DIA DE FINADOS: A CELEBRAÇÃO DA ESPERANÇA CRISTÃ NA VIDA ETERNA

No dia 2 de Novembro, a Igreja Católica dedica-se a comemorar a memória de Todos os Fiéis Defuntos. Longe de ser apenas um dia de luto, esta é uma celebração profundamente arraigada na e na esperança, sustentada pelo ensinamento seguro da nossa doutrina.

O que faz o cristão enfrentar a morte não com desespero, mas com esperança, é a certeza da Ressurreição de Cristo.

O Catecismo da Igreja Católica (CIC), fundamentado na Sagrada Escritura e na Tradição, ensina que:

  • A Morte é o Fim da Peregrinação Terrena: A morte marca o fim da vida sacramental e da possibilidade de merecer ou se arrepender (CIC 1013). É um convite a refletir sobre a seriedade da vida e a urgência de responder ao chamado de Deus.
  • Cristo Venceu a Morte: Para o cristão, a morte não é um ponto final, mas uma passagem. Pelo Batismo, fomos unidos à morte de Cristo para que, como Ele, ressuscitemos para uma nova vida (Rm 6, 4). “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá” (Jo 11, 25).

A Comunhão dos Santos e o Purgatório

A doutrina que dá sentido à nossa oração pelos falecidos é a Comunhão dos Santos (CIC 946-959). Esta comunhão é a união espiritual entre três estados da Igreja:

  1. Igreja Triunfante (os Santos no Céu).
  2. Igreja Padecente (as almas no Purgatório).
  3. Igreja Peregrina (nós, na Terra).

O Catecismo explica que:

  • A Necessidade de Purificação: Aqueles que morrem na graça e na amizade de Deus, mas ainda imperfeitos ou não totalmente purificados, necessitam de uma purificação final para alcançar a santidade necessária para a alegria do Céu. A Igreja chama a essa purificação de Purgatório (CIC 1030-1031).
  • A Eficácia de Nossas Orações: Por causa da Comunhão dos Santos, nossa oração, especialmente o Sacrifício Eucarístico (a Missa), tem o poder de ajudar e interceder pelas almas no Purgatório (CIC 958). Rezar pelos mortos não é apenas uma tradição, mas uma obra de misericórdia (2 Mac 12, 46).

A Nossa Esperança: Céu, Inferno e Juízo

O Dia de Finados nos lembra o destino eterno do homem:

  • O Juízo Particular: No momento da morte, cada alma recebe sua retribuição eterna, na presença de Cristo, por meio de um Juízo Particular (CIC 1021-1022).
  • O Céu: É o estado de suprema e definitiva felicidade. Para aqueles que morrem na graça de Deus e estão perfeitamente purificados, é a união perfeita com a Santíssima Trindade e com todos os Santos (CIC 1023-1029).
  • O Inferno: É a condenação eterna para aqueles que morrem em pecado mortal e recusam a misericórdia de Deus até o fim. O ensino da Igreja é um apelo à responsabilidade e à conversão (CIC 1033-1037).

Neste Dia de Finados, reforcemos a nossa fé. Visitar o cemitério é um gesto de carinho, mas o maior dom que podemos oferecer aos nossos entes queridos é a oração sincera. Rezemos para que, pela infinita misericórdia de Deus, eles sejam purificados e admitidos à visão beatífica, onde “Deus enxugará toda lágrima dos seus olhos, e a morte não existirá mais, nem haverá mais luto, nem pranto, nem dor” (Ap 21, 4).

Participe de uma Missa em sufrágio das almas dos falecidos. É o ato de amor mais perfeito que podemos realizar por aqueles que nos precederam na fé.

A LITURGIA NO DIA DE FINADOS

A Liturgia Católica para o Dia de Finados, a Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos (2 de Novembro), não é apenas um ritual fúnebre, mas uma poderosa proclamação de fé na Ressurreição e na Comunhão dos Santos. A liturgia é a expressão máxima e oficial do que a Igreja crê.

O que a liturgia nos revela:

1. O Foco é na Páscoa de Cristo

A cor litúrgica utilizada é geralmente o roxo (simbolizando penitência e esperança) ou, em alguns locais e conforme as rubricas, o preto (luto e tristeza pela perda). No entanto, a mensagem central é de Páscoa, ou seja, a “passagem”.

  • Oração da Coleta (Oração do Dia): O texto litúrgico mais eloquente é a oração que se reza no início da Missa. Nela, a Igreja pede a Deus que, ao reafirmarmos a fé no Seu Filho ressuscitado, se fortaleça também a nossa esperança na futura ressurreição de Seus servos e servas falecidos. O pedido não é pela morte, mas pela plenitude da vida.
  • Prefácio dos Defuntos: As orações que antecedem a Oração Eucarística (o Cânon) frequentemente repetem a grande verdade: “Em Cristo, brilhou-nos a esperança da feliz ressurreição. E, se nos entristece a certeza de ter que morrer, somos consolados pela promessa da imortalidade futura… Para os que creem em vós, Senhor, a vida não é tirada, mas transformada. E, desfeita a morada deste exílio terrestre, é-nos preparada no céu uma habitação eterna.”

2. Textos Bíblicos Centrados na Esperança

As leituras propostas pela Liturgia da Palavra para a Missa de Finados são escolhidas a dedo para afastar o desespero e infundir a certeza da vida em Deus:

  • Primeira Leitura (Ex: Jó 19, 1.23-27a; Sab 3, 1-9): Textos que falam da vida dos justos nas mãos de Deus e da esperança em ver o Redentor. O famoso trecho de Jó (“Eu sei que o meu Redentor está vivo, e que por fim se levantará sobre o pó…”) é frequentemente usado para afirmar a fé na ressurreição da carne.
  • Salmos (Ex: Salmo 23/24 – “O Senhor é o pastor que me conduz”; Salmo 42/43 – “A minha alma tem sede de Deus”): São salmos de confiança, que expressam a segurança em Deus, mesmo no “vale tenebroso”.
  • Evangelho (Ex: Jo 11, 21-27; Jo 6, 37-40): O Evangelho é a própria voz de Jesus, sendo o texto de João o mais emblemático: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, mesmo que morra, viverá.” Jesus garante que a vontade do Pai é que todo aquele que vê o Filho e nele crê tenha a vida eterna, e Ele próprio o ressuscitará no último dia.

3. A Centralidade da Eucaristia como Sufrágio

A Missa é o ato litúrgico central. Nela, a Igreja oferece a Deus o sacrifício de Cristo (o mesmo que se deu na Cruz) em favor dos fiéis defuntos:

  • O Sacramento Pascal: A liturgia entende a Missa pelos mortos como o Sacramento Pascal que se oferece por eles, a fim de que, purificados, alcancem a glória da ressurreição futura.
  • Privilégio Sacerdotal: A importância litúrgica desta comemoração é tamanha que, desde 1915, a Igreja permite que cada presbítero celebre até três Missas neste dia: uma pela intenção da Igreja (pelos Fiéis Defuntos), e duas por intenções particulares, todas com o fim de sufragar e ajudar as almas.

Em resumo, a liturgia do Dia de Finados nos convida a chorar a ausência com a humanidade, mas a celebrar o Mistério com a fé, lembrando-nos que o Corpo de Cristo (a Igreja) não se fragmenta pela morte, mas se estende entre a terra (peregrina), o Purgatório (padecente) e o Céu (triunfante).

FESTA DO DIVINO MESTRE

A meditação intitulada “Festa do Divino Mestre” foi proferida por o Bem-aventurado Tiago Alberione em 8 de janeiro de 1961, na Cripta do Santuário de Santa Maria Rainha dos Apóstolos, em Roma. Dirigida à Família Paulina, a reflexão é voltada de modo especial a todos os que vivem o chamado ao ministério e ao magistério na Igreja, aqueles que têm a missão de formar, ensinar e santificar.

Partindo da vida de Jesus Cristo, Alberione contempla sobretudo o período da vida oculta em Nazaré, tempo de silêncio, trabalho e crescimento, para destacar a importância da formação interior como fundamento de toda missão apostólica. Assim como Jesus “crescia em sabedoria, idade e graça”, também o discípulo-mestre deve crescer antes de ensinar: o fruto da vida pública depende da solidez da vida interior.

Os quatro pilares da formação segundo Alberione

Na meditação, o Fundador da Família Paulina apresenta quatro dimensões essenciais da formação dos mestres, inspiradas na ação de Jesus com seus apóstolos:

  1. Doutrina – Jesus oferece aos discípulos o conteúdo da nova lei, a lei do Evangelho e da caridade. O verdadeiro mestre é aquele que transmite a doutrina de Cristo, que é a própria Verdade.
  2. Exemplo de vida – O Mestre ensina uma moral de perfeição, que liberta o coração do mundo e convida à pobreza, castidade e obediência. A coerência de vida é parte essencial do magistério.
  3. Graça – Cristo comunica aos seus a vida sobrenatural. Sem a união com Ele, não há fecundidade apostólica. O mestre deve ser canal da graça e não apenas transmissor de ideias.
  4. Autoridade – Finalmente, Jesus envia: “Ide e ensinai”. O verdadeiro magistério nasce do envio e da missão recebida, e por isso é exercido com autoridade e fidelidade.

Mestre e discípulo: uma mesma missão

Alberione recorda que a formação é uma caminhada conjunta: não basta haver bons mestres se não houver discípulos abertos e dóceis ao aprendizado. A missão educativa cristã exige uma unidade viva entre quem ensina e quem aprende, onde ambos crescem na fé e na graça.

Toda a Família Paulina é chamada a viver essa dimensão magisterial. Seja na redação, na técnica ou na difusão, todos participam de um mesmo corpo moral e espiritual que tem a missão de sempre aprender de Jesus e sempre dar Jesus. O apostolado, portanto, é uma forma de ensino, um magistério vivido com amor e coerência.

