101 ANOS DE FUNDAÇÃO DAS IRMÃS PIAS DISCÍPULAS DO DIVINO MESTRE

No dia 10 de fevereiro de 1924, nascia, sob a inspiração do Bem-Aventurado Tiago Alberione, a Congregação das Irmãs Pias Discípulas do Divino Mestre. Hoje, celebramos com alegria e gratidão 101 anos de uma missão dedicada à oração, à Eucaristia, ao serviço sacerdotal e à evangelização através da arte e da liturgia.

Ao longo de mais de um século, as Pias Discípulas expandiram sua presença em diversos países, levando a mensagem do Evangelho por meio do silêncio orante, da formação litúrgica e do serviço à Igreja. Fiéis ao carisma recebido, continuam a ser luz e presença viva de Cristo Mestre, Caminho, Verdade e Vida, inspirando novas gerações a se dedicarem à missão de santificação do mundo através da adoração e do serviço.

Nesta data especial, rendemos graças a Deus pela história de fidelidade e entrega das irmãs, pelos frutos dessa caminhada e pelo chamado a seguir testemunhando o amor de Cristo no coração da Igreja. Que este jubileu seja um momento de renovação da fé e do compromisso com o Reino de Deus!

CELEBRE CONOSCO!

Convidamos todos a se unirem em oração e ação de graças por esse momento de bênção e renovação. Que possamos continuar, juntos, a missão de ser Discípulas do Divino Mestre!


Meditemos à Luz da Palavra de Deus e dos Textos Carismáticos este dia da Fundação das Pias Discípulas do Divino Mestre

As palavras das Sagradas Escrituras, do Bem-aventurado Tiago Alberione e de Madre Maria Escolástica Rivata – nossa primeira Madre –, que souberam encarnar os valores do Evangelho transmitidos pelo Fundador, são um convite à reflexão e um encorajamento para renovarmos diariamente nossa pertença a Jesus Mestre. Através delas, somos chamados a viver com alegria e fidelidade nossa bela vocação e missão.

Ef 1,16-19: Não cesso de dar graças a Deus por vocês recordá-los em minhas orações, 17Que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, conceda a vocês um espírito de sabedoria e revelação, para que o reconheçam dele. 18 Queele lhes ilumine os olhos do coração para que saibam qual é a esperança do chamado que ele faz, qual é a riqueza da glória da sua herança entre os santos, 19e qual é a extraordinária grandeza do seu poder em favor de nós, os que acreditamos, conforme a ação do seu poder eficaz. 

Outros textos bíblicos: Mt 19,27-29; Lc 8,1-3; 10, 38-42; Jo 20,1-8.


TEXTOS CARISMÁTICOS  

O Mais Belo Apostolado

(T. Alberione, APD 1947, 44-46.52-53, 9 de janeiro de 1947)

“O apostolado de vocês é insuperável; o mais belo! E, justamente por isso, é combatido pelo inimigo. As coisas mais preciosas e belas são sempre as mais desafiadas, pois ele tenta falsificá-las. Vocês têm a missão de desempenhar o ofício de Nossa Senhora, de serem sentinelas do Tabernáculo, elevando mãos puras, unidas a Jesus Hóstia.”

“Na planície, o povo de Deus lutava; no monte, Moisés orava com os braços erguidos. Quando os abaixava, o povo recuava; quando os erguia, o povo vencia. E, para que não se cansasse, dois homens sustentavam seus braços. Assim, o povo de Deus triunfou!”

“Por isso, não estranhem as provações e dificuldades que surgem. Tenham fé! Pois Jesus nos ensina: ‘Se tiverdes fé do tamanho de um grão de mostarda e disserdes a esta montanha: move-te, ela se moverá.’ Acreditamos, de fato, com esta firmeza? Muitas vezes cremos nos dogmas, mas na vida cotidiana nossa fé vacila. Confiem sem hesitação!”


Como Nossa Senhora

(T. Alberione, APD 1947, 177-180)

“Assim como Maria, a Pia Discípula é uma apóstola. Maria não apenas gerou Jesus, mas acompanhou a Igreja nascente, sustentando-a em seus primeiros passos. O apostolado de vocês está no coração da Igreja. As dificuldades externas podem surgir, mas o verdadeiro desafio está em viver plenamente o espírito da vocação.”

“Não caiam na tentação de comparar-se com os outros. O jardim de vocês é o mais belo! Nele, o Amado espera por vocês. Sua vocação é preciosa! Não se distraiam admirando os frutos alheios, pois sua missão é única e insubstituível.”

“A Pia Discípula deve rezar pelas vocações e pela santificação dos sacerdotes. Como o coração que irriga todos os membros com vida, assim é o seu apostolado. Unam-se à oração da Santíssima Virgem e peçam com confiança: ‘Tu, que és poderosa, roga conosco, para que o Senhor envie bons trabalhadores para sua messe.'”

“Para serem boas discípulas, é preciso piedade, inteligência, sabedoria e vontade. O apostolado de vocês é simples, mas exige entrega e nem sempre será bem compreendido. Cresçam, avancem e amadureçam como o Divino Mestre: em idade, em sabedoria e em graça. Aprofundem-se no conhecimento da sua vocação e vivam-na com autenticidade e amor.”


A Profissão Religiosa

(T. Alberione, APD 1959, 64)

“‘Eu me entrego, ofereço e tudo consagro.’ Assim como Jesus se entregou inteiramente a nós, devemos responder: ‘E eu me entrego inteiramente a Vós, tudo.’ Isso significa amar o Senhor com toda a mente, coração e forças, ao longo de toda a vida, até o último instante, quando O amaremos perfeitamente no céu.”

“A força do amor está precisamente nesse ‘tudo’, sem reservas. Devemos encher nossa mente com a doutrina de Cristo, para que raciocinemos conforme ela. Devemos encher nosso coração com Seu amor, para que ele se torne um reflexo do coração de Jesus. Toda a nossa vida, nossas energias, sentidos, tempo e capacidades devem ser entregues a Ele, sem hesitação.”


A Missão da Pia Discípula Perpetua-se ao Longo dos Séculos

(T. Alberione, APD 1964, 168)

“Grande é a gratidão a Deus por ter querido esta Congregação! Foi Jesus quem a suscitou, a sustentou, a fez crescer e florescer em sua missão apostólica. Ele deseja que avancemos sempre, oferecendo nossa oração, nossas obras e toda a nossa vida ao serviço do Reino.”

“O apostolado que vocês exercem é eterno, pois a Eucaristia, o serviço sacerdotal e litúrgico jamais deixarão de ser necessários. Enquanto o mundo existir, essa missão continuará a ser um canal de graça. Por isso, mantenham-se unidas, esforcem-se para progredir e expandam essa obra divina a todas as nações.”


Reflexões de Madre Escolástica Rivata

“Por que viemos para a vida religiosa? Para fortalecer nossa caminhada com uma piedade sincera e viva, com amor recíproco, no silêncio orante e no serviço generoso.” (1968)

“Façamos do nosso dia um exercício contínuo de amor, recebendo tudo das mãos de Deus e oferecendo-Lhe tudo. Agradeçamos ao Senhor, mesmo nas provações, pois a santidade é luta, é batalha. Confiemos no Deus que tudo dispõe para o nosso bem.” (1970)


Carta de Madre Escolástica Rivata a uma Jovem Irmã (janeiro de 1979)

“Mantenhamos sempre firmes nossas resoluções: Sim, sempre! No amor, na ação de graças incessante e na aceitação total do que Deus quer e como Ele quer!”

“Querida irmã, que tudo em nós glorifique o Senhor: nossa alegria, nossa generosidade, nossa fé e amor! Que nossa vocação seja vivida plenamente, para que um dia, junto com Maria Santíssima, possamos entoar o hino do amor eterno!”

TECLA MERLO: UM EXEMPLO DE FÉ E DEDICAÇÃO AO SERVIÇO DE DEUS

No dia 5 de fevereiro de 2025, celebramos o 61º aniversário de morte da Mestra Tecla Merlo (1894-1964) que foi uma mulher visionária e devota, cuja vida e legado continuam a inspirar. Nascida na Itália, ela, junto com o Bem Aventurado Tiago Alberione, ajudou a fundar a Congregação das Irmãs de São Paulo (ou Irmãs Paulinas) com um propósito claro: utilizar os meios de comunicação para evangelizar e transmitir os ensinamentos cristãos ao mundo.

Sua visão inovadora a levou a explorar a imprensa, a rádio, o cinema e outros canais de comunicação como ferramentas poderosas de evangelização. Ao longo de sua vida, Tecla Merlo buscou capacitar mulheres para se tornarem instrumentos de transformação social e espiritual, cumprindo sua missão de espalhar a mensagem de Cristo através das novas tecnologias.

Com profunda fé e coragem, Tecla animou uma congregação dedicada à caridade e à comunicação. Suas Irmãs Filhas de São Paulo desempenham até hoje um papel fundamental na formação de líderes cristãos e na disseminação de valores cristãos através de diversos meios de comunicação.

A dedicação de Tecla Merlo à causa do Evangelho e seu compromisso com a educação religiosa, a justiça e o papel das mulheres na Igreja Católica são fontes de inspiração para muitas pessoas ao redor do mundo. Em reconhecimento à sua vida de serviço, o processo de beatificação de Tecla Merlo foi iniciado em 2003, reafirmando a importância de seu trabalho e de seu legado.

