PDDM: 65 ANOS DE BRASIL

Pias Discípulas do Divino Mestre: 56 anos de presença no Brasil

A fundação das Pias Discípulas deu-se no dia 26 de julho de 1956, com a chegada ao Brasil de um grupo de seis Pias Discípulas. Pe. João Roata, ssp, Mestre Dolores, fsp, e outras Paulinas receberam as Irmãs fundadoras, que logo iniciaram a vida e missão no Brasil com a adoração eucarística e o serviço sacerdotal no Seminário da Pia Sociedade de São Paulo.

Ir. Paulina de Luca

As irmãs que chegaram neste dia 26 de julho se juntaram a Ir. Paulina de Lucca, que havia vindo ao Brasil no dia 1º de fevereiro de 1956. Ela havia nascido em São Carlos do Pinhal, SP. Poucos meses depois de seu nascimento, seus pais, migrantes, retornaram para a Itália. Lá Ir. Paulina de Lucca cresceu, estudou e provavelmente terá se sentido bem mais italiana que brasileira. Aos 18 anos, ingressou na Congregação. Sua família retornou ao Brasil. Havia 30 anos que não via seus pais. Assim, vir antes foi uma preparação importante para a chegada das primeiras em terras brasileiras, mas foi uma possibilidade dela rever os pais.

Apesar de nunca ter expressado o desejo de rever os pais, o Fundador, Bem-Aventurado Tiago Alberione a enviou primeiramente a revê-los. A saúde deles já estava debilitada e isto foi importante.

Ir. M. Salvatoris Lucia Rosa, Ir. M. Modesta Santina Grotto, Ir. M. Giancarla Catarina Barale, Ir. M. Pasquina Romano, Ir. M. Fabiana Giuseppa Lucido, Ir. M. Paolina Margharita De Lucca e Ir. M. Venerina Vaccarisi, saíram no dia 09 de julho de 1956, do Porto de Gênova, no navio “Conte Grande” para o porto de Santos/SP. No dia 26 de julho de 1956, as Pias Discípulas foram acolhidas com prolongado toque de sino, na casa das Filhas de São Paulo. Depois passaram a morar no Seminário Paulino.

Irmãs no porto de Gênova: Tecla Molino, Fabiana, Salvatoris, Madre Lucia, Pasquina, Giancarla, Modesta e Venerina.

Ir. Marilez Furlanettto, atual provincial PDDM no Brasil, assim se expressa: “A elas e a todas as que nos antecederam, nosso reconhecimento e estima, porque souberam acolher e fazer frutificar as graças e bênçãos que o Senhor derramou em cada uma das pequenas ou grandes ações realizadas com amor e por amor a Deus que é fiel em suas promessas”.

De fato, celebrar 65 anos nos enche de gratidão por este caminho de fé, doação e amor a Jesus Mestre Caminho, Verdade e Vida. Ainda, Ir. Marilez motiva:

O Senhor nos conduziu ao longo destes 65 anos, iluminando nossos passos e enviando pessoas generosas que muito contribuíram como amigos, benfeitores, colaboradores e cooperadores Amigos/as do Divino Mestre, para a expansão da Congregação no Brasil e desenvolvimento da Missão. Temos a certeza que Ele está conosco e quer continuar nos mostrando o caminho. Deixemo-nos guiar pela sabedoria divina e acolhamos os “sinais dos tempos,” que na atual situação nos desafiam a redesenhar nossas presenças e a entrar na dinâmica da solidariedade, como nos orienta o Papa Francisco na Carta Encíclica Fratelli tutti: A solidariedade manifesta-se concretamente no serviço, que pode assumir formas muito variadas de cuidar dos outros. O serviço é, «em grande parte, cuidar da fragilidade. Servir significa cuidar dos frágeis das nossas famílias, da nossa sociedade, do nosso povo». Nesta tarefa, cada um é capaz «de pôr de lado as suas exigências, expetativas, desejos de omnipotência, à vista concreta dos mais frágeis (…). O serviço fixa sempre o rosto do irmão, toca a sua carne, sente a sua proximidade e, em alguns casos, até “padece” com ela e procura a promoção do irmão. Por isso, o serviço nunca é ideológico, dado que não servimos ideias, mas pessoas». Peçamos que Jesus Mestre e Pastor continue chamando pessoas que desejam abraçar a causa do Reino de Deus. E assim podermos levar a Boa notícia do Evangelho para que todos tenham vida e vida em plenitude. Desejamos caminhar na comunhão e servir na alegria. 

Padre Tiago Alberione escreveu às Irmãs enviadas em Missão: “Páscoa de 1956. Felicitações e orações. Peço a Deus que a solenidade destes dias proporcione aumento de graças, luzes, merecimentos e alegrias. Abençoo cada um dos vossos nomes. O Divino Mestre vos dará outra casa, se fordes fiéis. Rezo pelas vocações; mas muito cuidado na escolha das mesmas. Amor a Jesus Hóstia!”.

Nossas Irmãs foram memória viva dessa herança carismática. O Divino Mestre tornou-as fiéis, fecundas na fé e na esperança, e os frutos foram abundantes. Gratidão eterna a Deus por sua bondade e às Irmãs pela generosa doação no grande desafio dos inícios de chegada na Terra de Santa Cruz.

Pias Discípulas: contexto sociocultural e eclesial na chegada, em 1956

Como as demais congregações paulinas vindas para o Brasil, as Pias Discípulas se instalaram em São Paulo, na capital. A população era predominantemente italiana, portuguesa e japonesa. Na época, o fenômeno da urbanização marcava a cidade de São Paulo, que buscava responder aos imensos desafios urbanos e das culturas emergentes. Dominava a migração nordestina.

No quarto centenário (1954) da cidade de São Paulo, o Estado de São Paulo possuía catorze Dioceses e a população da Arquidiocese ultrapassava três milhos de habitantes – o que a colocava como a maior do Brasil e da América do Sul. Em 1955, deu-se a fundação da CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, por iniciativa de Dom Hélder Câmara.

A Igreja recebeu forte impulso do CELAM (Conselho Episcopal Latino Americano), cuja fundação deu-se também em 1955.

Deste contexto emergem:

  • Redescoberta da dimensão social da fé, ensaio da nova presença da Igreja na sociedade.
  • Experiência de fé no contexto do compromisso laical, Ação Católica e Movimentos: ACO (Ação Católica Operária); JOC (Juventude Operária Católica) – JUC (Juventude Universitária Católica).
  • Emergência das classes populares: plano de pastoral de conjunto com forte sentido de participação, planejamento e descentralização do poder.

As Pias Discípulas foram acolhidas oficialmente pelo Cardeal Dom Carlos Carmelo de Vasconcelos Motta, na pessoa de Dom Paulo Rolin Loureiro, bispo auxiliar e vigário geral do Arcebispado.

