Liturgia e Arte: Beleza a Serviço da Fé

Por Ir. Julia de Almeida, pddm

A liturgia é o coração da vida cristã, onde a comunidade se encontra com Deus por meio da Palavra, dos sacramentos e da oração. Mais do que um conjunto de ritos, a liturgia é uma experiência viva que nos conecta ao mistério divino, proporcionando um encontro profundo com o sagrado. Nesse contexto, a arte ocupa um lugar de destaque, pois traduz a espiritualidade em beleza, comunica o transcendente e cria um ambiente propício para a oração e a contemplação.

A Função da Arte na Liturgia

A arte litúrgica vai além da simples decoração ou estética. Sua essência está na capacidade de servir como mediadora entre o humano e o divino, tornando visível aquilo que as palavras nem sempre conseguem expressar. Através de cores, formas, sons e materiais, a arte transforma espaços e objetos em sinais vivos do mistério de Deus.

Os elementos artísticos presentes na liturgia — como o altar, o ambão, os paramentos, as imagens, os vitrais e outros — desempenham uma função simbólica e catequética. Cada detalhe é pensado para criar um ambiente que favoreça a experiência de fé, levando os fiéis a uma maior compreensão e participação nos mistérios celebrados.

Arte como Expressão da Espiritualidade

A arte sempre esteve intrinsecamente ligada à vida da Igreja. Desde os primeiros séculos do cristianismo, os cristãos buscaram na arte uma forma de expressar sua fé e testemunhar sua experiência com Deus. As pinturas nas catacumbas, os mosaicos bizantinos, as catedrais góticas e as obras renascentistas são exemplos de como a arte refletiu e enriqueceu a espiritualidade ao longo da história.

Na liturgia, a arte deve ser compreendida como um meio de comunicação do sagrado. Não se trata apenas de criar algo belo, mas de produzir algo que inspire e eduque. Por isso, é fundamental que a arte litúrgica esteja em harmonia com o contexto espiritual e teológico da celebração. Cada elemento artístico é uma ponte que conecta os fiéis ao mistério de Deus.

Espaços Litúrgicos e a Beleza que Evangeliza

A organização do espaço litúrgico é um dos aspectos mais visíveis da relação entre liturgia e arte. Igrejas, capelas e outros locais de culto devem ser concebidos para acolher a comunidade e favorecer a celebração do mistério pascal.

A arquitetura, por exemplo, desempenha um papel central. Desde o formato do edifício até a disposição do altar, do ambão e da assembleia, tudo é pensado para facilitar a participação ativa e plena dos fiéis. A iluminação natural que atravessa os vitrais, os afrescos nas paredes e os objetos litúrgicos são elementos que transformam o espaço em um lugar de encontro com o divino.

Música Litúrgica: A Beleza do Som

Entre todas as formas de arte presentes na liturgia, a música ocupa um lugar privilegiado. Como disse Santo Agostinho, “quem canta, reza duas vezes”. A música não apenas acompanha a celebração, mas é parte essencial dela, ajudando os fiéis a elevar o coração a Deus.

Os cantos litúrgicos devem ser escolhidos com cuidado, levando em conta o tempo litúrgico, o tema da celebração e a participação da comunidade. Hinos, salmos e ações de graças são instrumentos que reforçam a mensagem da liturgia, unindo os participantes em uma experiência de oração e louvor.

Formar para Criar: A Importância da Formação em Liturgia e Arte

Para que a arte litúrgica cumpra plenamente sua missão, é necessário que aqueles que trabalham na criação e execução dessas obras recebam uma formação adequada. Artistas, arquitetos, músicos e membros das equipes de liturgia precisam compreender não apenas os aspectos técnicos de sua arte, mas também seu significado espiritual e teológico.

A formação litúrgica deve incluir uma compreensão profunda do simbolismo cristão, do calendário litúrgico e das necessidades da celebração. Isso garante que a arte esteja sempre a serviço da liturgia, contribuindo para que os fiéis vivenciem a celebração de forma mais plena e enriquecedora.

As Irmãs Pias Discípulas do Divino Mestre têm uma longa tradição na integração entre liturgia e arte. Seu trabalho inclui desde a criação de objetos litúrgicos até a formação de equipes, sempre com o objetivo de promover a beleza que evangeliza e inspira.

Quando a arte é inserida na liturgia com significado e profundidade, ela não apenas embeleza, mas também une. A assembleia se sente parte de algo maior, conectada a gerações de cristãos que também encontraram na arte uma expressão de sua fé.

Os elementos artísticos atuam como sinais visíveis que apontam para realidades invisíveis, ajudando a comunidade a celebrar e vivenciar os mistérios da fé com mais intensidade. A harmonia entre espaço, som e gesto cria uma experiência litúrgica que transforma e edifica.

Liturgia e Arte Hoje: Desafios e Oportunidades

No mundo contemporâneo, a relação entre liturgia e arte enfrenta novos desafios. A globalização e as tecnologias trazem novas possibilidades, mas também exigem discernimento para garantir que a arte continue a servir à liturgia e não se torne apenas um elemento decorativo ou comercial.

Por outro lado, a diversidade cultural é uma grande riqueza para a arte litúrgica. Cada cultura tem sua forma de expressar a fé, e integrar essas expressões na liturgia é uma forma de enriquecer a experiência de todos.

A relação entre liturgia e arte é profunda e essencial para a vivência da fé cristã. A arte tem o poder de comunicar o sagrado, inspirar a oração e criar um ambiente propício para o encontro com Deus. Seja através da música, da arquitetura ou dos objetos litúrgicos, a beleza sempre desempenha um papel fundamental na evangelização e na experiência de fé.

As Irmãs Pias Discípulas do Divino Mestre, comprometidas com a integração entre liturgia e arte, oferecem recursos, formação e inspiração para ajudar comunidades a transformar suas celebrações em experiências profundas e significativas. Descubra mais sobre este trabalho e permita que a beleza da arte transforme sua vivência litúrgica.

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A Obra Redentora de Deus: Acolhida, Gratidão e Louvor

Reflexão dos textos bíblicos de hoje, 28/01/2025: Marcos 3,22-30, Hebreus 9,15.24-28 e o Salmo 97(98):


Os três textos nos convidam a meditar sobre a grandiosidade da obra de Deus em Cristo e sobre nossa resposta à sua misericórdia. Eles falam da vitória do Senhor, do sacrifício redentor de Cristo e do perigo de resistir à ação do Espírito Santo.

Marcos 3,22-30: O pecado contra o Espírito Santo

Neste trecho do Evangelho, vemos a grave acusação dos escribas contra Jesus: afirmam que Ele expulsa demônios pelo poder de Belzebu. Jesus refuta essa acusação, mostrando a incoerência dessa lógica, e alerta para o perigo de cometer o pecado contra o Espírito Santo, que é a rejeição definitiva à graça divina. Este pecado é imperdoável, pois implica fechar o coração à ação de Deus, recusando o próprio meio pelo qual o perdão se manifesta.

Esse trecho nos desafia a refletir: estamos abertos à ação do Espírito Santo em nossa vida ou, de alguma forma, resistimos à graça de Deus por meio de nossos preconceitos, endurecimento de coração ou descrença?

Hebreus 9,15.24-28: O sacrifício único e eficaz de Cristo

O texto de Hebreus nos apresenta Cristo como o mediador da nova aliança. Ele se ofereceu uma vez por todas para expiar os pecados da humanidade. Sua obra é perfeita e definitiva, abolindo os sacrifícios repetitivos da antiga aliança. Cristo entrou no “Santuário celeste” para interceder por nós e, assim, nos oferecer a redenção eterna.

Aqui vemos a profundidade do amor de Deus: em Cristo, Ele tomou sobre si o peso de nossos pecados e abriu o caminho para a salvação. Esse sacrifício exige de nós uma resposta de fé e gratidão, reconhecendo que, em Jesus, Deus nos oferece tudo o que precisamos para a vida eterna.

Salmo 97(98): Aclamai o Senhor, pois Ele fez maravilhas

O Salmo é um cântico de louvor pela salvação e justiça de Deus. Ele celebra as “maravilhas” que o Senhor realizou e convida toda a terra a aclamar sua bondade. Esse louvor ressoa com os outros textos, pois reconhece que Deus é o autor da vitória contra o pecado e a morte.

O Salmo nos ensina que, diante da obra redentora de Deus, a única resposta adequada é o louvor e a alegria. Ele nos convida a celebrar, de coração aberto, as maravilhas que Deus opera em nossa história, assim como nos é apresentado em Cristo.


Reflexão Final

Os três textos nos conduzem a uma visão integral da ação de Deus:

  1. Em Marcos, somos alertados contra o perigo de rejeitar a graça de Deus, representada na ação do Espírito Santo.
  2. Em Hebreus, contemplamos a profundidade dessa graça, manifestada no sacrifício único de Cristo.
  3. No Salmo, somos convidados a responder com louvor e gratidão por essa obra grandiosa.

Nossa vida cristã deve ser marcada por essa tríade: abertura ao Espírito Santo, acolhida do sacrifício de Cristo e louvor constante por suas maravilhas. Assim, permanecemos unidos ao plano de Deus, vivendo a redenção que nos foi oferecida com gratidão e confiança.


Essa reflexão nos convida a um exame de consciência: como tenho respondido ao chamado do Espírito Santo? Estou aberto à ação de Deus em minha vida? E, sobretudo, tenho acolhido o sacrifício de Cristo com um coração agradecido e uma vida de louvor?

CATEQUESE LITÚRGICA: 3º DOMINGO DO TEMPO COMUM, ANO C

Catequese Litúrgica: Reflexões para Viver a Liturgia Dominical

Seja bem-vindo(a) ao Catequese Litúrgica, um podcast especial criado para ajudar você a mergulhar nas riquezas da liturgia dominical. Escrito e apresentado pela Ir. Cidinha Batista, pddm, e com edição da Ir. Neideane Monteiro, pddm, o programa oferece meditações que iluminam as leituras do domingo, ajudando a aprofundar sua vivência espiritual e litúrgica.

Para as equipes de liturgia, o Catequese Litúrgica é um recurso indispensável. Aqui, você encontrará reflexões sobre o Evangelho que servirão como base para planejar músicas e outras ações litúrgicas que tornem a celebração mais significativa e transformadora.

