DA LUZ AO SEGUIMENTO: O CAMINHO QUE A LITURGIA NOS ENSINA

Domingo, 25 de Janeiro de 2026
3º Domingo do Tempo Comum, Ano A
Hoje, omite-se a Festa de Conversão de São Paulo, Apóstolo

Leituras: Is 8,23b-9,3 ou At 9,1-22 | Sl 26(27),1.4.13-14 (R. 1a.1c) | 1Cor 1,10-13.17 | Mt 4,12-23

A liturgia deste 3º Domingo do Tempo Comum nos ajuda a compreender que a fé cristã não começa por uma ideia ou por uma norma, mas por um encontro que ilumina e chama. Ao longo das últimas celebrações, desde o 2º Domingo do Tempo Comum, a Igreja vem nos conduzindo por um verdadeiro caminho pedagógico: primeiro, somos convidados a reconhecer quem é Jesus; depois, a perceber o que sua presença provoca; e, finalmente, a responder ao seu chamado.

No Evangelho de hoje, Jesus inicia sua missão pública na Galileia, região considerada periférica e marcada por contrastes. A escolha não é casual. É ali, onde a vida parece mais confusa e ferida, que a luz prometida pelos profetas começa a brilhar. A liturgia retoma as palavras de Isaías: “O povo que andava nas trevas viu uma grande luz”. Com isso, nos ensina que Deus não espera um mundo ideal para agir; Ele entra na história concreta e a transforma a partir de dentro.

A primeira palavra de Jesus é clara: “Convertei-vos, porque o Reino dos Céus está próximo.” A conversão que a liturgia nos propõe não é apenas moral ou individual. Trata-se, antes de tudo, de aprender a olhar a realidade a partir do Reino. Quando o Reino se aproxima, muda-se o centro da vida, mudam-se as prioridades, mudam-se as relações.

Esse chamado à conversão já vinha sendo preparado ao longo da semana: nos Evangelhos de Marcos, vimos Jesus questionar práticas religiosas rígidas, colocar a vida acima da norma, curar no sábado e enfrentar resistências. A liturgia nos educa, assim, para compreender que seguir Jesus exige mais do que cumprir regras: exige discernimento, escuta e abertura ao novo de Deus.

Ao chamar os primeiros discípulos, Jesus não faz um longo discurso. Ele convida: “Vinde após mim.” A resposta é imediata: eles deixam as redes, o barco e o pai. Essas imagens falam diretamente à nossa vida.

As redes simbolizam aquilo que nos sustenta e nos dá segurança. O barco representa o espaço conhecido, controlável. Deixar tudo isso não significa desprezar a própria história, mas permitir que ela seja reorganizada a partir do Evangelho. A liturgia nos ensina que o seguimento cristão não é uma atividade paralela à vida, mas um novo modo de viver tudo.

A segunda leitura, da Primeira Carta aos Coríntios, reforça essa catequese. Paulo recorda que a comunidade cristã não pode se dividir em grupos ou preferências pessoais. Todos foram chamados pelo mesmo Cristo. A liturgia ajuda a compreender que a Igreja nasce do chamado e da escuta comum, não de afinidades humanas ou disputas internas.

Por isso, celebrar este domingo é também aprender a ser assembleia: pessoas diferentes, reunidas pela mesma Palavra, iluminadas pela mesma luz e enviadas para a mesma missão.

A liturgia, portanto, nos apresenta como escola de discipulado. Neste 3º Domingo do Tempo Comum, a liturgia nos educa passo a passo: ensina a reconhecer a luz que é Cristo; ajuda a discernir o que precisa ser convertido em nosso modo de viver a fé; e nos convida a responder com gestos concretos de seguimento.

Assim, a celebração não apenas fala de conversão e discipulado, mas os forma em nós. A cada domingo, a liturgia nos toma pela mão e nos conduz no caminho da fé, transformando a escuta em vida e a vida em missão.




ABERTURA DO CONSELHO DE INSTITUTO DAS PIAS DISCIPÚLAS

Ir. M. Louise O’Rourke, pddm

Erguer o olhar para o céu e deixar-se guiar pela promessa de Deus: é com esta atitude de fé e esperança que, no caminho inaugurado pelo X Capítulo Geral, as Pias Discípulas do Divino Mestre se preparam para viver um momento significativo para a vida da Congregação. No dia 20 de janeiro aconteceu a Celebração Eucarística de abertura deste evento que vai até o dia 10 de fevereiro de 2026, em Antipolo City, nas Filipinas. O Conselho de Instituto é um espaço privilegiado de escuta, discernimento comunitário e corresponsabilidade na missão.

Convocado pela Superiora geral, Ir. M. Bernardita Meráz Sotelo, o Conselho de Instituto configura-se como um verdadeiro tempo de graça, no qual reler o caminho percorrido e orientar, juntas, as escolhas futuras, segundo o estilo sinodal de caminhar juntas. A sua dimensão internacional e intercultural torna visível uma Congregação que vive a sinodalidade como estilo permanente, integrando vozes, culturas e experiências diversas num único horizonte carismático e missionário.

O tema do Conselho – «Olha para o céu e conta as estrelas…» (Gn 15,5). Transformar a fragilidade em um caminho gerador – convida a reconhecer a fidelidade de Deus também nas fragilidades pessoais e comunitárias. À luz das “quatro estrelas” do Capítulo Geral, as Circunscrições partilharão o próprio caminho como sinal concreto de sermos um só corpo.

Este encontro é um apelo a fortalecer o sentido de corresponsabilidade, a crescer na consciência de caminhar como um único corpo e a renovar, juntas, a missão das Pias Discípulas do Divino Mestre a serviço da Igreja e da humanidade, com confiança, criatividade e esperança.

Desejamos que este Conselho de Instituto seja um tempo fecundo de escuta, partilha e comunhão, capaz de gerar vida nova e orientações para o caminho futuro.



O SÁBADO E A VIDA: APRENDER COM JESUS

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos 3,1-6
Naquele tempo, Jesus entrou de novo na sinagoga.
Havia ali um homem com a mão seca.
Alguns o observavam
para ver se haveria de curar em dia de sábado,
para poderem acusá-lo.
Jesus disse ao homem da mão seca:
“Levanta-te e fica aqui no meio!”
E perguntou-lhes:
“É permitido no sábado fazer o bem ou fazer o mal?
Salvar uma vida ou deixá-la morrer?”
Mas eles nada disseram.
Jesus, então, olhou ao seu redor,
cheio de ira e tristeza,
porque eram duros de coração;
e disse ao homem:
“Estende a mão”.
Ele a estendeu e a mão ficou curada.
Ao saírem, os fariseus com os partidários de Herodes,
imediatamente tramaram, contra Jesus,
a maneira como haveriam de matá-lo.
Palavra da Salvação.

Este episódio pertence ao conjunto de controvérsias sabáticas no início do Evangelho de Marcos (cf. Mc 2,1–3,6). Trata-se de uma perícope de conflito, em que o sábado (sinal da Aliança e da fidelidade a Deus) torna-se o espaço de revelação do verdadeiro rosto de Deus e, ao mesmo tempo, de radical oposição a Jesus. O texto culmina, significativamente, com a primeira decisão explícita de matar Jesus em Marcos (v. 6). Assim, uma cura, que é um gesto de vida, desencadeia um projeto de morte.

