A QUARESMA NO ANO LITÚRGICO: SOBRIEDADE, CONVERSÃO E VIDA SACRAMENTAL

A Quaresma é um tempo privilegiado do Ano Litúrgico, no qual a Igreja Católica convida os fiéis a um caminho mais intenso de conversão, por meio da oração, do jejum e da caridade. Não se trata apenas de um período de preparação externa, mas de um verdadeiro itinerário espiritual rumo à celebração da Páscoa do Senhor.

Esse espírito quaresmal deve refletir-se tanto na ambientação do espaço litúrgico quanto na celebração dos sacramentos, ajudando toda a comunidade a viver este tempo com profundidade e sentido.

A decoração da igreja no tempo da Quaresma

De acordo com a tradição litúrgica da Igreja, a Quaresma é marcada por uma estética sóbria e discreta, que favoreça o recolhimento e a escuta da Palavra de Deus.

A cor roxa assume lugar central na liturgia, expressando penitência, vigilância e esperança. As flores, sinal de festa e exultação, são normalmente omitidas, conforme indica a Instrução Geral do Missal Romano, para que o ambiente não antecipe a alegria pascal.

A cruz ganha especial destaque, ajudando os fiéis a contemplarem o caminho de Cristo rumo à sua Paixão. Elementos simples e simbólicos como a Bíblia, tecidos rústicos ou sinais do deserto, podem ser utilizados com moderação, sempre evitando excessos ou enfeites que desviem do sentido espiritual deste tempo.

A Quaresma nos ensina que a verdadeira beleza do espaço litúrgico está na simplicidade que conduz à oração.

A vida sacramental durante a Quaresma

A Igreja recorda que a Quaresma é, por excelência, um tempo penitencial. O Catecismo da Igreja Católica afirma que este período prepara os fiéis para a renovação das promessas batismais, especialmente por meio da penitência e da conversão do coração (cf. CIC, nº 1438).

Por isso, a Igreja recomenda que seja dada atenção especial ao Sacramento da Reconciliação, incentivando os fiéis a se aproximarem da misericórdia de Deus e a restaurarem sua comunhão com Ele e com a comunidade.

Na celebração da Celebração Eucarística, alguns sinais reforçam o caráter próprio da Quaresma: a omissão do hino do Glória (exceto nas solenidades) e a substituição do Aleluia por uma aclamação mais sóbria antes do Evangelho. Esses gestos ajudam a assembleia a viver o tempo da espera e da conversão.

Batismo e Matrimônio na Quaresma

Quanto aos sacramentos do Batismo e do Matrimônio, é importante esclarecer que não existe uma norma canônica ou litúrgica que proíba a sua celebração durante a Quaresma. Ambos podem ser validamente celebrados neste tempo.

O Código de Direito Canônico não proíbe a celebração de nenhum dos dois sacramentos na Quaresma. Do ponto de vista do Direito, ambos são sempre lícitos na Quaresma. Sobre o Batismo, Cân. 856: recomenda que o Batismo seja celebrado no domingo ou, se possível, na Vigília Pascal, mas não impede sua celebração em outros tempos do ano, incluindo a Quaresma. Sobre o Matrimônio, o Cân. 1118 §2 diz que permite a celebração do Matrimônio na igreja ou em outro lugar adequado, sem restrição ligada ao tempo litúrgico.

Quanto ao Catecismo da Igreja Católica (CIC) também não estabelece esta proibição. Ao falar da Quaresma, o CIC a define como tempo penitencial e de preparação para a renovação das promessas batismais (cf. CIC 1438). Ao tratar do Batismo e do Matrimônio, não vincula a validade ou liceidade desses sacramentos a épocas do Ano Litúrgico. Portanto, o CIC explica o sentido espiritual da Quaresma, mas não cria normas proibitivas.

A Instrução Geral do Missal Romano trata principalmente da Eucaristia, não da proibição de sacramentos. Ela determina, por exemplo, uso da cor roxa, omissão do Glória (exceto solenidades), omissão do Aleluia, sobriedade do ambiente. Mas também nele não existe uma nota proibitiva dizendo “É proibido celebrar Batismo ou Matrimônio na Quaresma.” O que o missal traz são orientações litúrgicas e pastorais sobre simplicidade, adequação ao tempo penitencial, coerência entre celebração e Ano Litúrgico.

Uai, então, de onde vem a ideia de “não celebrar”? Ela vem de tradição litúrgica, bom senso pastoral e documentos locais (CNBB, dioceses, paróquias). Isto devido especialmente no caso do Matrimônio, por seu caráter festivo, jubiloso, comunitário, a Igreja recomenda evitar, mas nunca proíbe.

Já o Batismo é até teologicamente ligado à Quaresma, porém, pastoralmente, costuma-se incentivar sua celebração na Vigília Pascal, sem negar o Batismo quando há necessidade.

Resumidamente, não existe norma canônica nem litúrgica universal que proíba a celebração do Batismo ou do Matrimônio durante a Quaresma, seja no Código de Direito Canônico, no Catecismo da Igreja Católica ou no Missal Romano. Contudo, por razões litúrgicas e pastorais, a Igreja recomenda discernimento e, de preferência, que essas celebrações ocorram fora do tempo quaresmal, ou que sejam realizadas com sobriedade, respeitando o caráter penitencial deste período.

Esses sacramentos, especialmente o Matrimônio, possuem caráter marcadamente festivo e jubiloso. Quando, por necessidade pastoral, o Batismo ou o Matrimônio forem celebrados na Quaresma, orienta-se que a celebração aconteça com maior simplicidade, respeitando o espírito penitencial do tempo litúrgico, tanto na ornamentação quanto na música e nos demais elementos celebrativos.

Essa orientação não diminui a importância nem a alegria própria dos sacramentos, mas ajuda a preservar a harmonia entre a celebração sacramental e o mistério do tempo litúrgico vivido pela Igreja.

Um caminho que conduz à Páscoa

Viver a Quaresma é aceitar o convite de Deus a retomar o essencial, a purificar o coração e a fortalecer a fé. A sobriedade do espaço litúrgico e o cuidado com a vida sacramental ajudam a comunidade a caminhar unida, preparando-se para celebrar com alegria renovada a Ressurreição do Senhor.

Que este tempo santo seja, para todos nós, uma verdadeira experiência de conversão e esperança.


