Mensagem da Madre Geral das Pias Discípulas pelo 25º Dia Mundial da Vida Consagrada

Abaixo, na integra, a carta circular númeo 1 deste ano, com a mensagem celebrativa pelo 25º Dia Mundial da Vida Consagrada e Festa da Apresentação do Senhor.

———— CIRCULAR N. 1 ————-
Pie Discepole del Divin Maestro – Casa Generalizia
Roma, 31 de janeiro de 2021
Dia do Senhor

Queridas irmãs,
recebemos una carta afetuosa do Card. João Braz de Aviz, Prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, por ocasião do XXV Dia da Vida consagrada que celebramos no próximo 02 de fevereiro, com todo o povo fiel de Deus.
É uma mensagem que convido a acolher com profunda gratidão. Com palavras animadas pela esperança e cheias de participação fraterna, reflete sobre a situação particular e dramática em que estamos imersas, solidárias com toda a humanidade. E nos convida a superar a tentação de nos recuar, lamentarmos, e fechar os olhos, ouvindo, ao invés, as entranhas da misericórdia, como o samaritano que se fez próximo do infeliz encontrado ao longo do caminho.
Ele nos dirige o apelo direto para focar na Encíclica do Papa Francisco Fratelli tutti: “Consagradas e consagrados em institutos religiosos, monásticos, contemplativos, institutos seculares e novos institutos, membros do ‘ordo virginum’, eremitas, membros das sociedades de vida apostólica, pedimos a todos vocês que coloquem esta Encíclica no centro de sua vida, formação e missão. De agora em diante, não podemos ignorar essa verdade: somos todos irmãos e irmãs, como rezamos, talvez não com tanta consciência, no Pai nosso, porque “Sem uma abertura ao Pai de todos, não pode haver razões sólidas e estáveis para o apelo à fraternidade” (FT n. 272)»
A partir de nossa comunidade vocacional abrimos nossos olhos para as sombras de um mundo fechado e, na escola do Evangelho, aprendemos a pensar e gerar um mundo aberto, com um coração aberto para o mundo inteiro. Portanto, imediatamente, no diálogo e favorecendo a amizade social, abrimos caminhos de novos encontros.
Sem esconder-nos as muitas feridas à fraternidade que provocamos todos os dias, ou as sofremos, na vida em comunidade, juntas reencontramos as raízes da profecia da vida consagrada. Firmes e enraizadas nela, descobriremos a beleza do que professamos na vida: O amor de Cristo nos reuniu para tornar-nos uma só família de suas discípulas. Como Ele e graças a Ele, no Espírito, podemos responder ao mandamento: “amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e com toda a tua força e amarás o teu próximo como ti mesmo”. Reunidas no seu Nome, e não só por motivos humanos, desejamos ser um sinal humilde e plausível da misericórdia do Pai que opera maravilhas (RV 73).
Todas, independentemente da idade ou situação de vida, somos habilitadas a ser esta profecia: sinal humilde e possível da misericórdia do Pai, que opera em nós e ao nosso redor suas maravilhas. São palavras sobre as quais refletir e, fazê-las descer no profundo da consciência, para que se enraízem e deem bons frutos. Nos ungimos mutuamente com o bálsamo do perdão, da cura e da ternura eucarística – como diz o papa Francisco – que atinjamos à uma vida de fé e de intimidade com Deus, para ser reconhecidas por aquilo que somos: discípulas de Jesus Mestre (cf. Jo 13, 34 – 35).
Nessas semanas temos a alegria de acolher entre nós, definitivamente, as juniores que emitem a Profissão Perpétua – em Burkina Faso, Coreia, Índia,–; as noviça que emitem a profissão religiosa temporária – no Congo, na Coreia, nas Filipinas,– e outras jovens que estão progredindo no caminho formativo. É uma bela oportunidade para nos lembrar, realisticamente, que não é importante ser numerosas, mas ser acesas. Como o Bemaventurado Padre Alberione muitas vezes repete: “Ser acesas para iluminar”.
No dia 10 de fevereiro, celebraremos juntas a Festa dos inícios na memória daquele dia em que tudo teve, publicamente, princípio. Na gratidão por Madre Escolástica Rivata e pelas Irmãs, por ela escolhidas para constituir a primeira comunidade de Pias Discípulas, entramos, idealmente, em diálogo com elas para ouvir delas “como era no princípio “. Não se trata apenas de fazer um exercício de reconstrução histórica, mas de deixar emergir do profundo de mim mesma aquilo que da experiência carismática das primeiras Madres ainda hoje me regenera e me dá alegria. De fato, o carisma das origens é a experiência do Espírito que, de geração em geração, chegou até nós. E hoje, em cada uma de nós, ele é vivido, guardado, aprofundado e constantemente desenvolvido em harmonia com o corpo de Cristo em constante crescimento (cf. MR 11).
O inovador compositor e maestro Gustav Mahler (1860-1911) dizia: “Tradição é guardar fogo, não adorar cinzas”. Eu me pergunto: O que resta, em nós e entre nós, do “fogo dos inícios”? A quem, na comunidade eclesial, ou civil, oferecemos um lugar em torno desse “fogo dos inícios” para continuar a se aquecer, reavivar-se, encontrar conforto e sentido da vida?
A partilha fraterna das respostas a estas perguntas favoreça entre nós a experiência da narração de vida, em encontros comunitários nutritivos, que alimentem o crescimento na fé e na alegria da vocação, para que a Palavra de Deus corra e seja glorificada.

Ir. M. Micaela Monetti, superiora geral

PDDM: FORMAÇÃO AO NOVO GOVERNO DA PROVÍNCIA DO BRASIL

De 28 de janeiro a 07 de fevereiro, acontece a formação ao governo da Província Brasil das Pias Discípulas do Divino Mestre. A ir. Maria Lidia Natsuko Awoki, vigária geral, está presente neste processo. 

Em carta protocolar do Governo Geral, datada de 19 de janeiro de 2021, a Ir. M. Micaela Monetti, superiora geral, saúda as irmãs e jovens em formação da Província do Brasil e faz-se presença fraterna entre as irmãs. 

Participam desta formação, as irmãs do governo anterior (2018-2020): Vigária Provincial – Ir. Clarinda Piassi; Secretária Provincial – Analice Lúcia Balestrin e Ecônoma e conselheira Provincial – Ir. Ana Patrícia Reinaldo de Oliveira; as conselheiras Ir. Soênia Brito e Ir. Isabel Tonon. E as irmãs que assumem o ministério neste próximo triênio (2021-2023): Ir. Marilez Furlanetto, reeleita provincial; Ir. Mª Teresinha Lubiana, Vigária provincial; as conselheiras Ir. Kelly Silva de Oliveira, Ir. Luciana Tonon, Ir. Vera Maria Galvan; Ir. Mª Edilaine Alves de Souza, Ecônoma provincial. A ir. Julia Cristina de Almeida, secretária, não participa deste momento formativo porque não conseguiu se deslocar para São Paulo, por conta da Pandemia.

Para a formação deste novo governo, a Madre Geral na sua carta motivou a todas para este momento diferente, mas memorável para a vida comunitária das Pias Discípulas. 

Em carta, a Ir. M. Micaela anima:

Não obstante a grave crise produzida pela pandemia em curso, Ir. M. Lidia Awoki, vigária geral, pôde viajar e entrar no Brasil.

A presença dela entre vocês manifesta a comunhão e a participação do governo geral na vida das comunidades das Pias Discípulas no Brasil. É também a oportunidade de reavivar entre nós o já profundo sentido de pertença à Congregação, sentir-nos parte integrante de um organismo internacional e intercontinental que só deseja contribuir para a difusão do Reino de Deus no mundo seguindo Jesus Mestre, Caminho, Verdade e Vida.

Ela foi por mim delegada para a formação ao serviço do governo provincial composto por Ir. Marilez Furlanetto, por suas conselheiras, pela ecônoma e pela secretária. Com um programa acordado em precedência, elas estarão empenhadas a partir de 28 de janeiro próximo, pelos dias sucessivos necessários.

Em diálogo com Ir. Marilez Furlanetto, superiora provincial, e as outras irmãs do governo, serão tomados em consideração os aspectos prioritários para o caminho da Província, rumo a 2023, na comunhão eclesial e de Família Paulina.

Nesta visita, entre irmãs em Cristo, procurarão individuar, juntas, a vida nova que flui na fraternidade, no empenho apostólico e de santificação, de todas e de cada uma. Aquela vida que, a partir do 9° Capítulo geral, desejamos deixar emergir livre e alegre, como testemunho de que, encontrar Jesus e segui-lo como discípulas, no século XXI, dá alegria e sentido à existência. De fato, a vida nova é Ele, o Divino Mestre que vive em nós, em crescimento contínuo até a plena estatura de pessoa perfeita, que deseja doar a própria vida para que o mundo creia e possa participar da alegria do Evangelho.

