Pias Discípulas do Brasil: novas conselheiras para o triênio

A Madre Geral Ir Micaela Monetti e seu conselho comunicou nesta terça-feira, dia 15 de dezembro, as novas Conselheiras provinciais nomeadas, segundo a norma do artigo 112 da Regra de Vida, que colaborarão no serviço de governo para o triênio 2020-2023.

Em ordem alfabética pelo sobrenome são:
GALVAN IR. VERA MARIA
LUBIANA IR. M. TEREZINHA
SILVA DE OLIVEIRA IR. M. KELLY SILVA
TONON IR. M. LUCIANA.

Dentre estas, uma será escolhida para estar ao lado da Superiora provincial na qualidade de
vigária. A nomeação da Secretária provincial é da competência da Superiora provincial, com o
consenso de seu Conselho (RV art.113). A Superiora provincial, com o consenso de seu Conselho,
apresentará à superiora geral a proposta da Ecônoma provincial, que, em diálogo e atenção às
necessidades da Província, receberá a nomeação para este serviço administrativo (RV art.114).

A Ir. Micaela Monetti, em carta protocolar, manifestou a sua gratidão a todas: às irmãs que colaboraram diretamente no precedente mandato de governo e àquelas que deram agora sua disponibilidade ao serviço na comunhão.

Ela também agradeceu a todas as irmãs que se adaptaram à nova modalidade de consultação imposta pelo problema de saúde pública. Fez-se necessário fazer todo o processo via meios eletrônicos, já que as viagens do Conselho Geral tiveram que ser canceladas.

Ir. Marilez é reeleita provincial

Este ano é também tempo de eleição nas Irmãs Pias Discípulas do Divino Mestre do Brasil. Em uma modalidade adaptada pela situação imposta pela Pandemia do Corona Vírus, a Ir. Marilez Furlanetto foi reeleita provincial para o triênio de 2021 a 2023.

Segundo protocolo de nomeação da Madre Geral, Ir. Micaela Monetti assim se expressa:

Neste tempo caracterizado pela pandemia em curso, que torna mais complexa e difícil qualquer organização, a Palavra de Deus nos ilumina com clareza e nos convida a deixar-nos envolver com generosidade e criatividade para que o Pão da Vida seja partido para todos. Solidárias e participantes da fragilidade e da emergência humanitária em que
estamos imersas, escutamos de modo novo as palavras de Jesus: “Dai-lhes vós mesmos de comer!”. Madre Escolástica Rivata em 1932 escreveu: “Creio que cabe a nós, com a nossa vocação religiosa e pastoral, repartir o pão da palavra de Deus, do Evangelho, para todas estas pobres almas! Por isso, devemos dar muita importância à nossa vocação e rezar ao Divino Mestre para que nos conceda as virtudes e as graças religiosas e pastorais. (…)
Sobretudo, muita oração, silêncio, vida interior de recolhimento, além de caridade e zelo pelas almas colocando, como Jesus, a nossa vida em favor delas. Devem, pois, ser pastorais as nossas cruzes e contrariedades, porque quando maior é o bem a ser feito, mais é contestado. Adorem, amem sempre as disposições de Deus, sejam quais forem, e agradeçam a ele sempre e em tudo, e a cada momento”.
Segue agora a consultação para a nomeação das quatro Conselheiras, segundo as indicações da Regra de Vida. Procurai entre vós irmãs de comunhão e de visão, não perfeitas, mas felizes de serem discípulas de Jesus. Irmãs disponíveis a caminhar junto e a colaborar na animação espiritual das diversas áreas da formação e da missão.
Agradeço Ir. Marilez que se dispõe a continuar o serviço de governo bem consciente do que comporta, porque para viver isto, na comunidade cristã, é preciso assumir um poder crucificado, a exemplo de Jesus Mestre. Desejo que possais continuar o caminho de discipulado com um estilo renovado pelo Espírito de Deus que faz novas todas as coisas, no espírito das bem-aventuranças evangélicas. Vivamos com confiança, formadas pelo apóstolo Paulo, porque, em qualquer tribulação, somos mais do que vencedores por meio daquele que nos amou (Rm 8, 37).

Agradecemos a Ir. Marilez pelo seu generoso sim e confiamos no Espírito Santo para que conduza a nossa província na escolha agora das quatro conselheiras que integrarão o governo provincial juntamente com a ir. Marilez.

Memória do Bem-Aventurado Timóteo Giaccardo e profissão da Ir. Risalva Gonçalves

Para toda a Família Paulina, hoje, 19/10/2020, é um dia especial. Celebramos a memória do Bem-Aventurado Timóteo Giaccardo.

Na capela da comunidade -Madre Escolástica – Casa Provincial em São Paulo, aconteceu a celebração Eucarística em memória do Bem – aventurado Timóteo Giaccardo, com o rito de profissão religiosa de Ir. Risalva Ribeiro Gonçalves, presidida pelo Padre Valdêz Dall’Agnesse, SSP.

Estavam presentes as Irmãs da Casa Provincial e da Comunidade Paulo Apóstolo. Foi um momento orante e participativo. Ao final, cantamos o hino dedicado ao Bem-aventurado Timóteo Giaccardo:

Ao Mestre Divino o louvor porque chamou a lhe seguir/O Beato Timóteo Giaccardo, como discípulo fiel que o amou
Cantamos louvores a Ti, Jesus, com vozes ardentes de fé/
Por este discípulo amado. Fiel até o fim ao Senhor.

Beato Timóteo Giaccardo, nossa família confia em ti./
Do céu onde estás hoje implora/atende as preces e roga por nós.

Gratidão a Deus pelo Sim generoso da nossa Irmã Risalva Ribeiro Gonçalves e pelo testemunho de santidade do Bem-aventurado Timóteo Giaccardo.

Quem foi o Bem-Aventurado Timóteo Giaccardo?

José Timóteo Giaccardo, sacerdote paulino, italiano, pertence à Congregação da Pia Sociedade de São Paulo. A originalidade de sua vida está em ter sido o primeiro sacerdote da Família Paulina e um fidelíssimo discípulo do Fundador, Padre Tiago Alberione. Nasceu em Narsole, norte da Itália. Sua família era pobre de bens materiais, mas rica de fé e virtudes cristãs. Em 1908 José encontrou-se pela primeira vez com o jovem padre Tiago Alberione que, em Narzole estava dando sua colaboração na paróquia. Padre Alberione, percebendo no pequeno José profunda piedade e grande vontade de ser padre; encaminhou-o para o seminário da diocese de Alba.

Tendo como guia espiritual padre Alberione, em 1917 José Timóteo entrou na “Obra de São Paulo” fundada em 1914 por seu mestre e cuja finalidade específica era a evangelização por meio da imprensa, a principal mídia da época. Desde cedo José Timóteo mostrou-se uma pessoa de profunda vida interior, desejosa de ser cada dia melhor e ajudar seus semelhantes no bem. Por isso com grande fé acatou as orientações de Padre Alberione que indicava uma nova forma de santidade e de evangelização.

José Timóteo, movido pela fé, foi fiel companheiro da “primeira hora”, seguidor incondicional e colaborador ativo do Fundador da então nascente Família Paulina. Acompanhou todas as obras e todas as pessoas com grande perspicácia e sensibilidade. Além de alguns livros, deixou como preciosa herança espiritual um “Diário”, rico da presença de Deus e desejos profundos de santidade para si mesmo e para todos. Sua fé em Deus e amor à missão fazia dele uma pessoa autêntica e radical. Lemos em seu “Diário”: “Ó Jesus, quero viver de tua vida, transforma-me. Quero ser “outro Jesus” na minha vida e com todas as pessoas”.

