Entre os dias 9 e 12 de janeiro de 2026, foi realizado em Roma o 43º Encontro dos Governos Gerais da Família Paulina, com a participação dos Governos Gerais, representantes dos Institutos Agregados e dos Cooperadores Paulinos. Foram dias marcados pela oração, reflexão, escuta, discernimento, partilha da Palavra e convivência fraterna.
Inspirado pela imagem “A Família Paulina: carro que corre apoiado sobre quatro rodas”, o encontro retomou a herança carismática do Beato Tiago Alberione, reafirmando a riqueza da diversidade e a unidade entre as várias expressões da Família Paulina. As quatro rodas (Oração, Estudo, Apostolado e Pobreza) foram aprofundadas como dimensões inseparáveis da vida e da missão paulina.
Durante o encontro, os participantes revisitaram o próprio caminho como uma “história dupla”, marcada pela ação da graça de Deus e, ao mesmo tempo, pelas fragilidades humanas. Essa releitura favoreceu um olhar de realismo e esperança, reconhecendo limites, mas também sinais de novidade e fidelidade criativa ao carisma.
Em sintonia com o caminho da Igreja, foi fortemente ressaltada a sinodalidade como estilo de vida e de missão, compreendida como um percurso a ser feito juntos, em comunhão e corresponsabilidade. A unidade foi reconhecida como força que atrai e gera fecundidade, enquanto a divisão enfraquece a missão.
Outro destaque do encontro foi a redescoberta da fraternidade como elemento essencial da identidade paulina. A Família Paulina foi novamente chamada a viver como “um só coração e uma só alma” (At 4,32), fortalecendo a colaboração espiritual, intelectual e apostólica entre todos os seus membros.
À luz do Centenário da presença paulina em Roma, os participantes olharam para o futuro com gratidão e senso de responsabilidade compartilhada. O que foi vivido durante o encontro é entendido não apenas como memória, mas como impulso para escolhas concretas, relações mais evangélicas e uma missão cada vez mais vivida em comunhão.
Confiantes na ação de Deus, primeiro operador da história, e inspirados pelo testemunho do Beato Tiago Alberione, os participantes reafirmaram o desejo de seguir caminhando unidos, guiados pela única lâmpada da Família Paulina: Jesus Mestre e Pastor, Caminho, Verdade e Vida.
O 43º Encontro dos Governos Gerais foi vivido como um tempo de bênção, renovação e fortalecimento do compromisso comum a serviço do Evangelho e do mundo de hoje.
Com a morte do Papa Francisco em 21 de abril de 2025, a Igreja Católica entra em um tempo de vacância da Sé Apostólica. É um momento marcado por luto e oração, mas também por esperança e responsabilidade, no qual os cardeais se preparam para a solene tarefa de eleger o novo Sucessor de Pedro. Fiéis em todo o mundo unem-se em súplica ao Espírito Santo, pedindo luz para esse tempo decisivo da vida eclesial.
O que é o Conclave?
O termo conclave vem do latim cum clave – “com chave” – e designa tanto o local quanto o processo pelo qual os cardeais da Igreja Católica elegem um novo Papa. A tradição remonta ao século XIII e expressa o espírito de recolhimento, silêncio e discernimento exigido dos eleitores.
O episódio que consolidou o uso do termo ocorreu em 1270, em Viterbo, então sede papal. Cansados da demora dos cardeais para eleger um novo Papa, os cidadãos da cidade trancaram-nos no palácio episcopal e até removeram parte do telhado para forçá-los a tomar uma decisão. O resultado foi a eleição do Papa Gregório X. A cidade italiana recorda o evento com uma exposição permanente, inaugurada em 2016.
Apesar disso, o primeiro pontífice eleito “cum clave”, de forma restrita e reservada, foi o Papa Gelásio II, em 1118, no Mosteiro de São Sebastião, em Roma.
O perfil do Conclave de 2025
De acordo com o site Vatican News, no dia 7 de maio de 2025, 133 cardeais com menos de 80 anos entrarão na Capela Sistina para eleger o 267º Papa da Igreja Católica. Dos 135 cardeais eleitores existentes, dois estarão ausentes. Os eleitores representam 71 países dos cinco continentes: 53 europeus, 37 americanos (sendo 16 da América do Norte, 4 da América Central e 17 da América do Sul), 23 asiáticos, 18 africanos e 4 da Oceania.
Este Conclave será marcado por uma diversidade inédita. Quinze países terão pela primeira vez cardeais eleitores nativos: Haiti, Cabo Verde, Mianmar, Papua Nova Guiné, Suécia, Luxemburgo, República Centro-Africana, Malásia, Ruanda, Timor-Leste, Tonga, Singapura, Paraguai, Sudão do Sul e Sérvia.
O eleitor mais jovem é Dom Mikola Bychok, ucraniano radicado na Austrália, com 45 anos. O mais idoso é Dom Carlos Osoro Sierra, da Espanha, com 79 anos. A faixa etária predominante é a dos nascidos em 1947 – são 13 cardeais.