Com coragem e determinação, Tecla Merlo provou que a fé pode se expressar de muitas formas, e que os meios de comunicação são aliados poderosos para levar a mensagem de Cristo a todos os cantos do mundo.

A figura de Tecla Merlo continua a inspirar novas gerações da Família Paulina, que veem nela um exemplo de fé profunda, dedicação ao serviço de Deus e paixão pela missão. Seu trabalho ainda é um modelo de como integrar o cristianismo com as necessidades do mundo contemporâneo.

Abaixo, a carta escrita para esta ocasião pela Ir. Anna Caiazza, superiora geral das Irmãs Filhas de São Paulo:

Em memória de Maestra Tecla 2025

Carta de ir. Anna Caiazza, superiora geral das Irmãs Filha de São Paulo

Roma, 5 de fevereiro 2025

Caríssimas irmãs e jovens em formação,

inicio esta página dedicada a Mestra Tecla, no 61° aniversário de sua morte, com as palavras que o papa Francisco dirigiu aos participantes do Jubileu da comunicação, no dia 25 de janeiro passado:

… narrai também histórias de esperança, histórias que alimentam a vida. Que o vosso storytelling seja também hopetelling. (…) Narrar a esperança significa ver as migalhas de bem escondidas até quando tudo parece perdido, significa permitir esperar até contra toda a esperança. Significa dar-se conta dos rebentos que brotam quando a terra ainda está coberta de cinzas. Narrar a esperança significa ter um olhar que transforma a realidade, levando-a a tornar-se o que poderia, o que deveria ser. Significa fazer com que a realidade se encaminhe para o seu destino. Eis o poder das histórias! E é isto que vos encorajo a fazer: narrar a esperança, compartilhá-la. Este é – como diria São Paulo – o vosso “bom combate”.

Narrar a esperança, antes de tudo com a vida, com o testemunho de um modo novo de viver. É o quanto fez a Primeira Mestra, por isso é “história de esperança” para nós.

Maestra Tecla semeou, no terreno bom da vida paulina, alegria e confiança no futuro; nos ajudou a crer e a perseverar nas provas, a esperar com paciência a hora de Deus, a não temer o cansaço, os sofrimentos e os sacrifícios por um objetivo “alto”.

Ensinou-nos que esperar não é saber se tudo irá bem ou irá mal, mas a certeza de que aquilo que acontece tem um sentido, e portanto, é preciso viver e testemunhar a esperança também nas trevas sem sentido.

Incentivou-nos a fazer-nos companheiras de estrada dos homens e das mulheres do nosso tempo, radicadas no presente que continuamente muda e acolhendo, portanto, o desafio de caminhar com os tempos, em busca contemplativa das novas estradas que o Espírito abre ao anúncio da Bela Notícia, aberta ao futuro de Deus, rumo à concretização daquilo que, no momento parece impossível, porque de nós nada podemos; com ele, tudo.

Eis, confiemo-nos a Deus, a nossa esperança está toda nele, procuremos só a Deus. Sejamos espertas, a santidade consiste totalmente nisto: buscar só a Deus. Quando temos o coração e a alma plenos de Deus e trabalhamos só por ele, o que mais podemos desejar além disso? (CSAS 109,11)

A Primeira Mestra, peregrina da esperança, partilhou o sonho de dar a todos, através das diversas formas do nosso apostolado, “razões para esperar”, com doçura e respeito (cf. 1Pd 3,16), com aquela mansidão que é fruto do Espírito, tecendo relações e promovendo a comunhão, antes de tudo entre nós. Nisso nos reconhecerão…

Com o seu exemplo e por ela acompanhadas, renovemos o nosso empenho em comunicar, juntas, a beleza da fé, a audácia da esperança, as nuances da caridade nas linguagens e nas modalidades comunicativas mais adequadas para falar ao coração do homem e da mulher de hoje.

Maestra Tecla continue a proteger, acompanhar e bendizer todas nós, os membros da Família Paulina e a humanidade ferida dos nossos dias.

Com afeto, em comunhão de esperança.

Ir. Anna Caiazza
superiora geral

TRADIÇÃO E MODERNIDADE: ESTUDO ANALISA O IMPACTO DAS VESTES LITÚRGICAS NA IGREJA

No dia 03 de fevereiro de 2025, a Ir. Vera Maria Galvan, pddm, apresentou sua dissertação “Moda, vestes litúrgicas e a busca pelo sentido da tradição: Significados e expressões das vestes litúrgicas na Igreja Católica” para a Banca Examinadora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Sua pesquisa, desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Ciência da Religião, investigou as vestes litúrgicas católicas e seu papel na construção da identidade religiosa.

A banca examinadora foi composta pela Profa. Dra. Suzana Ramos Coutinho (orientadora), pelo Prof. Dr. Wagner Lopes Sanchez e pelo Prof. Dr. José Reinaldo Felipe Martins (da PUC de Goiânia). Durante a apresentação, foram discutidos os aspectos centrais da dissertação, que explora a história das vestes litúrgicas, sua evolução após o Concílio Vaticano II e como a moda, enquanto expressão cultural, influencia e é influenciada pelos diferentes segmentos dentro da Igreja Católica.

A pesquisa se fundamenta na análise de dados empíricos e revisão bibliográfica sobre a indumentária e a tradição litúrgica, propondo uma reflexão sobre como as vestes litúrgicas comunicam valores, crenças e identidades religiosas. Um dos pontos de destaque do estudo é a compreensão das vestes litúrgicas como um campo de disputa entre as forças conservadoras e renovadoras dentro da Igreja, revelando como as escolhas estéticas refletem visões teológicas e eclesiais.

O estudo parte de uma perspectiva interdisciplinar, envolvendo Ciência da Religião, Moda e Sociologia, e apresenta como a materialidade religiosa desempenha um papel fundamental na transmissão de valores e na construção da identidade dos ministros ordenados e das comunidades de fé. A dissertação também analisa o impacto do Concílio Vaticano II na percepção e no uso das vestes litúrgicas, identificando mudanças significativas na maneira como elas são concebidas e interpretadas na contemporaneidade.

A Ir. Vera Maria Galvan, membro da Congregação Religiosa Pias Discípulas do Divino Mestre desde 2006, tem uma trajetória ligada à confecção e produção de vestes litúrgicas. Sua experiência no setor, aliada à formação acadêmica, permitiu uma abordagem singular ao tema, unindo teoria e prática para compreender o significado das vestes na experiência religiosa contemporânea. Seu trabalho reforça a importância do vestuário litúrgico na expressão da fé e na comunicação visual dentro da Igreja.

A dissertação “Moda, vestes litúrgicas e a busca pelo sentido da tradição” evidencia a riqueza simbólica das vestimentas religiosas e seu impacto nas práticas eclesiais. Com uma abordagem inovadora, o estudo amplia a compreensão sobre a relação entre tradição, modernidade e identidade religiosa, contribuindo significativamente para os estudos sobre liturgia e indumentária sacra.

O trabalho da Ir. Vera representa uma valiosa contribuição para a academia e para a Igreja, promovendo um diálogo entre a história, a moda e a teologia, e abrindo caminhos para novas pesquisas sobre a materialidade religiosa e sua influência na identidade católica.

CATEQUESE LITÚRGICA: FESTA DA APRESENTAÇÃO DO SENHOR NO TEMPLO

Catequese Litúrgica – Festa da Apresentação do Senhor (Ano C)

Neste vídeo, o programa Catequese Litúrgica, preparado e apresentado pela Ir. Cidinha Batista, pddm, com edição de vídeo de Ir. Neideane Monteiro, pddm, propõe uma reflexão profunda sobre o Evangelho da Festa da Apresentação do Senhor (Ano C).

A festa, celebrada no dia 2 de fevereiro, recorda o momento em que Maria e José apresentam o menino Jesus no Templo de Jerusalém, cumprindo a tradição judaica. Com base no Evangelho de Lucas 2,22-40, o programa convida os fiéis a refletirem sobre a luz que Jesus traz ao mundo, simbolizada pela presença de Simeão e Ana, que reconhecem o Messias como a salvação prometida a todos.

A catequese litúrgica explora o significado teológico dessa festa e ajuda os fiéis a compreenderem a importância da Apresentação de Jesus no Templo, como um gesto de consagração e fé, que nos convida a oferecer nossa própria vida ao Senhor.

O vídeo proporciona uma oportunidade de aprofundar a compreensão do mistério da encarnação de Cristo, através de uma explicação acessível e edificante, guiada pelas reflexões de Ir. Cidinha Batista e enriquecida pela edição cuidadosa de Ir. Neideane Monteiro.

Se você busca uma forma de meditar sobre o evangelho e o significado desta importante festa litúrgica, este vídeo oferece uma reflexão significativa e inspiradora.


A Vida Consagrada e a Festa da Apresentação do Senhor

A vida consagrada é uma resposta generosa e radical ao chamado de Deus, uma resposta que se traduz em um caminho de entrega total e amor a Ele. Aqueles que optam por seguir esse estilo de vida se dedicam ao serviço de Deus e da Igreja, buscando viver o Evangelho de forma plena e profunda. A vida consagrada não é apenas uma escolha pessoal, mas uma vocação que envolve uma doação inteira, um testemunho público de fé e uma caminhada que exige desprendimento dos bens materiais, dos interesses pessoais e das ambições mundanas. Em vez disso, quem segue essa vocação se compromete a viver com radicalidade a pobreza, a castidade e a obediência, buscando, através dessa entrega, refletir a imagem de Cristo no mundo.