Na alegria e na paz, que São Paulo deseja às comunidades cristãs, acompanho vocês com afeto.

No dia 28/01/2021, o dia iniciou com a leitura da carta acima. A seguir, Ir. M. Lidia conduziu um momento de oração com a leitura dos textos litúrgicos do dia: 1ª Leitura – Hb 10,19-25; Salmo 23 (24),1-2. 3-4ab. 5-6 (R. Cf. 6); e Evangelho – Mc 4,21-25. A partir do Evangelho e leitura de Hebreus fez uma reflexão focando na dimensão do “olhar e o prestar atenção”. Provocou a participação e partilha entre as irmãs a partir da pergunta: “Estes últimos trinta dias, como prestei atenção em minha pessoa em minha comunidade?”.  Ir. Marilez Furlanetto conduziu a apresentação do relatório da Província do triênio 2018-2020.

No dia 29/01 Ir. Ana Patrícia Reinaldo apresentou o relatório no que se refere à comunhão dos bens. Também no neste dia 29/01, aconteceu um breve momento online com a Ir. M. Micaela, expressando a comunhão com a superiora geral, partilhando a alegria e a disponibilidade do serviço.

Este momento formativo continuará dia 30/01 com uma jornada de intensa oração e partilha. 

Acompanhemos nossas irmãs com nossas orações.

ATENÇÃO: PARA AS FOTOS ABAIXO, AS IRMÃS RETIRARAM AS MÁSCARAS. DURANTE TODO O EVENTO, ESTÃO SENDO USADAS AS MÁSCARAS, ÁLCOOL EM GEL E TENTADO RESPEITAR O DISTANCIMENTO ENTRE IRMÃS.

Agora se começa! Caminhando rumo à abertura do Ano Bíblico da Família Paulina

Estamos nos preparando para celebrar o Ano Bíblico da Família Paulina (o terceiro, depois do de 1960-1961, desejado pelo Fundador, e o de 1991-1992, promovido pelos Superiores Gerais de nossas Congregações). O ano bíblico que abriremos em 26 de novembro tem, no entanto, algumas peculiaridades que o tornam, pelo menos em parte, também um “Centenário” de eventos importantes que não devem ser desperdiçados.
Em 15 de setembro de 1920, o Papa Bento XV, promotor da Obra Nacional para a Boa Imprensa, promulga a Encíclica Spiritus Paraclitus, colocando a divulgação e a leitura do Novo Testamento no coração da Boa Imprensa: «Tanto quanto cabe a nós, Veneráveis Irmãos, nunca deixaremos, seguindo o exemplo de Jerônimo, de exortar a todos os cristãos a ler diariamente e intensamente, sobretudo os santíssimos Evangelhos de nosso Senhor, bem como os Atos dos Apóstolos e as Epístolas, de modo a transformá-los em substância e sangue vitais».
A exortação do papa foi imediatamente acolhida por Alberione. Vários anos depois (em 1962), em uma de suas cartas, Pe. Alberione faz de 1920-1921 a fonte de seu intenso serviço à Palavra: «A difusão da Boa Imprensa foi a cooperação que teve a maior implementação, principalmente depois para a difusão do Evangelho, do qual centenas de milhares de cópias já em 1920-1923 foram editadas». Isso é confirmado por uma meditação de 1960 às Pias Discípulas do Divino Mestre, na qual o Ano Bíblico de 1960-1961 está enraizado no espírito das origens: «Em 1920-1922, escrevi na Vida Pastoral e no Cooperador: “Em toda família haja o Crucifixo, a imagem de Nossa Senhora e haja o Evangelho”. Agora digamos, com um passo à frente: “Em toda família: o crucifixo, a imagem de Nossa Senhora e a Bíblia completa”. Que ela seja bem honrada, lida e posta em prática: ou seja, os ensinamentos dados sejam recebidos, acolhidos».
Alguns meses depois, em abril de 1921, o Primeiro Mestre [Alberione] enfatiza: «Há uma coisa em particular a qual é bom ter muita consideração: acima de tudo, a Casa é para a divulgação do Evangelho, é uma missão moderna; como uma Igreja onde a luz da verdade deve brilhar». E este é precisamente o ano em que a “produção própria” parece começar: «Nossa primeira iniciativa bíblica foi realizada em 1921, quando imprimimos a primeira tradução dos Salmos com a nova tradução. Foi um passo notável na época: antes não houve nada parecido. Em seguida, promovemos a impressão de centenas de milhares de Evangelhos» (o texto é retirado de uma meditação às FSP de 1961). Um serviço tornado possível graças ao envolvimento de cooperadores generosos: «Em 1921, um de nossos cooperadores de Cortemilia (Cuneo) se ofereceu para mandar imprimir as primeiras 100.000 cópias dos Evangelhos por sua conta. Um de nossos padres, que atualmente é o Provincial da Espanha, foi encarregado de cuidar da difusão do referido Evangelho nas várias dioceses e paróquias, servindo-se, para esse fim, de grupos de cooperadores dispostos e zelosos. A iniciativa encontrou a concordância de muitos bispos e numerosos párocos, que organizaram depósitos de Evangelhos que depois eram distribuídos entre os paroquianos» (carta de 17 de março de 1962).
Mas há outro evento, de fundamental importância, que nos aproxima do início de nosso apostolado bíblico: a mudança definitiva entre julho e agosto de 1921 da Via Vernazza para a atual Casa Mãe em Alba. De acordo com a cuidadosa introdução ao Donec formetur Christus in vobis, feita por Pe. Antonio F. da Silva, este seria o período da famosa “graça de confirmação” a que devemos as três frases escritas em todas as nossas capelas (“Não temais: estou convosco! Daqui quero iluminar! Tende a dor dos pecados”). O Primeiro Mestre apresenta a entrada na Casa Mãe em um texto intitulado L’Opera di Dio: «A Escola Tipográfica de Alba foi aberta há sete anos em agosto de 1914. Foi um período inteiro de preparação, de sábio aprendizado, um estágio… Portanto, agora devemos começar. Por isso, a Casa toma o seu verdadeiro nome “Pia Sociedade de São Paulo”, deixando pouco a pouco aquele da preparação, e assim são constituídas as suas seções masculina e feminina» (UCBS, 15 de julho de 1921, p. 8).
Os passos estão maduros para que a Pia Sociedade de São Paulo, em 5 de outubro de 1921, seja oficialmente estabelecida, com a profissão dos votos dos primeiros paulinos e a solene inauguração da casa. É o próprio bispo de Alba, Dom Re, a acolher a profissão dos votos dos 14 alunos “mais velhos” e abençoar as novas instalações. Alberione fala de uma «proteção visível do Senhor; por Ele desejada, por Ele guiada, por Ele trazida… [A Casa reúne] catorze pessoas do ramo masculino, oito do ramo feminino que se consagraram ao apostolado da boa imprensa». E na Casa reina uma convicção: «Os tempos apostólicos revivem!».
100 anos depois, o Ano Bíblico nos convida a beber desta “fonte”, levandonos ao coração de nosso serviço à Palavra, para que os tempos apostólicos ainda revivam!

Pe. Giacomo Perego, ssp

ORAÇÃO PARA O ANO BÍBLICO 2020-2021

Ó Jesus,
verdadeira luz que ilumina a humanidade, viestes do
Pai para ser nosso Mestre e nos ensinar seu
caminho na verdade:
Vida e Espírito são as “palavras” que nos destes.
Concedei-nos conhecer os mistérios de Deus e
suas incompreensíveis riquezas.
Mostrai-nos todos os tesouros da sabedoria e da
ciência de Deus, que em vós estão guardados.
Fazei com que a Palavra habite nossa vida, e
ilumine nossos passos.
Fazei com que a Palavra se espalhe rapidamente e
chegue até os confins da terra.
Maria Rainha dos Apóstolos e os santos Pedro e Paulo sejam nosso exemplo, inspiração e guia.
Amém.

Oração livremente inspirada no texto de Pe.Alberione, Leggete le Sacre Scritture(p.320).