Cinco dos eleitores foram criados cardeais por São João Paulo II, 22 por Bento XVI e 108 por Francisco. Os cardeais também representam uma pluralidade de espiritualidades: 33 pertencem a 18 ordens religiosas. Os salesianos são os mais numerosos, com cinco cardeais; seguem-se os franciscanos (OFM), os jesuítas (SJ) e os franciscanos conventuais (OFMConv).
Também participam dominicanos, lazaristas, redentoristas, verbitas, agostinianos, capuchinhos, carmelitas descalços, cistercienses, espiritanos, scalabrinianos, missionários da Consolata e do Sagrado Coração de Jesus.
Um processo guiado pelo Espírito Santo
De acordo com o Código de Direito Canônico (cân. 349), cabe ao Colégio dos Cardeais eleger o novo Papa e auxiliar o pontífice no governo da Igreja. A Constituição Apostólica Universi Dominici Gregis estabelece que apenas os cardeais com menos de 80 anos na data da vacância da Sé Apostólica têm direito a voto.
Assim, enquanto o mundo acompanha com expectativa os dias que se aproximam, a Igreja confia este tempo de discernimento à ação do Espírito Santo, pedindo que conduza os eleitores a escolherem o novo pastor que guiará o rebanho de Deus.
Lista completa dos 135 cardeais eleitores (ordem pelo país de origem):
Dom Stephen Brislin – África do Sul
Dom Reinhard Marx – Alemanha
Dom Gerhard Ludwig Müller – Alemanha
Dom Rainer Maria Woelki – Alemanha
Dom Jean-Paul Vesco – Argélia
Dom Vicente Bokalic Iglic – Argentina
Dom Víctor Manuel Fernández – Argentina
Dom Mario Aurelio Poli – Argentina
Dom Ángel Sixto Rossi – Argentina
Dom Jozef De Kesel – Bélgica
Dom Vinko Puljić – Bósnia e Herzegovina
Dom João Braz de Aviz – Brasil
Dom Paulo Cezar Costa – Brasil
Dom Sérgio da Rocha – Brasil
Dom Odilo Pedro Scherer – Brasil
Dom Jaime Spengler – Brasil
Dom Leonardo Ulrich Steiner – Brasil
Dom Orani João Tempesta – Brasil
Dom Philippe Ouédraogo – Burquina Fasso
Dom Arlindo Gomes Furtado – Cabo Verde
Dom Thomas Christopher Collins – Canadá
Dom Michael Czerny – Canadá
Dom Gérald Cyprien Lacroix – Canadá
Dom Frank Leo – Canadá
Dom Fernando Chomalí Garib – Chile
Dom Lazarus You Heung-sik – Coreia do Sul
Dom Ignace Bessi Dogbo – Costa do Marfim
Dom Jean-Pierre Kutwa – Costa do Marfim
Dom Josip Bozanić – Croácia
Dom Juan García Rodríguez – Cuba
Dom Luis Gerardo Cabrera Herrera – Equador
Dom Luis José Rueda Aparicio – Equador
Dom Antonio Cañizares Llovera – Espanha
Dom José Cobo Cano – Espanha
Dom Ángel Fernández Artime – Espanha
Dom Cristóbal López Romero – Espanha
Dom Juan José Omella Omella – Espanha
Dom Carlos Osoro Sierra – Espanha
Dom Raymond Leo Burke – Estados Unidos
Dom Blase Joseph Cupich – Estados Unidos
Dom Daniel DiNardo – Estados Unidos
Dom Timothy Michael Dolan – Estados Unidos
Dom Kevin Joseph Farrell – Estados Unidos
Dom Wilton Daniel Gregory – Estados Unidos
Dom James Michael Harvey – Estados Unidos
Dom Robert Walter McElroy – Estados Unidos
Dom Robert Francis Prevost – Estados Unidos
Dom Joseph William Tobin – Estados Unidos
Dom Berhaneyesus Souraphiel – Etiópia
Dom Jose Fuerte Advincula – Filipinas
Dom Pablo Virgilio David – Filipinas
Dom Luis Antonio Tagle – Filipinas
Dom Jean-Marc Aveline – França
Dom Philippe Barbarin – França
Dom François-Xavier Bustillo – França
Dom Dominique Mamberti – França
Dom Christophe Pierre – França
Dom Peter Turkson – Gana
Dom Álvaro Leonel Ramazzini Imeri – Guatemala
Dom Robert Sarah – Guiné
Dom Chibly Langlois – Haiti
Dom Stephen Chow Sau-yan – Hong Kong
Dom Péter Erdő – Hungria
Dom Filipe Neri Ferrão – Índia
Dom George Jacob Koovakad – Índia
Dom Anthony Poola – Índia
Dom Baselios Cleemis Thottunkal – Índia
Dom Ignatius Suharyo – Indonésia
Dom Vincent Nichols – Inglaterra
Dom Timothy Radcliffe – Inglaterra
Dom Arthur Roche – Inglaterra
Dom Dominique Mathieu – Irão
Dom Louis Raphaël Sako – Iraque
Dom Pierbattista Pizzaballa – Israel