Na Igreja, encontramos diversas formas de vida consagrada: presbíteros, religiosos, religiosas, missionários, consagrados e consagradas em diferentes carismas e institutos. Cada uma dessas formas de consagração é uma expressão do amor a Deus e ao próximo, em um modo de vida que se destaca pela busca incessante de santidade e serviço. A vida consagrada é um testemunho de fidelidade, de dedicação e de amor a Deus, mas também um exemplo de como os cristãos devem viver sua fé no mundo.

A Festa da Apresentação do Senhor, celebrada no dia 2 de fevereiro, é uma data muito significativa na liturgia cristã, pois oferece uma reflexão profunda sobre a consagração de toda a vida a Deus. Esta celebração recorda o momento em que Maria e José, obedecendo à Lei de Moisés, apresentaram o menino Jesus no Templo de Jerusalém, 40 dias após o Seu nascimento. Esse gesto simples, mas carregado de significado, simboliza a entrega e consagração do Filho de Deus à vontade do Pai. Ao oferecerem Jesus ao Senhor, Maria e José nos ensinam que a consagração a Deus deve ser feita com fé, confiança e obediência.

Este gesto de apresentação de Jesus no Templo, embora pertencente ao contexto judaico, assume um significado pleno para os cristãos. De fato, a Festa da Apresentação do Senhor nos ajuda a refletir sobre a nossa própria consagração, seja por meio da vida consagrada, seja no compromisso diário de seguir a Cristo. Ao celebrarmos esta festa, somos convidados a renovar nossa entrega ao Senhor e a refletir sobre a luz que Cristo representa para a nossa vida.

Na tradição cristã, a Festa da Apresentação do Senhor é também chamada de “Festa da Candelária”, em alusão à luz que Jesus representa para o mundo. No evangelho de Lucas, Simeão, ao ver o Menino Jesus no Templo, declara: “Agora, Senhor, podes deixar o teu servo ir em paz, segundo a tua palavra, porque os meus olhos viram a tua salvação, que preparaste diante de todos os povos: luz para iluminar as nações e glória do teu povo Israel” (Lc 2,29-32). A luz da vela acesa nesta festa simboliza Cristo, a verdadeira Luz que ilumina as trevas do pecado e guia a humanidade para a salvação.

A celebração da Apresentação do Senhor, assim, oferece um convite para que cada cristão se pergunte: Como posso ser luz no mundo? E a resposta para essa pergunta está no testemunho da vida consagrada. Os consagrados, ao se entregarem totalmente a Deus, tornam-se sinal vivo da presença de Cristo, levando Sua luz ao mundo. A vida consagrada não se resume a uma vida de oração e contemplação, mas é também uma vida de ação, de evangelização, de serviço ao próximo e de dedicação ao bem comum. Aqueles que optam por seguir a vida consagrada se tornam luzes no mundo, refletindo o amor de Deus e compartilhando a Boa Nova com todos.

Além disso, a festa da Apresentação do Senhor nos recorda que a consagração não é um ato isolado, mas um processo contínuo de renovação e entrega. A vida consagrada exige perseverança e firmeza, pois envolve muitos desafios e renúncias. No entanto, é uma vida cheia de graça e de alegria, pois quem se dedica a Deus encontra em Sua presença o sentido profundo da vida, a verdadeira paz e a verdadeira felicidade. A entrega a Deus na vida consagrada não é um fardo, mas uma dádiva que traz frutos abundantes de amor, bondade e sabedoria.

A festa também convida todos os cristãos a refletirem sobre a própria vocação, seja ela consagrada, matrimonial, celibatária ou leiga. Cada um de nós é chamado a consagrar a própria vida a Deus, a ser luz no mundo e a seguir o exemplo de Maria e José, que apresentaram Jesus ao Senhor com confiança e amor. Para os consagrados, a festa da Apresentação do Senhor é uma oportunidade para renovar o compromisso de seguir Cristo de forma radical e de viver sua vocação com alegria e fidelidade. Para os leigos, é um convite a entregar a própria vida nas mãos de Deus e a viver com intensidade a missão de anunciar o Evangelho.

A festa também nos ensina a importância da obediência. Maria e José, ao cumprirem a Lei, demonstraram sua obediência a Deus. Este ato de submissão à vontade divina é um exemplo para todos os cristãos. Em nosso próprio caminho, também somos chamados a confiar plenamente em Deus e a nos submeter à Sua vontade, mesmo quando ela nos leva a lugares ou situações desafiadoras.

Em resumo, a Festa da Apresentação do Senhor é uma celebração profunda e rica de significado, que nos leva a refletir sobre o sentido da consagração e a nossa própria entrega a Deus. Ela nos convida a renovar o compromisso de ser luz para o mundo, a seguir o exemplo de Maria e José na obediência a Deus e a refletir sobre o testemunho dos consagrados, que, ao dedicar toda a sua vida ao Senhor, tornam-se sinais vivos de Seu amor. Que, neste dia, todos possamos renovar nossa fé e nossa vocação, buscando viver de maneira cada vez mais fiel o chamado de Deus para nossas vidas.

Comentário dos textos bíblicos


Revista de Liturgia

1. Aprofundando os textos bíblicos:

  • Malaquias 3,1-4;
  • Salmo 24 (23);
  • Hebreus 2, 14-18;
  • Lucas 2,22-40

O episódio da apresentação de Jesus no Templo enfatiza sua pertença ao Pai, desde o início da existência (1,31-32), e sua identidade messiânica como luz e salvação. A consagração do primogênito exigia apenas o resgate por meio do sacrifício de um animal (Ex 13,2.12-13; 34,19-20). O rito da purificação era prescrito à mãe da criança: 40 dias após o parto de um menino, e 80 dias se fosse menina (Lv 12,1-8). Maria e José ofereceram um par de rolas ou dois pombinhos, a oferta dos pobres, pois não podiam oferecer um cordeiro para o sacrifício.

Ana e Simeão representam o resto de Israel à espera da manifestação plena da salvação, indicando que os pobres são os primeiros destinatários da missão libertadora de Jesus (4,18ss). Segundo a profecia de Simeão, Jesus será motivo de queda e elevação, por sua atuação em favor dos excluídos. Ana, profetisa como Míriam (Ex 15,20), Débora (Jz 4,4), pertencia à tribo de Aser no extremo norte da Galileia. Viúva, virtuosa e santa, Ana dava graças a Deus e falava do menino a todos os que esperavam a redenção, reconhecendo-o como o Salvador. O pai e a mãe de Jesus, maravilhados com o que haviam escutado, voltaram para Nazaré.

O menino crescia em “sabedoria” e “graça”, atributos que lhe vêm  do Pai, o qual guiará o seu caminho de fidelidade. A profecia de Malaquias remete ao pós-exílio, quando o Templo já havia sido reconstruído, e propõe um culto conforme a justiça e a ética para ser agradável ao Senhor. O Salmo realça a entrada do Rei da Glória no Templo, o Senhor que sustenta seu povo na busca da justiça e fraternidade. A leitura aos Hebreus apresenta Cristo sumo sacerdote misericordioso, solidário com a humanidade pecadora.

2. A palavra na vida

Simeão e Ana ensinam a deixar-se conduzir pelo Espírito, a fim de reconhecer e anunciar a presença de Jesus como luz e salvação de todos os povos. 

3. A palavra na celebração

O gesto de Maria que “oferece” se traduz em gesto litúrgico em cada Eucaristia. Quando o pão e o vinho frutos da terra e do trabalho humano nos são restituídos como Corpo e Sangue de Cristo, nós também nos tornamos corpo de Cristo, pão e vinho para quem tem fome e sede.

Bênção e Procissão das Velas na Festa da Apresentação do Senhor

1ª Forma: Procissão

1. Na forma conveniente, os fiéis se reúnem numa igreja menor ou em outro lugar adequado, fora da Igreja para a qual se dirige a procissão. Trazem nas mãos velas apagadas.

2. O presbítero, acompanhado dos ministros, dirige-se ao lugar da reunião, revestido de paramentos brancos para a Missa. Em lugar da casula poderá usar a capa, depondo-a no fim da procissão.

3. Enquanto se acendem as velas, canta-se a antífona seguinte ou outro canto apropriado:

Eis que virá o Senhor onipotente iluminar os nossos olhos, aleluia.

4. O presbítero saúda o povo, como de costume, e faz uma breve exortação, convidando os fiéis a celebrarem de modo ativo e consciente o rito da festa. Pode usar estas palavras ou outras semelhantes:

Irmãos e Irmãs, há quarenta dias celebrávamos com alegria o Natal do Senhor. E hoje chegou o dia em que Jesus foi apresentado ao Templo por Maria e José. Conformava-se assim à Lei do Antigo Testamento, mas na realidade vinha ao encontro do seu povo fiel. Impulsionados pelo Espírito Santo, o velho Simeão e a profetisa Ana foram também ao Templo. Iluminados pelo mesmo Espírito, reconheceram o seu Senhor naquela criança e o anunciaram com júbilo.