PROPOSTAS DE FORMAÇÃO LITÚRGICA E ESPIRITUAL ONLINE

As nossas Irmãs estão somando em diversas propostas super interessantes para a formação litúrgica e espiritual. Confira alguns destes encontros pelo Brasil e programe sua participação:

RETIRO ESPIRITUAL ONLINE PELA CRB-SP

Este evento é promovido pela CRB-SP e tem como público alvo exclusivo as comunidades religiosas. As inscrições são pelo site: www.crbsp.org.br e o a proposta acontece de 22 a 27 de julho de 2021, pela plataforma zoom. As orientadoras do retiro serão a Ir. Penha Carpanedo, pddm, e Ir. Marilene Brandão, am. Mais informações pelos telefones: (11) 3141-2566 e (11) 94881-5362. O tema do retiro é: CONTEMPLAR O ROSTO FEMININO DA VIDA RELIGIOSA CONSAGRADA.

VALOR DO CURSO POR COMUNIDADE
R$ 250,00 (duzentos e cinquenta reais)

PERÍODO DO RETIRO
De 22 a 27 de julho de 2021

DIREÇÃO GERAL
Ir. Edilamar da Glória Martins, cp

ORIENTADORAS
Ir. Penha Carpanedo, pddm
Ir. Marilene Brandão, am



SEMINÁRIO REGIONAL DE LITURGIA

O tradicional Seminário Regional de Liturgia sempre foi uma data esperada pelos agentes deste serviço nas arqui/dioceses do Rio Grande do Sul. Considerando a impossibilidade de realizar o encontro formativo de forma presencial, o Setor de Liturgia do Regional propõe o Seminário online, com o tema Ministérios leigos à serviço da Liturgia.

Pe. Luciano Massullo é referencial para o Setor de Liturgia do Regional Sul 3 e explica que o tema escolhido está em sintonia com o desejo do Concílio Vaticano II de uma Igreja ministerial.

Os diferentes ministérios têm lugar, também, na Liturgia da Igreja, onde, se manifesta de modo orgânico o Corpo de Cristo. Recentemente, o Papa Francisco, ampliou a possibilidade da instituição dos ministérios de Leitor e Acólito! É em sintonia com o desejo do Papa que queremos refletir e apontar caminho para o exercício destes ministérios, destaca Pe. Luciano.

O seminário, que não foi realizado em 2020 por causa da pandemia do Coronavírus, iniciou dia 1º de julho e se estende durante todo o mês, com encontros nos dias 07, 15, 22 e 29. Neste próximo dia 15 de julho, teremos como assessora a Ir. Veronice Fernandes, pddm.

Acompanhe toda a programação no flyer digital abaixo e siga as redes sociais da CNBB Sul3.

EVENTO GRATUITO E PELO YOUTUBE.

Ative o sininho para acompanhar a live com a Ir. Veronice Fernandes pelo Youtube da CNNB – Sul3.


ESPAÇO LITÚRGICO

Para mais informações, entre em contato: (92) 98229-3742

EVENTO PAGO: R$ 40,00

Link da inscrição https://forms.gle/nTdgCM76UEd6sh5G9




ESCOLA DE LITURGIA

♨️ ESCOLA DE LITURGIA DO ITEPES ESTÁ COM MATRÍCULAS ABERTAS PARA O 4° MÓDULO
??-???? ???? ?????? ???? ?

Tema: Ministérios Litúrgicos

?️ _Com certificação reconhecida pela Universidade Federal do Amapá – UNIFAP_

Assessoria: Irmãs Pias Discípulas do Divino Mestre
Irmã Cidinha Batista e Irmã Marinez Cantelli

INÍCIO: 04 de agosto de 2021
Vagas limitadas

VALOR: R$50,00

*INSCRIÇÕES:* https://forms.gle/jNjvMUYBt5Kc4s749

Encontro Online do Secretariado Geral da Formação PDDM

Conforme a Circular da Madre Geral n. 3, ir. Micaela Monetti, hoje, dia 03 de junho de 2021, inicia o “Encontro Online Internacional” preparado pelo Secretariado Geral para a Formação. Este encontro reunirá representações em todas as nações que estamos de Irmãs que prestam este serviço na nossa Congregação.

Do Brasil, conforme relação anexa a esta circular n. 3 da Madre Geral, participarão: Ir. M. Analice Lúcia Balestrin, SAV – Serviço de animação vocacional; Ir. M. Aparecida Batista, SAV – Serviço de animação vocacional; Ir. M. Juceli Aparecida Mesquita, Postulado e Juniorato; Ir. M. Leticia Pontini, SAV – Serviço de animação vocacional; Ir. M. Luciana Tonon; Noviciado; Ir. M. Soênia Alves Brito, SAV – Serviço de animação vocacional; Ir. M. Terezinha Lubiana, Formação contínua; Ir. Marilez Furlanetto, Formação contínua.

Está previsto esta programação:

TemáticaData | 16:00 – 19:00 (CET)
Viver a mudança epocal Quinta, 03 de junho
Paradigma de formação Quinta, 10 de junho
Fraternidade e formação Quinta,  17 de junho
Formação na era digital Quinta, 09 de setembro
Formação integral segundo o PGF Quinta, 16 de setembro
Diálogo com a Superiora geral Quinta, 23 de setembro

Segundo ir. Micaela Monetti na circular n. 3, “O tema que orienta o percurso de aprofundamento e partilha é extraído da palavra profética: “Vejam que estou fazendo uma coisa nova: ela está brotando agora, e vocês não percebem?” (Is 43,19). Somos conscientes de que a qualidade da formação é fundamental para a vitalidade do Instituto e para a colaboração ao advento do Reino de Deus no mundo.”

Ainda segundo a circular, esta iniciativa tem por finalidade sustentar o processo de formação paulina que é caminho de conversão contínua: tem foco na santidade, no desenvolvimento de uma personalidade integrada, capaz de viver em comunidade, de trabalhar com outros/as e para os outros. Os encontros serão nos meses de junho e setembro e abordarão temas gerais, mas urgentes, para a formação à vida consagrada hoje. As irmãs que participam do Encontro são numerosas por diversos títulos, com a possibilidade de conectar-se em diferentes faixas horárias, segundo o programa que anexamos.

Permaneçamos unidas com nossas irmãs, na oração.

Encontro das Coordenadoras de Comunidades das Pias Discípulas

O encontro anual das Irmãs Coordenadoras de Comunidades das Pias Discípulas aconteceu de 16 a 18 de abril de 2021 e foi inteiramente online este ano.

