2º DOMINGO DA QUAREMA: DA CINZA À LUZ, A PEDAGOGIA QUARESMAL DO SEGUIMENTO

A Igreja, com grande sabedoria pedagógica, nos introduz no Tempo da Quaresma por meio de um itinerário espiritual progressivo. Não se trata apenas de uma sequência de domingos, mas de um verdadeiro caminho de conversão, no qual a Palavra de Deus educa o coração do discípulo para aprender, pouco a pouco, o modo de seguir Jesus.

Na Quarta-feira de Cinzas, o Evangelho nos coloca diante do essencial: a conversão não é espetáculo, mas decisão interior. A esmola, a oração e o jejum, apresentados por Jesus, não são práticas exteriores para conquistar aprovação humana, mas caminhos concretos para restaurar a relação com Deus. A cinza sobre a cabeça recorda nossa fragilidade e, ao mesmo tempo, a urgência da volta ao Senhor “de todo o coração”. A Quaresma começa, assim, no silêncio, na verdade de si mesmo diante de Deus, onde não há máscaras nem aplausos, apenas o desejo sincero de ser reconciliado.

No 1º Domingo da Quaresma, o Evangelho das tentações aprofunda esse movimento interior. Jesus, conduzido pelo Espírito ao deserto, enfrenta aquilo que ameaça todo caminho de fé: a sedução do poder, do sucesso e da autossuficiência. Ele vence não pela força, mas pela fidelidade à Palavra. A Igreja nos ensina que a conversão não acontece sem combate espiritual. Como Adão, somos tentados a desconfiar de Deus; como Cristo, somos chamados a escolher a obediência que gera vida. O deserto revela quem somos e em quem colocamos nossa confiança.

É nesse contexto que se ilumina o 2º Domingo da Quaresma, com o Evangelho da Transfiguração. Após o deserto, antes da cruz, os discípulos são conduzidos ao monte. A pedagogia divina é clara: quem aceita o caminho da conversão e enfrenta as tentações precisa também experimentar a luz da promessa. No alto do monte, Jesus se manifesta em sua glória, não para afastar os discípulos da realidade, mas para fortalecê-los para a descida, onde os espera o caminho da entrega.

A Transfiguração revela que a cruz não é o fim, mas passagem. A voz do Pai: “Este é o meu Filho amado, escutai-o”, recoloca no centro da Quaresma aquilo que sustenta todo o processo: a escuta obediente do Filho. Não se trata apenas de ver a glória, mas de aprender a caminhar segundo a Palavra. A experiência luminosa não elimina o sofrimento futuro, mas dá sentido a ele.

Por que Jesus toma consigo Pedro, Tiago e João? Jesus não escolhe esses três ao acaso. Pedro, Tiago e João formam o núcleo mais próximo dos discípulos e aparecem em momentos decisivos do ministério de Jesus: a ressurreição da filha de Jairo, a Transfiguração e a agonia no Getsêmani.

Eles representam, ao mesmo tempo, a fragilidade e a responsabilidade da liderança. Pedro é o que confessa e depois nega; Tiago e João desejam os primeiros lugares; todos dormem no momento da paixão. Ao levá-los ao monte, Jesus forma aqueles que depois deverão sustentar a fé da comunidade.

Do ponto de vista pedagógico, a Transfiguração não é um privilégio elitista. Não está aqui em jogo porque Jesus escolheu estes três e não os outros. Ao contrário, a Transfiguração é uma preparação espiritual. Esses discípulos precisarão testemunhar o escândalo da cruz. Antes disso, recebem a graça de ver que o Crucificado é, de fato, o Filho glorioso do Pai. A visão da glória não elimina a cruz, mas dá sentido a ela.

Aqui um ponto importante: o que significa “transfigurar”? O verbo usado no Evangelho indica mudança de forma, de aparência, mas não de identidade. Jesus não se torna outro: ele revela o que sempre foi. A Transfiguração é uma manifestação antecipada de sua condição gloriosa, normalmente escondida sob a carne frágil da humanidade.

Teologicamente, trata-se de uma revelação pascal antecipada. A luz que envolve Jesus aponta para a ressurreição, enquanto a presença de Moisés e Elias indica que a Lei e os Profetas encontram nele seu cumprimento.

Além disso, a Transfiguração tem um forte sentido espiritual: ela mostra o destino último do ser humano. Aquilo que acontece em Cristo é promessa do que Deus deseja realizar em nós. Por isso, a Quaresma não é apenas tempo de penitência, mas de transformação interior, de deixar que a graça transfigure nossa maneira de pensar, viver e escolher.

Para a comunidade do Evangelho segundo Mateus, esse texto tem um valor decisivo. Trata-se de uma comunidade que vive tensões: perseguições, cansaço, dúvidas diante da demora da parusia e o escândalo de um Messias crucificado.

A Transfiguração responde a essas feridas. Ela afirma que Jesus é verdadeiramente o Filho amado do Pai; que Ele é o caminho da cruz não é fracasso, mas fidelidade; e que a a glória de Deus se revela não fora, mas através da história concreta, com suas dores e conflitos.

A voz do Pai — “Escutai-o” — é dirigida diretamente à comunidade. Em meio a tantas vozes concorrentes, Mateus recorda: a identidade da Igreja nasce da escuta obediente de Jesus, não de sinais espetaculares ou de glórias imediatas. Por isso, este Evangelho ocupa lugar central na Quaresma: ele sustenta a fé dos discípulos quando o caminho se torna difícil e ensina que só quem aceita descer do monte com Jesus compreenderá, mais tarde, o sentido pleno da ressurreição.

Enfim, o Evangelho da Transfiguração (Mt 17,1-9) tem uma palavra forte e atual para a humanidade de hoje, marcada por cansaço, medo, excesso de ruído e perda de sentido. A humanidade precisa voltar a erguer o olhar. Vivemos num tempo de dispersão permanente, onde tudo é urgente e quase nada é essencial. A subida ao monte simboliza a necessidade humana de distanciamento crítico, de silêncio, de interioridade. Sem essa subida, perdemos a capacidade de perceber a verdade profunda da vida. A Transfiguração lembra que nem tudo se resolve na planície do imediato. Há momentos em que é preciso parar, subir, contemplar, para não viver apenas reagindo.

A verdadeira glória não é espetáculo, mas fidelidade. Num mundo que valoriza a aparência, o sucesso rápido e a visibilidade, Jesus se transfigura sem plateia, diante de poucos discípulos. A glória revelada não é marketing religioso, mas a manifestação de uma vida totalmente entregue ao Pai. Este Evangelho denuncia uma lógica dominante: a de que só vale o que aparece. Ele afirma que a verdade mais profunda da existência é silenciosa, discreta e luminosa.

A dor não tem a última palavra. A Transfiguração acontece logo depois do anúncio da paixão. Isso diz muito à humanidade ferida por guerras, desigualdades, crises ambientais e sofrimentos pessoais. Deus não nega a dor, mas a atravessa e a transforma. A mensagem é clara: o sofrimento não define o destino humano; a cruz não é fracasso; e a história não caminha para o absurdo, mas para a transfiguração. É uma palavra de esperança concreta, não ingênua.