Também nós, reúnidos pelo Espírito Santo, vamos nos dirigir à casa de Deus, ao encontro de Cristo. Nós o encontraremos e reconheceremo na fração do pão, enquanto esperamos a sua vinda gloriosa.

5. Depois da exortação, o presbítero, de mãos unidas, benze as velas, dizendo:

Oremos.

Deus fonte e origem de toda luz,
que hoje mostrates ao justo Simeão
a luz que ilumina as nações,
nós vos pedimos humildemente:
santificai estas velas com a vossa bênção,
e atendei às preces do vosso povo aqui reunido.
Fazei que, levando-as nas mãos em vossa honra
e seguindo o caminho da virtude,
cheguemos à luz que não se apaga.
Por Cristo, nosso Senhor.
Amém.

Ou:

Oremos.
Ó Deus, luz verdadeira,
fonte e princípio da luz eterna,
fazei brilhar no coração de vossos fiéis
a luz que não se extingue,
para que, iluminados por estas velas
no vosso templo santo,
cheguemos ao esplendor da vossa glória.
Por Cristo, nosso Senhor.
Amém.

Em silêncio, asperge as velas com água benta.

6. O presbítero recebe a vela preparada para ele e dá início à procissão, dizendo:

Vamos em paz,
ao encontro do Senhor.

7. Durante a procissão canta-se a seguinte antífona, com o cântico indicado ou outro canto conveniente:

Ant. Uma luz que brilhará para os gentios
e para a glória de Israel, o vosso povo.

Deixai, agora, vosso servo ir em paz,
conforme prometestes, ó Senhor.

Ant. Uma luz que brilhará para os gentios
e para a glória de Israel, o vosso povo.

Pois meus olhos viram vossa salvação.

Ant. Uma luz que brilhará para os gentios
e para a glória de Israel, o vosso povo.

Que preparastes ante a face das nações:

Ant. Uma luz que brilhará para os gentios
e para a glória de Israel, o vosso povo.

8. Ao entrar a procissão na Igreja, canta-se a antífona da entrada. Chegando ao altar, o presbítero o saúda e, se for oportuno, o incensa. Vai à cadeira e, se usou a capa, troca-a para casula. Depois do canto do Glória, diz a oração como de costume e a missa prossegue de modo habitual.

2ª forma: Entrada Solene

9. Os fiéis reúnem-se na igreja com as velas nas mãos. O presbítero, de paramentos brancos, com os ministros e uma delegação de fiéis, dirige-se a um lugar apropriado, quer diante da porta da igreja, quer no interior, onde pelo menos grande parte do povo possa participar do rito com facilidade.

10. Quando o presbítero chega ao lugar designado, acendem-se as velas ao canto da antífona: Eis que virá o Senhor ou de outro apropriado.

11. O presbítero, depois da saudação e exortação, benze as velas, como acima (n. 4 e 5) e faz-se a procissão para o altar com o canto (6 e 7). Na Missa observa-se o que foi dito no nº 8.

Recebemos, ó Deus, a vossa misericórdia
no meio de vosso templo.
Vosso louvor se estende, como o vosso nome,
até os confins da terra;
toda a justiça se encontra em vossas mãos.

Deus eterno e todo poderoso,
ouvi as nossas súplicas.
Assim como o vosso Filho único,
revestido da nossa humanidade,
foi hoje apresentado no templo,
fazei que nos apresentemos diante de vós
com os corações purificados.
Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho,
na unidade do Espírito Santo.

O Senhor esteja convosco.
Ele está no meio de nós.

Corações ao alto.
O nosso coração está em Deus.

Demos graças ao Senhor, nosso Deus.
É nosso dever e nossa salvação.

Na verdade, é justo e necessário,
é nosso dever e salvação
dar-vos graças, sempre e em todo lugar,
Senhor, Pai santo,
Deus eterno e todo-poderoso.

Vosso Filho eterno,
hoje apresentado no templo,
é revelado pelo Espírito Santo
como glória do vosso povo
e luz de todas as nações.

Por esta razão,
também nós corremos
ao encontro do Salvador;
e, com os anjos e com todos os santos,
proclamamos a vossa glória,
cantando  a uma só voz:

Santo, Santo, Santo…

Meus olhos viram o Salvador,
que preparastes, ó Deus, para todos os povos.

Por esta comunhão, ó Deus,
completai em nós a obra da vossa graça
e concedei-nos alcançar a vida eterna,
caminhando ao encontro do Cristo,
como correspondestes à esperança de Simeão,
não consentindo que morresse
antes de acolher o Messias.
Por Cristo, nosso Senhor.

A Sacramentalidade da Revelação e da Liturgia

O vídeo acima, acessível através do link https://www.youtube.com/watch?v=VX7pbMYk0Co, integra a programação da 2ª Maratona Sacrosanctum Concilium 2024. Neste material, o Pe. Danilo César e a Ir. Veronice Fernandes, pddm, nos conduzem em uma reflexão enriquecedora e profunda sobre um tema central para a vida litúrgica e espiritual da Igreja: “A Sacramentalidade da Revelação e da Liturgia”. Através de suas palavras e ensinamentos, ambos aprofundam o entendimento sobre como a Revelação de Deus se manifesta de forma sacramental e como a Liturgia é o espaço privilegiado para essa manifestação se tornar visível e concreta na vida dos fiéis. A reflexão proporcionada por esse vídeo é uma oportunidade para compreender melhor os mistérios da fé e a importância da Liturgia no caminho de santificação e encontro com Deus.

A Sacramentalidade da Revelação e da Liturgia

A palavra “sacramentalidade” remete à presença de Deus nas realidades visíveis e tangíveis do mundo, algo que é um ponto central na fé cristã. A sacramentalidade é um conceito que se desvela principalmente na Revelação de Deus e na Liturgia, sendo estes dois pilares inseparáveis da experiência cristã. A Revelação de Deus, ao se manifestar de forma concreta através da história e da encarnação de Jesus Cristo, torna-se um dos principais pontos de encontro entre o divino e o humano. Já a Liturgia, como expressão pública e comunitária da fé, oferece um espaço privilegiado onde o mistério divino é celebrado e vivido de maneira sacramental.

A Revelação: Deus se Faz Presente

A Revelação de Deus é a manifestação de Sua vontade, Sua essência e Sua presença no mundo. A Bíblia, a Tradição e a Igreja como toda são canais através dos quais Deus se comunica com a humanidade. A sacramentalidade da Revelação está justamente no fato de que Deus escolheu se revelar de maneira acessível e concreta, em momentos e gestos específicos, que tocam o ser humano de maneira profunda e transformadora.

O ponto culminante dessa Revelação é a encarnação de Jesus Cristo. A Palavra de Deus, que estava com Deus desde o início, se fez carne e habitou entre nós (João 1,14). A sacramentalidade aqui se dá pela presença visível e histórica de Cristo, que é o próprio Deus em forma humana. Sua vida, sua morte e sua ressurreição são acontecimentos fundantes da nossa fé, e todas essas ações de Cristo são, de certa forma, sacramentos – sinais visíveis de uma graça invisível que nos une a Deus.

Além disso, a Revelação não se limita a um passado distante, mas continua viva na vida da Igreja. Cada vez que a Palavra de Deus é proclamada, ela se torna um canal de encontro com o divino. A Revelação é, portanto, dinâmica e transformadora, porque, por meio da Palavra e da ação de Cristo, ela é sempre atualizada e vivida nas comunidades cristãs.

A Liturgia: O Encontro com o Divino no Mundo Visível

A Liturgia, por sua vez, é o espaço onde a sacramentalidade da Revelação se torna visível e palpável. Ela é a ação pública da Igreja, que celebra os mistérios de Deus, especialmente através dos sacramentos. A Liturgia é, portanto, uma forma de “vivenciar” a Revelação de Deus, de transformar os mistérios da fé em ações e gestos que podem ser percebidos pelos sentidos humanos.

Cada sacramento, por exemplo, é um “sinal visível” da graça de Deus, sendo uma mediação através da qual o divino se torna acessível e presente no cotidiano dos fiéis. Na Eucaristia, por exemplo, o pão e o vinho se tornam o Corpo e o Sangue de Cristo, uma transformação que é simultaneamente visível e invisível. O ritual, as palavras e os gestos litúrgicos são canais através dos quais Deus se comunica, tornando-se presente na vida da comunidade. A água do batismo, o óleo da unção, o pão e o vinho da Eucaristia, todos esses elementos se tornam meios pelos quais a graça de Deus se torna tangível e real.

A Liturgia, portanto, não é apenas um conjunto de rituais, mas é uma forma de participar da própria vida de Deus, de ser transformado por Ele. Cada celebração litúrgica é uma oportunidade de viver a Revelação de Deus de maneira concreta, de experimentar Sua presença e de ser conduzido à santidade.

A Sacramentalidade como Caminho de Santidade

A sacramentalidade da Revelação e da Liturgia, em última análise, nos chama à santidade. A Revelação de Deus, que se fez carne em Cristo, nos oferece o modelo perfeito de vida, enquanto a Liturgia nos proporciona os meios de viver essa vida em Cristo, por meio dos sacramentos e da celebração comunitária.

