Leitura Orante Solenidade Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo, Ano B

Algumas recomendações: Antes de começar a leitura, prepare o ambiente, acenda uma vela…Encontre uma posição confortável, acalma-se de toda a agitação, preste atenção aos próprios sentimentos, pensamentos, preocupações…Deixe que volte ao coração acontecimentos, pessoas, situações…Entregue tudo ao Senhor. Em atitude de fé, invoque o Espírito Santo, pois é ele que ‘perscruta todas as coisas, até mesmo as profundidades de Deus’ (cf. I Coríntios 2,10-12). Se desejar escreve no seu caderno pessoal tudo que viveu durante a oração e partilhe.

Leituras dos textos bíblicos:
Evangelho João 18,33b-37
1ªLeitura da Profecia de Daniel 7,13-14
Salmo 93 (92), 1ab.1c-2.5 (R.1a)
2ªLeitura – Livro do Apocalipse de São João 1,5-8
QUATRO PASSOS DA LEITURA ORANTE
Invocação ao Espírito Santo…
Primeiro passo: LER
“Ele me desperta a cada manhã e me excita o ouvido,
para prestar atenção como um discípulo” (Is 50,4b)
● Ler e reler o texto, baixinho e em voz alta; escutar o texto (alguém está falando!).
● Prestar atenção a cada palavra, às ideias, às imagens, ao ritmo, à melodia.
● Tentar entender o texto (no contexto em que foi escrito).
● Se for possível, recorrer também a um bom comentário de um biblista.

  • Ler como se fosse a primeira vez.
  • Ler quantas vezes forem necessárias para deixar o texto falar.
  • O que o texto está dizendo?
  • Não interpretar, nem jogar suas ideias no texto – escute!
  • Responder: Nível literário: Quem? O quê? Quando? Como? Onde? Por quê? O texto faz insistências (imagens, verbos, substantivos…)? Nível histórico: Quando o texto foi escrito? O relato coincide com a data da redação? Para quem foi escrito? Nível teológico: O que Deus estava dizendo naquela situação? Como ele se revelava? Como o povo respondia?
  • Obs.: procurar as respostas em primeiro lugar no texto, depois em algum subsídio.
  • Ao final desse momento, experimente reler o texto.

Segundo passo: MEDITAR
“Uma vez Deus Falou, duas eu ouvi” (Sl 62,12)
● Repetir o texto (ou parte dele) com a boca, a mente e o coração: não “engolir” logo o texto, e sim mastigá-lo, “ruminá-lo”, tirando dele todo o seu sabor; não ficar só com as idéias que contém, mas deixar que as próprias palavras mostrem sua força; aprender de cor (= de coração!) pelo menos uma parte do texto.
● Penetrar no texto, interiorizá-lo; compreendê-lo, interpretá-lo a partir de nossa realidade; identificarmo-nos com ele. Perceber como o texto expressa nossas próprias experiências, sentimentos e pensamentos. Principalmente no caso dos salmos, estas experiências podem ser entendidas também como se referindo a Jesus, o Cristo.
● Trata-se de atualizar o texto: perceber como ele acontece hoje, em nossa realidade pessoal comunitária e social; perceber qual a palavra que o Senhor poderá estar nos dizendo…

  • Ouvir o que Deus está dizendo hoje através do texto.
  • Relacionar o texto com outras leituras (texto da Bíblia ou da Liturgia).
  • Experimente reler o texto!
  • Escolha uma frase ou expressão do texto que te marcou.

Terceiro passo: ORAR
“O Espírito nos socorre em nossa fraqueza,
pois não sabemos orar como convém” (Rm 8,26)
● Deixar brotar de dentro do coração tocado pela Palavra uma resposta ao Senhor. Dependendo da leitura e da meditação feitas, poderá ser uma resposta de admiração, louvor, agradecimento, pedido de perdão, compromisso, clamor, pedido, intercessão…

  • O que o texto me faz dizer a Deus?
  • Não “maquiar” os sentimentos diante de Deus.
  • A oração pode ser feita a partir de um salmo ou cântico bíblico.
  • Levar em conta o próprio texto e deixar o “movimento” do Espírito conduzir sua prece, louvor, adoração…
  • Você pode também compor uma oração estilo coleta ou uma introdução para a celebração dominical (sentido litúrgico).
  • Formular um compromisso: “Senhor, que queres que eu faça?”
  • Experimente reler o texto.

Quarto passo: CONTEMPLAR
“Tende em vós os mesmos sentimentos que havia em Jesus Cristo” (Fl 2,5)
● A Bíblia não usa o verbo contemplar e, sim, escutar, conhecer, ver. Trata-se de saborear, “curtir” a presença de Deus, o jeito de ele ser e agir, o quanto ele é bom e o quanto faz por nós. Supõe uma entrega total na fé. Passa necessariamente pelo conhecimento de Jesus Cristo (“Quem me vê, vê o Pai”), que se encontra ao lado dos pobres.

  • Ver a realidade com os olhos de Deus. Transformação interior de que se pôs à escuta da palavra.
  • Contemplar = “viver no templo” – atitude permanente de vida.
  • Permitir a encarnação do Verbo – o sentido das escrituras está na sua realização em nossas vidas: “Hoje se cumpriu”.
    Palavra de um lavrador: “…fui notando que se a gente vai deixando a palavra de Deus entrar dentro da gente, a gente vai se divinizando. Assim, ela vai tomando conta da gente e a gente não consegue mais separar o que é de Deus e o que é da gente. Nem sabe muito bem o que é Palavra dele e palavra da gente. A Bíblia fez isso em mim”.