Dom Fabio Baggio – Itália
Dom Domenico Battaglia – Itália
Dom Giuseppe Betori – Itália
Dom Oscar Cantoni – Itália
Dom Angelo De Donatis – Itália
Dom Fernando Filoni – Itália
Dom Mauro Gambetti – Itália
Dom Claudio Gugerotti – Itália
Dom Augusto Paolo Lojudice – Itália
Dom Francesco Montenegro – Itália
Dom Pietro Parolin – Itália
Dom Giuseppe Petrocchi – Itália
Dom Baldassare Reina – Itália
Dom Roberto Repole – Itália
Dom Marcello Semeraro – Itália
Dom Mario Zenari – Itália
Dom Matteo Maria Zuppi – Itália
Dom Tarcisius Isao Kikuchi – Japão
Dom Thomas Aquino Manyo Maeda – Japão
Dom Rolandas Makrickas – Lituânia
Dom Jean-Claude Höllerich – Luxemburgo
Dom Désiré Tsarahazana – Madagáscar
Dom Sebastian Francis – Malásia
Dom Mario Grech – Malta
Dom Carlos Aguiar Retes – México
Dom Francisco Robles Ortega – México
Dom Giorgio Marengo – Mongólia
Dom Charles Maung Bo – Mianmar
Dom Leopoldo José Brenes – Nicarágua
Dom Peter Ebere Okpaleke – Nigéria
Dom John Atcherley Dew – Nova Zelândia
Dom Willem Jacobus Eijk – Países Baixos
Dom John Ribat – Papua-Nova Guiné
Dom Joseph Coutts – Paquistão
Dom Adalberto Martínez Flores – Paraguai
Dom Carlos Castillo Mattasoglio – Peru
Dom Konrad Krajewski – Polónia
Dom Kazimierz Nycz – Polónia
Dom Stanisław Ryłko – Polónia
Dom Grzegorz Ryś – Polónia
Dom Américo Alves Aguiar – Portugal
Dom José Tolentino Calaça de Mendonça – Portugal
Dom António dos Santos Marto – Portugal
Dom Manuel Clemente – Portugal
Dom John Njue – Quênia
Dom Dieudonné Nzapalainga – República Centro-Africana
Dom Fridolin Ambongo Besungu – República Democrática do Congo
Dom Antoine Kambanda – Ruanda
Dom László Német – Sérvia
Dom William Seng Chye Goh – Singapura
Dom Albert Malcolm Ranjith – Sri Lanka
Dom Stephen Ameyu Martin Mulla – Sudão
Dom Anders Arborelius – Suécia
Dom Kurt Koch – Suíça
Dom Emil Paul Tscherrig – Suíça
Dom Francis Xavier Kriengsak Kovithavanij – Tailândia
Antes de iniciar o retiro, cuide com carinho da ambientação: prepare uma mesa coberta com uma toalha, a Bíblia aberta (ou o Lecionário), uma vela acesa e cadeiras dispostas em círculo, garantindo que todas as pessoas tenham um lugar para se sentar. Esse ambiente favorece o encontro com o Senhor e entre os irmãos.
Refrão de Abertura: Ressuscitou de verdade, aleluia, aleluia! Cristo Jesus ressuscitou, aleluia, aleluia!
Invocação ao Espírito Santo
Abrimos nosso encontro invocando o Espírito Santo, pedindo que nos conduza na escuta da Palavra e nos ajude a reconhecer a presença do Ressuscitado entre nós.
Leituras Bíblicas do Retiro
Evangelho: João 21,1-19
1ª Leitura: Atos dos Apóstolos 5,27b-32.40b-41
Salmo: Salmo 29
2ª Leitura: Apocalipse 5,11-14
Reflexão sobre os Textos
Neste 3º Domingo da Páscoa, a liturgia nos convida a continuar celebrando o coração da nossa fé: a Ressurreição de Jesus. Somos chamados a refletir sobre como nossa vida e nossas comunidades podem testemunhar, de forma concreta, a salvação que Ele nos trouxe.
Na primeira leitura, vemos os apóstolos em Jerusalém proclamando, com coragem e alegria, a vida nova que brota da Ressurreição — mesmo diante das perseguições. A Boa Nova não pode ser silenciada.
Na segunda leitura, o “Cordeiro” vitorioso é aclamado por toda a criação. Este louvor universal é um convite para que também nós nos unamos a esse cântico de gratidão e reconhecimento pela salvação oferecida a todos.
O Evangelho nos mostra os discípulos retomando suas atividades cotidianas, mas já transformados pela presença do Ressuscitado. Ainda assim, é preciso o olhar da fé para reconhecer o Senhor — “É o Senhor!”, proclama João. Pedro, impulsionado por essa certeza, mergulha nas águas. A pesca abundante (153 peixes grandes, símbolo da universalidade da missão) revela a generosidade de Deus e a presença viva de Cristo entre eles. Jesus não precisa se identificar. Eles sabem que é Ele.
