TEMPO DO NATAL: A LUZ QUE DESFAZ O SILÊNCIO DO MUNDO

Reflexão para o Natal do Senhor — 25 de dezembro de 2025
Solenidade | Ano A | 1º dia da Oitava de Natal

Leituras: Is 52,7-10 | Sl 97(98),1.2-3ab.3cd-4.5-6 (R. 3cd) | Hb 1,1-6 | Jo 1,1-18

Com o Natal iniciamos um novo tempo litúrgico, curto, intenso e luminoso: o tempo do Natal, que se estende até a Festa do Batismo do Senhor. É um período que não se alonga em semanas, mas se aprofunda em mistério. Não é uma estação longa, mas densa: nela celebramos a proximidade de Deus, que decide entrar na história pela porta mais frágil da condição humana.

As leituras desta solenidade nos situam no coração desse acontecimento. Elas revelam um Deus que não se deixa capturar pela superficialidade nem pelo ruído do mundo; ao contrário, Ele se comunica no movimento discreto, nos pequenos sinais, nas rupturas necessárias, na tensão entre transcendência e proximidade.

A liturgia do Natal é sempre uma convocação para recuperar a sensibilidade: uma sensibilidade que reconhece a beleza escondida, a profundidade das relações, a delicadeza dos gestos e a força que brota do silêncio.

“Que pés tão belos…!”: a beleza que corre pelas montanhas

Isaías, com sua poesia profética, anuncia: “Que pés tão belos os do mensageiro que anuncia a paz!”. Ele celebra a chegada de boas notícias em um mundo ferido. A alegria é descrita como algo que irrompe, que corre pelas montanhas, que desperta a cidade adormecida.

Essa imagem é profundamente atual. Vivemos em um mundo difícil, marcado pela saturação de estímulos, pelo cansaço emocional e pela aceleração que desgasta. Notícias chegam de todos os lados, mas poucas trazem vida. Isaías nos lembra que a verdadeira boa notícia não é aquela que se impõe pelo impacto, mas aquela que devolve sentido.

O mensageiro é belo não pela aparência, mas pela esperança que carrega.
A beleza nasce quando algo nos devolve a confiança de que o mundo ainda pode ser recriado.

O Natal é esse tipo de notícia. Não uma informação, mas uma transformação.

Um cântico novo: a alegria que desperta o mundo

O Salmo 97 convida toda a terra a cantar “um cântico novo”. É a renovação da criação diante do Deus que age. Mas o que significa cantar algo novo?

Em tempos marcados pela repetição, pelo excesso e pela fadiga, um cântico novo é aquilo que rompe o ciclo da superficialidade. É o gesto espiritual que devolve frescor ao coração. É a capacidade de olhar a vida não com olhos gastos, mas com olhos renovados.

O Natal pede exatamente isso: renovar o olhar. Perceber a vida para além dos padrões cansados. Reconhecer que há luz escondida no cotidiano. Reencontrar a capacidade de maravilhar-se.

A alegria que o salmo anuncia não é entusiasmo passageiro. É alegria que nasce da percepção profunda de que Deus se envolve com a história, que Ele se deixa tocar pelo humano, que Ele abre brechas de esperança onde só víamos limites.

“Muitas vezes e de muitos modos…”: Deus que fala no Filho

A Carta aos Hebreus lembra que Deus sempre falou, desde o princípio. Mas agora Ele fala de modo definitivo: pelo Filho. Não é mais uma palavra fragmentada, mas uma palavra plena, encarnada, concreta.

Em uma cultura que vive de discursos infinitos, de opiniões que se multiplicam e de informações que se sobrepõem, essa afirmação é libertadora. O excesso de palavras pode nos deixar anestesiados. A quantidade de vozes pode nos dispersar. A saturação comunicativa pode nos roubar o essencial.

O Natal devolve simplicidade à comunicação divina: Deus não fala mais conceitos, Ele se faz pessoa. Ele não entrega discursos, Ele entrega uma presença. Ele vem como criança justamente para nos ajudar a reaprender: a escutar com o coração, a olhar com profundidade, a tocar com cuidado, a acolher com ternura.

Na criança de Belém, Deus reduz a complexidade de seus sinais a algo palpável, sensíveis aos gestos mais frágeis.

“E a luz brilhou nas trevas”: a vulnerabilidade como revelação

O Evangelho de João não descreve a noite de Belém; ele mergulha no mistério antes de Belém: “No princípio era o Verbo…” É um texto que se move entre abismos e claridades, entre trevas e luz.

O que impressiona nesse prólogo é a força da vulnerabilidade. A luz entra no mundo não como clarão que ofusca, mas como chama que se oferece. Ela não destrói a escuridão; ela a atravessa.

Em um tempo que muitas vezes rejeita a fragilidade, que esconde limites e que insiste em performances constantes, o Natal anuncia algo diferente: a fragilidade é o lugar onde a luz entra.

A beleza do Verbo que se faz carne está justamente em sua proximidade radical. Deus não vem como força distante, mas como presença vulnerável. Ele entra na complexidade do mundo: suas contradições, tensões, ambivalências. Ele abraça a condição humana desde o começo, desde o corpo, desde o choro, desde a necessidade. A luz que João anuncia é luz que toca o chão.

Um novo tempo: o tempo do Natal

Com esta solenidade, entramos no Tempo do Natal, um tempo breve, mas profundamente simbólico. Ele não se dispersa em muitos domingos. Ele se concentra na intensidade dos mistérios: o nascimento, a Sagrada Família, Maria, Mãe de Deus, a Epifania, e o Batismo do Senhor.

Nesses dias, a liturgia nos convida a uma pedagogia espiritual: a aprender de novo a ser humano. Natal não é apenas celebrar o nascimento de Jesus; é celebrar que, com Ele, também nossa humanidade renasce. Somos chamados a reencontrar a ternura perdida, a simplicidade dos gestos, a presença real nas relações, a profundidade do sentido, o cuidado com a vida concreta, a atenção ao que é pequeno e essencial.

Em um mundo que tende ao excesso, o Natal nos devolve o essencial.
Em um mundo que se acelera, o Natal nos devolve o ritmo da gestação.
Em um mundo que dispersa, o Natal recolhe.
Em um mundo que esgota, o Natal repousa.

O tempo do Natal é curto, mas basta um instante de verdade para transformar o coração.

Concluir no silêncio

O Evangelho termina com uma frase que é, ao mesmo tempo, convite e promessa: “E vimos a sua glória.”

Quem consegue ver essa glória?
Não os que correm, mas os que param.
Não os que acumulam, mas os que se abrem.
Não os que dominam, mas os que acolhem.
Não os que falam sem parar, mas os que escutam o silêncio.

O Natal se revela para quem permite que a luz toque o interior. Neste dia santo, a Igreja proclama: A luz brilhou. A luz permanece. A luz não será vencida.

Que este Natal nos encontre disponíveis: à presença de Deus, à simplicidade da vida, ao silêncio que cura, à ternura que salva, à luz que nasce no mais frágil. E que, iniciando este tempo tão breve e tão intenso, possamos reconhecer, em cada gesto de amor e em cada encontro verdadeiro, a mesma luz que iluminou a noite de Belém e continua a transformar o mundo desde dentro.





O TEMPO DO NATAL: CELEBRAÇÃO DO DEUS QUE VEM HABITAR ENTRE NÓS

Com a celebração do Natal do Senhor, a Igreja inicia um dos períodos mais belos e significativos do ano litúrgico. O Tempo do Natal não se resume à noite de 24 de dezembro: ele se estende desde a Missa da Vigília ou da Noite até a Festa do Batismo do Senhor, revelando a profundidade do mistério da Encarnação. É um período marcado pela alegria, pela esperança renovada e pela contemplação do Deus que se faz próximo, assumindo nossa humanidade.

Neste tempo, a liturgia nos convida a reconhecer na simplicidade da gruta de Belém o grande anúncio da fé cristã: o Verbo se fez carne e veio habitar entre nós. O nascimento de Jesus revela o amor gratuito de Deus, que escolhe entrar na história humana não pela força, mas pela fragilidade de uma criança. É a partir dessa pequena vida que toda a lógica do mundo é transformada, inaugurando o caminho da paz, da reconciliação e da fraternidade.

