CULTIVAR UM CORAÇÃO QUE FLORESCE

A liturgia do 8º Domingo do Tempo Comum (Ano C) nos convida a olhar para dentro de nós e perceber que nossas palavras e ações refletem aquilo que cultivamos no coração. A forma como falamos e agimos é um espelho do que nutrimos em nosso interior. Se plantamos bondade, paciência e amor, isso se manifestará no mundo à nossa volta. Se, por outro lado, deixamos crescer ressentimentos, críticas e julgamentos, inevitavelmente isso também se refletirá. Por isso, a Palavra de Deus hoje nos convida a cuidar daquilo que alimentamos internamente, para que possamos ser fonte de vida para os outros.

O livro do Eclesiástico (27,5-8) usa imagens simples, mas poderosas, para falar sobre autenticidade. Ele compara a vida com um processo semelhante ao da peneira que separa as impurezas, ou ao fogo que purifica os metais. Quando passamos por desafios, o que é verdadeiro em nós se revela. A forma como reagimos às dificuldades e provações diz muito sobre quem somos. Se nossa fé é só aparência, as tempestades da vida a farão desmoronar. Mas, se estamos enraizados em valores sólidos, enfrentaremos as adversidades com esperança e confiança.

Este trecho também nos ensina que é preciso tempo e paciência para conhecer verdadeiramente alguém. Muitas vezes, julgamos pelas aparências, sem perceber que o que importa está no interior. Em um mundo de redes sociais e impressões rápidas, esse é um lembrete essencial: devemos aprender a olhar além da superfície e valorizar o que é genuíno.

O Salmo 91(92) traz uma mensagem de confiança e esperança. Ele compara aqueles que confiam em Deus a árvores plantadas junto às águas, que dão frutos mesmo em tempos difíceis. Isso nos lembra que a fé não nos isenta de dificuldades, mas nos dá força para continuar crescendo. Muitas vezes, pensamos que o tempo de frutificar passou, que já não há espaço para mudanças ou novos começos. No entanto, Deus nos mostra que sempre há tempo para florescer. Não importa a idade ou a fase da vida em que estamos, podemos continuar crescendo e espalhando bondade ao nosso redor.

Na primeira carta aos Coríntios (15,54-58), São Paulo nos recorda que a morte não tem a última palavra, porque Cristo venceu a morte. Essa é uma mensagem de esperança poderosa, que nos encoraja a continuar firmes, sem desanimar. Nenhuma boa ação é em vão, nenhuma escolha pelo amor é desperdiçada. Às vezes, podemos sentir que nossos esforços para fazer o bem são pequenos diante do mundo, mas Paulo nos lembra que tudo o que fazemos por amor tem valor eterno. A bondade que espalhamos, por menor que pareça, permanece e se multiplica.

O Evangelho de Lucas (6,39-45) aprofunda essa reflexão ao trazer uma imagem clara: “Não existe árvore boa que dê frutos ruins, nem árvore ruim que dê frutos bons.” Jesus nos convida a um olhar sincero sobre nós mesmos. Antes de tentar corrigir os outros, precisamos primeiro trabalhar nosso próprio crescimento. É fácil apontar erros, mas muito mais valioso é buscar o autoconhecimento e a transformação interior.

Jesus nos ensina que nossas palavras e atitudes revelam o que carregamos por dentro. Se nosso coração está cheio de amor, paciência e compaixão, é isso que transmitiremos ao mundo. Se, por outro lado, cultivamos ressentimento e negatividade, isso também se refletirá.

Essa mensagem não é uma cobrança, mas um convite cheio de esperança. Jesus não quer nos condenar, mas nos ajudar a crescer. A cada dia, temos uma nova oportunidade de plantar coisas boas dentro de nós. Podemos escolher nutrir nosso coração com aquilo que traz paz e alegria, para que nossas palavras e gestos se tornem fonte de vida para quem está ao nosso redor.

Na prática, isso significa estar atento ao que consumimos e cultivamos. O que alimenta nosso coração? O que assistimos, ouvimos e lemos nos torna pessoas melhores? Estamos cercados de pessoas que nos inspiram ao bem? Quais são os pensamentos e sentimentos que mais cultivamos no dia a dia? Refletir sobre isso nos ajuda a construir um caminho de mais leveza e amor.

A liturgia deste domingo nos ensina que a transformação não precisa ser algo grandioso ou imediato. Pequenos gestos diários fazem a diferença. Um sorriso, um pedido de desculpas, uma palavra gentil, um momento de oração… Aos poucos, criamos um ambiente onde o bem floresce naturalmente.

Que esta mensagem nos inspire a sermos mais conscientes do que cultivamos dentro de nós. Cada dia é uma nova oportunidade de plantar o bem, de crescer e de espalhar frutos de amor e esperança.

Que possamos ser árvores que florescem e dão frutos de paz, alegria e vida! 🌳💛


SUGESTÕES DE CANTOS PARA A CELEBRAÇÃO EUCARÍSTICA

8º Domingo do Tempo Comum – Ano C – 02/03/2025

Sugestões da Arquidiocese de Goiânia

ENTRADA – TODA A TERRA TE ADORE
Áudio: https://www.youtube.com/watch?v=4AgEFpEzwKI

HINO DE LOUVOR – GLÓRIA A DEUS NOS ALTOS CÉUS
Áudio: https://www.youtube.com/watch?v=ZOasT8hYblU

SALMO 91 (92) – COMO É BOM AGRADECERMOS AO SENHOR
Áudio: https://www.youtube.com/watch?v=fKn9hNCTkx4

Aclamação – ALELUIA… COMO ASTROS NO MUNDO
Áudio: https://www.youtube.com/watch?v=5ZSIrgM7srw

OFERENDAS – DE MÃOS ESTENDIDAS
Áudio: https://www.youtube.com/watch?v=b_Y8N-CT0cY

SANTO
Áudio: http://www.youtube.com/watch?v=lV-RL98cNBA

ACLAMAÇÃO MEMORIAL
Áudio: http://www.youtube.com/watch?v=UHI-dl4CrEg

AMÉM
Áudio: https://www.youtube.com/watch?v=ke38zXN9Hqg

CORDEIRO DE DEUS
Áudio: https://www.youtube.com/watch?v=6XCyWxWpPAo

COMUNHÃO – É BOM ESTARMOS JUNTOS
Áudio: https://www.youtube.com/watch?v=aM1wWNKjt3Q

FINAL – HINO MARIANO – À VOSSA PROTEÇÃO
Áudio: https://www.youtube.com/watch?v=c6hSHsTC6bo

1º ENCONTRO DAS COORDENAÇÕES NACIONAIS DOS COOPERADORES PAULINOS NO BRASIL FORTALECE SINODALIDADE E COMUNHÃO

Entre os dias 21 e 23 de fevereiro de 2025, na Cidade Regina, em São Paulo, foi realizado o 1º Encontro das Coordenações Nacionais dos Cooperadores Paulinos no Brasil. O evento reuniu representantes dos apostolados da comunicação, litúrgico, pastoral e vocacional da Família Paulina em uma experiência marcada pela espiritualidade, partilha e construção de unidade.