“Jesus entrou de novo na sinagoga” (v. 1): a sinagoga é o lugar da Palavra, da escuta da Lei, da formação da consciência religiosa de Israel. Jesus não atua à margem da tradição, mas no seu interior. O advérbio “de novo” indica continuidade e insistência: Jesus retorna ao espaço onde a Palavra é proclamada, mesmo sabendo que ali encontrará resistência. A revelação acontece dentro da instituição, não fora dela.

“Havia ali um homem com a mão seca” (v. 1): a “mão seca” não é apenas um dado clínico, mas um símbolo antropológico e teológico: a mão é o órgão da ação, do trabalho, da relação; e uma mão seca é uma existência impedida de agir, de participar plenamente da vida social e religiosa. Trata-se de alguém presente, mas marginalizado; visível, mas sem voz. O texto não lhe dá nome. Ele representa todos os corpos feridos pela rigidez de sistemas que excluem.

“Alguns o observavam…” (v. 2): o olhar dos opositores não é contemplativo, mas acusatório. Eles não observam o homem ferido, mas Jesus; não esperam salvação, mas um erro. Aqui emerge uma tensão fundamental: Jesus vê a necessidade humana; os adversários veem a possibilidade de acusação. O sábado, dom de Deus para a vida, torna-se instrumento de vigilância e controle.

“Levanta-te e fica aqui no meio!” (v. 3): este é um gesto decisivo. Jesus chama o homem a levantar-se (movimento de dignidade, quase pascal), e a colocar-se “no meio” (no centro da assembleia). Aquilo que estava à margem é trazido ao centro do espaço litúrgico. A pergunta sobre o sábado não será abstrata, mas encarnada no corpo ferido daquele homem.

A pergunta central: o sábado e a vida (v. 4): “É permitido no sábado fazer o bem ou fazer o mal? Salvar uma vida ou deixá-la morrer?” Jesus não contrapõe ação e repouso, mas bem e mal, vida e morte. Não agir, quando se pode salvar, torna-se cumplicidade com a morte. O silêncio dos adversários não é neutralidade, mas fechamento. É a incapacidade de reconhecer que a Lei existe para servir à vida.

“Cheio de ira e tristeza” (v. 5): este é um dos versículos mais densos de Marcos. Ira: não explosiva, mas profética, é reação diante da injustiça. Tristeza: expressão de um coração ferido pela recusa do outro. A causa não é ignorância, mas dureza de coração: incapacidade de deixar-se afetar pelo sofrimento alheio. Aqui aparece um traço decisivo da cristologia marcana: Jesus revela um Deus que se comove, sofre e reage diante da negação da vida.

“Estende a mão” (v. 5): Jesus não toca o homem, não realiza gesto mágico. A cura acontece mediante a obediência confiante à Palavra. Estender a mão é um ato de fé, um risco (expor aquilo que estava oculto), um gesto de cooperação humana com a ação salvífica de Deus. A restauração é imediata: a vida retorna onde havia paralisia.

A ironia trágica do final (v. 6): enquanto Jesus salva uma vida no sábado, seus opositores tramam a morte, também em dia de sábado. A aliança entre fariseus (rigor religioso) e herodianos (poder político) revela que a defesa da Lei pode tornar-se instrumento de violência, quando perde sua referência à misericórdia. Este versículo antecipa a paixão: a cruz nasce, paradoxalmente, de um gesto de cura.

Fazer o bem no sábado: a vida no centro

O Evangelho de Marcos nos apresenta Jesus entrando novamente na sinagoga, lugar onde o povo se reunia para escutar a Palavra de Deus. Ali, Ele encontra um homem com a mão seca, alguém marcado por uma limitação que o impedia de agir plenamente e de participar com liberdade da vida da comunidade. Desde o início, o texto nos convida a olhar para essa pessoa e para sua necessidade concreta.

Ao mesmo tempo, alguns observam Jesus com intenção de acusá-lo. Eles querem saber se Ele vai curar em dia de sábado. O sábado era um dia sagrado, reservado ao repouso e à memória da Aliança com Deus. No entanto, a pergunta que o Evangelho nos coloca é simples e profunda: para que Deus nos deu o sábado?

Jesus chama o homem para o centro e o faz ficar de pé diante de todos. Com isso, ensina que a pessoa humana deve estar sempre no centro da vida religiosa. A Lei não existe para excluir ou paralisar, mas para ajudar a viver melhor. Por isso, Jesus pergunta: “É permitido, no sábado, fazer o bem ou fazer o mal? Salvar uma vida ou deixá-la morrer?”

O silêncio daqueles que o observavam revela um coração fechado. Quando a religião se torna apenas regra, sem compaixão, ela perde seu verdadeiro sentido. Jesus se entristece com essa dureza, porque Deus não se alegra com uma fé que ignora o sofrimento do outro.

Ao homem, Jesus pede apenas um gesto: “Estende a mão”. Ao obedecer, o homem confia na Palavra de Jesus e permite que Deus aja em sua vida. A mão é curada, e com ela é restaurada a dignidade daquela pessoa. Assim, aprendemos que Deus quer sempre curar, libertar e devolver vida plena.

No final do Evangelho, vemos uma atitude contrária ao gesto de Jesus: enquanto Ele salva uma vida, alguns começam a planejar a sua morte. Isso nos mostra que escolher o bem e a vida nem sempre é fácil, mas é o caminho que Jesus nos ensina.

Este Evangelho nos ajuda a compreender que seguir Jesus é aprender a colocar o amor acima de qualquer regra. A verdadeira fé se manifesta quando cuidamos das pessoas, especialmente das que mais sofrem. Celebrar, rezar e escutar a Palavra só fazem sentido quando nos levam a fazer o bem e a promover a vida, todos os dias.



MEMÓRIA AGRADECIDA DE IR. M. MARGHERITA GERLOTTO E IR. SALVATORIS ROSA

No dia 19 de janeiro, a Família Paulina recorda com gratidão a vida e a entrega missionária de duas irmãs das Pias Discípulas do Divino Mestre que marcaram a história da Congregação no Brasil: Ir. M. Margherita Gerlotto, falecida em 19/01/1965, e Ir. Salvatoris Rosa, falecida em 19/01/1998.

Ir. M. Margherita Gerlotto foi uma das missionárias que, com coragem e espírito de fé, dedicou sua vida ao anúncio do Reino e ao serviço da liturgia, da Eucaristia e do sacerdócio, carismas centrais das Pias Discípulas. Em tempos desafiadores, sua presença no Brasil foi sinal de doação silenciosa, trabalho perseverante e amor profundo à missão confiada pela Igreja. Sua vida foi um testemunho de fidelidade cotidiana, vivida na simplicidade e na confiança em Deus. Ir. Margherida fez parte do grupo da 8 primeiras da nossa congregação e também foi missionária em terras brasileiras. Alberione escolheu Ursulina e Metilde e também Margherida estava no grupo das “jovens inclinadas à piedade especialmente eucarística”, de acordo com as indicações do padre Alberione.