PAINEL LITÚRGICO DO TEMPO DA QUARESMA

Arte de Cláudio Pastro
Produção e comercialização: Apostolado Litúrgico
Tamanho: 125×130 cm

O Painel Litúrgico do Tempo da Quaresma integra o conjunto dos Painéis Litúrgicos do Ciclo Pascal e foi concebido como instrumento de oração, catequese e participação no mistério celebrado pela Igreja. Mais do que uma ilustração bíblica, trata-se de uma obra que introduz a assembleia no caminho espiritual da Quaresma, compreendida como etapa fundamental da caminhada pascal.

A Quaresma é o tempo em que a Igreja intensifica, por meio da oração, do jejum e da esmola, a vivência da aliança com Deus. Longe de ser apenas um período marcado pela penitência, ela é, essencialmente, um tempo de preparação para a Páscoa, no qual somos convidados a “esperar na alegria a santa Páscoa”. Nesse sentido, o painel resgata o verdadeiro conteúdo quaresmal: a experiência pascal de passagem da morte para a vida, do pecado para o amor, da escravidão para a liberdade.

A obra evidencia que Quaresma e Páscoa formam uma unidade inseparável. Ainda que, no tempo quaresmal, se acentue o aspecto da cruz e, na Páscoa, o da ressurreição, existe um único centro que unifica toda a caminhada: o mistério pascal de Cristo. Assim, toda conversão vivida na Quaresma é já participação na Páscoa do Senhor.

Esse conteúdo pascal da Quaresma é visualmente indicado pelas cores ouro queimado e branco e pela faixa central do painel, onde aparece Cristo, servo e rei, entrando em Jerusalém para celebrar sua paixão, morte e ressurreição, simbolizadas pelas três cruzes. O verde-esperança, associado ao Domingo de Ramos, evoca a esperança messiânica finalmente cumprida no servo Jesus, bendito aquele que vem em nome do Senhor.

No centro da composição está Cristo que caminha com o povo. Ele não aparece isolado, mas profundamente ligado à humanidade, conduzindo, sustentando e reunindo. Trata-se do Cristo novo Moisés, Bom Pastor e Servo sofredor, que assume a condição humana e percorre com ela o caminho da fidelidade ao Pai. A Quaresma, assim, é apresentada como seguimento, não como esforço individual, mas como experiência comunitária de fé.

A Quaresma faz memória da caminhada do povo de Deus durante os quarenta anos no deserto. Essa trajetória é visualizada na faixa correspondente, que destaca momentos fundamentais da história da salvação:
– a aliança de Deus com Noé após o dilúvio – Gn 9,8-15;
– a fé de Abraão e a entrega de Isaac – Gn 22,1-18 e 15, 5-18;
– o chamado de Moisés na sarça ardente – Ex 3,1 – 8a; 13-15;
– a entrega da Lei no Sinai – Ex 20,1-17;
– a deportação e o novo êxodo após o exílio da Babilônia – Is 43, 16-21; 2Cr 36,14-23.

Ao mesmo tempo, a Quaresma é sobretudo a recordação dos quarenta dias de Jesus no deserto e de sua doação total até a morte. Por isso, outra faixa do painel evidencia as cenas proclamadas nos primeiros domingos quaresmais — a tentação de Jesus e sua transfiguração — e, a partir do terceiro domingo, o itinerário batismal do Ano A, representado pelas figuras da Samaritana, do cego de nascença e de Marta, que expressam a profissão de fé e o caminho de iluminação dos que se preparam para a Páscoa.

Elementos da realidade contemporânea também estão presentes na composição. O sofrimento humano, o trabalho pesado, as estruturas de opressão e os sinais de morte do mundo atual são colocados em diálogo com a Paixão de Cristo. Dessa forma, o painel recorda que a Quaresma não é fuga da realidade, mas leitura da vida à luz da cruz, compromisso concreto de transformação e fidelidade ao Evangelho.

A faixa lilás, em sintonia com o sentido da Campanha da Fraternidade, reforça que a prática quaresmal da oração, do jejum e da caridade ganha um conteúdo renovado de solidariedade, justiça e compromisso social, convidando a transformar sinais de morte em sinais de vida e salvação.

Apesar da sobriedade própria do tempo quaresmal, o painel não se apresenta como uma obra triste ou sombria. Há movimento, comunhão e esperança. A cruz está presente, mas já iluminada pela tensão pascal que aponta para a ressurreição, recordando que a caminhada quaresmal conduz inevitavelmente à alegria da Páscoa.

Do ponto de vista litúrgico, o painel destina-se à ambientação celebrativa e à catequese visual da assembleia. Pode ser colocado em espaço lateral do presbitério, sem competir com o altar, o ambão ou a cruz; próximo ao ambão, em diálogo com a Palavra proclamada; ou em outros espaços celebrativos adequados durante o Tempo da Quaresma. Sua função não é decorativa, mas mistagógica: favorecer a oração, a contemplação e a participação consciente no mistério celebrado.

Produzido e comercializado pelas Irmãs Pias Discípulas do Divino Mestre, por meio do Centro de Apostolado Litúrgico, o Painel Litúrgico da Quaresma expressa uma concepção de arte a serviço da liturgia, em plena sintonia com a renovação promovida pelo Concílio Vaticano II. É uma obra pensada para ajudar a Igreja a celebrar, educar e rezar, conduzindo a comunidade a viver a Quaresma como verdadeiro caminho pascal.




O CARNAVAL E O SENTIDO PARA A COMUNIDADE CRISTÃ

O Carnaval é uma das manifestações culturais mais marcantes do Brasil e de outros países, reconhecido por sua alegria, música e expressão popular. Para as comunidades cristãs, porém, essa celebração carrega um significado mais profundo, que vai além da festa em si e está diretamente ligado ao calendário litúrgico e à vivência da fé.

Historicamente, o Carnaval acontece imediatamente antes da Quarta-feira de Cinzas, que inaugura a Quaresma, período de quarenta dias dedicado à oração, à penitência, ao jejum e à preparação espiritual para a Páscoa. O próprio termo “Carnaval”, derivado da expressão latina carne vale (“adeus à carne”), remete à ideia de despedida dos excessos e de transição para um tempo de maior recolhimento e disciplina espiritual. Nesse sentido, o Carnaval não deveria ser compreendido apenas como um momento de indulgência, mas como uma etapa que antecede e prepara o coração para a conversão quaresmal.

Para as comunidades cristãs, o verdadeiro significado do Carnaval está no discernimento e no equilíbrio. Alguns fiéis optam por participar das celebrações culturais de maneira moderada, valorizando o convívio social, a alegria saudável e o respeito ao próximo. Nessa perspectiva, o Carnaval pode ser vivido como um tempo de lazer responsável, sem que isso signifique abandono dos valores cristãos.