Um momento de graça e comunhão

Desde sua preparação, o encontro foi permeado pelo espírito sinodal, com cada participante contribuindo com sua história e vivências. O evento reforçou a identidade dos Cooperadores Paulinos como membros ativos da Igreja e da Família Paulina, reafirmando o sonho de unidade do fundador, o Bem-aventurado Tiago Alberione.

No primeiro dia, os participantes compartilharam suas histórias vocacionais e refletiram sobre a trajetória dos Cooperadores Paulinos no Brasil. Já no segundo dia, com a orientação de Ir. Suzimara B. Almeida, sjbp, e do Cooperador Paulino Fernando Geronazzo, revisitaram a história da fundação da associação e redescobriram a beleza de sua identidade comum à luz do novo Estatuto da Associação CP.

Construindo o futuro da Associação

Ao longo do encontro, os 48 grupos de Cooperadores Paulinos do Brasil apresentaram suas alegrias, desafios e sonhos, fortalecendo a caminhada conjunta. As discussões levaram à formação de uma equipe de referência para cada apostolado:

  • Comunicação – Rosane Silva
  • Litúrgico – Maria Ivete U. dos S. de Vasconcelos
  • Vocacional – Cláudia Aparecida dos Santos
  • Pastoral – Rosane Manfro

As delegadas Ir. Ninfa Becker, fsp; Ir. Veronice Fernandes, pddm; Ir. Tereza Boschetto, ap; e Ir. Suzimara B. de Almeida, sjbp, oferecerão suporte à equipe, enquanto Fernando Geronazzo atuará como referência na comissão do Estatuto.

O encontro foi encerrado com uma Celebração Eucarística presidida pelo Pe. Luiz Miguel Duarte, SSP. Os participantes saíram renovados na fé e no compromisso com a missão da Família Paulina, reforçando a mensagem: “Cooperadores Paulinos, alarguemos a tenda do nosso coração!”



Leia a mensagem final do encontro:

Ir. M. Bernardita Meráz Sotelo: Uma Vida de Fé e Serviço

Hoje, celebramos a vida e a trajetória de Ir. M. Bernardita Meráz Sotelo, que nasceu em 27 de fevereiro de 1958 em El Molino Namiquipa, província de Chihuahua, no México. Sua jornada de fé e dedicação iniciou-se cedo, culminando em sua consagração como Pia Discípula do Divino Mestre em 25 de março de 1977.

Ao longo de sua caminhada religiosa, Ir. M. Bernardita tem sido um exemplo de serviço e amor ao próximo. Sua vocação reflete a missão das Pias Discípulas do Divino Mestre, que buscam viver em comunhão com Cristo e servir à Igreja por meio da oração e da liturgia.

Neste dia especial, rendemos graças pela sua vida e missão, reconhecendo sua entrega generosa e seu compromisso com a espiritualidade e o serviço à todas as irmãs Pias Discípulas, neste seu ministério como superiora geral deste instituto. Que sua trajetória continue a inspirar a todos aqueles que buscam viver com fé e dedicação.

PAPA FRANCISCO E AS PIAS DISCÍPULAS DO DIVINO MESTRE

Diante da delicada situação de saúde do Papa Francisco, voltamos nosso olhar para suas palavras dirigidas a nós em 2017, durante o nosso Capítulo Geral. Suas mensagens de encorajamento e seu desejo de bem para nossa congregação continuam a nos inspirar. Movidas por essa lembrança, renovamos nossa fé e reforçamos nossas orações por sua recuperação, pedindo a Deus que lhe conceda força, serenidade e saúde para seguir conduzindo a Igreja com sabedoria e amor.

DISCURSO DO PAPA FRANCISCO
 ÀS PARTICIPANTES NO CAPÍTULO GERAL
DAS PIAS DISCÍPULAS DO DIVINO MESTRE

Sala do Consistório
Segunda-feira, 22 de maio de 2017


Queridas Irmãs!

Dou as minhas boas-vindas a todas vós e saúdo cordialmente a nova Superiora-Geral e as novas Conselheiras. Faço votos para que este tempo forte que é o Capítulo Geral traga abundantes frutos evangélicos à vida do vosso Instituto.

Antes de tudo, frutos de comunhão. Abertas ao Espírito Santo, Mestre da diversidade, da unidade nas diferenças, caminhareis numa comunhão entre vós que respeite a pluralidade, que vos impulsione a tecer incansavelmente a unidade nas legítimas diferenças, considerando também o facto de que estais presentes em diversos países e culturas. «Como consentir a cada um de se exprimir, ser acolhido com os seus dons específicos, tornar-se plenamente corresponsável?» (Carta ap. Às pessoas consagradas, 21 de novembro de 2014, II, 3). Cultivando a atenção e o acolhimento recíproco; praticando a correção fraterna e o respeito pelas irmãs mais débeis; crescendo no espírito do viver juntas; banindo das comunidades as divisões, as invejas, os mexericos; dizendo tudo com franqueza e caridade. Sim, pode-se viver assim. Tudo isto que acabei de mencionar destrói a Congregação.

Frutos de comunhão com os irmãos e as irmãs da Família Paulina. Tendes em comum o sacerdote e fundador, padre Giacomo Alberione, e também a missão: anunciar o Evangelho aos homens e às mulheres do nosso tempo, particularmente no vosso caso, mediante o serviço litúrgico e o cuidado dos sacerdotes. Isto é bonito.