Atos dos Apóstolos e a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos

 “Eles nos demonstraram uma benevolência fora do comum” (At 28,2), lema escolhido para esta semana de oração: “24 a 31 de maio”. As pessoas que haviam sofrido um naufrágio, durante a viagem de Paulo a Roma, foram acolhidas com generosidade pelos habitantes da ilha de Malta. Essa ilha, situada no coração do mar Mediterrâneo, marca o encontro de civilizações, culturas e religiões. A leitura de “Atos dos Apóstolos 27,18–28,10”, utilizada na festa em Malta para celebrar a chegada da fé cristã através de Paulo, é o texto indicado para iluminar a oração e as celebrações pela unidade dos cristãos, no respeito às diferenças e comunhão na diversidade. O texto bíblico mostra o drama enfrentado pelos diversos grupos de passageiros do navio, para vencer as divisões e garantir a vida para todos em meio à tempestade. A travessia do mar Mediterrâneo reflete também a situação de tantos migrantes e refugiados em busca de vida mais digna.

& Atos dos Apóstolos 27,18–28,10, últimos capítulos do livro que foi escrito em torno do ano 90 da era cristã, quando a perseguição aumentava com o imperador Dominicano (81–96).  Segundo Fernando Altemeyer, o livro dos Atos dos Apóstolos se estrutura em cinco grandes sessões ou blocos:

1. Origens da Igreja em Jerusalém, onde a questão ecumênica está no conflito com o judaísmo legalista. O preço humano desse conflito serão as vidas ceifadas de Estevão e Tiago.

2. Perseguição e missão ecumênica: de Jerusalém a Antioquia, onde a crise ecumênica se situará no encontro das diversas identidades culturais dos samaritanos, antioquenos e etíopes. Aqui vivemos a conversão de Paulo e a perseguição de Pedro.

3. Primeira viagem e Concílio, sendo questão chave no ecumenismo o debate em Jerusalém sobre a circuncisão e os costumes judaicos.  A proclamação de Pedro e o decreto conciliar abrirão caminho para a liberdade ecumênica sem rupturas internas.

4. Grande viagem e fundação das Igrejas na Ásia e na Grécia, sendo o tema ecumênico central a inserção do Evangelho de Cristo no mundo cultural grego e o confronto com as autoridades e estruturas imperiais de Roma.

5. Paulo prisioneiro, desde Jerusalém (ano 58) e Cesareia, e o complexo processo diante de Félix com a narração da viagem à capital do Império, Roma (no outono-inverno do ano 60), e sua prisão domiciliar entre os anos 61-63.

Paulo de Tarso é o defensor de metodologia e pedagogia ecumênicas, marcadas pela abertura e pela superação de imposições. De perseguidor a evangelizador, vive na carne o drama das primeiras divisões entre os cristãos. O clímax da crise ele vive na Igreja de Éfeso. A experiência pessoal de Damasco irá impregnar-se em seus atos e palavras. Sua conversão constitui-se na reviravolta histórica fundamental no movimento cristão primitivo. Depois do que Paulo viveu ali em Damasco, tudo será feito como uma grande tarefa ecumênica.  O “néo-apóstolo ecumênico”, após permanecer três dias sem ver, comer e beber, está preparado para empreender o caminho novo. Escreve cartas para animar e superar conflitos e preconceitos. Fala do único corpo de Cristo em suas epístolas e realiza viagens para costurar e compor um corpo firme e unido. Paulo reconhece que todos têm a possibilidade de conhecer a vontade de Deus e viver o Evangelho (Vida Pastoral – Julho-Agosto de 2001).

& Atos dos Apóstolos 27,1-12: “Embarque para Roma”

A viagem a Roma é consequência do recurso de Paulo ao imperador (25,11; 26,32), mas também a realização de um projeto apostólico (19,21) e de um desígnio providencial (23,11). Paulo viaja em companhia de outros prisioneiros e do centurião com seus soldados. A navegação dependia de ventos favoráveis. A escala em Sidônia possibilitaPaulo “encontrar seus amigos e receber assistência deles” (27,3). Ao chegar a Mira, embarcam em um navio comercial vindo de Alexandria, no Egito, carregado de trigo (27,38) e com outros passageiros. Em Bons Portos tiveram que decidir os rumos da viagem. Já havia passado o “jejum”, o Dia da Expiação celebrado entre o fim de setembro e o início de outubro, e aproximava-se o inverno, quando a navegação era suspensa. Paulo aconselha a permanecer ao abrigo de Creta, a fim de preservar a carga, o navio e, sobretudo as vidas. O piloto queria chegar a Fênix, um porto de Creta mais seguro para passar o inverno. O centurião desejava continuar a viagem e prevalece sua opinião.

& Atos dos Apóstolos 27,13-26: “A tempestade”

O início do inverno no mar Mediterrâneo oriental se caracterizava pela formação de repentinas tempestades. Em tais circunstâncias abandonar a costa meridional de Creta era uma decisão imprudente, pois a embarcação ficava exposta a fortes ventos do norte como o “euraquilão”. Por isso, enfrentaram uma violenta tempestade e o apóstolo Paulo lembra sua predição profética para não deixar Creta. Neste momento difícil, a presença de Paulo anima a esperança dos tripulantes e passageiros:Convido a manter a coragem; pois nenhum de vós perderá a vida” (27,22). Deus manifesta seu plano salvífico mediante o apóstolo Paulo, que transmite confiança a todos os seus companheiros de travessia: “Confio em Deus, que tudo acontecerá como me foi dito” (27,23-25).  “Devemos encalhar em alguma ilha”.

& Atos dos Apóstolos 27,27-44: “Salvos do naufrágio”

 O navio continuava à deriva no mar “Adriático”, parte do Mediterrâneo entre Creta (Grécia) e a Cicília (Itália). Os marinheiros pressentem a aproximação de terra e têm a intenção de abandonar o navio. Paulo comunica paz, promove o diálogo e a colaboração entre todos os passageiros. Ele mesmo se fortalece ao “tomar o pão, dar graças a Deus, partir o pão e comer”, exemplo que reanima todos a se alimentarem também (27,33-38). Esta comida tem sentido eucarístico e o barco neste momento simboliza as comunidades dos seguidores de Cristo, navegando entre ondas tormentosas, porém oferecendo segurança aos que estão a bordo.  O navio finalmente encalha, mas os soldados decidem matar os prisioneiros, os mais vulneráveis (27,41-42). A vida dos descartáveis é conservada em vista de Paulo, instrumento de salvação ao qual Deus confiou a vida de todos os seus companheiros de viagem (27,24).  Assim, “todos chegaram sãos e salvos em terra”.

& Atos dos Apóstolos 28,1-10: “Paulo em Malta”

Malta, com seus portos, servia de base para o comércio no mar Mediterrâneo e era utilizada para passar o inverno. Os que haviam sofrido o naufrágio foram acolhidos com amabilidade: “Eles nos demonstraram uma benevolência fora do comum” (28,2). Unidos ao redor do fogo com os povos da ilha, os grupos que estavam no navio superam as divisões e fortalecem a comunhão na diversidade. “Acolhida e hospitalidade” (28,7) contribuem para o apóstolo Paulo evangelizar, mesmo sob a total vigilância da tropa. A víbora, o poder opressor (Mc 16,18; Lc 10,19) não impede o prisioneiro Paulo de realizar sinais libertadores em favor da vida e dignidade das pessoas.  O pai de Públio, governador da ilha, estava doente e “Paulo foi visitá-lo, rezou, impôs-lhe as mãos e o curou” (28,8). Os habitantes da ilha reconhecem que o apóstolo Paulo é sinal da presença de Deus: “Os doentes vinham ter com ele e eram curados” (28,9).  Eles nos deram numerosas provas de estima, e quando partimos “proveram-nos de todo o necessário” (28,10).  Acolhem com gratidão a Boa Nova que chega por meio de Paulo, o apóstolo de todas as gentes.

O cuidado, a solidariedade demonstra sintonia com Jesus e seu projeto (Mt 25,31-46). O papa Francisco fala dos migrantes e refugiados, forçados como Jesus Cristo a fugir. Convida a acolher, proteger, promover e integrar os deslocados. Quase todos os dias, a televisão e os jornais dão notícias de refugiados que fogem da fome, guerra e outros perigos graves, em busca de segurança e de uma vida digna para si e para as suas famílias. Em cada um deles, está presente Jesus, forçado – como no tempo de Herodes – a fugir para Se salvar. Os conflitos e as emergências humanitárias, agravadas pelas convulsões climáticas, aumentam o número dos deslocados e se repercutem sobre as pessoas que já vivem em grave estado de pobreza. Muitos dos países atingidos por estas situações carecem de estruturas adequadas, que permitam atender às necessidades daqueles que foram deslocados. 