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A Conversão de São Paulo: Da Perseguição à Missão Universal – Textos Bíblicos da Liturgia da Festa da Conversão de São Paulo

Por Ir. Julia de Almeida, pddm

Comentário dos textos bíblicos da liturgia de hoje, 25/01/2025

Liturgia de hoje: https://espacoorante.piasdiscipulas.org.br/litugia-do-dia/

A história de São Paulo e sua conversão no caminho para Damasco é um dos momentos mais transformadores do Novo Testamento. Os textos de Marcos 16,15-18, Atos dos Apóstolos 22,3-16 e Salmo 116(117),1.2 nos convidam a refletir sobre o poder do chamado de Deus, a missão universal da evangelização e a salvação para todos os povos, temas que são centrais na vida de São Paulo.

A Missão Universal: Marcos 16,15-18

Em Marcos 16,15-18, Jesus envia Seus discípulos para pregar o evangelho a toda criatura. Ele lhes confia uma missão de alcance global, sem limitações de etnia, cultura ou nacionalidade. Esta ordem, dada por Cristo após Sua ressurreição, é a base da missão cristã e também a missão que São Paulo abraçou com fervor após sua conversão. Paulo se tornou o maior defensor da evangelização entre os gentios, levando a palavra de Deus para além das fronteiras de Israel.

A Conversão de São Paulo: Atos 22,3-16

O relato de Atos dos Apóstolos 22,3-16 é um testemunho poderoso da conversão de São Paulo, que passa de perseguidor a pregador. Durante sua jornada para Damasco, ele teve um encontro transformador com Jesus Cristo, que o chamou à missão. Essa experiência o fez abandonar sua vida de perseguidor dos cristãos para tornar-se um dos maiores apóstolos da fé. No contexto de Marcos 16, a conversão de Paulo é um exemplo claro de como o chamado de Deus pode transformar vidas, movendo alguém de um caminho de oposição para uma jornada de fé e missão.

A Universalidade da Salvação: Salmo 116(117),1.2

O Salmo 116(117), com sua exortação para que todos os povos louvem ao Senhor, reflete o caráter universal da mensagem de salvação. “Cantai louvores ao Senhor, todas as gentes, povos todos, festejai-o!” (Salmo 116,1). Este convite à adoração de Deus por todas as nações e povos está perfeitamente alinhado com o mandato missionário de Marcos 16 e com a missão de São Paulo de levar o evangelho aos gentios. O salmo nos lembra que a salvação de Deus é para todos, e que, independentemente de nossa origem ou cultura, somos chamados a experimentar o amor e a graça de Cristo.

A Relação entre os Textos e a Conversão de São Paulo

A interconexão entre os textos de Marcos 16,15-18, Atos 22,3-16 e Salmo 116(117) revela a missão universal da salvação e como a conversão de São Paulo exemplifica essa missão. São Paulo, um homem de origem judaica e fervoroso perseguidor da Igreja, foi chamado por Cristo para pregar o evangelho, transformando-se no apóstolo dos gentios, conforme o pedido de Jesus. Ele não apenas respondeu ao chamado de Deus, mas tornou-se um exemplo vivo de como a graça divina pode operar nas vidas mais improváveis, levando a boa nova para todas as nações.

Conclusão: O Chamado de Deus para Todos

Esses textos nos ensinam que o chamado de Deus é universal e não conhece barreiras. São Paulo, ao ser transformado de perseguidor a apóstolo, se tornou um exemplo concreto de como a salvação é para todos os povos. O evangelho não é um privilégio exclusivo, mas uma mensagem que deve ser compartilhada com todas as nações. Este é um convite a todos nós: seguir o exemplo de São Paulo, responder ao chamado de Deus e levar a mensagem de Cristo a todos os cantos do mundo, para que, juntos, possamos louvar a Deus.

CURIOSIDADE

A Festa da Conversão de São Paulo no dia 25 de janeiro foi instituída no século XII, pelo Papa Honório III, em 1225. Inicialmente, era celebrada como uma festa litúrgica em Roma, em memória da conversão de São Paulo, que teve uma experiência transformadora na estrada para Damasco.

Esta data foi escolhida por representar o momento significativo da conversão de Paulo, que passou de perseguidor dos cristãos para um dos maiores apóstolos do cristianismo. A festa foi posteriormente adotada por outras dioceses e tornou-se uma celebração importante para a Igreja Católica em todo o mundo.

A data de 25 de janeiro também é significativa, pois marca o fim da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, no hemisfério Norte, uma ocasião em que as igrejas cristãs se unem para rezar pela unidade, refletindo o testemunho de São Paulo em sua missão de levar o evangelho ao mundo.

São Paulo foi martirizado em Roma, por volta do ano 67 d.C.. De acordo com a tradição cristã, ele foi decapitado durante o império do imperador Nero.

Embora tenha sido preso várias vezes, Paulo continuou sua missão de evangelizar e fundar comunidades cristãs, até ser finalmente condenado à morte. Sua execução ocorreu fora das muralhas de Roma, em um local tradicionalmente associado à Via Ostiense. Esse local é hoje marcado pela Basílica de São Paulo Extramuros, uma das quatro basílicas papais em Roma, onde se acredita que seus restos mortais foram enterrados.

PAULO APÓSTOLO: FUNDADOR DA FAMÍLIA PAULINA

O Padre Tiago Alberione, fundador da Família Paulina, via em São Paulo o modelo perfeito de apóstolo e comunicador. Sua missão evangelizadora, sua adaptação ao contexto cultural de cada povo e sua habilidade em usar os meios disponíveis para espalhar o evangelho fizeram de São Paulo uma figura central na missão da Família Paulina, que, desde sua fundação em 1914, tem como objetivo evangelizar através dos meios de comunicação.

A Inspiração em São Paulo

Quando o Pe. Alberione fundou a Família Paulina, ele sabia que o mundo estava mudando rapidamente, e os métodos tradicionais de evangelização precisavam se adaptar a uma nova realidade. A Família Paulina foi criada com a missão de levar a mensagem de Cristo ao mundo contemporâneo, utilizando as ferramentas de comunicação disponíveis. Para Alberione, São Paulo era o modelo perfeito de missionário, capaz de se adaptar e usar todos os recursos ao seu alcance para cumprir sua missão evangelizadora.

São Paulo, conhecido por sua incansável dedicação em espalhar o cristianismo, é também um exemplo de versatilidade e criatividade na comunicação do evangelho. Ele usou de todas as formas possíveis para alcançar diferentes públicos em diversos contextos culturais, desde viagens e cartas até a fundação de igrejas e a pregação pública. São Paulo não se limitava a um único meio, mas procurava utilizar todos os recursos disponíveis para cumprir a missão confiada a ele por Cristo. Esse espírito missionário, com foco na adaptação e na comunicação eficaz, foi a grande inspiração para a criação da Família Paulina.

São Paulo: O “Primeiro Apóstolo dos Meios de Comunicação”

Pe. Alberione, em suas reflexões, dizia que São Paulo foi o “primeiro apóstolo dos meios de comunicação”. Embora na época de São Paulo os meios de comunicação fossem limitados, ele soube utilizá-los de forma eficaz. Ele escreveu cartas, realizou viagens missionárias e usou os espaços públicos de sua época para pregar o evangelho. Assim, São Paulo não apenas propagou a fé por meio de pregações e ensinamentos, mas também fez uso das ferramentas de comunicação de sua época para alcançar o maior número de pessoas possível.

Para Pe. Alberione, a mensagem cristã deveria ser levada ao maior número possível de pessoas. Ele também enxergava o potencial das novas tecnologias como uma maneira de alcançar os corações das novas gerações com a palavra de Deus.

A Missão da Família Paulina

A Família Paulina, composta por diferentes ramos, tem como missão continuar a obra de São Paulo. São Paulo, com sua experiência de vida missionária e sua habilidade em usar todos os meios ao seu alcance, serve como um modelo para a Família Paulina, que agora deve usar os recursos de comunicação para espalhar a boa nova de Cristo ao mundo contemporâneo. O trabalho da Família Paulina se reflete na dedicação ao uso responsável e criativo dos meios de comunicação para transmitir a mensagem de amor e salvação de Jesus Cristo.

Conclusão: A Atualidade de São Paulo para a Igreja de Hoje

São Paulo não apenas fundou igrejas e escreveu cartas, mas também iniciou um movimento de comunicação cristã que segue vivo na missão da Família Paulina. Seu exemplo nos ensina que a comunicação é um meio essencial para evangelizar, e que a palavra de Deus deve ser compartilhada de forma criativa e eficaz, utilizando os recursos de cada época.

Hoje, com a Família Paulina, a missão de São Paulo continua a ser realizada. São Paulo, o grande apóstolo dos gentios, continua a ser o fundador espiritual da Família Paulina, sendo para ela o exemplo perfeito de como usar a comunicação para difundir o evangelho e levar a mensagem de Cristo a todos os povos.

As Irmãs Pias Discípulas, como membros desta admirável Família Paulina, também anunciam usando a arte para a comunicação do Evangelho. Através da arte litúrgica e sacra, criam e promovem obras que ajudam os fiéis a se conectarem com a espiritualidade e com a experiência litúrgica. Elas produzem imagens religiosas, vestes e diversos objetos litúrgicos, verdadeiras obras de arte, que ajudam a criar uma atmosfera de oração e meditação, proporcionando aos cristãos uma vivência mais profunda de sua fé.

O Chamado de Deus, a Nova Aliança e a Paz: Transformando Vidas Através da Fé

Por Júlia de Almeida, pddm

Comentários dos textos bíblicos da liturgia de hoje, 24/01/2025

Liturgia Diária: https://espacoorante.piasdiscipulas.org.br/litugia-do-dia/

Os textos bíblicos, da liturgia de hoje, de Marcos 3,13-19, Hebreus 8,6-13 e Salmo 84(85) abordam temas profundos e transformadores: o chamado de Deus, a nova aliança em Cristo e a paz de Deus. Cada um desses textos nos convida a refletir sobre o papel fundamental da obediência a Deus, o relacionamento renovado com Ele através de Cristo e a busca pela verdadeira paz, que vai além das circunstâncias temporais.

Marcos 3,13-19: O Chamado de Deus para a Missão

No evangelho de Marcos 3,13-19, vemos Jesus escolhendo Seus apóstolos. Ele os chama para estarem com Ele e, ao mesmo tempo, para serem enviados em missão. Este momento marca o chamado de Deus que é respondido com uma missão clara: pregar, curar e anunciar a chegada do Reino de Deus. Jesus escolhe doze apóstolos, não por sua perfeição, mas pela vontade divina de utilizar aqueles homens para uma obra grandiosa.