Para ajudar no aprofundamento dos textos: O Messias rei, cujo trono pulsa de amor pela vida – João 18:33-37
Pilatos então voltou para o Pretório, chamou Jesus e lhe perguntou: “Você é o rei dos judeus?” Perguntou-lhe Jesus: “Essa pergunta é tua, ou outros te falaram a meu respeito?” Respondeu Pilatos: “Acaso sou judeu? Foram o seu povo e os chefes dos sacerdotes que entregaram a mim. Que foi que você fez?” Disse Jesus: “O meu Reino não é deste mundo. Se fosse, os meus servos lutariam para impedir que os judeus me prendessem. Mas agora o meu Reino não é daqui”. “Então, você é rei!”, disse Pilatos. Jesus respondeu: “Tu dizes que sou rei. De fato, por esta razão nasci e para isto vim ao mundo: para testemunhar da verdade. Todos os que são da verdade me ouvem”. (João 18:33-37).
Qual era o sonho de Judas Escariotes, senão a eclosão de um reino poderoso que derrotasse a tirania romana, submetendo César e o resto mundo ao secto de Jerusalém, com Jesus entronizado rei? Aliás, esse messias imbatível que faz descer fogo do céu estava muito vivo na cultura belicista dos “filhos do trovão”, discípulos de jesus que, até um pouco antes da prisão do seu mestre, alimentavam o desejo de ver os ditos incircuncisos da sua época transformados em cinzas pelo fogo do seu messias. Como foi difícil para aqueles homens compreenderem a natureza messiânica de Jesus de Nazaré! Assim como Judas, os demais discípulos de jesus viram frustradas suas pretensões de se assentarem a direita e a esquerda do futuro monarca e, ainda assim, até o último momento antes da prisão, não desistiram de entronizá-lo rei. Judas, talvez – especulação minha – tinha a pretensão de forçar uma reação poderosa do messias que projetava de si mesmo e Pedro, com o facão que cortou a orelha de Malco, decepou também a última possibilidade de se tornar a pedra poderosa que seria a base do “reinado” com o qual sonhara até aquele momento. O desejo doentio de usar a figura de Jesus Cristo para a imposição de projetos de poder não parou ali no olival, às margens do vale de Cedrom, a história é pródiga de acontecimentos tristes em que o filho de Deus é usado para legitimar tiranias legitimadas pela religião, às custas de vidas inocentes. Gosto muito da leitura do padre Alberto Maggi realizada no livro “A Loucura de Deus – O Cristo de João” onde diz que, “[…] em Jesus, o Homem-Deus, se manifesta a plenitude do amor do Pai, um Deus-Amor que não é rival do homem, mas seu aliado, que não o domina, mas o potencia, não o absorve, mas se funde com o homem, para comunicar-lhe a plenitude da sua vida divina (Jo 17,22). Um Deus que não pede ofertas, porque é ele que se oferece (Jo 4,10), que não quer ser servido, porque é ele que serve aos homens (Jo 13,14), que pede nova relação com ele, não mais como servos, mas como filhos.” (Maggi, p.10, 2013). Eu poderia encerrar esta reflexão com esta citação do Alberto Maggi, que diz tudo o que é necessário dizer sobre a natureza do Rei Jesus e da natureza do seu reinado. Entretanto, quero dialogar um pouco mais com você leitor e leitora atentos. Vejam que a mentalidade do poder atravessa toda a sociedade, dos discípulos aos religiosos do templo, de Herodes aos funcionários de Roma. Ao receber Jesus, manietado, fisicamente indigente diante da poderosa Roma, Pilatos trás para a cena a fala que denuncia os interesses do império ao perguntar se aquele galileu, de Nazaré, era o rei dos Judeus? Não é mera retórica de um magistrado romano ante um réu acusado de revolta contra o império. A pergunta está carregada de interesses da preservação dos privilégios de quem governa em palácios, de sentimentos que alimentam a fobia à cultura alheia – Xenofobia, de pensamentos supremacistas, de preconceitos racistas das ditas elites de “sangue azul” que não suportam o cheiro do Povo, especialmente dos pobres periféricos de “Nazaré.” E aqui, trago para o centro da nossa reflexão as dores e perdas dos nossos irmãos e irmãs das periferias do mundo que sofrem as atrocidades de gente violenta que atira bomba em cima de crianças, mulheres e famílias desarmadas sob o discurso mentiroso da guerra contra o terror…Sim! Diante de Roma está o Rei da glória! Fisicamente limitado pelo espancamento e pelas agressões sofridas desde a prisão no olival. Um rei cujo domínio inicia no terreno da Liberdade. Ele tem a sua vida nas mãos. Ninguém, absolutamente, ninguém pode tomar dele. Somente ele pode entregá-la. Isso é lindo no Deus-Amor que se revela em jesus de Nazaré. Vejam queridos leitores e leitoras os versículos 4, 5 e 6 do mesmo capítulo desta reflexão: Jesus, sabendo tudo o que lhe ia acontecer, saiu e lhes perguntou: “A quem vocês estão procurando?” “A Jesus de Nazaré”, responderam eles. “Sou eu”, disse Jesus. (E Judas, o traidor, estava com eles.) Quando Jesus disse: “Sou eu”, eles recuaram e caíram por terra. A potência do Kyrios (Senhor) estava, e está, plena da possibilidade de doar a sua vida como um cordeiro, o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. A glória do rei é de uma outra natureza, de divindade amorosa que se revela na fragilidade do humano, tão profundamente humano que, em sua plena humanidade, permitia ao toque das mãos, seus contemporâneos, apalparem o rosto de Deus. Por isso, tantos sinais, curas e milagres. Todo reino se caracteriza pelas relações com os súditos onde este domínio se materializa. O reinado de Jesus Cristo tem um jeito diferente de se relacionar com aqueles que se colocam debaixo do seu secto. Concluo, transcrevendo a fala do pastor Ed Rene Kivitz sobre a régua que baliza as relações políticas no reino de Deus. Ed Diz assim: – “Deus não faz acepção de pessoas! Amém? Mas, Ele tem lado. O lado do órfão, da viúva e do estrangeiro. Da criança. Do empobrecido. Do escravizado. Do que sofre preconceito. Do que sofre violência. Deus está sempre do lado da vítima […].” A loucura de um Messias cujo trono pulsa de amor pela vida está na identificação radical do Rei com o seu Povo, especialmente com este Povo citado no hell transcrito acima, pois, a política do seu reino se baseia no acolhimento que Deus faz, a partir dos pequenos.
Referência: Hell – pastor Ed Rene Kivitz
Andrade é pastor da Comunidade Batista do Caminho (CBC) em Campina Grande /PB.

Roteiro preparado pelas irmãs
Pias Discípulas do Divino Mestre – Pastoral Vocacional
Site: www.piasdiscipulas.org.br

JUBILEU 2025

A Igreja toda se prepara para o Jubileu do ano 2025. Desde o ano de 2023, o Papa Francisco está animando a todos para preparar este grande momento da igreja. Por vontade do Papa Francisco, os dois anos que precedem o Jubileu são dedicados à redescoberta do ensinamento do Concílio (primeiro ano) e à oração (segundo ano). O Ano do Concílio foi aberto a 11 de outubro de 2022 com a solene Liturgia Eucarística do 60º aniversário da abertura do Concílio Vaticano II, presidida pelo Santo Padre. Desde então, as comunidades cristãs de todo o mundo propuseram caminhos e momentos de reflexão sobre as quatro constituições conciliares: Dei Verbum, Sacrosanctum Concilium, Lumen Gentium, Gaudium et Spes. Na primavera de 2023 foram publicados pelo Dicastério para a Evangelização, por meio da Shalom Editrice, 34 volumes muito ágeis intitulados “Cadernos do Concílio”, escritos numa linguagem não acadêmica e com o objetivo de apoiar um caminho de redescoberta dos conteúdos centrais do Vaticano II. Foram pensados para ter a mais ampla difusão na comunidade cristã, ao serviço de cursos de catequese, de encontros do clero e de workshops de preparação para o Jubileu.

No Brasil, a coleção foi publicada pela editora da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a Edições CNBB. Os Cadernos podem ser adquiridos em todas as plataformas online.

Índice

 1. O Vaticano II: História e significado para a Igreja (Prefácio Papa Francisco, A. Comastri)

Dei Verbum

 2. A Revelação como Palavra de Deus (R. Fisichella)

 3. A Tradição (R. Fisichella)

 4. A Inspiração (A. Pitta)

 5. A Sagrada Escritura na vida da Igreja (M. Cardinali)

Sacrosanctum Concilium

 6. A Liturgia no Mistério da Igreja (A. Elberti)

 7. A Sagrada Escritura na Liturgia (M. Compiani)

 8. Viver a Liturgia na Paróquia (S. Riva)

 9. O Mistério Eucarístico (F. Sieni)

 10. A Liturgia das Horas (E. McNamara)

 11. Os Sacramentos (D. Jurczak)

 12. O Domingo (G. Midili)

 13. Os Tempos Fortes do Ano Litúrgico (M. Barba)

 14. A Música na Liturgia (M. Frisina)

Lumen Gentium

 15. O Mistério da Igreja (C. Militello)

 16. As imagens da Igreja (M. G. Riva)

 17. O povo de Deus   (S. Pié-Ninot)

 18. A Igreja é para a evangelização  (G. Morado)

 19. O Papa, os bispos, os sacerdotes e os diáconos (P. Goyret)

 20. Os leigos (M. Muolo)

 21. A vida consagrada (V. Berzosa)

 22. A santidade, vocação universal (F. M. Léthel)

 23. A Igreja peregrina rumo à plenitude (A. Schütz)

 24. Maria, a primeira fiel (L. Falasca)

Gaudium et Spes

 25. A Igreja no mundo de hoje (C. Pagazzi)

 26. O sentido da vida (M. Tulli)

 27. A sociedade humana (G. Cardinale)

 28. Autonomia e serviço (F. A. Grana)

 29. A família (A. Tornielli)

 30. A cultura (F. Marchese Ragona)

 31. Economia e Finanças  (D. Hillier)

 32. A política (F. Giansoldati)

 33. O diálogo como instrumento (I. Ingrao)

 34. A paz (N. Fabrizio)

Depois do ano dedicado à reflexão sobre os documentos e ao estudo dos frutos do Concílio Vaticano II, por proposta do Papa Francisco, o ano de 2024 será o Ano da Oração. O Santo Padre anunciou-o no domingo, 21 de janeiro de 2024, por ocasião do Quinto Domingo da Palavra de Deus. Já na sua Carta de 11 de fevereiro de 2022, dirigida ao Pró-Prefeito, Sua Ex. Rev.ma D. Rino Fisichella, para encarregar o Dicastério para a Evangelização do Jubileu, o Papa tinha escrito: «Desde já, apraz-me pensar que o ano que precede o evento jubilar, 2024, possa ser dedicado a uma grande ‘sinfonia’ de oração. Antes de mais, para recuperar o desejo de estar na presença do Senhor, de o escutar e de o adorar». Portanto, no caminho de preparação para o Jubileu, as dioceses são convidadas a promover a centralidade da oração individual e comunitária.