Diante das grandes dificuldades para a aprovação da Congregação das Discípulas do Divino Mestre (uma das congregações fundadas por Alberione) que se dedicam à missão eucarística, missão sacerdotal e missão litúrgica, padre Timóteo não mediu esforços nem súplicas. Diante das respostas negativas não hesitou em oferecer a própria vida para a garantir a existência na Igreja desta congregação, certamente querida por Deus.

E o importante é que Deus aceitou a oferta. Foi assim que ele, acometido por leucemia, veio a falecer alguns dias após a aprovação pontifícia das Discípulas do Divino Mestre, no dia 24 de janeiro de 1948. A aprovação chegara no dia 12 de janeiro de 1948.
Dele escreveu o Fundador: “De 1909 a 1914, quando a Divina Providência preparava a Família Paulina, ele, embora não entendendo tudo, teve clara intuição da obra. As luzes que recebeu da Eucaristia, sua fervorosa devoção Mariana, a reflexão sobre os documentos pontifícios o iluminaram sobre as necessidades da Igreja e sobre os meios modernos para anúncio do Evangelho”.

PDDM: 64 anos de Brasil

A “nossa hora”

Ir. Maristela Bravin

Inspirado no ardor missionário do Apóstolo Paulo, desde o começo de suas fundações, Padre Tiago Alberione, almejava alcançar o mundo. Aos 70 anos, na História Carismática da Família Paulina ele afirma: ”De Alba tinha-se em vista a Itália; de Roma, especialmente as outras nações”, pois “a Família Paulina tem grande abertura para o mundo” e “de Roma partem os enviados para todas as direções” (AD 114.65). De fato, a partir de Roma, filhos e filhas de Alberione ganham o mundo “para anunciar o Evangelho” com os meios “mais rápidos e eficazes”.

Apenas consolidadas as três primeiras fundações: Paulinos, Paulinas e Pias Discípulas, em 1931 o Fundador os envia juntos, para implantar a Família além-mar, a começar pelo Brasil. Para as Pias Discípulas, porém, não era ainda o momento. A “hora de Deus” estava sendo preparada de modo singular.

Em 1902, um jovem casal de imigrantes italianos residente na cidade de São Carlos/SP, decide retornar à Itália com sua filhinha Margherita De Lucca, nascida em São Carlos, há poucos meses. Margherita cresce então na Itália, e aos 18 anos, ingressa no grupo inicial das fundações femininas de Padre Alberione, em Alba.

Seus pais, no entanto, voltam definitivamente para o Brasil e Margherita prossegue sua formação na Itália. Em 1924 ela é uma das oito jovens chamadas a constituir o núcleo fundante das Pias Discípulas do Divino Mestre. Ao fazer seus votos religiosos como Pia Discípula, ela recebe o nome de Ir. Maria Paulina.

Ir. M. Paulina deixa a Itália em fevereiro de 1956, para visitar sua família estabelecida no Brasil. Ela vem, porém, com o objetivo de permanecer, aguardando a chegada de outras irmãs para iniciar a vida das Pias Discípulas no Brasil.

De fato, em maio do mesmo ano, a então Madre geral das Pias Discípulas, Lucia Ricci lhe escreve: Finalmente posso dizer-lhe com prazer, que em julho irão as Irmãs: M. Salvatoris, M. Modesta, M. Giancarla, M. Venerina, M. Pasquina, M. Fabiana” (foto ao lado). Estas seis Discípulas,  partem do Porto de Genova no navio Conte Grande, e chegam ao Porto de Santos, dia 26 de julho de 1956.

Acolhidas com alegria e carinho pelas Irmãs Paulinas e pelos padres Paulinos, as recém-chegadas se ambientam na cidade de São Paulo, se orientam para moradia e iniciam a missão “prestando os serviços de oração e de trabalho no seminário Paulino”, na Rua Major Maragliano, Vila Mariana. Ir. M. Paulina, nas palavras da Madre geral que enviara antes, ela foi “uma Discípula da primeira hora na fundação da Congregação, e da primeira hora também, na abertura do novo Tabernáculo em seu solo natal”.

A esperança de vida logo desponta: uma jovem, Teruco Aoki, filha de migrantes japoneses, aguardava com Ir. M. Paulina, a chegada das Pias Discípulas para iniciar sua formação na nova comunidade. Outras jovens chegam e com mais duas Irmãs vindas da Itália se torna realidade a primeira casa de formação em 1957.

“Começar de Belém” sempre foi a indicação de Padre Alberione para as Casas e as obras apostólicas, assim foi para nossos inícios. E na ocasião de sua visita em 1963, ao ver o crescimento das Discípulas e das atividades apostólicas o Fundador afirma: “O dedo de Deus está aqui”.

Para nós, Pias Discípulas, 26 de julho é “memória” da chegada ao Brasil dessas “pioneiras” que vieram providas apenas da graça do carisma, da fé e confiança em Deus, de coragem e de entusiasmo. Brota então em nosso coração, imensa gratidão ao Divino Mestre pelo amor com que conduziu a elas e a todas nós que somos parte de linda história.

Celebrar 64 anos é acolher de novo a herança a nós transmitida, continuar a desenvolvê-la e transmiti-la às novas gerações.

Noviças no ano da Pandemia

Ser noviça em tempos de COVID-19

As Irmãs Pias Discípulas do Divino Mestre, como mencionado noutro artigo, comemoram neste 2º Domingo de Páscoa, o Dia da Noviça. Noviça é o nome dado para a jovem que está na etapa do Noviciado, terceiro degrau, vamos dizer, na formação de uma religiosa Pia Discípula.

Neste ano em especial, temos quatro noviças no primeiro ano e uma do segundo ano. Sim, o noviciado é uma etapa de dois anos. O primeiro, a noviça o faz dentro da casa destinada para a formação e é introduzida de forma mais profunda na vida e missão do carisma das Pias Discípulas. No segundo ano, a jovem é enviada por 3 ou 4 meses para fazer uma experiência como irmã numa comunidade. Este ano temos a noviça Indianara que está na Comunidade Divino Mestre, em Olinda, PE.

Mas como as nossas jovens estão vivenciado este período tão intenso nas suas vidas, longe de suas famílias, neste período que o mundo vive o medo do Covid19? Nós perguntamos isto para elas e gentilmente as nossas queridas noviças responderam:

Agradecemos a Deus por estes dois messes de caminhada no noviciado. Vivemos diversas experiências que nos ajudaram muito a crescer no Caminho do seguimento ao Divino Mestre, uma delas está sendo muito forte e significativa e é o que está atingindo ao mundo inteiro: a pandemia do COVID-19, com a peculiaridade da quarentena.