A morte de Jesus não foi um acidente. Foi o resultado de sua fidelidade a um projeto de amor que incomodava os poderosos. Mesmo sabendo que isso o levaria à cruz, Ele seguiu firme, revelando em tudo a verdade de Deus. Essa mesma mensagem continua, ainda hoje, sendo rejeitada por quem escolhe viver na mentira.
Como discípulos de Jesus, somos chamados a seguir seus passos com coragem, mesmo quando isso significar enfrentar incompreensões ou resistências. A pergunta que ecoa ao final da reflexão é desafiadora: E nós, estamos dispostos a viver como Ele viveu?
Encerramento
Após o momento de oração pessoal e comunitária, partilhem os frutos da escuta e da meditação da Palavra. Em seguida, cantem ou recitem juntos o Salmo 29, rezem o Pai Nosso, e finalizem com uma oração espontânea e a bênção.
O texto abaixo “Mistagogia no Tempo da Quaresma” foi escrito pela Ir. Veronice Fernandes, pddm, e é uma reflexão profunda e prática destinada a guiar os fiéis durante o período quaresmal, desde a Quarta-feira de Cinzas até o Domingo de Ramos e da Paixão. Este material propõe um exercício espiritual que une preparação, participação e reflexão, oferecendo um caminho de conversão e crescimento na fé.
Durante a Quaresma, a Igreja nos convida a vivenciar o jejum, a oração e a esmola como práticas essenciais para a liberdade espiritual, a unificação do coração e a solidariedade concreta. Através da escuta da Palavra, das celebrações litúrgicas e de uma atitude constante de penitência e conversão, os cristãos são chamados a seguir os passos de Jesus rumo à Páscoa.
A proposta mistagógica vai além das celebrações, convidando cada fiel a recordar os ritos, refletir sobre sua experiência espiritual e permitir que o Espírito Santo conduza a oração interior. A inspiração das catequeses de Cirilo de Jerusalém ressalta o valor da iniciação cristã e da participação ativa nos sacramentos.
Este exercício espiritual é um convite para transformar a fé em caridade, promovendo ações concretas de solidariedade e justiça. Com um olhar atento à misericórdia de Deus e à renovação das promessas batismais, a Mistagogia no Tempo da Quaresma busca preparar os fiéis para a vivência plena do mistério pascal.
“Quando jejuares, perfuma a cabeça e lava o rosto…” (Mt 6,17)
Na Quarta-feira, dia 05/02/2025, iniciaremos o Tempo da Quaresma. E começamos este período recebendo as cinzas. A Quaresma é um tempo favorável para “ordenar a própria vida” de acordo com o sonho de Deus para a humanidade. Este período litúrgico nos convida a refletir sobre nossas relações mais profundas: com Deus, com os outros, com o mundo e conosco mesmos. A partir das práticas quaresmais da oração, esmola e jejum, somos chamados a analisar e questionar o modo como nos relacionamos, guiados pelo exemplo de Jesus.
Esses três gestos — oração, esmola e jejum — são essenciais para vivermos de forma plena e fecunda a Quaresma. Eles não apenas humanizam, mas também tornam a vida mais leve e cheia de sentido. Eles condensam o propósito da vida cristã: abrir-se aos outros (esmola), mergulhar no mistério de Deus (oração) e ordenar a própria existência (jejum).
É essencial criar um espaço novo no coração e na mente, permitindo que algo novo aconteça dentro de nós. Vividos a partir da identificação com Cristo, esses valores ajudam a esvaziar o “ego” e nos aproximam dos pobres e excluídos. Eles nos convidam à compaixão, à misericórdia, ao exercício do bem, ao acolhimento, ao perdão gratuito e ao cuidado com o que nos cerca. O verdadeiro espírito da Quaresma é deixar que o amor circule em nós e no mundo, gerando vida em abundância. Este não é um gesto pontual, mas um “modo de proceder” permanente, que deve se estender além do período quaresmal.
Quaresmas que Acontecem “Fora do Tempo”
A vida nos traz “quaresmas” em momentos inesperados, que não escolhem datas no calendário. São as quaresmas que chegam quando enfrentamos doenças, crises, rupturas ou lutos. Essas situações nos forçam a atravessar momentos difíceis, mas também nos ensinam sobre nossa limitação, fragilidade e pecado.
Ao recebermos as cinzas na Quarta-feira de Cinzas, não estamos realizando um gesto de tristeza ou derrotismo. Pelo contrário, estamos fazendo uma profissão de fé na força da esperança. Mesmo diante das dificuldades, há uma potência interior que nos permite recomeçar, perdoar, confiar novamente nas pessoas e seguir o caminho da vida com renovada energia. As cinzas, simbolizando a fragilidade da vida humana, não são um fim, mas um convite à renovação e à conversão.
O Valor das Nossas Cinzas
As cinzas que recebemos têm significados diferentes, dependendo de sua origem. Elas podem simbolizar a perda e a destruição, como as cinzas de uma casa destruída pelo fogo, ou podem representar algo mais suave, como as cinzas de uma chaminé em um campo. As cinzas que carregamos sobre nossas cabeças são um lembrete da fragilidade humana: do que perdemos, do que desperdiçamos, do amor que não cultivamos, das indiferenças que alimentamos e dos sonhos que não deixamos florescer.