Nunca se falou tanto, nunca se escutou tão pouco. A voz do Pai não manda produzir, competir ou dominar, mas escutar o Filho. Para a humanidade de hoje, isso significa escutar antes de julgar, escutar antes de excluir e escutar a Palavra antes das ideologias. Segundo o Evangelho segundo Mateus, a salvação começa quando a escuta se torna obediência, isto é, quando a Palavra molda decisões, relações e estruturas.

O ser humano é chamado à transformação, não à resignação. A Transfiguração revela aquilo que o ser humano é chamado a ser. Não fomos criados para a opacidade, a violência ou o medo, mas para a luz. Este Evangelho afirma que a história humana não está condenada à decadência, mas aberta à transformação.

Em meio a um tempo marcado pela desesperança, o Evangelho da Transfiguração anuncia que a humanidade pode ser transformada, que a criação pode ser renovada e que a vida pode reencontrar seu sentido mais profundo. Ele nos convida a não nos acomodarmos à escuridão, a não fazer do sofrimento uma verdade absoluta, a preservar a capacidade de escutar e a manter viva a esperança de mudança. Mesmo quando o caminho atravessa a cruz, a luz já está prometida e, em Cristo, ela já começou a despontar.

Isto não é utópico? Não é viver num mundo das ideias? Que concretude tem esta palavra? Essa pergunta é decisiva e muito honesta. O Evangelho da Transfiguração não propõe fuga da realidade nem um idealismo ingênuo. Ele nasce, ao contrário, no coração da história concreta, com suas dores e contradições.

A Transfiguração acontece entre dois anúncios da paixão. Jesus não sobe ao monte para escapar da violência do mundo, mas para confirmar o sentido do caminho que passa pela cruz. O texto é realista: reconhece o sofrimento, a injustiça e o medo, mas se recusa a aceitá-los como palavra final. Utopia nega o conflito; o Evangelho o assume.

Logo após a experiência luminosa, Jesus desce do monte e retorna à vida cotidiana, marcada por incompreensões, doenças e conflitos. A experiência não cria alienação, mas responsabilidade. Quem viu a luz não pode viver como antes. A Transfiguração se torna concreta quando gera escolhas novas, coragem para continuar, fidelidade no ordinário.

A Palavra não promete eliminar a cruz, mas transformar a maneira de atravessá-la. Isso é profundamente concreto: sustentar a dignidade quando tudo convida à desistência; resistir à lógica da violência com gestos de reconciliação; manter a esperança ativa em contextos de fracasso. Essa transformação não acontece fora do mundo, mas dentro dele, nas relações, no trabalho, na forma de lidar com o sofrimento e com o outro.

A Transfiguração não é um sonho distante, mas uma esperança operante. Ela não muda o mundo por decreto, mas muda pessoas. E pessoas transformadas mudam relações, estruturas e histórias. É uma luz suficiente para caminhar, não para escapar.

Também Abraão, na primeira leitura, é chamado a sair de sua terra sem saber exatamente para onde vai. A fé quaresmal é sempre êxodo: deixar seguranças, romper com o conhecido, confiar na promessa. A Transfiguração confirma que esse caminho, mesmo atravessado pela cruz, conduz à vida.

De fato, os textos propostos para a liturgia de hoje formam um conjunto litúrgico-teológico muito coerente. A relação entre eles gira em torno de chamado, fé, promessa e antecipação da glória, com forte eixo cristológico.

Em Gn 12,1-4a, Deus chama Abraão a sair (da terra, da segurança, do conhecido) confiando apenas na Palavra divina. Aqui aparecem temas-chave como a iniciativa gratuita de Deus; a resposta obediente na fé; e a promessa de vida e futuro (“farei de ti uma grande nação”). Teologicamente, Abraão é o modelo do crente: caminha na fé antes de ver o cumprimento.

No Sl 32(33) reverbera, com uma resposta orante, a primeira leitura:. Ele exalta a fidelidade da Palavra do Senhor e afirma que Deus não decepciona quem nele espera. O salmo retoma a ideia da promessa que sustenta a esperança, ou seja, ele traduz em oração aquilo que Abraão viveu em atitude.

No texto 2Tm 1,8b-10, Paulo liga a promessa antiga ao seu cumprimento pleno em Cristo. Segundo o apóstolo, Deus nos chama “segundo o seu desígnio e graça”. Essa graça foi manifestada em Jesus Cristo que venceu a morte e revelou a vida definitiva. Aqui está o elo teológico: o que começou com Abraão, realiza-se em Cristo e sustenta o cristão no sofrimento e na missão.

Assim, a Quaresma nos educa com equilíbrio e profundidade: começa na cinza da humildade, passa pelo deserto do discernimento e se abre à luz da esperança. O monte da Transfiguração não nos dispensa da cruz, mas nos ensina a atravessá-la com os olhos fixos na promessa de Deus. Quem escuta o Filho aprende que a conversão não é tristeza estéril, mas caminho de transformação, onde a luz já brilha, mesmo quando ainda caminhamos na fé.




1º DOMINGO DA QUARESMA: “ENTÃO JESUS FOI CONDUZIDO PELO ESPÍRITO AO DESERTO”.

1º Domingo da Quaresma – Ano A (Domingo, 22 de fevereiro de 2026)
“Então Jesus foi conduzido pelo Espírito ao deserto” (Mt 4,1)

Hoje, omite-se a Festa de Cátedra de São Pedro, Apóstolo

Leituras: Gn 2,7-9.3,1-7 | Sl 50(51),3-4.5-6a.12-13.14.17 (R. cf. 3a) | Rm 5,12-19 ou mais breve 5,12.17-19 | Mt 4,1-11

A liturgia deste primeiro domingo da Quaresma coloca-nos, de modo muito direto, aos pés do Evangelho: Jesus no deserto, tentado, faminto, vulnerável e profundamente unido ao Pai. É a partir daqui que a Igreja nos propõe um caminho de fé e de vida para este tempo santo.

O deserto não é apenas um lugar geográfico. No Evangelho, ele é espaço de verdade. Longe das distrações, caem as máscaras, revelam-se as tentações mais profundas: transformar pedras em pão, usar Deus em proveito próprio, trocar a fidelidade por poder e glória. São tentações antigas, mas muito atuais. Também nós, neste início da Quaresma, somos convidados a reconhecer onde colocamos a nossa segurança, de que “pão” vivemos e que voz realmente escutamos.

As leituras dialogam entre si de forma impressionante. No Gênesis, a escuta distorcida da palavra leva à ruptura; no Salmo 50, brota o grito humilde de quem reconhece o próprio pecado; São Paulo recorda que, onde abundou o pecado, superabundou a graça; e, no Evangelho, Cristo mostra que a obediência confiante à Palavra gera vida. A Quaresma nasce exatamente neste cruzamento: entre a fragilidade humana e a fidelidade de Deus.

Neste horizonte, ganha especial força a mensagem quaresmal do Papa Papa Leão XIV, que nos propõe dois eixos simples e exigentes: escutar e jejuar. Escutar, antes de tudo, a Palavra de Deus, deixando que ela nos alcance e nos converta. Jesus vence as tentações não com argumentos brilhantes, mas com a Palavra acolhida, guardada e vivida. Também nós somos chamados a dar espaço à escuta: na liturgia, na oração pessoal, mas também no clamor dos pobres, dos feridos, dos esquecidos.