Frutos de comunhão com os outros carismas. É o momento da sinergia de todos os consagrados para acolher as riquezas dos demais carismas e pô-las todas ao serviço da evangelização, permanecendo fiéis à própria identidade. «Ninguém constrói o futuro isolando-se, nem contando apenas com as próprias forças« (ibidem). Por conseguinte, convido-vos a cultivar o diálogo e a comunhão com os outros carismas, e a combater de todos os modos a autorreferencialidade. Não é bom quando um consagrado ou consagrada é autorreferencial, sempre diante do espelho a olhar para si mesmo. É terrível.

Por fim, frutos de comunhão com os homens e as mulheres do nosso tempo. O nosso Deus é o Deus da história e a nossa é uma fé que age na história. Nas dúvidas e nas expetativas dos homens e das mulheres de hoje encontramos indicações importantes para o nosso seguimento de Cristo.

O Capítulo é tempo de escuta do Senhor que nos fala através dos sinais dos tempos; tempo de escuta recíproca e portanto de abertura a quanto o Senhor nos comunica mediante os irmãos; tempo de confronto sereno e sem preconceitos entre os próprios projetos e os dos outros. Tudo isto exige abertura da mente e do coração. Neste sentido o Capítulo é um tempo propício para praticar o espírito do êxodo e da hospitalidade: sair de si mesmo para acolher com alegria a parte de verdade que o outro me comunica e juntos caminhar para a verdade plena, a única que nos torna livres (cf. Jo 8, 32).

Ouvir as irmãs. Penso que um dos apostolados mais importantes hoje é o do ouvido: escutar. Ouvir as irmãs, assim como os homens e as mulheres de hoje, e partilhar com eles: estas atitudes são necessárias para um bom Capítulo e para uma santa vida fraterna em comunidade, em cujo crescimento todos se sentem participantes, todos oferecem e todos recebem. Não vos canseis de vos exercitar continuamente na arte da escuta e da partilha. Neste tempo de grandes desafios, que exigem dos consagrados fidelidade criativa e busca apaixonada, a escuta e a partilha são mais necessárias do que nunca, se quisermos que a nossa vida seja plenamente significativa para nós mesmos e para as pessoas que encontramos.

Para tal finalidade é necessário manter um clima de discernimento, para reconhecer o que pertence ao Espírito e o que lhe é contrário. Diante de nós abre-se um mundo de possibilidades. A cultura na qual estamos imersos apresenta-se-nos todas como válidas, boas, mas se não quisermos ser vítimas da cultura do zapping e, às vezes, de uma cultura de morte, devemos incrementar o habitus do discernimento, formar-nos e formar para o discernimento. Não vos canseis de perguntar pessoal e comunitariamente: «Senhor, o que queres que eu faça?», «o que queres que façamos?».

O Capítulo é também tempo para renovar a docilidade ao Espírito que anima a profecia. Ela é um valor irrenunciável para a vida consagrada, porque é uma forma especial de participação na missão profética de Cristo. Isto inclui o ser audaz e ao mesmo tempo humilde, apaixonado por Deus e pela humanidade, para se tornar porta-voz de Deus contra o mal e contra todo o pecado (cf. Vita consecrata , 84).

Como consagradas vivei, em primeiro lugar, a profecia da alegria. Ela está em primeiro lugar. Em primeiro lugar está a profecia da alegria: a alegria do Evangelho. É uma profecia. Hoje o mundo precisa disto: a alegria que nasce do encontro com Cristo numa vida de oração pessoal e comunitária, na escuta diária da Palavra, no encontro com os irmãos e as irmãs, numa feliz vida fraterna em comunidade, inclusiva da fragilidade e no abraço à carne de Cristo nos pobres. Profetas de uma alegria que nasce do nos sentirmos amados e, porque somos amados, perdoados.

A alegria é uma linda realidade na vida de muitos consagrados, mas é também um grande desafio para todos nós. Um seguimento triste é um triste seguimento! E a alegria autêntica, não autorreferencial nem arrogante, é o testemunho mais credível de uma vida plena (cf. Jo 10, 10), porque nele «transparecem a alegria e a beleza de viver o Evangelho e de seguir Cristo» (Carta ap. Às pessoas consagradas , 21 de novembro de 2014, II, 1).

Ao mesmo tempo, esta alegria que enche os vossos corações e se manifesta nos vossos rostos levar-vos-á a sair rumo às periferias participando da alegria da Igreja que é a evangelização. Mas para fazer isto a alegria deve ser verdadeira, não uma alegria falsificada! Não falsifiqueis a alegria. A evangelização, quando estamos convictos de que Jesus é a Boa Nova, é alegria e felicidade para todos. Esta alegria afasta de nós o cancro da resignação, fruto da preguiça que torna a alma árida. Por favor, irmãs resignadas, não! Alegria. Mas o diabo dirá: «Somos poucas, não temos vocações…». Deste modo, fecha-se a cara, faz-se carranca… e perde-se a alegria, acabando na resignação. Não, não se pode viver assim: a esperança de Jesus Cristo é alegria.

Encorajo-vos também a ser profetas de esperança, com os olhos dirigidos para o futuro, lá onde o Espírito impele, para continuar a fazer convosco grandes coisas (cf. Vita consecrata , 110). Santo Hilário de Poitiers, no seu Comentário aos salmos (118, 15, 7), fazia-se eco de uma pergunta que muitos formulavam e ainda hoje formulam aos cristãos: «Onde está, ó cristãos, a vossa esperança?». Como consagrados sabemos que não podemos ser surdos a esta questão. Como todos os discípulos de Jesus sabemos que a esperança é para nós uma responsabilidade, porque fomos chamados a responder a todos que nos perguntarem a sua razão (cf. 1 Pd 3, 15). A esperança que não desilude não se baseia em números nem em obras, mas n’Aquele para o qual nada é impossível (cf. Lc 1, 37).

Santo Agostinho diz que «só a esperança nos torna propriamente cristãos» (A Cidade de Deus, 6, 9, 5). E noutra obra afirma: «A nossa vida, agora, é esperança, depois será eternidade» (Comentário aos salmos 103, 4, 17). Só a esperança permite que caminhemos na estrada da vida, só ela nos torna capazes de futuro. Jesus Cristo é a nossa esperança (cf. 1 Tm 1, 1): n’Ele depositemos a nossa confiança (cf. 2 Tm 1, 12), e com a força do Espírito Santo podemos ser profetas de esperança.