Através dos sacramentos, os cristãos recebem a graça necessária para viver de acordo com a vontade de Deus. A confissão purifica a alma, a Eucaristia fortalece espiritualmente, o matrimônio santifica a união entre os esposos, e a unção dos enfermos oferece conforto e cura. Cada sacramento é um momento de encontro com o divino, que nos transforma de dentro para fora, ajudando-nos a viver mais plenamente de acordo com o Evangelho.

Além disso, a Liturgia, como um evento comunitário, reflete a Igreja em sua totalidade, enquanto Corpo de Cristo. Participar da Liturgia é, portanto, também uma forma de aprofundar nossa comunhão com outros membros da Igreja, com a qual compartilhamos a mesma fé e esperança. A sacramentalidade da Liturgia nos une uns aos outros e nos fortalece na caminhada cristã, pois nos coloca na presença de Deus e nos torna participantes da Sua ação salvífica.

Conclusão: A Presença de Deus no Mundo Visível

A sacramentalidade da Revelação e da Liturgia nos lembra que Deus não está distante, mas se faz presente nas realidades do mundo e da história. A Revelação de Deus, em Cristo e nas Escrituras, é a chave para compreendermos o sentido da vida e o mistério da nossa salvação. A Liturgia, por sua vez, oferece o meio pelo qual experimentamos a presença de Deus de maneira concreta e acessível, transformando o que é visível em um sinal de Sua graça. Juntas, a Revelação e a Liturgia nos convidam a uma vida de fé profunda e de comunhão com Deus, uma vida em que o divino toca o humano e nos chama à santidade.

Jubileu da Esperança: Um Convite à Renovação Espiritual e à Solidariedade

Por Ir. Julia de Almeida, pddm

O Jubileu da Esperança é um evento de profunda relevância para a Igreja Católica, representando uma oportunidade única de renovação espiritual, conversão pessoal e solidariedade coletiva. Em um mundo marcado por desafios sociais, crises econômicas, e incertezas existenciais, este Jubileu surge como um convite para que todos os fiéis se reencantem com a vida e reavivem a esperança, seja no plano individual, seja no plano coletivo.

O que é o Jubileu da Esperança?

Tradicionalmente, o Jubileu é um evento de celebração e perdão que acontece a cada 25 anos dentro da Igreja Católica. No entanto, o Jubileu da Esperança é uma celebração especial, marcada por um foco central: reacender a chama da esperança nas vidas dos cristãos, especialmente nas épocas de adversidade. Ele vai além de uma simples lembrança de eventos passados; trata-se de um chamado para a mudança interior, para a superação de obstáculos e para a construção de uma sociedade mais fraterna e justa.

A ideia central do Jubileu da Esperança é que, mesmo diante das dificuldades da vida, nunca devemos perder a confiança nas promessas de Deus e no poder da solidariedade humana. Mais do que nunca, a humanidade precisa resgatar a esperança no futuro e, para isso, é necessário unir forças, colaborar com o próximo e vivenciar os valores do Evangelho.

O Significado Espiritual do Jubileu da Esperança

No contexto da Igreja Católica, um Jubileu é um ano de perdão, de reconciliação e de misericórdia. Durante o Jubileu da Esperança, a ênfase recai sobre a necessidade de reviver a fé, olhar para o futuro com confiança e renovar os compromissos com os valores do Reino de Deus. A Igreja convida os fiéis a refletirem sobre suas vidas, a reconciliarem-se com Deus e com os outros, e a viverem com mais intensidade a fraternidade e o amor ao próximo.

Esse Jubileu não se limita à busca pessoal por esperança, mas se expande à dimensão comunitária, incentivando a Igreja a ser um farol de luz e acolhimento para aqueles que enfrentam dificuldades. O evento é uma verdadeira “convocação para o renascimento espiritual” onde os fiéis são chamados a vivenciar um tempo de oração intensa, penitência, e ações concretas de caridade, transformando o sofrimento em uma oportunidade de crescimento e união.

A Esperança como Virtude Cristã

A esperança é uma das três virtudes teologais na fé cristã, juntamente com a fé e a caridade. Ela não se baseia em otimismo ou ilusões, mas na confiança em Deus e em Sua promessa de vida eterna. Durante o Jubileu da Esperança, somos convidados a vivenciar essa virtude de maneira profunda, reconhecendo que a esperança não é uma abstração, mas uma ação concreta de fé no cotidiano.

É um convite a olhar para a realidade com os olhos de Cristo, enxergando além das dificuldades e enxergando nas adversidades a possibilidade de transformação e renovação. A esperança, assim, nos move a trabalhar por um mundo mais justo, onde as promessas de paz e amor de Cristo sejam visíveis em cada ato de generosidade, em cada gesto de perdão e em cada obra de misericórdia.

A Esperança que se Traduz em Ação: Solidariedade e Compromisso Social

O Jubileu da Esperança também coloca em evidência o compromisso social dos cristãos. A esperança não é uma esperança passiva, mas uma esperança ativa, que leva os fiéis a agir em prol dos mais necessitados, a lutar contra a injustiça e a desigualdade, e a se comprometer com a construção de uma sociedade mais fraterna.

Durante este Jubileu, a Igreja incentiva os fiéis a se envolverem em ações concretas de solidariedade. Isso pode se traduzir em diversas iniciativas, como a ajuda aos pobres, a promoção da paz em ambientes conflituosos, a defesa da vida humana e a preservação do meio ambiente. Cada gesto de amor ao próximo é uma expressão da esperança que se renova.

O Jubileu da Esperança também é um convite para a transformação social, onde cada cristão é chamado a ser um instrumento de mudança. O evento propõe refletir sobre como a Igreja pode ser uma força positiva para a sociedade, especialmente em tempos de crise. Como cristãos, somos chamados a não apenas esperar um futuro melhor, mas a construir esse futuro com nossas mãos, com a nossa fé e com a nossa ação.

A Celebração do Jubileu: Peregrinação e Perdão

Como parte do Jubileu da Esperança, a Igreja oferece oportunidades de peregrinação, um caminho simbólico de renovação espiritual. Durante este ano especial, os fiéis são incentivados a fazer a peregrinação a lugares sagrados, visitar basílicas e participar de celebrações litúrgicas que marcam a vivência de um jubileu.

Além disso, a confissão e o perdão são aspectos centrais desse jubileu. A Igreja oferece a possibilidade de indulgências plenárias, que concedem perdão dos pecados e reconciliação com Deus. Isso representa uma oportunidade para todos, independentemente das dificuldades ou distâncias que possam existir, de se reconciliarem com Deus e com seus irmãos e irmãs, fortalecendo a convivência e a unidade.

Conclusão: A Esperança que Transforma o Mundo

O Jubileu da Esperança é uma verdadeira convocação para a renovação da fé, da esperança e do amor. Ele não é apenas uma celebração litúrgica, mas um momento de reflexão profunda sobre o sentido da vida, sobre os valores do Evangelho e sobre o nosso compromisso com o outro. Em tempos de incertezas, o Jubileu da Esperança nos lembra de que a verdadeira esperança está na confiança em Deus e na ação concreta para a construção de um mundo mais justo e fraterno. Que cada cristão se permita viver este tempo com intensidade, e que, ao final do Jubileu, possamos olhar para o mundo com os olhos da esperança, sabendo que, mesmo em tempos difíceis, a luz de Cristo sempre estará nos guiando.

Informe-se na sua comunidade sobre quais igrejas foram designadas como locais de peregrinação durante o Ano do Jubileu 2025 e descubra como participar dessa experiência. Esses templos serão espaços de devoção e oração, onde os fiéis terão a oportunidade de realizar peregrinações e participar de celebrações litúrgicas, como missas e confissões, buscando as indulgências concedidas pelo Jubileu. A indulgência plenária, oferecida pela Igreja nesse período, representa o perdão dos pecados e a renovação espiritual para aqueles que cumprirem as condições estabelecidas. Essas igrejas serão pontos especiais de fé, proporcionando aos fiéis uma vivência intensa do espírito do Jubileu, através de celebrações, orações e peregrinações. A Igreja faz um convite a todos para se aproximarem de Deus e buscarem a paz interior neste Ano Jubilar, que será um marco de renovação espiritual para toda a Igreja. Participe!

Arte Floral na Liturgia: A Estética a Serviço da Fé

Por Ir. Cidinha Batista
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A estética em nossa liturgia

A estética de uma celebração afeta todos os sentidos, e não apenas a visão. Também o ouvido pode se abrir mais a uma mensagem profunda quando a escuta em um som mais harmônico.

A liturgia tem essencialmente uma linguagem simbólica, com a qual nos introduz em uma visão mais profunda das coisas e do mistério que celebramos. A liturgia é feita de ideias e palavras, de ação misteriosa de Deus, de fé, mas também de intuição, comunicação, gestos e símbolos, alegria festiva, contemplação… Por isso, a linguagem da estética pertence a sua expressividade, porque pretende nos conduzir a uma sintonia profunda com a fonte de toda a salvação que Deus nos quer comunicar. Herdamos uma mentalidade que se mostra, em parte, demasiadamente, preocupada com a validade dos gestos sacramentais ou da ortodoxia das palavras. Sem descuidar disso – que já seria o suficiente – a liturgia nos faz celebrar os dons de Deus com uma riqueza muito mais expressiva de símbolos que afetam não só nossa mente ou nossa consciência de fé, mas também nossa sensibilidade e nosso senso afetivo. A estética afeta toda a liturgia: os quadros, os sinais, os gestos e movimentos, o canto, as flores…

A estética do lugar

Quando se refere ao lugar em que a comunidade se reúne para sua oração, a estética equivale a um ambiente acolhedor e confortável. Por sua iluminação, sua disposição ordenada e pela harmonia de seu conjunto, um espaço celebrativo deve proporcionar desde o primeiro momento uma sensação agradável: uma primeira prova do apreço que todos merecem pela celebração que vai ter lugar e pela comunidade que foi convocada.

