).

Ildo Bohn Gass
CEBI-RS

Roteiro preparado pelas irmãs
Pias Discípulas do Divino Mestre – Pastoral Vocacional
Site: www.piasdiscipulas.org.br

Leitura Orante com a Pastoral Vocacional- 24ª Domingo do Tempo Comum

Algumas recomendações:

-Antes de começar a leitura, prepare o ambiente, acenda uma vela…

Encontre uma posição confortável, acalma-se de toda a agitação, preste atenção aos próprios sentimentos, pensamentos, preocupações…

Deixe que volte ao coração acontecimentos, pessoas, situações…Entregue tudo ao Senhor.
Em atitude de fé, invoque o Espírito Santo, pois é ele que ‘perscruta todas as coisas, até mesmo as profundidades de Deus’ (cf. I Coríntios 2,10-12 ).

Se desejar, escreva no seu caderno pessoal tudo o que experimentou durante a oração. Se possível, partilhe com alguém.

Abaixo o roteiro na íntegra.

Leitura Orante com a Pastoral Vocacional- 23ª Domingo do Tempo Comum

Algumas recomendações:

-Antes de começar a leitura, prepare o ambiente, acenda uma vela…

Encontre uma posição confortável, acalma-se de toda a agitação, preste atenção aos próprios sentimentos, pensamentos, preocupações…

Deixe que volte ao coração acontecimentos, pessoas, situações…Entregue tudo ao Senhor.
Em atitude de fé, invoque o Espírito Santo, pois é ele que ‘perscruta todas as coisas, até mesmo as profundidades de Deus’ (cf. I Coríntios 2,10-12 ).

Se desejar, escreva no seu caderno pessoal tudo o que experimentou durante a oração. Se possível, partilhe com alguém.

Abaixo o roteiro na íntegra.

Leitura Orante com a Pastoral Vocacional

Querida juventude,

Nós Irmãs Pias Discípulas do Divino Mestre iremos oferecer um roteiro de oração em preparação para o Domingo Dia do Senhor.

Desejamos a você um frutuoso caminho com Jesus Mestre.

Boa oração!

Algumas recomendações:

-Antes de começar a leitura, prepare o ambiente, acenda uma vela…

Encontre uma posição confortável, acalma-se de toda a agitação, preste atenção aos próprios sentimentos, pensamentos, preocupações…

Deixe que volte ao coração acontecimentos, pessoas, situações…Entregue tudo ao Senhor.
Em atitude de fé, invoque o Espírito Santo, pois é ele que ‘perscruta todas as coisas, até mesmo as profundidades de Deus’ (cf. I Coríntios 2,10-12 ).

Se desejar, escreva no seu caderno pessoal tudo o que experimentou durante a oração. Se possível, partilhe com alguém.

Abaixo o roteiro na íntegra.

Leitura orante com a Pastoral Vocacional

Querida juventude,

Nós irmãs Pias Discípulas do Divino Mestre neste mês de agosto iremos oferecer a cada sexta-feira um roteiro de oração em preparação para o Domingo Dia do Senhor.

No Brasil o mês de agosto é dedicado a oração pelas vocações. Esse ano de 2024 tem como tema: “Igreja como uma sinfonia vocacional” e o lema é: “Pedi, pois, ao Senhor da Messe” (Mt 9, 38).

Desejamos a você um frutuoso caminho com Jesus Mestre.

Boa oração!

Algumas recomendações:

-Antes de começar a leitura, prepare o ambiente, acenda uma vela…

Encontre uma posição confortável, acalma-se de toda a agitação, preste atenção aos próprios sentimentos, pensamentos, preocupações…

Deixe que volte ao coração acontecimentos, pessoas, situações…Entregue tudo ao Senhor.
Em atitude de fé, invoque o Espírito Santo, pois é ele que ‘perscruta todas as coisas, até mesmo as profundidades de Deus’ (cf. I Coríntios 2,10-12 ).

Se desejar, escreva no seu caderno pessoal tudo o que experimentou durante a oração. Se possível, partilhe com alguém.

Abaixo o roteiro na íntegra.