Ela recorda que: “Na noite de 9 de fevereiro de 1924, o Primeiro Mestre nos chamou: deveríamos formar uma comunidade, um grupo, liderado por Úrsula Rivata depois Irmã Escolástica. Ele nos designou a adoração contínua do turno de duas horas, pela duração de um mês, a fim de experimentar nossa resistência. A experiência foi tão boa que a adoração continuou com fidelidade durante todo o dia até o dia 15 de agosto seguinte, quando, já com o número aumentado de Irmãs, assumimos também a adoração noturna.».

E chegamos ao dia 25 de março, quando Margherita se torna Irmã Paulina da Agonia de Jesus, para recordar Paulo, o protetor de então e sempre, e com a denominação da Agonia de Jesus para ser uma memória viva da oração de Jesus no abandono à vontade do Pai em seu “Sitio” (Tenho sede – cfr. João 19,28).

Ir. Salvatoris Rosa, também missionária no Brasil, deu continuidade a esse mesmo ideal de consagração e serviço. Com sensibilidade pastoral e espírito fraterno, colaborou na formação das primeiras comunidades das discípulas e na vida comunitária, deixando um legado de dedicação generosa e zelo apostólico. Sua longa trajetória missionária expressou um amor concreto à Igreja e ao povo brasileiro, vivido na escuta, no acolhimento e no serviço humilde. Ir. Salvatoris fez parte do grupo de missionárias enviadas pelo Fundador, Padre Tiago Alberione, e que chegou em São Paulo no dia 26 de julho de 1956 para iniciar esta nova missão.

Ao recordar Ir. M. Margherita Gerlotto e Ir. Salvatoris Rosa, rendemos graças a Deus pelo dom de suas vidas. Que o testemunho dessas irmãs continue a inspirar as Pias Discípulas do Divino Mestre e todos aqueles que, hoje, são chamados a servir com alegria, fidelidade e espírito missionário, seguindo Jesus Mestre, Caminho, Verdade e Vida.






PAPA LEÃO XIV E O NOVO CICLO DE CATEQUESES SOBRE O CONCÍLIO VATICANO II

Na audiência geral do dia 7 de janeiro de 2026, o Papa Leão XIV iniciou um novo ciclo de catequeses dedicado ao Concílio Vaticano II, destacando a importância de reler os Documentos conciliares para a vida da Igreja e do mundo. (Vatican News)

A catequese foi conduzida na Sala Paulo VI, onde o Pontífice propôs um itinerário de reflexão que sucede as reflexões do Ano Jubilar centradas nos mistérios da vida de Jesus. Segundo ele, a Igreja tem agora a oportunidade de redescobrir a beleza, a atualidade e a força profética dos ensinamentos do Vaticano II, que permanecem relevantes frente aos desafios contemporâneos.

Leão XIV lembrou que, em 2025, a Igreja celebrou o 60º aniversário do Concílio Vaticano II, e observou que muitos dos bispos, teólogos e participantes que viveram diretamente aquele momento já não estão entre nós. Por isso, ressaltou, é essencial aprofundar o conhecimento dos textos originais e evitar interpretações superficiais ou baseadas apenas em “ouvir dizer”.

O Papa citou também o Papa Bento XVI, afirmando que os Documentos conciliares não perderam sua atualidade, e que seus ensinamentos continuam a oferecer orientações valiosas para enfrentar os novos tempos.

Durante a catequese, ele recordou o papel do Concílio em redescobrir o rosto de Deus em Cristo, fortalecer a compreensão da Igreja como sacramento de unidade e promover uma reforma litúrgica que favoreça a participação ativa dos fiéis. Além disso, ressaltou que o espírito do Vaticano II impulsionou a Igreja ao diálogo com outras tradições cristãs e com a sociedade globalizada.

Concluindo sua reflexão, Leão XIV afirmou que revisitar o Concílio significa renovar o compromisso com a evangelização, a justiça, a paz e a missão da Igreja no mundo, abrindo-se aos sinais dos tempos com esperança e coragem.

Acompanhe as catequeses na íntegra:

Texto:

07-01/2026: https://www.vatican.va/content/leo-xiv/pt/audiences/2026/documents/20260107-udienza-generale.html

14-01-2026: https://www.vatican.va/content/leo-xiv/pt/audiences/2026/documents/20260107-udienza-generale.html

Audiências: https://www.vatican.va/content/leo-xiv/pt/audiences/2026.index.html




UM TEMPO PARA RECONHECER O FILHO: O TESTEMUNHO DE JOÃO BATISTA

Domingo, 18 de janeiro de 2026
2º Domingo do Tempo Comum – Ano A
Jo 1,29-34

Com o encerramento do Tempo do Natal e a entrada no Tempo Comum, a liturgia nos conduz a uma etapa discreta, porém decisiva, do ano litúrgico. Não se trata de um “tempo menor”, mas de um período em que a vida pública de Jesus começa a ser contemplada passo a passo, gesto a gesto, palavra a palavra. É um tempo de amadurecimento da fé, de escuta atenta e de assimilação progressiva do mistério de Cristo, antes de entrarmos na intensidade penitencial e catecumenal da Quaresma.

Neste segundo domingo do Tempo Comum, o Evangelho segundo João nos apresenta uma cena de forte densidade teológica: o testemunho de João Batista sobre Jesus (Jo 1,29-34). Não se trata de um relato do batismo propriamente dito, mas de sua interpretação. João Batista olha para Jesus que vem ao seu encontro e proclama: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo”. Essa afirmação inaugura, no Quarto Evangelho, a revelação pública da identidade de Jesus e orienta toda a leitura litúrgica deste início de tempo.

A expressão “Cordeiro de Deus” carrega uma profunda memória bíblica. Ela evoca o cordeiro pascal do Êxodo, cujo sangue libertou o povo da escravidão e marcou o início de uma nova história (cf. Ex 12). Evoca também o Servo sofredor de Isaías, que “como cordeiro levado ao matadouro” assume sobre si as dores do povo (cf. Is 53,7). Ao unir essas imagens, o evangelista João apresenta Jesus como aquele que realiza uma libertação definitiva: não apenas de uma opressão histórica, mas do pecado que fere a relação entre Deus e a humanidade.

Nesse sentido, o tempo litúrgico que agora vivemos é um verdadeiro tempo de revelação progressiva. O Natal nos mostrou quem é Jesus: o Verbo feito carne, Deus que entra na história humana. O Tempo Comum começa a nos mostrar para que Ele veio e como realiza sua missão. Antes de caminhar para a cruz na Quaresma e na Páscoa, a liturgia nos convida a contemplar o sentido profundo dessa entrega: Jesus é o Cordeiro que tira o pecado do mundo porque assume a condição humana até as últimas consequências, inaugurando uma nova forma de relação com Deus.

O testemunho de João Batista também é marcado por um movimento de humildade e de discernimento espiritual. Ele afirma claramente: “Eu não o conhecia”. Essa frase, repetida duas vezes no texto, não indica ignorância, mas revela que o reconhecimento de Jesus não nasce de vínculos humanos, mas de uma experiência espiritual. João reconhece Jesus porque vê o Espírito descer e permanecer sobre Ele. O sinal decisivo não é exterior, mas teológico: a presença permanente do Espírito revela que Jesus é o Filho, aquele que batiza no Espírito Santo.