Esta passagem lembra-nos que cada um de nós também é chamado para uma missão, independentemente das nossas fragilidades. O chamado de Deus é uma resposta a uma necessidade de transformar o mundo, através da proclamação da palavra, da cura das feridas espirituais e da busca por uma vida de santidade. A missão dos apóstolos é a missão de todos os cristãos: viver em união com Cristo e levar essa mensagem de reconciliação aos outros.

Hebreus 8,6-13: A Nova Aliança em Cristo

Em Hebreus 8,6-13, é apresentada a nova aliança estabelecida por Cristo. A antiga aliança foi renovada pela vinda de Jesus, que se tornou o mediador de uma nova aliança. Essa nova aliança, operando no coração dos fiéis, transforma o ser humano por meio do Espírito Santo.

Esta passagem revela que, em Cristo, estamos a Ele, perfeito e eterno, que traz perdão e reconciliação. Deus coloca Sua lei em nossos corações e em nossas mentes, e, assim, somos chamados a viver em um relacionamento mais profundo com Ele. A nova aliança é uma aliança de graça que nos permite seguir em frente e crescer na santidade.

Salmo 84(85): A Paz e a Justiça de Deus

O Salmo 84(85) traz um belo retrato da paz e justiça que vêm de Deus. O salmista expressa o desejo de que a graça divina e a verdade se encontrem, e que a paz seja estabelecida entre os seres humanos. Ele deseja que Deus se lembre da Sua misericórdia e nos conceda a verdadeira paz, uma paz que vai além das circunstâncias externas e que se fundamenta no relacionamento sincero com Deus.

Este salmo reflete o desejo profundo de muitos corações: a esperança de que, por meio da ação de Deus, a paz prevaleça. A paz mencionada aqui não é a ausência de conflitos, mas a presença de Deus em nossas vidas, que traz a serenidade interior e a capacidade de viver com justiça, amor e misericórdia. Deus, em Sua bondade, deseja que todos experimentem essa paz, que resulta da harmonia entre Suas promessas e as ações humanas, quando estas estão alinhadas com Sua vontade.

CONCLUSÃO

Esses três textos nos mostram a jornada do cristão, começando com o chamado de Deus para a missão, a compreensão de que essa missão é vivida na nova aliança com Cristo e, finalmente, o fruto dessa aliança, que é a paz. Cada um de nós, como os apóstolos escolhidos por Jesus em Marcos 3, é chamado para viver de acordo com os ensinamentos de Cristo, levando Sua mensagem de esperança, cura e perdão ao mundo. Como em Hebreus 8, a nova aliança com Cristo implica uma transformação profunda no coração humano, um relacionamento mais íntimo e pessoal com Deus, onde a Sua lei é gravada em nossa alma.

E, ao viver conforme essa nova aliança, como é proclamado no Salmo 84(85), a verdadeira paz se estabelece em nossos corações e, por meio de nós, pode também se espalhar ao nosso redor. A paz que vem de Deus é o resultado de uma vida em harmonia com Sua vontade, uma vida de obediência, amor e justiça. A paz verdadeira é duradoura e baseada no relacionamento profundo com Deus.

O chamado de Deus, a nova aliança e a paz de Deus são temas que nos convidam a refletir sobre nossa própria caminhada de fé. Como os apóstolos, somos chamados para a missão de proclamar a Boa Nova, não só com palavras, mas com nossas ações diárias. A nova aliança em Cristo nos transforma, tornando-nos participantes da Sua graça, e a paz que experimentamos ao vivermos essa aliança é a verdadeira paz que Cristo nos oferece.

Esses textos nos lembram de que, como cristãos, não fomos chamados apenas para crer, mas para viver de maneira ativa, trazendo ao mundo a cura, a reconciliação e a paz que encontramos em Cristo. Ao respondermos ao chamado de Deus, vivermos a nova aliança e procurarmos a verdadeira paz de Deus, estamos cumprindo o propósito que Deus tem para cada um de nós.

São Francisco de Sales como Exemplo Vivo da Missão Cristã

A vida de São Francisco de Sales foi uma verdadeira resposta à chamada divina, refletindo de forma única os ensinamentos encontrados em Marcos 3,13-19, Hebreus 8,6-13 e Salmo 84(85). Ele viveu sua missão com um coração dedicado ao serviço da caridade, pregando a paz e vivendo a nova aliança de Cristo de maneira profunda e concreta. Seu legado nos ensina que, como discípulos de Cristo, somos chamados a viver a caridade cristã em nossas ações diárias, buscando sempre a reconciliação, a paz e a transformação interior que a nova aliança em Cristo nos oferece. São Francisco de Sales, com sua vida de fé e serviço, continua a ser um farol de inspiração para todos aqueles que buscam viver de acordo com a vontade de Deus, em plena harmonia com o próximo.

Cristo: O Sumo Sacerdote Eterno e Mediador da Nova Aliança

Por Julia de Almeida, pddm

Comentário dos textos bíblicos da liturgia de 23/01/2025.

Textos da liturgia de hoje: https://espacoorante.piasdiscipulas.org.br/litugia-do-dia/

Os textos de Marcos 3,7-12, Hebreus 7,25-8,6 e Salmo 39(40),7-8a.8b-9.10.17 se entrelaçam de forma profunda ao apresentarem a missão redentora de Cristo e o Seu sacerdócio eterno. A partir desses textos, podemos refletir sobre o papel único de Jesus como aquele que atrai as multidões, mas também como sumo sacerdote perfeito, intercedendo por nós junto ao Pai. Além disso, esses textos revelam a nova aliança que Ele institui, uma aliança que se fundamenta não em sacrifícios repetidos, mas em Seu sacrifício único e eterno. Vamos analisar como essas passagens bíblicas nos ajudam a entender a profundidade do amor e da salvação de Cristo.

1. Marcos 3,7-12: A Atração das Multidões e a Autoridade de Jesus

No trecho de Marcos 3,7-12, vemos que Jesus está em plena atividade de cura, atraindo uma multidão imensa de pessoas de diversas regiões. Elas vêm em busca de cura, libertação e esperança. Esse episódio é significativo, pois demonstra que Jesus, pela Sua autoridade divina, não apenas cura fisicamente, mas também restaura espiritualmente aqueles que se aproximam d’Ele. A multidão sente uma urgência em tocar Jesus, pois sabem que Ele tem poder para curar e expulsar os demônios.

Jesus, apesar de ser seguido por uma grande multidão, demonstra Sua autoridade ao ordenar que os demônios não O revelassem, pois ainda não era o momento para que a Sua identidade plena fosse divulgada. Nesse momento, Cristo revela Seu poder e autoridade, mas também mostra Sua sabedoria em não querer ser mal interpretado ou pressionado a revelar Seu verdadeiro papel antes da hora certa. Ele sabia que Sua missão transcende a simples ação de curar fisicamente, sendo, na verdade, uma missão de salvação integral para a humanidade.

Este episódio em Marcos nos faz refletir sobre como Jesus atrai as pessoas pelo Seu poder de cura, mas também revela que Sua missão é de restaurar o ser humano de forma completa. A multidão busca milagres, mas o verdadeiro milagre que Cristo oferece é a salvação eterna, que vai além da cura temporal.

2. Hebreus 7,25-8,6: O Sacerdócio Eterno de Cristo

O livro de Hebreus nos apresenta Cristo como o sumo-sacerdote eterno, um papel que Ele assume não apenas para interceder pelo povo, mas para garantir a salvação eterna de todos os que Nele creem. O trecho de Hebreus 7,25-8,6 explica que, ao contrário dos sacerdotes do Antigo Testamento, que ofereciam sacrifícios para a remissão dos pecados, Cristo oferece um sacrifício perfeito e definitivo, uma vez por todas. Ele é o intercessor perfeito, mediando a reconciliação entre Deus e os homens de maneira única e eterna.

O autor de Hebreus destaca que Cristo vive para sempre e, por isso, é capaz de interceder continuamente pelos fiéis. Ele não apenas morre por nós, mas também ressuscita e vive eternamente, tornando-se o único mediador entre Deus e a humanidade. Sua missão é eterna, e Ele assegura que a salvação dada por Deus seja para sempre. Essa intercessão permanente de Cristo é um aspecto central da nova aliança que Ele estabeleceu, onde a graça de Deus é dada de maneira definitiva e irrevogável.

A carta aos Hebreus também nos fala de um novo sacerdócio, o sacerdócio segundo a ordem de Melquisedec, que é eterno e sem fim. Melquisedec, figura enigmática do Antigo Testamento, é o precursor de Cristo, que, ao ser o sumo-sacerdote eterno, não tem fim. Cristo realiza o sacrifício único, mas também intercede perpetuamente em nosso favor, garantindo nossa reconciliação com Deus e nossa salvação. Ao fazer isso, Ele inaugura uma nova aliança, não baseada em sacrifícios de animais, mas na Sua própria entrega por todos nós.

3. Salmo 39(40),7-8a.8b-9.10.17: A Obediência de Cristo à Vontade de Deus

O Salmo 39(40) é uma oração de confiança e entrega a Deus, onde o salmista se coloca em disposição para cumprir a vontade de Deus. Esta oração tem uma forte relevância messiânica, pois ela profetiza a obediência de Cristo, que vem para cumprir a vontade do Pai. No versículo 8, o salmista declara: “Sobre mim está escrito no livro: “Com prazer faço a vossa vontade, guardo em meu coração vossa lei!””. Esse versículo se cumpre plenamente em Cristo, que, ao assumir a natureza humana, vem para obedecer totalmente ao Pai, oferecendo-Se como o sacrifício perfeito.

Jesus é o sacerdote que Se entrega de forma plena, obedecendo à vontade do Pai, até o fim. Ao fazer isso, Ele realiza a salvação de todos os homens. Ele não apenas é o sacerdote que intercede, mas o sacrifício que oferece, cumprindo o propósito de Deus para a redenção da humanidade.

Este salmo também nos ensina sobre a importância da obediência a Deus. A salvação não vem da total entrega à vontade do Pai, como demonstrado por Cristo. Ele é o cumprimento perfeito de toda a Escritura e o único capaz de realizar a vontade de Deus de maneira plena, trazendo a verdadeira libertação e salvação para o mundo.