Participaram do encontro: Ir. Marilez Furlanetto, provincial; Ir. Lídia Natsuko Awoki, Vigária Geral; Ir. Terezinha Lubiana – Conselheira pela Formação, CP/SP; Ir. Kelly Silva de Oliveira – Comunidade Timóteo Giaccardo, SP e conselheira provincial; Ir. Vera Maria Galvan, conselheira; Ir. Luciana Tonon, conselheira; Ir. Soênia Alves Brito, coordenadora da Comunidade Rainha dos Apóstolos, SP; Ir. Maria da Conceição Dias, coordenadora da Comunidade Paulo Apóstolo, SP; Ir. Maria Goretti Lima de Medeiros, coordenadora da Comunidade Divino Mestre, Olinda/PE; Ir. Maria Aparecida Batista, coordenadora da Comunidade Divino Mestre, Manaus/AM; Ir. Letícia Pontini, coordenadora da Comunidade Irmã Modesta, Codajás/AM; Ir. Isabel Tonon, coordenadora da Comunidade Jardim Divino Mestre, Cabreúva/SP; Ir. Juceli Aparecida Mesquita, coordenadora da Comunidade Nazaré, Cabreúva/SP; Ir. Estela Pilatti, coordenadora da Comunidade Divino Mestre, Caxias do Sul/RS; Ir. Maria das Graças R. da Silva, coordenadora da Comunidade Cristo Redentor, Rio de Janeiro/RJ; Ir. Sônia Ferreira de Andrade, coordenadora da Comunidade Divino Mestre, Brasília/DF.

A programação do encontro foi assim: no dia 16 de abril, sexta-feira, houve a abertura do evento às 9h30, com a acolhida da Ir. Marilez e uma importante introdução da Ir. Lídia Natsuko Awoki, vigária Geral. Ela falou com as Irmãs sobre “O papel da coordenadora nos documentos PDDM: Regra de vida, Diretório e DEA”. As diretivas propostas para Ir. Lídia veja no link:

Ela conclui a sua colocação com as palavras do Papa Francisco na Catequese de 14 abril 2021 – A Igreja mestra em oração:

Na Igreja existem mosteiros, conventos e eremitérios onde vivem pessoas consagradas a Deus e que muitas vezes se tornam centros de irradiação espiritual. São comunidades de oração que irradiam espiritualidade. São pequenos oásis nos quais se partilha uma oração intensa e se constrói a comunhão fraterna dia após dia. Trata se de células vitais, não apenas para o tecido da Igreja, mas para a própria sociedade.

Rezar e trabalhar em comunidade faz progredir o mundo. É um motor.

A oração é aquela que abre a porta ao Espírito Santo, o qual inspira a ir em frente. As mudanças na Igreja sem oração não são mudanças da Igreja, são mudanças de grupo. E quando o Inimigo quer lutar contra a Igreja, fá-lo primeiro procurando secar as suas fontes, impedindo-as de rezar, e [induzindo-as a] fazer estas outras propostas. Se a oração cessar, por algum tempo parece que tudo pode continuar como habitualmente por inércia, mas depois de pouco tempo, a Igreja compreende que se torna como que um invólucro vazio, que perdeu o seu eixo central, que já não possui a nascente do calor e do amor.

A lâmpada da fé estará sempre acesa na terra, enquanto houver o óleo da oração.

Transmitir de geração em geração a lâmpada da fé com o óleo da oração. A lâmpada da fé que ilumina, que governa tudo como deve ser, mas que só pode ir em frente com o óleo da oração. Caso contrário, apaga-se. Sem a luz desta
lâmpada, não poderíamos ver o caminho para evangelizar, aliás, não poderíamos ver o caminho para crer realmente; não poderíamos ver os rostos dos irmãos dos quais nos devemos aproximar e servir; não poderíamos iluminar a sala onde nos encontramos em comunidade… Sem fé, tudo desmorona; e sem a oração, a fé extingue-se. Fé e oração, juntas. Não há outro caminho. Por isso a Igreja, que é casa e escola de comunhão, é casa e escola de fé e de oração.

Após este início de conversa, as Irmãs ficaram com conteúdo para refletir e conduzir a partilha nos dias 17 e 18 de abril, pela tarde.

Os textos que iluminaram o encontro das Irmãs foram:

  • Texto bíblico: João 15, 1-17; 17, 21-23
  • Leitura 1 – p. 64 a 67 – Fazer-se acompanhar no tempo da provação. A dimensão comunitária. In: Documento da Igreja 60: O dom da fidelidade, a alegria da perseverança.
  • Leitura 2 – p. 40 a 51 – Serviço da autoridade. In: Para vinho novo, odres novos. A vida consagrada desde o Concílio Vaticano II e os desafios ainda em aberto – Orientações

As leituras 1 e 2 são textos da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica. Veja abaixo os textos para baixar e ler:

As partilhas foram orientadas através das perguntas:

OBJETIVOS DA COMUNIDADE:

– Qual apelo a comunidade quer responder? (Usar verbos de ação)

DEFINIÇÃO DA COMUNIDADE

– Como é composta a comunidade?

– Qual a missão desta comunidade?

– Como a comunidade se sente enviada?

– Quais as necessidades da comunidade que precisam ser trabalhadas?

O encontro foi avaliado como positivo. Neste ambiente pandêmico, as Irmãs se sentiram irmanadas pelas partilhas, mesmo que o contato de forma digital não substitua o contato e calor presencial. Pela situação que passamos, os meios digitais são um bom placebo para o “encontro”. O encontro concluiu com o desejo de novo encontro entre as Irmãs.

Imagens do Encontro Anual das Irmãs Coordenadoras de Comunidades Pias Discípulas feito de modo online
Crédito das fotos: Ir. M. Goretti Lima de Medeiros

“Antes de ser uma construção humana, a comunidade religiosa é um dom do Espírito. De fato, é do amor de Deus difundido nos corações por meio do Espírito que a comunidade religiosa se origina e por ele se constrói como uma verdadeira família reunida no nome do Senhor. Não se pode compreender, portanto, a comunidade religiosa sem partir do fato de ela ser dom do Alto, de seu mistério e de seu radicar-se no coração mesmo da Trindade santa e santificante, que a quer como parte do mistério da Igreja, para a vida do mundo”.

(Vida fraterna em comunidade, 8)

DIA DA NOVIÇA PDDM

Segundo a nossa tradição, nós, Pias Discípulas, celebramos o Dia das Noviças no 2º Domingo da Páscoa, anteriormente chamado domingo “in Albis” (= branco).

Por que Domingo in Albis? Nas primeiras comunidades cristãs, os catecúmenos, isto é, os que iriam receber os sacramentos de iniciação, eram acolhidos pela comunidade no Primeiro Domingo da Quaresma. Começava então a catequese para o Batismo, durante a qual eram apresentados os principais pontos da fé cristã e celebrada a inserção do catecúmeno na comunidade, culminando com a celebração dos sacramentos da iniciação na Vigília Pascal. Eles recebiam a veste branca na celebração e permaneciam com ela durante a semana após a Páscoa, tempo da chamada catequese mistagógica, quando os neófitos – como eram chamados os que tinham recebido o Batismo – aprofundavam o sentido dos sacramentos pascais e entravam em relação fraterna com a Igreja.