Sinais e celebrações

As celebrações próprias deste período, como a Solenidade da Mãe de Deus (1º de janeiro), a Epifania e o Batismo do Senhor, iluminam diversas dimensões do mistério de Cristo. No presépio, contemplamos o acolhimento humilde da Sagrada Família; na Epifania, vemos o anúncio universal da salvação, quando os magos reconhecem a presença de Deus; e no Batismo do Senhor, compreendemos o início da missão pública de Jesus, ungido pelo Espírito Santo.

A ornamentação festiva das igrejas, o canto do “Glória” retomado após o Advento e a simbologia da luz, especialmente evidenciada na Missa da Noite, lembram que Cristo é a Luz que vence toda escuridão. É um convite para que cada comunidade renove a esperança e testemunhe essa luz no cotidiano.

Natal para além das festas

Mais do que uma data ou um conjunto de tradições, o Tempo do Natal é um chamado à vida nova. Ele nos interpela a olhar para o mundo com compaixão, reconhecer a dignidade de cada pessoa e acolher a presença de Deus nas situações concretas, especialmente entre os mais vulneráveis. Celebrar o Natal é reafirmar que Deus continua nascendo onde há cuidado, partilha e compromisso com a justiça.

Ao viver esse tempo de forma plena, cada fiel e cada comunidade é convidada a tornar-se sinal da ternura divina, aquela que se revela em gestos simples, mas transformadores, assim como o fez o Menino de Belém.




III MARATONA SACROSANCTUM CONCILIUM DESTACA IMPORTÂNCIA LITÚRGICA NA VIDA DA IGREJA

No dia 4 de dezembro de 2025, data em que a Igreja celebra o aniversário de promulgação da Sacrosanctum Concilium, documento que inaugurou a renovação litúrgica do Concílio Vaticano II, foi realizada a terceira edição da Maratona Sacrosanctum Concilium. A transmissão ocorreu ao vivo pelo canal das Pias Discípulas do Divino Mestre, em parceria com outras instituições nacionais da pastoral litúrgica no Brasil. A programação, que se estendeu das 8h às 20h, reuniu especialistas, músicos, religiosos, religiosas e leigos engajados, todos com o objetivo comum de aprofundar a compreensão sobre este texto fundamental para a liturgia da Igreja Católica.

Um documento que mudou a relação dos fiéis com a liturgia

Para muitos católicos, o nome Sacrosanctum Concilium pode parecer distante ou técnico. Trata-se, porém, de um documento decisivo na história recente da Igreja. Promulgado em 1963, durante o Concílio Vaticano II, ele estabeleceu princípios que orientam até hoje a celebração da liturgia, ou seja, tudo aquilo que diz respeito às missas, sacramentos, orações comunitárias e ritos oficiais da Igreja.

Seu propósito foi aproximar os fiéis da vida litúrgica, incentivando uma participação mais consciente, ativa e frutuosa. A língua local nas celebrações, o cuidado com os símbolos e a relação entre música e oração são alguns dos temas que o documento aborda de maneira profunda e orientadora.

É por isso que, mesmo décadas depois, a Sacrosanctum Concilium continua sendo um “tesouro de inestimável valor”, expressão escolhida como tema desta edição da maratona. Cada mesa da programação destacou como este texto ainda ilumina a prática pastoral, a formação litúrgica e, especialmente neste ano, a música litúrgica, elemento essencial para a oração comunitária.

Um dia inteiro dedicado à formação

Durante doze horas de programação contínua, a Maratona Sacrosanctum Concilium apresentou, a cada hora, uma mesa temática. O formato dinâmico e acessível permitiu que pessoas de diferentes regiões do país pudessem participar ao vivo, enviando comentários, perguntas e partilhando suas experiências.

Entre os conteúdos abordados, estiveram:

  • a missão da música litúrgica na comunidade cristã;
  • o papel dos ministérios musicais na animação da celebração;
  • a relação entre canto e oração;
  • a formação espiritual e técnica dos músicos litúrgicos;
  • elementos da tradição da Igreja que sustentam o canto litúrgico;
  • experiências pastorais que mostram como a música pode unir, educar e evangelizar.

As mesas foram compostas por músicos, teólogos, religiosas, padres, professores e agentes da pastoral litúrgica que, com linguagem acessível, explicaram tanto os fundamentos da Sacrosanctum Concilium quanto seu impacto nas comunidades de fé.

Por que falar de música litúrgica?

A escolha do tema deste ano não foi por acaso. A música é um dos meios mais diretos de participação da assembleia na celebração. Ela acolhe os fiéis, ajuda a expressar a fé e conduz a comunidade ao mistério celebrado.

A Sacrosanctum Concilium dedica um capítulo inteiro à música litúrgica, sublinhando que o canto não é elemento decorativo, mas parte integrante e necessária da liturgia. A maratona buscou traduzir essa dimensão para o público de hoje, mostrando que:

  • a música litúrgica deve favorecer a oração;
  • o canto precisa estar integrado ao rito;
  • a escolha musical requer sensibilidade pastoral e formação sólida;
  • músicos litúrgicos têm um papel ministerial dentro da celebração.

Os convidados apresentaram reflexões que uniram história, espiritualidade e prática pastoral, ajudando os participantes a compreender a profundidade do tema e seu impacto no cotidiano das comunidades.

Participação crescente e compromisso com a formação

Esta foi a terceira edição da Maratona Sacrosanctum Concilium, consolidando-se como um espaço anual de formação e aprofundamento. O formato online permitiu ampliar o alcance, reunindo participantes de diferentes regiões do Brasil e até do exterior.

Os organizadores destacam que o objetivo não é apenas celebrar o aniversário da Sacrosanctum Concilium, mas oferecer um percurso formativo acessível, gratuito e de qualidade, que contribua para a vivência litúrgica nas paróquias, comunidades e grupos de pastoral.

Ao longo das edições, percebe-se um interesse crescente das pessoas em compreender melhor a liturgia e, sobretudo, o significado da música dentro da prática celebrativa. Muitos participantes comentaram que a maratona os ajudou a redescobrir a beleza e a profundidade da liturgia da Igreja.

Conteúdo disponível para quem quiser aprofundar

A transmissão completa da maratona ficou gravada no canal das Pias Discípulas do Divino Mestre no YouTube. Dessa forma, quem não pôde acompanhar ao vivo pode assistir às mesas individualmente, revisar momentos importantes e utilizar o conteúdo em cursos, encontros de formação e atividades pastorais.

O convite permanece aberto: entrar no canal, inscrever-se e “maratonar” este conjunto de reflexões que ajudam a compreender por que a Sacrosanctum Concilium continua sendo um marco na vida da Igreja e um guia indispensável para todos que servem na liturgia, especialmente os que atuam na música.


Assista à III Maratona Sacrosanctum Concilium:
https://www.youtube.com/watch?v=NIDm9yOLr2o



Nesta Maratona de Liturgia 2025, meditarmos sobre o Capítulo VI da Sacrosanctum Concilium , “A Música Sacra”. Abaixo, o texto deste precioso capítulo sobre a música litúrgica (quem quiser o texto completo da Sacrosanctum Concilium, CLIQUE AQUI) :

CAPÍTULO VI – A MÚSICA SACRA

V 112. A tradição musical da Igreja universal é um tesouro de inestimável valor, que excede todas as outras expressões de arte, sobretudo porque o canto sagrado, intimamente unido ao texto, constitui parte necessária ou integrante da Liturgia solene.

Não cessam de a enaltecer, quer a Sagrada Escritura, quer os Santos Padres e os Romanos Pontífices, que ainda recentemente, a começar por S. Pio X, sublinharam com mais insistência a função ministerial da música sacra no culto divino.

A música sacra será, por isso, tanto mais santa quanto mais intimamente unida estiver à ação litúrgica, quer 1) como expressão delicada da oração, quer 2) como fator de comunhão, quer 3) como elemento de maior solenidade nos ritos sagrados.

A Igreja aprova e aceita no culto divino todas as formas autênticas de arte, desde que dotadas das qualidades requeridas. O sagrado Concílio, fiel às normas e determinações da tradição e disciplina da Igreja, e não perdendo de vista o fim da música sacra, que é a glória de Deus e a santificação dos fiéis, estabelece o seguinte:

R 113. A ação litúrgica reveste-se de maior nobreza quando é celebrada de modo solene com canto, com a presença dos ministros sagrados e a participação ativa do povo. Observe-se, quanto à língua a usar, o art. 36; quanto à Missa, o art. 54; quanto aos sacramentos, o art. 63; e quanto ao Ofício divino, o art. 101.