Um magistério que se oferece

A meditação conclui com um apelo profundamente espiritual: o magistério não se limita a palavras ou publicações. Ele é uma oferta de vida. Inspirando-se em São Paulo, Alberione recorda: “Entrega o Evangelho, mas ainda mais, entrega-te a ti mesmo, a tua vida.”

Assim, toda celebração e todo apostolado se tornam oferenda. Na Eucaristia, centro da missão, o mestre e o discípulo unem-se para oferecer a própria existência, fazendo da vida um magistério vivo que comunica Cristo ao mundo.

Para ler e meditar

Ao ler o texto Festa do Divino Mestre, é importante perceber como Alberione entrelaça a Palavra de Deus, a experiência da formação humana e espiritual, e a missão apostólica. Ele convida a cada um a contemplar Jesus como modelo supremo de Mestre e a viver, no cotidiano, o mesmo espírito de obediência, amor e entrega que marcou a vida de Nazaré.


🔗 Texto original em italiano disponível em:
Opera Omnia – Festa del Divin Maestro (1961)


3. FESTA DO DIVINO MESTRE

…mas somente àqueles que entraram ou entram no ministério, no magistério.
Jesus ensinou a vida privada com o exemplo, retirado na solidão daquela pequena aldeia de Nazaré, onde “crescia em sabedoria, idade e graça”², “era-lhes submisso”³, humilde, exercitando-se na profissão de carpinteiro.
A vida privada, a vida retirada, assume importância pelo que se aprende, pelo que se realiza e se vive durante os anos de formação. Disto depende o fruto da vida pública. Tanto se realizará na vida pública quanto houver de preparação correspondente, isto é, suficiente, melhor.
Não se pode esperar mais também por outra razão: porque quem deverá ensinar e ser mestre, deve ser dotado de graça, deve ser santo, pois seu primeiro ofício é dar o exemplo e rezar pelas almas.
Jesus viveu a pobreza, a diligência no amor ao Pai, a obediência em tudo, exercitando-se na submissão a Maria e a José. E ali crescia.
Em redor, os vizinhos, os parentes, não se davam conta do seu admirável progresso e da sua vida interior, mas Ele crescia, e sua sabedoria, sua virtude e seu espírito de oração o acompanhavam — cresciam à medida que Ele crescia nos dias e nos anos daquela vida.

A parte da formação é decisiva para o seguimento da vida. É decisiva e, por isso, requer reflexão tanto de quem é mestre quanto de quem é discípulo. Eis o exemplo.
Quando São Pio X⁴ promulgou os novos regulamentos para a formação daqueles que deveriam tornar-se mestres⁵, exclamou-se: Pio X penetrou o espírito do Evangelho também sob este aspecto: “Instaurare omnia in Christo”⁶, isto é, a formação dos futuros mestres.

E o que fez Jesus durante sua vida pública?
A maior parte do tempo dedicou à formação das vocações.
Certamente pregou ao povo, mas durante suas pregações os apóstolos não estavam ausentes, ao contrário, estavam presentes, e, além disso, em suas pregações há muito que se refere unicamente aos apóstolos.

Eis: Ele se dedicou como Mestre aos seus noviços; primeiro os procurou — procurou as vocações.
Esse é um empenho de todos.
Se nós não chegamos a isso, não seguimos Jesus nem interpretamos seu modo de conduzir a vida pública e de formar seus discípulos, os futuros mestres.

Primeiro, as vocações: buscá-las.
Segundo, formá-las.
E como as formou?
Fez com que permanecessem com Ele, para que vissem como Ele vivia, o que dizia, o espírito com que operava e as provas que dava de ter vindo como Mestre: “Falou-nos por meio do Filho”⁷ — falou-nos Jesus.

Agora, querendo formar aqueles doze Mestres da humanidade, o que fez Jesus? Quatro coisas:

  1. Primeiro, forneceu-lhes a doutrina e revelou os segredos da nova lei — a lei evangélica, a lei do amor.
    E eles se maravilharam quando Ele, por exemplo, pronunciou o sermão da montanha, quando estabeleceu a nova lei, a lei da caridade, e depois agiu em conformidade com ela.
    Forneceu a matéria que os mestres devem ensinar.
    Ele era a própria doutrina, a própria verdade.
    Nós somos mestres apenas na medida em que pregamos a Ele, isto é, repetimos seu ensinamento.
  2. Segundo, não apenas deu aos apóstolos o exemplo de vida, mas ensinou-lhes uma lei moral, uma lei de perfeição que desprendesse o coração do mundo, que os fizesse sair de suas casas e famílias, mostrando-lhes que para eles havia uma missão imensamente maior do que a dos simples cristãos.
    Ensinou-lhes a pobreza, a castidade, a obediência; corrigiu-os muitas vezes quando mostravam não compreender a nova lei.
    “Até quantas vezes devo perdoar? Setenta vezes sete”⁸.
    A nova lei, que conhecemos pelos Evangelhos e pelas Cartas dos apóstolos, especialmente de São Paulo, que a interpretou e aplicou a casos particulares.
  3. Em terceiro lugar, Jesus deu aos apóstolos a graça, pois as almas devem ser confortadas pela graça, pela ajuda de Deus, e devem receber a nova vida, a vida sobrenatural.
    “Quem não permanecer em mim”⁹ — disse Jesus — “não pode chegar à graça”, e portanto não pode possuir a vida eterna.
    E os sacerdotes são dotados do poder de celebrar a Missa e comunicar a graça.
  4. Quarto, era necessário conceder aos novos mestres a “licença”, isto é, autorizá-los ao ensino com autoridade: “Ide, pregai e ensinai a fazer o que vos tenho dito e depois batizai em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”¹⁰.
    Assim, forneceu aos mestres tudo o que precisavam para cumprir sua missão.

Os mestres são, especialmente, os sacerdotes: o Papa, mestre infalível; os bispos, unidos a ele; e os sacerdotes que, sob sua direção, cumprem a missão de ensinar, guiar e santificar.
Tudo recebem de Jesus Cristo e devem ser administradores fiéis, como diz São Paulo¹¹, mestres fiéis, cumprindo juntos o magistério da palavra, o governo das almas e o ministério da graça e da salvação¹².

Eis então esses novos mestres que partem de Jerusalém, difundem-se pelo mundo e, com sua obra, sua palavra, seu exemplo e a comunicação da graça, fazem discípulas todas as nações: “Ide e fazei discípulas todas as nações”.

Eis o dever próprio dos mestres: realizar essas quatro coisas em relação aos que estão em formação.
E quem está em formação deve escutar e abraçar a doutrina, desde o catecismo até a teologia e a especialização; aprender o que é a moral, o direito, a ascética, a mística; e ser dotado dos meios de graça, isto é, possuir o poder de conferir a graça e o poder de celebrar, pois da Missa derivam os rios da graça e, portanto, a autoridade.

Nós ensinamos em nome de Jesus Cristo e é dever que nos escutem.
Assim, mestres e discípulos unidos para formar o novo Mestre, o Mestre do Novo Testamento, aquele que um dia deverá ser o Mestre do povo: “Foi-me dado todo o poder”¹³ e “Ide e ensinai”. “Como o Pai me enviou, assim eu vos envio”¹⁴ — a missão.
Portanto, Mestres completos, mas é necessário que existam discípulos completos.

Aqui, porém, é preciso fazer uma observação:
Como todo o nosso apostolado é ensino, o corpo moral da Família Paulina exerce esse ofício de ensinar. Tanto quem faz a redação quanto quem realiza a parte técnica ou a parte de divulgação, todos juntos constituem o corpo moral; todos juntos somos mestres.
Então: sempre aprender de Jesus, sempre dar Jesus.
Isto é o apostolado.

Leiam atentamente os artigos das Constituições que se referem a isso¹⁵:
primeiro, a Igreja, a doutrina da Igreja;
segundo, a Bíblia e celebrai o Ano Bíblico;
terceiro, a Tradição, representada de modo especial pelos Padres e escritores eclesiásticos, particularmente pelos ensinamentos dos Sumos Pontífices.

Portanto, a Missa: para quem está na vida privada, a Missa; para quem já exerce o magistério, unidos todos, ofereçamos tudo a Jesus.
E vós, durante a Missa, no ofertório, apresentai algum fruto do vosso magistério.
São Paulo diz a Tito: “Cuida de transmitir o Evangelho, mas, mais ainda, dá a ti mesmo, a tua vida”¹⁶.
Ofereçamos a nós mesmos, não só o magistério, todas as edições e todo o trabalho apostólico, mas a nossa própria vida consagrada a esta missão, vivendo ao máximo, quanto possível, o magistério de Jesus.
Portanto, oração e, por outro lado, imitação.


¹ Meditação feita à Família Paulina em Roma, na Cripta do Santuário de Santa Maria Rainha dos Apóstolos, em 8 de janeiro de 1961. Transcrição de fita: A6/an 91b = ac 155b. Falta a primeira parte.
² Cf. Lc 2,52.
³ Cf. Lc 2,51: “…estava-lhes submisso”.
⁴ Pio X, Giuseppe Sarto (1835–1914), Papa desde 1903. Seu pontificado foi marcado, em parte, pela luta contra o modernismo. Reformou a liturgia, atuou nos campos catequético e pastoral. Foi canonizado em 29 de maio de 1954 por Pio XII.
⁵ Cf. Pio X, Haerent Animo, Exortação Apostólica ao Clero Católico, 4 de agosto de 1908.
⁶ Lema do pontificado de Pio X. Cf. Ef 1,10: “…reunir em Cristo, como cabeça, todas as coisas…”.
⁷ Cf. Hb 1,2: “…falou-nos por meio do Filho”.
⁸ Cf. Mt 18,22.
⁹ Cf. Jo 15,5-6.
¹⁰ Cf. Mt 28,19.
¹¹ Cf. 1Cor 4,1-2.
¹² Don Alberione refere-se ao tríplice múnus do sacerdote: magistério da Palavra, ministério da graça e governo das almas.
¹³ Cf. Mt 28,18.
¹⁴ Cf. Jo 20,21.
¹⁵ Cf. Constituições de 1953, arts. 258-259.
¹⁶ Cf. Tt 2,7; cf. também 1Tm 4,11-12.