O jejum, por sua vez, aparece como uma prática concreta que educa o desejo. Não apenas a abstinência de alimentos, mas um estilo de sobriedade que nos devolve o essencial. O Papa propõe um gesto muito concreto e profundamente evangélico: jejuar das palavras que ferem. Num mundo marcado por discursos agressivos, julgamentos rápidos e linguagem que exclui, este jejum torna-se um verdadeiro exercício de conversão. No deserto do silêncio e da mansidão, aprendemos a falar como Jesus e a escutar como Deus escuta.

A Quaresma, porém, não é um caminho solitário. A liturgia e a mensagem do Papa insistem na dimensão comunitária: escutar juntos, jejuar juntos, converter-nos juntos. As nossas comunidades são chamadas a tornar-se espaços onde a Palavra gera discernimento, o jejum produz justiça e a escuta abre caminhos de libertação.

Neste primeiro domingo da Quaresma, peçamos a graça de caminhar com Cristo no deserto, não para nos perdermos, mas para reencontrar o essencial. Que este tempo seja, para todos nós, uma escola de escuta, um treino do coração e um passo firme no caminho da conversão que conduz à Páscoa.



Da escuta à fraternidade: a Quaresma que se traduz em compromisso

O caminho quaresmal iniciado com Jesus no deserto não se encerra numa experiência intimista ou apenas espiritual. A escuta da Palavra e o jejum que educa o desejo conduzem necessariamente a uma fé encarnada, que toca a realidade e se expressa em gestos concretos de fraternidade. É neste horizonte que se insere, de modo muito oportuno, a Campanha da Fraternidade 2026.

A liturgia deste domingo ensina que a verdadeira fidelidade a Deus passa pela escolha do essencial. Jesus recusa o pão fácil, o espetáculo religioso e o poder dominador, permanecendo fiel à Palavra do Pai. Essa mesma lógica ilumina a Campanha da Fraternidade, que convida a Igreja no Brasil a olhar para a realidade com os olhos de Cristo e a reconhecer que Deus “veio morar entre nós”, fazendo-se próximo das fragilidades humanas e das feridas sociais.

Em sintonia com a mensagem quaresmal do Papa Papa Leão XIV, a Campanha recorda que escutar a Palavra de Deus implica escutar o clamor dos pobres. A Palavra proclamada na liturgia abre os nossos ouvidos para perceber as vozes silenciadas, as situações de exclusão e as formas de indignidade que atingem tantos irmãos e irmãs. Não se trata de um acréscimo à fé, mas de uma consequência direta da conversão quaresmal.

Também o jejum, tão central neste tempo, ganha densidade à luz da Campanha da Fraternidade. Jejuar não é apenas abster-se de algo, mas rever estilos de vida, atitudes e relações. Jejuar do egoísmo, da indiferença e das palavras que ferem cria espaço para a solidariedade, para o cuidado e para o compromisso com a dignidade humana. Assim, o jejum torna-se uma prática que educa o coração para a justiça e para a fraternidade.

Desta forma, a Quaresma e a Campanha da Fraternidade caminham juntas como um único itinerário: conversão pessoal e transformação social, oração e ação, escuta de Deus e cuidado com o próximo. As nossas comunidades são chamadas a viver este tempo como oportunidade de amadurecimento da fé, tornando-se sinais vivos de um Deus que não permanece distante, mas habita no meio do seu povo.

Que este tempo quaresmal nos ajude a unir o deserto interior ao compromisso fraterno, para que, caminhando rumo à Páscoa, possamos testemunhar com a vida que a Palavra escutada gera comunhão, justiça e esperança.




Papa Leão XIV convida fiéis a “escutar e jejuar” e propõe jejum de palavras ofensivas na Quaresma

O Papa Leão XIV divulgou, no dia 5 de fevereiro de 2026, a sua Mensagem para a Quaresma intitulada “Escutar e jejuar. Quaresma como tempo de conversão”. Nela ele convida os fiéis a reencontrar o mistério de Deus no centro da vida e a viver a temporada quaresmal como um verdadeiro tempo de transformação espiritual.

A Quaresma, que terá início na Quarta-feira de Cinzas, em 18 de fevereiro, é apresentada pelo Pontífice como um período privilegiado para renovar a fé, abrir o coração à Palavra de Deus e aprofundar o compromisso de seguir Jesus no caminho que leva à Páscoa.

Na mensagem, o Papa destaca que a escuta da Palavra deve ser a base da vida espiritual quaresmal. Segundo o texto, ouvir a Deus e ao próximo é essencial para compreender melhor a realidade e responder ao sofrimento e às injustiças que marcam a vida das pessoas. Ele recorda que Deus mesmo, ao revelar-se a Moisés, manifesta a importância da escuta nesse diálogo de amor e libertação.

O Pontífice ressaltou que o jejum tradicional não deve ser visto apenas como abstinência de alimentos, mas como um meio para descobrir aquilo que realmente nos alimenta: a sede de justiça, a responsabilidade para com o outro e o desejo de vivenciar mais profundamente a fé.

Desafiando os fiéis a repensar a própria forma de jejuar, Leão XIV propôs uma perspectiva inédita: o jejum de palavras que ferem o próximo. Em vez de comentários ofensivos, calúnias ou julgamentos precipitados, o Papa pede que os cristãos cultivem a gentileza e o respeito — tanto nas relações pessoais quanto nas redes sociais, nos debates públicos e na convivência comunitária.

“Comecemos por desarmar a linguagem, renunciando às palavras mordazes, ao juízo temerário e ao falar mal de quem está ausente” — escreve o Pontífice, sugerindo que palavras de ódio cedam lugar a palavras de esperança e de paz.

A mensagem aponta também para a dimensão comunitária da Quaresma: mais do que um empenho individual, o tempo quaresmal é visto como um caminho a ser trilhado em conjunto — em paróquias, famílias e comunidades cristãs. A escuta da Palavra e o jejum tornam-se, assim, práticas que fortalecem relações, promovem o diálogo e abrem os corações à solidariedade com os mais necessitados.

O Papa conclui a mensagem pedindo graça para que este tempo seja vivido com mais atenção a Deus e aos “últimos”, fazendo das comunidades lugares onde o clamor de quem sofre seja acolhido com respeito e amor.


Leia a mensagem na íntegra: https://www.vatican.va/content/leo-xiv/pt/messages/lent/documents/20260205-messaggio-quaresima.html



O CARNAVAL E O SENTIDO PARA A COMUNIDADE CRISTÃ

O Carnaval é uma das manifestações culturais mais marcantes do Brasil e de outros países, reconhecido por sua alegria, música e expressão popular. Para as comunidades cristãs, porém, essa celebração carrega um significado mais profundo, que vai além da festa em si e está diretamente ligado ao calendário litúrgico e à vivência da fé.