O Dicastério disponibilizou algumas ferramentas úteis para entender melhor e redescobrir o valor da oração. Para além das 38 catequeses sobre a Oração que o próprio Papa Francisco proferiu de 6 de maio de 2020 a 16 de junho de 2021, foi publicada pela Libreria Editrice Vaticana uma coleção de “Apontamentos sobre a Oração”. Trata-se de 8 volumes destinados a recolocar no centro a relação profunda com o Senhor, através das múltiplas formas de oração contempladas na rica tradição católica. Além disso, está disponível online um subsídio pastoral, em versão digital, para ajudar as comunidades paroquiais, as famílias, os sacerdotes, os clérigos e os jovens a viver com maior consciência a necessidade da oração quotidiana.

Em português:

O subsídio “Ensina-nos a rezar”, cujo título é tirado do capítulo XI do Evangelho de Lucas (Lc 11,1), já está disponível online, podendo ser descarregada gratuitamente a sua versão digital a partir do site. O opúsculo, inspirado no Magistério do Papa Francisco, pretende ser um convite a intensificar a oração como diálogo pessoal com Deus, para levar cada um a refletir sobre a sua fé e sobre o seu compromisso no mundo de hoje, nos diferentes âmbitos em que é chamado a viver. O objetivo é oferecer reflexões, indicações e conselhos sobre como viver mais plenamente o diálogo com o Senhor, na relação com os outros. O subsídio é composto por seções dedicadas à oração na comunidade paroquial, na comunidade familiar, outras dedicadas aos jovens, às comunidades de clausura, à catequese e aos retiros espirituais.

“Jubileu” é o nome de um ano particular: parece derivar do instrumento que se usava para indicar o seu início; trata-se do yobel, o chifre do carneiro, cujo som anuncia o Dia da Expiação (Yom Kippur). Esta festa recorre a cada ano, mas assume um significado especial quando coincide com o início do ano jubilar. Encontramos uma primeira ideia disto na Bíblia: o ano jubilar tinha que ser convocada a cada 50 anos, já que era o ano “extra”, a mais, que se vivia cada sete semanas de anos (cf. Lv 25,8-13). Ainda que fosse difícil de realizar, foi proposto como ocasião para restabelecer uma correta relação com Deus, entre as pessoas e com a criação, e implicava a remissão de dívidas, a restituição de terrenos arrendados e o repouso da terra.

Citando o profeta Isaías, o evangelho segundo Lucas descreve desta forma também a missão de Jesus: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque Ele me ungiu para anunciar a boa nova aos pobres. Enviou-me a proclamar a redenção aos cativos e a vista aos cegos, a restituir a liberdade aos oprimidos, a proclamar o ano da graça do Senhor” (Lc 4,18-19; cf. Is 61,1-2). Estas palavras de Jesus tornaram-se também ações de libertação e de conversão no quotidiano dos seus encontros e das suas relações.

Bonifácio VIII em 1300 proclamou o primeiro Jubileu, também chamado de “Ano Santo”, porque é um tempo no qual se experimenta que a santidade de Deus nos transforma. A sua frequência mudou ao longo do tempo: no início era a cada 100 anos; passou para 50 anos em 1343 com Clemente VI e para 25 em 1470 com Paulo II. Também há jubileus “extraordinários”: por exemplo, em 1933 Pio XI quis recordar o aniversário da Redenção e em 2015 o Papa Francisco proclamou o Ano da Misericórdia. A forma de celebrar estes anos também foi diferente: na sua origem, fazia-se a visita às Basílicas romanas de São Pedro e São Paulo, portanto uma peregrinação, mais tarde foram-se acrescentando outros sinais, como a Porta Santa. Ao participar no Ano Santo, vive-se a indulgência plenária.

Pai que estás nos céus,
a fé que nos deste no
teu filho Jesus Cristo, nosso irmão,
e a chama de caridade
derramada nos nossos corações pelo Espírito Santo
despertem em nós a bem-aventurada esperança
para a vinda do teu Reino.

A tua graça nos transforme
em cultivadores diligentes das sementes do Evangelho
que fermentem a humanidade e o cosmos,
na espera confiante
dos novos céus e da nova terra,
quando, vencidas as potências do Mal,
se manifestar para sempre a tua glória.

A graça do Jubileu
reavive em nós, Peregrinos de Esperança,
o desejo dos bens celestes
e derrame sobre o mundo inteiro
a alegria e a paz
do nosso Redentor.
A ti, Deus bendito na eternidade,
louvor e glória pelos séculos dos séculos.
Amém

Papa Francisco

Bula

Segundo a tradição, cada Jubileu é proclamado através da publicação de uma Bula Papal (ou Bula Pontifícia) de Proclamação. Por “Bula” entende-se um documento oficial, geralmente escrito em latim, com o selo do Papa, cuja forma dá o nome ao documento. No início, o selo era geralmente feito de chumbo e trazia na frente a imagem dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo, fundadores da Igreja de Roma, e no verso o nome do Pontífice. Mais tarde, o selo metálico foi substituído por um carimbo a tinta, mas continuou a ser utilizado para os documentos mais importantes. Cada Bula é identificada pelas suas palavras iniciais. Por exemplo, São João Paulo II proclamou o Grande Jubileu do Ano 2000 com a Bula Incarnationis mysterium (“O Mistério da Encarnação”), enquanto o Papa Francisco proclamou o Jubileu Extraordinário da Misericórdia (2015-2016) com a Bula Misericordiae vultus (“O Rosto da Misericórdia”). A Bula de Indicação do Jubileu, que indica as datas do início e do fim do Ano Santo, é geralmente emitida no ano anterior, coincidindo com a Solenidade da Ascensão. Para o Jubileu de 2025, prevê-se que seja publicada a 9 de maio de 2024.

Fonte desta notícia: https://www.iubilaeum2025.va/pt.html

CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM LITURGIA 2025

O Instituto de Filosofia e Teologia de Goiás (IFITEG), em parceria com a Rede Celebra, oferece o curso de Especialização em Liturgia, que tem início em janeiro de 2025. O curso é uma oportunidade para quem deseja aprofundar os estudos sobre a tradição litúrgica da fé. O curso é ideal para: Seminaristas, Religiosos, Agentes pastorais e todos que estão interessados em aprofundar seus conhecimentos na liturgia.

Este curso, estruturado em quatro módulos ao longo de um ano, oferece uma combinação equilibrada de aprendizado presencial e remoto, permitindo flexibilidade sem comprometer a qualidade da formação.

Os dois primeiros módulos serão realizados de forma presencial, totalizando 200 horas/aula cada. Durante essas etapas, os participantes terão a oportunidade de interagir diretamente com professores especializados e colegas, explorando aspectos teóricos e práticos da liturgia em um ambiente enriquecedor.

Os dois módulos seguintes serão conduzidos de forma remota, porém síncrona, somando 160 horas/aula cada. Isso significa que os alunos poderão participar das aulas interativas em tempo real, aproveitando a conveniência de estudar de onde estiverem, sem perder a interação direta com os professores e colegas de curso.

O curso conta com um processo seletivo para garantir a qualidade e adequação dos participantes, assegurando um ambiente de aprendizado colaborativo e enriquecedor. Os interessados deverão submeter sua inscrição dentro do prazo estabelecido, atentando-se aos critérios e documentos exigidos.

O investimento para o curso é acessível, dividido em 18 mensalidades de R$ 275,56, facilitando o planejamento financeiro dos interessados. Além disso, para aqueles que optarem por participar dos módulos presenciais, há a opção de hospedagem e alimentação no local, proporcionando conforto e praticidade durante a estadia, com um custo de R$ 2.035,00 por etapa.

Esta especialização é ideal para seminaristas, religiosos, agentes pastorais e todos os interessados em aprofundar seus conhecimentos na liturgia, contribuindo assim para uma vivência mais rica e significativa da fé em suas comunidades.

Não perca a oportunidade de se inscrever neste curso que promete expandir horizontes e enriquecer sua prática litúrgica. Prepare-se para uma jornada de aprendizado profundo e transformador ao longo do ano de 2025 até janeiro de 2026.