LITURGIA DO DIA: REFLEXÃO DO 30º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO C

26 de outubro de 2025
Evangelho: Lucas 18,9-14
Leituras: Eclesiástico 35,15b-17.20-22a; Salmo 33(34); 2 Timóteo 4,6-8.16-18
Celebração da Família Paulina: Solenidade de Jesus Mestre e Pastor, Caminho, Verdade e Vida

A liturgia deste domingo nos conduz ao coração da fé cristã: o encontro pessoal com Deus que ouve os humildes e exalta os que se reconhecem pequenos. À medida que nos aproximamos do final do Ano Litúrgico, a Palavra nos convida a uma revisão interior. Não para medir nossas conquistas espirituais, mas para reencontrar o sentido da oração, da fé e da confiança na misericórdia divina.

Neste mesmo domingo, a Família Paulina celebra com alegria a Solenidade de Jesus Mestre e Pastor, Caminho, Verdade e Vida, Aquele que nos conduz à plenitude da comunhão com o Pai. Diante d’Ele, aprendemos que o verdadeiro discipulado se faz na escuta, na humildade e na confiança.

“Quem se exalta será humilhado, e quem se humilha será exaltado.” (Lc 18,14)

Há parábolas que nos desnudam. Diante delas, não há como permanecer indiferente. A parábola do fariseu e do publicano é uma dessas joias que Jesus nos oferece para iluminar o interior do coração.

Dois homens sobem ao templo para rezar. Ambos parecem fazer o mesmo gesto, mas seus corações trilham caminhos opostos. O fariseu ergue os olhos e o peito: recita sua oração com segurança e autossuficiência. Suas palavras ecoam o som do próprio ego: um louvor que termina em si mesmo.
O publicano, por sua vez, permanece à distância. Não tem coragem de olhar para o alto; suas mãos não se elevam, seu corpo se curva. Apenas murmura: “Meu Deus, tem piedade de mim, que sou pecador!”.

A cena é silenciosa, mas carregada de sentido. Jesus conclui: “Eu vos digo: este último voltou para casa justificado, o outro não.” O contraste é radical. O fariseu cumpre a lei, mas reza a si mesmo. O publicano é pecador, mas reza de verdade. O primeiro busca afirmar-se diante de Deus; o segundo, deixar-se encontrar por Ele.

A oração que nasce da verdade

Este Evangelho, proclamado ao final do Tempo Comum, é um convite à autenticidade. Não basta rezar; é preciso rezar com verdade. O fariseu é o retrato da religião quando se esquece do amor: cumpre ritos, mas não se deixa transformar. O publicano é o retrato da alma que, ao reconhecer sua miséria, abre espaço para a graça.

A oração do fariseu é feita de comparações e méritos; a do publicano, de arrependimento e confiança. Um se exalta e se fecha. O outro se humilha e se abre. Na lógica do Reino, é o vazio que Deus preenche.

Rezar é um ato de despojamento. Quando nos colocamos diante do Senhor, não para mostrar quem somos, mas para deixar que Ele nos diga quem somos, então a oração se torna encontro.

A parábola do fariseu e do publicano não é apenas um contraste moral; é um espelho espiritual. Em algum momento, todos nós carregamos um pouco dos dois dentro de nós. Às vezes, somos o fariseu que se julga justo; outras, o publicano que se sente indigno. O importante é que, como o publicano, nunca deixemos de subir ao templo, isto é, nunca deixemos de procurar a Deus.

A humildade não é se rebaixar, mas permitir que Deus seja Deus. É admitir que nossa força está na dependência d’Ele, que nossa oração mais pura é o simples “tem piedade de mim”.

Neste domingo, ao celebrarmos Jesus Mestre e Pastor, somos convidados a aprender com Ele o caminho da verdade interior. O Mestre não despreza quem se sente pequeno; o Pastor não abandona quem se reconhece perdido. Aos olhos do mundo, a humildade pode parecer fraqueza; aos olhos de Deus, é o solo fértil onde germina a graça.

O eco das demais leituras

A primeira leitura, do livro do Eclesiástico (35,15b-17.20-22a), reforça a convicção de que Deus não se deixa comprar por aparências. “Ele não faz diferença entre pessoas”, diz o texto. “A oração do pobre atravessa as nuvens.” O pobre, aqui, é todo aquele que não tem outro apoio senão Deus. O publicano é, portanto, a concretização desse “pobre” do Eclesiástico: um homem despojado, sem títulos nem méritos, mas que confia plenamente na misericórdia divina.

O Salmo 33(34) é o canto que dá voz a essa experiência: “O pobre clama, e o Senhor o escuta.” O salmista não fala da pobreza como miséria, mas como lugar de encontro com Deus. É no limite humano que se revela a força divina. O louvor do salmo é humilde, mas transbordante. Brota da gratidão de quem experimentou ser sustentado pelo amor.

Na segunda leitura (2Tm 4,6-8.16-18), São Paulo fala com serenidade de quem viveu inteiramente para o Evangelho: “Combati o bom combate, completei a corrida, guardei a fé.” Mas o apóstolo não se exalta. Reconhece que tudo é graça: “O Senhor esteve ao meu lado e me deu forças.” Paulo se torna, assim, o exemplo maduro da atitude do publicano: alguém que se sabe fraco, mas confia no Senhor que o fortalece.

O silêncio onde Deus habita

No fim da parábola, o publicano desce do templo em silêncio. Nenhuma palavra triunfante, nenhum gesto de vitória. Apenas o coração em paz, o coração justificado.

É assim que Deus age: em silêncio, no íntimo, transformando o coração que se deixa amar. Que nossa oração, neste domingo, seja como a dele — breve, sincera e verdadeira: “Senhor Jesus, Mestre e Pastor, Caminho, Verdade e Vida, tem piedade de mim e ensina-me a caminhar na tua luz.”

Porque quem se humilha será exaltado, e é no silêncio dos humildes que o Mestre fala mais claramente.

Jesus Mestre e Pastor: o Caminho dos humildes

Neste domingo, a Família Paulina celebra a Solenidade de Jesus Mestre e Pastor, Caminho, Verdade e Vida. É belo notar como o Evangelho nos leva exatamente a essa experiência: o fariseu permanece em si, perdido em seu próprio caminho; o publicano se deixa conduzir pelo Mestre, que é o verdadeiro Caminho.

Jesus é o Mestre que ensina não apenas com palavras, mas com o gesto humilde de quem se inclina para servir. É o Pastor que guia com ternura, que busca a ovelha perdida e se alegra com o seu retorno.
É o Caminho que nos liberta das ilusões da perfeição aparente.
É a Verdade que nos mostra o rosto de Deus, não como juiz severo, mas como Pai compassivo.
É a Vida que brota quando reconhecemos que não somos o centro: Ele é.

Ser discípulo do Mestre é aprender a orar como o publicano: com o coração exposto, sem máscaras, sem defesas.

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TRÍDUO A JESUS MESTRE

A Família Paulina celebra, neste próximo final de semana, a Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Mestre e Pastor, Caminho, Verdade e Vida, devoção profundamente enraizada na espiritualidade paulina e confiada pelo venerável Pe. Tiago Alberione a toda a sua admirável Família.

Por que a Família Paulina celebra Jesus Mestre, Caminho, Verdade e Vida?

A Família Paulina celebra com profunda alegria e fé a Solenidade de Jesus Mestre, Caminho, Verdade e Vida, expressão central da espiritualidade e do carisma deixados pelo seu fundador, o Bem-aventurado Pe. Tiago Alberione.

Inspirado no Evangelho de São João: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida” (Jo 14,6), Pe. Alberione reconheceu em Jesus o Mestre divino que conduz toda a pessoa humana ao encontro pleno com Deus: iluminando a mente com a Verdade, fortalecendo a vontade no Caminho do bem e vivificando o coração com a Vida da graça.

Essa tríplice dimensão revela a integridade do seguimento de Cristo e orienta a missão paulina de “viver e comunicar Jesus Mestre ao mundo inteiro”, especialmente por meio dos instrumentos da comunicação social e das diversas formas de apostolado moderno.

Na liturgia, a Solenidade de Jesus Mestre, Caminho, Verdade e Vida, celebrada tradicionalmente no último domingo de outubro, é um momento de renovação espiritual para todos os membros da Família Paulina. É a ocasião de reafirmar o compromisso de seguir e anunciar Cristo Mestre, modelo perfeito de humanidade e fonte de toda sabedoria, amor e vida.

Em preparação para esta solene comemoração, apresentamos uma proposta de celebração do tríduo, conforme o Ofício Divino das Comunidades, a ser rezado no Ofício de Vésperas.

Anexamos, ainda, o roteiro para o Ofício de Vigília, a ser celebrado no sábado, bem como os cantos próprios para a Solenidade de Jesus Mestre, a fim de favorecer uma vivência orante e comunitária mais profunda deste mistério de fé.

Tríduo de preparação, 2025 – OFÍCIO DA TARDE

1. CHEGADA – Ô, ô, ô, Nós te adoramos o Cristo.

2. ABERTURA

– Vem, ó Deus da vida vem nos ajudar, (bis)
Vem não demores mais vem nos libertar! (bis)

– Glória ao Pai e ao Filho e ao Santo Espírito. (bis)
Glória à Trindade Santa, glória ao Deus bendito! (bis)

– Mestre e verdade és, Cristo Jesus (bis)
Nosso caminho e vida, Sol que nos conduz. (bis)

3. RECORDAÇÃO DA VIDA

4. HINO melodia: hino da tarde, quinta, véspera II semana.

Ó Verbo de Deus Pai / bem antes do universo.
Tua luz brilhou nas trevas / que o mundo estava imerso.

De tua plenitude  / nós todos recebemos,
Que a glória de Deus Pai / em ti nós contemplemos.

Divino Mestre amado, / ó vem nos conduzir
A nossa fé sustenta / pra sempre te seguir.