4. A Nova Aliança: Cristo como Mediador Perfeito

Em Hebreus 8,6, vemos que Cristo é o mediador de uma nova aliança, uma aliança que é perfeita e eterna. Ao contrário da antiga aliança, baseada na Lei e nos sacrifícios repetidos, a nova aliança é fundamentada no sacrifício definitivo de Cristo. Ele não apenas oferece o sacrifício, mas garante a salvação para todos aqueles que Nele creem. A nova aliança é a promessa de que Deus estará conosco de maneira definitiva, sem mais necessidade de intermediários humanos, pois Cristo, como sumo-sacerdote eterno, nos reconciliou com Deus de forma total e definitiva.

5. A Missão Redentora de Cristo: Cura, Libertação e Salvação

Os três textos juntos nos revelam a profundidade da missão redentora de Cristo. Marcos 3,7-12 nos mostra Jesus como aquele que atrai as multidões, revelando Seu poder de cura, mas também a autoridade divina que tem sobre todas as coisas. Em Hebreus 7,25-8,6, entendemos que Sua missão vai além da cura física: Ele é o sumo-sacerdote eterno que garante nossa salvação de forma definitiva e eterna. Por fim, o Salmo 39(40) profetiza Sua obediência total ao Pai, o que culmina no sacrifício perfeito que Ele oferece por nós.

Cristo, como sumo-sacerdote, intercede constantemente por nós e estabelece a nova aliança. Sua obra de cura, libertação e salvação é definitiva e eterna, oferecendo a todos que creem uma vida plena em Deus.

Conclusão

Esses três textos nos ajudam a compreender de forma mais profunda o papel de Cristo como o Mediador perfeito, o Sumo Sacerdote eterno e o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. A Sua missão não se limita à cura física, mas se estende à salvação eterna, que Ele oferece a todos que O buscam. Cristo é o cumprimento de todas as promessas de Deus, sendo o sacrifício perfeito que nos reconcilia com o Pai e nos dá acesso à vida eterna.

Jesus como Cumprimento da Aliança: Esperança, Autoridade e Libertação

Comentário sobre os textos bíblicos de 21 de janeiro de 2025

Por Ir. Julia de Almeida, pddm

Textos de hoje na íntegra, veja no link: https://espacoorante.piasdiscipulas.org.br/litugia-do-dia/

Os três textos apresentados para a liturgia de hoje (20/01/2025) — o Evangelho segundo Marcos 2,23-28, a Leitura da Carta aos Hebreus 6,10-20 e o Salmo 110(111),1-2.4-5.9 e 10c — estão interligados principalmente pelos temas da aliança de Deus, fidelidade, salvação e a reinterpretação das leis em Cristo. Vejamos as relações entre eles:

1. A Aliança de Deus e a Fidelidade

  • O Salmo 110(111) celebra a fidelidade de Deus à Sua aliança com o povo. Ele lembra que Deus é bom, clemente e nunca se esquece de Sua aliança. Essa fidelidade divina é um tema central em todos os textos, pois Deus se compromete com Seu povo e garante Suas promessas.
  • Em Hebreus 6,10-20, a carta fala do juramento de Deus a Abraão e como, por meio de dois atos irrevogáveis (a promessa e o juramento), Ele reafirma a esperança de salvação. Essa esperança é descrita como uma âncora segura e firme para os cristãos, que têm Cristo como mediador dessa promessa. Jesus, como sumo-sacerdote eterno na ordem de Melquisedec, é a garantia da aliança e da salvação.
  • No Evangelho de Marcos, Jesus se posiciona como Senhor do sábado, redefinindo a interpretação das leis antigas. Ele afirma que o sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado, implicando que a verdadeira aliança com Deus não se resume à observância legalista de rituais, mas deve ser vivida de forma que atenda às necessidades humanas, como exemplificado pela história de Davi.

2. A Autoridade de Cristo

  • Em Marcos 2,23-28, Jesus declara que Ele é o Senhor do sábado, posicionando-se como autoridade superior à interpretação legalista dos fariseus. O sábado, enquanto parte da Lei de Moisés, é reinterpretado por Jesus, que destaca a necessidade de atender às necessidades humanas e não sobrecarregar as pessoas com regras que não são conforme o espírito da aliança de Deus. Ele, portanto, afirma sua autoridade como Filho do Homem, que é superior à Lei.
  • A autoridade de Cristo também é mencionada em Hebreus 6,20, onde Ele é descrito como o precursor e sumo-sacerdote eterno. Ele entra no santuário celestial, abrindo caminho para que os fiéis possam ter acesso direto a Deus. Assim, em ambos os textos, Jesus é apresentado como aquele que cumpre e reinterpreta a antiga aliança para trazer um novo caminho de salvação.

3. A Esperança e a Salvação

  • Hebreus 6,10-20 fala de esperança como uma âncora firme e segura para a vida dos cristãos, apontando para a confiança nas promessas de Deus, cumpridas em Cristo. A esperança é encontrada em Cristo, o sumo-sacerdote que garante a salvação eterna.
  • No Salmo 110(111), Deus envia libertação ao Seu povo e confirma Sua aliança. Isso é uma preparação para a promessa de salvação que se cumpre em Cristo, que, como Sumo-Sacerdote, oferece a verdadeira libertação.
  • Marcos 2,23-28, embora focado na interpretação do sábado, também indica que a salvação e a misericórdia de Deus estão acima das regras e rituais externos. Jesus vem para dar ao povo um descanso verdadeiro, que vai além da simples observância de normas, apontando para a verdadeira libertação em Deus.

4. A Reinterpretação das Leis

  • No Evangelho de Marcos, Jesus reformula a observância do sábado, ensinando que a Lei não deve ser um peso, mas um meio de promover o bem-estar do ser humano. Isso também se relaciona com a Carta aos Hebreus, onde a fidelidade à promessa de Deus não está nas observâncias externas, mas em Cristo, o sumo-sacerdote eterno.
  • Em Hebreus 6, a confiança nas promessas e a perseverança são enfatizadas como respostas mais profundas à aliança de Deus, que se cumpriu em Cristo. Isso implica que a verdadeira observância da aliança de Deus é vivida pela fé em Jesus, não por rituais externos.

Conclusão

Esses textos, embora abordem temas distintos, estão unidos pela fidelidade de Deus à Sua aliança, a autoridade de Cristo como mediador da nova aliança, a reinterpretação das leis e a esperança de salvação que é garantida em Cristo. O Evangelho de Marcos redefine a prática religiosa à luz de Cristo, enquanto a Carta aos Hebreus reafirma a base da nossa esperança na fidelidade de Deus, consumada na obra de Cristo como sumo-sacerdote eterno. O Salmo 110 complementa, exaltando a justiça e a salvação de Deus, e lembrando que Ele se lembra sempre de Sua aliança com o Seu povo.

TEMPO DO NATAL

“Hoje, na cidade de Davi, nasceu para vós um Salvador, que é Cristo Senhor” (Lc 2,11).

O Senhor fez resplandece esta noite santa com o esplendor da verdadeira luz! (liturgia).

Nesta noite, Papa Francisco abre de novo a Porta Santa da Basílica de São Pedro no Vaticano, dando início ao Jubileu Ordinário, o jubileu da Encarnação. Somos convidados a contemplar os “sinais de luz no nosso mundo” e invocar o Espírito Santo de Deus sobre cada uma destas boas obras e luz de Deus na humanidade. A liturgia do Natal leva-nos a uma experiência de luz, de exultação, de alegria, porque a verdadeira “Luz” que veio ao mundo ilumina cada ser humano.

O SIGNIFICADO DO NATAL

“Uma das maiores obras de Deus em favor de todos nós, uma das maiores ‘liturgias’ de Deus, portanto, foi quando ele nos ‘presenteou’ seu próprio Filho para ser o nosso Salvador. Desde muito tempo, Deus vinha se mostrando um ‘tremendo apaixonado’ pela nossa humanidade. E, enfim, depois de um longo período de ‘noivado’, em todo o Antigo Testamento, Deus acabou se ‘casando’ com a humanidade, na pessoa de Maria. Realizou-se a promessa, realizou-se a profecia (cf. Is 62,1-5). E deste ‘casamento’ resultou – por obra do Espírito Santo! – uma ‘gravidez’ e, por esta ‘gravidez’, foi-nos dado Jesus, Filho de Deus, Emanuel (Deus-conosco!) (cf. Mt 1,18-25): ‘O Verbo eterno de Deus se fez carne e habitou entre nós’ (Jo 1,14). Que maravilhosa obra de Deus em favor da humanidade!… […] um enorme bem que Deus fez para nós, através do ‘sim’ de Maria: O Verbo eterno de Deus ‘mergulhou’, de cabeça, para dentro do imenso e abissal mistério da nossa existência humana. É muito amor por nós! […] no Natal, podemos ouvir a auspiciosa notícia do anjo: ‘Não tenham medo! Eu lhes anuncio uma grande alegria, que deve ser espalhada para todo o povo. Hoje… nasceu para vocês um Salvador, que é o Cristo Senhor’. E um coral imenso de anjos irrompe num alegre hino de louvor: ‘Glória a Deus no mais alto dos céus, e paz na terra aos homens por ele amados’ (cf. Lc 1,10-14). Paz na terra aos homens (e mulheres) amados por ele!… Deus nos amou e, deste amor resultou para nós a paz, que no fundo é sinônimo de vida. E nisto está precisamente a sua admirável grandeza: ‘A glória de Deus é a vida do ser humano’ (Santo Irineu)”.[1]


[1] ARIOVALDO DA SILVA, José. A liturgia do natal, apostila.

[2] https://www.youtube.com/watch?v=AX5vsjRJb10

26º Semana de Formação Intensiva PDDM 2024

A voz das Mulheres nos Ministérios da Igreja-Diálogo Sinodal

Nestes dias, de 23 a 28 de junho, nós, Irmãs Pias Discípulas do Divino Mestre estamos vivendo a 26º Semana de Formação Intensiva no Jardim Divino Mestre, Cabreúva-SP.

Somos 26 irmãs, vindas de todas as comunidades do Brasil, acolhidas com a sororidade e o carinho da Comunidade do Jardim DM.

Iniciamos com a Celebração Eucarística na tarde deste domingo, presidida pelo Pe. Alberto Simionato que nos incentivou a aprender do Divino Mestre que nos forma com sua Palavra e sua vida. Após o jantar, Ir. Aparecida Batista, provincial, com as boas-vindas nos introduziu no tema da semana que viveremos em clima sinodal.