Mas, mesmo que carreguemos essas cicatrizes, há também um caminho novo diante de nós, uma oportunidade de transformação. As cinzas, no sentido bíblico, não representam destruição, mas sim força, espírito, vida, projeto e renovação. Elas são símbolos de esperança, ressurreição e conversão, tanto de nós mesmos quanto dos outros. A imposição das Cinzas é, assim, um convite à purificação, à renovação e à comunhão.
A Travessia Interior e a Graça de Deus
A finalidade da imposição das Cinzas e das práticas quaresmais (oração, jejum e esmola) é nos ajudar a realizar uma verdadeira “travessia interior”. Não se trata de apenas ajustar superficialmente nossa vida, mas de permitir que a Graça de Deus toque os recantos mais profundos de nosso ser. Jesus nos ensina que “o Pai, que vê o que está escondido, te dará a recompensa” (Mt 6,18). Portanto, precisamos de tempos de silêncio, de espaços especiais, para criar um ambiente que favoreça o encontro verdadeiro com Deus.
Re-descobrir nosso lugar interior é um sinal de maturidade e sabedoria. Esse lugar não se refere ao reconhecimento social ou ao êxito externo, mas ao espaço íntimo onde a Graça de Deus tem liberdade para atuar. Nesse “escondido”, podemos encontrar a paz e a serenidade, e é a partir desse lugar que a transformação profunda começa.
A Mística do Encontro
A oração é um convite para entrar nesse “escondido”, onde encontramos a verdadeira essência de nosso ser e nos encontramos com Deus. Ela não é uma obrigação ou uma imposição, mas uma conversa íntima com o Autor da vida. Orar é buscar o centro, é agir a partir do nosso ser mais profundo, e não de influências externas.
A Quaresma nos oferece a chance de reavivar nossas práticas espirituais e transformar nosso coração. Devemos fazer do nosso coração um espaço de humildade e riqueza, de nossas mãos um gesto de ternura, e de nossos pés um desejo de proximidade e comunhão. Dessa forma, podemos ungir com o azeite da misericórdia e o vinho da fragilidade os feridos que encontramos em nosso caminho.
Reflexão para a Quaresma
Iniciamos este caminho quaresmal com a intenção de nos aproximarmos mais de Deus, buscando transformar nossos gestos em expressão de amor e misericórdia. A Quaresma é uma jornada que nos convida a ir além das camadas exteriores de nossa vida, para alcançar a verdade profunda e essencial que habita em nosso interior.
Que, ao longo deste tempo, possamos ser tocados pela Graça de Deus e encontrar, a cada dia, o verdadeiro significado de nossa caminhada de conversão e renovação.
QUARTA-FEIRA DE CINZAS, Ano C
Leituras:
Jl 2,12-18
Sl 50(51),3-4.5-6a.12-13.14 e 17 (R. cf. 3a)
2Cor 5,20-6,2
Mt 6,1-6.16-18
Campanha da Fraternidade 2025: Fraternidade e Ecologia Integral
No início da Quaresma, a Igreja Católica no Brasil dá início à tradicional Campanha da Fraternidade, um importante momento de reflexão e ação em prol da solidariedade e do bem comum. Em 2025, o tema escolhido para esta campanha é “Fraternidade e Ecologia Integral“, e o lema que norteia as ações e reflexões deste ano é retirado do livro de Gênesis: “Deus viu que tudo era muito bom” (Gn 1,31).
A proposta da Campanha da Fraternidade 2025 é convidar todos os fiéis e a sociedade em geral a refletirem sobre a relação entre a fraternidade humana e a preservação do meio ambiente. A escolha do tema busca destacar a importância de uma abordagem integrada da ecologia, que não só defende a preservação da natureza, mas também considera as dimensões sociais e culturais do cuidado com a criação. Este conceito de “Ecologia Integral” nos chama a atenção para a interdependência entre os seres humanos e o planeta, ressaltando que o bem-estar do ser humano está profundamente ligado ao cuidado com o ambiente em que vive.
A mensagem central da campanha é um convite à conversão ecológica, promovendo a conscientização sobre o impacto das nossas ações no planeta e chamando-nos a viver de forma mais responsável, solidária e harmoniosa com a criação divina. O lema “Deus viu que tudo era muito bom” nos recorda a visão positiva e criativa de Deus sobre o mundo, reforçando a beleza e a perfeição da criação, mas também a nossa responsabilidade em cuidar dela.
Neste tempo de Quaresma, a Igreja convida todos a refletirem sobre como suas escolhas diárias impactam o meio ambiente e a sociedade, estimulando ações concretas que promovam a justiça social, a paz e a preservação da Casa Comum. Que a Campanha da Fraternidade 2025 inspire um compromisso renovado com a vida, com a fraternidade e com a ecologia integral, fazendo com que, como cristãos, sejamos verdadeiros cuidadores da criação de Deus.