Para mais informações sobre o processo seletivo, inscrições e detalhes adicionais, visite nosso site ou entre em contato conosco. Junte-se a nós nesta jornada de conhecimento e fé!

Resumidamente, será assim:

      02 Módulos presenciais: (200 horas/aula)

            I – 02 a 12 de janeiro 2025;

            II – 05 a 16 de julho 2025;

  • Módulos remotos síncronos: (160 horas/aula)

I – março a junho 2025;

            II – agosto de 2025 a janeiro de 2026 (com recesso em dezembro);

                         Dia da semana: quarta-feira.

                         Período: noturno.

Carga horária: 400h.

Total do curso: R$ 4.960,08.

Modos de pagamento:

– 12 parcelas de R$ 413,34

(janeiro a novembro de 2025 + a matrícula em novembro de 2024);

Ou

– 18 parcelas de R$ 275,56

(janeiro de 2025 a maio de 2026 + a matrícula em novembro de 2024).

            Total: 4.070,00

            Por etapa presencial: R$ 2.035,00 (Janeiro e julho de 2025).

1ª ETAPA: MÓDULO PRESENCIAL – 02 a 12 de janeiro de 2025    – 100h
DisciplinaDocentesh/aula
Aula inaugural: Vaticano II, pontificado de Francisco e a LiturgiaDom Jerônimo04
Liturgia, experiência eclesial de oração, Linguagem simbólico-ritual da oração da Igreja / Introdução à liturgia e método mistagógicoMe. Danilo César dos Santos Lima10
Liturgia das Horas e Ofício Divino das ComunidadesMe. Maria da Penha Carpanedo10
Teologia litúrgica sobre a Eucaristia e Culto eucarísticoMe. Danilo César dos Santos Lima20
Metodologia da formação litúrgica IMe. Marlon Lopes10
Sacramentalidade e ritualidade / Canto e Música ritual IMe. Márcio Pimentel 18
Vivências Rituais I Me. Daniela Oliveira18
Metodologia Científica – Observação participanteDr. Raimundo Nonato Moura Oliveira 10
2ª ETAPA: AULAS REMOTAS SÍNCRONAS – março de 2025 a junho de 2025  –  80h
DisciplinaDocentesh/aula
Observação participante em LiturgiaDr. Raimundo Nonato Moura Oliveira12
História da LiturgiaDr. Damásio Raimundo S. Medeiros15
EucologiaDr. Jerônimo Pereira Silva12
Ano Litúrgico IMe. Maria da Penha Carpanedo12
Celebração dominical da PalavraMe. Danilo César dos Santos Lima12
Liturgia da Palavra: homiliaMe. Márcio Pimentel12
3ª ETAPA: MÓDULO PRESENCIAL – 05 a 16 de julho de 2025     – 100h
DisciplinaDocentes 
Assembleia e Ministérios Me. Patrick Brandão      15
Liturgia, ecumenismo, piedade popular e inculturaçãoDr. José Reinaldo Felipe Martins Filho10
Metodologia da formação litúrgica IIMe. Marlon Ramos Lopes10
Pastoral Litúrgica Me. Marlon Ramos Lopes10
Canto e Música RitualMe. Márcio Pimentel10
Vivências RituaisMe. Daniela Oliveira17
Mistério PascalDr. Jeronimo Pereira10
Ano litúrgico IIPenha Carpanedo10
Leitura OranteMe. Penha Carpanedo08
Atividades orientadas – TCC (por professor)Orientadores15
4ª ETAPA: AULAS REMOTAS SÍNCRONAS – agosto de 2025 a janeiro de 2026  –  80h
DisciplinaDocentesh/aula
Espiritualidade LitúrgicaMe. Maria da Penha Carpanedo10
Sacramentos: iniciação cristãMe. Domingos Ormondes15
Sacram. da Penitência e do MatrimônioMe. Frei Luis Felipe Marques15
Exéquias e BençãosDr. Joaquim Fonseca15
Atividades orientadas – TCC (por professor)*Orientadores*15*
Seminário de liturgia 30
ATIVIDADES COMPLEMENTARES
Produção do TCC 40
 Total de horas    400

Páscoa eterna de Frei Joel Postma

Faleceu hoje, 30 de outubro, em Belo Horizonte, MG, o músico e compositor holandês Frei Joel Postma, responsável pela organização dos Hinários Litúrgicos da CNBB e colaborador surgimento do Ofício Divino das Comunidades.

Frei Joel Postma nasceu na Holanda, em 8 de março de 1929. Entrou para a Ordem Francis cana aos 13 anos e antes mesmo de ir ao noviciado, teve sua facilidade musical reconhecida, aprendida em sua família, e começou a ter aulas para poder tocar nas orações dos noviços de sua turma.

Foi indicado para o Brasil no final do curso de teologia e começou a se preparar melhor para a empreitada que o esperava: ser o mestre de canto no seminário em Divinópolis: “Após a sua ordenação presbiteral em 1956 e durante três anos (1957 a 1959), Frei Joel estudou no conceituado Instituto Holandês para Música Sacra, em Utrecht. Nesse instituto, fundado por um franciscano, teve como professores Albert de Klerk (1917-1998) (Órgão), Herman Strategier (1912-1988) (Harmonia) e Job Wilderbeek (Piano)”.

Em outubro de 1959, Frei Joel embarcou numa viagem de 17 dias até o Brasil. Na bagagem, trouxe um clavicórdio, que foi utilizado por ele anos depois na composição da Cantata “O Peregrino de Assis”.

Frei Joel permaneceu em Divinópolis de 1959 a 1964. “Destacava-se, nesse período, a figura do jesuíta Pe. Joseph Gelineau (1920-2008) e sua obra litúrgica-musical, principalmente relacionada com os Salmos. Frei Joel tivera contato com o trabalho do Pe. Gelineau ainda durante seus estudos no Instituto Holandês para Música Sacra. Era conhecida uma gravação das melodias para Salmos em francês compostas por Pe.
Gelineau.

No Brasil, cônego Amaro Cavalcanti de Albuquerque, da Arquidiocese do Rio de Janeiro e Presidente da Comissão Nacional de Música Sacra, havia publicado uma pequena brochura com uma seleção das composições do Pe. Gelineau, com a letra dos salmos e cânticos traduzidos e metrificados para o português. Na sua vinda para o Brasil, Frei Joel recebeu de presente de seu pai um bom gravador de rolo Philips. Com a ajuda desse gravador, as melodias compostas pelo Pe. Gelineau, com as versões vertidas para o português por cônego Amaro, foram sendo gravadas por Frei Joel em Divinópolis. (…) Com justiça, Pe. Joseph Gelineau pode ser chamado o patriarca da música sacra conciliar”.

Em 1964, Frei Joel Postma foi para Santos Dumont, MG. “É desse período em Santos Dumont a primeira e, talvez, mais significativa composição de Frei Joel: a cantata ‘O Peregrino de Assis’. O motivo da sua composição foi a comemoração dos 25 anos do Seminário Seráfico, celebrados em 1966. A iniciativa de vertera cantata para o português ocorreu em 1965”.

O período de Frei Joel em Santos Dumont (1964 a 1984) corresponde à sua fase mais produtiva como compositor. Todo esse trabalho, além da sua participação nas diversas edições dos cursos de canto pastoral Brasil afora o tornaram a pessoa apropriada para assumir um serviço importante na Igreja do Brasil: assessor do Setor de Música Litúrgica da Comissão para a Liturgia da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

Muitos músicos brasileiros, ao irem estudar na Europa, acabavam menosprezando a cultura brasileira. Com Frei Joel ocorreu o contrário: fez questão de valorizar as tradições brasileiras e incentivar os compositores litúrgicos que prezavam por destacar as culturas locais, como Pe. Jocy Rodrigues e Pe. Geraldo Leite Bastos, Cônego Amaro Cavalcanti, o líder dessa turma, Pe. Nicolau Vale, Pe. José Alves, Reginaldo Veloso, entre outros.

Três frutos concretos dos treze anos em que Frei Joel esteve à frente do Setor de Música Litúrgica da CNBB merecem ser destacados: O primeiro deles é o Celmu – Curso Ecumênico de Formação e Atualização Litúrgico-musical.