            A pandemia recordou-nos como é essencial a corresponsabilidade, pois só é possível enfrentar a crise com a contribuição de todos, mesmo de categorias frequentemente subestimadas. Devemos encontrar a coragem de abrir espaços onde todos possam sentir-se chamados e permitir novas formas de hospitalidade, de fraternidade e de solidariedade.  É necessário colaborar para construir. O apóstolo Paulo recomenda a superar as divisões e a permanecer unidos no mesmo espírito(1Cor 1,10). A construção do Reino de Deus é um compromisso comum a todos os cristãos. Para salvaguardar a Casa Comum e torná-la cada vez mais parecida com o plano original de Deus, devemos empenhar-nos em garantir a cooperação internacional, a solidariedade global e o compromisso local, sem deixar ninguém de fora.

No próximo dia 24 de maio terá início o Ano Especial dedicado à “Laudato Si”. No Brasil, em particular, é urgente concretizar essa Encíclica no contexto da Amazônia. Estamos bem próximos do ponto de não retorno, à beira da desertificação desse bioma. O Grito da terra e dos pobres na Amazônia chega ao limite, denuncia Pe. Dario Bossi. E, com a pandemia, todos estamos na mesma tempestade mesmo se, em barcos muito diferentes: alguns mais frágeis, outros mais fortes. Porém, mais uma vez, os mais pobres estão sendo as maiores vítimas de um mundo desajustado que traiu o sonho de Deus.

Que o clamor em prol de vida digna para todos leve a superar as divisões e desigualdades como propõe o apóstolo Paulo ao dizer: “Não há mais judeu ou grego, escravo ou livre, homem ou mulher, pois todos vós sois um só em Cristo Jesus” (Gl 3,28). Ao longo desta semana de oração pela unidade dos cristãos, invoquemos confiantes: “Vinde, Espírito de Deus, e enchei os corações dos fiéis com vossos dons! Acendei neles o amor como um fogo abrasador! Vós que unistes tantas gentes, tantas línguas diferentes numa fé, na unidade e na mesma caridade”.     

Irmã Helena Ghiggi, da congregação Discípulas do Divino Mestre.

REZAR O TERÇO

O Papa Franciso motivou a oração do rosário para todo este mês de maio. No calendário popular, dedicamos este mês a Maria, Mãe de Jesus. A oração do Terço (ou Rosário) é uma oração milenar da igreja. Segundo a Carta Apostólica ROSARIUM VIRGINIS MARIAE, “o Rosário situa-se na melhor e mais garantida tradição da contemplação cristã. Desenvolvido no Ocidente, é oração tipicamente meditativa e corresponde, de certo modo, à « oração do coração » ou « oração de Jesus » germinada no húmus do Oriente cristão”.

Ainda na introdução desta Carta Apostólica, o Papa João Paulo II motiva para a oraçao: “Na sobriedade dos seus elementos, concentra a profundidade de toda a mensagem evangélica, da qual é quase um compêndio. Nele ecoa a oração de Maria, o seu perene Magnificat pela obra da Encarnação redentora iniciada no seu ventre virginal. Com ele, o povo cristão frequenta a escola de Maria, para deixar-se introduzir na contemplação da beleza do rosto de Cristo e na experiência da profundidade do seu amor. Mediante o Rosário, o crente alcança a graça em abundância, como se a recebesse das mesmas mãos da Mãe do Redentor”. 

Assim somos convidados a contemplar Cristo por Maria. A contemplação de Cristo tem em Maria o seu modelo insuperável. O rosto do Filho pertence-lhe sob um título especial. Foi no seu ventre que Se plasmou, recebendo d’Ela também uma semelhança humana que evoca uma intimidade espiritual certamente ainda maior. À contemplação do rosto de Cristo, ninguém se dedicou com a mesma assiduidade de Maria. Os olhos do seu coração concentram-se de algum modo sobre Ele já na Anunciação, quando O concebe por obra do Espírito Santo; nos meses seguintes, começa a sentir sua presença e a pressagiar os contornos. Quando finalmente O dá à luz em Belém, também os seus olhos de carne podem fixar-se com ternura no rosto do Filho, que envolveu em panos e recostou numa manjedoura (cf. Lc 2, 7).

Como rezar o terço?

A partir da cruz, siga as orações na sequência indicada

  • Inicia-se segurando pela cruz, com o Sinal a Cruz, Oferecimento do Terço e a oração do Creio (ver orações abaixo)
  • Reza-se um Pai-Nosso, seguido de três Ave-Maria.
  • Recita-se: Glória ao Pai, ao Filho…
  • O terço possui 5 dezenas. A cada dezena contempla-se o mistério, seguido de 1 Pai-Nosso e 10 Ave-Maria
  • Ao final de cada dezena reza-se Glória ao Pai seguido da jaculatória Oh! meu bom Jesus… (vide orações abaixo)
  • Ao concluir as 5 dezenas, reza-se os agradecimentos

Orações do Terço

Oferecimento do Terço (reza-se no início)

Divino Jesus, eu vos ofereço este terço (Rosário) que vou rezar, contemplando os mistérios de nossa Redenção. Concedei-me, pela intercessão de Maria, vossa Mãe Santíssima, a quem me dirijo, as graças necessárias para bem rezá-lo para ganhar as indulgências desta santa devoção.

Creio em Deus Pai

Creio em Deus Pai todo-poderoso, Criador do céu e da terra, e em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor, que foi concebido pelo poder do Espírito Santo, nasceu da Virgem Maria, padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado; desceu à mansão dos mortos; ressuscitou ao terceiro dia; subiu aos céus, está sentado à direita de Deus Pai todo poderoso, donde há de vir julgar os vivos e os mortos. Creio no Espírito Santo, na Santa Igreja Católica, na comunhão dos santos, na remissão dos pecados, na ressurreição da carne e na vida eterna. Amém.

Pai Nosso

Pai Nosso que estais no Céu, santificado seja o Vosso nome, venha a nós o Vosso reino, seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje; perdoai-nos as nossa ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal. Amém.

Ave Maria

Ave Maria cheia de graça, o Senhor é convosco, bendita sois vós entre as mulheres e bendito é o fruto do vosso ventre Jesus. Santa Maria Mãe de Deus, rogai por nós pecadores, agora e na hora de nossa morte. Amém.

Glória ao Pai

  • Glória ao Pai, ao Filho e o Espírito Santo. Como era no princípio, agora é sempre. Amém.

Oh! Meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno, levai as almas todas para o céu e socorrei principalmente as que mais precisarem. Amém.

 Na oração do Rosário contemplam-se todos os mistérios. No caso da oração do Terço, contempla-se um dos mistérios, conforme dias e mistérios a seguir:

Mistérios Gozosos (segundas e sábados)

1º Mistério – Encarnação do Filho de Deus
No primeiro mistério contemplemos a Anunciação do Arcanjo São Gabriel à Nossa Senhora. Disse o Anjo à Maria: “Eis que conceberás e darás à luz um filho e o chamarás com o nome de Jesus”. Disse então Maria: “Eu sou a serva do Senhor; faça-se em mim, segundo a tua palavra”. (Lc 1,31.37)
Intenção: aprendamos e peçamos a humildade de Maria ante o chamado de Deus.

2º Mistério – Maria visita sua prima Isabel.
“Maria pôs-se a caminho, para a região montanhosa, dirigindo-se apressadamente a uma cidade de Judá. Entrando em casa de Zacarias, saudou Isabel (…) que repleta do Espírito Santo, exclamou: ‘Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre” (…) Feliz a que acreditou, pois o que lhe foi dito da parte do Senhor será cumprido”. Lc 1,39-45
Intenção: admiremos e peçamos o amor de Maria para com o próximo.

3º Mistério – Jesus nasce na pobreza de Belém
Enquanto se encontravam em Belém, completaram-se os dias para o parto, e ela deu à luz o seu filho primogênito, envolveu-o com faixas e reclinou-o numa manjedoura, porque não havia um lugar para eles na sala. Lc 2, 6-7
Intenção: peçamos a Jesus e a Maria o espírito de pobreza evangélica.

4º Mistério – Cumprindo a lei de Moisés, Maria apresenta Jesus no templo
“Quando se completaram os dias para a purificação deles, segundo a lei de Moséis, levaram-no a Jerusalém, a fim de apresentá-lo ao Senhor… E Simeão disse a Maria: “Eis que este menino foi colocado para a queda e o soerguimento de muitos em Israel, e como um sinal de contradição. E a ti, uma espada transpassará a tua alma, para que se revelem os pensamentos íntimos de muitos corações”. Lc 2, 22.34-35
Intenção: consideremos e peçamos a obediência que teve a Virgem Maria.