Outros cristãos, por sua vez, escolhem viver esse período de forma mais introspectiva, afastando-se da folia para participar de retiros espirituais, encontros de oração e momentos de reflexão. Essas iniciativas são comuns em diversas igrejas e oferecem um espaço de silêncio, escuta da Palavra e renovação da fé, ajudando os fiéis a iniciar a Quaresma de maneira consciente e profunda.

Ao mesmo tempo, é importante reconhecer que muitas comunidades cristãs enxergam o Carnaval de forma crítica, especialmente quando ele é associado a excessos, comportamentos irresponsáveis e atitudes que ferem a dignidade humana. Para esses grupos, práticas como o abuso de álcool, a banalização do corpo e a perda do autocontrole entram em conflito com princípios centrais do cristianismo, como a moderação, o respeito e o cuidado com o outro.

Dessa forma, o Carnaval pode ser compreendido pelas comunidades cristãs não como um fim em si mesmo, nem apenas como algo a ser rejeitado, mas como um convite à consciência espiritual. Ele se torna uma oportunidade para refletir sobre escolhas, limites e prioridades, preparando o coração para o tempo quaresmal que se aproxima.

Em essência, o que o Carnaval deveria significar para os cristãos é um chamado ao equilíbrio entre alegria e responsabilidade, liberdade e compromisso, celebração e fé. Vivido dessa maneira, ele deixa de ser apenas uma festa cultural e passa a ser um momento de transição, no qual cada fiel é convidado a alinhar sua vida com os ensinamentos de Cristo e a se preparar, de forma sincera, para a renovação espiritual que a Quaresma propõe.

Que tipo de consciência espiritual devo viver o contexto do Carnaval?

A consciência espiritual, no contexto do Carnaval, não é moralismo nem simples rejeição da festa. Ela é, antes de tudo, discernimento. Trata-se da capacidade de o cristão se perguntar, com honestidade: O que isso desperta em mim? Isso me aproxima ou me afasta do amor a Deus e ao próximo? Como minhas escolhas afetam meu corpo, minha fé e as outras pessoas?

Essa consciência envolve três dimensões principais. A primeira delas é a Consciência de si. O cristão é convidado a reconhecer seus próprios limites, desejos e fragilidades. O Carnaval pode intensificar emoções, impulsos e excessos. E a consciência espiritual ajuda a perceber quando a alegria deixa de ser saudável e passa a ser fuga, anestesia ou autodestruição. Aqui, espiritualidade não é repressão, mas autocuidado e verdade interior.

A segunda é Consciência do outro. A fé cristã nunca é apenas individual. Ter consciência espiritual é perguntar: Estou respeitando a dignidade do outro? Meu comportamento contribui para a vida, para o bem comum, para relações mais humanas?

Isso toca temas como respeito ao corpo, consentimento, cuidado com os mais vulneráveis e rejeição de qualquer forma de violência ou exploração, realidades que também atravessam o Carnaval.

E, por fim, a Consciência do tempo litúrgico. O Carnaval não está “fora” da vida cristã: ele antecede a Quaresma. A consciência espiritual reconhece esse tempo de passagem. Não é só “antes da Quaresma”, mas um limiar, um convite a desacelerar e a preparar o coração para a conversão.

Ver o Carnaval assim, comporta admitir o seu caráter complexo, como todas as coisas, nos ajuda a recusar visões simplistas como “É tudo pecado” ou “É tudo liberdade e alegria”. A realidade é mais profunda.

Temos que admitir que o carnaval é cultural, social e histórico. Ele carrega expressões legítimas de alegria popular, de resistência cultural, de vozes de comunidades marginalizadas e de muita arte, música, identidade e crítica social. Ignorar isso é empobrecer a leitura cristã do mundo. A fé não vive fora da cultura: ela dialoga com ela.

O Carnaval também revela contradições humanas. Ao mesmo tempo, ele expõe excessos, desigualdades, mercantilização dos corpos, fugas emocionais e espirituais. Uma leitura cristã madura não nega essas sombras, mas também não reduz toda a festa a elas.

Ver este fenômeno do Carnaval valorizando a sua complexidade exige discernimento, não julgamento. Jesus não se afastava da realidade humana por medo do pecado. Pelo contrário, Ele entrava nela com misericórdia e verdade. Ver o Carnaval com complexidade é fazer o mesmo: nem romantizar, nem demonizar, mas discernir.

Em síntese, para as comunidades cristãs, o Carnaval pode ser visto como:

  • Um espelho da condição humana: sede de alegria, liberdade, sentido
  • Um tempo de escolhas conscientes, não automáticas
  • Um convite à responsabilidade espiritual, pessoal e comunitária
  • Um limiar entre a festa e o silêncio, entre o exterior e o interior

Viver o Carnaval com consciência espiritual é perguntar menos “posso ou não posso?” e mais “isso me humaniza? Isso me aproxima do amor?”




PIAS DISCÍPULAS DO DIVINO MESTRE CELEBRAM 102 ANOS DE FUNDAÇÃO

No dia 10 de fevereiro, data em que a Igreja celebra Santa Escolástica, as Pias Discípulas do Divino Mestre comemoram 102 anos de fundação. A congregação foi fundada pelo Bem-aventurado Padre Tiago Alberione, que escolheu simbolicamente essa data para dar início a uma nova expressão de vida consagrada a serviço da Igreja.

Inspirado pela espiritualidade beneditina de Santa Escolástica — irmã de São Bento —, Padre Alberione confiou às Pias Discípulas uma missão profundamente enraizada na centralidade da Eucaristia, na oração litúrgica e no serviço apostólico, em comunhão com toda a Família Paulina.

Neste ano de 2026, a celebração dos 102 anos é iluminada pelo tema bíblico “Olha para o céu e conta as estrelas” (Gn 15,5), escolhido pelo Conselho do Instituto, realizado nas Filipinas entre 20 de janeiro e 10 de fevereiro de 2026. A imagem evoca o chamado feito por Deus a Abraão, convidando-o a sair da tenda para ampliar o olhar e confiar na promessa divina.

O tema também retoma o caminho indicado pelo 10º Capítulo Geral, que propõe como horizonte para o sexênio as “estrelas” da interculturalidade, da missão, do discernimento como estilo de vida e da formação integral e contínua. São luzes que orientam a vida e a missão da Congregação no contexto atual da Igreja e do mundo.