Aqui se abre uma dimensão importante para a vivência litúrgica deste tempo. Reconhecer Jesus como Cordeiro de Deus e Filho de Deus não é resultado de um conhecimento automático ou superficial. É fruto de uma experiência de escuta, de observação, de permanência. A liturgia do Tempo Comum educa o olhar da fé para reconhecer o Senhor presente na história, nos sinais simples, na Palavra proclamada, nos sacramentos celebrados.

As demais leituras deste domingo são iluminadas por essa chave de leitura. O cântico do Servo em Isaías (Is 49,3.5-6) amplia o horizonte da missão: aquele que é chamado desde o ventre materno não é enviado apenas a Israel, mas é “luz para as nações”. O Cordeiro que tira o pecado do mundo inaugura uma salvação universal, que ultrapassa fronteiras religiosas e culturais. O salmo responsorial coloca nos lábios da assembleia uma atitude fundamental para este tempo: “Eis que venho fazer, com prazer, a vossa vontade”. A vida cristã nasce da escuta e da adesão confiante ao projeto de Deus.

Já a saudação inicial da Primeira Carta aos Coríntios (1Cor 1,1-3) recorda que essa identidade cristã se concretiza na vida da comunidade. Somos chamados a ser santos não por mérito próprio, mas porque fomos alcançados por Cristo. O Tempo Comum é também tempo de aprender a viver a fé no cotidiano, na comunhão e na corresponsabilidade eclesial.

Liturgicamente, este domingo nos ajuda a compreender que estamos numa passagem: do mistério contemplado no Natal para o mistério que será celebrado na Páscoa. É um tempo de travessia, de aprofundamento, de preparação interior. Ao proclamarmos, em cada Eucaristia, “Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo”, retomamos esse testemunho de João Batista e o tornamos oração da Igreja. Não é apenas uma fórmula ritual, mas uma profissão de fé que nos compromete.

Neste início do Tempo Comum, a liturgia nos convida a olhar para Jesus com atenção renovada, a escutar seu testemunho silencioso e a permitir que o Espírito nos conduza ao reconhecimento profundo de quem Ele é. Antes de seguir seus passos rumo à cruz, somos chamados a permanecer com Ele, a deixar-nos revelar por sua presença e a aprender, dia após dia, a viver como discípulos daquele que é o Cordeiro de Deus.




LER O EVANGELHO SEGUNDO MATEUS A PARTIR DA LITURGIA: UMA PROPOSTA METODOLÓGICA PARA O ANO A

Ir. Julia Almeida, pddm

Com o Primeiro Domingo do Advento, a Igreja inaugura um novo ciclo litúrgico e, com ele, um novo percurso de escuta do Evangelho nas celebrações dominicais. No Ano A, essa escuta é marcada, de modo privilegiado, pela proclamação do Evangelho segundo Mateus, que acompanha a assembleia ao longo do ano, moldando sua percepção do mistério de Cristo e do Reino anunciado.

Na liturgia, a importância do Evangelho segundo Mateus é estrutural, teológica e pedagógica. Ele não ocupa apenas um lugar quantitativamente privilegiado no Ano A, mas exerce uma função decisiva na formação da consciência litúrgica e eclesial da assembleia. Pode-se compreender essa importância a partir de alguns eixos fundamentais.

O primeiro eixo, poderíamos apontar, é que Mateus é o Evangelho da Igreja reunida. Entre os quatro evangelhos, Mateus é aquele que mais explicitamente se dirige a uma comunidade estruturada, consciente de sua identidade e de sua missão. Termos como ekklesía (Mt 16,18; 18,17), ausentes em Marcos e Lucas, revelam um horizonte claramente eclesial. Na liturgia, isso se traduz no fato de que o Evangelho de Mateus é proclamado a uma assembleia, fala da vida comunitária, do perdão, da correção fraterna, educa para relações marcadas pela justiça, pela misericórdia e pela responsabilidade.

Assim, quando Mateus é proclamado na celebração, não se trata apenas de ouvir palavras sobre Jesus, mas de reconhecer-se como Igreja em formação.

O segundo eixo diz a respeiro do tema central do evangelista Mateus: o Reino dos Céus. Na liturgia, esse Reino não é apresentado como ideia abstrata, mas como realidade que se anuncia na Palavra, se torna presente na ação ritual, exige conversão e prática. Por exemplo, as parábolas do Reino (Mt 13), amplamente proclamadas no Tempo Comum do Ano A, revelam uma pedagogia própria da liturgia: o Reino cresce no tempo, de modo discreto, entre ambiguidades, exigindo discernimento. A assembleia litúrgica torna-se, assim, espaço simbólico onde o Reino é escutado, acolhido e antecipado.

A centralidade do ensinamento: a Palavra que forma, é o terceiro eixo. Mateus organiza o ministério de Jesus em grandes discursos (cf. Mt 5–7; 10; 13; 18; 24–25). Na liturgia, esses discursos aparecem de forma distribuída e progressiva, permitindo que a Palavra forme o discípulo ao longo do tempo, eduque a consciência ética, molde a identidade cristã.

O Sermão da Montanha, proclamado ao longo de vários domingos, assume particular importância: na assembleia reunida, ele funciona como palavra normativa, não no sentido legalista, mas como orientação de vida para quem escuta e celebra.

O quatro eixo é a relação entre Escritura e liturgia. Mateus é o evangelista que mais explicitamente articula o evento de Jesus com o Antigo Testamento. Suas frequentes citações: “para que se cumprisse o que foi dito pelo profeta”, encontram na liturgia um lugar privilegiado de ressonância.

A liturgia dominical, ao colocar o Evangelho de Mateus em diálogo com a Primeira Leitura, evidencia a unidade da história da salvação, a continuidade entre promessa e cumprimento, a leitura tipológica própria da tradição litúrgica. Assim, Mateus ajuda a assembleia a aprender a ler as Escrituras na Igreja, e não de modo isolado.

O quinto eixo é a dimensão ética e performativa da Palavra. Na liturgia, o Evangelho não é apenas escutado, mas proclamado como Palavra viva, que interpela e exige resposta. Mateus, com sua ênfase no “fazer” a vontade do Pai (Mt 7,21; 25,31-46), reforça essa dimensão performativa.

A proclamação de Mateus na liturgia não se encerra no momento da escuta, projeta-se na vida cotidiana, orienta a ação cristã no mundo. O famoso critério do juízo final em Mt 25, proclamado liturgicamente, revela que a celebração autêntica desemboca na prática da caridade e da justiça.

O sexto e último eixo: Mateus é um Evangelho profundamente litúrgico. Pode-se afirmar que Mateus possui uma afinidade profunda com a liturgia porque valoriza a escuta comunitária, articula palavra, gesto e tempo, culmina no envio missionário (“Ide, portanto…”). Na celebração, o Evangelho de Mateus não apenas recorda a história de Jesus, mas estrutura a vida celebrativa da Igreja, formando discípulos que escutam, celebram e vivem o que foi proclamado.