O segundo fruto não nasceu como uma iniciativa direta do Setor de Música Litúrgica, mas teve, em Fr. Joel, um grande colaborador e incentivador: o Ofício Divino das Comunidades (ODC).

Finalmente, um terceiro fruto do trabalho de Frei Joel na CNBB é o conjunto de Hinários Litúrgicos, iniciado durante o seu trabalho no Setor de Música Litúrgica.

Ao término de seu período em Brasília, Frei Joel regressou a Santos Dumont, onde continuou seus trabalhos musicais, na regência do Coral Trovadores da Mantiqueira, fundado por ele durante sua primeira estadia na cidade.

A Província Santa Cruz, de um modo especial, é devedora e grata a esse irmão franciscano. Podemos afirmar, com clareza, que temos em nosso meio uma tradição litúrgica e musical fruto do trabalho incansável e persistente desse frade menor. Por tradição litúrgica, entenda-se a beleza e a simplicidade do canto, que mais eficazmente abre o espírito humano para o Criador e Redentor presentes nas criaturas, principalmente nos empobrecidos.

No último ano, Frei Joel tinha sido transferido para Belo Horizonte, a fim de receber maiores cuidados, dado o avanço de sua idade. Ao todo, foram 46 anos residindo em Santos Dumont. Seu último acorde de vida foi soado às 5h19min, aos 95 anos de idade.

*Informações colhidas na biografia do Frei Joel Postma em suas obras completas, Vol. 1, escrita por Frei
Fabiano Aguilar Satler.

Fonte: Site: https://ofm.org.b

36ª SEMANA DE LITURGIA 2024

Desde o dia 14 de outubro na casa recanto São José em Belo Horizonte- MG, está acontecendo a 36ª semana de liturgia, com o tema: LITURGIA, ORAÇÃO DA IGREJA. O encontro finaliza dia 18/10, ao meio-dia, com o almoço.

O grupo é composto por 132 pessoas, vindo de várias partes do Brasil. Conta com a participação de três assessores da CNBB: Música liturgica (Pe. Jair Oliveira) espaço ( Raquel Tonini Rosenberg Schneider) e pastoral (Luis Felipe Marques). É a primeira vez que o encontro não é realizado no estado de São Paulo. Neste ano, a 36ª Semana de Liturgia se realizou no Recanto São José, das Irmãs Franciscanas Alcantarinas, situado na rua Júlio de Castilho, 561, Betânia, Belo Horizonte/MG.

É um evento que nós, Irmãs Pias Discípulas do Divino Mestre, participamos como equipe organizativa e também fazendo parte do grupo participante.

36ª Semana de Liturgia: “Liturgia, Oração da Igreja”.

Como preparação para o ano jubilar em 2025, o Papa Francisco sugere um período de preparação centrado nas quatro Constituições Conciliares do Vaticano II. O ano de 2023 foi marcado pela redescoberta dos ensinamentos do Concílio, enquanto 2024 será dedicado à oração.

O Papa expressou seu desejo de que as comunidades cristãs ao redor do mundo reflitam sobre os documentos conciliares: Dei Verbum, Sacrosanctum Concilium, Lumen Gentium e Gaudium et Spes. Segundo Francisco, essas Constituições e o magistério dos últimos anos continuarão a guiar o povo de Deus em sua missão de disseminar o Evangelho.

Para apoiar essa preparação, o Dicastério para a Evangelização lançou, globalmente e no Brasil por meio das Edições CNBB, 34 volumes intitulados “Cadernos do Concílio”, dos quais 9 são dedicados à Liturgia. Essa iniciativa coincide com a celebração dos 60 anos da Sacrosanctum Concilium e o lançamento da 3ª edição do Missal Romano, considerado o livro oracional fundamental da Igreja.

O Centro de Liturgia D. Clemente Isnard e a Rede Celebra, em sintonia com o convite do Papa, propõem para a Semana de Liturgia de 2024 o tema “Liturgia, a Oração da Igreja”. Francisco enfatiza que a liturgia pós-conciliar é a única Lex Orandi da Igreja, uma expressão da oração de Cristo e um impulso para a missão evangelizadora e o cuidado com os necessitados.

A 36ª Semana de Liturgia visa proporcionar aos participantes um reencontro com a dimensão orante do Povo de Deus, que expressa o único sacerdócio de Cristo. A comunhão na oração, o louvor e a adoração buscam revitalizar a tradição cristã, situando a comunidade diante de Deus e reacendendo o amor e a esperança em um mundo carente de fé. Cada gesto e oração levará os participantes ao centro da fé, o Mistério Pascal de Cristo, promovendo um reencontro com a vocação de cada batizado.

SÍNODO DA SINODALIDADE

De 2 a 27 de outubro deste ano de 2024, acontece, em Roma, a segunda sessão da XVI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos bispos. Em seu discurso na abertura dos trabalhos da Primeira Congregação da XVI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos sobre a Sinodalidade, o Papa enfatizou “o processo sinodal é também um processo de aprendizagem, durante o qual a Igreja aprende a conhecer-se melhor e a identificar as formas de ação pastoral mais adequadas à missão que o seu Senhor lhe confia”.

Em seu discurso, o Santo Padre frisou que esta “assembleia, guiada pelo Espírito Santo, deverá oferecer a sua contribuição para que se forme uma Igreja verdadeiramente sinodal em missão, que saiba sair de si mesma e habitar as periferias geográficas e existenciais, garantindo que se estabeleçam laços com todos em Cristo nosso Irmão e Senhor”.

Francisco disse que quando decidiu convocar “como membros titulares desta XVI Assembleia também um número significativo de leigos e consagrados (homens e mulheres), diáconos e sacerdotes, desenvolvendo o que já estava parcialmente previsto para as assembleias anteriores, o fez em coerência com a compreensão do exercício do ministério episcopal expressa pelo Concílio Ecumênico Vaticano II”.

Segundo o Papa, “essa compreensão inclusiva do ministério episcopal exige ser revelada e reconhecida, evitando dois perigos: o primeiro, é a abstração que esquece a concretude fecunda dos lugares e relações, e o valor de cada pessoa; o segundo perigo é o de romper a comunhão colocando a hierarquia contra os fiéis leigos”.

Somos convidados a exercitar-nos juntos numa arte sinfônica, numa composição que nos une a todos no serviço à misericórdia de Deus, segundo os diferentes ministérios e carismas que o bispo tem a tarefa de reconhecer e promover”, disse ainda Francisco.

Ser Igreja sinodal missionária

De acordo com o Pontífice, “caminhar juntos é um processo em que a Igreja, dócil à ação do Espírito Santo, sensível no acolhimento dos sinais dos tempos, se renova continuamente e aperfeiçoa a sua sacramentalidade, para ser uma testemunha crível da missão a que foi chamada, de reunir todos os povos da terra no único povo esperado no final, quando o próprio Deus nos fará sentar no banquete que Ele preparou”.

O Papa disse ainda que “devem ser identificadas diferentes formas de exercício “colegial” e “sinodal” do ministério episcopal, nos momentos apropriados (nas Igrejas particulares, nos grupos de Igrejas, em toda a Igreja), respeitando sempre o depósito da fé e da Tradição viva, respondendo sempre ao que o Espírito pede às Igrejas neste tempo particular e nos diversos contextos em que vivem”.

“É o Espírito Santo que torna possível a fidelidade perene da Igreja ao mandato do Senhor Jesus Cristo e a escuta perene da sua palavra. Ele guia os discípulos para toda a verdade. Ele também nos guia para dar resposta, depois de três anos de caminho, à pergunta como ser uma Igreja sinodal missionária. Eu acrescentaria ‘misericordiosa'”, concluiu Francisco.