Neste contexto queremos partilhar a experiência que cada uma está vivendo:

Este tempo vivenciado de noviciado durante a quarentena pelo Covid-19 tem sido para mim momento de grande graça, onde tive a oportunidade de ficar perto da presença de Jesus Mestre na Eucaristia, na sua Palavra, em cada irmã da comunidade e nas tarefas cotidianas de cada dia na casa de formação. E também foi uma grande oportunidade de permanecer em comunhão com o mundo inteiro por meio da oração e interceção pedinho a Deus especialmente pelos que mais sofrem as consequências do vírus.
Noviça Odette Jagou
, 1º ano de noviciado

Para mim esta epidemia covid-19 que estamos vivenciando na sociedade tem sido oportunidade para refletir bastante que nós temos tudo na congregação, que a providência não nos abandona: temos eucaristia, aula, trabalho, comida, mestra em casa. As pessoas de fora se vêm na necessidade de sair de casa, para levar às suas famílias o pão cotidiano. Sempre penso que sou peregrina aqui. Na vida terrena tudo passa. Quem permanece para sempre é Deus que é o meu ideal, projeto e meta na minha vida. Neste curto tempo de noviciado estou muito mais conectada com o Mestre na minha oração pessoal e comunitária. Sinto estes dois meses como um tempo propício de graça, reconciliação, de maneira mais profunda com o Mestre, tendo um grande desejo interior de viver a vontade de Deus em meu ser e fazer, o qual me faz sentir muito feliz, agradecida, e motivada para continuar com a minha etapa de noviciado.
Noviça Virginia Landín Rodríguez
, 1º ano de noviciado

Este momento histórico que vivemos me fez lembrar dos inícios da nossa congregação, cheios de incerteza, de medo, de dificuldade, mas Alberione tinha a certeza de que tudo era obra de Deus e que tudo estava em suas mãos. Essa deve ser a nossa esperança neste tempo que vivemos: “tudo está nas mãos de Deus”.
O mundo inteiro está diante de grandes mudanças, repensando muitas coisas na parte social, política, econômica, formativa; nós não escapamos dessa realidade. Sinto-me convidada a me confirmar no chamado que Jesus me fez de ser sua discípula nesta congregação.
Não deixa de me preocupar a situação que vivem as famílias especialmente minha família na Venezuela um país que já se encontrava em crise humanitária. Mas tenho a certeza de que Deus vai cuidar deles e lhes vai providenciar o necessário para viver este tempo.
Agradeço a Deus por sempre ensinar-me com simplicidade, no cotidiano da vida. Além de aprender a ser discípula de Jesus Mestre e a conhecer nossa congregação, neste tempo estou aprendendo que o pessoal da saúde vale mais que qualquer futebolista, que somos frágeis; que a morte não distingue de raça nem status social; que o planeta se regenera rapidamente sem nossa presença; que a prevenção pode salvar vidas; que a nossa família é a Igreja doméstica e podemos celebrar juntos como família a nossa fé.
Desejo que Jesus, o rosto de Deus Pai, seja o ideal de toda a humanidade e que depois de tudo isto que vivemos sejamos melhores seres humanos.
Noviça Belimar Victoria Hernandez Escobar
, 1º ano de noviciado

Ainda nos primeiros meses do primeiro ano do noviciado quase não sei como é um noviciado sem quarentena. Para mim está sendo uma experiência muito significativa. É um tempo de viver bem intensamente a nossa missão de oração e intercessão pelo mundo inteiro; de poder viver uma forte comunhão com todo o povo que está sofrendo; e não só pela pandemia do COVID-19, e também trazer à Eucaristia, tanto na missa como na Adoração, a todas as pessoas que não podem receber a Jesus eucarístico.
Esta situação de isolamento social é quase como estar vivendo num deserto, como estar fazendo um grande retiro espiritual totalmente conectada com a realidade histórica.
Para mim está sendo uma oportunidade grande de tomada de consciência de muitas coisas. E estou vivendo positivamente, com a fé e certeza de que o Senhor Ressuscitado vai dar vida e vida em abundancia a tudo o que está morto e precisa de Ressurreição “Esta doença não é para a morte, mas para a glória de Deus, para que seja glorificado, por ela, o Filho de Deus” (Jo. 11,4)
O noviciado é um tempo de Graça e assim o creio. Hoje faço a experiência que a Graça de Deus vai além da situação histórica. Ele continua derramando sobre nós a sua Graça e acho que ainda com mais força nos tempos difíceis. O Senhor não nos abandona e, nessa certeza, fé e alegria são os motores nesta caminhada do noviciado nas pegadas de Jesus Mestre, querendo viver como a sua fiel discípula em todas as circunstâncias da vida.
Noviça Amira Giselle Isleño, 1º ano de noviciado

Penso que quando Pe. Timóteo iniciou a tradição de celebrar o dia das Noviças no Domingo In Albis, domingo que marcava a continuidade de caminho de aprofundamento e adesão a Cristo, ele desejou que cada uma de nós noviças buscássemos o Mestre como fonte e alimento que sustenta o caminho e isso a nós bastaria.
Pe. Alberione costumava dizer que o noviciado é uma preparação a união a maior com o Senhor, como os catecúmenos que após um longo caminho com Cristo junto à comunidade recebiam os sacramentos assumindo o ser cristão, nós noviças após um caminho de resposta ao amor generoso do Mestre, junto as nossas irmãs de congregação, assumimos a vida religiosa segundo o espírito da nossa Regra de Vida.
O Período Apostólico na vida de uma noviça é uma grande graça, em tempos de pandemia é também um desafio, pois se faz necessário deixar fluir um novo jeito de viver esse período, afinal a pandemia mudou nossas agendas, rotina e jeito de ver a vida.
Neste tempo tenho pisado o chão da vida fraterna, numa maior vivencia comunitária, partilhando da vida, medos, sonhos, realidades congregacionais e esperança que nascem a partir dessa realidade.
Estamos em casa e a nossa união com o Senhor como intercessoras, que pelo carisma e estilo de vida já era realidade vivida, tornou-se mais forte, Ele o Cristo Ressuscitado se coloca entre nós em meio as incertezas e desafios e por sua cruz reacende em nós a esperança e a confiança no amor do Pai. Estamos unidas como família como discípulas no Cristo chagado e ressuscitado.
Neste dia bendigo a Deus pelo dom da vocação e de ser Discípula em comunhão com todas as noviças da nossa congregação espalhadas no mundo, que a todas se acendam as luzes necessárias do amor de Deus.
Noviça Indyanara Bonardi
, 2º ano de noviciado

As noviças concluem seu testemunho de vida saudando todas as noviças Pias Discípulas no mundo: “Estamos em comunhão de orações e saudamos a todas, mas especialmente as noviças neste Domingo “In Albis” no qual, por iniciativa do Bem-Aventurado Timóteo Giaccardo, celebramos na nossa Congregação o dia das noviças”.

Noviça Indyanara e Comunidade Divino Mestre em Olinda, PE. Ela iniciou o período apostólico nesta comunidade em fevereiro.

CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2020: "Viu, sentiu compaixão e cuidou dele", Lc 10,33-34

A Campanha da Fraternidade é o modo com o qual a Igreja no Brasil vivencia a Quaresma. Há mais de cinco décadas, ela anuncia a importância de não se separar conversão e serviço à sociedade e ao planeta. A cada ano, um tema é destacado, assim, a Campanha da Fraternidade já refletiu sobre realidades muito próximas dos brasileiros: família, políticas públicas, saúde, trabalho, educação, moradia e violência, entre outros enfoques.

Em 2020, a CF convida, por meio de seu texto-base, a olhar de modo mais atento e detalhado para a vida. Com o tema “Fraternidade e Vida: Dom e Compromisso” e lema “Viu, sentiu compaixão e cuidou dele” (Lc 10,33-34), busca conscientizar, à luz da palavra de Deus, para o sentido da vida como dom e compromisso, que se traduz em relações de mútuo cuidado entre as pessoas, na família, na comunidade, na sociedade e no planeta, casa comum. 

Sobre a CF 2020

Lançado pela editora da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a Edições CNBB, o texto-base convida a um olhar que se eleva para Deus, no mais profundo espírito quaresmal, e volta-se também para os irmãos e irmãs, identificando a criação como presente amoroso do Pai. No texto, a presidência da CNBB afirma que a Campanha será uma motivação para olhar transversalmente as diversas realidades, interpelando a todos ao respeito do sentido que, na prática, se atribui à vida, nas suas diversas dimensões: pessoal, comunitária, social e ecológica.