Em síntese, na liturgia, o Evangelho segundo Mateus é importante porque forma a Igreja como comunidade discipular; educa para o Reino de Deus vivido no tempo; integra Escritura, celebração e vida; transforma a escuta em compromisso. Por isso, no Ano A, Mateus não é apenas o evangelho “lido”, mas o evangelho que configura a assembleia no ritmo da Palavra celebrada.

Essa escolha não responde a um critério meramente organizacional nem a uma simples alternância de textos. Trata-se de uma verdadeira pedagogia eclesial da Palavra, na qual o Evangelho é proclamado, interpretado e assimilado no ritmo do ano litúrgico, em diálogo com os tempos, as festas e as orações da Igreja. Diante disso, impõe-se uma questão metodológica fundamental: como estudar o Evangelho segundo Mateus respeitando o modo próprio como a liturgia o oferece à comunidade cristã?

Queremos propor uma leitura de Mateus a partir da liturgia, e não apenas aplicada à liturgia. Trata-se de assumir o espaço celebrativo como lugar hermenêutico, onde o texto bíblico não é apenas explicado, mas performado, escutado comunitariamente e integrado à experiência de fé.

1. A liturgia como chave hermenêutica da Escritura

A Constituição Sacrosanctum Concilium afirma que “Cristo está presente na sua Palavra, pois é Ele quem fala quando se leem as Sagradas Escrituras na Igreja” (SC 7), e recorda que a Escritura ocupa um lugar essencial na ação litúrgica (SC 24). Assim, a liturgia não é um simples contexto externo da Palavra, mas o ambiente vital no qual o texto bíblico se torna evento.

Ler Mateus a partir da liturgia implica reconhecer que o Evangelho chega à assembleia em trechos selecionados, organizados segundo uma intencionalidade teológica, em diálogo com o Antigo Testamento, os salmos e as orações da Igreja, orientados para a formação do sujeito cristão.

Essa perspectiva desloca o estudo bíblico de uma leitura linear e exclusivamente exegética para uma leitura mistagógica, narrativa e eclesial.

2. O Ano Litúrgico como estrutura de leitura

A proposta metodológica aqui apresentada organiza o estudo do Evangelho segundo Mateus a partir dos tempos litúrgicos, acompanhando o percurso espiritual que a Igreja propõe ao longo do Ano A. Não se lê Mateus “do começo ao fim”, mas segundo a lógica da celebração do mistério de Cristo.

2.1 Advento: promessa, espera e vigilância

No Advento, a liturgia seleciona textos de Mateus que articulam promessa e cumprimento, expectativa messiânica e vigilância escatológica. O evangelista aparece como o teólogo do “cumprimento das Escrituras”, mas também como aquele que educa a comunidade na tensão entre o “já” e o “ainda não”.

A leitura litúrgica evidencia que o Messias esperado não corresponde a expectativas triunfalistas, mas inaugura um Reino que exige discernimento, conversão e vigilância ativa.

2.2 Natal e Epifania: encarnação e revelação em contexto de conflito

Os relatos da infância em Mateus, proclamados no Tempo do Natal, revelam uma cristologia densa e nada ingênua. A encarnação é apresentada como acontecimento histórico marcado por deslocamentos, rejeições e tensões políticas. A Epifania, com a figura dos magos, introduz desde o início o tema da abertura universal do Reino e da ambiguidade das respostas humanas ao Cristo.

Lidos na liturgia, esses textos formam a assembleia para reconhecer que a revelação de Deus acontece no interior da história concreta, e não à margem dela.

2.3 Tempo Comum: o Reino anunciado, ensinado e vivido

É sobretudo no Tempo Comum que Mateus se torna o grande evangelista do Ano A. O Sermão da Montanha (Mt 5–7), proclamado ao longo de vários domingos, ocupa um lugar central. Na lógica litúrgica, ele não funciona como um tratado moral abstrato, mas como palavra performativa, dirigida a uma assembleia reunida, chamada a ouvir e a praticar.

A liturgia transforma o “monte” de Mateus em espaço simbólico da própria celebração: ali se escuta a Torá do Reino, ali se delineia a identidade do discípulo, ali se forma uma ética enraizada na justiça maior, na misericórdia e na confiança em Deus.

2.4 Quaresma: conversão e decisão

Durante a Quaresma, Mateus é proclamado como evangelho da decisão. As tentações, a transfiguração e as parábolas quaresmais revelam uma pedagogia que conduz a assembleia a confrontar-se com a própria escuta: ouvir ou não ouvir, seguir ou não seguir, converter-se ou permanecer na lógica antiga.

A conversão, em Mateus, não é apenas moral, mas mudança de mentalidade, reorientação profunda do olhar e das relações. A liturgia, ao articular Palavra, gesto e tempo, torna essa exigência concreta e existencial.

2.5 Páscoa: paixão, ressurreição e envio

A proclamação da Paixão segundo Mateus, especialmente no Domingo de Ramos, manifesta com força o caráter ritual da narrativa: o texto é escutado em clima de silêncio, dramaticidade e participação corporal. Não se trata apenas de recordar, mas de fazer memória.

O Evangelho culmina, no Tempo Pascal, com o mandato missionário: “Ide, portanto…” (Mt 28,19). Na liturgia, esse final não encerra o relato, mas o prolonga na vida da assembleia, agora enviada como corpo eclesial.

3. Uma metodologia de leitura litúrgica

Cada etapa do estudo pode ser organizada a partir de um mesmo núcleo metodológico:

  1. contextualização do tempo litúrgico;
  2. proclamação atenta do Evangelho;
  3. análise narrativa e simbólica do texto;
  4. diálogo com a Primeira Leitura e a oração da coleta;
  5. pergunta final sobre o efeito do texto na assembleia hoje.

Essa metodologia permite compreender o Evangelho não apenas como texto antigo, mas como palavra que age, que forma, que convoca.

4. A Lectio Divina como método de leitura litúrgica

Para que essa leitura de Mateus não se reduza a um exercício meramente informativo ou exegético, propõe-se a Lectio Divina como método privilegiado. Enraizada na tradição da Igreja, a Lectio Divina se harmoniza profundamente com a estrutura da liturgia da Palavra, prolongando, na vida pessoal e comunitária, a experiência celebrativa.

Lectio: escutar o Evangelho proclamado

O primeiro passo consiste em uma escuta atenta do texto, preferencialmente em sintonia com o domingo e o tempo litúrgico correspondente. Em Mateus, essa escuta permite perceber a estrutura narrativa, as imagens do Reino, os destinatários da palavra de Jesus e o diálogo constante com o Antigo Testamento.

A lectio educa para reconhecer que é o próprio Cristo quem fala quando o Evangelho é proclamado na assembleia.

Meditatio: deixar-se interpelar pela Palavra

Na meditatio, a Palavra começa a ressoar na vida. Os discursos e parábolas de Mateus revelam sua força formativa: não apenas informam, mas confrontam, questionam e orientam. Em chave litúrgica, a meditação se pergunta pelo efeito do texto na comunidade que o escuta hoje.

Oratio: responder à Palavra

A resposta orante nasce naturalmente da escuta e da meditação. A liturgia já oferece essa resposta nos salmos e orações; a Lectio Divina prolonga esse movimento, transformando a Palavra escutada em súplica, louvor, pedido de conversão e compromisso.