Historicamente, o Carnaval acontece imediatamente antes da Quarta-feira de Cinzas, que inaugura a Quaresma, período de quarenta dias dedicado à oração, à penitência, ao jejum e à preparação espiritual para a Páscoa. O próprio termo “Carnaval”, derivado da expressão latina carne vale (“adeus à carne”), remete à ideia de despedida dos excessos e de transição para um tempo de maior recolhimento e disciplina espiritual. Nesse sentido, o Carnaval não deveria ser compreendido apenas como um momento de indulgência, mas como uma etapa que antecede e prepara o coração para a conversão quaresmal.

Para as comunidades cristãs, o verdadeiro significado do Carnaval está no discernimento e no equilíbrio. Alguns fiéis optam por participar das celebrações culturais de maneira moderada, valorizando o convívio social, a alegria saudável e o respeito ao próximo. Nessa perspectiva, o Carnaval pode ser vivido como um tempo de lazer responsável, sem que isso signifique abandono dos valores cristãos.

Outros cristãos, por sua vez, escolhem viver esse período de forma mais introspectiva, afastando-se da folia para participar de retiros espirituais, encontros de oração e momentos de reflexão. Essas iniciativas são comuns em diversas igrejas e oferecem um espaço de silêncio, escuta da Palavra e renovação da fé, ajudando os fiéis a iniciar a Quaresma de maneira consciente e profunda.

Ao mesmo tempo, é importante reconhecer que muitas comunidades cristãs enxergam o Carnaval de forma crítica, especialmente quando ele é associado a excessos, comportamentos irresponsáveis e atitudes que ferem a dignidade humana. Para esses grupos, práticas como o abuso de álcool, a banalização do corpo e a perda do autocontrole entram em conflito com princípios centrais do cristianismo, como a moderação, o respeito e o cuidado com o outro.

Dessa forma, o Carnaval pode ser compreendido pelas comunidades cristãs não como um fim em si mesmo, nem apenas como algo a ser rejeitado, mas como um convite à consciência espiritual. Ele se torna uma oportunidade para refletir sobre escolhas, limites e prioridades, preparando o coração para o tempo quaresmal que se aproxima.

Em essência, o que o Carnaval deveria significar para os cristãos é um chamado ao equilíbrio entre alegria e responsabilidade, liberdade e compromisso, celebração e fé. Vivido dessa maneira, ele deixa de ser apenas uma festa cultural e passa a ser um momento de transição, no qual cada fiel é convidado a alinhar sua vida com os ensinamentos de Cristo e a se preparar, de forma sincera, para a renovação espiritual que a Quaresma propõe.

Que tipo de consciência espiritual devo viver o contexto do Carnaval?

A consciência espiritual, no contexto do Carnaval, não é moralismo nem simples rejeição da festa. Ela é, antes de tudo, discernimento. Trata-se da capacidade de o cristão se perguntar, com honestidade: O que isso desperta em mim? Isso me aproxima ou me afasta do amor a Deus e ao próximo? Como minhas escolhas afetam meu corpo, minha fé e as outras pessoas?

Essa consciência envolve três dimensões principais. A primeira delas é a Consciência de si. O cristão é convidado a reconhecer seus próprios limites, desejos e fragilidades. O Carnaval pode intensificar emoções, impulsos e excessos. E a consciência espiritual ajuda a perceber quando a alegria deixa de ser saudável e passa a ser fuga, anestesia ou autodestruição. Aqui, espiritualidade não é repressão, mas autocuidado e verdade interior.

A segunda é Consciência do outro. A fé cristã nunca é apenas individual. Ter consciência espiritual é perguntar: Estou respeitando a dignidade do outro? Meu comportamento contribui para a vida, para o bem comum, para relações mais humanas?

Isso toca temas como respeito ao corpo, consentimento, cuidado com os mais vulneráveis e rejeição de qualquer forma de violência ou exploração, realidades que também atravessam o Carnaval.

E, por fim, a Consciência do tempo litúrgico. O Carnaval não está “fora” da vida cristã: ele antecede a Quaresma. A consciência espiritual reconhece esse tempo de passagem. Não é só “antes da Quaresma”, mas um limiar, um convite a desacelerar e a preparar o coração para a conversão.

Ver o Carnaval assim, comporta admitir o seu caráter complexo, como todas as coisas, nos ajuda a recusar visões simplistas como “É tudo pecado” ou “É tudo liberdade e alegria”. A realidade é mais profunda.

Temos que admitir que o carnaval é cultural, social e histórico. Ele carrega expressões legítimas de alegria popular, de resistência cultural, de vozes de comunidades marginalizadas e de muita arte, música, identidade e crítica social. Ignorar isso é empobrecer a leitura cristã do mundo. A fé não vive fora da cultura: ela dialoga com ela.

O Carnaval também revela contradições humanas. Ao mesmo tempo, ele expõe excessos, desigualdades, mercantilização dos corpos, fugas emocionais e espirituais. Uma leitura cristã madura não nega essas sombras, mas também não reduz toda a festa a elas.

Ver este fenômeno do Carnaval valorizando a sua complexidade exige discernimento, não julgamento. Jesus não se afastava da realidade humana por medo do pecado. Pelo contrário, Ele entrava nela com misericórdia e verdade. Ver o Carnaval com complexidade é fazer o mesmo: nem romantizar, nem demonizar, mas discernir.

Em síntese, para as comunidades cristãs, o Carnaval pode ser visto como:

  • Um espelho da condição humana: sede de alegria, liberdade, sentido
  • Um tempo de escolhas conscientes, não automáticas
  • Um convite à responsabilidade espiritual, pessoal e comunitária
  • Um limiar entre a festa e o silêncio, entre o exterior e o interior

Viver o Carnaval com consciência espiritual é perguntar menos “posso ou não posso?” e mais “isso me humaniza? Isso me aproxima do amor?”




LITURGIA DO DOMINGO: “VIVER A LEI DO CORAÇÃO” – 6º DOMINGO DO TEMPO COMUM, ANO A

Domingo, 15 de Fevereiro de 2026
6º Domingo do Tempo Comum, Ano A

Leituras: Eclo 15,16-21 | Sl 18(119),1-2.4-5.17-18.33-34 (R. 1) | 1Cor 2,6-10 | Mt 5,17-37 ou mais breve 5,20-22a.27-28.33-34a.37

Neste domingo, o Evangelho nos apresenta uma palavra exigente, mas profundamente libertadora. Jesus diz com clareza: “Não vim abolir a Lei ou os Profetas, mas dar-lhes pleno cumprimento.” Isso significa que Deus não deseja apenas que façamos o que é correto por fora, mas que aprendamos a viver a fé a partir do coração.

Nos domingos anteriores, a liturgia nos ajudou a compreender quem somos e para que somos chamados. Primeiro, escutamos as Bem-aventuranças, que nos revelaram o coração do discípulo: pobre, misericordioso, manso, comprometido com a justiça. Depois, fomos lembrados de que somos sal da terra e luz do mundo, chamados a dar sabor e esperança à vida das pessoas. Hoje, Jesus nos ensina como viver tudo isso no dia a dia.