5º Mistério – O menino Jesus, perdido e encontrado no Templo, entre os doutores.
“Ao vê-lo, ficaram surpresos, e a mãe lhe disse: ‘Meu filho, por que agiste assim conosco? Olha que teu pai e eu, aflitos, te procurávamos’. Ele respondeu: ‘Por que me procuráveis? Não sabíeis que devo estar na casa de meu Pai?’ Eles porém, não compreenderam a palavra que eles lhe dissera” Lc 2, 48-50
Intenção: peçamos a graça de conhecer e seguir nossa vocação.

Mistérios Dolorosos (terças e sextas-feiras)

 1º Mistério – A oração e o sofrimento de Jesus no Jardim das Oliveiras.
“Disse-lhe Jesus: ‘Minha alma está triste até a morte. Permanecei aqui e vigiai comigo”. E, indo um pouco diante, prostrou-se com o rosto em terra e orou: ‘Meu Pai, se é possível, passe de mim este cálice; todavia, não seja como eu quero, mas como tu queres. Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; pois o espírito está pronto, mas a carne é fraca”. Mt 26,38-39.41
Intenção: peçamos o espírito de oração.

2º Mistério – Jesus é flagelado.
Disse-lhes: Vós me apresentastes este homem como agitador do povo. Ora, eu o interroguei diante de vós e não encontrei neste homem motivo algum de condenação, como o acusais (…) Como vedes, este homem nada fez que mereça a morte. Por isso, vou soltá-lo, depois de o castigar. Eles, porém, vociferaram todos juntos: ‘Morra este homem! Solta-nos Barrabás!’. Pilatos então tomou a Jesus e o mandou flagelar. Lc 23,14.15b-18; Jo 19,1
Intenção: peçamos a virtude do amor ao próximo.

3º Mistério – A coroação de espinhos de Jesus.
“Os soldados, tecendo uma coroa de espinhos, puseram-na em sua cabeça e jogaram sobre ele um manto de púrpura. Aproximando-se dele, diziam: ‘Salve, rei dos Judeus!’ E o esbofeteavam”. Jo 19, 2-3
Intenção: peçamos a pureza de intenções e de desejos.

4º Mistério – Jesus carrega a pesada cruz, rumo ao Calvário
“Depois de caçoarem dele, despiram-lhe a capa escarlate e tornaram a vesti-lo com suas próprias vestes e levaram-no para o crucificar. Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me”. Mt 27,31; Mc 8,34b
Intenção: admiremos a paciência do Salvador e peçamos a graça de ser pacientes em nossas provas e sofrimentos.

5º Mistério – Jesus morre na cruz por todos os homens
“Tomaram então a Jesus. E ele saiu, carregando a sua cruz e chegou ao chamado ‘lugar da Caveira’ (…) onde o crucificaram; e com ele, dois outros: um de cada lado, e Jesus no meio”. Jesus, então, vendo a sua mãe e, perto dela, o discípulo a quem amava, disse à sua mãe: ‘Mulher, eis o teu filho!’ Depois disse ao discípulo: ‘Eis a tua mãe!’.” Jo 19,16b-18.26-27a
Intenção: Peçamos a graça de compreender e viver a missa, que é renovação do sacrifício do Calvário.

 Mistérios Gloriosos (quartas-feiras e Domingos)

1º Mistério – Jesus ressuscita, vencendo a morte
“Disse o Anjo às mulheres: ‘Não temais! Sei que estais procurando Jesus, o crucificado. Ele não está aqui, pois ressurgiu, conforme havia dito (…). Ide dizer aos seus discípulos e a Pedro que ele vos precede na Galileia. Lá o vereis, como vos tinha dito’.” Mt 28,5b-6a; Mc 16,7
Intenção: peçamos a plena transformação de nossa vida em Cristo.

2º Mistério – A ascensão de Jesus Cristo ao céu.
“Jesus levou os discípulos até Betânia. E erguendo as mãos, abençoou-os. E enquanto os abençoava, distanciou-se deles e era elevado ao céu. Eles se prostraram diante dele, e depois voltaram a Jerusalém, com grande alegria(…)” Lc 24, 50b-52
Intenção: peçamos a graça de buscar unicamente o Reino de Deus e sua justiça, porque tudo mais nos será dado por acréscimo.

3º Mistério – A vinda do Espírito Santo sobre Maria e os Apóstolos.
“Quando chegou o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar. De repente, veio do céu um ruído semelhante ao soprar de impetuoso vendaval; e encheu toda a casa onde se achavam. E apareceram umas línguass de fogo, que se distribuíram e foram pousar sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito os impelia a falar (…) Pedro disse: “Não, esses homens não estão ébrios, como pensais (…) mas é que se realiza a palavra do profeta: Sucederános últimos dias, diz o Senhor, derramarei o meu Espírito sobre toda carne”. ” At 2,1-4.15a-16.17a
Intenção: peçamos os dons do Espírito Santo, especialmente a sabedoria, a fortaleza e o zelo.

4º Mistério – A gloriosa assunção de Maria no Céu.
“A gloriosa assunção de Maria ao céu é a festa do seu destino de plenitude e de felicidade, da glorificação de sua alma imaculada e de seu corpo virginal, bem como de sua perfeita configuração com o Cristo ressuscitado”. (Paulo VI)
Intenção: peçamos a graça de viver noss vocação à santidade.

5º Mistério – Maria é coroada Rainha do céu e da terra, e intercessora de todos os homens junto a seu Filho Jesus.
“A festa da Assunção prolonga-se alegremente na celebração da festa da realeza de Maria. Neste mistério, nós a contemplamos junto ao Rei dos séculos, onde resplandece como Rainha e intercede com Mãe”. (Paulo VI)
Intenção: proponhamo-nos confiar na mediação de Maria e peçamos o dom da perseverança.

 Mistérios Luminosos (quinta-feira)

Introdução dos mistérios feitas pelo São João Paulo II.

1º Mistério – Contemplamos Jesus sendo batizado por João Batista no Rio Jordão. Enquanto Cristo desce à água do rio, como inocente que se faz pecado por nós, o céu se abre e voz do Pai proclama-o Filho dileto, ao mesmo tempo em que o Espírito vem sobre ele para investi-lo na missão que o espera.

2º Mistério – contemplamos o início dos sinais de Caná, quando Cristo, transformando a água em vinho, abre à fé o coração dos discípulos graças à intervenção de Maria, a primeira entre os que creem.

3º Mistério – Contemplamos a pregação com a qual Jesus anuncia o advento do Reino de Deus e convida à conversão, perdoando os pecados de quem se dirige a ele com humilde confiança, início do mistério de misericórdia que ele prosseguirá exercendo até o fim do mundo, especialmente por meio do sacramento da reconciliação confiado à sua Igreja.

4º Mistério – Contemplamos a transfiguração de Jesus que, segundo a tradição, se deu no monte Tabor. A glória da divindade reluz no rosto de Cristo, enquanto o Pai o credencia aos apóstolos extasiados para que o “escutem” e se disponham a viver com ele o momento doloroso da paixão, a fim de chegarem com ele à glória da ressurreição e a uma vida transfigurada pelo Espírito Satno.

5º Mistério – Contemplamos a instituição da Eucaristia, na qual Cristo se faz alimento com o seu corpo e o seu sangue sob os sinais do pão e do vinho, testemunhando “até o extremo” seu amor pela humanidade, por cuja salvação se oferecerá em sacrifício.

Agradecimentos – no final do terço

Infinitas graças vos damos, Soberana Rainha, pelos benefícios que todos os dias recebemos de vossa mão liberais. Dignai-vos, agora e para sempre, tomar-nos debaixo do vosso poderoso amparo e para mais vos obrigar vos saudamos com uma Salve Rainha:

Salve Rainha, Mãe de Misericórdia, vida, doçura, esperança nossa, salve! A vós bradamos, os degredados filhos de Eva; a vós suspiramos gemendo e chorando neste vale de lágrimas. Eia, pois, advogada nossa esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei, e depois deste desterro nos mostrai a Jesus, bendito fruto do vosso ventre, ó Clemente, ó Piedosa, ó Doce, sempre virgem Maria.

V. Rogai por nós, Santa Mãe de Deus,
R. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo. Amém.

DIA DAS NOVIÇAS PIAS DISCÍPULAS DO DIVINO MESTRE

Domingo “in Albis”: Páscoa da Igreja para os neófitos

Segundo a tradição das Pias Discípulas do Divino Mestre, celebra-se o dia da noviça no 2º Domingo da Páscoa, anteriormente chamado domingo “in Albis” (= branco).