Celebrar mais de um século de história é, para as Pias Discípulas do Divino Mestre, um tempo de gratidão, memória agradecida e renovação do compromisso vocacional. Como recordava o fundador, os desígnios de Deus sobre a Congregação sempre foram claros e conduzidos para a maior glória de Deus e a santificação de suas integrantes.

Ao completar 102 anos, a Congregação renova o seu desejo de “olhar para o céu”, deixar-se conduzir por Deus, transformar as fragilidades em fecundidade e seguir adiante com esperança, permanecendo fiel à missão recebida na Igreja: ser discípulas íntimas de Jesus Mestre, a serviço do seu Corpo Místico, hoje e sempre.



Gn 15,5 – A promessa que nasce sob o céu estrelado

Em Gn 15,5, somos conduzidos a uma das cenas mais decisivas de toda a revelação bíblica. Deus leva Abraão para fora e o convida a erguer os olhos ao céu: “Olha para o céu e conta as estrelas, se és capaz de as contar. Assim será a tua descendência.” A promessa é proclamada justamente no momento em que tudo parece humanamente impossível. Abraão é idoso, Sara é estéril e o futuro parece fechado. É nesse contexto de limite que Deus abre um horizonte novo.

O gesto de “levar para fora” não é apenas físico, mas profundamente simbólico. Abraão é retirado do espaço estreito de seus cálculos e medos para contemplar o cosmos, sinal da grandeza e da fidelidade do Criador. O convite a olhar o céu não é um simples ato de observação, mas um chamado à contemplação: diante da imensidão das estrelas, Abraão reconhece seus limites e, ao mesmo tempo, a potência da palavra divina.

As estrelas, incontáveis aos olhos humanos, tornam-se imagem de uma promessa que ultrapassa toda lógica natural. A descendência prometida não é apenas numerosa, mas duradoura, inserida no próprio desígnio de Deus para a história. O “assim será” indica que a promessa não se funda em evidências visíveis, mas na correspondência entre a palavra de Deus e a fé daquele que a acolhe.

Esse versículo prepara imediatamente Gn 15,6, onde se afirma que Abraão creu no Senhor, e isso lhe foi imputado como justiça. Por isso, Gn 15,5 ocupa um lugar central na teologia bíblica da fé. A promessa não elimina a noite nem resolve imediatamente a crise de Abraão; ela transforma a noite em espaço de revelação. Deus não oferece provas, mas uma palavra confiável.

No Novo Testamento, essa promessa é relida à luz de Cristo. Para o apóstolo Paulo, a descendência de Abraão se estende a todos os que creem, fazendo dele pai de uma multidão que não se define apenas por laços de sangue, mas pela fé. Assim, as estrelas do céu tornam-se imagem da comunidade dos fiéis, chamados a viver da mesma confiança que sustentou Abraão.

Gn 15,5 revela, portanto, o coração da fé bíblica: confiar quando o caminho ainda não é visível, crer quando a promessa parece maior que a realidade, e aprender a levantar os olhos para além dos próprios limites, certos de que a palavra de Deus é fiel.



RENOVAÇÃO DE VOTOS RELIGIOSOS DE IR. ANTÔNIA BIANCA

Nesta segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026, a Capela da Comunidade Timóteo Giaccardo, em Pacaembu (SP), foi espaço de profunda ação de graças, comunhão fraterna e renovação da esperança com a celebração da renovação dos votos religiosos, pela sexta vez, da Ir. M. Antônia Bianca Oliveira dos Santos. O momento marcou mais uma etapa significativa em sua caminhada vocacional e foi vivido com alegria, simplicidade e espírito orante pelas Irmãs ali presentes.

A celebração eucarística foi presidida pelo Pe. Frei Jair Roberto Pasquali, TOR, que conduziu o rito com serenidade e profundidade espiritual, destacando o valor do compromisso assumido pela religiosa e o significado eclesial da vida consagrada. A presença das Irmãs, reunidas em clima de fraternidade, expressou a comunhão comunitária e o apoio à caminhada vocacional da Ir. M. Antônia Bianca, que neste ano segue sua formação em Roma, onde realizará a preparação imediata para os votos perpétuos.

A renovação dos votos religiosos representa, na tradição da Igreja, a reafirmação consciente e livre do “sim” dado a Deus, renovando o compromisso com os conselhos evangélicos da pobreza, castidade e obediência. Ao renovar seus votos pela sexta vez, a Ir. M. Antônia Bianca manifesta maturidade vocacional e disponibilidade interior para continuar colocando sua vida a serviço do Reino, em fidelidade ao carisma congregacional e à missão confiada pela Igreja.

A celebração foi iluminada pela liturgia da 5ª Semana do Tempo Comum, Ano Par (II), cujas leituras ofereceram uma chave de leitura profunda para compreender o sentido do momento vivido. A primeira leitura, retirada do Primeiro Livro dos Reis (1Rs 8,1-7.9-13), narrou a solene transferência da Arca da Aliança para o Templo de Jerusalém, construída por Salomão. O texto bíblico apresenta um povo reunido para reconhecer que Deus escolheu habitar no meio deles, fazendo do Templo um lugar de encontro, memória e fidelidade à Aliança.

Esse relato bíblico dialoga diretamente com a vida consagrada, na medida em que recorda que é o próprio Deus quem toma a iniciativa de habitar no coração daqueles que se oferecem inteiramente a Ele. Assim como a Arca representava a presença divina no meio do povo, a vida consagrada torna-se sinal visível de que Deus continua a fazer morada entre os homens, chamando-os à comunhão, à escuta e à fidelidade.

O Salmo 131(132), rezado responsorialmente, reforçou esse desejo profundo de estar na presença do Senhor: “Entremos em sua morada, prostremo-nos ante o escabelo de seus pés”. O salmista expressa a alegria do povo que busca a casa de Deus e reconhece nela o lugar do repouso divino. Na celebração da renovação dos votos, esse salmo ganhou um significado especial, pois a entrega da vida religiosa é também um gesto de permanência, de escolha deliberada por “habitar” com o Senhor e colocar Nele toda a confiança.

Já o Evangelho segundo Marcos (Mc 6,53-56) apresentou Jesus que, ao chegar às aldeias e cidades, é reconhecido pelo povo, que leva até Ele os doentes, certos de que um simples toque poderia trazer cura. O texto evidencia a sensibilidade de Jesus diante do sofrimento humano e sua constante disponibilidade para acolher, curar e restaurar vidas. Esse Evangelho lança luz sobre a missão da vida consagrada, chamada a ser presença de Cristo no mundo, especialmente junto aos que mais sofrem, oferecendo cuidado, escuta, esperança e proximidade.