Com uma dinâmica interativa ao som de música e concentração, Ir. Juceli Aparecida Mesquita nos orientou e cada uma das irmãs teceu sua própria mandala e o conjunto delas enfeitou nossa sala de encontro.

Nosso primeiro dia foi orientado por Ir. Penha Carpanedo e Ir. Veronice Fernandes, com a participação remota de Ir. Regina Cesarato, de Roma, Itália. Nos adentramos no fundamento bíblico com o método da conversação espiritual.

Foi uma riqueza de conteúdos e de participação. Amanhã continuaremos nosso estudo e aprofundamento.

26ª Semana de Formação Intensiva

Além desta semana que acontece de 23 a 28 de junho, as Irmãs Pias Discípulas do Divino Mestre terão mais dois outros grupos: 07 a 12 de julho; e 04 a 09 de agosto de 2024.

A temática é a mesma para os três grupos formativos: A voz da mulher nos ministérios da Igreja – um diálogo sinodal. Este foi o tema do Congresso que aconteceu em Ariccia, Itália, na comemoração do Centenário da Congregação, de 28 de janeiro a 03 de fevereiro de 2024. Ir. Penha, Ir. Veronice e Ir. Laíde participaram deste importante evento e agora fazem o repasse para todas as irmãs da província.

O Congresso tinha como objetivo celebrar o Centenário da Fundação das Pias Discípulas do Divino Mestre, o aniversário de 60 anos da Sacrosanctum Concilium, a partir das Escrituras, do Concílio Vaticano II e do legado carismático do Bem-aventurado Tiago Alberione. Assim, foi proposto neste Congresso:

  • Ouvir, com atenção e respeito, a voz das mulheres em uma Igreja ministerial e missionária, em estilo sinodal e em diálogo com outras denominações cristãs;
  • Aprofundar o tema e a prática dos ministérios eclesiais, particularmente aqueles exercidos pelas mulheres na Igreja de ontem e de hoje, de acordo com contextos culturais específicos;
  • Iniciar processos transformadores e geradores que favoreçam escolhas corajosas para a missão dos Discípulos do Divino Mestre na vida da Igreja, na Família Paulina, em uma forma mais participativa e samaritana.

Na 26ª Semana de Formação Intensiva, as Irmãs Penha, Veronice e Laíde propuseram de usar o método da conversação espiritual, integrado com o método da Leitura Orante da Bíblia.

O MÉTODO DA CONVERSAÇÃO ESPIRITUAL

O método do diálogo sinodal é uma modalidade de diálogo. Mais que método é uma “Regra de conversação espiritual” [Regra de vida] que busca purificar o olhar e o coração com o máximo de participação para chegar ao discernimento espiritual.  Esta regra foi usada no sínodo. Aliás o sínodo não é um método. É da natureza da Igreja ser sinodal. Na Igreja não há nada mais sinodal do que a liturgia [fazer coletivo].

Esta Regra de vida não é o jeito de fazer funcionar melhor um processo mas despertar em nós a natureza do ser Igreja. A Regra da conversação espiritual, é uma espécie de “ginástica” que nos coloca no eixo. É exigente, é a passagem caminho estreito como no parto, para nascer em um lugar amplo.

Os participantes formam pequenos círculos de 5 a 8pessoas. Cada círculo será acompanhado por uma facilitadora que tem a função de vigilância sobre o andamento dos trabalhos com a participação de todas as pessoas do círculo.

Invocação do Espírito. Ele age quando o invocamos. Seguido de um tempo pessoal para organizar-nos interiormente.

Primeiro passo: faz-se um primeiro giro, na sequencia do circulo. Cada pessoa partilha um aspecto que seja importante, bonito, útil e necessário, a partir da minha condição batismal de discipula, mulher, não a partir da função que exerço. Os demais membros do círculo estão à escuta.

Silencio: Terminado o 1º giro seguem um ou dois minutos de silêncio, que faz parte do diálogo. Neste silêncio deixar ressoar o que tocou nas falas do primeiro giro. Não podemos falar nada da própria fala no  primeiro giro.

Segundo passo: Faz-se um segundo giro, ressoando o que ouviu nas outras falas. Não só repetir, mas ampliar: que imagem esta palavra despertou em mim, que movimento?  Se no grupo não ressoar a minha fala não é porque foi esquecida, mas porque não foi considerada importante neste momento.

Silêncio, dois minutos para iniciarmosa síntese, dentro de nós. Não é um resumo, onde nos preocupamos em juntar todas as falas. Dois critérios para saber se é uma passagem do Espírito. Primeiro: a insistência de um argumento em diferentes falas é um indicador da passagem do Espírito, Não vem só de uma pessoa. Segundo: a originalidade, no sentido de originário, do nosso ser como Igreja, do nosso carisma, do nosso ministério também é um indicador da passagem. Cada pessoa busca esta síntese e depois partilha.

O terceiro passo; não propriamente um giro. As pessoas partilham o que emergiu na sua síntese pessoal, e no círculo se discute à luz destes dois critérios para chegar a dois ou três núcleos. Discussão é energia, que reconhecendo a pessoa, pode discordar do seu argumento, até chegar ao consenso que o discernimento espiritual requer.  No círculo pode ter uma secretária que toma nota de tudo. A síntese se configura em dois ou três núcleos de significância espiritual,  que vem ao nosso encontro,  que não decidimos por nossa vontade e que acolhemos como dom do Espírito. A elaboração do texto final pode ser depois, mas é preciso que o círculo saia com o consenso sobre os núcleos que emergiram. [Se há uma posição A diferente da B ou se deixa perder ou devemos buscar uma posição C].

MÉTODO SINODAL E LEITURA ORANTE

Considerando que boa parte do nosso trabalho tem como ponto de partida leitura de textos biblicos, procuramos fazer uma articulação entre conversaão espiritual e os dois primeiros passos da leitua orante: leitura e meditação. Em certa medida, quando o ponto de partida é um texto biblico, a prmeira rodada no métoda conversação coincide com leitura, ao passo que a segunda coincide com a meditação. Nunca é demais lembrar em que consiste a leitura e meditação, no método da lectio divina.

Como já conhecemos e praticamos, a leitura é atenção às palavras, às imagens, às personagens, ações, sentimentos, atitudes. Importante: despojar-nos de todo saber sobre o texto.

Enquanto se lê, pode ser que um versículo ou uma palavra, chame a nossa atenção. Alessandro Borban[1] faz uma distinção entre “versículo de cabeça” e o “versículo de coração”. O “versículo de cabeça” é aquele filtrado pela nossa compreensão imediata, nossas memórias. Hoje em dia temos opinião sobre tudo. O versículo de “cabeça” coincide com o já dito, o já explicado, escutado, digamos, o lugar comum. O “versículo de coração”, é algo inédito, surpreendente, que não tínhamos percebido antes, ou não tínhamos percebido ainda desta maneira. O versículo do coração é um dom que requer uma qualidade na escuta: “atenção como escutais” [LC 8,18].

A meditação, segundo Alessandro, não é tempo de silêncio, nem exercício de ioga. Isso pode ser bom antes, para favorecer uma postura física correta e um acordo de paz no corpo.[2] Na meditação a escuta transforma-se em interpretação. Não uma interpretação, fundamentalista, mas um olhar que leva em conta o autor, o contexto, a questão vital a que o texto responde. Também não é necessariamente uma interpretação do texto em todas as direções ou em todos os seus aspectos. O ponto de partida da meditação é o “versículo do coração”, ou seja, aquela, palavra que nos atraiu como a sarça atraiu Moisés. À medida que nos aproximamos da Palavra como Moisés da sarça, outras palavras da Escritura quem venham enriquecer o nosso versículo, inicia-se um êxodo pessoal que “abre a inteligência das Escrituras [Lc 24,45]. Eis a importância dos textos paralelos ou memórias bíblicas, que se prolonga depois da lectio, mas durante toda a jornada, entre os afazeres cotidianos e compromisso, sempre à espera de faíscas emanadas do texto, verdadeiras intuições de sentido nunca antes entendido.  

Muito esclarecedor é o que diz Ivan Nicoletto citado por Alessandro Barban: “Começas a colocar tua atenção em uma palavra, em um versículo, em uma pericote e ela te introduz em outras salas, espalha-se por toda a bíblia, as literaturas, os grandes mitos e símbolos da humanidade, e depois envolve as interpretações e as experiências às quais aquelas imagens deram vida. Estende-se ao presente da tua vida, te eleva talvez ao coração inexaurível da energia criadora e amante”.[3]


[1] Cf. Alessandro Barban. O Caminho espiritual da lectio divina. No livro Como água da fonte: a espiritualidade monástica camaldolense entre memória e profecia. São Paulo Edições Loyola, 2009,p. 174.

[2] Cf Borban, p. 174-175

[3] Barban. p. 177:

ESPIRITUALIDADE DA SEMANA SANTA

Secretariado de Espiritualidade PDDM, 2024

Domingo de Ramos

A porta de entrada na Semana Santa é a memória solene da entrada de Jesus em Jerusalém, “porque não convém que um profeta morra fora de Jerusalém” (Lucas 13,22]. Normalmente passamos rápido demais da procissão dos ramos ao relato da paixão. Mas é importante nos deter no mistério profundo desta epifania de Jesus que reúne todo o sentido espiritual da Semana Santa. Os relatos de Marcos Mateus e Lucas estão em sintonia entre si sobre a interpretação deste evento pascal. Neste domingo, escutamos a narrativa de

Marcos 11,1-10:

Quando se aproximaram de Jerusalém, na altura de Betfagé e de Betânia, junto ao monte das Oliveiras, Jesus enviou dois discípulos, dizendo: ‘Ide até o povoado que está em frente, e logo que ali entrardes, encontrareis amarrado um jumentinho que nunca foi montado. Desamarrai-o e trazei-o aqui! Se alguém disser: ‘Por que fazeis isso?’, dizei: ‘O Senhor precisa dele, mas logo o mandará de volta’.’ Eles foram e encontraram um jumentinho amarrado junto de uma porta, do lado de fora, na rua, e o desamarraram. Alguns dos que estavam ali disseram: ‘O que estais fazendo, desamarrando este jumentinho?’ Os discípulos responderam como Jesus havia dito, e eles permitiram. Trouxeram então o jumentinho a Jesus, colocaram sobre ele seus mantos, e Jesus montou. Muitos estenderam seus mantos pelo caminho, outros espalharam ramos que haviam apanhado nos campos. Os que iam na frente e os que vinham atrás gritavam: ‘Hosana! Bendito o que vem em nome do Senhor! Bendito seja o reino que vem, o reino de nosso pai Davi! Hosana no mais alto dos céus!’