Todas as pessoas que haviam recebido os sacramentos da iniciação na Vigília Pascal recebiam uma veste branca e permaneciam com ela durante toda a oitava da Páscoa. Este tempo era chamado de catequese mistagógica,. Os neófitos – como eram chamados os que tinham recebido o Batismo – aprofundavam o sentido dos sacramentos pascais e entravam em relação fraterna com a Igreja.

No Domingo “in Albis” deixavam esta veste branca, sinal de que a celebração terminava e entravam na vida do Mistério celebrado. A antífona de entrada: “Como recém-nascidos, desejem o puro leite espiritual para crescerem na Salvação, Aleluia!” (1ºPd 2,2) entoa o sentido deste sinal. Isto é, renascidos em Cristo, todos os que haviam recebido os sacramentos da iniciação à vida cristã e que já estavam há um tempo caminhando no aprofundamento da fé e vida cristã são convidados a desejar o alimento da vida nova recebida e assumida. Este é o paralelo com as noviças que estão no início do caminho de seguimento a Jesus, no estilo de vida das Discípulas do Divino Mestre.

As Noviças são convidadas a também assumir este desejo constante de nutrir-se bem e crescer em todas as dimensões para um seguimento autêntico à Jesus, no estilo de vida da Irmãs Pias Discípulas.

Quem iniciou esta tradição foi Pe. Timóteo Giaccardo, primeiro sacerdote Paulino, quando se ocupava da formação das noviças Pias Discípulas do Divino Mestre.

Atualmente temos cinco noviças no Brasil:

1° ano- 09/02/2020
 Belimar Victoria Hernández Escobar (Venezuela)
 Maria Odette Jagou Hultsch (Irlanda-U.S.A.)
 Virginia Landín Rodriguez (México)
 Amira Giselle Isleño (Argentina)

2° anno – 09/02/2019
 Indianara Cristina da Silva Pereira (Brasil)

Rezamos com cada uma delas, invocando de Deus todas as luzes para bem viver esta etapa de formação.

XVIII Congresso Eucarístico Nacional será adiado para 2021

Uma decisão colegiada, pensada em conjunto após deliberação entre os 21 bispos da CNBB Regional Nordeste 2 teve o apoio da Presidência da CNBB nesta segunda-feira, 30/03/2020. Trata-se do pedido de adiamento da realização do XVIII Congresso Eucarístico Nacional (CEN), que seria sediado no Recife e aconteceria no segundo semestre, no período de 12 a 15 de novembro deste ano.

Diante do quadro imprevisível causado pela pandemia do novo coronavírus, tanto em relação à duração do surto epidêmico como em relação às possíveis sequelas econômicas, a medida mais sensata no momento foi optar pelo adiamento do XVIII CEN. A resposta da CNBB chegou endereçada ao Arcebispo da Arquidiocese de Olinda e Recife, Dom Fernando Saburido e foi assinada pelo Secretário geral da CNBB, Dom Joel Portela Amado.

Segue abaixo a Nota Oficial da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) sobre o adiamento do XVIII Congresso Eucarístico Nacional, a ser realizado na Arquidiocese de Olinda e Recife, com nova previsão, entre os dias 12 e 15 de novembro de 2021:

Fonte: PASCOM RECIFE/OLINDA

Aprofundamento bíblico para o Tríduo Pascal

Nesta semana, a REVISTA DE LITURGIA publicou um texto da ir. Helena Ghiggi, pddm, com aprofundamento bíblico do Tríduo Pascal. Nossas Igrejas Domésticas se animam, mais do que nunca, para celebrarem com fervor as festas pascais.

Abaixo, o texto na íntegra. Vai nos ajudar na nossa leitura orante de cada dia do Tríduo Pascal:

ESTE É O DIA QUE O SENHOR FEZ PARA NÓS; ALEGREMO-NOS E NELE EXULTEMOS! (Sl 118,24)

QUINTA FEIRA NA CEIA DO SENHOR

A antífona da entrada nos introduz no mistério da paixão, morte e ressurreição do Senhor: “A cruz de nosso Senhor Jesus Cristo deve ser a nossa glória: nele está nossa vida e ressurreição; foi ele que nos salvou e libertou” (Gl 6,14). A cruz, maldição (Dt 21,22-23), instrumento de tortura, torna-se sinal de salvação na entrega de Jesus. A oração do dia enfatiza o sentido da “santa ceia, na qual o Filho único do Pai, ao entregar-se à morte, deu à sua Igreja um novo e eterno sacrifício, como banquete do seu amor”.

Nesse momento difícil de sofrimento causado pelo Covid-19, o Papa Francisco destaca que o Senhor reanima a nossa fé pascal. Temos uma âncora: na sua cruz, fomos salvos. Temos um leme: na sua cruz, fomos resgatados. Temos uma esperança: na sua cruz, fomos curados e abraçados, para que nada e ninguém nos separem do seu amor redentor (homilia, 27/03/2020).

O texto do evangelho segundo João (Jo 13,1-15) faz referência a Última Ceia, mas não relata a instituição da eucaristia, pois Jesus já havia revelado sua vida como pão e vinho, verdadeira comida e bebida (Jo 6,51-58). Aqui o evangelista traz o gesto do lava pés, símbolo do amor gratuito de Jesus aos irmãos e irmãs, memorial de sua atuação ao longo do ministério. “Tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim” (Jo 13,1). O “Mestre e Senhor”, com seu exemplo de humilde serviço, ensina um novo modo de viver na fraternidade, que transforma as desigualdades e toda forma de injustiça e dominação. O cuidado recíproco, realçado no mandamento novo de “amar como Jesus amou” (Jo 13,34-35), é essencial para que todos tenham vida digna. Como Igreja doméstica, somos chamados a celebrar a memória da entrega radical de Cristo, servidor até a cruz, solidários com o bem comum de toda a sociedade, de toda a comunidade.

A Leitura do livro do Êxodo (Ex 12,1-8.11-14) recorda a Páscoa dos hebreus, antiga festa pastoril que se torna memorial da passagem da escravidão no Egito para a liberdade em busca da terra prometida, de vida melhor para todos os povos. O Salmo 116 (115) mostra que o povo agradece a salvação e os benefícios recebidos do Senhor, “erguendo o cálice da salvação”, gesto de compromisso com o seu projeto. Paulo, na Leitura de 1Coríntios (1Cor 11,23-26), apresenta a narrativa mais antiga da Ceia do Senhor. “Este é o Corpo que será entregue por vós, este é o cálice da nova aliança no meu Sangue, diz o Senhor. Todas as vezes que os receberdes fazei-o em minha memória”. A eucaristia, memória da morte de Jesus como dom de vida para a humanidade, é testemunhada na compaixão, cuidado, partilha com os irmãos (1Cor 11,17-34).

SEXTA FEIRA DA PAIXÃO DO SENHOR

O caminho de fidelidade trilhado por Jesus, Servo sofredor, é acentuado já na aclamação ao evangelho: “Jesus Cristo se tornou obediente, obediente até a morte numa cruz, pelo que o Senhor Deus o exaltou, e deu-lhe um nome muito acima de outro nome” (Fl 2,8-9). A narrativa da Paixão de Jesus segundo João (Jo 18,1–19,42) acentua o sentido soteriológico, salvífico da morte de Jesus, e também o significado de revelação na qual a natureza profunda de Deus se torna manifesta. Jesus revela o Deus compassivo que ouve o clamor do povo “Eu Sou” (Jo 18,6; Ex 3,14), e livra os discípulos dos que chegam para prendê-lo com a força e a violência.

Conduzido ao palácio dos sumos sacerdotes, Jesus aguarda a reunião do Sinédrio na manhã seguinte. Após o julgamento, ele é enviado ao pretório onde ficava o governador romano, de modo que sua acusação torna-se política. Diante do poder imperial, Jesus reafirma que seu Reino não é deste mundo e dá testemunho da verdade, que é ele mesmo (Jo 14,6). Apesar de ser reconhecido inocente Jesus é condenado à morte, consequência de seu compromisso com as vítimas do sistema, com os últimos. Assim, Jesus assume livremente o caminho até o Calvário, carregando a própria cruz. “Crucificaram Jesus no meio de outros dois”, com tantas pessoas que carregam a cruz da violência, desemprego, fome. O sofrimento de Jesus até à morte violenta na cruz não é da vontade do Pai, mas causa de salvação e fonte de vida e libertação para a humanidade.