L 114. Guarde-se e desenvolva-se com diligência o património da música sacra. Promovam-se com empenho, sobretudo nas catedrais, as “Scholae cantorum”. Procurem os Bispos e demais pastores de almas que os fiéis participem ativamente nas funções sagradas que se celebram com canto, na medida que lhes compete e segundo os art. 28 e 30.

V 115. Dê-se grande importância nos Seminários, Noviciados e casas de estudo de religiosos de ambos os sexos, bem como noutros institutos e escolas católicas, à formação e prática musical. Para o conseguir, procure-se preparar também e com muito cuidado os professores que terão a missão de ensinar a música sacra.

Recomenda-se a fundação, segundo as circunstâncias, de Institutos Superiores de música sacra.

Os compositores e os cantores, principalmente as crianças, devem receber também uma verdadeira educação litúrgica.

R 116. A Igreja reconhece como canto próprio da liturgia romana o canto gregoriano; terá este, por isso, na ação litúrgica, em igualdade de circunstâncias, o primeiro lugar.

Não se excluem todos os outros gêneros de música sacra, mormente a polifonia, na celebração dos Ofícios divinos, desde que estejam em harmonia com o espírito da ação litúrgica, segundo o estabelecido no art. 30.

L 117. Procure terminar-se a edição típica dos livros de canto gregoriano; prepare-se uma edição mais crítica dos livros já editados depois da reforma de S. Pio X.

Convirá preparar uma edição com melodias mais simples para uso das igrejas menores.

V 118. Promova-se muito o canto popular religioso, para que os fiéis possam cantar tanto nos exercícios piedosos e sagrados como nas próprias ações litúrgicas, segundo o que as rubricas determinam.

R 119. Em certas regiões, sobretudo nas Missões, há povos com tradição musical própria, a qual tem excepcional importância na sua vida religiosa e social. A esta música se dê o devido reconhecimento e o lugar conveniente, tanto na educação do sentido religioso desses povos como na adaptação do culto à sua índole, segundo os art. 39 e 40. Por isso, procure-se cuidadosamente que, na sua formação musical, os missionários fiquem aptos, na medida do possível, a promover a música tradicional desses povos nas escolas e nas ações sagradas.

L 120. Tenha-se em grande apreço na Igreja latina o órgão de tubos, instrumento musical tradicional e cujo som é capaz de dar às cerimônias do culto um esplendor extraordinário e elevar poderosamente o espírito para Deus.

Podem utilizar-se no culto divino outros instrumentos, segundo o parecer e com o consentimento da autoridade territorial competente, conforme o estabelecido nos art. 22 § 2, 37 e 40, contanto que esses instrumentos estejam adaptados ou sejam adaptáveis ao uso sacro, não desdigam da dignidade do templo e favoreçam realmente a edificação dos fiéis.

V 121. Os compositores possuídos do espírito cristão compreendam que são chamados a cultivar a música sacra e a aumentar-lhe o patrimônio.

Que as suas composições se apresentem com as características da verdadeira música sacra, possam ser cantadas não só pelos grandes coros, mas se adaptem também aos pequenos e favoreçam uma ativa participação de toda a assembleia dos fiéis.

Os textos destinados ao canto sacro devem estar de acordo com a doutrina católica e inspirar-se sobretudo na Sagrada Escritura e nas fontes litúrgicas.

Dom Jerônimo Pereira, monge beneditino do Mosteiro de São Bento de Olinda, mestre em Sagrada Teologia com especialização em liturgia pastoral, pelo Instituto de Liturgia Pastoral de Pádua (Itália – 2012), doutor em Sagrada Liturgia, pelo Pontifício Instituto Litúrgico de Roma, Santo Anselmo (Itália, 2016) e especialista em música litúrgica pelo mesmo Pontifício Instituto romano. Ensina nos Institutos italianos onde estudou; na Universidade Católica de Pernambuco (Unicap) e na Universidade Católica Rainha do Sertão (Quixadá), é membro do Centro de Liturgia Dom Clemente Isnard, articulista da Revista de Liturgia, membro da Equipe de reflexão para a pastoral litúrgica da CNBB e atual presidente da Associação dos Liturgistas do Brasil (ASLI).

Ir. Priscilla Daniele, religiosa do Instituto das Irmãs Franciscanas de Nossa Senhora do Bom Conselho. É formada em Licenciatura em Música pela UFPE, especialização em Música Litúrgica pela Unicap, participou de diversos encontros de Compositores e Letristas promovido pela CNBB e atualmente estuda Regência de Coro no Pontifício Instituto de Música Sacra em Roma

Pe Danilo César, presbítero da Arquidiocese de Belo Horizonte. Mestre em Liturgia pelo Pontifício Instituto Litúrgico de Roma-It. Doutor em Liturgia pela FAJE-CAPES (BH). Professor de Liturgia da PUC-Minas e membro da Celebra, Rede Nacional de Animação Litúrgica. Articulista da Revista de Liturgia. Atua na recepção e promoção da reforma litúrgica do Concílio Vaticano II.

Frei Wanderson Luiz Freitas – presbítero da Ordem do Carmo, atuando na Arquidiocese de Olinda e Recife, compositor, membro da Equipe de Reflexão em Música Litúrgica da CNBB e assessor de liturgia do Regional Nordeste II da CNBB.

Glauber Inocêncio – Leigo, membro do Centro de Liturgia Dom Clemente Isnard. É formado em Teologia pelo Seminário Arquidiocesano da Paraíba, especialista em Liturgia pelo CLDCI/UNISAL, e também é Engenheiro Eletricista.

Adenor Leonardo – Doutor em Teologia pela Université Laval (Québec – Canadá); Mestre em Música pela UDESC (Florianópolis – SC); Membro da ASLI (Associação dos Liturgistas do Brasil); Membro da Equipe de Reflexão em Música Litúrgica da CNBB; Professor, regente e compositor.

Pe Jair Costa é Mestrando em Teologia Sistemática pela PUC Rio e especialista em Liturgia Cristã pela Faculdade Jesuíta de Belo Horizonte (FAJE). Graduado em Teologia pela Faculdade Dehoniana de Taubaté SP, atualmente é o assessor de música na Comissão Episcopal para a Liturgia da CNBB. Presbítero da diocese de Guarulhos, atuou na formação litúrgica e musical dos seminários da Diocese. Participou do Curso Ecumênico de Liturgia e Música (CELMU), onde foi professor de violão. Foi um dos fundadores do Projeto de Educação Musical na diocese de Guarulhos, e coordenador da Pastoral Litúrgica.

Caetana Cecília Filha é especialista em Liturgia Cristã pela Faculdade Jesuíta de Belo Horizonte (FAJE) e em Educação Musical pela Faculdade Paulista de Artes (FPA). Bacharela em Sociologia, fez cursos de teatro, música, expressão corporal e dança em escolas livres de arte da ECA – USP.  Atuou por 10 anos nas oficinas de teatro no Curso de Teologia Popular do CESEP – Curso de Verão em São Paulo. Foi professora de técnica vocal no  Curso Ecumênico de Liturgia e Música (CELMU) de 2013 a 2016. Foi uma das fundadoras do Projeto de Educação Musical na diocese de Guarulhos por 19 anos, onde atuou como coordenadora pedagógica. Participou da organização do hinário de cantos litúrgicos para a Diocese de Guarulhos. É Professora de liturgia e canto nos seminários da Diocese de Guarulhos.

Michelle Arype Girardi Lorenzetti é doutora em Música, com ênfase em Educação Musical, pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). É mestra em Música (Educação Musical), bacharela em Música (Habilitação em Canto) e licenciada em Música, também pela UFRGS. Concluiu, em 2012, a pós-graduação lato sensu em Música Ritual (FACCAMP), em Campo Limpo Paulista/SP. Atuou como educadora musical em escolas de educação básica da rede privada de Porto Alegre, em escolas de música, em projetos sociais e em outros contextos não escolares. Entre setembro de 2018 e julho de 2019, foi professora substituta no Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS) Campus Porto Alegre, e, de 2021 a 2024, no Campus Alvorada. Concluiu, em 2022, estágio de pós-doutorado na UFRGS. Desde 2014, atua como formadora litúrgico-musical em Seminários Maiores.