Verdade, te escutamos / Caminho, te seguimos
Ó Vida, em ti nós cremos / Amor da nossa vida.

Glorificado sejas, / Jesus, Mestre e Pastor,
Ao Pai e ao Espírito / o nosso igual louvor.

5. SALMODIA

1º dia:
Salmo 119 – ODC p. 154  [melodia da antífona, Gelineau].
Ant. A palavra de Deus é a verdade sua lei liberdade
Cântico de Timóteo – Lembra-te ODC p. 258 [N. 46]

2º dia:
Salmo 25 – ODC P. 142
Ant. Ensina-me Senhor os teus caminhos,
     Tua Palavra me oriente e me conduza.
Cântico 1Tm 3,16 – ODC, p. 708 – melodia: O Senhor me disse
Ant.: Grande é o mistério da piedade, Cristo, salvador.

3º dia:
Salmo 1
Eu sou o caminho, a verdade e a vida, ninguém vai ao Pai a não ser por mim [João 14,6]
Cântico de filipenses, ODC, p. 256 [n. 43]
Adoremos a Cristo, Verbo do Pai, que se fez servo, para ser nosso caminho e nossa vida.

6. LEITURA BÍBLICA

1º DIA:  Gálatas 2,19b-20
Leitura da carta do apóstolo Paulo ao Gálatas. Estou crucificado com Cristo. E já não sou eu que vivo: é Cristo que vive em mim. E a vida que vivo agora na carne, eu a vivo pela fé no Filho de Deus que me amou e se entregou por mim. Palavra do Senhor.

Responso: Fl1,20-21;3,14
Cristo será engrandecido no meu corpo, pela vida ou pela morte,
pois para mim o viver é Cristo, e o morrer é apenas lucro.
Sabeis que eu tenho por missão a defesa do Evangelho, pois para mim o viver é Cristo…
Esquecendo o que fica para trás, corro em direção à meta, pois para mim o viver é Cristo…

2º DIA:  2Pedro 1,16-19
Leitura da segunda carta de Pedro. Quando ensinamos a vocês sobre a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, não tiramos isso de fábulas artificiais. Nós ensinamos porque fomos testemunhas oculares da grandeza dele. Pois ele recebeu honra e glória de Deus Pai, quando uma voz vinda da sua majestade lhe disse: “Este é meu Filho amado, no qual encontro o meu agrado”. Essa voz, vinda do céu, nós a ouvimos quando estávamos com ele no monte santo. Com isso, a mensagem profética se confirma em nós. E vocês farão bem recorrendo a ela como lâmpada que brilha na escuridão até que amanheça o dia, e brilhe em suas mentes a estrela da manhã. Palavra do Senhor.

Responso: melodia: nas águas do jordão:
– Tua Palavra, Senhor, * é luz em meu caminho.
– Tua Palavra, Senhor, * é luz em meu caminho.
– Ensina-me a seguir teus passos.
é luz em meu caminho.
Glória ao Pai e ao Filho, * e ao Espírito Santo.
– Tua Palavra, Senhor, * é luz em meu caminho.

3º DIA2 Timóteo 3, 14-17
Leitura da segunda carta de Paulo a Timóteo. Quanto a você, fique firme naquilo que aprendeu e aceitou como certo. Você sabe de quem o aprendeu. Desde a infância, você conhece as Sagradas Letras, que podem dar-lhe a sabedoria que leva à salvação pela fé em Cristo Jesus. Toda Escritura é inspirada por Deus e útil para ensinar, refutar, corrigir, educar na justiça. Assim, a pessoa que é de Deus estará capacitada e bem preparada para toda boa obra. Palavra do Senhor.

Responso:ODC p. 426, n. 370
– Inclina, Senhor meu ouvido * para a tua palavra.
Inclina, Senhor meu ouvido * para a tua palavra.
Desperta o meu coração
para a tua palavra.
Glória ao Pai e ao Filho, * e ao Espírito Santo.
Inclina, Senhor meu ouvido * para a tua palavra.

7.  MEDITAÇÃO – Silêncio…

8. CÂNTICO DE MARIA (melodia: Refrão meditativo, n. 14a, p. 8)

Ant.Vivo na fé do filho de Deus
que me amou e se entregou por mim.

Ou: ODC 237 Ant: Weber ciclo pascal faixa 22

Ant.:Eu sou o caminho a verdade e a vida,
        ninguém vai ao Pai se por mim não passar

Ant.: Já não sou mais eu que vivo,
        é Cristo que vive em mim.

9. PRECES

1º DIA
Oremos ao Cristo, Senhor e Mestre, único mediador da nossa salvação:

Só tu, tens Palavra de vida eterna!

– Ó Cristo, que em ti reconciliaste todas as coisas, faze que a humanidade, dilacerada pelas divisões, encontre a paz e a unidade, nós te pedimos.

– Ó Cristo, que te fizeste caminho para a humanidade, ilumina toda pessoa que busca um sentido em sua vida, nós te pedimos.

– Ó Cristo, que te compadeceste das nossas fraquezas, sustenta as vítimas das injustiças e da violência institucionalizada.

– Ó Cristo. guarda-nos na comunhão dos santos, com nosso Pai Alberione e nossa Madre Escolástica, e com todas as testemunhas do Reino.

Preces espontâneas…

Dá, ó Senhor, às Igrejas cristãs, a unidade visível.
Que nós sejamos um para que o mundo creia. Pai nosso

2º DIA
Invoquemos irmãos e irmãs, o Santíssimo nome de Jesus

Cristo, Filho do Deus vivo, tem piedade de nós.
Cristo, Palavra do Pai, nosso Mestre e Pastor, tem piedade de nós.
Cristo, Verdade, Caminho e Vida, tem piedade de nós.
Cristo, Sol da justiça, tem piedade de nós.
Cristo, força dos mártires, tem piedade de nós.
Cristo, Senhor do universo, tem piedade de nós.
Cristo, Estrela da manhã. Tem piedade de nós.

Invocações espontâneas…

Dá, ó Senhor, às Igrejas cristãs, a unidade visível.
Que nós sejamos um para que o mundo creia. Pai nosso

3º DIA
De coração agradecido, invoquemos a Jesus, nosso Mestre e nossa vida.

Ouve Senhor, a nossa oração.

– Filho de Deus, invocamos a tua compaixão sobre toda a família humana.- Faze-nos viver da tua vida e caminhar como filhas e filhos da luz, na alegria do Evangelho.

– Aumenta a fé da Igreja, para que esteja sempre pronta a dar testemunho de amor no serviço dos pobres.

– Consola os que estão tristes e manifesta o teu rosto aos que estão desanimados.

Preces espontâneas…

Dá, ó Senhor, às Igrejas cristãs, a unidade visível.
Que nós sejamos um para que o mundo creia. Pai nosso

Pai-nosso

Oração [santo Ambrósio]
“Nós te seguimos, Senhor Jesus,
mas para que te sigamos, chama-nos.
Pois sem si, ninguém caminha.
Tu és com efeito o Caminho, a Verdade e a vida.
Recebe-nos como estrada acolhedora,
acalma-nos como só a verdade pode acalmar.
Vivifica-nos, porque só tu és a vida”.
Tu que és nosso Senhor e Mestre,
com o Pai e o Espírito Santo. Amém

Ou

Ó Deus, que na plenitude dos tempos
falaste à humanidade na pessoa
do teu amado Filho, Jesus Cristo,
concede-nos reconhecê-lo por nosso Mestre e Senhor,
segui-lo fielmente como discípulas
e anunciá-lo ao mundo
como Caminho, Verdade e Vida.
Ele que é Deus contigo,
na unidade do Espírito Santo. Amém

10. BÊNÇÃO

O Deus da vida que se revela na pessoa de Jesus nos cumule do seu Espírito e nos abençoe, o Pai e o Filho e o Espírito Santo. Amém!

–  Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo.
Para sempre seja louvado!

– Que o auxilio divino permaneça conosco
E com nossos irmãos e irmãs ausentes

VIVER JESUS CRISTO MESTRE, CAMINHO, VERDADE E VIDA

A meditação “Vivere Gesù Cristo Maestro Via, Verità e Vita” foi proferida por Pe. Tiago Alberione, fundador da Família Paulina, às Pias Discípulas do Divino Mestre em 19 de março de 1966, na igreja dedicada a Jesus Mestre, em Roma, por ocasião da festa de São José. Trata-se de uma das últimas reflexões públicas do fundador, nas quais se percebe a maturidade espiritual e teológica de sua vida interior, sintetizando o coração de toda a espiritualidade paulina: viver em profunda comunhão com Cristo Mestre, Caminho, Verdade e Vida.

Nesta meditação, Alberione propõe um itinerário espiritual centrado na vida interior como núcleo da santidade e da missão. Inspirando-se em São José, ele destaca a simplicidade e a fidelidade cotidiana como o verdadeiro caminho de união com Deus. O autor adverte que as expressões externas da fé (cânticos, ritos e observâncias) são valiosas, mas somente têm sentido quando brotam de um interior animado pela fé, pela esperança e pela caridade. Assim, viver a vida religiosa não é apenas cumprir regras, mas deixar que Cristo transforme a própria interioridade.

O fundador retoma, em seguida, o núcleo da devoção paulina a Jesus Mestre: Ele é honrado como Verdade, pela fé e pela busca da sabedoria; como Caminho, pelo seguimento de seus exemplos e mandamentos; e como Vida, pelo amor que o discípulo cultiva a Deus e às almas. Alberione também recorda que o conhecimento de Cristo se dá pela Revelação, pela Tradição e pelo Magistério da Igreja, e que a verdadeira comunhão com o Mestre se realiza na Eucaristia e na Palavra, duas presenças inseparáveis.

A meditação conclui com uma exortação à Família Paulina: que todos compreendam e vivam profundamente a presença do Mestre Divino, irradiando a partir da Eucaristia a luz de Cristo para o mundo. O autor confia essa graça à comunidade das Pias Discípulas, unindo o sentido espiritual da nova igreja a uma missão universal de evangelização.