Multidões de peregrinos ocupam a cidade de Jerusalém na festa da Páscoa. Jesus não é um peregrino a mais, anônimo, perdido no meio da multidão. Jesus sobre a Jerusalém para cumprir o seu destino. Chega com os discípulos no limiar da cidade santa. Esta soleira  que não é apenas a fronteira de uma cidade, mas o limite de uma vida. Jesus sente e sabe que seu caminho vai em direção à morte. E quando o futuro desaparece, o olhar se volta para o que está próximo. 

Jesus, então se volta para os discípulos, envia dois deles, sem citar nome, e lhes dá responsabilidade sobre os preparativos de sua entrada solene em montaria régia. Os detalhes sobre o burrinho [7 dos 11 versículos] mostra toda a sua importância no contexto. Jesus entra na cidade como o Messias descrito pelo profeta Zacarias 9,9: rei justo e humilde, montado em um jumento emprestado [v. 3], sem tropas e sem armas, para destruir todo armamento e proclamar a paz. A participação ativa dos discípulos indica o profundo entrelaçamento entre o discipulado e a missão de paz de Jesus. Os discípulos e discípulas que subiram com Jesus a Jerusalém estão na sua escola. Um ditado rabínico afirma que “uma pessoa aprende pelos caminhos que percorre”. Os discípulos e discipulas aprendem medindo os seus próprios caminhos com os passos percorridos por Jesus.

A procissão que acompanhará esta entrada (v. 8-10) apresenta traços régios, como transparecem nos mantos espalhados pelo caminho e nas aclamações.  O povo reconhece em Jesus o Messias  como um novo Davi poderoso, conquistador, que iria devolver a Israel a soberania.  Projetam sobre Jesus a sua ideia de Messias: “Bendito seja o Reino vindouro de nosso pai Davi”. 

E no entanto, Jesus frustra esta expectativa. Jesus sempre anunciou o Reino de Deus, não de Davi. Passou a vida inteira desmontando a ideia de triunfo que imperava no povo e nos seus discípulos, fugiu daqueles que queriam fazê-lo rei (…).  Com sua “entrada em Jerusalém”, Jesus desconcerta a todos. Diante dele é preciso decidir.

E então, veremos que a maioria dos que hoje o recebem como rei, pedirão que seja crucificado. O aparente êxito de hoje, será transformado no aparente fracasso dos dias que virão. Mas em Jesus, é no extremo fracasso, que êxito será revelado. “Quando eu for exaltado atrairei todos a mim”. Martín Buber, lembra que as realidades significativas se realizam mais na profundidade do fracasso que na superficialidade do êxito. No fracasso nossa consciência fica marcada para sempre.

Neste domingo o adentrar as portas da igreja com nossos ramos, o convite que chega até nós e a toda a Igreja é o de voltar o nosso olhar, para aquele que foi levantado como a serpente foi levantada por Moisés no deserto. A liturgia da Semana Santa, como toda a liturgia da Igreja, nos coloca diante do Pai, do lugar do filho, recordando ao Pai seu amor e a sua obediência. Neste curto espaço de tempo de uma semana, que vamos nos submergir no Mistério da MORTE DO FILHO, é a partir de seus passos, e não de nossos pensamentos, que cada coisa terá um novo olhar.  O caminho que se abre é o caminho da não violência, do amor gratuito, da obediência à Palavra.  

A violência, na sua raiz mais profunda, é uma absolutização do ego. Seguir o caminho de Cristo significa aprender o caminho da mansidão, isto é, de aceitar colocar limites em nós para acolher e dar espaço ao coletivo, às grandes causas humanitárias.

Seguir o Senhor para estar com Ele, para servi-Lo, fazer um silêncio profundo sobre nossas necessidades, sobre nossos pensamentos, sobre nossos sentimentos, sobre nossas opiniões. Estar atentos aos acontecimentos sem a interferência de nosso eu, sequer para tentar compreender. Silêncio receptivo: somente a ação de Deus, seus atos, suas palavras, seu silêncio. Podemos repetir ao longo destes dias uma pequena oração “Não eu, Senhor, senão Tu”.[1] Ou como nos inspira nossa Madre Escolástica: “Só tu, e basta!” 

PARA BEM CELEBRAR O TRÍDUO PASCAL

O Tríduo Pascal não é preparação para a solenidade da Páscoa [como acontece com outros tríduos], mas é a própria celebração pascal em três dias: a sexta-feira da paixão, o sábado do seu repouso e o domingo do seu ressurgir dos mortos [segundo Santo Ambrósio][2] ou, o Sagrado Tríduo da cruz, sepultura e ressurreição [segundo Santo Agostinho][3]. A celebração da Ceia do Senhor ao anoitecer da quinta-feira com caráter de “primeiras vésperas”[4], é solene abertura do Tríduo que culmina na Vigília da noite pascal.

Toda a reforma litúrgica do Concílio Vaticano II teve como finalidade devolver ao povo de Deus o acesso à liturgia, qual fonte de vida espiritual. Nesta perspectiva a celebração da Páscoa como era nas origens, volta a cada ano, como festa espiritual, realidade mística e universal. Assim sendo, não basta executar os ritos, ainda que de forma precisa, é preciso celebrar e fazer silêncio para deixar ecoar no coração o mistério proclamado na assembleia litúrgica. Além de participar das celebrações litúrgicas próprias de cada dia do Tríduo, há os ofícios comunitários, sobretudo o ofício da manhã no sábado santo. Ese propõe ainda tempo de oração pessoal como preparação e aprofundamento para os momentos comunitários.O que seguem são dicas para a oração pessoal de cada dia do tríduo.

MEMÓRIA DA ÚLTIMA CEIA DE JESUS – ABERTURA DO TRÍDUO

Memória da última Ceia de Jesus

O que celebramos:

Nesta noite repetimos em memória da Páscoa de Jesus, os gestos da sua última ceia que estrutura a Liturgia eucarística; “tomou o pão, deu graças, partiu e passou aos seus”. Com esta celebração retomamos o verdadeiro sentido da eucaristia. O simples gesto de passar ao outro um pedaço de pão é um gesto despojado de poder que aponta para uma espiritualidade da mesa, baseada na gratuidade e no serviço  fraterno [cf. padre Adroaldo]. Eis o gesto de Jesus na noite da em que foi entregue, tendo à mesa Judas, aquele que o iria entregar.

Para a Oração pessoal

Depois da celebração celebra-se o ofício da “Vigilância com Jesus” na capela da reposição fazendo memória da passagem de Jesus, da Ceia à Cruz. Esta oração comunitária pode ser prolongada pessoalmente, repassando no coração a Palavra e meditando em silêncio:

a) Ler pausadamente e com toda a atenção, o texto da segunda leitura 1Coríntios 11,23-26 [relato mais antigo da última ceia de Jesus]. Ler também o evangelho de João 13,1-15. 

b)  Rezar no coração o salmo 116 da liturgia da Palavra da missa ou o salmo 130 indicado no Ofício da vigilância com sua antífona:

Pai, se este cálice não pode passar sem que eu beba,

seja feita a tua vontade.

1. Das profundezas, Senhor clamo a ti: / escuta a minha voz!

Atento se façam teus ouvidos / ao clamor da minha prece.

2 Se reténs os pecados, Senhor, / quem poderá subsistir?

Mas em ti se encontra o perdão: / eu temo e espero.

3. No Senhor ponho a minha esperança / e na sua palavra

espera a minh’alma o Senhor / mais que os guardas pela aurora.

4. No Senhor está toda a graça, / copiosa redenção,

ele vem resgatar Israel / de toda iniquidade.

5. Glória ao Deus presente em toda a terra / que Jesus manifestou,

ao Espírito de Deus amor materno, / toda graça e todo amor.

c) Ficar em silêncio, repetindo no coração alguma palavra, deixando que os sentimentos de Jesus habite o coração.

 A GRANDE SEXTA-FEIRA DA PAIXÃO – Primeiro dia do Tríduo

O que celebramos:

A Sexta-Feira da Paixão, em que pese a dimensão de dor tão curtida pela piedade popular, na perspectiva bíblica, sobretudo do Evangelho de João, é “Paixão gloriosa”, celebra, pois, o Amor Maior, que se manifestará vencedor na madrugada da Ressurreição. Ao fazer memória da bem-aventurada paixão do Senhor, a Igreja comemora o seu próprio nascimento do lado de Cristo na cruz (cf. PCFP, 58). A leitura da paixão segundo João é a parte mais importante da celebração deste dia. Exalta a vitória do Cristo o servo sofredor anunciado por Isaías 52,13-53,12 que fez da sua vida uma oferenda de amor até o fim (Hebreus 4,14-16;5,6-7).

Para a Oração pessoal

a) Os Ofícios da manhã e do meio-dia celebrados na igreja despojada [não na capela da reposição] e a solene celebração da tarde em si já oferecem uma experiência contemplativa do Mistério celebrado neste dia.

b) Esta contemplação pode ser prolongada depois de cada celebração, repassando no coração a Palavra e meditando em silêncio.

3) Em algum momento do dia, ler com calma, o texto que segue sobre o sentido espiritual deste grande dia em seu duplo mistério:[5]

 […]. A Igreja primitiva chamava a este dia “A Páscoa da Cruz,” porque ele é de fato o começo desta Páscoa ou Passagem cujo sentido nos será revelado progressivamente; primeiro na paz do grande e santo Sabbat, depois na alegria do dia da Ressurreição.