Em meio a tanta dor, Jesus não se encontra só, ao pé da cruz a comunidade fortalece a fé e a esperança para dar continuidade à missão. A presença da mãe de Jesus, como nas bodas em Caná da Galileia (Jo 2,1-12), sublinha que chegou a “hora” da glorificação do Filho. A solidariedade dos discípulos e discípulas junto ao Mestre na cruz multiplica-se através dos gestos de bondade de tantas pessoas, que consolam os doentes, os idosos, os abandonados. “Tudo está consumado” revela a soberania de Jesus, que completa a obra confiada pelo Pai com fidelidade. “E, inclinando a cabeça, Jesus entregou o Espírito” como dom de vida nova para seus seguidores e seguidoras.

Nenhum osso é quebrado de Jesus, o verdadeiro Cordeiro Pascal (Ex 12,46), que entrega a vida enquanto eram imolados os cordeiros para a Páscoa. A leitura do Livro do Profeta Isaías (Is 52,13–53,12) é o quarto cântico do “Servo do Senhor”. Convida a contemplar a vida do Servo oprimido e exaltado, cujo sofrimento substitui a culpa do povo, como prefiguração de Jesus Cristo. O Salmo 31 (30) é um cântico de lamentação e confiança, que Jesus rezou na cruz: “Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito” (Lc 23,46). A leitura da Carta aos Hebreus (Hb 4,14-16; 5,7-9) ressalta a solidariedade de Jesus com a humanidade e sua fidelidade ao Pai, que o tornam fonte de salvação, mediador único e definitivo.

O Papa Francisco fala de tantos companheiros de viagem exemplares, que arriscam suas vidas para curar e defender as pessoas. É a força operante do Espírito derramada e plasmada em entregas corajosas e generosas. É a vida do Espírito, capaz de resgatar, valorizar e mostrar como as nossas vidas são tecidas e sustentadas por pessoas comuns, que hoje marcam os acontecimentos decisivos da nossa história: médicos, enfermeiros e enfermeiras, trabalhadores dos supermercados, pessoal da limpeza, cuidadores, transportadores, forças policiais, voluntários, sacerdotes, religiosos e muitos – mas muitos – outros que compreenderam que ninguém se salva sozinho (homilia, 27/03/2020).

VIGÍLIA PASCAL DO SENHOR

A Páscoa infunde confiança no Pai, que nunca abandona seus filhos/filhas e oferece a plenitude da vida à humanidade mediante a ressurreição de seu Filho Amado. No texto do evangelho segundo Mateus (Mt 28,1-10), a vida nova que jorrou do Crucificado fortalece a fé e a esperança da comunidade, impelida a realizar a missão na certeza da presença viva do Ressuscitado. As discípulas fiéis desde a Galileia, que permanecem junto de Jesus e o acompanham até a paixão e a morte de Cruz (Mt 27,55-56), se dirigem ao local onde o Mestre fora enterrado para “ver o sepulcro”. A experiência pascal possibilita encontrar novos caminhos, para anunciar a Boa Nova do Reino após a morte de Jesus Cristo.

A pedra que fechava o túmulo (Mt 27,60) foi removida pelo anjo do Senhor, cuja aparência fulgurante evoca o transfigurado-ressuscitado (Mt 17,2). O diálogo do anjo com as mulheres (Mt 28,5-7) ilumina a “não ter medo”, que corresponde a manter viva a fé. Jesus, o Crucificado a quem procuravam, “foi ressuscitado”, voz passiva que acentua a intervenção divina na vitória da vida sobre a morte. A missão confiada às mulheres, no anúncio da ressurreição de Jesus aos discípulos, rompe o esquema social excludente que não reconhecia o testemunho delas. Enquanto as mulheres corriam para anunciar a Boa Notícia aos discípulos, o Ressuscitado vem-lhes ao encontro e as saúda com a alegria pascal, plenificando-as de confiança. As mulheres se prostram diante do Senhor, reconhecendo sua presença que conduz no caminho para a Galileia, região onde o Mestre havia iniciado o ministério (Mt 4,12-17).

As Leituras recordam as grandes maravilhas realizadas por Deus ao longo da história da salvação, plenificada na ressurreição de Jesus. O Ressuscitado é a primícia da nova criação, que faz resplandecer a luz sobre as trevas do pecado e da morte. Filho único, que passa pela cruz assumida por amor fiel, Jesus revela o Deus que quer a vida como no episódio de Abraão e Isaac. A Páscoa de Jesus realiza plenamente o êxodo, a libertação do povo que atravessa o Mar Vermelho em busca da Terra Prometida. Em Jesus manifestam-se a consolação do povo e o banquete messiânico, anunciados no fim do exílio babilônico (Is 54 e 55). A vida doada de Jesus interpela a converter e a renovar o coração, como proclamam Baruc e Ezequiel. Rm 6,3-11 sublinha a participação na morte e ressurreição de Cristo pelo batismo, que nos reveste da vida nova para construirmos a fraternidade entre os povos (Revista de Liturgia, Março/Abril, 2020).

O Papa Francisco diz que a resposta de Deus ao problema da morte é Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida… Tenham fé! Em meio ao choro continuem a ter fé, ainda que pareça que a morte tenha vencido. Removam a pedra de seus corações! Deixem que a Palavra de Deus leve de novo a vida onde há morte. Deus não nos criou para o túmulo, nos criou para a vida, bela, boa, alegre. Jesus Cristo veio nos libertar dos laços da morte. Cristo vive, e quem o acolhe e se une a Ele participa da vida. O batismo nos insere no Mistério Pascal de Cristo. Pela ação e a força do Espírito Santo, o cristão é uma pessoa que caminha na vida como uma nova criatura: uma criatura para a vida, e que vai em direção à vida. Que a Virgem Maria nos ajude a sermos compassivos como o seu Filho Jesus, que fez sua a nossa dor. Que cada um de nós seja próximo daqueles que estão sofrendo, tornando-se para eles um reflexo do amor e da ternura de Deus, que liberta da morte e faz vencer a vida (29/03/2020).

DOMINGO DA PÁSCOA

NA RESSURREIÇÃO DO SENHOR

A oração do dia realça o sentido da “ressurreição de Jesus” como acontecimento central da nossa fé: “Ó Deus, por vosso Filho Unigênito, vencedor da morte, abristes hoje para nós as portas da eternidade. Concedei que, celebrando a ressurreição do Senhor, renovados pelo vosso Espírito, ressuscitemos na luz da vida nova”. O Ressuscitado caminha conosco, sustentando a nossa fé e esperança nesse momento de trevas e morte, causada pela pandemia. No texto do evangelho segundo João (Jo 20,1-9), Maria de Mágdala se dirigiu ao sepulcro no alvorecer do “primeiro dia da semana”, quando ainda estava escuro. A ressurreição de Jesus inaugura a nova criação, a vitória da vida sobre o pecado da injustiça e da morte. A caminhada de fé da comunidade leva a compreender os sinais do sepulcro, o poder da vida que vence a morte pelo amor solidário.

Com a experiência pascal, os que foram ao sepulcro à procura do corpo de Jesus compreendem as Escrituras, que anunciavam o corpo do Ressuscitado como novo e definitivo santuário da humanidade (Jo 2,21). A comunidade unida como “Corpo de Cristo” continua a missão libertadora de Jesus, conduzida pela força do seu Espírito (Jo 20,11-23). No texto do evangelho segundo Lucas (Lc 24,13-35), Jesus ressuscitado caminha com os discípulos de Emaús, reafirmando a presença viva de Deus que nunca abandona o seu povo. O Ressuscitado se faz presente na escuta e compressão da Palavra: “Não estava ardendo o nosso coração, quando ele nos falava pelo caminho e nos abria as Escrituras?”. Os olhos dos discípulos se abrem verdadeiramente, quando repetem os gestos de acolhida de Jesus “fica conosco”, e da entrega de sua vida por amor “tomou o pão, abençoou, partiu e deu a eles” (22,19; 24,30).

A Leitura dos Atos dos Apóstolos (At 10,34a.37-43) é um anúncio querigmático sobre Jesus de Nazaré, o Ungido de Deus que passou a vida fazendo o bem e curando todos os males; foi morto pelas autoridades, mas “Deus o ressuscitou no terceiro dia” e permanece na vida da comunidade como “o Senhor de todos” (10,36). O salmo 118(117), ação de graças a Deus pelas vitórias que dá ao seu povo, celebra a esperança de nossa libertação definitiva na ressurreição de Cristo: “Este é o dia que o Senhor fez para nós; alegremo-nos e nele exultemos”! A Leitura da Carta aos Colossenses (Cl 3,1-4) reflete a experiência de morte e ressurreição pela fé batismal (Cl 2,12), que faz trilhar o caminho da vida nova, buscando as coisas do alto, os valores do Reino anunciados por Jesus.