Contemplatio: permanecer no mistério

A contemplatio corresponde ao silêncio fecundo que segue a proclamação do Evangelho. Aqui, não se busca compreender mais, mas habitar o mistério. Mateus conduz frequentemente a esse lugar de permanência, no qual o discípulo se reconhece parte da assembleia reunida em torno da Palavra.

Actio: da escuta à vida

Como desdobramento natural, a actio explicita a dimensão performativa do Evangelho segundo Mateus. A escuta autêntica conduz à prática: a justiça do Reino se traduz em gestos concretos de misericórdia, responsabilidade comunitária e compromisso com os mais frágeis.

4. Horizontes teológicos e formativos

Ler o Evangelho segundo Mateus a partir da liturgia é reconhecer que a Escritura encontra sua plena inteligibilidade na celebração da fé. A liturgia aparece, assim, como lugar privilegiado de recepção, interpretação e atualização do texto bíblico.

E integrar a Lectio Divina à leitura do Evangelho segundo Mateus no Ano A significa reconhecer que a liturgia é o lugar originário da Palavra. Toda leitura pessoal ou comunitária nasce da celebração e a ela retorna, formando discípulos que aprendem a escutar, orar e agir no ritmo do ano litúrgico.

Mais do que oferecer um método de estudo, esta proposta convida a uma mudança de perspectiva: não se trata apenas de compreender Mateus, mas de deixar-se configurar por ele, no ritmo do ano litúrgico, no interior da assembleia, na escuta partilhada da Palavra que se faz acontecimento.

Nesse sentido, o Evangelho de Mateus, proclamado no Ano A, revela-se não apenas como narrativa sobre Jesus, mas como forma de vida celebrada, ensinada e vivida pela Igreja.



BATISMO DO SENHOR: O FILHO AMADO DESCE ÀS ÁGUAS

Com a Festa do Batismo do Senhor, a liturgia deste domingo encerra o Tempo do Natal. Depois de contemplarmos o mistério da Encarnação, o Verbo que se fez carne e armou sua tenda entre nós, somos conduzidos às margens do Jordão, onde Jesus, já adulto, dá início à sua vida pública. É um momento de passagem: da contemplação à missão, do presépio à vida concreta do mundo. Na segunda-feira, a Igreja já inicia o Tempo Comum, retomando o ritmo ordinário da caminhada litúrgica, agora iluminada por tudo aquilo que foi revelado no mistério do Natal.

O Evangelho de Mateus (Mt 3,13-17) apresenta um dado que causa estranhamento: Jesus vai até João para ser batizado. João pregava um batismo de conversão, destinado aos pecadores. Por isso, resiste: “Eu é que preciso ser batizado por ti, e tu vens a mim?”. A resposta de Jesus é decisiva para compreendermos todo o sentido da cena: “Deixa agora, pois convém cumprirmos toda a justiça”. A “justiça”, aqui, não é mera observância legal, mas fidelidade plena ao desígnio do Pai. Jesus não se coloca acima da humanidade; ao contrário, desce até ela, solidariza-se com os pecadores, entra na fila dos que esperam redenção.

Ao descer às águas do Jordão, Jesus assume a condição humana em sua totalidade. Se no Natal o vemos envolto em faixas e deitado numa manjedoura, agora o vemos mergulhar nas águas turvas da história. É o mesmo movimento: o de um Deus que não se distancia, mas se aproxima; que não salva de fora, mas desde dentro. O batismo de Jesus não é para sua purificação, mas para a nossa, pois Ele é o Santo de Deus, . Ao entrar nas águas, Ele as santifica, inaugura um novo começo e aponta para o batismo que, mais tarde, será oferecido a todos.

O céu que se abre após o batismo é sinal de que algo novo está acontecendo. Aquilo que parecia fechado pela desobediência e pelo pecado agora se reabre. O Espírito desce sobre Jesus como pomba, evocando o sopro criador de Deus no início do mundo e a pomba que, no dilúvio, anunciou um tempo novo. Em Jesus, começa uma nova criação. Ele é o Homem novo, sobre quem repousa o Espírito sem medida.

A voz do Pai proclama: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo”. Trata-se de uma verdadeira revelação trinitária: o Filho está nas águas, o Espírito paira, o Pai fala. Mas, ao mesmo tempo, é uma palavra profundamente pessoal e relacional. Antes de qualquer milagre, antes de qualquer ensinamento, Jesus escuta quem Ele é: Filho amado. A missão nasce da relação, não da performance. Jesus não precisa provar nada; Ele age a partir do amor recebido.

A primeira leitura, do profeta Isaías (Is 42,1-4.6-7), ilumina ainda mais o sentido do Evangelho. O “Servo do Senhor”, sobre quem Deus coloca o seu Espírito, é descrito com traços de mansidão e fidelidade: não grita, não quebra o caniço rachado, não apaga o pavio que ainda fumega. É uma missão que se realiza sem violência, sem imposição, mas com perseverança e cuidado. No batismo de Jesus, reconhecemos esse Servo: escolhido, sustentado pelo Pai, enviado para levar justiça às nações e abrir os olhos dos cegos. A justiça que Ele cumpre é, antes de tudo, restauradora, libertadora, geradora de vida.

O Salmo 28(29) reforça essa dimensão teofânica: a voz do Senhor ressoa sobre as águas, cheia de poder e majestade. Aquele que domina as forças do caos é também quem abençoa o seu povo com a paz. No Jordão, a voz que outrora ecoava sobre as águas primordiais agora se dirige a Jesus, revelando que n’Ele se manifesta o verdadeiro Senhor da história.

Na segunda leitura, dos Atos dos Apóstolos (At 10,34-38), Pedro proclama que Deus não faz acepção de pessoas e recorda o início da missão de Jesus “a partir da Galileia, depois do batismo pregado por João”. Ungido pelo Espírito Santo e revestido de poder, Jesus passa fazendo o bem e libertando os oprimidos. O batismo, portanto, não é um episódio isolado, mas o ponto de partida de uma vida entregue, marcada pelo serviço e pela compaixão.

Celebrar o Batismo do Senhor é também recordar o nosso próprio batismo. Assim como Jesus foi declarado Filho amado, também nós, pelo batismo, fomos mergulhados em Cristo e feitos filhos e filhas no Filho. As águas que tocaram Jesus tocaram também a nossa história. Recebemos o Espírito, fomos inseridos numa missão, chamados a viver como servos da justiça e da paz.

Encerrar o Tempo do Natal com esta festa nos lembra que a contemplação do mistério não nos afasta do mundo, mas nos lança nele. O Deus que nasce em Belém é o mesmo que desce ao Jordão e nos envia. Do presépio às águas, das águas à estrada da missão: este é o caminho de Jesus e, com Ele, o nosso. Que esta celebração renove em nós a alegria de sermos filhos amados e a coragem de viver, no cotidiano do Tempo Comum que se inicia, o compromisso do nosso batismo.

Uma curiosidade: por que o Batismo do Senhor é festa e não solenidade?