Com esta confiança e força repito-vos: não vos unais aos profetas de desventura, que fazem muitos danos à Igreja e à vida consagrada; não cedais à tentação da sonolência — como os apóstolos no Getsémani — e do desespero. Fortalecei a vossa vocação de «sentinelas da manhã» (cf. Is 21, 11-12) para poder anunciar aos outros a chegada da aurora. Despertai o mundo, iluminai o futuro! Sempre com o sorriso, a alegria, a esperança.

Obrigado pelo que sois, pelo que fazeis e como o fazeis, também aqui na Cidade do Vaticano. Muito obrigado! Maria nossa Mãe vos proteja com o seu olhar e o Senhor vos abençoe, vos mostre o seu Rosto, vos conceda paz e misericórdia.

Por favor, rezai por mim.


Copyright © Dicastero per la Comunicazione – Libreria Editrice Vaticana

Fonte:

PAPA FRANCISCO. Discurso do Papa Francisco às Pias Discípulas do Divino Mestre. Vaticano: Libreria Editrice, 22 maio 2017. Disponível em: https://www.vatican.va/content/francesco/pt/speeches/2017/may/documents/papa-francesco_20170522_pie-discepole-divin-maestro.html. Acesso em: [19 fev. 2025].

101 ANOS DE FUNDAÇÃO DAS IRMÃS PIAS DISCÍPULAS DO DIVINO MESTRE

No dia 10 de fevereiro de 1924, nascia, sob a inspiração do Bem-Aventurado Tiago Alberione, a Congregação das Irmãs Pias Discípulas do Divino Mestre. Hoje, celebramos com alegria e gratidão 101 anos de uma missão dedicada à oração, à Eucaristia, ao serviço sacerdotal e à evangelização através da arte e da liturgia.

Ao longo de mais de um século, as Pias Discípulas expandiram sua presença em diversos países, levando a mensagem do Evangelho por meio do silêncio orante, da formação litúrgica e do serviço à Igreja. Fiéis ao carisma recebido, continuam a ser luz e presença viva de Cristo Mestre, Caminho, Verdade e Vida, inspirando novas gerações a se dedicarem à missão de santificação do mundo através da adoração e do serviço.

Nesta data especial, rendemos graças a Deus pela história de fidelidade e entrega das irmãs, pelos frutos dessa caminhada e pelo chamado a seguir testemunhando o amor de Cristo no coração da Igreja. Que este jubileu seja um momento de renovação da fé e do compromisso com o Reino de Deus!

CELEBRE CONOSCO!

Convidamos todos a se unirem em oração e ação de graças por esse momento de bênção e renovação. Que possamos continuar, juntos, a missão de ser Discípulas do Divino Mestre!


Meditemos à Luz da Palavra de Deus e dos Textos Carismáticos este dia da Fundação das Pias Discípulas do Divino Mestre

As palavras das Sagradas Escrituras, do Bem-aventurado Tiago Alberione e de Madre Maria Escolástica Rivata – nossa primeira Madre –, que souberam encarnar os valores do Evangelho transmitidos pelo Fundador, são um convite à reflexão e um encorajamento para renovarmos diariamente nossa pertença a Jesus Mestre. Através delas, somos chamados a viver com alegria e fidelidade nossa bela vocação e missão.

Ef 1,16-19: Não cesso de dar graças a Deus por vocês recordá-los em minhas orações, 17Que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, conceda a vocês um espírito de sabedoria e revelação, para que o reconheçam dele. 18 Queele lhes ilumine os olhos do coração para que saibam qual é a esperança do chamado que ele faz, qual é a riqueza da glória da sua herança entre os santos, 19e qual é a extraordinária grandeza do seu poder em favor de nós, os que acreditamos, conforme a ação do seu poder eficaz. 

Outros textos bíblicos: Mt 19,27-29; Lc 8,1-3; 10, 38-42; Jo 20,1-8.


TEXTOS CARISMÁTICOS  

O Mais Belo Apostolado

(T. Alberione, APD 1947, 44-46.52-53, 9 de janeiro de 1947)

“O apostolado de vocês é insuperável; o mais belo! E, justamente por isso, é combatido pelo inimigo. As coisas mais preciosas e belas são sempre as mais desafiadas, pois ele tenta falsificá-las. Vocês têm a missão de desempenhar o ofício de Nossa Senhora, de serem sentinelas do Tabernáculo, elevando mãos puras, unidas a Jesus Hóstia.”

“Na planície, o povo de Deus lutava; no monte, Moisés orava com os braços erguidos. Quando os abaixava, o povo recuava; quando os erguia, o povo vencia. E, para que não se cansasse, dois homens sustentavam seus braços. Assim, o povo de Deus triunfou!”

“Por isso, não estranhem as provações e dificuldades que surgem. Tenham fé! Pois Jesus nos ensina: ‘Se tiverdes fé do tamanho de um grão de mostarda e disserdes a esta montanha: move-te, ela se moverá.’ Acreditamos, de fato, com esta firmeza? Muitas vezes cremos nos dogmas, mas na vida cotidiana nossa fé vacila. Confiem sem hesitação!”


Como Nossa Senhora

(T. Alberione, APD 1947, 177-180)

“Assim como Maria, a Pia Discípula é uma apóstola. Maria não apenas gerou Jesus, mas acompanhou a Igreja nascente, sustentando-a em seus primeiros passos. O apostolado de vocês está no coração da Igreja. As dificuldades externas podem surgir, mas o verdadeiro desafio está em viver plenamente o espírito da vocação.”

“Não caiam na tentação de comparar-se com os outros. O jardim de vocês é o mais belo! Nele, o Amado espera por vocês. Sua vocação é preciosa! Não se distraiam admirando os frutos alheios, pois sua missão é única e insubstituível.”

“A Pia Discípula deve rezar pelas vocações e pela santificação dos sacerdotes. Como o coração que irriga todos os membros com vida, assim é o seu apostolado. Unam-se à oração da Santíssima Virgem e peçam com confiança: ‘Tu, que és poderosa, roga conosco, para que o Senhor envie bons trabalhadores para sua messe.'”

“Para serem boas discípulas, é preciso piedade, inteligência, sabedoria e vontade. O apostolado de vocês é simples, mas exige entrega e nem sempre será bem compreendido. Cresçam, avancem e amadureçam como o Divino Mestre: em idade, em sabedoria e em graça. Aprofundem-se no conhecimento da sua vocação e vivam-na com autenticidade e amor.”