Ele nos mostra que cumprir a Lei não é apenas evitar o erro, mas escolher o bem desde a raiz. Por exemplo: não basta dizer “eu nunca matei ninguém” se guardamos rancor, mágoa ou desprezo no coração. Quantas vezes evitamos o diálogo, mantemos silêncio por orgulho ou alimentamos divisões dentro da família, da comunidade ou do trabalho? Jesus nos chama à reconciliação, porque o amor começa quando damos o primeiro passo para reconstruir relações.

Da mesma forma, Jesus fala da verdade. Não basta falar corretamente se o coração está dividido. Isso toca nossa vida cotidiana quando prometemos algo e não cumprimos, quando dizemos “sim” por conveniência e “não” apenas em pensamento, ou quando usamos palavras para agradar, mas não para ser verdadeiros. O Evangelho nos convida a uma vida mais simples e coerente, onde a palavra reflita aquilo que realmente somos.

Esses exemplos nos ajudam a perceber que Jesus não está propondo uma religião de aparências. Ele nos alerta para o risco de viver uma fé superficial, feita apenas de gestos externos, sem conversão interior. Hoje, muitas vezes estamos ocupados demais, cheios de tarefas, estímulos e preocupações, até mesmo na vida religiosa. Falta-nos tempo para escutar o coração, para silenciar, para deixar Deus nos falar. E quando perdemos esse espaço interior, nossas atitudes se tornam automáticas e nossas relações, frágeis.

As outras leituras reforçam essa mensagem. O livro do Eclesiástico nos lembra que Deus nos dá liberdade: somos nós que escolhemos entre a vida e a morte, entre o bem e o mal. O salmo afirma que é feliz quem guarda a Palavra de Deus no coração, não por obrigação, mas por amor. São Paulo nos recorda que só o Espírito Santo pode nos ajudar a compreender o que Deus espera de nós, porque Ele conhece as profundezas do coração humano.

Este domingo nos prepara para a Quaresma, que está próxima. Mais do que pensar em sacrifícios externos, somos convidados a olhar para dentro. Que atitudes precisam ser transformadas? Que relações precisam ser curadas? Que palavras precisam ser purificadas? A conversão começa quando permitimos que Deus toque o coração e nos ensine a viver com mais verdade, mais misericórdia e mais coerência.

Seguir Jesus é aprender a viver uma fé que transforma a vida concreta: no modo como falamos em casa, como tratamos as pessoas, como resolvemos conflitos e como tomamos decisões. Que a liturgia de hoje nos ajude a dar esse passo, preparando-nos para uma Quaresma vivida não apenas por fora, mas no mais profundo do nosso coração.


Mensagem do Papa Leão para a Quaresma: https://www.vatican.va/content/leo-xiv/pt/messages/lent/documents/20260205-messaggio-quaresima.html




IR. M. KAINA BARBOSA DA SILVA RENOVA OS VOTOS RELIGIOSOS NA COMUNIDADE PAULO APÓSTOLO

No dia 11 de fevereiro de 2026, a Ir. M. Kaina Barbosa da Silva renovou, pela segunda vez, seus votos religiosos, em uma celebração marcada pela fé, gratidão e esperança. A Eucaristia aconteceu na capela da Comunidade Paulo Apóstolo, no bairro da Liberdade (SP), e foi presidida pelo Pe. Antônio Iraildo Alves de Brito, ssp.

O momento reuniu irmãs e jovens das comunidades de São Paulo e Cooperadores Paulinos, que participaram com alegria deste passo significativo na caminhada vocacional da Ir. M. Kaina, fortalecendo os laços de comunhão e pertença na Família Paulina.

Em sua homilia, o Pe. Iraildo recordou o Conselho de Instituto (“Olha para o céu e conta as estrelas…” (Gn 15,5) – Transformar a fragilidade em um caminho gerador) e, inspirado pelas leituras da liturgia do dia — 1Rs 10,1-10; Sl 36(37); Mc 7,14-23, da 5ª Semana do Tempo Comum —, o celebrante destacou três movimentos fundamentais para a vida cristã e religiosa: olhar para o alto, para o coração e para o outro.

Ao refletir sobre o “olhar para o alto”, o sacerdote recordou a importância da transcendência e da esperança, mesmo em tempos de fragilidade e incerteza. Assim como Abraão é convidado a contemplar as estrelas, a vida consagrada é chamada a não se limitar a uma visão estreita da realidade, mas a confiar na promessa de Deus.

O “olhar para o coração”, à luz do Evangelho, foi apresentado como um convite à conversão interior. O Pe. Iraildo alertou para o risco do endurecimento espiritual e de uma religiosidade apenas exterior, lembrando que é do coração que brotam as atitudes que constroem ou destroem a vida.

Por fim, o “olhar para o outro” foi iluminado pela parábola do bom samaritano, destacando a centralidade da pessoa, do cuidado e da proximidade. Em um mundo marcado por diferentes formas de adoecimento, a vida religiosa é chamada a ser sinal de compaixão, presença e compromisso.

A renovação dos votos da Ir. Kaina Barbosa tornou-se, assim, um sinal concreto de um coração apaixonado, disponível para Deus e para a missão, com um olhar que levanta, cuida e gera vida.

Que este testemunho fortaleça a caminhada vocacional e missionária da Família Paulina, inspirando muitos a olhar para o alto, para dentro e para o outro, com fé e esperança.

Leia ou escute, na íntegra, a homilia do Pe. Iraildo:




CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2026: IGREJA DO BRASIL CONVOCA REFLEXÃO SOBRE MORADIA DIGNA

Com o início da Quaresma de 2026, a Igreja Católica no Brasil lança oficialmente a Campanha da Fraternidade (CF) 2026, que este ano traz como tema “Fraternidade e Moradia” e o lema “Ele veio morar entre nós” (João 1,14). A iniciativa, promovida pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), convida comunidades, paróquias e a sociedade em geral a olhar para a questão da moradia como um direito humano fundamental e expressão concreta da fé cristã.

A escolha do tema foi motivada pela Pastoral da Moradia e Favela e acolhida pelo Conselho Episcopal Pastoral da CNBB. Segundo o padre Jean Poul Hansen, assessor do Setor de Campanhas, o lema, inspirado no mistério da Encarnação, ilumina o debate social e espiritual: “Deus veio morar entre nós, e isso fundamenta a dimensão social da nossa fé”, recordando que a presença de Cristo entre os mais pobres pede um compromisso de atenção e cuidado com quem vive na vulnerabilidade.

No Brasil, milhões de famílias enfrentam o desafio de não ter acesso a uma moradia adequada, seja por déficit habitacional, condições precárias de infraestrutura ou exclusão social. A CF 2026 coloca essa realidade no centro da reflexão quaresmal, articulando fé, justiça e cidadania. A escolha do tema não é apenas simbólica: ela chama a atenção para a urgência de políticas públicas, ações comunitárias e compromisso pessoal com a dignidade humana, promovendo respostas concretas às necessidades mais básicas da população.

A Campanha da Fraternidade é tradição da Igreja no Brasil desde 1964 e ocorre todos os anos durante a Quaresma, um tempo litúrgico de conversão, solidariedade e compromisso com o próximo. A cada edição, a campanha propõe um tema que ajude a comunidade cristã a ver realidades sociais importantes à luz do Evangelho, julgar com valores cristãos e agir no mundo para promover mudanças concretas.