“Não se pode viver a vida passando ao largo das dores dos irmãos e irmãs”, diz um trecho do texto base. Versentir, compaixão cuidar são os verbos de ação que irão conduzir este tempo quaresmal. Para isso, o texto-base que é dividido em três partes, convida que cada pessoa, cada grupo pastoral, movimento, associação, Igreja Particular e o Brasil inteiro, motivados pela Campanha da Fraternidade, possam ver fortalecida a revolução do cuidado, do zelo, da preocupação mútua e, portanto, da fraternidade.

HINO DA CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2020

O autor da letra é o padre José Antônio de Oliveira, 67 anos, da paróquia São João Batista de Barão de Cocais da arquidiocese de Mariana (MG). Segundo ele, o hino tem o poder de levar a mensagem central da campanha da fraternidade para todo o Brasil. “É uma semente que será semeada por aí. Não deixa de ser uma alegria muito grande evangelizar por meio da música”, disse.

O religioso já teve outras letras de música escolhidas para concursos da CNBB, entre elas o canto de comunhão: “Vamos Juntos para a Mesa”, da CF 2002, musicada por Lucas de Paula Almeida.

Processo de escolha –  31 propostas de letra para o hino da CF 2020 chegaram à CNBB após a prorrogação do edital de concurso nacional até 22 de julho de 2019. A Comissão Episcopal Pastoral para a Liturgia da CNBB fez uma triagem entre todas as propostas e pré-selecionou 5 letras que foram apresentadas em reunião do Conselho Episcopal Pastoral (Consep) da entidade. Entre as cinco finalistas, os bispos, membros do Consep, escolheram o hino.

A próximo passo segundo o irmão Fernando Benedito Vieira, assessor do Setor de Música Litúrgica da CNBB, será colocar a música na letra, o que será feito com o apoio de uma equipe composta de cinco peritos em música litúrgica. A proposta é que em um mês a versão final de letra com a música seja apresentada para a Comissão para a Liturgia da CNBB para a aprovação final.

Conheça a letra do Hino da Campanha da Fraternidade 2020:

Tema: Fraternidade e Vida: Dom e Compromisso
Lema: “Viu, sentiu compaixão e cuidou dele” (cf. Lc 10,33-34)
Autor: Pe. José Antonio de Oliveira

1) Deus de amor e de ternura, contemplamos
este mundo tão bonito que nos deste. (Cf. Gn 1,2-15; 2,1-25)
Desse Dom, fonte da vida, recordamos: (Cf. SI 36,10)
Cuidadores, guardiões tu nos fizeste. (Cf. Gn 2,15)

Peregrinos, aprendemos nesta estrada
o que o “bom samaritano” ensinou:
Ao passar por uma vida ameaçada,
Ele a viu, compadeceu e cuidou. (Cf. Lc 10,33-34)

2) Toda vida é um presente e é sagrada,
seja humana, vegetal ou animal. (Cf. LS, esp. Cap. IV)
É pra sempre ser cuidada e respeitada,
desde o início até seu termo natural.

3) Tua glória é o homem vivo, Deus da Vida; (Cf. Santo Irineu)
ver felizes os teus filhos, tuas filhas;
é a justiça para todos, sem medida; (Cf. Am 5,24)
É formarmos, no amor, bela Família.

4) Mata a vida o vírus torpe da ganância,
da violência, da mentira e da ambição.
Mas também o preconceito, a intolerância.
O caminho é a justiça e conversão. (Cf. 2Tm 2,22-26)

HINO DA CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2020

Eu vim para servir…

O encontro das irmãs que exercem o ministério das Coordenadoras das diversas comunidades do Brasil das Irmãs Pias Discípulas do Divino Mestre aconteceu em Cabreuva, SP, na casa da senhora Antonieta, uma amiga da comunidade Jardim Divino Mestre, de 14 a 16 de fevereiro.

Participou do evento as 12 irmãs coordenadoras, a ir. Marilez Furlanetto, como provincial e assessora, e a ir. Ana Patrícia Reinaldo, ecônoma provincial.

As irmãs trabalharam a 4ª prioridade da CRB, com a motivação de tecer relações interpessoais. Como plano de Ação da Conferência dos Religiosos do Brasil – Nacional, proposto para o triênio 2019 a 2022, se propõe promover relações humanizadoras e atenção diferenciada à cada geração na Vida Religiosa Consagrada. Segundo a carta motivadora salienta, existe a necessidade de tecer relações de ternura, de fraternidade e de sinodalidade como expressão de uma nova forma de convivência capaz de superar o individualismo e a dominação.

De fato, em todas as fases da Vida Religiosa Consagrada deve resplandecer o vigor e a alegria de quem optou pelo discipulado de Jesus, promovendo relações mais humanizadoras com as características próprias de cada pessoa, suas belezas e limites. Promover uma cultura de encontro nos desafia a incrementar os consensos comunitários, a partilha de sentimentos, as relações humanizadoras, o perdão e a festa. Fomentar relações fraternas que, no serviço a Deus e ao povo, encontre a fonte da sua vitalidade.

A Vida Religiosa Consagrada Jovem aparece como um dom a ser acolhido, escutado, acompanhado e levado em conta o seu protagonismo. Redesenhar os processos de acompanhamento à terceira idade e aos religiosos enfermos emerge como uma urgência para muitas congregações.

É preciso reconhecer o valor de cada pessoa, na sua faixa etária, as que acabaram de chegar, as que estão à frente da missão, as de meia-idade, e as que se consagraram há mais tempo, de modo que todas deem testemunho do Deus vivo e atuante no meio do seu povo.

O desafio de novos modos de relação nos interpela a refletir e oferecer orientação sobre comportamentos padronizados, autoridades inquestionáveis e a realidade do abuso de poder, de consciência e sexual, sendo sensíveis e profetas perante as questões de gênero.

A ir. Juceli Mesquita, coordenadora e mestra da Casa Nazaré, de acolhida a etapa formativa do Postulado, fez uma dinâmica que salientou as características de cada pessoa na composição deste rosto comunitário.

Também foi fomentado a compreensão do que se entende hoje com o ministério de coordenação. O enfoque foi na forma de liderança assertiva nas nossas comunidades. Também se falou da importância do projeto comunitário levando em conta o rosto de cada comunidade.

O encontro foi motivador. Todas as irmãs saíram incentivadas e animadas para a missão.

Para honra e glória da Santíssima Trindade…

Dia 9 de fevereiro, as Irmãs Pias Discípulas estão em festa. Duas jovens professam os votos pela primeira vez de pobreza, castidade e obediência, segundo o carisma das Pias Discípulas: a Bianca e a Samillis. Elas fizeram parte de um postulantado e noviciado internacionais. Com elas, mais 3 outras jovens, de outras nações, emitem os votos religiosos: Marilina (Argentina); Sara (Itália); Jessica (Venezuela).

Este projeto formativo reúne as jovens em formação em uma nação. O Brasil sedia esta experiência há alguns anos, iniciado apenas com a Argentina. Agora outras nações também enviam suas jovens para uma formação conjunta.

As jovens brasileiras professam os votos em Caxias do Sul, RS, na casa do noviciado. Abaixo, um pouco da história vocacional destas duas amazonenses.

Convite das jovens para a Primeira Profissão Religiosa

Me chamo Antônia Bianca Oliveira dos Santos. Nasci em 21 de janeiro de 1998 na Vila de Tamanicuá, Juruá, Amazonas. Tenho 22 anos.Sou a segunda filha do casal Ana Maria Gomes de Oliveira  e Ejânio Lima dos Santos. Tenho cinco irmãos: duas meninas e três meninos.