Ler este texto é entrar no pensamento orante de Pe. Alberione, onde a teologia se faz vida e a espiritualidade se traduz em comunhão. Sua voz, serena e convicta, convida cada discípulo e discípula do Divino Mestre a cultivar uma fé encarnada, unindo oração e ação, interioridade e missão, Eucaristia e Evangelho.


17. VIVER JESUS CRISTO MESTRE, CAMINHO, VERDADE E VIDA

Meditação à Comunidade das Pias Discípulas do Divino Mestre.
Roma, Via Portuense 739, 19 de março de 1966

… a vida interior. Ele — São José — foi o maior dos santos depois da Santíssima Virgem: seu recolhimento habitual, sua união com Deus, sua docilidade à vontade divina em tudo, sempre disposto a tudo o que o Senhor lhe pedia nas diversas circunstâncias, conforme entendemos pelo Evangelho. Vida interior.

Os cânticos têm seu lugar e fazem muito bem; é necessária também a parte litúrgica exterior; mas, depois disso, é preciso cultivar a vida interior, ou seja, uma fé cada vez mais viva, uma esperança cada vez mais viva, e uma caridade cada vez mais viva. A vida religiosa deve ser observada nas diversas disposições das Constituições religiosas, mas sobretudo observada no íntimo, mais do que no exterior, em tudo, do primeiro ao último artigo das Constituições. Antes de tudo, que seja animada pela fé; pela esperança em Jesus Cristo e na imitação de Jesus Cristo; e pelo amor a Deus e ao próximo. Esta é a vida interior.

A abundância de oração honra a Deus e alcança as graças de que precisamos; mas, ainda mais, é preciso cuidar do interior mais do que da observância exterior. Assim também devem ser recebidos os sacramentos, assim também se deve participar das celebrações. E, em todo o dia, deve haver uma alegria religiosa, uma santa união com Deus. É verdade que, nas obras e nas tarefas, é necessário cuidar também do aspecto exterior e isso é necessário. Mas que tudo parta, antes de tudo, do íntimo.

São José, que não fez coisas extraordinárias, chegou à mais alta santidade. Ele não foi apóstolo, nem mártir, nem pontífice, e, no entanto, está acima de todos no paraíso, exceto a Santíssima Virgem. Por quê? Porque sua vida foi a de um carpinteiro. Mas chegou a tal santidade por causa de sua interioridade.

Segundo pensamento (belíssima esta igreja, sim; e belíssima a cripta, que favorece e convida ao recolhimento): é preciso obter que, em toda a Família Paulina, se compreenda e se siga verdadeiramente o Divino Mestre, tal como o recebemos na comunhão.

Devemos recordar que o Divino Mestre é honrado, em primeiro lugar, pela verdade — a fé; depois, por sua vida, ou seja, por seus exemplos — o caminho; e, por fim, pelo amor — a vida: amor a Deus e amor às almas. Sim, repitam muitas vezes isso, como se repetem as jaculatórias.

Nesta intimidade, posso dizer assim: até agora, quem compreendeu profundamente e viveu isso foi Pe. Dragone, que já preparou e mandou imprimir outro volume; três volumes já foram publicados, e outro está em preparação. Ele compreendeu profundamente o Divino Mestre, já quando era o Criador. Pois foi Ele quem concebeu o desenho do mundo e o realizou. Assim também aqui, os engenheiros fizeram os desenhos, e vocês deram a sua parte nisso. Sim.

Mas é necessária a ciência e a sabedoria: “Eu sou a Verdade” (Jo 14,6), diz o Filho de Deus no seio do Pai.
O primeiro livro foi feito pela ciência humana, isto é, pela criação, em substância, foi assim: “Tudo foi feito por meio dele” (Jo 1,3).

Depois vem a vontade (depois da inteligência): a vontade, expressa nos mandamentos. E tudo o que é bom e santo está contido nos mandamentos e em tudo o que foi ensinado no Antigo Testamento.
Depois, segue-se a revelação do Filho de Deus encarnado, ou seja, o Evangelho. E depois, a Tradição, porque nem tudo foi escrito nos Evangelhos, muita coisa não foi escrita (cf. Jo 21,25); e então existe a Tradição. O ensinamento do Filho de Deus encarnado, uma parte está escrita nos Evangelhos, outra parte está na Tradição. E, portanto, quem interpreta, compreende e explica é o Magistério da Igreja.

E depois, vem a vida: a vida de Jesus Cristo em nós, e como Ele nos transforma. E o que nos tornamos depois disso? Até podermos dizer: “Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim” (Gl 2,20).
E esse é o Magistério.

Ora, o que nós contemplamos e meditamos em Jesus Cristo, Caminho, Verdade e Vida, encontra seu reflexo em Maria, que foi quem mais profundamente compreendeu e seguiu o Divino Mestre. Portanto, o que quero dizer é isto: coloquem essas intenções, tanto pelo que já foi feito, quanto pelo que ainda deve ser feito, ou seja, obter que em toda a Família Paulina, em cada um de seus membros, se compreenda e se viva o Divino Mestre. Confio-lhes essa missão. Peçam essa graça. E essa graça está ligada a esta igreja.

Na lista das intenções que apresento ao Senhor todas as manhãs, há esta: pelo menos há seis anos eu lembrava diariamente da construção desta igreja dedicada ao Divino Mestre. Esta igreja será um centro e esse centro é Jesus Cristo: Jesus Cristo presente realmente na Eucaristia; e de onde partirão os raios que se difundirão pelo mundo, começando pela Família Paulina.

Eis, portanto, os dois pensamentos principais:
Primeiro, a importância da vida interior, da interioridade.
Segundo, obter esta graça: que todos compreendam, que todos entendam: “Eu sou o Mestre”, diz Jesus. Ele vive na Eucaristia, vive no Evangelho e no ensinamento que nos deu.
Portanto, é preciso unir sempre a Palavra de Deus à Eucaristia, sempre unidas: Eucaristia e Evangelho.

Seja louvado Jesus Cristo.

A FÉ NA FIDELIDADE: LIÇÕES DE ORAÇÃO, PALAVRA E PERSEVERANÇA

Domingo, 19 de Outubro de 2025
29º Domingo do Tempo Comum, Ano C

Leituras: Ex 17,8-13 | Sl 120(121) | 2Tm 3,14-4,2 | Lc 18,1-8


Há momentos na vida em que a oração parece uma batalha. Dobramos os joelhos, mas o céu parece silencioso. Esperamos, e a resposta não vem. E, no entanto, é justamente nesses momentos que Deus nos ensina a perseverança, aquela fé que continua acreditando, confiando e amando, mesmo quando nada parece mudar.

As leituras deste domingo nos lembram que a fé não se prova na facilidade, mas na fidelidade. Moisés reza mesmo cansado, Paulo exorta Timóteo a permanecer firme, e Jesus louva uma viúva que nunca desiste.

A vida do Beato Timóteo Giaccardo, o primeiro sacerdote da Família Paulina, cuja memória celebramos hoje, é também um testemunho vivo dessa verdade. Sua constância na oração, sua humildade no serviço e sua serenidade nas provações ecoam a mesma mensagem.

Três pontos para nossa reflexão hoje:

Primeiro, a oração mantém viva a fé.

Na primeira leitura, Moisés permanece de braços erguidos enquanto o povo luta no vale. Enquanto suas mãos estão levantadas, Israel vence; mas quando ele se cansa, o povo enfraquece. Então Aarão e Hur o sustentam até o pôr do sol, e a vitória acontece.

Há a história de um agricultor que enfrentava uma longa seca. Todas as manhãs, ele ia ao campo vazio, ajoelhava-se sobre a terra seca e rezava por chuva. Os vizinhos zombavam: “Para que rezar? O céu está limpo e a terra está morta”. E ele respondia: “Eu não rezo só por chuva. Rezo para que o meu coração não seque”.

Essa é a oração de Moisés e é a oração que precisamos aprender. A oração verdadeira nem sempre muda a situação de imediato, mas mantém o coração vivo. Ela nos abre à força de Deus quando a nossa se esgota. E assim como Moisés precisou de Aarão e Hur, também nós precisamos uns dos outros para sustentar nossa fé.

Segundo, a Palavra que fortalece a perseverança.

Na segunda leitura, São Paulo escreve a Timóteo: “Permanece firme naquilo que aprendeste…”. Ele recorda que a Palavra de Deus não é uma teoria nem uma bela ideia. É uma força viva, um poder que forma, corrige e sustenta aqueles que creem.

Depois desta missa e da bênção da nossa nova casa, celebrarei outra missa com a comunidade filipina, que hoje comemora o seu 8º aniversário aqui em São Paulo. Durante esses anos, eles se reúnem com fidelidade, apesar do trabalho, da distância e do cansaço. Mesmo assim, continuam a rezar, celebrar e agradecer.

Essa perseverança é um testemunho da força da Palavra. A verdadeira oração não espera por condições perfeitas. Ela continua porque o amor torna tudo possível. E esse amor é alimentado pela Palavra de Deus, onde encontram o que o mundo não pode dar: esperança que renova, fé que une e alegria que permanece.

É exatamente isso que São Paulo desejava para Timóteo, e o que Deus deseja para nós: que Sua Palavra não toque apenas os nossos ouvidos, mas crie raízes no coração. Porque, quando a Palavra de Deus habita em nós, ela se torna o sopro da nossa perseverança, a bússola que orienta o caminho e a força silenciosa que nos sustenta quando a estrada é longa. Por isso, permaneçamos fiéis à Palavra que recebemos.

Terceiro, a fé persevera mesmo quando a resposta demora.

No Evangelho, Jesus fala da viúva que nunca desiste de pedir justiça. Mesmo diante de um juiz indiferente, ela insiste até ser ouvida. Jesus nos convida a rezar assim: com coragem que não desanima e com confiança que não se cansa.