A Profissão Religiosa

(T. Alberione, APD 1959, 64)

“‘Eu me entrego, ofereço e tudo consagro.’ Assim como Jesus se entregou inteiramente a nós, devemos responder: ‘E eu me entrego inteiramente a Vós, tudo.’ Isso significa amar o Senhor com toda a mente, coração e forças, ao longo de toda a vida, até o último instante, quando O amaremos perfeitamente no céu.”

“A força do amor está precisamente nesse ‘tudo’, sem reservas. Devemos encher nossa mente com a doutrina de Cristo, para que raciocinemos conforme ela. Devemos encher nosso coração com Seu amor, para que ele se torne um reflexo do coração de Jesus. Toda a nossa vida, nossas energias, sentidos, tempo e capacidades devem ser entregues a Ele, sem hesitação.”


A Missão da Pia Discípula Perpetua-se ao Longo dos Séculos

(T. Alberione, APD 1964, 168)

“Grande é a gratidão a Deus por ter querido esta Congregação! Foi Jesus quem a suscitou, a sustentou, a fez crescer e florescer em sua missão apostólica. Ele deseja que avancemos sempre, oferecendo nossa oração, nossas obras e toda a nossa vida ao serviço do Reino.”

“O apostolado que vocês exercem é eterno, pois a Eucaristia, o serviço sacerdotal e litúrgico jamais deixarão de ser necessários. Enquanto o mundo existir, essa missão continuará a ser um canal de graça. Por isso, mantenham-se unidas, esforcem-se para progredir e expandam essa obra divina a todas as nações.”


Reflexões de Madre Escolástica Rivata

“Por que viemos para a vida religiosa? Para fortalecer nossa caminhada com uma piedade sincera e viva, com amor recíproco, no silêncio orante e no serviço generoso.” (1968)

“Façamos do nosso dia um exercício contínuo de amor, recebendo tudo das mãos de Deus e oferecendo-Lhe tudo. Agradeçamos ao Senhor, mesmo nas provações, pois a santidade é luta, é batalha. Confiemos no Deus que tudo dispõe para o nosso bem.” (1970)


Carta de Madre Escolástica Rivata a uma Jovem Irmã (janeiro de 1979)

“Mantenhamos sempre firmes nossas resoluções: Sim, sempre! No amor, na ação de graças incessante e na aceitação total do que Deus quer e como Ele quer!”

“Querida irmã, que tudo em nós glorifique o Senhor: nossa alegria, nossa generosidade, nossa fé e amor! Que nossa vocação seja vivida plenamente, para que um dia, junto com Maria Santíssima, possamos entoar o hino do amor eterno!”

TRADIÇÃO E MODERNIDADE: ESTUDO ANALISA O IMPACTO DAS VESTES LITÚRGICAS NA IGREJA

No dia 03 de fevereiro de 2025, a Ir. Vera Maria Galvan, pddm, apresentou sua dissertação “Moda, vestes litúrgicas e a busca pelo sentido da tradição: Significados e expressões das vestes litúrgicas na Igreja Católica” para a Banca Examinadora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Sua pesquisa, desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Ciência da Religião, investigou as vestes litúrgicas católicas e seu papel na construção da identidade religiosa.

A banca examinadora foi composta pela Profa. Dra. Suzana Ramos Coutinho (orientadora), pelo Prof. Dr. Wagner Lopes Sanchez e pelo Prof. Dr. José Reinaldo Felipe Martins (da PUC de Goiânia). Durante a apresentação, foram discutidos os aspectos centrais da dissertação, que explora a história das vestes litúrgicas, sua evolução após o Concílio Vaticano II e como a moda, enquanto expressão cultural, influencia e é influenciada pelos diferentes segmentos dentro da Igreja Católica.

A pesquisa se fundamenta na análise de dados empíricos e revisão bibliográfica sobre a indumentária e a tradição litúrgica, propondo uma reflexão sobre como as vestes litúrgicas comunicam valores, crenças e identidades religiosas. Um dos pontos de destaque do estudo é a compreensão das vestes litúrgicas como um campo de disputa entre as forças conservadoras e renovadoras dentro da Igreja, revelando como as escolhas estéticas refletem visões teológicas e eclesiais.

O estudo parte de uma perspectiva interdisciplinar, envolvendo Ciência da Religião, Moda e Sociologia, e apresenta como a materialidade religiosa desempenha um papel fundamental na transmissão de valores e na construção da identidade dos ministros ordenados e das comunidades de fé. A dissertação também analisa o impacto do Concílio Vaticano II na percepção e no uso das vestes litúrgicas, identificando mudanças significativas na maneira como elas são concebidas e interpretadas na contemporaneidade.

A Ir. Vera Maria Galvan, membro da Congregação Religiosa Pias Discípulas do Divino Mestre desde 2006, tem uma trajetória ligada à confecção e produção de vestes litúrgicas. Sua experiência no setor, aliada à formação acadêmica, permitiu uma abordagem singular ao tema, unindo teoria e prática para compreender o significado das vestes na experiência religiosa contemporânea. Seu trabalho reforça a importância do vestuário litúrgico na expressão da fé e na comunicação visual dentro da Igreja.

A dissertação “Moda, vestes litúrgicas e a busca pelo sentido da tradição” evidencia a riqueza simbólica das vestimentas religiosas e seu impacto nas práticas eclesiais. Com uma abordagem inovadora, o estudo amplia a compreensão sobre a relação entre tradição, modernidade e identidade religiosa, contribuindo significativamente para os estudos sobre liturgia e indumentária sacra.

O trabalho da Ir. Vera representa uma valiosa contribuição para a academia e para a Igreja, promovendo um diálogo entre a história, a moda e a teologia, e abrindo caminhos para novas pesquisas sobre a materialidade religiosa e sua influência na identidade católica.

CATEQUESE LITÚRGICA: FESTA DA APRESENTAÇÃO DO SENHOR NO TEMPLO

Catequese Litúrgica – Festa da Apresentação do Senhor (Ano C)

Neste vídeo, o programa Catequese Litúrgica, preparado e apresentado pela Ir. Cidinha Batista, pddm, com edição de vídeo de Ir. Neideane Monteiro, pddm, propõe uma reflexão profunda sobre o Evangelho da Festa da Apresentação do Senhor (Ano C).