À luz dessas leituras, a renovação dos votos da Ir. M. Antônia Bianca pode ser compreendida como um gesto que une contemplação e missão. Contemplação, porque nasce da escuta da Palavra e da intimidade com Deus; missão, porque se traduz em serviço concreto ao povo, seguindo os passos de Jesus que passa fazendo o bem. A formação que a religiosa iniciará em Roma, como preparação para os votos perpétuos, insere-se nesse dinamismo, ajudando-a a aprofundar sua consagração e a fortalecer sua disponibilidade para a missão que a Igreja lhe confiará.

Durante a celebração, o presidente da Eucaristia ressaltou que a perseverança na vida religiosa não é fruto apenas do esforço humano, mas da graça de Deus, acolhida e cultivada diariamente. A fidelidade aos votos, renovados ano após ano, é sustentada pela oração, pela vida comunitária e pela escuta atenta da Palavra, que orienta as escolhas e dá sentido ao caminho vocacional.

O clima de ação de graças vivido neste dia foi ampliado também por outro motivo de grande alegria para a congregação. Também nesta data, a comunidade acolheu a chegada de duas jovens que pediram para iniciar o seu caminho formativo na congregação. Trata-se de Edna, natural de Manaus (AM), e Vitória, de Boa Esperança (MG), que dão os primeiros passos em um processo de discernimento vocacional marcado pela escuta, pelo acompanhamento e pela vida comunitária. A celebração de ingresso está marcada para dia 10 de fevereiro de 2026.

A acolhida dessas jovens representa um sinal concreto de esperança e continuidade da missão, evidenciando que o chamado de Deus continua a ressoar no coração de novas gerações. O início do caminho formativo é um tempo privilegiado de discernimento, no qual as aspirantes são convidadas a aprofundar sua relação com Cristo, a conhecer mais de perto o carisma congregacional e a amadurecer, com liberdade e responsabilidade, a resposta ao chamado recebido.

Ao final da celebração, a gratidão marcou os corações das Irmãs presentes, que elevaram preces pela perseverança da Ir. M. Antônia Bianca e por todas as vocações, pedindo ao Senhor que continue a chamar e sustentar aqueles que se dispõem a segui-Lo mais de perto. A comunhão fraterna vivida naquele dia reforçou os laços comunitários e renovou o compromisso coletivo com a missão evangelizadora.

A Igreja confia à oração e ao cuidado de Deus a caminhada formativa da Ir. M. Antônia Bianca, que, em Roma, dará mais um passo decisivo rumo à consagração definitiva, assim como o início do percurso vocacional de Edna e Vitória. Que estes tempos de formação e discernimento sejam marcados pela escuta, pela confiança e pela fidelidade cotidiana, para que suas vidas se tornem sinais vivos da presença amorosa de Deus no mundo.

Continuamos em prece e comunhão, acompanhando com alegria estes acontecimentos significativos da vida congregacional e renovando, com esperança, a confiança no chamado do Divino Mestre.



ABERTURA DO CONSELHO DE INSTITUTO DAS PIAS DISCIPÚLAS

Ir. M. Louise O’Rourke, pddm

Erguer o olhar para o céu e deixar-se guiar pela promessa de Deus: é com esta atitude de fé e esperança que, no caminho inaugurado pelo X Capítulo Geral, as Pias Discípulas do Divino Mestre se preparam para viver um momento significativo para a vida da Congregação. No dia 20 de janeiro aconteceu a Celebração Eucarística de abertura deste evento que vai até o dia 10 de fevereiro de 2026, em Antipolo City, nas Filipinas. O Conselho de Instituto é um espaço privilegiado de escuta, discernimento comunitário e corresponsabilidade na missão.

Convocado pela Superiora geral, Ir. M. Bernardita Meráz Sotelo, o Conselho de Instituto configura-se como um verdadeiro tempo de graça, no qual reler o caminho percorrido e orientar, juntas, as escolhas futuras, segundo o estilo sinodal de caminhar juntas. A sua dimensão internacional e intercultural torna visível uma Congregação que vive a sinodalidade como estilo permanente, integrando vozes, culturas e experiências diversas num único horizonte carismático e missionário.

O tema do Conselho – «Olha para o céu e conta as estrelas…» (Gn 15,5). Transformar a fragilidade em um caminho gerador – convida a reconhecer a fidelidade de Deus também nas fragilidades pessoais e comunitárias. À luz das “quatro estrelas” do Capítulo Geral, as Circunscrições partilharão o próprio caminho como sinal concreto de sermos um só corpo.

Este encontro é um apelo a fortalecer o sentido de corresponsabilidade, a crescer na consciência de caminhar como um único corpo e a renovar, juntas, a missão das Pias Discípulas do Divino Mestre a serviço da Igreja e da humanidade, com confiança, criatividade e esperança.

Desejamos que este Conselho de Instituto seja um tempo fecundo de escuta, partilha e comunhão, capaz de gerar vida nova e orientações para o caminho futuro.



MEMÓRIA AGRADECIDA DE IR. M. MARGHERITA GERLOTTO E IR. SALVATORIS ROSA

No dia 19 de janeiro, a Família Paulina recorda com gratidão a vida e a entrega missionária de duas irmãs das Pias Discípulas do Divino Mestre que marcaram a história da Congregação no Brasil: Ir. M. Margherita Gerlotto, falecida em 19/01/1965, e Ir. Salvatoris Rosa, falecida em 19/01/1998.

Ir. M. Margherita Gerlotto foi uma das missionárias que, com coragem e espírito de fé, dedicou sua vida ao anúncio do Reino e ao serviço da liturgia, da Eucaristia e do sacerdócio, carismas centrais das Pias Discípulas. Em tempos desafiadores, sua presença no Brasil foi sinal de doação silenciosa, trabalho perseverante e amor profundo à missão confiada pela Igreja. Sua vida foi um testemunho de fidelidade cotidiana, vivida na simplicidade e na confiança em Deus. Ir. Margherida fez parte do grupo da 8 primeiras da nossa congregação e também foi missionária em terras brasileiras. Alberione escolheu Ursulina e Metilde e também Margherida estava no grupo das “jovens inclinadas à piedade especialmente eucarística”, de acordo com as indicações do padre Alberione.