O despertar da minha vocação foi na catequese quando me preparava para receber o sacramento da Eucaristia. Especificamente em um encontro no qual líamos o texto do Evangelho de Mateus, onde Jesus faz o chamado para os seus primeiros discípulos nas margens do mar da Galileia e os convida a deixarem as redes, segui-lo e se tornarem pescadores de gente. Com essa passagem bíblic, senti que Jesus também me chamava para ser pescadora de gente. Naquele momento não tinha consciência do que Jesus me pedia e se era realmente isso que Ele queria para mim, mas lembro que falei para minha catequista e disse: “quero ser pescadora de gente como os discípulos de Jesus”.

Aos 12 anos, entrei no grupo de corainhas e passei a atuar ativamente na comunidade. Com isso passei também a ter um contato mais próximo com os (as) missionários (as) e irmãs que passavam fazendo missão na minha comunidade. Vendo o testemunho dessas irmãs e a missão que elas realizavam na comunidade, senti o desejo de fazer o bem e ajudar as pessoas como elas. Foi ai que voltou o convite de Jesus feito aos seus discípulos. Lembro-me que um dia disse para minha mãe: “acho que vou ser freira porque quero fazer o bem para pessoas”. Não lembro se ela me disse algo. Falei e depois saí. O tempo foi passando e, entre os meus 14 e 15 anos, fui descobrindo outras coisas e o desejo de ser freira foi ficando adormecido no meu coração. No final de 2013, tive a oportunidade de conversar com uma irmã sobre a vocação religiosa e novamente o convite de Jesus para segui-lo e o desejo de ser freira voltou a aquecer meu coração. 

No inicio de 2014, após ter expressado para o pároco da minha comunidade o desejo de ser religiosa ele me apresentou a Congregação das irmãs Pias Discípulas do Divino Mestre. Na ocasião conversei com a Letícia Pontini e comecei o acompanhamento vocacional.

Durante o ano de 2014, respondi as fichas que ela me enviava e, em janeiro de 2015, fui convidada a fazer uma experiência de 15 dias em nossa comunidade de Manaus. No mês de Julho deste mesmo ano, viajei novamente e fiquei mais alguns dias com as irmãs. Essas duas experiências foram muito importantes, pois conheci mais de perto o nosso Carisma e me encantei com a nossa missão. Foi exatamente a missão e a alegria das irmãs que me chamaram a atenção.

Em 2016, entrei no aspirantado, a primeira etapa da formação que se deu na cidade de São Paulo­-SP. Ali foi uma experiência desafiadora, pois tive que deixar minha família, amigos, minha terra, minha cultura e a passar a morar em uma realidade totalmente diferente do Amazonas e a conviver com pessoas tão diferentes! Mas o amor pelo Divino Mestre e sua graça; o apoio da minha família que sempre me ajudou e o carinho e acolhida das irmãs, fiz uma linda experiência de fortalecimento na fé e aprofundamento no seguimento de Jesus Mestre Caminho, Verdade e Vida.

No ano de 2017, fiz o postulantado na cidade de Cabreúva- SP. Nesta etapa de formação tive a graça de fazer parte de um grupo de formandas internacional. Três das quatro jovens que estavam junto comigo na formação eram de outros países. Ao mesmo tempo em que essa realidade era desafiadora, foi também enriquecedora, favorecendo crescer na abertura e acolhida ao diferente.

De 2018 a 2020, fiz o noviciado, em Caxias do Sul-RS. Esta etapa é central na caminhada formativa da vida religiosa consagrada. Um tempo muito bonito que me possibilitou maior encontro comigo mesma, crescimento na intimidade com Jesus Mestre e no conhecimento da Congregação, o que me faz hoje assumir com confiança e alegria a graça da vocação.

Louvo e agradeço a Deus que me ama e chama para seguir o seu Filho Jesus mais de perto como sua discípula. Agradeço a congregação que me acolhe com carinho e a minha família que me acompanhou na caminhada vocacional e em todos os momentos. Jesus Mestre nos abençoe e nos conceda a graça da perseverança na fidelidade ao seu amor a serviço dos irmãos.

Meu nome é Samillis Praia de Castro. Tenho 24 anos. Sou natural de Coari-Amazonas.

Bem, quando eu tinha 15 anos um fato questionou meu coração…
Certo dia, em um retiro, por volta das 5hs da manhã, ouvi sussurros: alguns jovens se levantavam para preparar o café. Eles estavam tão contentes. Decidi em meu coração que também faria isso: qualquer coisa que pudesse ajudar as pessoas a conhecer o Senhor e sentirem-se amadas, porque foi também neles que eu pude sentir que Deus me ama, ama nas entrelinhas da vida, nos gestos concretos, pequenos e grandes.

Logo comecei a participar daquele grupo, mas não me encontrei ali. Sentia que poderia ir além, porém, não sabia para onde e como.
Nos meus 17 anos, aconteceu um encontro da campanha da fraternidade lá em casa. Enquanto as pessoas liam a Palavra e falavam da sua vida a partir da Palavra meu coração palpitava forte, sentia que devia seguir com aquele grupo, mas ali só havia pessoas adultas e idosas, então eu entusiasmada convidei muitos jovens. Depois que terminou a campanha formamos um grupo de jovens, mas sempre sentia que devia ir além, que Deus me pedia algo mais, algo me inquietava.

Durante três anos participei de muitas pastorais, mas ainda não era suficiente, sentia que devia ir além. Fui com o pároco por vários dias visitar e celebrar nas comunidades ribeirinhas. No meio dos belos rios do Amazonas ele me perguntou se já havia pensado na vida religiosa e prontamente respondei: Não! Mas quem sabe! Ele disse: vou entrar em contato com umas irmãs. Eu logo pensei: aquela que responder primeiro, é com essa que eu vou. Dias depois estava lá na cidade Irmã Letícia Pontini da congregação das Irmãs Pias Discípulas do Divino Mestre e me procurou. Logo iniciei um processo de discernimento. Ela me enviava cartas e eu respondia por cartas também.

No ano seguinte já com 20 anos ingressei na congregação. Tinha no coração duas coisas: conhecer o Senhor e fazer sua vontade, independente do que tivesse que fazer. Sinto ter encontrado o caminho, o meu caminho. Só Nele me encontro e encontro o sentido para doar a minha vida.

Hoje tenho 24 anos, sou noviça e no próximo dia 09 de fevereiro de 2020, com alegria e liberdade professarei os votos religiosos de pobreza, castidade e obediência. Desejo permanecer sempre com o Senhor, fazendo a sua vontade e vivendo como discípula missionária, nesta família religiosa.

Semana pela Unidade dos Cristãos 2020: o drama dos migrantes

“Trataram-nos com gentileza”: este versículo dos Atos dos Apóstolos (28,2) é o tema do subsídio da Semana de Oração pela Unidade de Cristãos 2020. O texto foi redigido pelas Igrejas cristãs de Malta e Gozo.

A Europa, diferentemente do hemisfério sul, celebra a Semana de Unidade dos Cristão de 18 a 25 de janeiro. Neste ano de 2020, os materiais para a Semana de Oração pela Unidade Cristã foram preparados pelas Igrejas cristãs em Malta e Gozo (Cristãos Unidos em Malta).

Em 10 de fevereiro, muitos cristãos em Malta celebram a festa do naufrágio de São Paulo, destacando e agradecendo a chegada da fé cristã nessas ilhas. Por isso, está sendo proposto a leitura de Atos dos Apóstolos usada na festa. A história começa com Paulo sendo levado a Roma como prisioneiro (At 27,1ss). Paulo está preso, mas mesmo numa viagem que se torna perigosa, a missão de Deus continua através dele.