O Beato Timóteo Giaccardo viveu essa mesma fé perseverante em um dos momentos mais difíceis de sua vida: a missão de obter a aprovação pontifícia de sua Congregação. Foi um caminho cheio de atrasos, incompreensões e muitos obstáculos. Muitas vezes, a aprovação parecia impossível. Mas o Beato Timóteo nunca deixou de acreditar que aquela obra era de Deus.

Ele rezou, trabalhou e esperou com paciência. Escreveu cartas, dialogou com as autoridades da Igreja e carregou o peso da responsabilidade com serenidade e fé. No fim, sua perseverança deu fruto: a Congregação foi finalmente aprovada pela Santa Sé.

Essa vitória não foi apenas um documento, mas um sinal vivo da fé que não desiste, da esperança que confia mesmo na escuridão e da confiança que permanece firme até o fim. Como a viúva do Evangelho, o Beato Timóteo continuou batendo à porta de Deus, não por teimosia, mas por amor. Ele acreditava profundamente que, quando uma obra pertence a Deus, ela se cumpre no tempo de Deus.

Moisés nos ensina a levantar as mãos em oração mesmo quando estamos cansados. Paulo e Timóteo nos mostram o poder da Palavra que sustenta. A viúva persistente nos ensina a confiar que Deus sempre escuta.

E o Beato Timóteo Giaccardo viveu tudo isso com ternura e coragem: sua oração foi constante, seu amor pela Palavra foi profundo, e sua perseverança abriu caminho para que a vontade de Deus se realizasse. Amém.


Texto de:
Pe. Reymel Juanillo Ramos, ssp
Capelão da Casa Provincial e Casa Marta e Maria
das Irmãs Pias Discípulas do Divino Mestre.
Mestre dos Aspirantes Paulinos.

27º DOMINGO DO TEMPO COMUM: REAVIVAR O DOM DA FÉ

Domingo, 5 de Outubro de 2025
27º Domingo do Tempo Comum, Ano C

A liturgia deste Domingo nos apresenta uma oração que poderia facilmente sair do nosso próprio coração: “Senhor, aumenta a nossa fé”. Os apóstolos fizeram essa súplica porque perceberam como sua fé era pequena diante das provações. Eles tinham visto Jesus falar com autoridade, curar os doentes, saciar os famintos e perdoar os pecadores. Mesmo assim, ao olharem para si mesmos, sentiram-se frágeis e limitados. Por isso, pediram com humildade: “Senhor, aumenta a nossa fé”.

Quantas vezes nós também repetimos essa oração em momentos de dúvida, sofrimento ou incerteza. Quantas vezes sentimos que nossa fé é pequena, fraca ou facilmente abalada. E Jesus responde com uma imagem surpreendente: mesmo uma fé do tamanho de um grão de mostarda pode realizar o impossível. Em outras palavras, não é a quantidade da fé que importa, mas a sua autenticidade. A fé não é magia, é confiança em Deus.

Três pontos para nossa reflexão hoje:

Primeiro, a fé cresce quando levamos nossas perguntas a Deus. Na primeira leitura, o profeta Habacuc clama: Até quando devo gritar a ti: “Violência!”, sem me socorreres?” Essas não são palavras educadas, mas o grito de um crente escandalizado com o mal ao seu redor.

Hoje vemos guerras que destroem nações, famílias divididas por conflitos, crianças com fome enquanto outros desperdiçam, e pessoas abandonadas em sua dor. Quando a vida nos fere, nossa primeira reação é perguntar: “Senhor, onde estás? Por que não intervéns?” Mas Habacuc não foge de Deus. Ele não fecha o coração na amargura. Ele leva suas dúvidas e queixas diretamente ao Senhor. Isso já é um ato de fé.

Há uma história de um menino que plantou uma pequena semente num vaso. Todas as manhãs ele a regava, mas os dias passavam e nada aparecia. Desanimado, disse ao pai: “Acho que a semente morreu”. O pai respondeu, “Tenha paciência. Mesmo quando você não vê nada, algo está acontecendo debaixo da terra”. Poucos dias depois, surgiu o primeiro broto verde.

Assim é a fé. Deus pode parecer silencioso, mas nunca está ausente. Mesmo quando não vemos nada, Deus continua agindo. Debaixo da superfície, Sua graça continua agindo. A fé não elimina as perguntas, mas confia no tempo de Deus e espera com paciência.

Segundo, a fé é um dom que precisa ser reavivado. Na segunda leitura, São Paulo escreve a Timóteo: “Reavivar a chama do dom de Deus que recebeste pela imposição das minhas mãos”. A fé é um dom, sim, mas também uma responsabilidade. Não é algo para ser guardado, mas um fogo que precisa ser alimentado e cuidado.

Um homem guardava em casa um velho violão herdado do pai. Com o tempo, ele foi deixando o instrumento de lado. A poeira cobriu as cordas e o som se perdeu. Um dia, ao arrumar o quarto, ele decidiu limpar o violão e afiná-lo novamente. Quando dedilhou as primeiras notas, um som doce encheu o ambiente. Ele disse, “Eu pensei que ele tivesse perdido a voz”. Na verdade, o violão nunca perdeu o som; apenas precisava ser tocado outra vez.

A fé é assim. Às vezes parece adormecida, esquecida no meio das preocupações. Mas quando voltamos a rezar, a ouvir a Palavra, a servir com amor, ela volta a vibrar dentro de nós. Deus não retira o dom da fé, apenas espera que o afinemos de novo, para que sua música volte a encher a nossa vida de sentido.

Por fim, a fé se manifesta no serviço humilde. No Evangelho, Jesus ensina: “Somos servos inúteis; fizemos o que devíamos fazer”. Essas palavras não diminuem o valor do nosso esforço, mas libertam o coração de toda busca por recompensa. O verdadeiro discípulo serve por amor, não por interesse.

A fé autêntica não se mede por milagres ou grandes feitos, mas pelo amor silencioso que se vive nas pequenas coisas do dia a dia. Ela se revela na mãe que cuida com ternura dos filhos, na enfermeira que consola o doente, no trabalhador que age com honestidade, no sacerdote ou na religiosa que serve com alegria mesmo sem ser notado. Esses gestos simples e escondidos são as flores mais belas da fé.

Como diz o ditado: “A fé move montanhas”. Mas, muitas vezes, Deus a usa para mover o nosso coração em direção ao próximo. A fé viva não fica nas palavras. Ela transforma atitudes, abre os olhos e nos faz servir com amor, certos de que Deus vê e abençoa tudo o que é feito com sinceridade.

Hoje o Senhor nos assegura que mesmo uma fé do tamanho de um grão de mostarda pode transformar vidas. A força da fé não vem de nós, mas daquele em quem confiamos. Como Habacuc, levemos a Deus nossas lutas e perguntas, como Timóteo, reavivemos o dom da fé todos os dias, com oração e perseverança e como servos fiéis, vivamos nossa fé em gestos simples de amor. Amém.

Texto de:

Pe. Reymel Juanillo Ramos, ssp
Capelão da Casa Provincial e Casa Marta e Maria das Irmãs Pias Discípulas do Divino Mestre.
Mestre dos Aspirantes Paulinos.

LITURGIA DO DIA: MEMÓRIA DE SÃO FRANCISCO DE ASSIS

Liturgia do Dia – Sábado, 4 de Outubro de 2025
São Francisco de Assis, religioso – Memória
26ª Semana do Tempo Comum

Leituras:

  • Br 4,5-12.27-29
  • Sl 68(69),33-35.36-37 (R. 34a)
  • Lc 10,17-24

A liturgia do dia nos apresenta o retorno jubiloso dos setenta e dois discípulos enviados em missão. Eles voltam cheios de alegria, testemunhando que até os espíritos maus se submetiam em nome de Jesus. O Senhor, porém, os convida a olhar além dos frutos visíveis e a alegrar-se sobretudo porque os seus nomes estão escritos no céu.

Esse trecho revela duas dimensões fundamentais da vida cristã: a missão, que se realiza na autoridade de Cristo e não em nossas forças, e a verdadeira alegria, que nasce da certeza de sermos amados e escolhidos por Deus. Jesus exulta no Espírito Santo e louva o Pai que revela os mistérios do Reino aos pequeninos, não aos sábios e entendidos.

Primeira Leitura (Br 4,5-12.27-29): o profeta Baruc traz uma palavra de esperança a um povo que sofre no exílio: “Coragem, meu povo!”. Ainda que o povo de Israel tenha experimentado a dor e a dispersão por causa de suas infidelidades, Deus não os abandona. Ele promete novamente a misericórdia e a possibilidade de retorno. A mensagem de Baruc conecta-se ao Evangelho, pois a verdadeira alegria não vem da ausência de dificuldades, mas da confiança no amor e na fidelidade de Deus, que nunca abandona os seus filhos.

Salmo Responsorial (Sl 68): o salmista proclama: “Ó humildes, vede isto e alegrai-vos; o vosso coração reviverá se procurardes o Senhor”. O salmo reforça o convite da liturgia de hoje: confiar no Senhor em meio às provações e experimentar n’Ele a verdadeira alegria que sustenta a vida.

A liturgia do dia deste sábado nos convida a redescobrir a fonte da verdadeira alegria cristã: a certeza de que pertencemos a Deus e que nossos nomes estão escritos no céu. Baruc nos recorda a fidelidade divina mesmo nas tribulações; o salmo aponta para a confiança e a esperança dos humildes; e São Francisco de Assis nos mostra, com sua vida, que a simplicidade evangélica é caminho de santidade.

Santo do Dia: São Francisco de Assis

Celebramos hoje a memória de São Francisco de Assis, um dos santos mais amados da Igreja. Conhecido como “o Pobrezinho de Assis”, Francisco viveu de forma radical o Evangelho, abraçando a pobreza, a simplicidade e o amor por toda a criação. Ele se tornou sinal de paz, fraternidade e confiança absoluta em Deus.