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt/papa/news/2024-10/papa-francisco-saudacao-sinodo-sinodalidade-primeira-congregacao.html

Sínodo, Instrumentum Laboris: uma Igreja em missão com o compromisso de todos

Foi publicado o texto-base que orientará os trabalhos da segunda sessão da XVI Assembleia Geral Ordinária, programada de 2 a 27 de outubro. O documento está em continuidade com todo o processo sinodal iniciado em 2021 e apresenta propostas para uma Igreja cada vez mais “sinodal em missão”, mais próxima do povo e na qual todos os batizados participam de sua vida. Entre os pontos de reflexão estão a valorização da mulher e a necessidade de transparência e prestação de contas

Isabella Piro – Vatican News

Como ser Igreja sinodal missionária? Esta é a pergunta básica da qual parte o Instrumentum laboris (IL) da próxima sessão do Sínodo dos Bispos, programada de 2 a 27 de outubro, a segunda da XVI Assembleia Geral Ordinária, depois da de 2023. O IL – publicado esta terça-feira, 9 de julho, e apresentado na Sala de Imprensa da Santa Sé – não oferece nenhuma “resposta pré-fabricada”, mas sim “indicações e propostas” sobre como a Igreja, como um todo, pode responder “à necessidade de ser ‘sinodal em missão'”, ou seja, uma Igreja mais próxima das pessoas, menos burocrática, que seja casa e família de Deus, na qual todos os batizados sejam corresponsáveis e participem de sua vida na distinção de seus diferentes ministérios e papéis.

As cinco partes do documento

O documento está estruturado em cinco seções: introdução, fundamentos e três partes centrais. A introdução relembra o caminho percorrido até agora e destaca as metas já alcançadas, como o uso generalizado da metodologia sinodal da Conversação do Espírito. Seguem-se os fundamentos (n. 1-18), que se concentram na compreensão da sinodalidade, vista como um caminho de conversão e de reforma. Em um mundo marcado por divisões e conflitos, enfatiza-se, a Igreja é chamada a ser sinal de unidade, instrumento de reconciliação e de escuta para todos, especialmente para os pobres, os marginalizados e as minorias afastadas do poder.

VALORIZAÇÃO DAS MULHERES

Os Fundamentos também dão amplo espaço (n.13-18) à reflexão sobre o papel das mulheres em todas as áreas da vida da Igreja, destacando “a necessidade de dar um reconhecimento mais pleno” aos seus carismas e vocação. “Deus escolheu certas mulheres para serem as primeiras testemunhas e anunciadoras da ressurreição”, lembra o IL; elas, portanto, “em virtude do Batismo, estão em uma condição de plena igualdade, recebem a mesma efusão de dons do Espírito e são chamadas ao serviço da missão de Cristo”.

Participação e responsabilidade

Em algumas culturas, de acordo com o IL, “a presença do machismo permanece forte”; por essa razão, a segunda sessão sinodal pede “uma participação mais ampla das mulheres nos processos de discernimento eclesial e em todas as fases dos processos de tomada de decisão”, juntamente com “um acesso mais amplo a posições de responsabilidade nas dioceses e instituições eclesiásticas”, bem como em seminários, institutos, faculdades de teologia e “no papel de juíza em processos canônicos”. As sugestões também dizem respeito às mulheres consagradas, para as quais se espera “maior reconhecimento e apoio mais decisivo” para sua vida e seus carismas, juntamente com “seu emprego em posições de responsabilidade”.

Reflexão teológica sobre o diaconato feminino continua

Quanto à admissão de mulheres ao ministério diaconal, o IL relata que ela é solicitada por “algumas Igrejas locais”, enquanto outras “reiteram sua oposição” (n. 17). O assunto, ressalta-se, “não será objeto dos trabalhos” em outubro próximo e, portanto, é bom que “a reflexão teológica continue”. Em todo caso, a reflexão sobre o papel da mulher “evidencia o desejo de um fortalecimento de todos os ministérios exercidos pelos leigos”, para os quais se pede que “adequadamente formados, possam contribuir também para a pregação da Palavra de Deus, inclusive durante a celebração da Eucaristia” (n. 18).

Parte I – Relações com Deus, entre irmãos e entre as Igrejas

Após a introdução e os fundamentos, o IL se detém nas relações (n. 22-50) que permitem que a Igreja seja sinodal na missão, ou seja, as relações com Deus Pai, entre irmãos e irmãs e entre as Igrejas. Os carismas, ministérios e ministérios ordenados são, portanto, essenciais em um mundo e para um mundo que, em meio a tantas contradições, está em busca de justiça, paz e esperança. Das Igrejas locais, emerge também a voz dos jovens que clamam por uma Igreja não de estruturas, nem de burocracia, mas fundada em relações que suscitam e vivem em dinâmicas e caminhos. Nessa perspectiva, a Assembleia de outubro poderá analisar a proposta de dar vida a novos ministérios, como o da “escuta e do acompanhamento”.

Parte II – Percursos formativos e discernimento comunitário

Essas relações devem, então, ser desenvolvidas de maneira cristã ao longo de percursos (n. 51-79) de formação e de “discernimento comunitário”, o que permite que as Igrejas tomem decisões apropriadas, articulando a responsabilidade e a participação de todos. “O entrelaçamento de gerações é uma escola de sinodalidade”, afirma o IL. “Todos, os fracos e os fortes, as crianças, os jovens e os idosos, têm muito a receber e muito a dar” (n. 55).

A importância da prestação de contas

Mas entre os percursos a serem seguidos também estão os que permitem que aqueles com responsabilidades eclesiais sejam transparentemente responsáveis por suas ações para o bem e a missão da Igreja. “Uma Igreja sinodal precisa de uma cultura e prática de transparência e prestação de contas (accountability) – diz o IL – que são indispensáveis para promover a confiança mútua necessária para caminhar juntos e exercer a corresponsabilidade pela missão comum” (n. 73). O documento de trabalho enfatiza que hoje “a demanda por transparência e prestação de contas na e pela Igreja surgiu como resultado da perda de credibilidade devido a escândalos financeiros e, sobretudo, abusos sexuais e outros abusos contra menores e pessoas vulneráveis. A falta de transparência e prestação de contas, de fato, alimenta o clericalismo” (nº 75).

São necessárias estruturas de avaliação

A prestação de contas e a transparência, insiste o IL, também afetam “os planos pastorais, os métodos de evangelização e as maneiras pelas quais a Igreja respeita a dignidade da pessoa humana, por exemplo, no que diz respeito às condições de trabalho em suas instituições” (n. 76). Daí, o pedido de “estruturas necessárias e formas de avaliação do modo como são exercidas as responsabilidades ministeriais de todos os tipos” (n. 77). A Igreja deve garantir, explica o IL, a publicação de um relatório anual sobre a gestão dos bens e dos recursos e sobre o desempenho da missão, inclusive “em matéria de salvaguarda (proteção dos menores e das pessoas vulneráveis)” (n. 79).

Parte III – Os lugares do diálogo ecumênico e inter-religioso

O IL analisa, em seguida, os lugares (n. 80-108) onde as relações e os percursos tomam forma. Lugares que devem ser entendidos como contextos concretos, caracterizados por culturas e dinamismos da condição humana. Convidando a superar uma visão estática das experiências eclesiais, o documento de trabalho reconhece a sua pluralidade, que permite à Igreja – una e universal – viver em uma circularidade dinâmica “nos lugares e a partir dos lugares”. E é nesse horizonte que se inserem os grandes temas do diálogo ecumênico, inter-religioso e com as culturas. Nesse contexto, insere-se também a busca de formas de exercício do ministério petrino abertas à “nova situação” do caminho ecumênico (n. 102 e 107).

Peregrinos da esperança

Em seguida, o Instrumentum laboris conclui-se com um convite para prosseguir o caminho como “peregrinos da esperança”, também na perspectiva do Jubileu de 2025 (nº 112).

Fonte desta notícia: https://www.vaticannews.va/pt/vaticano/news/2024-07/sinodo-sinodalidade-instrumentum-laboris-vaticano-bispos.html

RETIRO MENSAL DE OUTUBRO DE 2024

Todo sábado que antecede ao primeiro Domingo de cada mês, nós, família das Pias Discípulas do Divino Mestre, fazemos o retiro mensal. É um momento de encontro com a palavra de Deus da liturgia do primeiro Domingo do mês, domingo dedicado ao Divino Mestre.

Neste 27º Domingo do Tempo Comum, a Ir. M. Letícia Pontini do Secretariado de Espiritualidade quem preparou o texto de reflexão e que nos conduz na leitura atenta da Palavra de Deus.

Compartilhamos com vocês este texto, que está na integra no site: https://espacoorante.piasdiscipulas.org.br/retiro-mensal

Boa oração a todos!