Frei Joaquim Fonseca, pertence à Ordem dos Frades Menores. É bacharel em música e doutor em Teologia, pela PUC-SP. Foi assessor nacional da CNBB para a música litúrgica (2003-2006) e coordenador geral do canto e da música na V Conferência do Episcopado Latino-Americano e Caribenho de Aparecida, em 2007. Coordenou a publicação do livro: “Liturgia das Horas – Música” (CNBB – Paulus). É o idealizador e coordenador da coleção: “Liturgia e música” da Editora Paulus. É professor de Liturgia e Arte Cristã, e assessora cursos de formação litúrgico-musical em todo o País. 

Dom Jerônimo Pereira, monge beneditino do Mosteiro de São Bento de Olinda, mestre em Sagrada Teologia com especialização em liturgia pastoral, pelo Instituto de Liturgia Pastoral de Pádua (Itália – 2012), doutor em Sagrada Liturgia, pelo Pontifício Instituto Litúrgico de Roma, Santo Anselmo (Itália, 2016) e especialista em música litúrgica pelo mesmo Pontifício Instituto romano. Ensina nos Institutos italianos onde estudou; na Universidade Católica de Pernambuco (Unicap) e na Universidade Católica Rainha do Sertão (Quixadá), é membro do Centro de Liturgia Dom Clemente Isnard, articulista da Revista de Liturgia, membro da Equipe de reflexão para a pastoral litúrgica da CNBB e atual presidente da Associação dos Liturgistas do Brasil (ASLI).

Madre Martha Lúcia Ribeiro Teixeira, osb. Abadessa do Mosteiro de Nossa Senhora da Paz, Itapecerica da Serra (SP).

Madre Agnes Alves Garcia Santos Silva, osb. Abadessa do Mosteiro de Nossa Senhora das Graças, Belo Horizonte (MG)

Dom Anselmo Giaretta, osb. Monge da Abadia da Ressurreição, Ponta Grossa (PR)

Ir. Penha Carpanedo, Mestra em liturgia, Redatora da Revista de Liturgia, coautora do Ofício Divino das Comunidades, membro da Rede Celebra.

Daniela Oliveira, Mestre em Artes (UFU), Doutora em Performances Culturais (UFG), Membro Rede Celebra, do Centro de Liturgia Dom Clemente Isnard e Membro Equipe Reflexão Música  CNBB

Daniel Oliveira, Doutor em Ciências da Religião pela PUC-Goiás, com estágio doutoral no Pontifício Instituto Litúrgico Santo Anselmo.

João Lucas – Licenciado em Educação Musical (UEMG), Mestre em Práticas Musicais (UEMG), Pós-graduando em Liturgia (IFITEG/CELEBRA), Leigo da Arquidiocese de Belo Horizonte, Membro da Rede CELEBRA.

Pe Jair Costa é Mestrando em Teologia Sistemática pela PUC Rio e especialista em Liturgia Cristã pela Faculdade Jesuíta de Belo Horizonte (FAJE). Graduado em Teologia pela Faculdade Dehoniana de Taubaté SP, atualmente é o assessor de música na Comissão Episcopal para a Liturgia da CNBB. Presbítero da diocese de Guarulhos, atuou na formação litúrgica e musical dos seminários da Diocese. Participou do Curso Ecumênico de Liturgia e Música (CELMU), onde foi professor de violão. Foi um dos fundadores do Projeto de Educação Musical na diocese de Guarulhos, e coordenador da Pastoral Litúrgica.

Pe Wallison Rodrigues é especialista em Liturgia Cristã pela Faculdade Jesuíta de Belo Horizonte (FAJE). Graduado em Teologia pela PUC Goiás, participou dos Encontros de Compositores da CNBB desde 2014.  É membro da Equipe de Reflexão de Música da Comissão Episcopal para a Liturgia da CNBB, realizando várias formações e encontros na área de liturgia e música litúrgica. Regente do Coral São Luiz Gonzaga, é compositor de música litúrgica e gravou vários CDs nesta direção. É presbítero da Diocese de São Luís de Montes Belos e pároco em Turvânia GO.

Raquel Schneider. Arquiteta, Especialista em Espaço Litúrgico, Arquitetura e Arte Sacra, Mestre em Teologia. Assessora do Setor Espaço Litúrgico Comissão Episcopal para a liturgia da CNBB.

Ignez Filipino Graduada em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal de Juiz de Fora – UFJF (2005). Mestre em Engenharia Civil (Sistemas de Gestão, Produção e Qualidade e Desenvolvimento Sustentável) pela Universidade Federal Fluminense – UFF (2008). Especialista em Espaço Litúrgico – Arquitetura e Arte Sacra pelo Centro Universitário Salesiano de São Paulo – UNISAL (2020). Graduanda em Filosofia pela Universidade Federal de São João del Rei – UFSJ (desde 2016).  Membro da Comissão de Bens Culturais da Diocese de São João del Rei (desde 2014).

Frei Telles Ramon, é frade presbítero da Ordem de Nossa Senhora das Mercês, também conhecidos como Mercedários. Atualmente é pároco da paróquia Nossa Senhora das Mercês, na cidade do Rio de Janeiro. Graduado em filosofia e teologia, estudou música na FMU-FIAM/FAAM – São Paulo, pós-graduando em Liturgia pelo IFITEG/Rede Celebra, também membro da Celebra e desde 2018 atua como redator dos subsídios litúrgicos: folhetos Igreja em Oração (Missa e celebração dominical da palavra) das Edições CNBB.

João Lucas – Licenciado em Educação Musical (UEMG), Mestre em Práticas Musicais (UEMG), Pós-graduando em Liturgia (IFITEG/CELEBRA) Leigo da Arquidiocese de Belo Horizonte, Membro da Rede CELEBRA.



LITURGIA DO DIA: A CORAGEM DE SERVIR COM FIDELIDADE

Liturgia do Dia – 19 de Novembro de 2025

Memória de Santos Roque González, Afonso Rodríguez e João de Castillo, presbíteros e mártires
33ª Semana do Tempo Comum

No Evangelho de hoje (Lc 19,11-28), Jesus conta a parábola dos servos que recebem moedas para administrar enquanto o senhor parte em viagem. A narrativa revela o desejo profundo de Deus: que cada pessoa faça frutificar os dons recebidos, colocando-os a serviço do Reino. O senhor da parábola não exige dos servos aquilo que não lhes foi dado, mas espera fidelidade, coragem e disposição em assumir responsabilidades, mesmo diante de riscos e incertezas.

O contraste entre os servos que trabalham e aquele que esconde a moeda expressa duas posturas espirituais. A primeira é a da confiança: reconhecer que tudo vem de Deus e pode ser devolvido multiplicado em forma de amor, justiça, serviço e compromisso. A segunda é a do medo: paralisia, fechamento em si mesmo e incapacidade de permitir que o dom se torne vida para outros. A censura dirigida ao servo que nada fez lembra-nos que a omissão também tem peso no caminho de fé; não basta “não fazer o mal”, é preciso fazer o bem possível.

O Evangelho de Lc 19,11-28 termina de forma bastante forte. Depois de elogiar os servos que fizeram render as moedas e de repreender o que a escondeu, Jesus conclui a parábola dizendo: “Quanto aos meus inimigos, que não quiseram que eu reinasse sobre eles, trazei-os aqui e matai-os na minha frente.” (Lc 19,27)

Esse desfecho duro cumpre duas funções fundamentais na mensagem de Jesus: a primeira, revela a seriedade da escolha pelo Reino. Esse final deixa claro que rejeitar o Reino de Deus não é algo neutro.
A parábola não fala apenas da omissão do servo medroso, mas também da resistência ativa daqueles que “não querem que Ele reine”. A cena simboliza o juízo final: Deus respeita a liberdade humana, mas essa liberdade tem consequências. A recusa do reinado de Deus é, ao mesmo tempo, recusa da vida.

Ele adverte sobre a responsabilidade de quem recebe dons. O servo que não faz render a moeda é contrastado não só com os servos fiéis, mas também com os inimigos do rei. Isso funciona como um alerta: não basta não fazer o mal; é preciso fazer o bem possível, utilizando os dons recebidos para a construção do Reino. A parábola liga omissão e rejeição: quem se fecha sobre si mesmo, mesmo sem atacar, acaba colaborando com a lógica do “não-reinado” de Deus.