No Domingo “in Albis” deixavam a veste branca recebida na vigília pascal, sinal de que a celebração terminava e entravam na vida do Mistério celebrado (Cf. Dia do Senhor – Ciclo Pascal ABC, 2002).

Como se expressa Santo Agostinho na sua homilia para o 2º Domingo da Páscoa:

“É com palavras do Apóstolo que vos falo: Revesti-vos do Senhor Jesus Cristo e não deis atenção à carne para satisfazer as suas paixões (Rm 13,14), a fim de que, também na vida, vos revistais daquele que revestistes no sacramento. Todos vós que fostes batizados em Cristo vos revestistes de Cristo. O que vale não é mais ser judeu nem grego, nem escravo nem livre, nem homem nem mulher, pois todos vós sois um só, em Jesus Cristo (Gl 3,27-28).

Agora caminhais pela fé, vivendo neste corpo mortal como peregrinos longe do Senhor. Mas o vosso caminho seguro é aquele mesmo para quem vos dirigis, Jesus Cristo, que se fez homem por amor de nós. Para os seus fiéis ele preparou um grande tesouro de felicidade, que há de revelar e dar abundantemente a todos os que nele esperam, quando recebermos na realidade aquilo que recebemos agora só na esperança.

Hoje é o oitavo dia do vosso nascimento. Hoje completa-se em vós o sinal da fé que, entre os antigos patriarcas, consistia na circuncisão do corpo no oitavo dia depois do nascimento segundo a carne. Por isso, o próprio Senhor, despojando-se por sua ressurreição da mortalidade da carne e revestindo-se de um corpo não diferente mas imortal, ao ressuscitar consagrou o “dia do Senhor”, que é o terceiro dia depois de sua paixão, mas na contagem semanal dos dias, é o oitavo a partir do sábado, e coincide com o primeiro dia da semana.”.

Quem iniciou esta tradição foi dom Timóteo Giaccardo, quando ocupava da formação das noviças Pias Discípulas do Divino Mestre.

Rezamos por todas as noviças Pias Discípulas no mundo que celebram este dia, na alegria do Ressuscitado.

Antífona de entrada: “Como recém-nascidos, desejem o puro leite espiritual para crescerem na Salvação, Aleluia!” (1ºPd 2,2). Isto é, renascidos em Cristo, desejem o alimento da vida nova recebida e assumida (paralelo com as noviças que estão no início do caminho de seguimento a Jesus, no estilo de vida das Discípulas do Divino Mestre).

Noviças Pias Discípulas no Mundo:

As noviças Pias Discípulas que fazem o Noviciado no Brasil estão no período do Estágio. Elas estão em diversas comunidades, convivendo com as Irmãs, no modo de vida local, inserida nos diversos apostolados da casa. A pandemia dificultou a viagem de duas noviças: Virgínia e Odette, que são, respectivamente, da Província do México e Delegação USA/Irlanda. Por isto, elas estão realizando o período apostólico no Brasil, nas comunidades de Brasília e Rio de Janeiro. A noviça Amira está na sua pátria, Argentina. Rezemos pelo caminho vocacional de cada uma.

Na foto, as noviças que estão na comunidade do Noviciado 2021 no Brasil:
Virginia (Província do México), Amira (Argentina) e Odette (Delegação EUA/Irlanda).

Renovo por mais um ano…

RENOVAÇÃO DOS VOTOS RELIGIOSOS DAS IRMÃS JUNIORISTAS PIAS DISCÍPULAS DO DIVINO MESTRE

O dia 10 de fevereiro é a data para as Primeiras Profissões religiosas. Esta data se recorda a fundação da Congregação.
Assim, nossas irmãs junioristas renovam os votos a cada ano, nas diversas comunidades que elas fazem parte.

Acompanhamos a cada uma com nosssas orações.

COMUNIDADE JARDIM DIVINO MESTRE| CABREÚVA, SP
IR. SAMILLIS PRAIA CASTRO
RENOVAÇÃO DOS VOTOS: 9 DE FEVEREIRO

Na manhã do dia 09 de fevereiro, na capela Divino Mestre, em Cabreúva-SP, durante a celebração eucarística, presidida pelo Pe. Joaquim, a Ir. Samillis Praia Castro renovou os votos de castidade, pobreza e obediência. Assim se expressa a ir. Samillis: “Estou contente, porque o Senhor, misericordioso, é fiel para comigo e continua renovando a força do seu chamado em minha vida. Gratidão a todos que rezam pela minha vocação e me ajudam a viver este dom com liberdade e inteireza”.

COMUNIDADE TIMÓTEO GIACCARDO | SÃO PAULO, SP
IR. BIANCA, IR. JÉSSICA, IR. NEIDEANE E IR. ROMILDA
RENOVAÇÃO DOS VOTOS RELIGIOSOS: 9 DE FEVEREIRO

No dia 09 de fevereiro de 2021, durante a celebração eucarística presidida pelo Padre Jakson Ferreira de Alencar, SSP, na Comunidade Timóteo Giaccardo em São Paulo, Ir. Maria Antônia Bianca Oliveira dos Santos, Ir. Maria Jéssica Carolina Vallenilla Pérez, Ir. Maria Neideane Alves Monteiro e Ir. Maria Romilda Cordeiro Sarmento renovaram com voto, por um ano, os Conselhos Evangélicos.
A celebração deu-se início às 18h30. Após a saudação inicial do Pe. Jakson, Ir. Penha Carpanedo fez um breve comentário acolhendo a todos que se faziam presentes.
Após a homilia, as irmãs diante da palavra renovaram os votos de castidade, pobreza e obediência. Recebeu os votos a provincial Ir. Marilez Furlanetto, delegada da superiora geral. As irmãs tiveram como testemunhas Ir. Kelly Silva de Oliveira e Ir. Luciana Tonon.
Logo após a celebração a comemoração estendeu-se com um delicioso jantar cantando parabéns para as irmãs e assim bendizendo a Deus pelo Dom da vocação.

COMUNIDADE BRASÍLIA, DF
IR. NATALI DOS SANTOS BERTOSO
RENOVAÇÃO DOS VOTOS RELIGIOSOS: 10 DE FEVEREIRO

A celebração da renovação dos votos da Ir. Natali Santos Bertoso aconteceu na Capela do Centro de Apostolado Litúrgico de Brasília, no dia 10 de fevereiro, às 17h.
O pe. Paulo César Magalhães, da Congregação de São Luis Orione, presidiu a celebração. Além da comemoração pela renovação dos votos da Ir. Natali, as irmãs já aproveitaram para iniciar os festejos pelos 60 anos de vida religiosa da Ir. Luisa Mantovani.
A superiora local, Ir. Sônia Ferreira Andrade, recebeu a renovação dos votos da Ir. Natali Santos Bertoso.