Em 2026, refletir sobre moradia digna é falar de uma necessidade humana básica — que acolhe a vida, protege as famílias e garante condições essenciais para que pessoas possam viver com segurança, saúde e esperança. Para a Igreja, essa reflexão não é externa à fé: ela está profundamente ligada ao mandamento do amor ao próximo e ao exemplo de Jesus, que se fez presença entre os pobres e excluídos.

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Site da CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2026

A Campanha da Fraternidade e a Quaresma

A Quaresma é um tempo litúrgico marcado por conversão, escuta da Palavra, oração, jejum e caridade. Desde 1964, a Igreja no Brasil escolheu viver esse tempo também como um período de compromisso comunitário, no qual a fé se traduz em atitudes concretas de amor ao próximo. É nesse contexto que nasce e se desenvolve a Campanha da Fraternidade.

A CF ajuda os fiéis a perceber que a conversão quaresmal não é apenas interior ou individual, mas também social e comunitária. Ao propor um tema concreto a cada ano, a Campanha convida a Igreja a olhar para uma realidade específica da sociedade, à luz do Evangelho, e a perguntar: o que Deus nos pede diante dessa situação?

A Campanha da Fraternidade dialoga diretamente com os três pilares tradicionais da Quaresma:

  • Oração: o tema da CF é incorporado às celebrações, preces, momentos de reflexão e vias-sacras, ajudando a comunidade a rezar a partir das dores, esperanças e desafios do povo.
  • Jejum: entendido não apenas como abstinência, mas como mudança de mentalidade, sobriedade de vida e abertura ao outro, questionando estruturas de pecado e indiferença.
  • Caridade: vivida de modo concreto, especialmente por meio da Coleta da Solidariedade, realizada no Domingo de Ramos, que expressa liturgicamente o compromisso com os mais pobres.

A CF não substitui a liturgia nem cria um “tema paralelo” ao ano litúrgico. Pelo contrário, ela brota da liturgia quaresmal e a ajuda a dialogar com a vida. As leituras bíblicas da Quaresma, que falam de conversão, justiça, misericórdia e reconciliação, encontram eco nos temas da Campanha. Por isso, a CF pode ser integrada à vida litúrgica por meio de preces dos fiéis, das homilias, símbolos discretos e pedagógicos, cantos e momentos orantes, sempre respeitando as normas litúrgicas e a centralidade do Mistério Pascal.

A Campanha da Fraternidade recorda que não existe separação entre fé e vida. Celebrar a Quaresma é preparar o coração para a Páscoa, mas também assumir um compromisso com a transformação do mundo, começando pelas realidades mais feridas da sociedade. Assim, ao unir espiritualidade, liturgia e compromisso social, a Campanha da Fraternidade ajuda a Igreja a viver a Quaresma como um verdadeiro caminho de conversão pessoal, comunitária e social, em sintonia com o Evangelho e com a missão de Jesus.

Para além da reflexão: gestos e ações concretas

A Campanha da Fraternidade não se limita à reflexão teológica ou pastoral. Ela convida comunidades e fiéis a assumirem compromissos concretos, por meio de iniciativas que promovem a solidariedade, fortalecem vínculos comunitários e incentivam a participação social. Entre essas ações estão o apoio a projetos sociais, a promoção de debates locais e o engajamento em políticas públicas voltadas à superação da pobreza e da exclusão. Trata-se de uma oportunidade para viver, de modo concreto, o espírito da fraternidade cristã, traduzindo a fé em gestos que transformam realidades.

Nesse contexto, destaca-se o Fundo Nacional de Solidariedade (FNS), cuja principal fonte de recursos é a Coleta da Solidariedade, realizada no Domingo de Ramos. Criado em 1998, o FNS tornou-se um importante instrumento de apoio a iniciativas que enfrentam situações de pobreza e miséria em todo o país. Do total arrecadado, 40% são destinados ao Fundo Nacional de Solidariedade, administrado pela CNBB, enquanto 60% permanecem nas dioceses de origem, constituindo os Fundos Diocesanos de Solidariedade (FDS), voltados ao apoio de projetos locais de enfrentamento da exclusão social.

A animação e a gestão do FNS estiveram sob a responsabilidade da Cáritas Brasileira entre 1999 e 2014. Atualmente, essa missão é assumida pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que também é a promotora da Campanha da Fraternidade e da Coleta da Solidariedade. Cabe ao Departamento Social da CNBB, em conjunto com o Conselho Gestor do FNS-CNBB, a responsabilidade pelos processos de recebimento, análise, aprovação e acompanhamento dos projetos apoiados.

As instituições interessadas em submeter projetos devem estar em conformidade com o Edital do Fundo Nacional de Solidariedade, disponível no site fns.cnbb.org.br. O cadastro é realizado de forma eletrônica, por meio do sistema indicado, com o preenchimento de todas as informações solicitadas. Após o envio, os projetos passam pela avaliação do Conselho Gestor, e as instituições proponentes podem acompanhar, pelo próprio sistema, todas as etapas do trâmite.



Referências para o texto:

CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL.
CNBB lança cartaz da Campanha da Fraternidade 2026 com foco na moradia digna. Brasília, 2025. Disponível em: https://www.cnbb.org.br/cnbb-lanca-cartaz-da-campanha-da-fraternidade-2026-com-foco-na-moradia-digna/. Acesso em: 29 jan. 2026.

VATICAN NEWS.
Campanha da Fraternidade 2026 propõe reflexão sobre moradia digna no Brasil. Vaticano, 2025. Disponível em: https://www.vaticannews.va/pt/igreja/news/2025-12/maristas-brasil-acao-campanha-fraternidade-2026.html. Acesso em: 29 jan. 2026.

PASTORAL NACIONAL DO SOLO E DA MORADIA.
Conheça a Campanha da Fraternidade 2026. Brasília, 2025. Disponível em: https://pnsg.org.br/conheca-a-campanha-da-fraternidade-para-2026/. Acesso em: 29 jan. 2026.

PARÓQUIA SÃO JOÃO BATISTA.
Campanha da Fraternidade 2026. [S.l.], 2025. Disponível em: https://www.paroquiasaojoaobatista.org/igreja-em-acao/campanhas/campanha-da-fraternidade/campanha-da-fraternidade-2026. Acesso em: 29 jan. 2026.





PIAS DISCÍPULAS DO DIVINO MESTRE CELEBRAM 102 ANOS DE FUNDAÇÃO

No dia 10 de fevereiro, data em que a Igreja celebra Santa Escolástica, as Pias Discípulas do Divino Mestre comemoram 102 anos de fundação. A congregação foi fundada pelo Bem-aventurado Padre Tiago Alberione, que escolheu simbolicamente essa data para dar início a uma nova expressão de vida consagrada a serviço da Igreja.

Inspirado pela espiritualidade beneditina de Santa Escolástica — irmã de São Bento —, Padre Alberione confiou às Pias Discípulas uma missão profundamente enraizada na centralidade da Eucaristia, na oração litúrgica e no serviço apostólico, em comunhão com toda a Família Paulina.