Este desfecho também prepara a entrada de Jesus em Jerusalém. Ou seja, este bramo antecede diretamente a entrada triunfal de Jesus na cidade (Lc 19,28ss). Assim, Jesus se apresenta como o Rei que vem, mas não um rei dominador, e sim o Rei que oferece salvação. No entanto, sua realeza exige decisão: acolher ou rejeitar.

E por fim, este desfecho reforça o chamado à fé corajosa. A dureza do final não pretende inspirar medo, mas responsabilidade e seriedade espiritual. A parábola inteira gira em torno da confiança: quem confia, arrisca; quem teme, paralisa-se; quem rejeita, fecha-se à vida. O final sublinha que o tempo de Jesus é momento de decisão: a fé verdadeira transforma a vida e a vida transformada testemunha o Reino.

A leitura deste Evangelho na 33ª Semana do Tempo Comum, imediatamente antes do Advento, tem um valor espiritual muito profundo. A Igreja, nesses últimos dias do ano litúrgico, orienta nossa atenção para o sentido último da vida, para o juízo, para a vinda do Senhor e para a responsabilidade cristã. A parábola das moedas, com sua forte conclusão, encaixa-se perfeitamente nesse contexto.

Ele nos prepara o coração para a vinda do Senhor. O Advento é tempo de esperança e vigilância, e a liturgia das últimas semanas do Tempo Comum nos ajuda a ajustar essa vigilância. A parábola dos servos que devem administrar o que receberam até o retorno do Senhor é um convite direto a despertar do comodismo, revisar o próprio caminho, reavivar o desejo pela vinda de Cristo. A Igreja quer que entremos no Advento não adormecidos, mas alertas e desejosos de Deus.

Ele também recorda que somos administradores, não donos. A proximidade do novo ano litúrgico é um chamado a avaliar como usamos o tempo, os dons, a fé e as oportunidades que Deus nos deu ao longo do ano que termina. A parábola mostra que não se trata de “guardar” a fé, mas de fazê-la frutificar. Assim, antes do Advento, ela nos ajuda a perguntar:

  • Como vivi a fé este ano?
  • O que Deus me confiou e como respondi?
  • Em que preciso crescer antes de começar um novo tempo de graça?

Também nos ajuda a reacender a responsabilidade: vigiar é agir. O servo que esconde a moeda representa quem vive a fé de forma estática, paralisada. Às portas do Advento, esse Evangelho ensina que esperar o Senhor não é cruzar os braços, mas servir, amar, construir, multiplicar. O Advento é expectativa, mas uma expectativa ativa, missionária.

Portanto, nos convida à conversão, antes que comece o novo ciclo. O final da parábola, com o juízo sobre os servos e os inimigos do rei, lembra a dimensão escatológica da fé: Cristo virá. Essa memória conduz à conversão imediata, preparando interiormente o fiel para viver o Advento como tempo de purificação, de esperança, de reencontro com Deus, de reorientação da vida. É como fazer uma limpeza espiritual antes da chegada do hóspede esperado.

Nos últimos domingos do ano litúrgico celebramos Cristo Rei. Este Evangelho apresenta Jesus justamente como esse Rei que entrega dons, se ausenta por um tempo, volta para pedir contas. À luz disso, o Advento não é apenas preparação para o Natal, mas para a segunda vinda de Cristo, quando Ele reinará plenamente.

A leitura deste Evangelho na semana que antecede o Advento:

  • nos desperta,
  • nos responsabiliza,
  • nos convida a rever nossa vida,
  • nos prepara para acolher Cristo com o coração ativo e fecundo.

A primeira leitura (2Mc 7,1.20-31) apresenta o testemunho heroico da mãe e de seus filhos, que permanecem fiéis à Lei de Deus diante da perseguição. A coragem deles ecoa o chamado do Evangelho: viver a fé de modo coerente, mesmo quando somos pressionados a escondê-la ou silenciá-la. Assim como os mártires de hoje — Santos Roque González, Afonso Rodríguez e João de Castillo — testemunharam Cristo com a própria vida, também nós somos convidados a fazer render a graça que recebemos, oferecendo-nos diariamente no serviço e na verdade.

O salmo responsorial proclama: “Eu, por minha justiça, contemplarei a vossa face; ao despertar me saciará a vossa presença” (Sl 16). Essa promessa ilumina todo o sentido de nossa entrega: no fim, não buscamos recompensas, mas a alegria plena de viver diante de Deus e com Ele.

Que a liturgia de hoje nos inspire a assumir com coragem as moedas, isto é, os dons que nos foram confiados: nossas capacidades, nossa fé, nossas oportunidades, e a fazê-los frutificar em favor dos irmãos. E que, sustentados pelo exemplo dos mártires, possamos viver uma vida transparente, generosa e fiel ao Evangelho.



ACENDER A COROA DO ADVENTO

O tempo do Advento é marcado pela atitude de espera vigilante a fim de captar todos os sinais que Deus vai nos revelando.

Desde o primeiro domingo, somos interpelados (as) como  Isaías, João Batista e Maria, a fortalecer a esperança, assumir a história de uma maneira diferente, lutar para pôr fim a uma cultura de morte e proclamar com atos e palavras que a vida é mais forte. De domingo a domingo vai crescendo em nós, na comunidade, no universo inteiro, a certeza de que a luz brilha nas trevas e que Deus nos ama a tal ponto que se faz gente como nós. E assim, o dom vai crescendo em nós e nos tornando capazes de ir ao encontro das outras pessoas, de esparramar no mundo a solidariedade, a esperança, a justiça, a paz…

Com certeza, utilizando a coroa do advento nas comunidades, com toda a dimensão simbólica que ela contém, será um sinal que nos ajudará a “enxergar” e a experienciar mais profundamente todo o sentido da espera do Salvador.

O acendimento da Coroa do Advento

A Coroa do Advento é um dos símbolos do ciclo do Natal. Ela contém a linguagem do silêncio. Fala através do círculo, da luz, das cores, dos gestos correspondentes… É feita de folhas verdes e nela se colocam quatro velas e quatro fitas.

É preciso preparar antecipadamente a coroa do advento no local da celebração. Eis algumas orientações:

  • Priorize o uso de materiais naturais no arranjo da coroa.
  • Deixe que a verdade dos sinais brilhe.
  • Mantenha a decoração da Coroa do Advento com sobriedade, evitando o excesso de brilho.
  • Procedendo desta forma, você celebra a feliz espera e a manifestação do Senhor, que se realiza plenamente nas festas do Natal, experimentando o valor e a beleza do tempo do Advento.
  • Coloque a coroa do Advento em um local de destaque, mas diferente do altar, respeitando-o como símbolo de Cristo.

Fonte: A coroa do Advento, Gregório Lutz, Revista de Liturgia 156: nov/dez 1999.

Sugestão de melodia para acender a Coroa do Advento




Coroa do Advento Mini em Cerâmica

R$ 87,90


Coroa do Advento pequena em Cerâmica

R$ 144,90


Coroa do Advento Grande em Cerâmica

R$ 232,90


3ª MARATONA SACROSANCTUM CONCILIUM

Tesouro de Inestimável Valor: A Sacrosanctum Concilium e a música litúrgica

No dia 4 de dezembro, celebramos os 62 anos da promulgação da Sacrosanctum Concilium – a Constituição sobre a Sagrada Liturgia do Concílio Vaticano II. Para marcar esta data tão significativa para a vida da Igreja, será realizada a III Maratona Sacrosanctum Concilium, uma jornada online de formação e partilha.

Das 08h às 20h, especialistas em liturgia e música litúrgica conduzirão reflexões, diálogos e apresentações que aprofundam o tema “Tesouro de inestimável valor: A Sacrosanctum Concilium e a música litúrgica”.

O encontro será totalmente gratuito, sem necessidade de inscrição, e transmitido ao vivo pelos seguintes canais do YouTube:

A maratona é um convite à formação, à espiritualidade e ao aprofundamento da compreensão da música na liturgia, reconhecida pelo Concílio como tesouro precioso que eleva o coração dos fiéis e manifesta a beleza da fé.

#liturgia #sacrosanctumconcilium #igreja


Sacrosanctum Concilium e a música litúrgica

A Constituição Sacrosanctum Concilium, do Concílio Vaticano II, dedica um conjunto de artigos à música litúrgica (§112–§120), reconhecendo sua importância singular na vida de oração da Igreja. Para o Concílio, a tradição musical eclesial é um “tesouro de inestimável valor”, não pela sofisticação estética, mas porque o canto sagrado, unido ao texto litúrgico, faz parte integrante da própria ação ritual. A música, por isso, não é acessória: ela participa da comunicação simbólica da liturgia e contribui para a elevação espiritual dos fiéis.