A linguagem das flores

Um dos elementos que podem ser considerados representativos de nosso sentido da estética em torno da celebração são as flores. Todos entendem a linguagem das flores. Um ramalhete no cemitério, ou na missa festiva, ou como presente, não necessita de apresentação. Tanto na vida social como na liturgia, algumas flores dispostas harmoniosamente, cheias de cor e perfume cantam uma série de sentimentos: a alegria, a festa, o respeito, o amor, a dedicação de uma homenagem interior. O que pensamos quando observamos algumas flores diante da imagem de Nossa Senhora, ou diante do Santíssimo, ou na frente do ambão, ou junto ao túmulo de um ente querido? Desde a exuberante oferenda de milhares de flores a Nossa Senhora até a rosa solitária que uma criança oferece a sua mãe, ou um apaixonado a sua amada, ou um ramalhete que alguém carrega na procissão na Missa, tudo é um discurso de amor e de fé.

O autor (Rimaud) conta a respeito de um grupo de jovens que celebrava a Eucaristia ao ar livre, na África, sobre uma grande pedra que fazia as vezes de altar. Um pastorzinho os contemplou por longo tempo, e a seguir, silenciosamente, aproximou-se deles e colocou uma flor, que acabava de colher no campo, sobre a pedra do altar, junto ao pão e ao vinho, e retirou-se. Os jovens ficaram contemplando em silêncio o sentido de um gesto: uma flor que com sua beleza e seu perfume queria somar-se expressivamente à fé de um grupo e à consciência do encontro com o dom de Deus… A beleza de uma criatura somava-se à homenagem a seu Criador.

O senso estético das pessoas que se ocupam do adorno de uma igreja saberá, naturalmente, encontrar o equilíbrio e o lugar certo para as flores, sem sobrecarregar excessivamente os espaços. É toda uma linguagem expressiva, aquela falada pelas flores. Como também o é o fato de que no Advento e na Quaresma não apareçam em nosso espaço de celebração, porque queremos reservar sua alegria visual para o Natal ou para a Noite de Páscoa.

A estética a serviço da celebração

Evidentemente, a arte não é tudo. A dimensão estética de nossa celebração não é a última meta da liturgia. Não se trata de cair no esteticismo, que nos faria supervalorizar algo que é importante, mas, todavia, não é o mais importante. Não podemos nos contentar com uma realização harmônica dos ritos ou com a limpeza e o decoro do espaço celebrativo. A arte e a estética estão a serviço da fé, como o estão a Palavra, o canto e a linguagem dos símbolos. A estética é parte da linguagem da liturgia e, portanto, de sua eficácia e sua dinâmica. Faz-nos superar uma visão “consumista” ou “validista” dos sacramentos, torna-nos expressivos em nossa oração, alimenta-nos em nosso apreço pelo que celebramos, recordando-nos suavemente os valores transcendentes com os quais entramos em contato em nossa celebração. A estética não é algo que esteja fora da liturgia: está dentro dela, é algo integrante de nosso fazer ritual e nos ajuda a celebrar melhor.

ADALZÁBAL, José. Gestos e Símbolos. Ed Loyola. São Paulo, 2005.

Santo Tomás de Aquino: O Arquiteto da Harmonia entre Fé e Razão

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Santo Tomás de Aquino (1225-1274) foi um dos maiores teólogos e filósofos da história da Igreja Católica, cujas ideias continuam a influenciar profundamente o pensamento ocidental, especialmente dentro do contexto cristão. Nascido no reino de Nápoles, Itália, Tomás foi criado em uma família nobre, mas desde cedo sentiu o chamado para a vida religiosa, ingressando na Ordem dos Dominicanos, conhecida pela ênfase no estudo e na pregação. Sua vida foi dedicada ao aprofundamento do conhecimento, especialmente no campo da teologia e da filosofia, com o objetivo de entender e explicar os mistérios da fé cristã à luz da razão humana.

A grandiosidade do legado de Santo Tomás de Aquino reside na sua busca incessante por uma síntese entre fé e razão, duas dimensões que, para ele, não estavam em oposição, mas podiam e deveriam se complementar. Ele acreditava que a razão humana, com suas limitações, poderia, sim, chegar a uma compreensão mais profunda das verdades reveladas por Deus, e que a fé cristã deveria ser entendida não apenas através da revelação divina, mas também por meio da reflexão racional. Essa postura o levou a se tornar uma das figuras mais importantes na história da teologia cristã.

A Filosofia de Santo Tomás de Aquino: A Integração de Aristóteles com a Fé Cristã

Um dos aspectos mais marcantes do pensamento de Santo Tomás de Aquino foi sua capacidade de integrar a filosofia aristotélica com a doutrina cristã. Durante sua época, a filosofia grega, especialmente a de Aristóteles, estava sendo redescoberta e disseminada no mundo cristão, e Tomás foi um dos primeiros pensadores a perceber o potencial dessa filosofia para a explicação de conceitos teológicos. Aristóteles havia desenvolvido uma filosofia baseada na razão pura, mas, para Tomás, a verdadeira razão não poderia estar separada da fé.

Tomás de Aquino estudou profundamente a obra de Aristóteles, e essa filosofia tornou-se a base para muitos de seus próprios ensinamentos. Porém, ele não aceitava Aristóteles de maneira simples e incondicional. Em vez disso, ele usou a filosofia aristotélica como uma ferramenta para explicar e aprofundar a compreensão da revelação cristã. Por exemplo, enquanto Aristóteles via o mundo como um cosmos autossuficiente, Tomás argumentava que, apesar de a razão humana poder discernir muitos aspectos da realidade, ela ainda precisava da graça divina para compreender plenamente o mistério de Deus. A razão humana, para Tomás, não tinha a capacidade de chegar ao conhecimento pleno de Deus sem a ajuda da revelação divina.

Em sua obra mais conhecida, a Summa Theologica, Tomás de Aquino desenvolve uma abordagem sistemática para discutir os dogmas cristãos. A obra é dividida em três partes principais: a primeira aborda a natureza de Deus e a criação do mundo; a segunda, a moralidade humana e as virtudes; e a terceira, os mistérios da vida de Cristo e a salvação. Ao longo dessa obra monumental, ele utiliza a filosofia aristotélica para construir uma lógica teológica que busca integrar a fé cristã com a razão humana.

A Summa Theologica: A Obra-Prima de Santo Tomás de Aquino

A Summa Theologica é, sem dúvida, a obra mais emblemática de Santo Tomás de Aquino e uma das mais importantes realizações da história da filosofia e da teologia. Escrito em um formato de perguntas e respostas, o livro aborda questões fundamentais sobre a existência de Deus, a moralidade, os sacramentos, a criação e a natureza humana, entre muitos outros temas. O trabalho é impressionante tanto em seu escopo quanto em sua profundidade, com Tomás utilizando uma linguagem clara e acessível, mas ao mesmo tempo profundamente analítica.

Nessa obra, Tomás começa com a questão da existência de Deus. Ele apresenta suas famosas cinco vias para provar a existência de Deus, que se baseiam em argumentos racionais derivados da observação do mundo natural. Esses argumentos não são apenas religiosos, mas também filosóficos, refletindo a tentativa de Tomás de usar a razão humana para chegar à verdade divina. A Summa Theologica também aborda a questão da moralidade humana, descrevendo as virtudes e os vícios, a liberdade humana e a lei natural. Para ele, a moralidade não era algo arbitrário ou subjetivo, mas estava baseada em uma ordem objetiva que Deus havia colocado na criação.

Outro ponto central da Summa Theologica é a explicação dos mistérios da fé cristã, como a Encarnação e a Trindade. Embora esses mistérios não possam ser plenamente compreendidos pela razão humana, Tomás argumenta que é possível abordar essas questões de uma maneira lógica e filosófica, ajudando os fiéis a aprofundar sua compreensão desses dogmas.

A Summa Contra Gentiles: Defesa da Fé Cristã

Além da Summa Theologica, Tomás de Aquino também escreveu a Summa Contra Gentiles, uma obra destinada a defender a fé cristã contra as críticas de pensadores não cristãos. Essa obra é voltada, especialmente, para filósofos muçulmanos e judeus, e procura demonstrar que a fé cristã não é contrária à razão, mas pode ser compreendida e defendida racionalmente. A Summa Contra Gentiles segue uma linha semelhante à da Summa Theologica, mas seu foco é mais apologético, buscando estabelecer a razão como aliada da fé, em vez de um elemento em conflito com ela.

Tomás de Aquino também abordou questões filosóficas mais práticas em outras obras, como o Comentário às Sentenças de Pedro Lombardo, em que oferece uma interpretação e explicação sistemática dos textos teológicos mais importantes da época.