Mas antes, as trevas. Se ao menos pudéssemos compreender que as trevas da Sexta-feira Santa não são puramente simbólicas e comemorativas! É muito frequentemente com o sentimento de nossa própria justiça e de nossa própria integridade que contemplamos a tristeza solene destes ofícios. Há dois mil anos, sim, homens “maus” mataram o Cristo, mas hoje nós — o bom povo cristão — levantamos suntuosos túmulos em nossas igrejas; não é esta a prova da nossa justiça? E, no entanto, a Sexta-feira Santa não concerne somente ao passado. É o dia do Pecado, o dia do Mal, o dia no qual a Igreja nos ensina a aprender a terrível realidade do pecado e seu poder no mundo. Pois o pecado e o mal não desapareceram: ao contrário, permanecem a lei fundamental do mundo e de nossa vida. Nós que nos dizemos cristãos não entramos frequentemente nesta lógica do mal que conduziu o Sinédrio e Pilatos, os soldados romanos e toda a multidão a detestar, torturar e matar o Cristo? De que lado nós teríamos ficado se tivéssemos vivido em Jerusalém no tempo de Pilatos? Esta é a pergunta que nos é feita por cada uma das palavras do ofício de Sexta-feira Santa. É de fato “o dia deste mundo,” de sua condenação real e não somente simbólica, e do julgamento real e não somente ritual, de nossa vida. . . É a revelação da verdadeira natureza do mundo que preferiu então e continua a preferir as trevas à luz, o pecado ao bem, a morte à vida. E condenando o Cristo à morte “este mundo” condenou-se a si mesmo à morte, e na medida em que aceitamos seu espírito, seu pecado e sua traição a Deus, estamos também condenados. . . Este é o primeiro significado, terrivelmente realista, da Sexta-feira Santa: uma condenação à morte…

No entanto, este dia do Mal cuja manifestação e triunfo estão em seu paroxismo, é também o dia da Redenção. A morte do Cristo nos é revelada como uma morte salvífica para nós e para nossa salvação. […] O Cristo dá sua morte a seu Pai e no-la dá também. Ele a dá a seu Pai porque não há outro meio de destruí-la e libertar a humanidade dela; ora, é a vontade do Pai que os homens sejam salvos da morte. O Cristo nos dá sua morte porque na verdade é em nosso lugar que Ele morre. A morte é o fruto natural do pecado, um castigo iminente. O homem escolheu não mais estar em comunhão com Deus, porém como ele não tem a vida nele mesmo e por ele mesmo, morre. Em Jesus Cristo, entretanto, não há pecado, logo não há morte. É somente por amor a nós que ele aceita morrer; Ele quer assumir e compartilhar de nossa condição humana até o fim. […] Sua morte é então a revelação suprema de sua compaixão e de seu amor. […] A condenação é transformada em perdão.

[…] E enquanto o Cristo avança silenciosamente para a Cruz e para seu fim, quando a tragédia humana está em seu apogeu, seu triunfo, sua vitória sobre o mal e sua glorificação, aparecem progressivamente em luz plena. A cada passo esta vitória é reconhecida, confessada, proclamada: pela mulher de Pilatos, por José, pelo bom ladrão, pelo centurião. Quando ele morre na cruz, tendo aceito o supremo horror da morte, a solidão absoluta (Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?)” não resta senão confessar: “Verdadeiramente este homem era o filho de Deus!” Assim esta morte, este amor e esta obediência, esta plenitude de vida destroem aquilo que faz da morte o destino universal. “E os túmulos foram abertos” (Mt 27:52). Já aparecem os primeiros clarões da Ressurreição…

Este é o duplo mistério desta grande Sexta-feira; os ofícios deste dia nô-lo mostram e nos fazem participar dele. De um lado, eles insistem constantemente sobre a Paixão do Cristo enquanto pecado de todos os pecados, crime de todos os crimes. […] Por outro lado, encontramos desde o começo do ofício o segundo aspecto do mistério deste dia: o do sacrifício de amor que prepara a vitória final. […]

SÁBADO SANTOSegundo dia do Tríduo

O que celebramos:

– No Sábado Santo, “a Igreja permanece junto ao sepulcro do Senhor, meditando sua paixão e morte, a sua descida à mansão dos mortos, e esperando na oração e no jejum a sua ressurreição” (PS 73); ela abstém-se absolutamente do sacrifício da Missa, o altar foi desnudado (Missal Romano). O foco é a sepultura do Senhor, certificação de sua morte, pertencente à forma mais antiga da fé: ‘Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras’ (1Cor 15,3-4). Na liturgia ressoa o convite: “Cristo por nós padeceu, morreu e foi sepultado: vinde todos, adoremos!”

Para a Oração pessoal

O sábado santo é o segundo dia do tríduo, carrega em si um aspecto fundamental do mistério pascal do Senhor. Mesmo tendo de cuidar dos preparativos da grande vigília na noite pascal, é importante é importante consagrar algum momento à oração comunitária e pessoal. A Liturgia das Horas e a sua versão inculturada, o Ofício Divino das Comunidades, oferecem as orações para esse segundo dia do Tríduo.   A insistência é que se celebre com o povo o Ofício de Leituras na madrugadinha e a Oração da manhã  [ou ofício da manhã e do meio dia].  Tais ofícios celebrados na igreja despojada [não na capela da reposição] oferecem um ambiente contemplativo de vigilância, como as mulheres portadoras dos perfumes [miróforas] à espera da madrugada.

a) Esta contemplação pode ser prolongada depois de cada ofício, repassando no coração a Palavra e fazendo silêncio em atitude de vigilância.

b) Além disso é importante reservar um tempo pessoal em algum momento do dia, para a oração silenciosa e para a leitura espiritual. Sugerimos os seguintes textos: Os relatos evangélicos referentes aos sepultamento de Jesus: João  19,38-42 e  Lucas 23,50-56 [ver também Mateus 27,56-61 e ; Marcos 15,42-47].

c) Textos sobre o sentido espiritual do sábado santo:

Alexandre Schmémann, Olivier Clément [padres da Igreja Oriental]:

O ‘grande e santo Sabbat’ é o dia que liga a Sexta-Feira santa, à comemoração da Cruz, ao dia da Ressurreição. Para muitos, a verdadeira natureza e o sentido desta ligação, a necessidade real deste dia intermediário, permanece obscura. Para a grande maioria daqueles que vão à igreja, os dias “importantes” da grande semana são a Sexta-feira e o Domingo, a Cruz e a Ressurreição. Estes dois dias, entretanto, ficam de alguma forma distintos. Há um dia de tristeza e depois um dia de alegria. Nesta sucessão, a tristeza é simplesmente substituída pela alegria. Mas segundo o ensinamento da Igreja, expresso na sua tradição litúrgica, a natureza desta sucessão não é uma simples substituição. A Igreja proclama que o Cristo “venceu a morte pela morte”; isto quer dizer que, antes mesmo da ressurreição, coloca-se um acontecimento no qual a tristeza não é simplesmente substituída pela alegria, mas ela própria é transformada em alegria. O grande Sábado é precisamente este dia de transformação, o dia em que a vitória germina de dentro mesmo da derrota, uma vez que antes da ressurreição nos é dado contemplar a morte da própria morte. . . E tudo isso é expresso – mais ainda, tudo isso é realmente atualizado – a cada ano, neste maravilhoso ofício matinal, na comemoração litúrgica que se torna para nós um “presente” salvador e transformador.

Bento XVI [2/5/2010]:

O Sábado Santo é aquele intervalo único e irrepetível na história da humanidade e do universo em que Deus, em Jesus Cristo, compartilhou não só nosso morrer, mas também nosso permanecer na morte. A solidariedade mais radical. Todos temos sentido alguma vez uma sensação espantosa de abandono. Isto é o que mais tememos da morte. Como os meninos, nos dá medo ficarmos sozinhos na escuridão. Só a presença de uma pessoa que nos ama nos dá segurança. Pois bem, isto é o que ocorreu no Sábado Santo: no reino da morte ressoou a voz de Deus. Aconteceu o inimaginável: que o Amor penetrou “nos infernos”: na obscuridade extrema da solidão humana mais absoluta. Também nós podemos escutar a voz que nos chama e a mão que nos toma e nos tira para fora. O ser humano vive porque é amado e pode amar. E se no espaço da morte penetrou o amor, então chegou ali a vida. Na hora da extrema solidão, nunca estaremos sozinhos.

Padre Adroaldo Palaoro:

O silêncio de Deus deve ser respeitado, pois a Deus lhe dói a morte de seus fiéis (Sl. 116,15): o Pai não estará fazendo luto por seu Filho e por suas criaturas? Não será que o silêncio do Sábado Santo supõe o direito de Deus se calar? Quê Deus não tem direito de guardar silêncio? Quem somos nós para exigir de Deus que nos esteja falando continuamente? Se não oramos a partir desse silêncio, é porque ainda não mergulhamos no mistério do Amor compassivo. […] O Pai está de luto; toda a natureza, em silêncio, acolhe a semente do Corpo do Verbo, na esperança de germinar Vida plena. O Sábado Santo, portanto, não é o mutismo de Deus, mas seu Silêncio, ou seja, a ação oculta de Deus estendida no tempo; morte e ressurreição são simultâneas no presente de Deus, mas no acontecer humano só podem ser sucessivas.

Antiga Homilia no grande Sábado Santo [(s. IV), lido do ofício das leituras]:

Que está acontecendo hoje? Um grande silêncio reina sobre a terra. Um grande silêncio e uma grande solidão. Um grande silêncio, porque o Rei está dormindo; a terra estremeceu e ficou silenciosa, porque o Deus feito homem adormeceu e acordou os que dormiam há séculos. Deus morreu na carne e despertou a mansão dos mortos.

Ele vai antes de tudo à procura de Adão, nosso primeiro pai, a ovelha perdida. Faz questão de visitar os que estão mergulhados nas trevas e na sombra da morte. Deus e seu Filho vão ao encontro de Adão e Eva cativos, agora libertos dos sofrimentos.

O Senhor entrou onde eles estavam, levando em suas mãos a arma da cruz vitoriosa. Quando Adão, nosso primeiro pai, o viu, exclamou para todos os demais, batendo no peito e cheio de admiração: “O meu Senhor está no meio de nós”. E Cristo respondeu a Adão: “E com teu espírito”. E tomando-o pela mão, disse: “Acorda, tu que dormes, levanta-te dentre os mortos, e Cristo te iluminará.

Eu sou o teu Deus, que por tua causa me tornei teu filho; por ti e por aqueles que nasceram de ti, agora digo, e com todo o meu poder, ordeno aos que estavam na prisão: ‘Saí!’; e aos que jaziam nas trevas: ‘Vinde para a luz!’; e aos entorpecidos: ‘Levantai-vos!’

Eu te ordeno: Acorda, tu que dormes, porque não te criei para permaneceres na mansão dos mortos. Levanta-te dentre os mortos; eu sou a vida dos mortos. Levanta-te, obra das minhas mãos; levanta-te, ó minha imagem, tu que foste criado à minha semelhança. Levanta-te, saiamos daqui; tu em mim e eu em ti, somos uma só e indivisível pessoa.