O documento afirma que a música sacra tem um duplo propósito: a glória de Deus e a santificação dos fiéis. Por essa razão, o culto adquire maior nobreza quando celebrado com canto, envolvendo ministros, coro e assembleia. Essa dimensão comunitária do canto está diretamente ligada ao princípio da participação ativa, tão central à reforma litúrgica.

A Sacrosanctum Concilium também pede que a Igreja preserve e promova seu patrimônio musical. Isso inclui o incentivo à formação de coros, especialmente nas catedrais, e o compromisso de bispos e pastores em assegurar uma prática musical que realmente permita a participação do povo. A formação musical é destacada como fundamental: seminários, casas de formação e institutos especializados devem oferecer sólida preparação aos que atuam na liturgia.

Entre as expressões musicais, o Concílio reconhece a primazia do canto gregoriano, próprio da liturgia romana, recomendando que ele tenha lugar preferencial nas celebrações. Ao mesmo tempo, abre espaço para outras formas de música sacra, como a polifonia, desde que estejam em consonância com o espírito da liturgia e favoreçam a oração e a comunhão da assembleia. Também atribui importância ao órgão de tubos, tradicional na Igreja latina, por sua capacidade de elevar o espírito a Deus, sem excluir outros instrumentos adequados ao culto.

Por fim, o Concílio orienta que os textos destinados ao canto sejam doutrinariamente sólidos e inspirados na Sagrada Escritura e nas fontes litúrgicas, garantindo assim que o canto seja, ao mesmo tempo, beleza estética e expressão de fé.

Assim, a Sacrosanctum Concilium oferece uma visão equilibrada e profundamente teológica da música litúrgica: tradição e participação, beleza e função ritual, formação e vida espiritual caminham juntas. A música, iluminada pelo espírito do Concílio, torna-se caminho de encontro com Deus e de comunhão entre os fiéis.

Leia na íntegra o documento da SC:

LITURGIA DO DIA: MEMÓRIA DE SÃO FRANCISCO DE ASSIS

Liturgia do Dia – Sábado, 4 de Outubro de 2025
São Francisco de Assis, religioso – Memória
26ª Semana do Tempo Comum

Leituras:

  • Br 4,5-12.27-29
  • Sl 68(69),33-35.36-37 (R. 34a)
  • Lc 10,17-24

A liturgia do dia nos apresenta o retorno jubiloso dos setenta e dois discípulos enviados em missão. Eles voltam cheios de alegria, testemunhando que até os espíritos maus se submetiam em nome de Jesus. O Senhor, porém, os convida a olhar além dos frutos visíveis e a alegrar-se sobretudo porque os seus nomes estão escritos no céu.

Esse trecho revela duas dimensões fundamentais da vida cristã: a missão, que se realiza na autoridade de Cristo e não em nossas forças, e a verdadeira alegria, que nasce da certeza de sermos amados e escolhidos por Deus. Jesus exulta no Espírito Santo e louva o Pai que revela os mistérios do Reino aos pequeninos, não aos sábios e entendidos.

Primeira Leitura (Br 4,5-12.27-29): o profeta Baruc traz uma palavra de esperança a um povo que sofre no exílio: “Coragem, meu povo!”. Ainda que o povo de Israel tenha experimentado a dor e a dispersão por causa de suas infidelidades, Deus não os abandona. Ele promete novamente a misericórdia e a possibilidade de retorno. A mensagem de Baruc conecta-se ao Evangelho, pois a verdadeira alegria não vem da ausência de dificuldades, mas da confiança no amor e na fidelidade de Deus, que nunca abandona os seus filhos.

Salmo Responsorial (Sl 68): o salmista proclama: “Ó humildes, vede isto e alegrai-vos; o vosso coração reviverá se procurardes o Senhor”. O salmo reforça o convite da liturgia de hoje: confiar no Senhor em meio às provações e experimentar n’Ele a verdadeira alegria que sustenta a vida.

A liturgia do dia deste sábado nos convida a redescobrir a fonte da verdadeira alegria cristã: a certeza de que pertencemos a Deus e que nossos nomes estão escritos no céu. Baruc nos recorda a fidelidade divina mesmo nas tribulações; o salmo aponta para a confiança e a esperança dos humildes; e São Francisco de Assis nos mostra, com sua vida, que a simplicidade evangélica é caminho de santidade.

Santo do Dia: São Francisco de Assis

Celebramos hoje a memória de São Francisco de Assis, um dos santos mais amados da Igreja. Conhecido como “o Pobrezinho de Assis”, Francisco viveu de forma radical o Evangelho, abraçando a pobreza, a simplicidade e o amor por toda a criação. Ele se tornou sinal de paz, fraternidade e confiança absoluta em Deus.

São Francisco nos ajuda a compreender melhor o Evangelho do dia: a verdadeira alegria não está no poder, no prestígio ou no sucesso visível, mas em viver como filhos amados de Deus, colocando-se nas mãos do Pai com humildade e confiança.

Que possamos, como os discípulos e como São Francisco, alegrar-nos não pelo que fazemos, mas por aquilo que somos em Cristo: filhos amados do Pai.


O MÊS DE SETEMBRO À LUZ DA LITURGIA DOMINICAL

A liturgia nos propõe, a cada domingo, um verdadeiro itinerário espiritual. O Ano Litúrgico não é apenas uma sucessão de festas ou memórias, mas um caminho de discipulado, em que somos introduzidos progressivamente no mistério pascal de Cristo. As leituras bíblicas proclamadas, em sintonia com as orações e gestos celebrativos, não apenas recordam acontecimentos passados, mas tornam-se hoje Palavra viva que nos forma e nos transforma.

O Papa Francisco recorda, na Desiderio Desideravi, que “a liturgia é o lugar privilegiado do encontro com Cristo” (n. 11). Esse encontro não é abstrato, mas concreto, porque “a fé cristã é uma relação viva com Ele” (n. 10). Por isso, a liturgia não nos entrega apenas ensinamentos morais ou lembranças históricas, mas nos conduz por um caminho de experiência: somos colocados dentro do Mistério, para dele participar com todo o nosso ser.

Dessa forma, cada domingo nos foi oferecendo, neste mês de setembro, um passo no seguimento de Cristo. A pedagogia da Palavra e dos ritos nos ensinou que a vida cristã é exigência de renúncia, é encontro com a Cruz como fonte de salvação, é discernimento nas escolhas concretas do uso dos bens, e é compromisso definitivo com a justiça e a vida eterna.

Perguntemo-nos, então: como acolhemos esse caminho espiritual que a liturgia nos propôs ao longo do mês? A revisão não é mero exercício de memória, mas um ato de fé: reconhecer que a Palavra ouvida e celebrada continua agindo em nós. Como afirma a Desiderio Desideravi, “cada celebração é uma escola de vida cristã” (n. 37), na qual somos continuamente educados pelo Espírito Santo.

Assim, olhar para o mês de setembro sob a luz do Ano Litúrgico é perceber que não caminhamos sozinhos: é Cristo quem nos conduz. A cada domingo, fomos convidados a entrar um pouco mais no mistério do seu amor, para que nossa vida, transformada pela liturgia, se torne também lugar de anúncio e testemunho.

O mês de setembro de 2025 foi marcado por uma profunda pedagogia espiritual, que nos convidou a contemplar o seguimento de Cristo em suas exigências concretas, em sua centralidade pascal e em sua força transformadora diante das estruturas do mundo.

No 23º Domingo do Tempo Comum (7 de setembro), Jesus apresentou as condições do discipulado: carregar a cruz, desapegar-se, discernir com sabedoria e colocar-se em total confiança diante de Deus (Lc 14,25-33). A 1ª leitura (Sb 9,13-18) lembrava nossa incapacidade de compreender plenamente os caminhos de Deus sem o dom do Espírito. O caminho de fé aparece, assim, como decisão radical e sustentada pela graça.

No domingo seguinte (14 de setembro), celebramos a Exaltação da Santa Cruz, centro de nossa fé. O hino de Filipenses (Fl 2,6-11) recordou que o caminho da obediência até a cruz é o que leva à exaltação. O evangelho (Jo 3,13-17) mostrou que a cruz não é derrota, mas sinal do amor redentor de Deus. Aqui, o que antes parecia exigência dura (carregar a cruz) revela seu sentido: é na cruz que encontramos a salvação.