São Francisco nos ajuda a compreender melhor o Evangelho do dia: a verdadeira alegria não está no poder, no prestígio ou no sucesso visível, mas em viver como filhos amados de Deus, colocando-se nas mãos do Pai com humildade e confiança.

Que possamos, como os discípulos e como São Francisco, alegrar-nos não pelo que fazemos, mas por aquilo que somos em Cristo: filhos amados do Pai.


ANJO: PRESENÇA DE DEUS QUE NOS PROTEGE E GUIA

Nesta quinta-feira, 2 de outubro de 2025, a Igreja celebra a memória dos Santos Anjos da Guarda, inserida na 26ª Semana do Tempo Comum. A liturgia nos convida a mergulhar no Evangelho segundo São Mateus (Mt 18,1-5.10), em que Jesus coloca uma criança no centro da assembleia dos discípulos e ensina sobre a humildade necessária para entrar no Reino dos Céus.

O capítulo 18 de São Mateus é conhecido como o “discurso comunitário”. Nele, Jesus ensina aos discípulos como deve ser a vida daqueles que vivem reunidos em seu nome: marcada pela humildade, pelo cuidado mútuo, pela reconciliação e pelo perdão.

A cena começa com uma pergunta que revela certa incompreensão dos discípulos: “Quem é o maior no Reino dos Céus?” (Mt 18,1). A lógica dos homens está sempre ligada ao poder, à grandeza e à hierarquia. Jesus, no entanto, subverte essa mentalidade ao colocar uma criança no meio deles.

No tempo de Jesus, a criança não tinha prestígio algum: era símbolo de pequenez, dependência e fragilidade. Ao apontá-la como modelo, o Mestre ensina que o verdadeiro discípulo é aquele que se coloca diante de Deus como um pequeno, consciente de que nada possui de si mesmo, mas tudo recebe como dom.

O gesto é profundamente simbólico. A criança, na sociedade do século I, não tinha direitos, nem importância social ou religiosa. Era sinal de dependência, fragilidade e necessidade de proteção. Jesus não exalta a inocência ou a pureza da criança, mas sua pequenez e sua total confiança no adulto. Ao colocar a criança no meio, Ele muda a lógica da comunidade: no centro não está o poderoso, mas o pequeno.

No versículo 3, lemos: “Se não vos converterdes e não vos tornardes como crianças, não entrareis no Reino dos Céus”. A conversão aqui é dupla: intelectual porque nos propõe mudar a forma de pensar, deixar a mentalidade de grandeza. E também uma conversão existencial, pois nos impele a adotar a atitude de dependência confiante diante de Deus. Jesus não pede apenas “imitar as crianças”, mas “tornar-se” criança, isto é, assumir uma postura contínua de humildade e simplicidade.

“Quem se faz pequeno como esta criança, esse é o maior no Reino dos Céus” (Mt 18, 4): no Reino de Deus, não é a força que garante posição, mas a humildade. A “pequenez” não é passividade, mas atitude ativa de quem se coloca nas mãos de Deus.

Não se trata apenas de tornar-se pequeno, mas também de acolher os pequenos. Receber uma criança (ou qualquer pessoa marginalizada, frágil, dependente) equivale a receber o próprio Cristo. Esse ensinamento ecoa Mt 25,40: “todas as vezes que fizestes isso a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim que o fizestes”.

Em Mt 18, 10: “Não desprezeis nenhum desses pequeninos, pois eu vos digo: os seus anjos nos céus veem continuamente a face de meu Pai que está nos céus”, ele reforça a dignidade dos pequenos. O motivo pelo qual ninguém deve ser desprezado é teológico: eles têm anjos que contemplam a face de Deus. Isso significa que, mesmo os mais fracos e sem importância aos olhos do mundo, são infinitamente preciosos aos olhos do Pai. Aqui aparece a base bíblica da doutrina dos anjos da guarda.

E é justamente após esse ensinamento que vem a referência aos anjos: aqueles que assistem os pequenos e que continuamente contemplam a face do Pai. Jesus declara, portanto, que cada pequenino tem diante de Deus uma dignidade infinita e uma proteção especial.

A palavra “anjo” vem do grego angelos, que significa “mensageiro”. Os anjos são criaturas espirituais, puramente imateriais, criados por Deus para O servir e adorar. Ao mesmo tempo, exercem uma missão em relação aos homens, acompanhando-os no caminho da salvação.

O Catecismo da Igreja Católica nos ensina:

  • “A existência dos seres espirituais, não corporais, que a Sagrada Escritura habitualmente chama de anjos, é uma verdade de fé” (CIC 328).
  • “Do seu começo até à morte, a vida humana é cercada pela sua proteção e intercessão” (CIC 336).

Na liturgia de hoje, celebramos de modo particular os Anjos da Guarda, ou seja, essa presença espiritual personalizada que acompanha cada ser humano. A Tradição da Igreja vê nesse cuidado divino uma expressão concreta do amor de Deus: Ele não nos abandona, mas coloca ao nosso lado um companheiro invisível que nos guia, nos inspira ao bem, nos protege do mal e nos conduz em direção à vida eterna.

Embora a expressão “Anjo da Guarda” não apareça de forma literal na Bíblia, encontramos diversos textos que confirmam sua missão protetora:

  1. Êxodo 23,20-23 – Primeira leitura da liturgia de hoje. Deus promete enviar um anjo à frente do povo, para guardá-lo e conduzi-lo à Terra Prometida. Aqui já se vê o anjo como presença concreta da providência divina.
  2. Salmo 90(91),10-11 – “Ele dará ordem a seus anjos para que te guardem em todos os teus caminhos.” Esse salmo é uma das expressões mais claras da confiança na proteção angelical.
  3. Mateus 18,10 – Evangelho de hoje: Jesus afirma que os anjos dos pequeninos veem continuamente a face do Pai. Isso revela, por um lado, a comunhão íntima que esses seres celestes têm com Deus, e por outro, a dignidade das pessoas que eles protegem.
  4. Atos 12,6-11 – O anjo que liberta Pedro da prisão. Aqui aparece a ação direta de um anjo guardando e conduzindo um apóstolo em perigo.

Esses textos mostram que os anjos são presença real e atuante na história da salvação, sempre a serviço da glória de Deus e do bem das criaturas humanas.

Desde os primeiros séculos, a Igreja reconhece a missão dos anjos na vida dos fiéis. Padres da Igreja como São Basílio Magno já afirmavam: “Cada fiel tem ao seu lado um anjo como protetor e pastor, para conduzi-lo à vida”.

Na Idade Média, São Bernardo de Claraval fez um famoso sermão sobre os anjos da guarda, no qual recorda que devemos honrá-los com respeito, confiar neles com devoção e amá-los com ternura.

A devoção popular aos anjos da guarda floresceu ao longo dos séculos, sendo confirmada na liturgia. Em 1608, o Papa Paulo V estendeu a festa dos Santos Anjos da Guarda a toda a Igreja, e hoje ela é celebrada como memória obrigatória no calendário romano.

Atualizando para nossa vida

Celebrar os Santos Anjos da Guarda é renovar nossa confiança na providência divina. Num mundo onde tantas vezes nos sentimos sozinhos, desprotegidos e vulneráveis, lembrar que Deus nos concede um anjo particular é motivo de esperança.

Ao mesmo tempo, o Evangelho de hoje nos pede que aprendamos das crianças a simplicidade e a humildade, para reconhecermos nossa dependência de Deus. Só quem se faz pequeno percebe a presença delicada dos anjos e se deixa conduzir por eles.

Portanto, a liturgia de hoje une dois grandes ensinamentos:

  • Do Evangelho: a necessidade da humildade e do cuidado com os pequeninos.
  • Da memória litúrgica: a certeza de que Deus nos acompanha de modo invisível por meio dos seus anjos.

O Anjo da Guarda é um sinal de que nunca estamos abandonados. Deus, em sua infinita bondade, confiou a cada um de nós um companheiro espiritual que nos guia no caminho do bem. O Evangelho nos ensina que esses anjos contemplam o rosto do Pai, e por isso sua missão é sempre fruto da intimidade com Deus.

Que, nesta memória dos Santos Anjos da Guarda, possamos abrir o coração para essa presença discreta e fiel, e viver com confiança e humildade, como crianças no colo de Deus.

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LITURGIA DO DIA: MEMÓRIA DE SÃO JERÔNIMO, BISPO E DOUTOR DA IGREJA

26ª Semana do Tempo Comum

Leituras: Zc 8,20-23 | Sl 86(87),1-3.4-5.6-7 (R. Zc 8,23) | Lc 9,51-56

Reflexão da Liturgia do Dia

O evangelho de hoje (Lc 9,51-56) mostra Jesus decidido a ir para Jerusalém, lugar do cumprimento de sua missão pascal. Ele não se deixa abalar pela rejeição dos samaritanos, nem cede ao ímpeto de vingança sugerido por Tiago e João. O Senhor ensina que o caminho do discípulo não é o da violência, mas o da fidelidade e da entrega amorosa, mesmo quando encontra incompreensão ou hostilidade.

Este trecho marca um ponto de virada no evangelho de Lucas. Até aqui, Jesus havia realizado sinais, ensinado às multidões e formado seus discípulos. No versículo 51, lemos: “Estava chegando o tempo de Jesus ser levado para o céu. Então ele tomou a firme decisão de partir para Jerusalém”. Aqui temos duas perspectivas importantes: Jerusalém é o lugar do cumprimento da sua missão: paixão, morte, ressurreição e ascensão. E também a “subida” não é apenas geográfica, mas teológica: é o caminho da obediência ao Pai.

No caminho, Jesus passa pela Samaria. Os samaritanos, por causa das tensões históricas com os judeus (antiga rivalidade sobre o local do culto), não o acolhem. Tiago e João, cheios de zelo, querem invocar o fogo do céu contra eles, lembrando talvez do episódio do profeta Elias (cf. 2Rs 1,10-12). Mas Jesus os repreende.