A festa, celebrada no dia 2 de fevereiro, recorda o momento em que Maria e José apresentam o menino Jesus no Templo de Jerusalém, cumprindo a tradição judaica. Com base no Evangelho de Lucas 2,22-40, o programa convida os fiéis a refletirem sobre a luz que Jesus traz ao mundo, simbolizada pela presença de Simeão e Ana, que reconhecem o Messias como a salvação prometida a todos.

A catequese litúrgica explora o significado teológico dessa festa e ajuda os fiéis a compreenderem a importância da Apresentação de Jesus no Templo, como um gesto de consagração e fé, que nos convida a oferecer nossa própria vida ao Senhor.

O vídeo proporciona uma oportunidade de aprofundar a compreensão do mistério da encarnação de Cristo, através de uma explicação acessível e edificante, guiada pelas reflexões de Ir. Cidinha Batista e enriquecida pela edição cuidadosa de Ir. Neideane Monteiro.

Se você busca uma forma de meditar sobre o evangelho e o significado desta importante festa litúrgica, este vídeo oferece uma reflexão significativa e inspiradora.


A Sacramentalidade da Revelação e da Liturgia

O vídeo acima, acessível através do link https://www.youtube.com/watch?v=VX7pbMYk0Co, integra a programação da 2ª Maratona Sacrosanctum Concilium 2024. Neste material, o Pe. Danilo César e a Ir. Veronice Fernandes, pddm, nos conduzem em uma reflexão enriquecedora e profunda sobre um tema central para a vida litúrgica e espiritual da Igreja: “A Sacramentalidade da Revelação e da Liturgia”. Através de suas palavras e ensinamentos, ambos aprofundam o entendimento sobre como a Revelação de Deus se manifesta de forma sacramental e como a Liturgia é o espaço privilegiado para essa manifestação se tornar visível e concreta na vida dos fiéis. A reflexão proporcionada por esse vídeo é uma oportunidade para compreender melhor os mistérios da fé e a importância da Liturgia no caminho de santificação e encontro com Deus.

A Sacramentalidade da Revelação e da Liturgia

A palavra “sacramentalidade” remete à presença de Deus nas realidades visíveis e tangíveis do mundo, algo que é um ponto central na fé cristã. A sacramentalidade é um conceito que se desvela principalmente na Revelação de Deus e na Liturgia, sendo estes dois pilares inseparáveis da experiência cristã. A Revelação de Deus, ao se manifestar de forma concreta através da história e da encarnação de Jesus Cristo, torna-se um dos principais pontos de encontro entre o divino e o humano. Já a Liturgia, como expressão pública e comunitária da fé, oferece um espaço privilegiado onde o mistério divino é celebrado e vivido de maneira sacramental.

A Revelação: Deus se Faz Presente

A Revelação de Deus é a manifestação de Sua vontade, Sua essência e Sua presença no mundo. A Bíblia, a Tradição e a Igreja como toda são canais através dos quais Deus se comunica com a humanidade. A sacramentalidade da Revelação está justamente no fato de que Deus escolheu se revelar de maneira acessível e concreta, em momentos e gestos específicos, que tocam o ser humano de maneira profunda e transformadora.

O ponto culminante dessa Revelação é a encarnação de Jesus Cristo. A Palavra de Deus, que estava com Deus desde o início, se fez carne e habitou entre nós (João 1,14). A sacramentalidade aqui se dá pela presença visível e histórica de Cristo, que é o próprio Deus em forma humana. Sua vida, sua morte e sua ressurreição são acontecimentos fundantes da nossa fé, e todas essas ações de Cristo são, de certa forma, sacramentos – sinais visíveis de uma graça invisível que nos une a Deus.

Além disso, a Revelação não se limita a um passado distante, mas continua viva na vida da Igreja. Cada vez que a Palavra de Deus é proclamada, ela se torna um canal de encontro com o divino. A Revelação é, portanto, dinâmica e transformadora, porque, por meio da Palavra e da ação de Cristo, ela é sempre atualizada e vivida nas comunidades cristãs.

A Liturgia: O Encontro com o Divino no Mundo Visível

A Liturgia, por sua vez, é o espaço onde a sacramentalidade da Revelação se torna visível e palpável. Ela é a ação pública da Igreja, que celebra os mistérios de Deus, especialmente através dos sacramentos. A Liturgia é, portanto, uma forma de “vivenciar” a Revelação de Deus, de transformar os mistérios da fé em ações e gestos que podem ser percebidos pelos sentidos humanos.

Cada sacramento, por exemplo, é um “sinal visível” da graça de Deus, sendo uma mediação através da qual o divino se torna acessível e presente no cotidiano dos fiéis. Na Eucaristia, por exemplo, o pão e o vinho se tornam o Corpo e o Sangue de Cristo, uma transformação que é simultaneamente visível e invisível. O ritual, as palavras e os gestos litúrgicos são canais através dos quais Deus se comunica, tornando-se presente na vida da comunidade. A água do batismo, o óleo da unção, o pão e o vinho da Eucaristia, todos esses elementos se tornam meios pelos quais a graça de Deus se torna tangível e real.

A Liturgia, portanto, não é apenas um conjunto de rituais, mas é uma forma de participar da própria vida de Deus, de ser transformado por Ele. Cada celebração litúrgica é uma oportunidade de viver a Revelação de Deus de maneira concreta, de experimentar Sua presença e de ser conduzido à santidade.

A Sacramentalidade como Caminho de Santidade

A sacramentalidade da Revelação e da Liturgia, em última análise, nos chama à santidade. A Revelação de Deus, que se fez carne em Cristo, nos oferece o modelo perfeito de vida, enquanto a Liturgia nos proporciona os meios de viver essa vida em Cristo, por meio dos sacramentos e da celebração comunitária.

Através dos sacramentos, os cristãos recebem a graça necessária para viver de acordo com a vontade de Deus. A confissão purifica a alma, a Eucaristia fortalece espiritualmente, o matrimônio santifica a união entre os esposos, e a unção dos enfermos oferece conforto e cura. Cada sacramento é um momento de encontro com o divino, que nos transforma de dentro para fora, ajudando-nos a viver mais plenamente de acordo com o Evangelho.