SECRETARIADO PARA ESPIRITUALIDADE

RETIRO – OUTUBRO – 2024

27º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO B

Prepare o ambiente: uma mesa com toalha, a bíblia, uma vela e cadeiras em círculo. Alguém acende a vela. Canta-se um hino apropriado. Pessoas previamente preparadas leem as leituras dos textos deste domingo: primeiro o Evangelho, segue a 1ª leitura, o salmo, a 2ª leitura.

A liturgia deste 27ª Domingo do Tempo Comum reflete sobre algumas questões fundamentais como: o homem não realiza sua vocação só no domínio da matéria e da vida, mas traz em si a exigência do encontro com um ser capaz de comunhão com ele.

De fato, é outro ele mesmo que descobre na mulher: “Desta vez é carne da minha carne e osso dos meus ossos” (1ª leitura). A estrutura sexual do homem e da mulher, como toda a sua existência corporal, deve ser compreendida como presença, linguagem, reconhecimento do outro. O mistério do homem e da mulher não está no homem e na mulher separadamente, mas a comunhão de toda a pessoa até um verdadeiro diálogo fecundo e aberto. O profundo laço que une o homem e a mulher tem, no texto do Gênesis, duas características essenciais: é superior a qualquer outro laço, inclusive o dos pais, que, nos mandamentos, vem imediatamente depois das relações com Deus; é tão íntimo e profundo no plano do corpo e do espírito que  formam um só ser.

Analisando a história do matrimônio através dos séculos, nota-se como a evolução dos costumes favoreceu, em quase todos os povos, a passagem da poligamia para a concepção monogâmica do matrimônio, e isto teve duas importantes consequências paralelas: a libertação da condição da mulher, que de um estado de inferioridade e quase de escravidão passou gradualmente à igualdade jurídica e social; e a escolha do parceiro no matrimônio, como ato livre, pessoal, não mais regulamentado e imposto de fora, por interesses estranhos. O atrativo sempre mais forte para o matrimônio, fundado no livre consenso dos cônjuges, não é absolutamente acompanhado, porém, de uma adesão voluntária à lei da indissolubilidade, onde ela figura no código religioso ou mesmo civil.

O Amor nunca morre.  Assim como Cristo não abandonou a humanidade nem a Igreja quando o pregavam na cruz, também no matrimônio contraído “no Senhor” conserva a indissolubilidade da ligação entre Cristo e a Igreja, também quando se tornou uma crucifixão. A presença de Cristo no matrimônio dos que creem não exclui, pois, a priori, incompatibilidade de caracteres, erros na escolha matrimonial, dificuldades com os filhos, nervosismo, doença, tédio… mas significa que, para os que creem, o Terceiro, isto é, Cristo, está sempre presente; Jesus Cristo dá força, conforto, esperança, enquanto observa que é sempre melhor dar que receber( cf At 20,35). Quem se impregna deste espírito nos dias felizes, poderá continuar a viver desta esperança nas horas difíceis.  (Missal Dominical).

Como uma criança que aprende convivendo com os pais e vendo a atitude deles, assim Jesus nos convida a aprender do Pai vendo o exemplo do Filho. Se recebermos o Reino como crianças, aprendendo as atitudes de Jesus, o amor fiel que nos une, perdoa e se doa será sempre a regra sem exceção.

Leituras para nossa oração orante:

Evangelho Marcos 10,2-16, conversar sobre o que chamou a atenção no texto. Em seguida, ler a primeira leitura, de Genesis 2,18-24, o salmo 128(127), e a segunda leitura, de Hebreus 2,9-11.  Como esses textos combinam com o Evangelho.

Que o mês do Divino Mestre seja uma escola de Amor, Fidelidade e Perseverança no caminhar de cada uma. “O homem todo em Cristo, com pleno amor a Deus: mente, vontade, coração, forças físicas. Tudo, natureza e graça e vocação, pelo apostolado. Carro que corre apoiado sobe quatro rodas: santidade, estudo, apostolado, pobreza”,(AD 100). Este é o centro, o núcleo da espiritualidade que estimula cada filho de Padre Alberione.  (Catequese Paulina)

Leitura Orante do 26º Domingo do Tempo Comum Ano B

Algumas recomendações:

-Antes de começar a leitura, prepare o ambiente, acenda uma vela…

Encontre uma posição confortável, acalma-se de toda a agitação, preste atenção aos próprios sentimentos, pensamentos, preocupações…

Deixe que volte ao coração acontecimentos, pessoas, situações…Entregue tudo ao Senhor.
Em atitude de fé, invoque o Espírito Santo, pois é ele que ‘perscruta todas as coisas, até mesmo as profundidades de Deus’ (cf. I Coríntios 2,10-12 ).

Se desejar, escreva no seu caderno pessoal tudo o que experimentou durante a oração. Se possível, partilhe com alguém.

Abaixo o roteiro na íntegra.

Algumas recomendações: Antes de começar a leitura, prepare o ambiente, acenda uma vela…Encontre uma posição confortável, acalma-se de toda a agitação, preste atenção aos próprios sentimentos, pensamentos, preocupações…Deixe que volte ao coração acontecimentos, pessoas, situações…Entregue tudo ao Senhor. Em atitude de fé, invoque o Espírito Santo, pois é ele que ‘perscruta todas as coisas, até mesmo as profundidades de Deus’ (cf. I Coríntios 2,10-12). Se desejar escreve no seu caderno pessoal tudo que viveu durante a oração e partilhe.
26º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO B
Leituras dos textos bíblicos:
Evangelho Marcos 9,38-43.45.47-48
1ªLeitura Livro dos Números 11,25-29
Salmo 19 (18),8.10.12-13.14 (R.8a 9b)
2ªLeitura da Carta de São Tiago 5,1-6
 Quatro passos da Leitura Orante
Invocação ao Espírito Santo…
Primeiro passo: LER
“Ele me desperta a cada manhã e me excita o ouvido,
para prestar atenção como um discípulo” (Is 50,4b)
● Ler e reler o texto, baixinho e em voz alta; escutar o texto (alguém está falando!).
● Prestar atenção a cada palavra, às ideias, às imagens, ao ritmo, à melodia.
● Tentar entender o texto (no contexto em que foi escrito).
● Se for possível, recorrer também a um bom comentário de um biblista.

  • Ler como se fosse a primeira vez.
  • Ler quantas vezes forem necessárias para deixar o texto falar.
  • O que o texto está dizendo?
  • Não interpretar, nem jogar suas ideias no texto – escute!
  • Responder: Nível literário: Quem? O quê? Quando? Como? Onde? Por quê? O texto faz insistências (imagens, verbos, substantivos…)? Nível histórico: Quando o texto foi escrito? O relato coincide com a data da redação? Para quem foi escrito? Nível teológico: O que Deus estava dizendo naquela situação? Como ele se revelava? Como o povo respondia?
  • Obs.: procurar as respostas em primeiro lugar no texto, depois em algum subsídio.
  • Ao final desse momento, experimente reler o texto.

Segundo passo: MEDITAR
“Uma vez Deus Falou, duas eu ouvi” (Sl 62,12)
● Repetir o texto (ou parte dele) com a boca, a mente e o coração: não “engolir” logo o texto, e sim mastigá-lo, “ruminá-lo”, tirando dele todo o seu sabor; não ficar só com as idéias que contém, mas deixar que as próprias palavras mostrem sua força; aprender de cor (= de coração!) pelo menos uma parte do texto.
● Penetrar no texto, interiorizá-lo; compreendê-lo, interpretá-lo a partir de nossa realidade; identificarmo-nos com ele. Perceber como o texto expressa nossas próprias experiências, sentimentos e pensamentos. Principalmente no caso dos salmos, estas experiências podem ser entendidas também como se referindo a Jesus, o Cristo.
● Trata-se de atualizar o texto: perceber como ele acontece hoje, em nossa realidade pessoal comunitária e social; perceber qual a palavra que o Senhor poderá estar nos dizendo…

  • Ouvir o que Deus está dizendo hoje através do texto.
  • Relacionar o texto com outras leituras (texto da Bíblia ou da Liturgia).
  • Experimente reler o texto!
  • Escolha uma frase ou expressão do texto que te marcou.