Além das irmãs da Comunidade de Brasília, participaram os colaborares do Centro de Apostolado Litúrgico: Junio e Moisés.

PDDM: FORMAÇÃO AO NOVO GOVERNO DA PROVÍNCIA DO BRASIL

De 28 de janeiro a 07 de fevereiro, acontece a formação ao governo da Província Brasil das Pias Discípulas do Divino Mestre. A ir. Maria Lidia Natsuko Awoki, vigária geral, está presente neste processo. 

Em carta protocolar do Governo Geral, datada de 19 de janeiro de 2021, a Ir. M. Micaela Monetti, superiora geral, saúda as irmãs e jovens em formação da Província do Brasil e faz-se presença fraterna entre as irmãs. 

Participam desta formação, as irmãs do governo anterior (2018-2020): Vigária Provincial – Ir. Clarinda Piassi; Secretária Provincial – Analice Lúcia Balestrin e Ecônoma e conselheira Provincial – Ir. Ana Patrícia Reinaldo de Oliveira; as conselheiras Ir. Soênia Brito e Ir. Isabel Tonon. E as irmãs que assumem o ministério neste próximo triênio (2021-2023): Ir. Marilez Furlanetto, reeleita provincial; Ir. Mª Teresinha Lubiana, Vigária provincial; as conselheiras Ir. Kelly Silva de Oliveira, Ir. Luciana Tonon, Ir. Vera Maria Galvan; Ir. Mª Edilaine Alves de Souza, Ecônoma provincial. A ir. Julia Cristina de Almeida, secretária, não participa deste momento formativo porque não conseguiu se deslocar para São Paulo, por conta da Pandemia.

Para a formação deste novo governo, a Madre Geral na sua carta motivou a todas para este momento diferente, mas memorável para a vida comunitária das Pias Discípulas. 

Em carta, a Ir. M. Micaela anima:

Não obstante a grave crise produzida pela pandemia em curso, Ir. M. Lidia Awoki, vigária geral, pôde viajar e entrar no Brasil.

A presença dela entre vocês manifesta a comunhão e a participação do governo geral na vida das comunidades das Pias Discípulas no Brasil. É também a oportunidade de reavivar entre nós o já profundo sentido de pertença à Congregação, sentir-nos parte integrante de um organismo internacional e intercontinental que só deseja contribuir para a difusão do Reino de Deus no mundo seguindo Jesus Mestre, Caminho, Verdade e Vida.

Ela foi por mim delegada para a formação ao serviço do governo provincial composto por Ir. Marilez Furlanetto, por suas conselheiras, pela ecônoma e pela secretária. Com um programa acordado em precedência, elas estarão empenhadas a partir de 28 de janeiro próximo, pelos dias sucessivos necessários.

Em diálogo com Ir. Marilez Furlanetto, superiora provincial, e as outras irmãs do governo, serão tomados em consideração os aspectos prioritários para o caminho da Província, rumo a 2023, na comunhão eclesial e de Família Paulina.

Nesta visita, entre irmãs em Cristo, procurarão individuar, juntas, a vida nova que flui na fraternidade, no empenho apostólico e de santificação, de todas e de cada uma. Aquela vida que, a partir do 9° Capítulo geral, desejamos deixar emergir livre e alegre, como testemunho de que, encontrar Jesus e segui-lo como discípulas, no século XXI, dá alegria e sentido à existência. De fato, a vida nova é Ele, o Divino Mestre que vive em nós, em crescimento contínuo até a plena estatura de pessoa perfeita, que deseja doar a própria vida para que o mundo creia e possa participar da alegria do Evangelho.

Na alegria e na paz, que São Paulo deseja às comunidades cristãs, acompanho vocês com afeto.

No dia 28/01/2021, o dia iniciou com a leitura da carta acima. A seguir, Ir. M. Lidia conduziu um momento de oração com a leitura dos textos litúrgicos do dia: 1ª Leitura – Hb 10,19-25; Salmo 23 (24),1-2. 3-4ab. 5-6 (R. Cf. 6); e Evangelho – Mc 4,21-25. A partir do Evangelho e leitura de Hebreus fez uma reflexão focando na dimensão do “olhar e o prestar atenção”. Provocou a participação e partilha entre as irmãs a partir da pergunta: “Estes últimos trinta dias, como prestei atenção em minha pessoa em minha comunidade?”.  Ir. Marilez Furlanetto conduziu a apresentação do relatório da Província do triênio 2018-2020.

No dia 29/01 Ir. Ana Patrícia Reinaldo apresentou o relatório no que se refere à comunhão dos bens. Também no neste dia 29/01, aconteceu um breve momento online com a Ir. M. Micaela, expressando a comunhão com a superiora geral, partilhando a alegria e a disponibilidade do serviço.

Este momento formativo continuará dia 30/01 com uma jornada de intensa oração e partilha. 

Acompanhemos nossas irmãs com nossas orações.

ATENÇÃO: PARA AS FOTOS ABAIXO, AS IRMÃS RETIRARAM AS MÁSCARAS. DURANTE TODO O EVENTO, ESTÃO SENDO USADAS AS MÁSCARAS, ÁLCOOL EM GEL E TENTADO RESPEITAR O DISTANCIMENTO ENTRE IRMÃS.

Celebrações para abertura do Ano Bíblico da Família Paulina 2020-2021

No dia 26 de novembro, data que toda a Família Paulina recorda a morte do Bem-Aventurado Padre Tiago Alberione, será a abertura para o Ano Bíblico. Para este dia, a ir. Penha Carpanedo, pddm, preparou alguns roteiros para as celebrações deste dia.

Abaixo disponibilizamos os textos para as Laudes, em word e pdf, para o dia 26 de novembro com o audio das partes que podem ser cantada.

Textos das Laudes:

As melodias para as diversas partes do ofício:

Abertura – voz do Frei Telles
Hino das Laudes
Salmo 63 (62)
Cântico das Criaturas
Salmo 149
Responso após a leitura
Cântico de Zacarias

Para a Missa, a Paróquia Santo Inácio poderá receber aproximadamente 200 pessoas na celebração de Pe. Tiago Alberione, às 18h. Na ocasião, se fará a menção a abertura do ano Bíblico.

Vamos celebrar e fazer com que a Palavra de Deus seja anunciada e vivida por todos aqueles que a conhecem.