Abaixo, na integra, a carta circular númeo 1 deste ano, com a mensagem celebrativa pelo 25º Dia Mundial da Vida Consagrada e Festa da Apresentação do Senhor.
———— CIRCULAR N. 1 ————- Pie Discepole del Divin Maestro – Casa Generalizia Roma, 31 de janeiro de 2021 Dia do Senhor
Queridas irmãs, recebemos una carta afetuosa do Card. João Braz de Aviz, Prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, por ocasião do XXV Dia da Vida consagrada que celebramos no próximo 02 de fevereiro, com todo o povo fiel de Deus. É uma mensagem que convido a acolher com profunda gratidão. Com palavras animadas pela esperança e cheias de participação fraterna, reflete sobre a situação particular e dramática em que estamos imersas, solidárias com toda a humanidade. E nos convida a superar a tentação de nos recuar, lamentarmos, e fechar os olhos, ouvindo, ao invés, as entranhas da misericórdia, como o samaritano que se fez próximo do infeliz encontrado ao longo do caminho. Ele nos dirige o apelo direto para focar na Encíclica do Papa Francisco Fratelli tutti: “Consagradas e consagrados em institutos religiosos, monásticos, contemplativos, institutos seculares e novos institutos, membros do ‘ordo virginum’, eremitas, membros das sociedades de vida apostólica, pedimos a todos vocês que coloquem esta Encíclica no centro de sua vida, formação e missão. De agora em diante, não podemos ignorar essa verdade: somos todos irmãos e irmãs, como rezamos, talvez não com tanta consciência, no Pai nosso, porque “Sem uma abertura ao Pai de todos, não pode haver razões sólidas e estáveis para o apelo à fraternidade” (FT n. 272)» A partir de nossa comunidade vocacional abrimos nossos olhos para as sombras de um mundo fechado e, na escola do Evangelho, aprendemos a pensar e gerar um mundo aberto, com um coração aberto para o mundo inteiro. Portanto, imediatamente, no diálogo e favorecendo a amizade social, abrimos caminhos de novos encontros. Sem esconder-nos as muitas feridas à fraternidade que provocamos todos os dias, ou as sofremos, na vida em comunidade, juntas reencontramos as raízes da profecia da vida consagrada. Firmes e enraizadas nela, descobriremos a beleza do que professamos na vida: O amor de Cristo nos reuniu para tornar-nos uma só família de suas discípulas. Como Ele e graças a Ele, no Espírito, podemos responder ao mandamento: “amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e com toda a tua força e amarás o teu próximo como ti mesmo”. Reunidas no seu Nome, e não só por motivos humanos, desejamos ser um sinal humilde e plausível da misericórdia do Pai que opera maravilhas (RV 73). Todas, independentemente da idade ou situação de vida, somos habilitadas a ser esta profecia: sinal humilde e possível da misericórdia do Pai, que opera em nós e ao nosso redor suas maravilhas. São palavras sobre as quais refletir e, fazê-las descer no profundo da consciência, para que se enraízem e deem bons frutos. Nos ungimos mutuamente com o bálsamo do perdão, da cura e da ternura eucarística – como diz o papa Francisco – que atinjamos à uma vida de fé e de intimidade com Deus, para ser reconhecidas por aquilo que somos: discípulas de Jesus Mestre (cf. Jo 13, 34 – 35). Nessas semanas temos a alegria de acolher entre nós, definitivamente, as juniores que emitem a Profissão Perpétua – em Burkina Faso, Coreia, Índia,–; as noviça que emitem a profissão religiosa temporária – no Congo, na Coreia, nas Filipinas,– e outras jovens que estão progredindo no caminho formativo. É uma bela oportunidade para nos lembrar, realisticamente, que não é importante ser numerosas, mas ser acesas. Como o Bemaventurado Padre Alberione muitas vezes repete: “Ser acesas para iluminar”. No dia 10 de fevereiro, celebraremos juntas a Festa dos inícios na memória daquele dia em que tudo teve, publicamente, princípio. Na gratidão por Madre Escolástica Rivata e pelas Irmãs, por ela escolhidas para constituir a primeira comunidade de Pias Discípulas, entramos, idealmente, em diálogo com elas para ouvir delas “como era no princípio “. Não se trata apenas de fazer um exercício de reconstrução histórica, mas de deixar emergir do profundo de mim mesma aquilo que da experiência carismática das primeiras Madres ainda hoje me regenera e me dá alegria. De fato, o carisma das origens é a experiência do Espírito que, de geração em geração, chegou até nós. E hoje, em cada uma de nós, ele é vivido, guardado, aprofundado e constantemente desenvolvido em harmonia com o corpo de Cristo em constante crescimento (cf. MR 11). O inovador compositor e maestro Gustav Mahler (1860-1911) dizia: “Tradição é guardar fogo, não adorar cinzas”. Eu me pergunto: O que resta, em nós e entre nós, do “fogo dos inícios”? A quem, na comunidade eclesial, ou civil, oferecemos um lugar em torno desse “fogo dos inícios” para continuar a se aquecer, reavivar-se, encontrar conforto e sentido da vida? A partilha fraterna das respostas a estas perguntas favoreça entre nós a experiência da narração de vida, em encontros comunitários nutritivos, que alimentem o crescimento na fé e na alegria da vocação, para que a Palavra de Deus corra e seja glorificada.