No calendário litúrgico da Igreja, nem todas as celebrações têm o mesmo grau. Elas se organizam em uma hierarquia que ajuda os fiéis a compreender a centralidade de cada mistério da fé. Nesse contexto, o Batismo do Senhor é celebrado como festa, e não como solenidade e isso não diminui sua importância.

As solenidades são reservadas aos mistérios centrais da fé cristã, especialmente aqueles ligados diretamente ao Mistério Pascal (a paixão, morte e ressurreição de Jesus) ou aos grandes pilares da fé, como a Encarnação e a Santíssima Trindade. Exemplos disso são o Natal, a Páscoa, Pentecostes e a Solenidade da Santíssima Trindade.

O Batismo do Senhor, por sua vez, celebra um momento decisivo da vida de Jesus: o início de sua vida pública. No rio Jordão, Cristo é manifestado como Filho amado do Pai e ungido pelo Espírito Santo, numa clara revelação da Trindade. Trata-se, portanto, de um mistério de manifestação, assim como a Epifania.

Liturgicamente, essa celebração tem também um caráter de transição: ela encerra o Tempo do Natal e introduz a Igreja no tempo da missão de Jesus. Embora seja um acontecimento fundamental, o Batismo do Senhor não celebra ainda a redenção plenamente realizada, mas o começo do caminho que levará à cruz e à ressurreição.

Por isso, a Igreja o celebra como festa: um grau elevado de celebração, especialmente por se tratar de uma Festa do Senhor, muitas vezes celebrada em um domingo, mas que não atinge o nível máximo reservado às solenidades.

Assim, ao celebrar o Batismo do Senhor, a Igreja contempla o início da obra salvadora de Cristo e recorda também o sentido do nosso próprio batismo: somos chamados a ouvir o Pai, seguir o Filho e viver no Espírito.




PAPA LEÃO XIV CONVOVA PRIMEIRO CONSISTÓRIO EXTRAORDINARIO DO SEU PONTIFICADO

Nos dias 7 e 8 de janeiro de 2026, o Papa Leão XIV reuniu em Roma o Colégio Cardinalício para o seu primeiro Consistório Extraordinário que é um encontro que marca um novo ritmo de consulta e reflexão no governo da Igreja Católica. O evento, de caráter histórico e simbólico, não tratou de nomeações, mas de discernimento colegial sobre prioridades e caminhos para o futuro da Igreja.

O que é um Consistório?

O termo consistório vem do latim consistorium, que significa “assembleia” ou “estar junto”. Na tradição da Igreja, é uma reunião dos cardeais convocada pelo Papa para consultas solenes. Existem consistórios ordinários, comuns para anúncios como promoções de cardeais, e extraordinários, mais raros e voltados a questões de direção e reflexão profunda com o Colégio Cardinalício.

Ao presidir a Eucaristia nesta reunião, Leão XIV refletiu sobre a raiz do termo: consistere, “parar”, lembrando que todos os presentes deixaram suas atividades habituais para se reunir em oração e discernimento conjunto.

Contexto e Razões do Encontro

Convocado poucos meses depois de sua eleição em 2025, este consistório extraordinário sinaliza a intenção do Papa de envolver mais amplamente os cardeais em reflexão colegial sobre a missão da Igreja e sobre como se dirigir nos tempos atuais. A iniciativa ecoa pedidos feitos durante as congregações gerais pré-conclave, encontros preparatórios em que os futuros eleitores discutiram os grandes desafios da Igreja.

Leão XIV tem defendido que um dos papéis dos cardeais é justamente oferecer uma visão pluriforme e global da Igreja, e não apenas atuar como assessores técnicos. “Não estamos aqui para promover agendas pessoais ou de grupo, mas para confiar nossos projetos a um discernimento maior”, afirmou ele durante a Missa de abertura.

Estrutura dos Trabalhos

O Consistório Extraordinário foi dividido em várias sessões de trabalho ao longo de um dia e meio, com momentos de oração, diálogo em grupos de trabalho, reflexão e decisões coletivas. Participaram cerca de 170 cardeais de diferentes partes do mundo, incluindo cardeais eleitores e não eleitores, ou seja, tanto aqueles com direito a voto em um eventual conclave quanto os que já ultrapassaram a idade canônica de 80 anos.

Segundo a Santa Sé, os cardeais foram organizados em 20 grupos linguísticos para facilitar conversas aprofundadas. Esses grupos refletiram sobre temas centrais que o encontro propôs desde o início.

Temas Prioritários: Sinodalidade e Evangelização

Na abertura oficial, realizado na Sala Nova do Sínodo, o Papa convidou os participantes a pensar nas atenções e prioridades da Igreja no futuro próximo. Entre diversos temas colocados à disposição para reflexão, a assembleia decidiu, por votação, concentrar-se em dois principais:

  • Sinodalidade — o modo de caminhar juntos enquanto povo de Deus, com maior participação e corresponsabilidade de todos os membros da Igreja;
  • Evangelização — a missão de anunciar o Evangelho no mundo contemporâneo.

Outros temas que ficaram na lista original, como liturgia e a reforma da Praedicate Evangelium (a constituição apostólica que regula a organização da Cúria Romana), não foram selecionados como foco principal, mas segundo autoridades da Sala de Imprensa permanecerão conectados ao trabalho futuro.

Reflexões Teológicas e Litúrgicas

Na sua homilia durante a Missa na Basílica de São Pedro, na manhã do segundo dia, Leão XIV sublinhou que o Consistório não é apenas um encontro administrativo, mas um “momento de graça” e de oração comunitária pela unidade da Igreja e do mundo. Ele lembrou que os cardeais são convocados primeiro como comunidade de fé, e não como equipe de especialistas.

O Papa também evocou a necessidade de “parar para escutar e discernir” em um mundo marcado pela pressa, pela violência e por desafios sociais e tecnológicos, como destacou também a meditação inicial conduzida pelo cardeal dominicano Timothy Radcliffe.

Metodologia e Experiência de Diálogo

Os trabalhos, além de momentos formais de plenário, incluíram momentos de partilha em pequenos grupos, oração comum, canto e até pausa para almoço com a presença do Papa, que distribuiu a cada um uma medalha do seu pontificado, gesto que simboliza o espírito de comunhão desejado.

Cardeais relatores destacaram que o ambiente foi marcado por uma unidade que não significa uniformidade, mas uma busca sincera de compreensão mútua entre diferentes tradições e experiências pastorais.

Encerramento e Novos Caminhos

Ao concluir a última sessão na noite do dia 8 de janeiro, Leão XIV anunciou novos passos inspirados por esse encontro: ele pretende realizar consistórios com mais regularidade, já marcando o próximo para junho de 2026, próximo à Solenidade dos Santos Pedro e Paulo, e idealizando encontros anuais mais longos, de três a quatro dias, no futuro.

Esse calendário renovado sinaliza uma mudança no estilo de governo colegial, aproximando-se das expectativas de muitos cardeais que pediam mecanismos mais amplos de participação após os pontificados anteriores.

Sinais de Uma Igreja em Caminhada

O Consistório Extraordinário de janeiro de 2026 ficou marcado não por decisões disciplinares ou nomeações, mas por sua dimensão consultiva e espiritual. Ele foi pensado como um espaço de escuta mútua, reflexão teológica e pastoral, e estudo das grandes prioridades para a Igreja Católica nos próximos anos.