 A leitura orante da Palavra faz arder o nosso coração e permanecer vigilantes, nesse momento em que a prioridade deve ser a vida das pessoas. O Papa Francisco nos alerta: sabemos que defender as pessoas supõe um prejuízo econômico. Mas seria triste se o oposto fosse escolhido, o que levaria à morte muitas pessoas, algo como um “genocídio viral” (carta enviada a Roberto Andrés Gallardo). O Ressuscitado caminha conosco, suscitando “novas formas de hospitalidade, de fraternidade e de solidariedade”. Cantemos com esperança: “Da região da morte cesse o clamor ingente: Ressuscitou! exclama o anjo refulgente. Jesus, perene Páscoa, a todos alegrai-nos. Nascidos para a vida, da morte libertai-nos. Louvor ao que da morte ressuscitado vem, ao Pai e ao Paráclito eternamente. Amém”. (hino de Laudes, no Domingo da Páscoa).

Fonte: site da Revista de Liturgia

Madre Escolástica: modelo de santidade

No dia 24 de março de 1987, Madre Escolástica conclui seu peregrinar terreno. Ela foi a primeira sobre a qual o bem-aventurado Tiago Alberione havia posto o olhar para dar vida à nova fundação e é a última do primeiro núcleo das oito a concluir, podemos assim dizer, o arco fundacional.

Dia 13 de março de 1993, em Alba, inicia-se o processo diocesano para a beatificação e canonização de Madre Escolástica Rivata. Ela foi proclamada Venerável pelo papa Francisco no dia 9 de dezembro de 2013 e agora continua o processo para o próximo passo, a beatificação.

Com a expressão Senhor, só tu e basta, a jovem Úrsula diz o seu “sim” Àquele que por primeiro a escolheu e que, a partir daquele momento lhe pedirá para ser “o Único” da sua vida, “na alegria e na dor, na saúde e na doença, na pátria e no exílio…” Embora já tenha atingido a maioridade, a sua decisão provoca certo contraste na família, acolhido por ela como uma prova que a reforça ainda mais na decisão.

Úrsula continua a sua formação lendo muito. A paixão pela leitura, na busca de bons livros, leva-a ao encontro de um grande apóstolo dos tempos modernos: padre Tiago Alberione o qual, sem rodeios, enquanto procura o livro pedido por ela, e depois num breve diálogo, lhe diz: Quando você vem para a casa São Paulo? A partir disso tendo já vinte e quatro anos, sente-se impulsionada a romper com as demoras e a oposição da família.

Acompanhada pelo pai, no dia 29 de julho de 1922, Úrsula entrou na aventura que a conduziu nos insondáveis caminhos do Senhor. No vivaz contexto das primeiras fundações paulinas, no dia 21 de novembro de 1923, padre Alberione diz: Separai para mim Úrsula e Matilde, para a obra à qual as destinei. Assim começou a escolha de Úrsula para iniciar a nova fundação juntamente com outras seis jovens que a própria Úrsula ajudará escolher dentre as jovens do grupo feminino já existente.

O dia 10 de fevereiro de 1924, memória de Santa Escolástica, foi escolhido pelo padre Alberione para o início da nova fundação. No dia 25 de março do mesmo ano, festa da Anunciação, este grupo de oito jovens, faz sua manifestação oficial com o hábito religioso e a profissão dos votos. Recebem um nome novo e Úrsula torna-se Irmã Escolástica da Divina Providência.

No mesmo dia inicia aquele que será o seu trabalho principal: a Adoração Eucarística e o viver como irmã e mãe ao lado dos Sacerdotes e Discípulos da Sociedade São Paulo. Desde estes inícios, Madre Escolástica Rivata passa a ser a colaboradora em Cristo com Padre Alberione, para a realização do carisma das Pias Discípulas do Divino Mestre. Com vinte e oito anos é a responsável pela nova família que surge e, a partir deste momento, pode-se ler a história de Escolástica somente seguindo passo a passo o caminho das Pias Discípulas.

A vida de Madre Escolastica foi cheia de testemunho evangélico e isto a faz uma expressão de beleza autêntica, capaz de incentivar o encontro com Jesus com seu rosto alegre, seu sorriso que faz brilhar a verdade e a bondade do Ressuscitado.

Pelo seu testemunho, o eco da sua vida nos inspira a ter a coragem para se deixar formar pela beleza, como fizeram Pe Alberione e Pe Timoteo Giaccardo. É certamente uma resposta ao mundo de hoje, dizer com vida que a beleza não consiste em exterioridade estética, mas encontra plenitude em Cristo aqueles que vivem em conformidade com o Evangelho. A beleza experimentada nesta forma também se torna um meio vocacional.

As palavras do Papa Bento XVI pronunciadas na conclusão da XI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, em 23 de outubro de 2005, certamente relatam esta experiência de fé de Madre Escolástica:

“O santo é aquele que é tão fascinado pela beleza de Deus e por sua perfeita verdade que se deixa a ser gradualmente transformado. Por essa beleza e verdade, ele está pronto para desistir de tudo, até de si mesmo. O amor de Deus é suficiente: ele ( o santo) experimenta no serviço humilde e desinteressado ao seu próximo, especialmente daqueles que são incapazes de retribuir. Quão providencial, nessa perspectiva, é o fato de que hoje a Igreja aponta para todos os seus membros cinco novos santos que, nutridos por Cristo, o Pão vivo, se converteram ao amor e lhe marcaram toda a sua existência! Em diferentes situações e com diferentes carismas, eles amavam o Senhor com todo o coração e o próximo como a si mesmos “para se tornar um modelo para todos os crentes” (1 Ts 1: 6-7).

Música feita pela Ir. Goretti Medeiros, pddm

Eu vim para servir…

O encontro das irmãs que exercem o ministério das Coordenadoras das diversas comunidades do Brasil das Irmãs Pias Discípulas do Divino Mestre aconteceu em Cabreuva, SP, na casa da senhora Antonieta, uma amiga da comunidade Jardim Divino Mestre, de 14 a 16 de fevereiro.

Participou do evento as 12 irmãs coordenadoras, a ir. Marilez Furlanetto, como provincial e assessora, e a ir. Ana Patrícia Reinaldo, ecônoma provincial.

As irmãs trabalharam a 4ª prioridade da CRB, com a motivação de tecer relações interpessoais. Como plano de Ação da Conferência dos Religiosos do Brasil – Nacional, proposto para o triênio 2019 a 2022, se propõe promover relações humanizadoras e atenção diferenciada à cada geração na Vida Religiosa Consagrada. Segundo a carta motivadora salienta, existe a necessidade de tecer relações de ternura, de fraternidade e de sinodalidade como expressão de uma nova forma de convivência capaz de superar o individualismo e a dominação.

De fato, em todas as fases da Vida Religiosa Consagrada deve resplandecer o vigor e a alegria de quem optou pelo discipulado de Jesus, promovendo relações mais humanizadoras com as características próprias de cada pessoa, suas belezas e limites. Promover uma cultura de encontro nos desafia a incrementar os consensos comunitários, a partilha de sentimentos, as relações humanizadoras, o perdão e a festa. Fomentar relações fraternas que, no serviço a Deus e ao povo, encontre a fonte da sua vitalidade.

A Vida Religiosa Consagrada Jovem aparece como um dom a ser acolhido, escutado, acompanhado e levado em conta o seu protagonismo. Redesenhar os processos de acompanhamento à terceira idade e aos religiosos enfermos emerge como uma urgência para muitas congregações.

É preciso reconhecer o valor de cada pessoa, na sua faixa etária, as que acabaram de chegar, as que estão à frente da missão, as de meia-idade, e as que se consagraram há mais tempo, de modo que todas deem testemunho do Deus vivo e atuante no meio do seu povo.

O desafio de novos modos de relação nos interpela a refletir e oferecer orientação sobre comportamentos padronizados, autoridades inquestionáveis e a realidade do abuso de poder, de consciência e sexual, sendo sensíveis e profetas perante as questões de gênero.

A ir. Juceli Mesquita, coordenadora e mestra da Casa Nazaré, de acolhida a etapa formativa do Postulado, fez uma dinâmica que salientou as características de cada pessoa na composição deste rosto comunitário.

Também foi fomentado a compreensão do que se entende hoje com o ministério de coordenação. O enfoque foi na forma de liderança assertiva nas nossas comunidades. Também se falou da importância do projeto comunitário levando em conta o rosto de cada comunidade.

O encontro foi motivador. Todas as irmãs saíram incentivadas e animadas para a missão.