Ela recorda que: “Na noite de 9 de fevereiro de 1924, o Primeiro Mestre nos chamou: deveríamos formar uma comunidade, um grupo, liderado por Úrsula Rivata depois Irmã Escolástica. Ele nos designou a adoração contínua do turno de duas horas, pela duração de um mês, a fim de experimentar nossa resistência. A experiência foi tão boa que a adoração continuou com fidelidade durante todo o dia até o dia 15 de agosto seguinte, quando, já com o número aumentado de Irmãs, assumimos também a adoração noturna.».

E chegamos ao dia 25 de março, quando Margherita se torna Irmã Paulina da Agonia de Jesus, para recordar Paulo, o protetor de então e sempre, e com a denominação da Agonia de Jesus para ser uma memória viva da oração de Jesus no abandono à vontade do Pai em seu “Sitio” (Tenho sede – cfr. João 19,28).

Ir. Salvatoris Rosa, também missionária no Brasil, deu continuidade a esse mesmo ideal de consagração e serviço. Com sensibilidade pastoral e espírito fraterno, colaborou na formação das primeiras comunidades das discípulas e na vida comunitária, deixando um legado de dedicação generosa e zelo apostólico. Sua longa trajetória missionária expressou um amor concreto à Igreja e ao povo brasileiro, vivido na escuta, no acolhimento e no serviço humilde. Ir. Salvatoris fez parte do grupo de missionárias enviadas pelo Fundador, Padre Tiago Alberione, e que chegou em São Paulo no dia 26 de julho de 1956 para iniciar esta nova missão.

Ao recordar Ir. M. Margherita Gerlotto e Ir. Salvatoris Rosa, rendemos graças a Deus pelo dom de suas vidas. Que o testemunho dessas irmãs continue a inspirar as Pias Discípulas do Divino Mestre e todos aqueles que, hoje, são chamados a servir com alegria, fidelidade e espírito missionário, seguindo Jesus Mestre, Caminho, Verdade e Vida.






PAPA LEÃO XIV CONVOVA PRIMEIRO CONSISTÓRIO EXTRAORDINARIO DO SEU PONTIFICADO

Nos dias 7 e 8 de janeiro de 2026, o Papa Leão XIV reuniu em Roma o Colégio Cardinalício para o seu primeiro Consistório Extraordinário que é um encontro que marca um novo ritmo de consulta e reflexão no governo da Igreja Católica. O evento, de caráter histórico e simbólico, não tratou de nomeações, mas de discernimento colegial sobre prioridades e caminhos para o futuro da Igreja.

O que é um Consistório?

O termo consistório vem do latim consistorium, que significa “assembleia” ou “estar junto”. Na tradição da Igreja, é uma reunião dos cardeais convocada pelo Papa para consultas solenes. Existem consistórios ordinários, comuns para anúncios como promoções de cardeais, e extraordinários, mais raros e voltados a questões de direção e reflexão profunda com o Colégio Cardinalício.

Ao presidir a Eucaristia nesta reunião, Leão XIV refletiu sobre a raiz do termo: consistere, “parar”, lembrando que todos os presentes deixaram suas atividades habituais para se reunir em oração e discernimento conjunto.

Contexto e Razões do Encontro

Convocado poucos meses depois de sua eleição em 2025, este consistório extraordinário sinaliza a intenção do Papa de envolver mais amplamente os cardeais em reflexão colegial sobre a missão da Igreja e sobre como se dirigir nos tempos atuais. A iniciativa ecoa pedidos feitos durante as congregações gerais pré-conclave, encontros preparatórios em que os futuros eleitores discutiram os grandes desafios da Igreja.

Leão XIV tem defendido que um dos papéis dos cardeais é justamente oferecer uma visão pluriforme e global da Igreja, e não apenas atuar como assessores técnicos. “Não estamos aqui para promover agendas pessoais ou de grupo, mas para confiar nossos projetos a um discernimento maior”, afirmou ele durante a Missa de abertura.

Estrutura dos Trabalhos

O Consistório Extraordinário foi dividido em várias sessões de trabalho ao longo de um dia e meio, com momentos de oração, diálogo em grupos de trabalho, reflexão e decisões coletivas. Participaram cerca de 170 cardeais de diferentes partes do mundo, incluindo cardeais eleitores e não eleitores, ou seja, tanto aqueles com direito a voto em um eventual conclave quanto os que já ultrapassaram a idade canônica de 80 anos.

Segundo a Santa Sé, os cardeais foram organizados em 20 grupos linguísticos para facilitar conversas aprofundadas. Esses grupos refletiram sobre temas centrais que o encontro propôs desde o início.

Temas Prioritários: Sinodalidade e Evangelização

Na abertura oficial, realizado na Sala Nova do Sínodo, o Papa convidou os participantes a pensar nas atenções e prioridades da Igreja no futuro próximo. Entre diversos temas colocados à disposição para reflexão, a assembleia decidiu, por votação, concentrar-se em dois principais:

  • Sinodalidade — o modo de caminhar juntos enquanto povo de Deus, com maior participação e corresponsabilidade de todos os membros da Igreja;
  • Evangelização — a missão de anunciar o Evangelho no mundo contemporâneo.

Outros temas que ficaram na lista original, como liturgia e a reforma da Praedicate Evangelium (a constituição apostólica que regula a organização da Cúria Romana), não foram selecionados como foco principal, mas segundo autoridades da Sala de Imprensa permanecerão conectados ao trabalho futuro.

Reflexões Teológicas e Litúrgicas

Na sua homilia durante a Missa na Basílica de São Pedro, na manhã do segundo dia, Leão XIV sublinhou que o Consistório não é apenas um encontro administrativo, mas um “momento de graça” e de oração comunitária pela unidade da Igreja e do mundo. Ele lembrou que os cardeais são convocados primeiro como comunidade de fé, e não como equipe de especialistas.

O Papa também evocou a necessidade de “parar para escutar e discernir” em um mundo marcado pela pressa, pela violência e por desafios sociais e tecnológicos, como destacou também a meditação inicial conduzida pelo cardeal dominicano Timothy Radcliffe.

Metodologia e Experiência de Diálogo

Os trabalhos, além de momentos formais de plenário, incluíram momentos de partilha em pequenos grupos, oração comum, canto e até pausa para almoço com a presença do Papa, que distribuiu a cada um uma medalha do seu pontificado, gesto que simboliza o espírito de comunhão desejado.