Legado e Influência

A influência de Santo Tomás de Aquino não se limita ao campo da filosofia e da teologia. Sua abordagem racional e sistemática para o estudo da fé e da moralidade teve um impacto profundo em muitas áreas do conhecimento, incluindo a ética, a política e a educação. A ideia de que a razão e a fé podem trabalhar juntas para entender a verdade divina foi revolucionária, e sua obra continua a ser uma referência essencial para estudiosos de diversas tradições religiosas e filosóficas.

Canonizado em 1323 e proclamado Doutor da Igreja em 1567, Santo Tomás de Aquino se tornou uma figura central na tradição cristã, e suas obras são estudadas até hoje, especialmente nas escolas católicas e universidades ao redor do mundo. Sua vida e seus escritos continuam a inspirar aqueles que buscam conciliar a razão e a fé, fornecendo uma visão clara de como o intelecto humano pode ser utilizado para compreender as profundezas da revelação divina.

Santo Tomás de Aquino nos deixou um legado imenso, que permanece relevante e útil para os desafios contemporâneos, mostrando que a busca pela verdade é uma jornada que pode integrar razão e fé de maneira harmoniosa e profunda. Seu exemplo de vida intelectual e espiritual continua a ser uma inspiração para todos os que desejam seguir a verdade, seja no campo da teologia, da filosofia ou de qualquer outro domínio do conhecimento humano.

Santo Tomás de Aquino produziu uma vasta quantidade de obras ao longo de sua vida, abordando uma ampla gama de tópicos, desde a teologia e filosofia até a ética e política. Aqui está uma lista das principais obras de Santo Tomás de Aquino:

Obras Principais

  1. Summa Theologica (Summa Teológica)
    • Sua obra mais famosa e influente, na qual Tomás organiza e discute a teologia cristã de maneira sistemática. Ela aborda a existência de Deus, a moralidade humana, os sacramentos e muitos outros temas.
  2. Summa Contra Gentiles
    • Apresenta uma defesa da fé cristã contra os argumentos de pensadores não cristãos (muçulmanos, judeus e filósofos gregos), utilizando a razão para mostrar a compatibilidade entre a filosofia e a revelação cristã.
  3. Comentário às Sentenças de Pedro Lombardo
    • Um comentário detalhado das “Sentenças” de Pedro Lombardo, um dos textos teológicos mais importantes da Idade Média. Aqui, Tomás explica e organiza as questões teológicas propostas por Lombardo.
  4. De Veritate (Sobre a Verdade)
    • Um tratado sobre a natureza da verdade, abordando sua definição, origem e relação com Deus e com a razão humana.
  5. De Potentia (Sobre o Poder)
    • Um tratado sobre o poder de Deus, abordando temas como a relação entre o poder divino e a vontade humana.
  6. De Aeternitate Mundi (Sobre a Eternidade do Mundo)
    • Um tratado filosófico que discute a questão da eternidade do mundo em relação à criação divina, com base em argumentos aristotélicos e cristãos.
  7. De Malo (Sobre o Mal)
    • Um estudo sobre a natureza do mal, sua origem e como ele se relaciona com o bem. Tomás tenta explicar como o mal pode existir em um mundo criado por um Deus bom.
  8. De Regimine Principum (Sobre o Governo dos Príncipes)
    • Um tratado sobre política, discutindo a natureza do governo, a justiça e as virtudes que um governante deve possuir para governar de forma justa.
  9. Commentaria in Libros Physicorum (Comentário sobre os Livros Físicos de Aristóteles)
    • Um comentário detalhado sobre a obra “Física” de Aristóteles, na qual Tomás analisa a natureza e as leis do mundo físico.
  10. Commentaria in Libros Metaphysicorum (Comentário sobre os Livros Metafísicos de Aristóteles)
    • Um comentário sobre os livros de Aristóteles que abordam a metafísica, onde Tomás interpreta e explica as doutrinas metafísicas aristotélicas à luz da fé cristã.
  11. Commentaria in libros Ethicorum (Comentário sobre os Livros Éticos de Aristóteles)
    • Um comentário sobre a “Ética a Nicômaco” de Aristóteles, que trata da moralidade e da virtude humana, com reflexões cristãs sobre a ética e a virtude.

Outras Obras Importantes

  1. Adversus Errores Graecorum (Contra os Erros dos Gregos)
    • Um tratado teológico apologético contra as doutrinas dos cristãos orientais (principalmente os bizantinos), defendendo a ortodoxia da Igreja Católica.
  2. Contra Gentiles (Contra os Gentios)
    • Uma obra que visa argumentar em favor da fé cristã de uma forma acessível e racional, respondendo aos argumentos de filósofos não cristãos.
  3. Compendium Theologiae (Compêndio de Teologia)
    • Uma versão resumida da Summa Theologica, escrita de forma mais breve, mas mantendo os principais pontos da teologia católica.
  4. De Caritate (Sobre a Caridade)
    • Um estudo sobre a virtude da caridade, que é central no ensinamento cristão. Tomás de Aquino discute a natureza da caridade e sua relação com as outras virtudes.
  5. Expositio super Epistolam ad Romanos (Exposição sobre a Epístola aos Romanos)
    • Comentário sobre a carta de São Paulo aos Romanos, um dos textos fundamentais do Novo Testamento.
  6. De Spiritu et Anima (Sobre o Espírito e a Alma)
    • Um estudo sobre a natureza da alma humana e sua relação com o corpo, influenciado pela filosofia aristotélica.
  7. De Poena (Sobre a Pena)
    • Um tratado sobre as punições, tratando da natureza da justiça penal e suas implicações para a moralidade humana.

Sermões e Cartas

  1. Sermões
    • Santo Tomás de Aquino também escreveu muitos sermões sobre diversos temas, incluindo festas litúrgicas, virtudes cristãs e ensinamentos bíblicos.
  2. Cartas
    • Ele escreveu diversas cartas para amigos, colegas teólogos, membros da Igreja e até governantes, tratando de questões teológicas e práticas da Igreja.

Outras obras menores e textos filosóficos

Santo Tomás de Aquino escreveu ainda muitos outros textos menores, muitos dos quais são comentários a obras filosóficas, como as de Aristóteles, e sobre questões teológicas menores, como a natureza do pecado original e a relação entre fé e razão. Alguns desses textos foram escritos para responder a questionamentos de seus contemporâneos ou para tratar de dúvidas específicas dentro da Igreja.

A produção intelectual de Santo Tomás de Aquino é vasta e abrange uma impressionante variedade de temas, desde a metafísica até a ética, passando pela teologia sistemática e pela filosofia prática. Suas obras são fundamentais não apenas para a compreensão da teologia cristã medieval, mas também para a história da filosofia ocidental. Sua influência perdura até hoje, sendo estudada em universidades ao redor do mundo e profundamente respeitada pela Igreja Católica.

A produção filosófica de Santo Tomás de Aquino é uma das mais significativas e influentes na história do pensamento ocidental. Sua filosofia procurou integrar a razão humana com a fé cristã, buscando uma harmonia entre a reflexão filosófica e as verdades reveladas pela religião. Tomás de Aquino foi um grande expoente do escolasticismo, movimento intelectual medieval que tentava conciliar a razão com a teologia cristã. A filosofia tomista, como é conhecida, tem como pilares principais a metafísica, a ética, a teoria do conhecimento e a filosofia natural, e ainda exerce grande influência nas correntes filosóficas e teológicas contemporâneas.

A Integração de Aristóteles e a Filosofia Cristã

Um dos maiores feitos filosóficos de Tomás de Aquino foi a integração da filosofia de Aristóteles com a teologia cristã. Na época, as obras de Aristóteles estavam sendo redescobertas no Ocidente e, para Tomás, elas ofereciam uma base sólida para explicar o mundo de forma racional. Embora Aristóteles fosse um filósofo pagão, Tomás acreditava que a razão humana, quando utilizada adequadamente, poderia chegar ao conhecimento de Deus e das verdades da fé.

Tomás não aceitou Aristóteles de forma acrítica, mas adaptou suas ideias para a doutrina cristã. Por exemplo, Aristóteles falava sobre a “causa primeira” e o “motor imóvel”, conceitos que Tomás reinterpretou como um argumento para a existência de Deus. Para ele, a filosofia aristotélica poderia ser uma ferramenta válida para explicar a criação do mundo e a ordem natural estabelecida por Deus.

Metafísica: O Ser, a Causa Primeira e Deus

A metafísica de Tomás de Aquino tem como um de seus pontos centrais a análise do ser. Para Tomás, a realidade é composta por entes que têm uma existência concreta no mundo, mas sua existência depende de um ser necessário, que é Deus. Ele via Deus como a causa primeira e a causa última de tudo que existe. Seu famoso argumento das “Cinco Vias” para provar a existência de Deus, baseado na observação do mundo, é uma das contribuições mais conhecidas de sua metafísica. Essas vias são argumentos filosóficos racionais que buscam mostrar a necessidade de uma causa transcendente para a origem e a ordem do universo.