Ao chamar a atenção para temas como sinodalidade, evangelização e missão, difíceis e urgentes diante das realidades contemporâneas, Leão XIV demonstrou que sua intenção é ouvir e caminhar junto aos seus conselheiros mais próximos, incorporando as diversas vozes do episcopado universal.

Se, como disse em sua homilia, o consistório significa “parar para escutar o que o Senhor nos pede”, o gesto pode ser visto como uma expressão concreta da virada pastoral que este pontificado procura imprimir logo no início de sua jornada.


Fontes:

AGÊNCIA ECCLESIA. Cardeais escolhem sinodalidade e evangelização como prioridades para primeiro consistório com Leão XIV. Lisboa, 2026. Disponível em: https://agencia.ecclesia.pt/portal/vaticano-cardeais-escolhem-sinodalidade-e-evangelizacao-como-prioridades-para-primeiro-consistorio-com-leao-xiv/. Acesso em: 8 jan. 2026.

AGÊNCIA ECCLESIA. Leão XIV rejeita agendas pessoais nos trabalhos do consistório. Lisboa, 2026. Disponível em: https://agencia.ecclesia.pt/portal/vaticano-leao-xiv-rejeita-agendas-pessoais-nos-trabalhos-do-consistorio/. Acesso em: 8 jan. 2026.

AGÊNCIA ECCLESIA. Papa anuncia consistórios anuais e convoca novo encontro de cardeais para junho. Lisboa, 2026. Disponível em: https://agencia.ecclesia.pt/portal/vaticano-papa-anuncia-consistorios-anuais-e-convoca-novo-encontro-de-cardeais-para-junho/. Acesso em: 8 jan. 2026.

AP NEWS. Pope Leo XIV holds first extraordinary consistory, signaling consultative governance. Nova York, 2026. Disponível em: https://apnews.com/article/011f4c46693ddb29ca4d7d8e33fb9413. Acesso em: 8 jan. 2026.

PRESS VATICAN. Bollettino della Sala Stampa della Santa Sede – 8 gennaio 2026. Cidade do Vaticano, 2026. Disponível em: https://press.vatican.va/content/salastampa/en/bollettino/pubblico/2026/01/08/260108a.html. Acesso em: 8 jan. 2026.

RADIO AMARESERVIR. “Estou aqui para ouvir”: Papa abre consistório extraordinário para definir prioridades da Igreja. 2026. Disponível em: https://radioamareservir.com/noticia/2237221/estou-aqui-para-ouvir-papa-abre-consistorio-extraordinario-para-definir-prioridades-da-igreja. Acesso em: 8 jan. 2026.

VATICAN NEWS. Concistório: coletiva de imprensa no encerramento dos trabalhos. Cidade do Vaticano, 8 jan. 2026. Disponível em: https://www.vaticannews.va/pt/papa/news/2026-01/concistorio-coletiva-de-imprensa-encerramento-8-1-26.html. Acesso em: 8 jan. 2026.

VATICAN NEWS. Papa Leão XIV abre consistório extraordinário com discurso aos cardeais. Cidade do Vaticano, jan. 2026. Disponível em: https://www.vaticannews.va/pt/papa/news/2026-01/papa-leao-xiv-discurso-abertura-consistorio-extraordinario.html. Acesso em: 8 jan. 2026.

VATICAN NEWS. Pope Leo XIV celebrates Mass with cardinals during extraordinary consistory. Cidade do Vaticano, 2026. Disponível em: https://www.vaticannews.va/en/pope/news/2026-01/pope-leo-xiv-mass-extraordinary-consistory-cardinals.html. Acesso em: 8 jan. 2026.



Papa encerra o Jubileu da Esperança com o fechamento da Porta Santa

Na solenidade da Epifania do Senhor, celebrada nesta terça-feira, 6 de janeiro, o Papa Leão XIV presidiu o encerramento oficial do Jubileu da Esperança com o rito de fechamento da Porta Santa da Basílica de São Pedro. O Ano Santo havia sido iniciado em 24 de dezembro de 2024 e reuniu milhões de fiéis vindos de todas as partes do mundo.

“É bom sermos peregrinos de esperança. E é bom continuar a sê-lo, juntos”, afirmou o Pontífice ao final da celebração, destacando o sentido espiritual do caminho percorrido ao longo do Jubileu.

Um Ano Santo marcado pela peregrinação e pelo recomeço

Durante o Ano Jubilar, mais de 33 milhões de peregrinos atravessaram a Porta Santa da Basílica Vaticana. A celebração de encerramento contou com a presença de cerca de 5.800 fiéis no interior da Basílica e aproximadamente 10 mil pessoas que acompanharam a Missa pelos telões instalados na Praça São Pedro.

Na homilia, o Papa recordou que a Porta Santa acolheu homens e mulheres “a caminho da Cidade cujas portas estão sempre abertas, a nova Jerusalém”. Diante do Senhor, ressaltou, nada permanece igual: é ali que nasce a esperança e se renova a vida.

Leão XIV convidou a Igreja a refletir sobre a busca espiritual do nosso tempo e sobre a experiência vivida pelos peregrinos que cruzaram o limiar das igrejas jubilares. “O que encontraram? Que corações, que atenção, que acolhimento?”, questionou.

A Epifania e o chamado a uma Igreja viva

Ao celebrar a Epifania do Senhor, o Papa lembrou que a presença de Cristo transforma a história e coloca todos novamente a caminho. Catedrais, basílicas e santuários, afirmou, devem transmitir a certeza de que um mundo novo já começou, difundindo “o perfume da vida”.

Inspirando-se na pergunta dos Magos: “Onde está o rei dos judeus que acaba de nascer?”, o Pontífice sublinhou a importância de que cada pessoa que entra numa igreja possa sentir que ali nasce esperança e se constrói uma história de vida.

“O Jubileu veio para nos lembrar que é possível recomeçar. Estamos ainda no início”, afirmou, recordando que Deus continua a agir no meio da humanidade, envolvendo pessoas de todas as idades e condições nas obras de misericórdia e justiça.

Proteger o que é frágil e nascente

O Papa também alertou para os perigos que ameaçam o novo que Deus faz brotar no mundo, recordando os conflitos, as violências e uma economia que transforma tudo em mercadoria, inclusive o desejo humano de buscar sentido e recomeçar.

Amar a paz, disse, significa proteger aquilo que é santo e frágil, como uma criança. E questionou: após o Jubileu, somos mais capazes de reconhecer no outro um peregrino, um buscador, um companheiro de caminho?

Maria, Estrela da Manhã

Concluindo a homilia, Leão XIV recordou que o Menino adorado pelos Magos é um bem sem preço, que se manifesta na gratuidade e nas realidades mais humildes. Encorajou as comunidades a não transformarem as igrejas em monumentos, mas em casas vivas, capazes de resistir às seduções do poder.

“Se caminharmos juntos, seremos a geração da aurora”, afirmou, confiando o futuro da Igreja à intercessão de Maria, Estrela da Manhã, que, assegurou, caminha sempre à nossa frente.

Fonte: Vatican News