Cardeais relatores destacaram que o ambiente foi marcado por uma unidade que não significa uniformidade, mas uma busca sincera de compreensão mútua entre diferentes tradições e experiências pastorais.

Encerramento e Novos Caminhos

Ao concluir a última sessão na noite do dia 8 de janeiro, Leão XIV anunciou novos passos inspirados por esse encontro: ele pretende realizar consistórios com mais regularidade, já marcando o próximo para junho de 2026, próximo à Solenidade dos Santos Pedro e Paulo, e idealizando encontros anuais mais longos, de três a quatro dias, no futuro.

Esse calendário renovado sinaliza uma mudança no estilo de governo colegial, aproximando-se das expectativas de muitos cardeais que pediam mecanismos mais amplos de participação após os pontificados anteriores.

Sinais de Uma Igreja em Caminhada

O Consistório Extraordinário de janeiro de 2026 ficou marcado não por decisões disciplinares ou nomeações, mas por sua dimensão consultiva e espiritual. Ele foi pensado como um espaço de escuta mútua, reflexão teológica e pastoral, e estudo das grandes prioridades para a Igreja Católica nos próximos anos.

Ao chamar a atenção para temas como sinodalidade, evangelização e missão, difíceis e urgentes diante das realidades contemporâneas, Leão XIV demonstrou que sua intenção é ouvir e caminhar junto aos seus conselheiros mais próximos, incorporando as diversas vozes do episcopado universal.

Se, como disse em sua homilia, o consistório significa “parar para escutar o que o Senhor nos pede”, o gesto pode ser visto como uma expressão concreta da virada pastoral que este pontificado procura imprimir logo no início de sua jornada.


Fontes:

AGÊNCIA ECCLESIA. Cardeais escolhem sinodalidade e evangelização como prioridades para primeiro consistório com Leão XIV. Lisboa, 2026. Disponível em: https://agencia.ecclesia.pt/portal/vaticano-cardeais-escolhem-sinodalidade-e-evangelizacao-como-prioridades-para-primeiro-consistorio-com-leao-xiv/. Acesso em: 8 jan. 2026.

AGÊNCIA ECCLESIA. Leão XIV rejeita agendas pessoais nos trabalhos do consistório. Lisboa, 2026. Disponível em: https://agencia.ecclesia.pt/portal/vaticano-leao-xiv-rejeita-agendas-pessoais-nos-trabalhos-do-consistorio/. Acesso em: 8 jan. 2026.

AGÊNCIA ECCLESIA. Papa anuncia consistórios anuais e convoca novo encontro de cardeais para junho. Lisboa, 2026. Disponível em: https://agencia.ecclesia.pt/portal/vaticano-papa-anuncia-consistorios-anuais-e-convoca-novo-encontro-de-cardeais-para-junho/. Acesso em: 8 jan. 2026.

AP NEWS. Pope Leo XIV holds first extraordinary consistory, signaling consultative governance. Nova York, 2026. Disponível em: https://apnews.com/article/011f4c46693ddb29ca4d7d8e33fb9413. Acesso em: 8 jan. 2026.

PRESS VATICAN. Bollettino della Sala Stampa della Santa Sede – 8 gennaio 2026. Cidade do Vaticano, 2026. Disponível em: https://press.vatican.va/content/salastampa/en/bollettino/pubblico/2026/01/08/260108a.html. Acesso em: 8 jan. 2026.

RADIO AMARESERVIR. “Estou aqui para ouvir”: Papa abre consistório extraordinário para definir prioridades da Igreja. 2026. Disponível em: https://radioamareservir.com/noticia/2237221/estou-aqui-para-ouvir-papa-abre-consistorio-extraordinario-para-definir-prioridades-da-igreja. Acesso em: 8 jan. 2026.

VATICAN NEWS. Concistório: coletiva de imprensa no encerramento dos trabalhos. Cidade do Vaticano, 8 jan. 2026. Disponível em: https://www.vaticannews.va/pt/papa/news/2026-01/concistorio-coletiva-de-imprensa-encerramento-8-1-26.html. Acesso em: 8 jan. 2026.

VATICAN NEWS. Papa Leão XIV abre consistório extraordinário com discurso aos cardeais. Cidade do Vaticano, jan. 2026. Disponível em: https://www.vaticannews.va/pt/papa/news/2026-01/papa-leao-xiv-discurso-abertura-consistorio-extraordinario.html. Acesso em: 8 jan. 2026.

VATICAN NEWS. Pope Leo XIV celebrates Mass with cardinals during extraordinary consistory. Cidade do Vaticano, 2026. Disponível em: https://www.vaticannews.va/en/pope/news/2026-01/pope-leo-xiv-mass-extraordinary-consistory-cardinals.html. Acesso em: 8 jan. 2026.



Papa encerra o Jubileu da Esperança com o fechamento da Porta Santa

Na solenidade da Epifania do Senhor, celebrada nesta terça-feira, 6 de janeiro, o Papa Leão XIV presidiu o encerramento oficial do Jubileu da Esperança com o rito de fechamento da Porta Santa da Basílica de São Pedro. O Ano Santo havia sido iniciado em 24 de dezembro de 2024 e reuniu milhões de fiéis vindos de todas as partes do mundo.

“É bom sermos peregrinos de esperança. E é bom continuar a sê-lo, juntos”, afirmou o Pontífice ao final da celebração, destacando o sentido espiritual do caminho percorrido ao longo do Jubileu.

Um Ano Santo marcado pela peregrinação e pelo recomeço

Durante o Ano Jubilar, mais de 33 milhões de peregrinos atravessaram a Porta Santa da Basílica Vaticana. A celebração de encerramento contou com a presença de cerca de 5.800 fiéis no interior da Basílica e aproximadamente 10 mil pessoas que acompanharam a Missa pelos telões instalados na Praça São Pedro.

Na homilia, o Papa recordou que a Porta Santa acolheu homens e mulheres “a caminho da Cidade cujas portas estão sempre abertas, a nova Jerusalém”. Diante do Senhor, ressaltou, nada permanece igual: é ali que nasce a esperança e se renova a vida.

Leão XIV convidou a Igreja a refletir sobre a busca espiritual do nosso tempo e sobre a experiência vivida pelos peregrinos que cruzaram o limiar das igrejas jubilares. “O que encontraram? Que corações, que atenção, que acolhimento?”, questionou.

A Epifania e o chamado a uma Igreja viva

Ao celebrar a Epifania do Senhor, o Papa lembrou que a presença de Cristo transforma a história e coloca todos novamente a caminho. Catedrais, basílicas e santuários, afirmou, devem transmitir a certeza de que um mundo novo já começou, difundindo “o perfume da vida”.