A Sagrada Escritura e o religioso

Meditação do Pe. Alberione aos Clérigos Paulinos no Ano Santo de 1933

Tendo chegado ao terceiro dia dos Exercícios é muito útil ver se nós já os começamos, e isso significa: ver se entramos apenas no horário dos Exercícios – e isso seria fácil – mas no espírito. Os Exercícios espirituais exigem, sobretudo, o exame de consciência: tanto mais na primeira parte na qual devemos conhecer a nós mesmos, para ver aquilo que na nossa vida necessita ser reformado. Têm por fim, os Exercícios espirituais, aquilo que Santo Inácio pôs no título do seu preciosíssimo livro: “Exercícios espirituais para vencer a si mesmo e para pôr ordem na própria vida, sem tomar decisões em base a alguma propensão que seja desordenada”. São Exercícios, isto é, são um conjunto de obras espirituais: exercícios de meditação, exercícios de oração exercícios de virtude: um conjunto de práticas disposta de modo que o homem possa vencer-se a si mesmo e, para o futuro, reordenar, reorganizar a sua vida sem miras humanas, mas somente tendo em vista a vontade divina, com o olhar da eternidade, do Paraíso. E nós já chegamos a isso:

“Vencer-se a si mesmo”? “Pôr ordem na própria vida”? Os Exercícios não se conhecem pela fidelidade ao horário, ainda que seja necessária, mas pela profundidade dos exames de consciência. Façamos, portanto, isso. Esta manhã vamos tratar um argumento que já temos considerado e sobre o qual já falamos outras vezes: A Sagrada Escritura. Ontem também já consideramos que o religioso, entre outras ajudas, tem a da Bíblia, a qual é luz para todos, mas especialmente é luz para os religiosos. Porque se Deus confiou à pobre humanidade um “pão” e uma “lâmpada”, o Pão Eucarístico e a Lâmpada Evangélica, “lâmpada ardente”, isto o fez especialmente para os religiosos.

1. O que é a Sagrada Escritura

Materialmente sabemos que ela é o Livro por excelência, que se compõe de setenta e dois livros, que seriam mais propriamente os capítulos de um mesmo livro, pois muitas vezes os livros sucessivo começam com “e”, quase como coligação: porque o autor, Deus, tendo terminado de escrever um capítulo, chamando, por assim dizer, outro amanuense, que é o escritor sacro, faz que escreva outro capítulo, como São Paulo que ditava sua carta ao primeiro escritor que se achava com ele, e, dependendo do lugar em que se encontrava, daí despachava suas cartas. Assim é a Sagrada Escritura.

A Escritura bem entendida é o livro divino, autor do qual é o Senhor, o qual endereçou esse livro aos homens tornando-se companheiro deles. E antes mandou que fosse guardado entre as coisas mais sagradas, com os pães da proposição, isto é, com o símbolo da Eucaristia, na Arca Santa. Mandou depois a Igreja guardá-lo, interpretá-lo e propô-lo ao povo. Então é Deus que o fez, é Deus que o guarda, e é o Espírito Santo que dá a luz e a força para interpretá-lo com sabedoria, do modo certo, como ele deve ser entendido. Os homens são instrumentos. Deus é o grande
Autor.

Ademais o que é a Sagrada Escritura para nós? Para nós é a fonte de tudo. O que quer dizer? Para nós é a fonte da Teologia dogmática, para nós é a fonte da Teologia moral, para nós é a fonte da Teologia ascética, para nós é a fonte da Teologia pastoral, para nós é a fonte da Teologia mística.

É a alma, é o espírito, é a autoridade, é a prática, é tudo nesses campos. Portanto, para nós não é um livro estranho, mas um livro que tem uma extrema, necessária, essencial conexão com o nosso estudo, aliás, forma a substância verdadeira da nossa ciência, a substância verdadeira do nosso estudo. Na prática, portanto, não podemos ter, em realidade, nenhuma ciência que não seja justa. A Bíblia é a ciência que Deus deu ao homem, escrita por Deus para nós: é a sua mente, o seu coração. E para o religioso o que é a Sagrada Escritura? Para o religioso a Sagrada Escritura é o livro de maior luz e de maior força […].

O Vigário de Jesus Cristo, a quem é dada uma sabedoria e dons extraordinários, é diretamente iluminado pelo Espírito Santo, também para iluminar e guiar os religiosos…

O Papa e a Escritura são luzes do religioso, as luzes propriamente ditas. E o Papa pega da Escritura e os religiosos devem ler a Escritura.

A Bíblia é o grande livro do religioso. Diríamos que é o livro de todos: sim, é o livro de todos. Mas se aos seculares, aos bons cristãos pode-se fazer um extrato das máximas lá contidas, o religioso deve assumi-la inteira, para que possa receber todo o espírito de Deus. Somente a Bíblia pode elevar o religioso à sua verdadeira altura, iluminá-lo no caminho especial que ele deve seguir para chegar à perfeição; e, na Bíblia, especialmente o Novo Testamento. E não basta: a Bíblia é para o religioso força. Quando alguém estiver desanimado [escolha] a leitura da Bíblia. Vós, à medida que fordes caminhando, tereis sempre necessidade de direção espiritual, e tomarão consciência disso; mas a direção espiritual não pode ser sempre a respeito dos mesmos pontos: não se pode chegar ao quarto ano de teologia e ainda ter que dizer: “Quando tiveres tentações, dize uma jaculatória”. Esse é um costume que já deve ter sido adquirido. Como no quarto ano primário temos certas matérias que não temos mais em teologia – isso é claro -, assim o religioso faz um curso teológico e precisa de ajudas que não pode encontrar senão na Sagrada Escritura. É, portanto, importantíssimo que o religioso diga: “Este é o meu livro”.

Por isso os religiosos dos primeiros tempos, os religiosos de verdadeiro espírito tinham todos grande tendência à Bíblia, à Sagrada Escritura. E no deserto os antigos Padres, e os Basilianos e os filhos de Santo Agostinho, e os seguidores de São Bento, e os discípulos de São Francisco de Assis… todos têm grande tendência, uma grande preferência a esse livro, que forma os heróis: porque dá uma mentalidade que é divina; dá uma virtude que é divina; dá um espírito, uma vida que é divina. Se vós não ledes Jesus Cristo, isto é seu Evangelho, e o grande Teólogo do Novo Estamento, São Paulo, que organizou os ensinamentos dispersos e dados quase ocasionalmente pelo Divino Mestre, o que podemos dizer? …Lendo um Santo secular, tendes um secular; mas vós tendes Jesus Cristo para imitar, Deus; e há certas virtudes que não se encontram senão em Jesus Cristo, em Deus, e elas são as virtudes religiosas: daquele que deve deixar tudo, daquele que deve submeter sua vontade, daquele que deve viver uma vida nova. Por consequência o vosso livro é a Sagrada Escritura. Quanto, portanto, nós deveríamos empregar de amor à Sagrada Escritura!

2. A Bíblia e o Apostolado

Passemos a considerar algo sobre a Bíblia e nós, isto é o Apostolado. A Bíblia, naquilo que se refere ao Apostolado, como já consideramos, é novamente a luz, o caminho e a vida. É a luz, porque todas as verdades as obtemos de lá… É o caminho, porque o que quereis praticar, o que quereis viver a não ser aquilo que Deus dá e no modo que Deus dá? Como quereis ter raciocínios que persuadem?