Dentro do Mês Vocacional, a Igreja no Brasil celebra, na segunda semana de agosto, a Semana Nacional da Família, uma mobilização de grupos e comunidades que ocorre, desde 1992, com momentos de oração, formação e reflexão. Neste ano, a Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) propôs como tema “Eu e minha casa serviremos ao Senhor” (Josué 24, 15).
Para animar a Semana Nacional da Família – do Dia dos Pais até o dia 15 de agosto – a Comissão Nacional da Pastoral Familiar (CNPF), organismo vinculado à Comissão Vida e Família da CNBB, elabora o subsídio “Hora da Família”, que começou a ser editado desde a vinda de São João Paulo II ao Brasil, em 1994. Neste ano de 2020, o material ganhou duas versões, uma com encontros mensais e outra especialmente preparada para a Semana Nacional da Família, agora chamada “Hora da Família Especial”.
O subsídio possui roteiro para os sete dias da semana com atividades que envolvem toda a família, sugestões de oração e de cantos. O material está disponível na versão impressa e também no aplicativo Estante Pastoral Familiar, numa versão digital.
“O Hora da Família se coloca a serviço da Igreja e da construção do Reino de Deus começando em nossas casas. Aproveitem cada encontro e animem sua comunidade a vivenciarem os temas propostos como um itinerário de aprofundamento da fé em família a serviço da comunidade”, motiva o bispo de Rio Grande (RS) e presidente da Comissão para a Vida e a Família da CNBB, dom Ricardo Hoepers.
Recordando a celebração das diversas vocações pela Igreja neste mês de agosto, o assessor da Comissão para a Vida e a Família e secretário executivo da CNPF, padre Crispim Guimarães, ressalta que o Hora da Família Especial, em comunhão com a Igreja, “celebra a vocação comum: ser família. Na família todas as vocações nascem e se encontram”.
Celebrar em tempos de pandemia
O bispo auxiliar do Rio de Janeiro (RS) e secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Joel Portella Amado, recordou em mensagem o momento desafiador da pandemia do novo coronavírus, que tem imposto limites ao agir Pastoral “ameaçando e mesmo levando embora tantas vidas”.
Segundo dom Joel, o lema deste ano, “Eu e minha serviremos ao Senhor”, é muito adequado para o momento que estamos passando: “Eu tomo mesmo a liberdade de compreender o lema do seguinte modo: ‘Eu e minha casa serviremos ao Senhor com pandemia ou sem pandemia, no modo presencial ou no modo virtual’. Isso porque, em qualquer condição uma família que se volta para o Senhor em atitude de fé, atitude traduzida em escuta da Palavra de Deus e no serviço a Deus através do próximo, aqui está um aspecto irrenunciável da nossa fé”.
O casal coordenador nacional da Pastoral Familiar, Luiz e Kátia Stolf, deseja que seja possível fazer uma Semana da Família abençoada mesmo com a pandemia, com o isolamento social: “que possamos fazer em nossas casas, a nossa pequena Igreja doméstica, acontecer também a Semana da Família, com nossos filhos, com nossos netos, enfim, com aqueles que convivem conosco. Aproveitemos esse momento especial de graça que Deus está nos dando para realizar e também celebrar a Semana da Família”.
Luiz e Kátia motivam a participação da forma disponível, seja nas comunidades, nas paróquias ou nas suas casas, com um grupo de conhecidos online, de forma virtual. “Que muitos frutos possamos estar colhendo a partir dessa semana”.
“Trataram-nos com gentileza”: este versículo dos Atos dos Apóstolos (28,2) é o tema do subsídio da Semana de Oração pela Unidade de Cristãos 2020. O texto foi redigido pelas Igrejas cristãs de Malta e Gozo.
A Europa, diferentemente do hemisfério sul, celebra a Semana de Unidade dos Cristão de 18 a 25 de janeiro. Neste ano de 2020, os materiais para a Semana de Oração pela Unidade Cristã foram preparados pelas Igrejas cristãs em Malta e Gozo (Cristãos Unidos em Malta).
Em 10 de fevereiro, muitos cristãos em Malta celebram a festa do naufrágio de São Paulo, destacando e agradecendo a chegada da fé cristã nessas ilhas. Por isso, está sendo proposto a leitura de Atos dos Apóstolos usada na festa. A história começa com Paulo sendo levado a Roma como prisioneiro (At 27,1ss). Paulo está preso, mas mesmo numa viagem que se torna perigosa, a missão de Deus continua através dele.
Essa narrativa é um clássico drama da humanidade confrontada com o aterrorizante poder dos elementos. Os passageiros do navio estão expostos às forças dos mares abaixo e das poderosas tempestades que se erguem ao seu redor. Essas forças os levam a um território desconhecido, onde estão perdidos e sem esperança.