Além disso, a Liturgia, como um evento comunitário, reflete a Igreja em sua totalidade, enquanto Corpo de Cristo. Participar da Liturgia é, portanto, também uma forma de aprofundar nossa comunhão com outros membros da Igreja, com a qual compartilhamos a mesma fé e esperança. A sacramentalidade da Liturgia nos une uns aos outros e nos fortalece na caminhada cristã, pois nos coloca na presença de Deus e nos torna participantes da Sua ação salvífica.

Conclusão: A Presença de Deus no Mundo Visível

A sacramentalidade da Revelação e da Liturgia nos lembra que Deus não está distante, mas se faz presente nas realidades do mundo e da história. A Revelação de Deus, em Cristo e nas Escrituras, é a chave para compreendermos o sentido da vida e o mistério da nossa salvação. A Liturgia, por sua vez, oferece o meio pelo qual experimentamos a presença de Deus de maneira concreta e acessível, transformando o que é visível em um sinal de Sua graça. Juntas, a Revelação e a Liturgia nos convidam a uma vida de fé profunda e de comunhão com Deus, uma vida em que o divino toca o humano e nos chama à santidade.

Jubileu da Esperança: Um Convite à Renovação Espiritual e à Solidariedade

Por Ir. Julia de Almeida, pddm

O Jubileu da Esperança é um evento de profunda relevância para a Igreja Católica, representando uma oportunidade única de renovação espiritual, conversão pessoal e solidariedade coletiva. Em um mundo marcado por desafios sociais, crises econômicas, e incertezas existenciais, este Jubileu surge como um convite para que todos os fiéis se reencantem com a vida e reavivem a esperança, seja no plano individual, seja no plano coletivo.

O que é o Jubileu da Esperança?

Tradicionalmente, o Jubileu é um evento de celebração e perdão que acontece a cada 25 anos dentro da Igreja Católica. No entanto, o Jubileu da Esperança é uma celebração especial, marcada por um foco central: reacender a chama da esperança nas vidas dos cristãos, especialmente nas épocas de adversidade. Ele vai além de uma simples lembrança de eventos passados; trata-se de um chamado para a mudança interior, para a superação de obstáculos e para a construção de uma sociedade mais fraterna e justa.

A ideia central do Jubileu da Esperança é que, mesmo diante das dificuldades da vida, nunca devemos perder a confiança nas promessas de Deus e no poder da solidariedade humana. Mais do que nunca, a humanidade precisa resgatar a esperança no futuro e, para isso, é necessário unir forças, colaborar com o próximo e vivenciar os valores do Evangelho.

O Significado Espiritual do Jubileu da Esperança

No contexto da Igreja Católica, um Jubileu é um ano de perdão, de reconciliação e de misericórdia. Durante o Jubileu da Esperança, a ênfase recai sobre a necessidade de reviver a fé, olhar para o futuro com confiança e renovar os compromissos com os valores do Reino de Deus. A Igreja convida os fiéis a refletirem sobre suas vidas, a reconciliarem-se com Deus e com os outros, e a viverem com mais intensidade a fraternidade e o amor ao próximo.

Esse Jubileu não se limita à busca pessoal por esperança, mas se expande à dimensão comunitária, incentivando a Igreja a ser um farol de luz e acolhimento para aqueles que enfrentam dificuldades. O evento é uma verdadeira “convocação para o renascimento espiritual” onde os fiéis são chamados a vivenciar um tempo de oração intensa, penitência, e ações concretas de caridade, transformando o sofrimento em uma oportunidade de crescimento e união.

A Esperança como Virtude Cristã

A esperança é uma das três virtudes teologais na fé cristã, juntamente com a fé e a caridade. Ela não se baseia em otimismo ou ilusões, mas na confiança em Deus e em Sua promessa de vida eterna. Durante o Jubileu da Esperança, somos convidados a vivenciar essa virtude de maneira profunda, reconhecendo que a esperança não é uma abstração, mas uma ação concreta de fé no cotidiano.

É um convite a olhar para a realidade com os olhos de Cristo, enxergando além das dificuldades e enxergando nas adversidades a possibilidade de transformação e renovação. A esperança, assim, nos move a trabalhar por um mundo mais justo, onde as promessas de paz e amor de Cristo sejam visíveis em cada ato de generosidade, em cada gesto de perdão e em cada obra de misericórdia.

A Esperança que se Traduz em Ação: Solidariedade e Compromisso Social

O Jubileu da Esperança também coloca em evidência o compromisso social dos cristãos. A esperança não é uma esperança passiva, mas uma esperança ativa, que leva os fiéis a agir em prol dos mais necessitados, a lutar contra a injustiça e a desigualdade, e a se comprometer com a construção de uma sociedade mais fraterna.

Durante este Jubileu, a Igreja incentiva os fiéis a se envolverem em ações concretas de solidariedade. Isso pode se traduzir em diversas iniciativas, como a ajuda aos pobres, a promoção da paz em ambientes conflituosos, a defesa da vida humana e a preservação do meio ambiente. Cada gesto de amor ao próximo é uma expressão da esperança que se renova.

O Jubileu da Esperança também é um convite para a transformação social, onde cada cristão é chamado a ser um instrumento de mudança. O evento propõe refletir sobre como a Igreja pode ser uma força positiva para a sociedade, especialmente em tempos de crise. Como cristãos, somos chamados a não apenas esperar um futuro melhor, mas a construir esse futuro com nossas mãos, com a nossa fé e com a nossa ação.

A Celebração do Jubileu: Peregrinação e Perdão

Como parte do Jubileu da Esperança, a Igreja oferece oportunidades de peregrinação, um caminho simbólico de renovação espiritual. Durante este ano especial, os fiéis são incentivados a fazer a peregrinação a lugares sagrados, visitar basílicas e participar de celebrações litúrgicas que marcam a vivência de um jubileu.

Além disso, a confissão e o perdão são aspectos centrais desse jubileu. A Igreja oferece a possibilidade de indulgências plenárias, que concedem perdão dos pecados e reconciliação com Deus. Isso representa uma oportunidade para todos, independentemente das dificuldades ou distâncias que possam existir, de se reconciliarem com Deus e com seus irmãos e irmãs, fortalecendo a convivência e a unidade.