Santo Agostinho diz que raciocínios dos filósofos e humanos não persuadem. E São Paulo: “A minha palavra e a minha mensagem não se basearam em discursos persuasivos de sabedoria, mas sobre a manifestação do Espírito e da sua potência” (1Cor 2,4): e isso é a Bíblia. O nosso religioso com a leitura da Bíblia eleva-se a Deus: ele é o homem que se torna Deus11. O religioso que pega a Bíblia e a medita e depois a explica, é Deus que desce até ao homem para instruí-lo. E leva a lâmpada que é Deus, e leva o método que é divino, e leva a vida que é sobrenatural, presente nas páginas sempre vivas e têm a fragrância de todo perfume spiritual da Bíblia.

Portanto a Bíblia é tudo para o nosso Apostolado: luz, caminho ou método, e vitalidade. Não fiquem cavilando ou persuadindo, mas dizei simplesmente: “Ipse dixit”: isso disse Jesus, isso foi Deus que disse. E quem achais que vos ataque quando foi Deus que disse, quando repetis a palavra de Deus? A quem atacarão, a Deus? Nós somos a sua voz, nós somos os seus repetidores, nós somos os seus tipógrafos, nós somos seus mensageiros, seus agentes postais que entregam sua carta aos homens. O embaixador não merece castigo: ele tem a autoridade e a em virtude daquele que o mandou, isto é, por Deus e de Deus.

Bendito seja o Senhor, porque não devemos procurar argumentos subtilíssimos, sofismas humanos, requintes da eloquência profana, artifícios da retórica… Nós devemos dizer: “o Senhor disse” e é claro, e basta que repitamos a sua palavra.

Deus fez o coração humano e depois lhe deu sua palavra. Jesus via como é feito o coração do homem e adaptava sempre a palavra ao coração. Jesus via as necessidades dos homens, e dizia aquilo que aos homens convém. É como dizer: se um indivíduo fez a cabeça de um homem, fará para ele também o chapéu, ou melhor, modelará o chapéu à cabeça que já fez. Deus modela suas palavras ao coração do homem: porque quando se refere a palavra de Deus, chega-se logo ao coração e os livros que reproduzem a palavra de Deus, como são a Imitação de Jesus Cristo , os Exercícios Espirituais de Santo Inácio, os escritos de São Bernardo, de São Gregório Magno, etc., são lidos logo com avidez e cada pessoa sente como um instinto lá dentro. De consequência, eis o vosso livro.

3. Na vida prática

Venhamos à prática.
a) Primeiro pensamento: reparação. Reparemos se tivermos perdido nas classes primária ou ginasiais ou superiores tempos, minutos a leituras demasiado humanas, desconsiderando a palavra de Deus. Quando se começou a leitura do livro de Pellico, um menino disse: “Desde quando o senhor não lê mais aquele péssimo livrão…” Eis! A Escritura foi jogada fora como um péssimo livro, viram!?

Quantas vezes também por nós foi deixada de lado! O Pellico sentiu-se ferido e obrigado a reparar, ainda que naqueles momentos seu coração estivesse tomado por uma crise. Reparemos! E reparamos com dor, peçamos perdão. Examinai-vos também a respeito disso: chegareis a ser de verdade apóstolos da Imprensa e a lerdes bem a Bíblia. Reparemos! Reparemos com jaculatórias, com Comunhões, mas especialmente com o colocá-la, a Bíblia, em primeiro lugar, e, depois, lê-la todos os dias e adquirir o método para lê-la, como diremos daqui a pouco. Lê-la na visita. Que a Bíblia se torne o vosso livro. São Filipe Benizi dizia: “O Crucifixo: eis o meu livro”.

Vós dizei: “A Bíblia: eis o meu livro”.

b) Segundo: Ler a Bíblia com método. Qual método? Um dos três métodos: mas como vós já estais no Curso de Filosofia ou já o superaram, deixemos o método popular, que seria ler os livros históricos do Novo Testamento e depois os livros proféticos, e por último os livros sapienciais e morais: venhamos ao método vosso. Começai do Gênesis e chegai ao Apocalipse, na ordem que deu o Concílio de Trento: para vós é mais útil. Fazei, portanto, um bom plano, para ler a Bíblia: calculai bem, depois dividi pelo tempo que quereis empregar para lê-la… e, depois, à frente, com método, o vosso método, que é o de ver o desenvolver-se da Revelação: e, portanto, começai do Gênesis e vinde avante. Há entre vós alguns que têm muita memória, e até poderiam estudá-la; mas não fazei grandes propósitos! Dado que já haveis estudado muito da Bíblia, fixai aquelas partes que já haveis estudado.
Alguns aprendem até as canções dos melros e não quereis aprender a voz de Deus? E quem és tu que não conheces a voz de teu pai, e que conheces o canto dos melros e sabes imitar a voz do rouxinol? Já vos examinastes alguma vez a esse respeito? Durante os exames dos Exercícios podeis fazê-lo. Adotai um bom método, uma boa divisão.

c) Depois, continuando a prática, imprimi-la e difundi-la. Imprimi-la bem: quando há de verdade devoção à Sagrada Escritura, compõe-se bem, corrige bem, imprime bem, faz-se bem a brochura. O amor não é feito de sentimentalidade; o amor é feito de prática, de obras. Por consequência: procurai fazer tudo isso bem. Outro ponto: difundi-la. Sei que já se fez muito nesse ponto, e sei que se faz: isso está bem. Façamos de modo que a difusão seja sempre mais abundante e mais sapiente: não insisto tanto em encorajar, mas em fazer com amor e atenção.

Conclusão

E o que devemos dizer como conclusão? Como conclusão lembramos que quando o Anjo apareceu a Maria e a encontrou lá, recolhida, estava lendo a Escritura, pensava na Escritura. É belo para nós representar-nos Santa Ana que de fato ensinava a Maria a ler a Escritura. Gostamos de representar-nos Nossa Senhora que ensinava o menino Jesus a ler a Sagrada Escritura. Jesus sabia tudo porque é a Sabedoria de Deus, aquilo que a Sabedoria de Deus havia escrito na Bíblia; mas ele tornou-se semelhante a nós, porque, ainda que não tivesse nenhuma necessidade de estudar, ele queria crescer em sabedoria, idade e graça, e, portanto, tornou-se mestre de si mesmo: e de onde aprendeu sua ciência? Imitemos, portanto, Deus, leiamos seu livro. “Eu sou de Pedro, eu sou de Paulo, eu sou de Apolo…”. Vós sejais todos de Deus! Não somente de Manzoni, de Dante, de Tasso… Há diversos Padres dos quais se lê que tinham meditado muito a Escritura, de tal modo que seus discursos, suas pregações, seus escritos pareciam um entrelaçar-se continuado de textos bíblicos, muito bem escolhidos: porquê? Porque na Escritura está contido tudo aquilo que devemos escrever e dizer aos outros, e porque assim fazendo temse muito mais força. A sabedoria da Sagrada Escritura é infinita: não se resume em poucas coisas, mas é a Sabedoria divina. De consequência dela se obtém muito maior fruto espiritual.