Na perspectiva teológico-litúrgica, este trecho nos coloca diante da Cristologia do caminho. A liturgia apresenta Jesus como o Servo obediente, que, em plena liberdade, assume a vontade do Pai e não se desvia da missão que lhe foi confiada. A decisão firme de partir para Jerusalém não é apenas um deslocamento geográfico, mas um movimento espiritual e teológico: é o caminho da entrega total, no qual a cruz se torna passagem necessária para a ressurreição e para a glória.

Esse “caminho” revela o rosto de um Messias que não busca triunfos fáceis nem evita a rejeição, mas que se define pelo amor radical e pela misericórdia. Em contraste com a atitude dos discípulos, que desejam recorrer ao fogo do céu para punir os que não acolhem o Mestre, Jesus indica uma nova lógica: a da não-violência, do perdão e da paciência. Assim, o discipulado cristão só se compreende à luz desse itinerário pascal, no qual a centralidade da cruz não é sinal de derrota, mas de fidelidade e de vitória do amor.

Na liturgia, essa dimensão do caminho se transforma em convite permanente para a comunidade: celebrar a Eucaristia é unir-se a Cristo que se oferece no altar como na cruz, e que nos chama a segui-lo na obediência, na perseverança e na esperança. Cada fiel é convidado a “subir com Ele a Jerusalém”, assumindo também os desafios da missão, sustentado pela certeza de que, ao final do caminho, está a vida nova da ressurreição.

Este evangelho também abre uma perspectiva eclesiológica muito clara. A missão da Igreja é universal e deve se manifestar sempre pela misericórdia. Diante do fechamento e da rejeição, a comunidade cristã não pode responder com intolerância ou violência, mas com perseverança e testemunho de amor. A Igreja é chamada a levar a Boa-Nova a todos os povos, mesmo quando encontra oposição, sem impor-se, mas oferecendo a fé como dom e convite. A liturgia ilumina esse ponto ao colocar em diálogo o evangelho com a profecia de Zacarias (1ª leitura), que anuncia o tempo em que “dez homens de todas as línguas agarrarão a orla da veste de um judeu e dirão: queremos ir contigo, pois ouvimos dizer que Deus está contigo”. Assim, a Palavra mostra que a salvação é para todos e que a Igreja é sinal desse projeto de comunhão universal.

Outro aspecto fundamental é a espiritualidade do discipulado. Tiago e João encarnam o risco do falso zelo, que confunde missão com poder e usa a violência como resposta ao não acolhimento. Jesus, ao repreendê-los, corrige essa visão e aponta a verdadeira identidade do discípulo: seguir o Mestre significa assumir a mansidão, a paciência e a lógica do amor. O fogo que consome não é o da vingança, mas o do Espírito que aquece os corações e transforma vidas. A liturgia nos convida, portanto, a rever nossas próprias atitudes diante das dificuldades da missão: não é a força que convence, mas a coerência com a cruz de Cristo. A paciência, a perseverança e o testemunho humilde são os sinais do verdadeiro seguidor do Senhor.

Em síntese, o brano de Lc 9,51-56, dentro da liturgia, inaugura o grande caminho de Jesus para Jerusalém. É uma catequese sobre decisão, rejeição e misericórdia.

  • Decisão: Jesus não hesita em cumprir a vontade do Pai.
  • Rejeição: o Evangelho pode ser recusado, e isso faz parte da missão.
  • Misericórdia: a resposta cristã não é condenação, mas perseverança no amor.

Assim, a perspectiva teológico-litúrgica é clara: Cristo caminha para entregar a vida por todos; a Igreja, unida a Ele, deve percorrer o mesmo caminho, renunciando à violência e testemunhando a misericórdia de Deus.

Portanto, na liturgia do dia, somos chamados a contemplar essa firmeza de Jesus e a aprender que, para seguir seus passos, precisamos cultivar paciência, misericórdia e perseverança. Muitas vezes, o anúncio do Evangelho encontra resistência, mas a resposta cristã deve sempre ser marcada pelo testemunho da paz e do amor que vem de Deus.

A primeira leitura (Zc 8,20-23) anuncia que povos de todas as nações buscarão o Senhor em Jerusalém. Essa profecia se cumpre em Cristo, que reúne em si a salvação para todos. Já o salmo recorda que todos os povos são chamados a fazer parte da cidade santa. Assim, a liturgia do dia nos faz olhar para a universalidade da missão da Igreja: acolher todos, sem distinção, no amor de Deus.

São Jerônimo e a Palavra de Deus

Hoje celebramos São Jerônimo, presbítero e doutor da Igreja, conhecido especialmente por sua dedicação às Sagradas Escrituras. Ele traduziu a Bíblia para o latim (a chamada Vulgata), tornando a Palavra de Deus acessível ao povo de seu tempo.

Neste 30 de setembro, encerrando o Mês da Bíblia 2025, dedicado ao estudo da Carta aos Romanos, a memória de São Jerônimo nos recorda a importância de amar, estudar e viver a Palavra de Deus. Assim como ele se deixou transformar pela Escritura, também somos convidados a deixar que a Palavra ilumine nossas escolhas e nos ajude a caminhar com firmeza na fé, com a mesma decisão de Cristo rumo a Jerusalém.

Vida de São Jerônimo (c. 347–420)

Jerônimo nasceu por volta do ano 347, em Estridão, região da Dalmácia (atual Croácia ou Eslovênia). Desde jovem, demonstrou grande inteligência. Foi enviado a Roma para estudar, onde se destacou como aluno aplicado em gramática, retórica e filosofia. Embora levasse inicialmente uma vida voltada para os prazeres, foi profundamente tocado pela experiência da fé. Batizado na juventude, começou a dedicar-se intensamente à vida cristã.

Após viagens pelo Oriente, Jerônimo optou por uma vida de penitência e oração no deserto da Síria. Ali, mergulhou no estudo das Escrituras, aprendendo grego e hebraico para melhor compreender os textos bíblicos. Em 382, foi chamado a Roma e se tornou secretário do Papa Dâmaso I. A pedido dele, iniciou uma tarefa monumental: revisar e traduzir a Bíblia para o latim. Essa tradução ficou conhecida como Vulgata, e por séculos foi a versão oficial da Igreja.

Depois da morte do Papa, Jerônimo mudou-se para Belém, onde fundou um mosteiro. Ali, viveu até sua morte, dedicando-se à oração, ao estudo bíblico e à escrita. Faleceu em 30 de setembro de 420, em Belém.

Contribuições de São Jerônimo:

A Vulgata, sua tradução da Bíblia para o latim, tornou-se um marco na história da Igreja. Com ela, São Jerônimo ofereceu à comunidade cristã de seu tempo uma Palavra acessível, clara e compreensível, permitindo que a Escritura fosse rezada, estudada e vivida por todos.

No campo do estudo bíblico, destacou-se como pioneiro da exegese cristã. Com dedicação incansável, aprofundou-se nas línguas originais: o hebraico e o grego, para captar a riqueza e a fidelidade do texto sagrado.

Seus escritos (cartas, comentários bíblicos e tratados) permanecem até hoje como fonte preciosa para a teologia, a espiritualidade e a vida pastoral, testemunhando a profundidade de seu pensamento e a força de sua fé.

Mas é sobretudo no seu testemunho de amor à Palavra que resplandece sua herança espiritual. Ele mesmo sintetizou essa paixão numa frase que atravessa os séculos: “Ignorar as Escrituras é ignorar a Cristo.”

São Jerônimo era um homem de temperamento forte, mas de coração totalmente entregue a Deus. Sua vida mostra que a fidelidade à Palavra exige esforço, estudo e dedicação, mas também humildade diante do mistério de Deus. É considerado Padroeiro dos estudiosos da Bíblia, dos tradutores e dos que se dedicam ao aprofundamento das Escrituras.

Rezar com o ícone de São Jerônimo

Ao contemplar o ícone de São Jerônimo, somos convidados a entrar no silêncio do deserto interior. O santo aparece como eremita, de barba branca e olhar profundo, lembrando-nos que a verdadeira sabedoria nasce da escuta de Deus.

O fundo dourado revela que sua vida foi transfigurada pela luz divina: quem se deixa conduzir pela Palavra participa já da glória do Senhor. As vestes marrons recordam sua humildade e penitência, a terra que acolhe a semente do Espírito. O livro em vermelho nos fala do ardor e da paixão com que ele amou as Escrituras, oferecendo sua vida ao serviço da Igreja. O branco de seus cabelos e barba é sinal da pureza e da maturidade espiritual que brotam da fidelidade.

O livro aberto em suas mãos é a Palavra de Deus, que ele traduziu e meditou, tornando-se para a Igreja um mestre e doutor. Ao rezar diante deste ícone, podemos pedir a graça de amar mais profundamente as Escrituras, deixando que elas transformem nosso coração.

O leão aos seus pés recorda a lenda de sua compaixão: quem acolhe até a dor das criaturas mais temidas, acolhe também a própria humanidade ferida. Rezar com este detalhe do ícone nos convida a pedir a virtude da misericórdia e da coragem. O leão ao seu lado faz referência à famosa lenda segundo a qual Jerônimo retirou um espinho da pata de um leão, que depois se tornou seu companheiro fiel.

As vestes simples e o rochedo indicam desapego, penitência e vida ascética. São Jerônimo nos lembra que a busca pela verdade exige humildade, disciplina e silêncio.

Rezar diante do ícone de São Jerônimo é deixar-se conduzir por sua memória e testemunho. É pedir o dom de um amor sempre renovado pela Palavra de Deus, que ilumina e orienta cada passo. É suplicar a sabedoria que brota da escuta atenta e obediente, capaz de discernir a vontade divina nas pequenas e grandes escolhas da vida. É buscar a coragem para viver na fidelidade, mesmo quando o caminho exige renúncias e firmeza interior. E é, por fim, abrir o coração à compaixão diante das feridas do mundo, para que a Palavra acolhida se torne gesto de cuidado, justiça e misericórdia.

Que o mesmo Espírito que guiou São Jerônimo no deserto e no estudo das Escrituras, nos guie também no caminho da oração e da vida cristã.