No 25º Domingo (21 de setembro), a liturgia nos confrontou com o uso dos bens materiais. O evangelho do administrador infiel (Lc 16,1-13) nos provocou a pensar: em quem colocamos nossa confiança — em Deus ou nas riquezas? A 1ª leitura de Amós (8,4-7) denunciava a exploração dos pobres, e Paulo (1Tm 2,1-8) pedia oração por todos, para que se viva em paz e dignidade. Assim, a cruz de Cristo não pode ser dissociada da vida concreta: seguir Jesus exige opções econômicas, sociais e espirituais coerentes.

Por fim, no 26º Domingo (28 de setembro), a parábola do rico e do pobre Lázaro (Lc 16,19-31) retomou o mesmo tema, mas agora de forma definitiva e escatológica. A justiça de Deus não falha: a indiferença diante do sofrimento do outro fecha o coração e conduz à perdição. Amós (6,1a.4-7) já havia criticado os que viviam no luxo indiferentes à miséria. Paulo, na 2ª leitura (1Tm 6,11-16), exortava Timóteo a perseguir a justiça, a fé e a mansidão, na esperança da manifestação gloriosa de Cristo.

O caminho teológico-litúrgico de setembro

O mês nos conduziu de um discipulado exigente (renúncia, cruz, discernimento) à contemplação da cruz como fonte de vida, passando pela denúncia da idolatria da riqueza e da indiferença social, para finalmente mostrar o juízo de Deus como confirmação da seriedade dessas escolhas.

  • A cruz é o eixo central: primeiro como condição (7/9), depois como glória (14/9).
  • A vida social e econômica é lugar de fidelidade a Cristo: denunciar a exploração e viver com justiça (21/9 e 28/9).
  • O discipulado autêntico implica carregar a cruz, assumir a lógica do amor e da entrega, e transformar a vida concreta à luz do Reino.

Em setembro, a liturgia nos ajudou a celebrar que a fé cristã não é apenas uma adesão interior, mas um caminho que une sabedoria, cruz e justiça. O discípulo é chamado a seguir o Senhor que se humilhou até a morte e, por isso, foi exaltado.

E você, como viveu este mês de setembro? O que assimilou com o coração destas liturgias dominicais tão ricas?

Concretamente, a liturgia nos fez viver a passagem da decisão pessoal ao horizonte da alteridade, sempre iluminados pela cruz de Cristo. O itinerário espiritual deste mês nos educou a compreender que a fé não se reduz a uma escolha íntima ou individualista, mas se abre necessariamente ao outro: aquele que está ao nosso lado, sobretudo o pobre, o pequeno e o vulnerável. A alteridade, neste sentido, é a medida da autenticidade do discipulado, porque nos lembra que não se pode amar a Deus sem reconhecer e servir o irmão. Como afirma a Desiderio Desideravi, “a liturgia é a participação no modo de ser de Cristo” (n. 41), e o modo de ser de Cristo é totalmente oblativo: Ele viveu em relação, em entrega e em comunhão, chamando-nos a viver a mesma dinâmica de saída de si em direção a Deus e aos outros.

Texto escrito pela Ir. Julia de Almeida, pddm.

COMO PREPARAR A LITURGIA

Celebrar a liturgia é celebrar a vida com Deus. Quando nos reunimos para a missa ou para outro momento de oração comunitária, é Jesus quem está no centro, conduzindo sua Igreja. Por isso, preparar bem a liturgia é um serviço precioso: ajuda a comunidade a rezar, a participar com alegria e a se sentir mais próxima do Senhor.

Não se trata apenas de “organizar quem faz o quê”, mas de colocar amor em cada detalhe, para que toda a assembleia experimente o mistério da fé. A seguir, veremos alguns passos práticos que ajudam a preparar a liturgia de forma simples e bonita.

1. Começar lembrando quem é o centro da celebração

Às vezes, podemos cair na tentação de pensar que a missa depende de nós. Mas é importante lembrar: o verdadeiro protagonista é Cristo. Ele se faz presente pela Palavra proclamada, pelo pão e vinho consagrados, pela comunidade reunida.

Por isso, quando preparamos uma celebração, não é para “inventar” algo novo, mas para acolher o que a Igreja nos propõe e viver de maneira consciente. Cada tempo litúrgico tem sua riqueza:

  • No Advento, vivemos a espera pelo Salvador;
  • Na Quaresma, somos convidados à conversão;
  • No Tempo Pascal, celebramos a vitória da vida sobre a morte;
  • No Tempo Comum, crescemos na esperança e no seguimento diário de Jesus.

Preparar a liturgia é deixar que Cristo brilhe mais do que nós.

2. Rezar com a Palavra de Deus

A missa sempre tem leituras próprias, escolhidas pela Igreja. Para preparar bem, é muito bom que a equipe litúrgica leia esses textos com antecedência. Não só para distribuir quem vai ler, mas para deixar que a Palavra toque nosso coração.

Quando meditamos antes sobre a primeira leitura, o salmo, a segunda leitura e o Evangelho, percebemos melhor a ligação entre elas. Assim, até os cantos, os comentários e a própria participação da assembleia ganham mais sentido.

Um exemplo simples: se o Evangelho fala de Jesus como o Bom Pastor, os cantos e os gestos podem reforçar essa imagem de cuidado e ternura de Deus.

3. Formar e organizar a equipe

Ninguém celebra sozinho. A liturgia é da comunidade, e por isso vários ministérios entram em ação:

  • Leitores: proclamam a Palavra;
  • Salminista: canta o salmo de forma responsorial;
  • Acólitos e coroinhas: ajudam no altar;
  • Ministros da comunhão: distribuem o Corpo de Cristo;
  • Cantores e músicos: sustentam a oração cantada.

Estes são alguns dos ministérios. Existem outros.

É bom que todos saibam com antecedência sua missão e que haja ensaio quando necessário. Mais importante ainda é que cada serviço seja feito com humildade, lembrando que se trata de servir a Deus e à comunidade.

4. Escolher bem os cantos litúrgicos

O canto não é um enfeite: ele faz parte da liturgia. Por isso, deve estar em sintonia com o tempo e o momento da celebração. O que importa não é se a música é bonita apenas para quem canta, mas se ajuda toda a comunidade a rezar.

O canto litúrgico faz parte da celebração e tem função própria dentro dela. Outros cantos religiosos ajudam a rezar e a expressar a fé, mas não são feitos para o rito da missa. Cada um tem o seu lugar!

Existe sim a diferença entre os cantos litúrgicos e outras músicas. Primeiro porque o canto litúrgico tem uma finalidade. Ele faz parte da celebração. Não é apenas para “embelezar” a missa, mas ajuda a rezar e a participar melhor do mistério que está sendo celebrado. Cada canto tem uma função própria dentro da liturgia (entrada, ato penitencial, glória, salmo, ofertório, santo, comunhão, ação de graças, envio…). Outros cantos religiosos ou de devoção podem expressar fé e amor a Deus, mas não foram feitos para o rito da missa. São ótimos para momentos de oração pessoal, grupos de jovens, encontros de catequese, procissões, adoração, retiros etc., mas não são para a finalidade de celebrar o mistério de Cristo.

Outro ponto importante é que o canto litúrgico tem uma ligação com a Palavra de Deus e o tempo litúrgico. Assim, o canto litúrgico deve estar em sintonia com as leituras do dia e com o tempo litúrgico (Advento, Natal, Quaresma, Páscoa, Tempo Comum).

E por fim, o canto litúrgico é pensado para ser assembleico, ou seja, para que toda a comunidade possa cantar junto, e não só ouvir. A Constituição Sacrosanctum Concilium (Concílio Vaticano II) afirma que a liturgia é “ação de Cristo e do povo de Deus”. Isso significa que não é o padre sozinho, nem o grupo de canto sozinho, que celebram. É toda a comunidade reunida que celebra o mistério da fé. Logo, o canto litúrgico precisa traduzir essa dimensão comunitária: é a voz da Igreja que canta.

É claro que existe o ministério do grupo de canto ou do coral, que tem uma missão especial. Mas o papel desse ministério não é substituir a assembleia, e sim animar, sustentar e guiar o canto comum. O coro ou o solista pode, em alguns momentos, entoar uma parte sozinho, mas sempre de modo a favorecer a resposta do povo e não a apagar sua voz.