Tenho a confiança não só que vós confirmeis o propósito que já tendes, ou melhor a prática que tendes, há tempo, de ler a Escritura, mas tenho a confiança de que continueis a melhorá-la sempre, sempre com mais espírito. Se alguém precisa ainda reorganizar melhor a matéria, que o faça: os Exercícios são um reordenamento da vida, e também das leituras, parte importante dos estudos. Evitai de fazer o exame de consciência somente sobre o espírito. É necessário que seja feito sobre a inteira vida religiosa, e, isto é, sobre o espírito, sobre os estudos, sobre o apostolado, sobre a pobreza: seja completo. E reorganizar toda a vida: enfrentai as coisas penosas, que não ousais enfrentar durante o ano. “Aquela matéria ali sempre foi difícil para mim…”. Façamos o propósito, rezemos, enfrentemos com generosidade: a quem for generoso, Deus dará abundantemente. Seja louvado Jesus Cristo.

(GIACOMO ALBERIONE, La Sacra Scrittura e il religioso, in Si vis perfectus esse, ed. Viviamo in Cristo Gesù, Opera Omnia, Ed. San Paolo, 2008, pp. 69-78.)

Para um itinerário de vida e ação no Ano Bíblico

Além dos “anos” promovidos por toda a Igreja, como os Anos Santos, os Jubileus, Ano da Fé, Ano Mariano, Padre Tiago Alberione, por sua vez, promoveu a celebração de especiais “semanas”, como a “Semana do Evangelho” ou do Divino Mestre, e de vários “anos” próprios da Família Paulina. Assim, 1919 foi declarado como “Ano Vocacional” da “Casa” e 1920, “Ano da Consolidação”. Não se pode, aliás, esquecer que a apresentação de uma trilogia da espiritualidade paulina à Igreja teve início com o livro do Côn. Francisco Chiesa, “Gesù Cristo Re” (que está por “Eu sou o Caminho”), fruto do Ano Santo de 1925.

Entre os itinerários anuais especiais promovidos por Padre Alberione estão, por exemplo, o Ano Quadragenário da Fundação (1954), o Ano a Jesus Mestre, 1955, o Ano a São Paulo (1957-1958), e o Ano Bíblico de 1960-1961. Nem podem ser esquecidas as incontáveis “Semanas do Evangelho” ou Festas do Divino Mestre, verdadeiras missões populares, celebradas nas Paróquias.

É preciso notar que essas propostas do Pe. Alberione eram sempre vistas não como eventos isolados, mas como parte de todo um itinerário de vida e de evangelização. Percorrendo os ensinamentos do Pe. Alberione, são inúmeras as vezes que trata sobre o ano litúrgico, o ano eclesiástico, o ano catequético, o ano espiritual.

Aquilo que é preciso ressaltar é que para ele tudo devia levar a uma síntese vital, pessoal e comunitária. Propor o tema para a celebração de um ano inteiro significava propor um itinerário unitário de vivência do discipulado, desde o anúncio (querigma) à missão. E para isso, segundo ele, ocorre uma proposta onde há “um catecismo cheio de Evangelho e de Liturgia; um Evangelho cheio de notas catequéticas e litúrgicas; uma Liturgia (por ex. o Missalzinho) cheia de Evangelho e Catecismo”.

Assim, para o presente Ano Bíblico continua de plena atualidade o quadro que Pe. Alberione traçou para o ano de 1960:

“Quando se lê A Sagrada Bíblia é necessário ter presente quatro coisas:
1) A Sagrada Bíblia apresenta-nos as Verdade que o Senhor quis revelar aos homens.
2) A Sagrada Bíblia apresenta-nos a Moral, isto é, a Lei, os mandamentos, as virtudes, os conselhos evangélicos e tudo aquilo que constitui a sabedoria e a ciência dos Santos.
3) A Sagrada Bíblia apresenta-nos aquilo que é o culto, a liturgia do antigo e novo Testamento.
4) A Sagrada Bíblia, enfim, apresenta-nos o modelo, o modo com o qual realizar o ministério. Ela é o grande livro do Sacerdote e do Apóstolo.

Quatro intenções, portanto, devem guiar-nos na leitura da Sagrada Bíblia:
a) Encontrar as Verdades que o Senhor nos revelou, as coisas às quais crer e ensinar para que: ‘Quem crer será salvo’.
b) Aprender a moral, isto é, as coisas a serem feitas, os vícios a serem evitados, as virtudes para praticar, a estrada que devemos seguir para chegar mais seguramente ao nosso fim.
c) Obter do Sagrado Texto a Liturgia, isto é, o culto que devemos dar a Deus: culto interno e culto externo, culto privado e público, a oração individual e social.
d) Aprender do Sagrado Texto, enfim, qual é a nossa missão, o modo, o espírito com o qual realizar o nosso ministério, e assim corresponder plenamente aos desígnios que Deus tem sobre nós.

Quem começa a amar a Bíblia logo passa a difundi-la. Quem ama a leitura da Bíblia torna-se iluminado, útil às pessoas. Quem sabe na leitura da Bíblia comunicar-se bem com Deus, torna-se sempre mais o homo Dei [a pessoa de Deus].

E então quando ele fala, a sua palavra tem a autoridade de Deus ‘como se pronunciasse palavra de Deus’ (1Pd 4,11), e quando age é como o justo que o Senhor ‘guiou por caminhos retos e mostrou-lhe o reino de Deus’ (Sb 10,10).

Estamos no Ano Bíblico. Mas se queremos que o Sagrado Texto entre em todas as famílias e seja amado e entendido, pode-se usar muitos meios, mas o primeiro meio é ler, meditar e amar a Bíblia.

Essa é a oração vital que vai nos obter a graça de comunicar o Verbum Dei”9.

— ¤ — ¤ —

Padre Alberione não promovia eventos puramente comemorativos. Por isso, ao propor eventos, jornadas, meses, anos, seu intuito era promover a vivência e a missão evangelizadora, envolvendo as pessoas e as comunidades da inteira Família Paulina, cada qual segundo a especial expressão do carisma.

Para favorecer a reflexão em vista da elaboração de um projeto pessoal ou comunitário para o Ano Bíblico, proponho a seguir uma meditação do Pe. Alberione, feita aos Clérigos Paulinos, durante o Ano Santo ou Jubileu de 1933! Não obstante seus 87 anos, poderá servir de base, talvez, para um ou mais momentos de reflexão ou celebração.

Pe. Antonio F. da Silva