Conclusão: A Esperança que Transforma o Mundo

O Jubileu da Esperança é uma verdadeira convocação para a renovação da fé, da esperança e do amor. Ele não é apenas uma celebração litúrgica, mas um momento de reflexão profunda sobre o sentido da vida, sobre os valores do Evangelho e sobre o nosso compromisso com o outro. Em tempos de incertezas, o Jubileu da Esperança nos lembra de que a verdadeira esperança está na confiança em Deus e na ação concreta para a construção de um mundo mais justo e fraterno. Que cada cristão se permita viver este tempo com intensidade, e que, ao final do Jubileu, possamos olhar para o mundo com os olhos da esperança, sabendo que, mesmo em tempos difíceis, a luz de Cristo sempre estará nos guiando.

Informe-se na sua comunidade sobre quais igrejas foram designadas como locais de peregrinação durante o Ano do Jubileu 2025 e descubra como participar dessa experiência. Esses templos serão espaços de devoção e oração, onde os fiéis terão a oportunidade de realizar peregrinações e participar de celebrações litúrgicas, como missas e confissões, buscando as indulgências concedidas pelo Jubileu. A indulgência plenária, oferecida pela Igreja nesse período, representa o perdão dos pecados e a renovação espiritual para aqueles que cumprirem as condições estabelecidas. Essas igrejas serão pontos especiais de fé, proporcionando aos fiéis uma vivência intensa do espírito do Jubileu, através de celebrações, orações e peregrinações. A Igreja faz um convite a todos para se aproximarem de Deus e buscarem a paz interior neste Ano Jubilar, que será um marco de renovação espiritual para toda a Igreja. Participe!

Arte Floral na Liturgia: A Estética a Serviço da Fé

Por Ir. Cidinha Batista
cidabatista2001@yahoo.com.br

A estética em nossa liturgia

A estética de uma celebração afeta todos os sentidos, e não apenas a visão. Também o ouvido pode se abrir mais a uma mensagem profunda quando a escuta em um som mais harmônico.

A liturgia tem essencialmente uma linguagem simbólica, com a qual nos introduz em uma visão mais profunda das coisas e do mistério que celebramos. A liturgia é feita de ideias e palavras, de ação misteriosa de Deus, de fé, mas também de intuição, comunicação, gestos e símbolos, alegria festiva, contemplação… Por isso, a linguagem da estética pertence a sua expressividade, porque pretende nos conduzir a uma sintonia profunda com a fonte de toda a salvação que Deus nos quer comunicar. Herdamos uma mentalidade que se mostra, em parte, demasiadamente, preocupada com a validade dos gestos sacramentais ou da ortodoxia das palavras. Sem descuidar disso – que já seria o suficiente – a liturgia nos faz celebrar os dons de Deus com uma riqueza muito mais expressiva de símbolos que afetam não só nossa mente ou nossa consciência de fé, mas também nossa sensibilidade e nosso senso afetivo. A estética afeta toda a liturgia: os quadros, os sinais, os gestos e movimentos, o canto, as flores…

A estética do lugar

Quando se refere ao lugar em que a comunidade se reúne para sua oração, a estética equivale a um ambiente acolhedor e confortável. Por sua iluminação, sua disposição ordenada e pela harmonia de seu conjunto, um espaço celebrativo deve proporcionar desde o primeiro momento uma sensação agradável: uma primeira prova do apreço que todos merecem pela celebração que vai ter lugar e pela comunidade que foi convocada.

A linguagem das flores

Um dos elementos que podem ser considerados representativos de nosso sentido da estética em torno da celebração são as flores. Todos entendem a linguagem das flores. Um ramalhete no cemitério, ou na missa festiva, ou como presente, não necessita de apresentação. Tanto na vida social como na liturgia, algumas flores dispostas harmoniosamente, cheias de cor e perfume cantam uma série de sentimentos: a alegria, a festa, o respeito, o amor, a dedicação de uma homenagem interior. O que pensamos quando observamos algumas flores diante da imagem de Nossa Senhora, ou diante do Santíssimo, ou na frente do ambão, ou junto ao túmulo de um ente querido? Desde a exuberante oferenda de milhares de flores a Nossa Senhora até a rosa solitária que uma criança oferece a sua mãe, ou um apaixonado a sua amada, ou um ramalhete que alguém carrega na procissão na Missa, tudo é um discurso de amor e de fé.

O autor (Rimaud) conta a respeito de um grupo de jovens que celebrava a Eucaristia ao ar livre, na África, sobre uma grande pedra que fazia as vezes de altar. Um pastorzinho os contemplou por longo tempo, e a seguir, silenciosamente, aproximou-se deles e colocou uma flor, que acabava de colher no campo, sobre a pedra do altar, junto ao pão e ao vinho, e retirou-se. Os jovens ficaram contemplando em silêncio o sentido de um gesto: uma flor que com sua beleza e seu perfume queria somar-se expressivamente à fé de um grupo e à consciência do encontro com o dom de Deus… A beleza de uma criatura somava-se à homenagem a seu Criador.

O senso estético das pessoas que se ocupam do adorno de uma igreja saberá, naturalmente, encontrar o equilíbrio e o lugar certo para as flores, sem sobrecarregar excessivamente os espaços. É toda uma linguagem expressiva, aquela falada pelas flores. Como também o é o fato de que no Advento e na Quaresma não apareçam em nosso espaço de celebração, porque queremos reservar sua alegria visual para o Natal ou para a Noite de Páscoa.

A estética a serviço da celebração

Evidentemente, a arte não é tudo. A dimensão estética de nossa celebração não é a última meta da liturgia. Não se trata de cair no esteticismo, que nos faria supervalorizar algo que é importante, mas, todavia, não é o mais importante. Não podemos nos contentar com uma realização harmônica dos ritos ou com a limpeza e o decoro do espaço celebrativo. A arte e a estética estão a serviço da fé, como o estão a Palavra, o canto e a linguagem dos símbolos. A estética é parte da linguagem da liturgia e, portanto, de sua eficácia e sua dinâmica. Faz-nos superar uma visão “consumista” ou “validista” dos sacramentos, torna-nos expressivos em nossa oração, alimenta-nos em nosso apreço pelo que celebramos, recordando-nos suavemente os valores transcendentes com os quais entramos em contato em nossa celebração. A estética não é algo que esteja fora da liturgia: está dentro dela, é algo integrante de nosso fazer ritual e nos ajuda a celebrar melhor.

ADALZÁBAL, José. Gestos e Símbolos. Ed Loyola. São Paulo, 2005.