As 276 pessoas a bordo do navio são divididas em grupos distintos. O centurião e seus soldados têm poder e autoridade mas dependem da perícia e da experiência dos marinheiros. Embora todos estejam assustados e vulneráveis, os prisioneiros são os mais vulneráveis de todos. Suas vidas são consideradas dispensáveis, eles estão em risco de uma execução sumária (cf 27,42).
À medida que a história se desenvolve, sob pressão e temendo por suas vidas, vemos desconfiança e suspeita ampliando as divisões entre os diferentes grupos. Notavelmente, porém, Paulo se ergue como um centro de paz no tumulto. Ele sabe que sua vida não é governada por forças indiferentes ao seu destino, mas está segura nas mãos do Deus a quem ele pertence e serve (cf 27,23).
Por causa de sua fé, ele está confiante de que se erguerá diante do imperador em Roma, e na força da sua fé pode se erguer diante de seus companheiros de viagem e dar graças a Deus. Todos estão encorajados. Seguindo o exemplo de Paulo, eles partilham pão, unidos numa nova esperança e confiando em suas palavras. Isso indica o tema principal dessa passagem: a providência divina. Foi decisão do centurião navegar em tempo ruim, mas ao longo da tempestade os marinheiros tomam decisões sobre como lidar com o navio. Mas ao final seus próprios planos são alterados e, somente permanecendo juntos e permitindo que o navio naufrague, eles chegam a ser salvos pela divina providência.
O navio e toda a sua valiosa carga se perderão, mas todas as vidas serão salvas, “nenhum de vós perderá um cabelo sequer de sua cabeça” (cf 27,34; Lc 21,18). Em nossa busca da unidade cristã, entregar-nos à divina providência vai exigir deixar de lado muitas coisas a que estamos profundamente ligados. O que importa para Deus é a salvação de todas as pessoas. Esse grupo de pessoas diversas e em conflito desembarca em uma ilha (cf 27,26).
Tendo sido jogados juntos no mesmo navio, chegam ao mesmo destino, onde a sua unidade humana se manifesta na hospitalidade que recebem dos nativos da ilha. Ao se unirem ao redor do fogo, cercados por um povo que nem os conhece nem os compreende, diferenças de poder e posição social se esvaem. Os 276 não estão mais na dependência de forças indiferentes, mas envolvidos pela amorosa previdência de Deus, que se mostra presente através de um povo que lhes demonstra uma “benevolência fora do comum” (Cf 28,2).
Com frio e molhados, eles podem se aquecer e secar perto do fogo. Com fome, recebem comida. São abrigados até que seja seguro para eles continuar a viagem.
Hoje muitas pessoas estão enfrentando terrores semelhantes nesses mesmos mares. Os mesmos lugares mencionados no texto lido (cf 27,1; 28,1) também fazem parte das histórias de migrantes de tempos modernos. Em outras partes do mundo muitos outros estão fazendo jornadas igualmente perigosas por terra e pelo mar para escapar de desastres naturais, guerra e pobreza. Suas vidas também estão expostas a imensas e friamente indiferentes forças – não apenas naturais, mas também políticas, econômicas e humanas.
Essa indiferença humana assume várias formas: a indiferença dos que vendem lugares em barcos inadequados para pessoas desesperadas; a indiferença que leva à decisão de não enviar barcos de socorro; a indiferença que faz mandar embora barcos de imigrantes. Isso são apenas alguns exemplos.
Como cristãos unidos encarando as crises da migração essa história nos desafia: apoiamos as frias forças da indiferença, ou mostramos “benevolência fora do comum” e nos tornamos testemunhas da amorosa providência de Deus para todas as pessoas? A hospitalidade é uma virtude muito necessária em nossa busca da unidade cristã. É uma prática que nos leva a uma maior generosidade para os necessitados.
As pessoas que mostraram benevolência fora do comum a Paulo e seus companheiros não conheciam ainda Cristo, mas mesmo assim é através de sua benevolência fora do comum que um povo dividido vai ficando unido. Nossa própria unidade cristã será descoberta não apenas mostrando hospitalidade de uns para os outros, embora isso seja muito importante, mas também através de encontros amigáveis com aqueles que não partilham nossa língua, cultura ou fé. Em tais viagens tempestuosas e encontros casuais, a vontade de Deus para a Igreja e para todas as pessoas será cumprida. Como Paulo proclamará em Roma, a salvação de Deus foi enviada a todos os povos (cf At 28,28).
As reflexões para os oito dias e a celebração serão baseadas no texto de Atos dos Apóstolos.
Os temas para os oito dias são:
Dia 1: Reconciliação: Atirando a carga ao mar
Dia 2: Iluminação: Buscando e apresentando a luz de Cristo
Dia 3: Esperança: Mensagem de Paulo
Dia 4: Confiança: Não tenha medo, creia
Dia 5: Fortalecimento: Partilhando pão para a viagem
Dia 6: Hospitalidade: Demonstre benevolência fora do comum
Dia 7: Conversão: Mudando nossos corações e mentes