Neste ano de 2026, a celebração dos 102 anos é iluminada pelo tema bíblico “Olha para o céu e conta as estrelas” (Gn 15,5), escolhido pelo Conselho do Instituto, realizado nas Filipinas entre 20 de janeiro e 10 de fevereiro de 2026. A imagem evoca o chamado feito por Deus a Abraão, convidando-o a sair da tenda para ampliar o olhar e confiar na promessa divina.

O tema também retoma o caminho indicado pelo 10º Capítulo Geral, que propõe como horizonte para o sexênio as “estrelas” da interculturalidade, da missão, do discernimento como estilo de vida e da formação integral e contínua. São luzes que orientam a vida e a missão da Congregação no contexto atual da Igreja e do mundo.

Celebrar mais de um século de história é, para as Pias Discípulas do Divino Mestre, um tempo de gratidão, memória agradecida e renovação do compromisso vocacional. Como recordava o fundador, os desígnios de Deus sobre a Congregação sempre foram claros e conduzidos para a maior glória de Deus e a santificação de suas integrantes.

Ao completar 102 anos, a Congregação renova o seu desejo de “olhar para o céu”, deixar-se conduzir por Deus, transformar as fragilidades em fecundidade e seguir adiante com esperança, permanecendo fiel à missão recebida na Igreja: ser discípulas íntimas de Jesus Mestre, a serviço do seu Corpo Místico, hoje e sempre.



Gn 15,5 – A promessa que nasce sob o céu estrelado

Em Gn 15,5, somos conduzidos a uma das cenas mais decisivas de toda a revelação bíblica. Deus leva Abraão para fora e o convida a erguer os olhos ao céu: “Olha para o céu e conta as estrelas, se és capaz de as contar. Assim será a tua descendência.” A promessa é proclamada justamente no momento em que tudo parece humanamente impossível. Abraão é idoso, Sara é estéril e o futuro parece fechado. É nesse contexto de limite que Deus abre um horizonte novo.

O gesto de “levar para fora” não é apenas físico, mas profundamente simbólico. Abraão é retirado do espaço estreito de seus cálculos e medos para contemplar o cosmos, sinal da grandeza e da fidelidade do Criador. O convite a olhar o céu não é um simples ato de observação, mas um chamado à contemplação: diante da imensidão das estrelas, Abraão reconhece seus limites e, ao mesmo tempo, a potência da palavra divina.

As estrelas, incontáveis aos olhos humanos, tornam-se imagem de uma promessa que ultrapassa toda lógica natural. A descendência prometida não é apenas numerosa, mas duradoura, inserida no próprio desígnio de Deus para a história. O “assim será” indica que a promessa não se funda em evidências visíveis, mas na correspondência entre a palavra de Deus e a fé daquele que a acolhe.

Esse versículo prepara imediatamente Gn 15,6, onde se afirma que Abraão creu no Senhor, e isso lhe foi imputado como justiça. Por isso, Gn 15,5 ocupa um lugar central na teologia bíblica da fé. A promessa não elimina a noite nem resolve imediatamente a crise de Abraão; ela transforma a noite em espaço de revelação. Deus não oferece provas, mas uma palavra confiável.

No Novo Testamento, essa promessa é relida à luz de Cristo. Para o apóstolo Paulo, a descendência de Abraão se estende a todos os que creem, fazendo dele pai de uma multidão que não se define apenas por laços de sangue, mas pela fé. Assim, as estrelas do céu tornam-se imagem da comunidade dos fiéis, chamados a viver da mesma confiança que sustentou Abraão.

Gn 15,5 revela, portanto, o coração da fé bíblica: confiar quando o caminho ainda não é visível, crer quando a promessa parece maior que a realidade, e aprender a levantar os olhos para além dos próprios limites, certos de que a palavra de Deus é fiel.



RENOVAÇÃO DE VOTOS RELIGIOSOS DE IR. ANTÔNIA BIANCA

Nesta segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026, a Capela da Comunidade Timóteo Giaccardo, em Pacaembu (SP), foi espaço de profunda ação de graças, comunhão fraterna e renovação da esperança com a celebração da renovação dos votos religiosos, pela sexta vez, da Ir. M. Antônia Bianca Oliveira dos Santos. O momento marcou mais uma etapa significativa em sua caminhada vocacional e foi vivido com alegria, simplicidade e espírito orante pelas Irmãs ali presentes.

A celebração eucarística foi presidida pelo Pe. Frei Jair Roberto Pasquali, TOR, que conduziu o rito com serenidade e profundidade espiritual, destacando o valor do compromisso assumido pela religiosa e o significado eclesial da vida consagrada. A presença das Irmãs, reunidas em clima de fraternidade, expressou a comunhão comunitária e o apoio à caminhada vocacional da Ir. M. Antônia Bianca, que neste ano segue sua formação em Roma, onde realizará a preparação imediata para os votos perpétuos.

A renovação dos votos religiosos representa, na tradição da Igreja, a reafirmação consciente e livre do “sim” dado a Deus, renovando o compromisso com os conselhos evangélicos da pobreza, castidade e obediência. Ao renovar seus votos pela sexta vez, a Ir. M. Antônia Bianca manifesta maturidade vocacional e disponibilidade interior para continuar colocando sua vida a serviço do Reino, em fidelidade ao carisma congregacional e à missão confiada pela Igreja.

A celebração foi iluminada pela liturgia da 5ª Semana do Tempo Comum, Ano Par (II), cujas leituras ofereceram uma chave de leitura profunda para compreender o sentido do momento vivido. A primeira leitura, retirada do Primeiro Livro dos Reis (1Rs 8,1-7.9-13), narrou a solene transferência da Arca da Aliança para o Templo de Jerusalém, construída por Salomão. O texto bíblico apresenta um povo reunido para reconhecer que Deus escolheu habitar no meio deles, fazendo do Templo um lugar de encontro, memória e fidelidade à Aliança.

Esse relato bíblico dialoga diretamente com a vida consagrada, na medida em que recorda que é o próprio Deus quem toma a iniciativa de habitar no coração daqueles que se oferecem inteiramente a Ele. Assim como a Arca representava a presença divina no meio do povo, a vida consagrada torna-se sinal visível de que Deus continua a fazer morada entre os homens, chamando-os à comunhão, à escuta e à fidelidade.

O Salmo 131(132), rezado responsorialmente, reforçou esse desejo profundo de estar na presença do Senhor: “Entremos em sua morada, prostremo-nos ante o escabelo de seus pés”. O salmista expressa a alegria do povo que busca a casa de Deus e reconhece nela o lugar do repouso divino. Na celebração da renovação dos votos, esse salmo ganhou um significado especial, pois a entrega da vida religiosa é também um gesto de permanência, de escolha deliberada por “habitar” com o Senhor e colocar Nele toda a confiança.

Já o Evangelho segundo Marcos (Mc 6,53-56) apresentou Jesus que, ao chegar às aldeias e cidades, é reconhecido pelo povo, que leva até Ele os doentes, certos de que um simples toque poderia trazer cura. O texto evidencia a sensibilidade de Jesus diante do sofrimento humano e sua constante disponibilidade para acolher, curar e restaurar vidas. Esse Evangelho lança luz sobre a missão da vida consagrada, chamada a ser presença de Cristo no mundo, especialmente junto aos que mais sofrem, oferecendo cuidado, escuta, esperança e proximidade.