Essa narrativa é um clássico drama da humanidade confrontada com o aterrorizante poder dos elementos. Os passageiros do navio estão expostos às forças dos mares abaixo e das poderosas tempestades que se erguem ao seu redor. Essas forças os levam a um território desconhecido, onde estão perdidos e sem esperança.

As 276 pessoas a bordo do navio são divididas em grupos distintos. O centurião e seus soldados têm poder e autoridade mas dependem da perícia e da experiência dos marinheiros. Embora todos estejam assustados e vulneráveis, os prisioneiros são os mais vulneráveis de todos. Suas vidas são consideradas dispensáveis, eles estão em risco de uma execução sumária (cf 27,42).

À medida que a história se desenvolve, sob pressão e temendo por suas vidas, vemos desconfiança e suspeita ampliando as divisões entre os diferentes grupos. Notavelmente, porém, Paulo se ergue como um centro de paz no tumulto. Ele sabe que sua vida não é governada por forças indiferentes ao seu destino, mas está segura nas mãos do Deus a quem ele pertence e serve (cf 27,23).

Por causa de sua fé, ele está confiante de que se erguerá diante do imperador em Roma, e na força da sua fé pode se erguer diante de seus companheiros de viagem e dar graças a Deus. Todos estão encorajados. Seguindo o exemplo de Paulo, eles partilham pão, unidos numa nova esperança e confiando em suas palavras. Isso indica o tema principal dessa passagem: a providência divina. Foi decisão do centurião navegar em tempo ruim, mas ao longo da tempestade os marinheiros tomam decisões sobre como lidar com o navio. Mas ao final seus próprios planos são alterados e, somente permanecendo juntos e permitindo que o navio naufrague, eles chegam a ser salvos pela divina providência.

O navio e toda a sua valiosa carga se perderão, mas todas as vidas serão salvas, “nenhum de vós perderá um cabelo sequer de sua cabeça” (cf 27,34; Lc 21,18). Em nossa busca da unidade cristã, entregar-nos à divina providência vai exigir deixar de lado muitas coisas a que estamos profundamente ligados. O que importa para Deus é a salvação de todas as pessoas. Esse grupo de pessoas diversas e em conflito desembarca em uma ilha (cf 27,26).

Tendo sido jogados juntos no mesmo navio, chegam ao mesmo destino, onde a sua unidade humana se manifesta na hospitalidade que recebem dos nativos da ilha. Ao se unirem ao redor do fogo, cercados por um povo que nem os conhece nem os compreende, diferenças de poder e posição social se esvaem. Os 276 não estão mais na dependência de forças indiferentes, mas envolvidos pela amorosa previdência de Deus, que se mostra presente através de um povo que lhes demonstra uma “benevolência fora do comum” (Cf 28,2).

Com frio e molhados, eles podem se aquecer e secar perto do fogo. Com fome, recebem comida. São abrigados até que seja seguro para eles continuar a viagem.

Hoje muitas pessoas estão enfrentando terrores semelhantes nesses mesmos mares. Os mesmos lugares mencionados no texto lido (cf 27,1; 28,1) também fazem parte das histórias de migrantes de tempos modernos. Em outras partes do mundo muitos outros estão fazendo jornadas igualmente perigosas por terra e pelo mar para escapar de desastres naturais, guerra e pobreza. Suas vidas também estão expostas a imensas e friamente indiferentes forças – não apenas naturais, mas também políticas, econômicas e humanas.

Essa indiferença humana assume várias formas: a indiferença dos que vendem lugares em barcos inadequados para pessoas desesperadas; a indiferença que leva à decisão de não enviar barcos de socorro; a indiferença que faz mandar embora barcos de imigrantes. Isso são apenas alguns exemplos.

Como cristãos unidos encarando as crises da migração essa história nos desafia: apoiamos as frias forças da indiferença, ou mostramos “benevolência fora do comum” e nos tornamos testemunhas da amorosa providência de Deus para todas as pessoas? A hospitalidade é uma virtude muito necessária em nossa busca da unidade cristã. É uma prática que nos leva a uma maior generosidade para os necessitados.

As pessoas que mostraram benevolência fora do comum a Paulo e seus companheiros não conheciam ainda Cristo, mas mesmo assim é através de sua benevolência fora do comum que um povo dividido vai ficando unido. Nossa própria unidade cristã será descoberta não apenas mostrando hospitalidade de uns para os outros, embora isso seja muito importante, mas também através de encontros amigáveis com aqueles que não partilham nossa língua, cultura ou fé. Em tais viagens tempestuosas e encontros casuais, a vontade de Deus para a Igreja e para todas as pessoas será cumprida. Como Paulo proclamará em Roma, a salvação de Deus foi enviada a todos os povos (cf At 28,28).

As reflexões para os oito dias e a celebração serão baseadas no texto de Atos dos Apóstolos.

Os temas para os oito dias são:

Dia 1: Reconciliação: Atirando a carga ao mar

Dia 2: Iluminação: Buscando e apresentando a luz de Cristo

Dia 3: Esperança: Mensagem de Paulo

Dia 4: Confiança: Não tenha medo, creia

Dia 5: Fortalecimento: Partilhando pão para a viagem

Dia 6: Hospitalidade: Demonstre benevolência fora do comum

Dia 7: Conversão: Mudando nossos corações e mentes

Dia 8: Generosidade: Recebendo e dando

Para baixar os textos, clique no link: http://www.christianunity.va/content/dam/unitacristiani/Settimana%20di%20preghiera%20per%20unit%C3%A0/2020/PORT%202020%20Libretto.pdf

Fonte da Notícia: Vatican News

NOSSA SENHORA DE GUADALUPE

Na América Latina o título mariano que se destaca é, realmente, Nossa Senhora de Guadalupe. Já existe há quase 500 anos.

Na liturgia da Igreja Nossa Senhora de Guadalupe tem sua festa celebrada no dia 12 de dezembro. É considerada a padroeira principal da América Latina. A festa foi instituída em 1754.

A Igreja de Nossa Senhora de Guadalupe localize-se na cidade do México. É uma basílica menor da Igreja Católica.

A atual Basílica de Nossa Senhora de Guadalupe constitui um santuário nacional do México. Está situado no monte de Tepyac.

O Santuário mariano é considerado o principal templo da Igreja católica no continente americano. É a segunda igreja mais visitada do catolicismo no mundo, só perdendo para a Basílica de São Pedro.

A nova Basílica recebe mais de 20 milhões de visitantes ao longo do ano e inumeráveis peregrinações de todo o México. As grandes peregrinações chegam a 2.500 por ano. Os grupos espontâneos perfazem 6 mil anuais.

Basílica moderna

O Santuário de Nossa Senhora de Guadalupe é composto de várias igrejas e capelas, dentre elas as duas basílicas, uma do século XVI, e outra da década de 1970. A Basílica nova foi edificada em razão do afundamento da antiga devido ao terreno movediço. Isso porque a cidade do México foi construída em cima de um lago aterrado, o Lago de Texcoco.

A Basílica nova foi construída entre os anos de 1974 e 1976. Foi projetada pelo arquiteto mexicano Pedro Ramírez Vásquez. Sua inauguração transcorreu aos 12 de outubro de 1976.

A Basílica nova foi idealizada em estilo moderno. Viabiliza permitir uma vista total do altar para os devotos que estão no interior.

A estrutura é suportada por 350 pilares. Pode abrigar 10 mil peregrinos dentro da Igreja.

Na nova Basílica, em celebrações especiais, são colocados assentos adicionais e a capacidade chega até 40 mil lugares. O santuário abriga, em seu interior a tilma de Juan Diego Cuauhtlatoatzin.

Basílica antiga

A antiga Basílica é o primeiro templo católico dedicado a Nossa Senhora de Guadalupe. Começou a ser construída em 1531.