Terceiro passo: ORAR
“O Espírito nos socorre em nossa fraqueza,
pois não sabemos orar como convém” (Rm 8,26)
● Deixar brotar de dentro do coração tocado pela Palavra uma resposta ao Senhor. Dependendo da leitura e da meditação feitas, poderá ser uma resposta de admiração, louvor, agradecimento, pedido de perdão, compromisso, clamor, pedido, intercessão…

  • O que o texto me faz dizer a Deus?
  • Não “maquiar” os sentimentos diante de Deus.
  • A oração pode ser feita a partir de um salmo ou cântico bíblico.
  • Levar em conta o próprio texto e deixar o “movimento” do Espírito conduzir sua prece, louvor, adoração…
  • Você pode também compor uma oração estilo coleta ou uma introdução para a celebração dominical (sentido litúrgico).
  • Formular um compromisso: “Senhor, que queres que eu faça?”
  • Experimente reler o texto.

Quarto passo: CONTEMPLAR
“Tende em vós os mesmos sentimentos que havia em Jesus Cristo” (Fl 2,5)
● A Bíblia não usa o verbo contemplar e, sim, escutar, conhecer, ver. Trata-se de saborear, “curtir” a presença de Deus, o jeito de ele ser e agir, o quanto ele é bom e o quanto faz por nós. Supõe uma entrega total na fé. Passa necessariamente pelo conhecimento de Jesus Cristo (“Quem me vê, vê o Pai”), que se encontra ao lado dos pobres.

  • Ver a realidade com os olhos de Deus. Transformação interior de que se pôs à escuta da palavra.
  • Contemplar = “viver no templo” – atitude permanente de vida.
  • Permitir a encarnação do Verbo – o sentido das escrituras está na sua realização em nossas vidas: “Hoje se cumpriu”.
    Palavra de um lavrador: “…fui notando que se a gente vai deixando a palavra de Deus entrar dentro da gente, a gente vai se divinizando. Assim, ela vai tomando conta da gente e a gente não consegue mais separar o que é de Deus e o que é da gente. Nem sabe muito bem o que é Palavra dele e palavra da gente. A Bíblia fez isso em mim”.

Para ajudar no aprofundamento dos textos:

O poder, a solidariedade e os pequeninos – Marcos 9,38-43.45.47-48
A narrativa do Evangelho escolhida para a nossa reflexão na liturgia deste final de semana foi tirada de Marcos 9,38-50. Esse relato se divide em três partes.

1 – Autonomia das comunidades e a luta pelo poder (Marcos 9,38-40)

Para compreendermos bem a repreensão de Jesus ao apóstolo João, convém recordar algumas situações a respeito desse apóstolo. Certamente, os autores do Evangelho segundo Marcos conheciam estas tradições. De Paulo sabemos: João, junto com Pedro e Tiago, o irmão do Senhor (cf. Gálatas 1,19), era uma das autoridades em Jerusalém (cf. Gálatas 2,9). Tinha, portanto, uma posição de poder. Segundo o próprio Evangelho de Marcos nos informa, João, dessa vez junto com seu irmão Tiago, lutava por poder, pelo lugar mais importante, de maior prestígio, isto é, sentar-se ao lado do trono de Jesus em seu Reino (cf. Marcos 10,36-37). Por outro lado, Lucas nos informa que, mais uma vez junto com seu irmão, João tinha postura antiecumênica em relação aos samaritanos. Chegaram a propor a Jesus que um raio os queimasse vivos (cf. Lucas 9,51-55). Esse modo de agir do apóstolo João nos faz compreender sua dificuldade em aceitar a diversidade, a autonomia de outras equipes missionárias que não “seguissem” os seus ditames, as suas ordens (cf. v. 38).
Com essa cena do Evangelho de hoje, Jesus nos ensina que ninguém pode ter o monopólio da Boa Nova, da prática do bem. Nenhuma pessoa pode considerar-se dona exclusiva da missão confiada por Jesus a seus discípulos, nem pode se impor sobre outras comunidades ou grupos que promovem o respeito, a tolerância, a justiça, o amor.

Por trás dessa narrativa, é provável que as comunidades de Marcos reivindicassem o respeito por sua autonomia, livres de um poder centralizado, representado aqui por João. Agindo assim, Jesus legitima a soberania das comunidades e critica a centralização do poder. Certamente, essa postura do Nazareno nos faz pensar sobre as hierarquias das instituições de hoje.
A atitude de Jesus é ecumênica, não coibindo ninguém de contribuir com seu projeto, isto é, com a libertação de todas as formas de opressão e com a promoção da vida. Jesus não é monopólio de ninguém.
Para seguir Jesus em seu caminho, ele nos coloca, entre outras exigências, libertar-nos da tentação do poder como privilégio, como status, como prestígio (cf. João 13,1-17). Quem lidera, quer lavar os pés de seus liderados. Quem quer ser grande, que sirva (cf. Marcos 10,43).

2 – A solidariedade com quem segue Jesus (Mc 9,41)

De um lado, sabemos que o seguimento radical de Jesus na luta pela justiça do Reino, desperta violência, ódio e perseguição (cf. Mateus 5,10-12). De outro, sabemos também que muita gente é acolhedora e solidária. Enquanto Jesus está a caminho de Jerusalém para o grande gesto de doação de sua vida, afirma que também é nos pequenos gestos de solidariedade que se revela o Reino de Deus.

3 – Não escandalizar os pequeninos que creem (Mc 9,42-50)

Para que possa entrar na Vida, no Reino (vv. 43.45.47), quem segue Jesus não pode servir de queda (escandalizar = fazer tropeçar) para os pequeninos, os “discípulos novos” (v. 42).
Não pode seguir o profeta de Nazaré quem escandalizar os pequeninos. O lugar de quem assim age é o fundo do mar, onde deve permanecer junto aos porcos que lá foram precipitados (v. 42; cf. 5,13).
Para seguir o Mestre é necessário “cortar a mão” que rouba, acumula, esbofeteia e violenta. É preciso mudar o “modo de agir” (v. 43). Além disso, é necessário também “cortar o pé” que pisa, esmaga, faz tropeçar. Para quem segue Jesus, é imprescindível “mudar a conduta”, o “modo de caminhar” (v. 45). E mais. É necessário também “arrancar o olho” que julga, deseja, cobiça e inveja. Portanto, é indispensável “mudar o modo de ver” as coisas, as pessoas, a vida e o próprio Deus (v. 47).
Escandalizar os pequeninos é seduzi-los a se desviarem do projeto do Reino e sua justiça, a fim de que sigam as tentações de Satanás (riqueza, poder, prestígio). Escandalizar os pequeninos é desencaminhá-los através de mentiras, de modo que sigam cegamente o ódio, a indiferença, a intolerância. Daí a insistência em evitar o escândalo dos pequeninos, para que não se afastem do projeto do Reino, da verdade, do amor e da justiça.

Essa mensagem fala muito para nós hoje, quando vemos tantas pessoas dizerem que seguem Jesus, mas seu “modo de agir” é intolerante. Jesus, porém, pediu-nos mais que tolerância, pediu-nos respeito. Ou ainda, quando a “conduta” dessa gente segue pelos caminhos do ódio. Jesus, ao contrário, pediu-nos amor. Ou ainda, quando seu “modo de ver” é movido pela mentira. O mestre de Nazaré, porém, propõe-nos a verdade.
Três vezes, a narrativa se refere à Geena. Geena era um vale a sudoeste de Jerusalém, onde se queimava o lixo e, no passado, se sacrificavam pessoas (vv. 43.45.47; cf. Jeremias 7,32; 19,6). Era considerado um lugar impuro, de desprezo, de maldição.
Os vv. 50-51 se referem ao sal. Ser “salgado com fogo” é ser purificado (vv. 49-50; cf. 2Reis 2,20-22; Ezequiel 16,4). Portanto, quem decidir seguir radicalmente à Boa Nova de Jesus precisa purificar seu modo de agir, de caminhar e de ver, de modo a não escandalizar os pequeninos.
O sal também era símbolo da aliança da paz, sinal de amizade (cf. Levítico 2,13; Números 18,19). Daí o pedido de Jesus aos apóstolos e a nós hoje: “vivei em paz uns com os outros” (Marcos 9,50; cf. Romanos 12,18).

Ildo Bohn Gass
CEBI-RS

Roteiro preparado pelas irmãs
Pias Discípulas do Divino Mestre – Pastoral Vocacional
Site: www.piasdiscipulas.org.br