À luz dessas leituras, a renovação dos votos da Ir. M. Antônia Bianca pode ser compreendida como um gesto que une contemplação e missão. Contemplação, porque nasce da escuta da Palavra e da intimidade com Deus; missão, porque se traduz em serviço concreto ao povo, seguindo os passos de Jesus que passa fazendo o bem. A formação que a religiosa iniciará em Roma, como preparação para os votos perpétuos, insere-se nesse dinamismo, ajudando-a a aprofundar sua consagração e a fortalecer sua disponibilidade para a missão que a Igreja lhe confiará.

Durante a celebração, o presidente da Eucaristia ressaltou que a perseverança na vida religiosa não é fruto apenas do esforço humano, mas da graça de Deus, acolhida e cultivada diariamente. A fidelidade aos votos, renovados ano após ano, é sustentada pela oração, pela vida comunitária e pela escuta atenta da Palavra, que orienta as escolhas e dá sentido ao caminho vocacional.

O clima de ação de graças vivido neste dia foi ampliado também por outro motivo de grande alegria para a congregação. Também nesta data, a comunidade acolheu a chegada de duas jovens que pediram para iniciar o seu caminho formativo na congregação. Trata-se de Edna, natural de Manaus (AM), e Vitória, de Boa Esperança (MG), que dão os primeiros passos em um processo de discernimento vocacional marcado pela escuta, pelo acompanhamento e pela vida comunitária. A celebração de ingresso está marcada para dia 10 de fevereiro de 2026.

A acolhida dessas jovens representa um sinal concreto de esperança e continuidade da missão, evidenciando que o chamado de Deus continua a ressoar no coração de novas gerações. O início do caminho formativo é um tempo privilegiado de discernimento, no qual as aspirantes são convidadas a aprofundar sua relação com Cristo, a conhecer mais de perto o carisma congregacional e a amadurecer, com liberdade e responsabilidade, a resposta ao chamado recebido.

Ao final da celebração, a gratidão marcou os corações das Irmãs presentes, que elevaram preces pela perseverança da Ir. M. Antônia Bianca e por todas as vocações, pedindo ao Senhor que continue a chamar e sustentar aqueles que se dispõem a segui-Lo mais de perto. A comunhão fraterna vivida naquele dia reforçou os laços comunitários e renovou o compromisso coletivo com a missão evangelizadora.

A Igreja confia à oração e ao cuidado de Deus a caminhada formativa da Ir. M. Antônia Bianca, que, em Roma, dará mais um passo decisivo rumo à consagração definitiva, assim como o início do percurso vocacional de Edna e Vitória. Que estes tempos de formação e discernimento sejam marcados pela escuta, pela confiança e pela fidelidade cotidiana, para que suas vidas se tornem sinais vivos da presença amorosa de Deus no mundo.

Continuamos em prece e comunhão, acompanhando com alegria estes acontecimentos significativos da vida congregacional e renovando, com esperança, a confiança no chamado do Divino Mestre.



CONSELHO DE INSTITUTO DAS PIAS DISCÍPULAS: UM CAMINHO SINODAL DE ESCUTA, DISCERNIMENTO E ESPERANÇA

Realizado em Antipolo, nas Filipinas, entre os dias 20 de janeiro e 10 de fevereiro de 2026, o Conselho do Instituto das Pias Discípulas do Divino Mestre vem se configurando como um tempo privilegiado de escuta, discernimento sinodal e renovação da vida consagrada, à luz do tema bíblico: “Olha para o céu e conta as estrelas…” (Gn 15,5), que inspira o caminho de transformar a fragilidade em um percurso gerador.

O Conselho teve início com a celebração eucarística de abertura, presidida por Dom Charles John Brown, Núncio Apostólico nas Filipinas, que, em sua homilia, convidou as irmãs a viverem o discernimento sinodal com coragem e verdade, sem medo de reconhecer as feridas, fragilidades e limites das comunidades, à semelhança de Cristo ressuscitado que mostra suas chagas como fonte de paz e vida nova. Ao longo dos trabalhos, a presença do Espírito Santo foi constantemente invocada como guia do caminho comum, da palavra compartilhada e do perdão recíproco.

Nos primeiros dias, após um retiro vivido na escuta da Palavra de Deus e da Igreja, as conselheiras se dedicaram à escuta recíproca e ao aprofundamento da identidade congregacional, refletindo sobre a unidade das “quatro estrelas”, os horizontes da missão e a vivência da paixão apostólica na fragilidade, à luz do carisma paulino e do testemunho da Madre Escolástica.

Um momento central do Conselho foi a apresentação e escuta dos relatórios das Circunscrições, que permitiram percorrer simbolicamente a “terra sagrada” da presença das Pias Discípulas no mundo, encontrando rostos, histórias, culturas, alegrias e desafios. Esse processo evidenciou a riqueza da diversidade e, ao mesmo tempo, a necessidade de respostas criativas e proféticas diante das transformações rápidas da realidade atual.

Os relatórios da Superiora Geral, Ir. M. Bernardita Meraz Sotelo, e da Ecônoma Geral, Ir. M. Giovanna Colombo, ajudaram a reler o caminho do Instituto à luz da comunhão, da confiança na Providência e do compromisso com relações autênticas, com a solidariedade concreta e com o cuidado da casa comum, fortalecendo o sentido de pertença a uma única Família.

Em clima de verdadeiro caminho sinodal, os dias seguintes foram dedicados ao diálogo com os Secretariados Gerais, aprofundando o serviço que realizam nos diversos âmbitos da vida da Congregação. Um espaço significativo foi reservado ao Secretariado para a Formação, com a participação, também à distância, das equipes que trabalham na revisão do Plano Geral de Formação e do Ritual da Profissão. As partilhas favoreceram contribuições, sugestões e discernimentos a serem integrados no processo em curso.

O Conselho foi também marcado por momentos de vida fraterna, espiritualidade e gratidão. A celebração da Festa da Apresentação do Senhor, no contexto do Dia Mundial de Oração pela Vida Consagrada, reuniu as irmãs em clima de solenidade e alegria, culminando em um encontro fraterno com a comunidade local de Antipolo, animado por cantos vocacionais em diversas línguas, sinal da universalidade da vocação e da missão.

Outro momento significativo foi a visita à Catedral de Manila e ao histórico bairro de Intramuros, onde a memória, a fé e a resiliência do povo filipino se tornaram também inspiração para o caminho do Instituto. O encontro com as comunidades locais das Pias Discípulas expressou, de modo concreto, o espírito de hospitalidade, comunhão e alegria que sustenta a vida consagrada.

À medida que se aproxima de sua conclusão, o Conselho do Instituto se revela como um tempo fecundo de graça, no qual a escuta do Espírito, o diálogo sincero e a partilha das fragilidades se transformam em fonte de esperança, renovando o compromisso das Pias Discípulas do Divino Mestre de serem presença profética e geradora na Igreja e no mundo de hoje.

Fonte: Boletins informativos do Conselho de Instituto 2026
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