Foi concluída e inaugurada no dia 1º. de maio de 1709. Foi projetada por Pedro Arrieta. Em 24 de outubro de 1887 foram feitas reparações na igreja.

No dia 12 de outubro de 1895 a imagem de Nossa Senhora de Guadalupe foi solenemente coroada pelo arcebispo do México. 50 mil fiéis participaram com piedade e comoção.

O interior do templo é decorado em mármore com duas estátuas de Juan Diego e de D. Fr. Juan de Zumárraga. Em 1904, foi elevado à categoria de Basílica pelo Papa São Pio X.

As vestes de Juan Diego ficaram abrigadas na Igreja até 1974. Quando a nova Basílica ficou pronta, passaram para ela.

Na década de 1970 foi descoberto o afundamento do terreno. E novo templo teve que ser planejado.

Já em 1979, o Instituto Nacional de Antropologia e História (INAH), em parceria com a Igreja católica mexicana, iniciou um trabalho arqueológico para restaurar o chão da Igreja e impedir a perda de artefatos importantes.

Embora ainda não tenham sido finalizados os trabalhos na Basílica antiga, a primeira etapa da restauração já foi concluída com sucesso em 2000. O templo foi reaberto em 2001.

Origem da devoção

Os primeiros missionários, que chegaram ao México, eram originários da Espanha, país de tradição mariana. Além de transmitirem a fé cristã, eles também ensinaram a devoção da Virgem Maria. Nos albores da evangelização, o primeiro sinal luminoso do culto mariano foi a presença de Nossa Senhora de Guadalupe na religiosidade de nosso povo.

A devoção de Nossa Senhora de Guadalupe é proveniente do país do México, no século XVI. Surgiu em 1531, quando a Virgem Maria apareceu a Juan Diego, de 48 anos, na colina de Tepyac, localizado a noroeste da cidade do México.

Originário do México, Juan nasceu em 1474, em Calpuli. Era um índio nativo, que antes de ser batizado tinha o nome de Cuauhtlatoatzin.

Juan era um índio pobre, da Tribo de Nahua. Pertencia a mais baixa casta do Império Asteca. Dedicava ao difícil trabalho do campo e à fabricação de esteira.

Possuía um pedaço de terra, onde vivia feliz com a esposa, numa pequena casa, mas não tinha filho. Sua esposa se chamava Maria Lúcia.

Atraído pela pregação dos frades franciscanos que chegaram ao Méxido em 1524, Juan converteu-se ao cristianismo. Foi batizado junto com sua esposa. Receberam o nome cristão de  Juan Diego e Maria Lúcia.

Homem piedoso

Juan era um homem dedicado e piedoso, que sempre se retirava para fazer suas orações e penitências. Costumava caminhar de sua vila à cidade do Mèxico, percorrendo três horas e meia até a igreja, onde participava da missa e aprendia religião.

Juan andava descalço. Vestia, nas manhãs frias, uma roupa de tecido grosso de fibras de cactos como um manto, chamado tilma ou ayate, como todos de sua classe social.

Sua esposa adoeceu e faleceu em 1529. Juan foi morar com seu tio, diminuindo a distância da igreja. Fazia esse percurso todo sábado e domingo, saindo bem cedo, antes do amanhecer. Foi numa destas idas que Nossa Senhora lhe apareceu.

Quando ocorreram as aparições marianas, Juan tinha 57 anos. Ele dedicou-se ao serviço de Nossa Senhora de Guadalupe em sua pequena igreja. Deixando seu povoado para sempre, ele foi morar num pequeno quarto junto à igreja como ermitão, com licença do bispo. Amou, profundamente, o sacramento da eucaristia e consegui uma especial licença do bispo para receber a comunhão três vezes na semana, um fato bastante raro na época.

Juan cuidava bem do templo mariano. Todos os dias fazia uma oração familiar diante da imagem da Mãe de Deus. Era um homem exemplar, temente a Deus de consciência reta e louváveis costumes. Tinha tal reputação de santidade que os peregrinos, que frequentavam o pequeno santuário para suplicar favores a Virgem Maria, tomavam o indígena como intercessor e se recomendava às suas preces.

Juan faleceu no dia 30 de maio de 1538, aos 74 anos, de morte natural. Foi beatificado pelo Papa São João Paulo II em 1990.

Foi também canonizado por São João Paulo II em 2002. Foi o primeiro santo católico indígena americano. É modelo de fé simples e humilde nutrida pelo catecismo.

A festa litúrgica de São Juan é celebrada no dia 9 de dezembro. É padroeiro dos povos indígenas e floristas.

Aparições marianas

De acordo com os relatos históricos, a Virgem Maria apareceu primeiro quatro vezes a Juan. E também apareceu uma vez ao seu tio.

No dia 9 de dezembro de 1531, sábado, de madrugada, na cidade do México, Juan, recém batizado, dirigiu-se à Igreja de Santa Cruz de Tlaltelolco, que ficava a 24 km de sua casa, a fim de para participar da missa.

Ao passar junto à colina de Tepyac, o indígena ouviu um cântico harmonioso e suave, vindo do alto do morro. Enquanto admirava e olhava ao redor, cessou, de repente, o canto. Então ouviu uma voz delicada do alto que o chamava carinhosamente pelo nome.

Ao olhar em direção à colina, Juan viu uma Senhora belíssima, de pé, que o convidava a se aproximar. Subiu com toda pressa a encosta do outeiro. No topo do monte, estando diante dela, ele ficou maravilhado com sua beleza. Sua vestimenta brilhava.

Com ternura e polidez, a Senhora se apresentou a Juan como a Virgem Maria, Mãe de Jesus Cristo, o Verbo de Deus. Falando-lhe em sua língua, náhuatl, ela o enviou para dizer ao primeiro bispo do México, D. Fr. João de Zumárraga, que era seu desejo ardente que fosse erigida naquele local uma igreja em sua honra.

Logo após a aparição, Juan dirigiu-se até a cidade do México, onde ficava o palácio episcopal. Acanhado, transmitiu ao bispo a mensagem que recebera de Nossa Senhora. Sua missão não foi bem sucedida, porque a autoridade eclesiástica não acreditou na veracidade do fato.

Na tarde do mesmo dia 9, Juan novamente se encontrou com a Virgem Maria, que o esperava na colina. Ele quis renunciar a ser embaixador da Mãe de Deus junto ao bispo, pedindo que escolhesse outro mensageiro mais importante.

Missão reafirmada

Entretanto, Nossa Senhora não aceitou a renúncia de Juan. Reafirmou missão dele, dizendo-lhe que ele era plenamente capaz. Então, ela solicitou que ele, em seu nome, voltasse a falar com o bispo no dia seguinte e continuasse insistindo em seu pedido.

No domingo de manhã, 10 de dezembro, Juan, obedecendo a Mãe de Jesus, procurou novamente o bispo. O prelado instruiu que o indígena retornasse ao monte Tepyac e pedisse a Virgem Maria uma prova de sua identidade sobrenatural.

Ainda no dia 10, à tarde, Juan voltou para a colina e viu novamente Nossa Senhora, informando-lhe a resposta do bispo. Ela consentiu em fornecer no dia seguinte o sinal que o bispo lhe havia solicitado.

Na segunda-feira, 11 de dezembro, Juan não se apresentou ao encontro marcado com a Virgem Maria. Teve que cuidar do tio e pai de criação, Juan Bernardino, que adoecera gravemente. Em vão procurou um médico que atendesse o tio.

Na terça-feira, dia 12 de dezembro, Juan teve que ir às pressas a Tlatelolco para buscar um sacerdote para ouvir a confissão do tio e ministrar a unção dos enfermos em seu leito de morte.