As Cinco Vias de Tomás para provar a existência de Deus são:

  • A Via do Movimento: Argumenta que tudo o que se move é movido por algo. Esse movimento não pode regressar até o infinito, portanto, deve haver um “motor imóvel” (Deus).
  • A Via da Causalidade: Tudo que existe tem uma causa, e essa cadeia de causas não pode ser infinita. Assim, deve haver uma causa primeira não causada, que é Deus.
  • A Via da Contingência: As coisas no mundo são contingentes, ou seja, poderiam não existir. Portanto, deve haver um ser necessário (Deus) que garante a existência dos seres contingentes.
  • A Via dos Graus de Perfeição: A existência de diferentes graus de perfeição no mundo (como o bem, a verdade e a bondade) aponta para a perfeição máxima, que é Deus.
  • A Via da Finalidade: O mundo apresenta uma ordem e uma finalidade, o que implica um ser inteligente que dirige essa ordem, ou seja, Deus.

Teoria do Conhecimento: A Relação entre Razão e Fé

Na filosofia de Tomás de Aquino, a razão e a fé não são vistas como opostas, mas como complementares. Ele argumentava que a razão humana, embora limitada, é capaz de compreender e demonstrar muitas verdades sobre o mundo e a natureza humana. No entanto, a razão sozinha não pode alcançar as verdades sobrenaturais e reveladas, que estão além da capacidade humana de entendimento. A fé, portanto, é necessária para acessar os mistérios divinos, como a Trindade e a Encarnação de Cristo.

Tomás via o intelecto humano como capaz de conhecer as realidades naturais através da experiência sensível e da razão, mas reconhecia que certos aspectos da verdade, especialmente os mistérios da fé, só podem ser conhecidos através da revelação divina. Ele também abordou a analogía como uma forma de falar sobre Deus: embora as palavras humanas não possam expressar plenamente a natureza divina, elas podem ser usadas de maneira analógica para se aproximar do entendimento de Deus.

Filosofia Moral: Ética das Virtudes

A ética tomista está fortemente ancorada na teoria das virtudes. Para Santo Tomás, a vida moral é uma busca pela felicidade (ou beatitude), que é alcançada por meio da prática das virtudes. Ele baseia sua teoria ética nas ideias de Aristóteles, mas com a integração da revelação cristã. Assim, para Tomás, as virtudes humanas devem ser guiadas pela razão prática, mas também pela graça divina.

Ele classificou as virtudes em teológicas (fé, esperança e caridade) e cardeais (prudência, justiça, fortaleza e temperança). As virtudes cardeais são essenciais para a vida moral, enquanto as teológicas são infundidas por Deus e orientam o ser humano em direção ao bem supremo, que é a união com Deus.

Tomás também discutiu a lei natural, que, segundo ele, é uma participação da lei divina na razão humana. A lei natural é a capacidade que o ser humano tem de discernir o bem do mal com base na razão, independentemente da revelação divina. A moralidade, para Tomás, é objetivamente ordenada à razão, e é o cumprimento dos preceitos da lei natural que leva o ser humano à perfeição moral.

Filosofia Política

Tomás de Aquino também refletiu sobre a filosofia política, influenciado tanto pela tradição cristã quanto pela filosofia aristotélica. Em sua obra De Regimine Principum (Sobre o Governo dos Príncipes), ele discutiu o papel do governante e a natureza do poder político. Tomás defendia que o governo deveria ser baseado na justiça e no bem comum, e que o governante tinha a responsabilidade de assegurar a paz e a ordem na sociedade, governando de acordo com a moral natural e a lei divina.

Ele acreditava que o poder político tinha sua origem na ordem natural e na lei divina, sendo, portanto, subordinado à autoridade divina. Além disso, Tomás afirmava que a autoridade do governante deveria ser exercida em consonância com os princípios morais, e que a lei positiva (criada pelos seres humanos) deve estar em harmonia com a lei natural e divina.

A produção filosófica de Santo Tomás de Aquino representa uma síntese notável entre a razão e a fé, entre a filosofia clássica e a teologia cristã. Sua filosofia oferece uma visão integrada do ser humano, do mundo e de Deus, e propõe uma abordagem racional e ordenada para questões fundamentais sobre a existência, a moralidade e a sociedade. A filosofia tomista continua a ser um pilar central na tradição católica e exerce grande influência em várias áreas do conhecimento, como a ética, a política, a metafísica e a teologia.

Referências:

Livros de Santo Tomás de Aquino

  • AQUINO, Tomás de. Summa Theologica. Tradução de Frei Carlos de Almeida, São Paulo: Editora Loyola, 2004.
  • AQUINO, Tomás de. Summa Contra Gentiles. Tradução de Frei Carlos de Almeida, São Paulo: Editora Loyola, 1996.
  • AQUINO, Tomás de. Comentário sobre as Sentenças de Pedro Lombardo. Tradução de Dom Estêvão Pinto, São Paulo: Editora Paulus, 2005.
  • AQUINO, Tomás de. De Veritate. Tradução de Frei Carlos de Almeida, São Paulo: Editora Loyola, 1997.

Livros de Estudo e Introdução

  • GILSON, Étienne. A Filosofia de São Tomás de Aquino. Tradução de Frei José de São Boaventura, São Paulo: Editora Loyola, 1990.
  • MCOOL, Gerald. Thomas Aquinas: A Very Short Introduction. Oxford: Oxford University Press, 2002.
  • WIPPEL, John F. The Metaphysical Thought of Thomas Aquinas: From Finite Being to Uncreated Being. Washington D.C.: The Catholic University of America Press, 2000.

Artigos e Ensaios Acadêmicos

  • McGINNIS, John D. (Ed.). Aquinas on the Divine Ideas. Oxford: Oxford University Press, 2007.
  • CHESTERTON, G.K. St. Thomas Aquinas. New York: Doubleday, 1956.

História da Filosofia

  • COPELSTON, Frederick. História da Filosofia. Volume 2: A Filosofia Medieval. Tradução de Hélio G. Brandi, São Paulo: Editora Unesp, 1999.
  • The Cambridge Companion to Aquinas, Editado por Eleonore Stump e Norman Kretzmann, Cambridge: Cambridge University Press, 1993.

Documentos da Igreja e Enciclopédia Católica

Reflexão: A Vontade de Deus como Caminho de Comunhão e Plenitude

Os textos de Marcos 3,31-35, Hebreus 10,1-10 e o Salmo 39(40) convergem em um poderoso chamado: viver segundo a vontade de Deus. Eles nos convidam a enxergar a profundidade da relação que Deus deseja estabelecer conosco, marcada pela obediência, pelo amor e pelo sacrifício que gera vida.

Marcos 3,31-35: A verdadeira família de Jesus

Neste trecho do Evangelho, Jesus redefine o conceito de família. Quando informam que sua mãe e seus irmãos estão à sua procura, Ele afirma: “Quem é minha mãe? Quem são meus irmãos? Quem faz a vontade de Deus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe”. Com isso, Jesus nos ensina que a verdadeira família é formada por aqueles que vivem em comunhão com Deus, assumindo seu projeto de amor e justiça.

Esta passagem nos desafia a refletir: fazemos parte dessa família espiritual? Nossa vida tem sido guiada pela busca sincera de cumprir a vontade de Deus? Jesus nos convida a uma relação profunda com Ele, baseada na obediência e na entrega confiante.

Hebreus 10,1-10: O sacrifício perfeito de Cristo

A carta aos Hebreus nos recorda que os sacrifícios da antiga aliança eram apenas sombras de uma realidade maior. Eles não podiam, de fato, purificar o coração humano. No entanto, Cristo, ao se oferecer de uma vez por todas, cumpriu plenamente a vontade de Deus e nos santificou por meio de seu sacrifício.

Aqui, vemos que viver segundo a vontade de Deus não é apenas um ato de obediência, mas uma participação no plano de salvação realizado em Jesus. Ele nos mostra que o cumprimento da vontade divina exige entrega e renúncia, mas conduz à verdadeira liberdade e à plenitude da vida.

Salmo 39(40): “Eis que venho, Senhor, para fazer a vossa vontade”

O Salmo 39 é um cântico de entrega e confiança. O salmista proclama que Deus não se agrada de sacrifícios externos, mas de um coração disposto a fazer sua vontade. Ele clama: “Eis que venho, Senhor, para fazer a vossa vontade”, demonstrando que a verdadeira adoração está na entrega sincera ao querer divino.

Este Salmo é um eco da atitude de Cristo e um convite para nós: vivamos cada dia com a disposição de dizer “sim” a Deus, reconhecendo que Ele deseja o melhor para nós e para o mundo.

Reflexão Final

Os três textos nos conduzem a uma mesma mensagem: a verdadeira relação com Deus não está em ritos externos ou em laços meramente humanos, mas em fazer a sua vontade. Ser parte da família de Jesus é acolher o projeto divino com amor e obediência, assim como Ele mesmo fez.

Perguntemo-nos:

  • Tenho buscado discernir a vontade de Deus em minha vida?
  • Minhas escolhas refletem o desejo de estar em comunhão com Ele?

A teologia de Santo Tomás de Aquino, o qual fazemos memória hoje, coloca Cristo como o modelo supremo de obediência e sacrifício, realizando a vontade de Deus de maneira perfeita, sendo este o tema central que liga esses textos de maneira harmônica. Que possamos responder como o salmista e como Cristo: “Eis que venho, Senhor, para fazer a vossa vontade”. Assim, encontraremos sentido, alegria e plenitude na caminhada da fé.