A Igreja pede que na missa se usem cantos litúrgicos, porque eles foram compostos para servir à liturgia. Isso não significa que os outros cantos sejam ruins, apenas que têm lugar em outros momentos de oração e devoção, e não dentro da missa.

5. Preparar o espaço sagrado

O espaço da celebração também fala de Deus. O altar, o ambão e a cadeira presidencial são os lugares principais. Mas todo o ambiente deve ajudar a assembleia a entrar em clima de oração.

As flores, as toalhas, as velas e até o uso das cores litúrgicas transmitem uma mensagem. Por exemplo:

  • O verde no tempo comum lembra a esperança e o crescimento na fé;
  • O roxo convida à penitência e à preparação;
  • O branco e o dourado expressam alegria e festa;
  • O vermelho recorda o Espírito Santo e os mártires.

Quando cuidamos do espaço com simplicidade e beleza, mostramos que acreditamos no mistério que celebramos.

6. Atenção aos gestos e ritos

Os gestos também são linguagem. Uma procissão de entrada bem organizada, uma proclamação da Palavra feita com clareza, a apresentação do pão e do vinho de forma solene, tudo isso ajuda a assembleia a mergulhar no mistério.

Por isso, vale a pena ensaiar antes, principalmente em celebrações mais festivas, como a Páscoa ou a Primeira Comunhão. Não se trata de buscar perfeição teatral, mas de transmitir dignidade e simplicidade. Assim, a atenção não se volta para os erros, mas para Jesus, que está no centro.

7. Viver o espírito de oração

Tudo o que foi dito até aqui só faz sentido se for vivido em espírito de oração. Preparar a liturgia não é só cumprir tarefas, mas servir a Deus com amor.

É muito bonito quando a equipe se reúne antes para um breve momento de oração, pedindo luz ao Espírito Santo. Assim, cada detalhe preparado será expressão de fé. A assembleia percebe quando há esse clima de espiritualidade e reza com mais fervor.

8. Avaliar e aprender sempre

Depois da celebração, é realmente importante reservar alguns minutos para avaliar. Isso ajuda a comunidade e a equipe de liturgia a crescer: observar o que funcionou bem, onde houve dificuldades, como foi a participação da assembleia. Esse exercício é saudável, mas carrega um risco: ficar apenas no plano do fazer técnico, como se a liturgia fosse só uma questão de execução correta ou de organização eficiente.

O Papa Francisco, na carta apostólica Desiderio Desideravi, adverte contra essa visão reducionista. A liturgia não é “um espetáculo” que precisa apenas de bons atores e de um público atento. A liturgia é mistério: é Cristo que age, e nós somos envolvidos pela sua ação salvadora. Por isso, avaliar não pode ser apenas perguntar: “cantamos bem?”, “as leituras foram claras?”, “a procissão saiu organizada?”. Essas questões são importantes, mas não bastam.

A equipe de liturgia precisa se perguntar algo mais profundo: celebramos bem? Não no sentido técnico, mas espiritual: Eu me deixei tocar pelo mistério? Vivi de coração aquilo que celebramos? Saí diferente desta celebração?

Aqui entra o caminho da mistagogia. Avaliar a liturgia é também aprender com a própria experiência celebrativa. A mistagogia não é apenas uma explicação intelectual dos ritos, mas um mergulho: deixar-se conduzir pelos sinais, gestos e palavras, e perceber o que o Espírito Santo realizou em mim e na comunidade.

O Papa Francisco insiste que precisamos redescobrir a capacidade de nos maravilharmos diante da ação de Deus na liturgia. Avaliar, então, não pode ser só revisar erros ou acertos externos, mas cultivar a memória espiritual: onde experimentei a presença do Senhor? Como a Palavra falou ao meu coração? O canto comunitário fortaleceu minha fé? A comunhão me fez sentir mais unido aos irmãos?

Essa avaliação mistagógica é fundamental para que a equipe de liturgia não caia na tentação de ser apenas “organizadora de tarefas”. Ela é chamada a ser escola de oração e de comunhão, ajudando todos a celebrarem melhor, a mergulharem no mistério pascal que se atualiza em cada liturgia.

Portanto, uma boa prática pode ser:

  1. Avaliar o fazer (parte técnica e organizativa);
  2. Avaliar o celebrar (como foi a vivência espiritual);
  3. Avaliar o fruto (o que mudou em mim e na comunidade após a celebração).

Dessa forma, a liturgia se torna também formadora: ensina pelo próprio acontecer, educa o coração e transforma a vida.

Preparar e celebrar a liturgia!

Preparar a liturgia é preparar um encontro de amor entre Deus e seu povo. Isso pede cuidado, oração, simplicidade e dedicação. Quando tudo é feito com carinho, a celebração se torna um espaço de encontro verdadeiro com Jesus, que nos alimenta com sua Palavra e com seu Corpo e Sangue.

A comunidade, então, sai fortalecida, cheia de esperança, pronta para testemunhar no dia a dia aquilo que celebrou. Porque a liturgia não termina na igreja: continua na vida de cada cristão.

Texto escrito por Ir. Julia de Almeida, pddm. Ela é irmã Pia Discípula do Divino Mestre e Mestre em Comunicação e Semiótica.


AGENDE ESTA DATA: LIVE “O CUIDADO DA CRIAÇÃO NA LITURGIA”

A Revista de Liturgia convida você para um encontro especial que une fé, cuidado e compromisso com a Casa Comum.

🎥 Live: O Cuidado da Criação na Liturgia
✨ Com a presença de:

  • Irmã Penha Carpanedo, pddm
  • Dom Jerônimo Pereira Silva
  • Daniel Carvalho

📅 Data: 29 de setembro de 2025 (segunda-feira)
Horário: 20h
📍 Local: Canal da Revista de Liturgia no YouTube
https://www.youtube.com/watch?v=usQMPHRStoI

Venha refletir e rezar conosco sobre como a liturgia pode despertar a responsabilidade e a beleza do cuidado da criação.

Quem são os nossos participantes desta live?

Irmã Maria da Penha Carpanedo, PDDM, é Religiosa da Congregação das Irmãs Pias Discípulas do Divino Mestre (PDDM), na qual ingressou em 1969, professando os votos religiosos em 1974. Dedica-se há décadas à formação litúrgica no Brasil, atuando especialmente nas Escolas de Liturgia e em processos de iniciação à vida cristã. É responsável pelo serviço de redação da Revista de Liturgia, contribuindo com reflexões, roteiros e subsídios pastorais. Especialista em liturgia, tem participação ativa em encontros, cursos e formações voltados à vida litúrgica das comunidades. Com linguagem acessível e profunda, a Irmã Penha é reconhecida por unir sensibilidade pastoral e rigor litúrgico em sua missão de ajudar comunidades a viverem a liturgia como fonte de fé e vida cristã.

Dom Jerônimo Pereira Silva, OSB, é monge beneditino do Mosteiro de São Bento de Olinda (PE), presbítero desde 2004. Possui formação sólida na área de liturgia. Ele é Doutor em Sagrada Liturgia pelo Pontifício Instituto Litúrgico de Santo Anselmo, Roma; Mestre em Teologia, com especialização em Liturgia Pastoral, pelo Instituto de Liturgia de Santa Giustina, Pádua; e possui formação em música litúrgica pelo Instituto de Santo Anselmo. Atualmente, é presidente da Associação dos Liturgistas do Brasil (ASLI) e membro da Comissão Episcopal Pastoral para a Liturgia da CNBB. Publica artigos e ministra cursos, unindo reflexão acadêmica e experiência pastoral. Seu trabalho destaca-se pela busca de uma liturgia fiel à tradição, mas aberta ao diálogo com a cultura e à participação ativa das comunidades.

Daniel Carvalho é leigo, pesquisador e formador em liturgia. Ele é Mestre em Ciências da Religião pela PUC Goiás; Especialista em Liturgia Cristã pela FAJE (Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia), em parceria com a Rede Celebra. Atualmente cursa o Doutorado em Ciências da Religião, com pesquisa voltada à liturgia, bíblia e questões socioambientais. Tem publicado artigos acadêmicos e pastorais em revistas e coletâneas, além de colaborar com encontros e formações. Seu interesse se volta às intersecções entre liturgia, Palavra de Deus e justiça socioambiental, mostrando como a celebração cristã pode inspirar práticas concretas de cuidado com a vida e a criação.

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