Para evitar ser atrasado pela aparição e por sentir envergonhado por não ter conseguido ver a Virgem Maria na segunda-feira, Juan escolheu outra rota ao redor da colina. Mas a Mãe de Jesus o interceptou no desvio e pergunto-lhe para onde ele estava indo. O vidente desculpou-se, falando-lhe do tio doente.

Flores raras

Como mãe benigna, dadivosa e protetora, Nossa Senhora assegurou a Juan que seu tio obteria perfeito restabelecimento. Logo em seguida, ela lhe pediu que subisse o monte Tepyac e colhesse flores do seu cume, levando-as ao bispo.

No alto do morro o solo era estéril, principalmente em dezembro. Era inverno no hemisfério norte. Seguindo as instruções de Nossa Senhora, Juan colheu rosas castelhanas, não nativas do México, florescendo lá. Eram flores frescas. Ele as recolheu e as enrolou na manta.

Chegando ao palácio episcopal, depois de longa espera, Juan conseguiu a audiência com o bispo no dia 12 de dezembro. Repetiu-lhe a mensagem da Virgem Maria. Desdobrou a manta diante do bispo e de um grupo de assistentes.

Surpreso, o bispo viu a imagem de Nossa Senhora pintada na manta, de onde caíam as flores frescas em pleno inverno. Era o retrato da Mãe de Jesus que Juan tinha visto várias vezes na colina de Tepyac.

Emocionados, o bispo e todos os presentes caíram de joelhos beijando a imagem milagrosa. O bispo a guardou em sua capela.

Nome querido pela Virgem

No outro dia, 13 de dezembro, Juan e o bispo, com numeroso séquito, foram conhecer o lugar das aparições. Imediatamente, foram convidadas pessoas para construir a igreja no lugar que Nossa Senhora indicara.

No mesmo dia, Juan e o bispo foram visitar Juan Bernardino, seu tio, encontrando-o totalmente recuperado. Sorrindo, ouvindo o relato das aparições, Bernardino contou também que tinha visto a Virgem Maria ao lado de sua cama. Disse-lhe que ela desejava a construção de um templo na colina de Tepyac. Declarou que a Mãe de Deus queria que sua imagem fosse chamada: “Santa Maria de Guadalupe”.

Inicialmente, a imagem de Nossa Senhora de Guadalupe permaneceu por certo tempo na catedral da cidade. Os fiéis vinham ver e admirar a imagem como obra divina e rezavam diante dela. Ficavam muito comovidos da maneira como, por milagre, ela aparecera. Para eles, ficava evidente que nenhum ser humano da terra havia pintado aquela imagem da Mãe do Salvador.

Diante do fenômeno da aparição de Nossa Senhora de Guadalupe, em pouco tempo, os indígenas se converteram ao catolicismo. Eles “se sentiram amados pela Virgem Maria” (Pe. Ernesto N. Roman, sacerdote diocesano e escritor).

Em 26 de dezembro de 1531, a imagem de Nossa Senhora de Guadalupe foi solenemente transladada para uma pequena capela erguida no outeiro da coluna de Tepyac. No singular templo a pintura mariana ficou exposta à veneração pública dos fiéis.

O culto de Nossa Senhora de Guadalupe propagou-se rapidamente na região. Contribuiu muito para a difusão da fé católica entre os indígenas.

A devoção mariana provocou rápidas conversões dos mexicanos à Igreja de Cristo. Os franciscanos batizaram dez milhões de pessoas.

Padroeira da América Latina

Em 25 de maio de 1754, o Papa Bento XIV declarou Nossa Senhora de Guadalupe patrona da chamada Nova Espanha, que correspondia à América Central e América do Norte. Aprovou também os textos litúrgicos para a missa e breviário em sua homenagem.

Em 1891, o Papa Leão XII concedeu novos textos litúrgicos. Em 8 de fevereiro de 1895, ele autorizou a coroação canônica da imagem. Aos 12 de outubro de 1897, a imagem foi solenemente coroada.

Em 1910, São Pio X proclamou Nossa Senhora de Guadalupe como Padroeira da América Latina.

Em 1945, o Papa Pio XII deu-lhe o título de “Imperatriz da América”.

Atualmente, no centro da abside da majestosa Basílica observa-se o manto com as feições da Virgem Maria, conservados durante os últimos 500 anos. Testemunha o culto ininterrupto da Virgem Maria desde os inícios até hoje. “A presença de Maria de Guadalupe é um abraço amoroso a todos os seus devotos” (Pe. Corrado Maggioni, sacerdote montfortiano e escritor mariano).

Os devotos têm visitado continuamente a Basílica de Nossa Senhora de Guadalupe. Não só peregrinos do país, mas também do estrangeiro. O Santuário se transforma em centro de evangelização e nicho de aconchego dos filhos de Maria. “As aparições da Virgem Maria oficializadas pela Igreja sempre deixaram profundas marcas na história, na alma e no coração dos fiéis” (Pe. Reginaldo Manzotti, sacerdote evangelizador, escritor e cantor).

Ao contemplar a imagem de Nossa Senhora, todos os fiéis experimentam nela a ternura, a acolhida, a solicitude e o amparo daquela que é Mãe da humanidade, que intercede sempre por seus filhos junto a Jesus Cristo, o Salvador. Eles a veneram e a invocam com piedade, confiança e carinho.

Tilma e os olhos

A tilma de Juan é uma espécie de tecido tradicionalmente indígena dos povos pré-colombianos. Era um manto feito de fibras de cacto agave manguey.

Na tilma, usada por Juan, ficou originalmente estampada a imagem de Nossa Senhora de Guadalupe. A tilma mede 168 x 105 cm. A pintura tem 143 x 55 cm.

A pintura retrata uma mulher contemplativa de pele mestiça, rodeada por raios solares. Trata-se de uma jovem, com pele morena e rosto ovalado. Seu rosto é modesto, formoso e amável, de beleza inimitável. Suas mãos estão postas.

Na cabeça, por cima do manto, a imagem tinha uma coroa dourada, de dez pontas. Todavia, ao fazerem os preparativos para a solene coroação da Virgem Maria, a coroa havia desaparecido misteriosamente, sem deixar vestígio de raspadura ou outra intervenção humana.

A jovem está vestida com uma túnica de cor rosa, com arabescos dourados. A túnica é coberta por manto azul esverdeado, todo adornado de estrelas de oito pontas. Está em cima de uma lua crescente escurecida, que representa as forças do mal. É carregada por um anjo querubim.

O tecido da tilma é fraco, porque é constituído de fibras vegetais. Pode durar no máximo 20 anos.

A tilma ficou exposta ao longo de quase cinco séculos em lugares abertos. Foi levada em procissões. Ficou em diferentes templos. Tem sido atingida pelas emanações gasosas do lago subterrâneo vizinho.  No entanto, não se deteriorou. Ao contrário, tem resistido até hoje, permanecendo intacta mesmo após a passagem de quase 500 anos.

Os olhos de Nossa Senhora de Guadalupe estão sendo estudas por inúmeras investigações cientificas durante os últimos cinquenta anos.

Em 1929, os pesquisadores descobriram que as pupilas dos olhos dela refletem o momento em que Juan abriu o manto diante do bispo em 1531.

Nos olhos da Virgem de Guadalupe estão reproduzidos o pátio da residência episcopal, Juan e mais dez pessoas, algumas das quais estão sentadas.

Pe. Eugênio Antônio Bisinoto C.Ss.R.
Missionário Redentorista
Sacerdote e escritor
Igreja Santa Cruz – Araraquara – SP