Por ti, eu, o teu Deus, me tornei teu filho; por ti, eu, o Senhor, tomei tua condição de escravo. Por ti, eu, que habito no mais alto dos céus, desci à terra e fui até mesmo sepultado debaixo da terra; por ti, feito homem, tornei-me como alguém sem apoio, abandonado entre os mortos. Por ti, que deixaste o jardim do paraíso, ao sair de um jardim fui entregue aos judeus e num jardim, crucificado. […]

Adormeci na cruz e por tua causa a lança penetrou no meu lado, como Eva surgiu do teu, ao adormeceres no paraíso. Meu lado curou a dor do teu lado. Meu sono vai arrancar-te do sono da morte. Minha lança deteve a lança que estava dirigida contra ti.

Levanta-te, vamos daqui. O inimigo te expulsou da terra do paraíso; eu, porém, já não te coloco no paraíso mas num trono celeste. O inimigo afastou de ti a árvore, símbolo da vida; eu, porém, que sou a vida, estou agora junto de ti. Constituí anjos que, como servos, te guardassem; ordeno agora que eles te adorem como Deus, embora não sejas Deus.

Está preparado o trono dos querubins, prontos e a postos os mensageiros, construído o leito nupcial, preparado o banquete, as mansões e os tabernáculos eternos adornados, abertos os tesouros de todos os bens e o reino dos céus preparado para ti desde toda a eternidade”.

O DOMINGO DA RESSURREIÇÃOTerceiro dia do Tríduo

Domingo da Páscoa na Ressurreição, “máxima solenidade do ano litúrgico” (PSL, 148).

  1. A primeira celebração deste domingo maior é a Vigília Pascal,Mãe de todas as Vigílias da Igreja.

O que celebramos: Nesta NOITE os nossos pais e mães passaram pelas águas do Mar Vermelho livres da escravidão. Foi nesta noite que Jesus rompeu o inferno, e tornou para nós o novo Adão e a própria noite, e tão só ela, soube a hora em que Cristo ressurgiu da morte. Nesta noite, também nós passamos pelas águas batismais da Páscoa e renovamos o que professamos.

Para a oração pessoal – Lectio das leituras da Liturgia da Palavra[6]

a) Ler com atenção cada uma das 7 leituras, liturgia diária, ou no missal. Prestar atenção nas palavras que chamam a nossa atenção…

b) Ler a oração, buscando perceber a conexão que esta faz da leitura com o batismo

c) Por último ler a leitura da carta aos Romanos e o relato da ressurreição segundo Marcos

1ª Leitura de  Gn 1,1-2,2; ou 1,1.26-31 – sobre a criação

Oração: Deus eterno e todo-poderoso,que dispondes de modo admirável todas as vossas obras, dai aos que forem resgatados pelo vosso Filho a graça de compreender que o sacrifício do Cristo, nossa Páscoa, na plenitude dos tempos, ultrapassa em grandeza a criação do mundo realizada no princípio. Por Cristo, nosso Senhor.

2ª  Leitura de Gn 22,1-18 sobre o sacrifício de Abraão

Oração: Ó Deus, Pai de todos os fiéis, vós multiplicais por toda a terra os filhos da vossa promessa, derramando sobre eles a graça da filiação e, pelo mistério pascal, tornais vosso servo Abraão pai de todos os povos, como lhe tínheis prometido. Concedei, portanto, a todos os povos a graça de corresponder ao vosso chamado. Por Cristo, nosso Senhor.

3ª  Leitura de Ex 14,15-15,1 sobre a passagem do mar Vermelho

Oração: Ó Deus, vemos brilhar ainda em nossos dias as vossas antigas maravilhas. Como manifestastes outrora o vosso poder, libertando um só povo da perseguição de Faraó, realizais agora a salvação de todas as nações, fazendo-as renascer nas águas do batismo. Concedei a todos os seres humanos tornarem-se filhos de Abraão e membros do vosso povo eleito. Por Cristo, nosso Senhor.

4ª Leitura de Is 54,5-14 sobre a nova Jerusalém:

Oração: Deus eterno e todo-poderoso, para a glória do vosso nome, multiplicai a posteridade que prometestes aos nossos pais, aumentando o número dos vossos filhos adotivos. Possa a Igreja reconhecer que já se realizou em grande parte a promessa feita a nossos pais, da qual jamais duvidaram. Por Cristo nosso Senhor.

5ª  Leitura de Is 55,1-11 sobre a “salvação oferecida a todos gratuitamente”

Oração: Deus eterno e todo-poderoso, única esperança do mundo, anunciastes pela voz dos profetas os mistérios que hoje se realizam. Aumentai o fervor do vosso povo, pois nenhum dos vossos filhos conseguirá progredir na virtude sem o auxílio da vossa graça. Por Cristo, nosso Senhor.

6ª Leitura de Br 3,9-15.31-4,4 sobre “a fonte da sabedoria”

Oração: Ó Deus, que fazeis vossa Igreja crescer sempre mais chamando todos os povos ao Evangelho, guardai sob a vossa proteção os que purificastes na água do batismo. Por Cristo, nosso Senhor.

7ª Leitura de Ez 36,16-28 – sobre “um coração novo e um espírito novo”:

Oração: Ó Deus, força imutável e luz inextinguível, olhai com bondade o mistério de toda a vossa Igreja e conduzi pelos caminhos da paz a obra da salvação que concebestes desde a eternidade. Que o mundo todo veja e reconheça que levanta o que estava caído, que o velho se torna novo e tudo volta à integridade primitiva por aquele que é princípio de todas as coisas. Por Cristo, nosso Senhor.

 Leitura de Rm 6,3-11 o  nosso batismo na morte de Cristo

9. Evangelho de Marcos 16,1-7

A segunda celebração é a do dia da ressurreição,

O que celebramos:

O domingo da ressurreição é celebrado com grande solenidade (PS 97) o dia que o Senhor fez para nós.

Para a oração pessoal:

a) Fazer a Leitura orante do evangelho de João 20,1-18: não só a trecho indicado para este dia [1-10], mas até o versículo 18, que inclui o encontro com Madalena, a discípula amada.

b) Em algum momento do dia, ler com calma, o texto que segue sobre o sentido espiritual deste grande:

Alexandre Schmémann, Olivier Clément [padres da Igreja Oriental]:

Na Páscoa os esponsais são consumados. No Ressuscitado é a humanidade inteira, e o cosmos, que se acham secretamente recriados, transfigurados. Em sua hipóstase divina, portanto perfeita, e pela qual nada de exterior pode existir, o Cristo, através de uma comunhão sem limites, assume todo ser criado e o arrebata em sua ressurreição. […]

Em Cristo sempre vivo e presente no Espírito, cada um de nós morre e ressuscita: “Ontem, eu estava enterrado contigo, ó Cristo; hoje eu acordo contigo, ó Ressuscitado; Salvador, glorifica-me contigo em teu Reino.” A Ressurreição tem um alcance cósmico pois o corpo engloba secretamente o cosmos inteiro. Por isso o universo é chamado a rejubilar-se após ter tremido de um horror sagrado diante da Paixão e do enterro de seu Criador. “Que todo o universo esteja em festa, toda a terra… pois ele ressuscitou, o Cristo, alegria eterna.”

[…] Doravante a vida e a luz nos chegam mesmo pela morte e por todas as situações de morte de nossa existência se as “configuramos” na fé na cruz do Cristo sobre a qual ele venceu a morte. Por isso o mártir é o mais elevado estado místico do cristianismo. […] Não somente a morte está repleta de luz, como também o inferno: “Agora tudo está repleto de luz: o céu, a terra e o inferno.” Deus é tudo em todos. A apocatastase (a salvação universal) é oferecida à humanidade.

Não é, pois, de se impressionar que esses textos tenham fortes ressonâncias escatológicas: a luz da Páscoa é a mesma da Parusia. A Páscoa já é o Oitavo dia em que se inaugura a luz sem declínio. É o “dia do Senhor,” no sentido escatológico de que se reveste esta expressão na Bíblia: “É agora o dia insigne e santo, único nas semanas, o rei e o Senhor dos dias, a festa das festas.” […] O mundo só existe através das existências pessoais: sua transfiguração escatológica, inaugurada em Cristo, deve ser decifrada, assumida, reinventada e difundida pela comunhão dos santos, até que ela tenha atingido seu “pleroma,” conforme uma medida que não é a da história “objetiva,” mas a de Deus.

No Espírito Santo, a luz pascal, vida do Ressuscitado, nos é comunicada pela eucaristia que constitui a Igreja, que a funda sobre o “mistério pascal”: “Vinde, neste dia da Ressurreição, comungar o fruto novo da vinha, a alegria divina, a realeza do Cristo.” Uma vez que a eucaristia nos incorpora ao Ressuscitado, nós podemos, pouco a pouco, por uma ascese de vigilância, nos acordarmos para nossa ressurreição no Ressuscitado, de modo que nós contemplamos conscientemente nossa reunião com ele. […] “Vigiemos até o final do dia; em lugar da mirra, ofereçamos um hino ao Senhor e nós veremos o Cristo, Sol de Justiça, fazer brotar a vida para todos.”


[1] Padre Enrique Bikkesbakke (www.ecclesia.com.br)

[2] Epistula 23, 13. (séc IV)

[3] Epistula 55,24.

[4]Ao longo da Idade Média, em consequência da decadência de toda a liturgia da Igreja, o tríduo pascal passou por tal deformação que o domingo da páscoa já não contava como parte do Tríduo [considerado como tal a quinta, a sexta e o sábado]. O sábado da sepultura desapareceu do horizonte espiritual da Igreja e tomou o lugar do domingo, denominado “Sábado de Aleluia”. Por isso, o papa Pio XII (1876-1958), incentivado pelo movimento litúrgico propôs Reforma da Vigília pascal [1951] a da semana santa [1955]. Entre outras coisas estabeleceu a hora da missa vespertina da ceia do Senhor [não antes das 17 horas] bem como a hora da vigília, de preferência depois da meia noite de sábado para o domingo. Com isto se restabelecia os dias do tríduo pascal: sexta da paixão, sábado da sepultura e domingo da Ressurreição, com seu solene início na noite da quinta [que na contagem da liturgia já pertence ao dia seguinte]. O dia da Quinta-feira santa, portanto, pertente à quaresma, não ao tríduo.

[5] Alexandre Schmémann, Olivier Clément – www.ecclesia.com.br

[6] Este texto foi proposto por padre. Domingos Ormonde, fev 2019

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