Inspirando-se na pergunta dos Magos: “Onde está o rei dos judeus que acaba de nascer?”, o Pontífice sublinhou a importância de que cada pessoa que entra numa igreja possa sentir que ali nasce esperança e se constrói uma história de vida.

“O Jubileu veio para nos lembrar que é possível recomeçar. Estamos ainda no início”, afirmou, recordando que Deus continua a agir no meio da humanidade, envolvendo pessoas de todas as idades e condições nas obras de misericórdia e justiça.

Proteger o que é frágil e nascente

O Papa também alertou para os perigos que ameaçam o novo que Deus faz brotar no mundo, recordando os conflitos, as violências e uma economia que transforma tudo em mercadoria, inclusive o desejo humano de buscar sentido e recomeçar.

Amar a paz, disse, significa proteger aquilo que é santo e frágil, como uma criança. E questionou: após o Jubileu, somos mais capazes de reconhecer no outro um peregrino, um buscador, um companheiro de caminho?

Maria, Estrela da Manhã

Concluindo a homilia, Leão XIV recordou que o Menino adorado pelos Magos é um bem sem preço, que se manifesta na gratuidade e nas realidades mais humildes. Encorajou as comunidades a não transformarem as igrejas em monumentos, mas em casas vivas, capazes de resistir às seduções do poder.

“Se caminharmos juntos, seremos a geração da aurora”, afirmou, confiando o futuro da Igreja à intercessão de Maria, Estrela da Manhã, que, assegurou, caminha sempre à nossa frente.

Fonte: Vatican News



CONSELHO DE INSTITUTO DAS PIAS DISCÍPULAS DO DIVINO MESTRE 2026: UM TEMPO DE DISCERNIMENTO, COMUNHÃO E ESPERANÇA PARA TODA A CONGREGAÇÃO

Entre os dias 20 de janeiro e 10 de fevereiro de 2026, as Pias Discípulas do Divino Mestre viverão um dos momentos mais significativos de sua vida institucional: a realização do Conselho de Instituto, que acontecerá em Antipolo City, nas Filipinas. Trata-se de um encontro de grande relevância e alcance para toda a Congregação, marcado pela escuta, pelo discernimento comunitário e pela corresponsabilidade na missão, em sintonia com as decisões do 10º Capítulo Geral.

Convocado oficialmente pela Superiora geral, Ir. M. Bernardita Meráz Sotelo, o Conselho de Instituto é um organismo previsto na Regra de Vida e no Diretório da Congregação, com a finalidade de favorecer a comunhão, a participação e o acompanhamento do caminho global das Pias Discípulas. Mais do que um evento administrativo, o Conselho se configura como um verdadeiro tempo de graça, no qual a Congregação é chamada a ler sua história recente, avaliar os processos em curso e projetar, com esperança, os passos futuros.

O tema que iluminará os trabalhos deste Conselho expressa bem o horizonte espiritual e pastoral que o sustenta: “Guarda em céu e conta as estrelas…” (Gn 15,5) – Transformar a fragilidade em um percurso generativo. A imagem bíblica evoca a promessa feita a Abraão e convida as irmãs a reconhecerem, mesmo em meio às fragilidades pessoais, comunitárias e institucionais, a presença de Deus que chama à fecundidade, à confiança e à renovação.

Um Conselho em sintonia com o 10º Capítulo Geral

O Conselho de Instituto de 2026 acontece em continuidade direta com o 10º Capítulo Geral, assumindo suas orientações e aprofundando as chamadas fundamentais ali discernidas. Durante o encontro, as representantes das diversas Circunscrições apresentarão uma relação de verificação do caminho percorrido à luz das chamadas “quatro estrelas” do Capítulo Geral, símbolo dos eixos prioritários que orientam a vida e a missão da Congregação neste tempo histórico.

Cada Circunscrição terá um espaço de 15 minutos para apresentar uma síntese do percurso realizado, destacando conquistas, desafios, fragilidades e perspectivas. O texto completo da relação, com até cinco páginas, foi solicitado previamente e integra o processo de preparação cuidadosa que antecede o Conselho, reforçando seu caráter de escuta qualificada e reflexão aprofundada.

Representatividade internacional e riqueza intercultural

Um dos aspectos mais marcantes do Conselho de Instituto é sua dimensão internacional, que expressa concretamente a universalidade da Congregação. Estarão presentes, além do Governo geral, representantes das Províncias e Delegações espalhadas pelos diversos continentes, compondo um mosaico rico de culturas, experiências e realidades eclesiais.

Participam do Conselho: a Superiora geral, a Vigária geral, as Conselheiras gerais, a Secretária geral e a Ecônoma geral, além das superiores das Províncias do Brasil, Colômbia/Equador, Congo, Coreia, Filipinas/Taiwan/Hong Kong, Japão, Índia, Itália, México e Polônia. Também estarão representadas as Delegações da Argentina, Austrália, Burkina Faso, Canadá, Chile, Portugal, Espanha, Estados Unidos/Irlanda, Vaticano e Venezuela. Aqui do Brasil participa a nossa provincial, Ir. Cidinha Batista, pddm.

Essa ampla representatividade garante que o discernimento seja verdadeiramente sinodal, atento às diversas situações em que as Pias Discípulas vivem e servem, e capaz de integrar diferentes olhares em um único horizonte carismático.

Filipinas: hospitalidade e comunhão

A escolha de Antipolo City, nas Filipinas, como sede do Conselho de Instituto, tem também um forte significado simbólico e fraterno. A Província Filipinas/Taiwan/Hong Kong acolherá as participantes, assumindo generosamente as despesas de hospedagem e alimentação durante todo o período do encontro. Este gesto concreto de solidariedade reforça o sentido de família religiosa e de comunhão entre as Circunscrições.

As irmãs participantes foram orientadas a chegar ao país a partir de 15 de janeiro de 2026, para favorecer a adaptação ao fuso horário e ao clima, além de permitir uma melhor integração inicial. A preparação logística, incluindo questões de visto e documentação, foi cuidadosamente organizada pelo Governo geral em diálogo com a Província anfitriã, demonstrando atenção e cuidado com cada participante.

Um tempo de graça para toda a Congregação

Embora o Conselho de Instituto reúna um grupo específico de irmãs, seu significado ultrapassa amplamente o espaço do encontro. As reflexões, decisões e orientações que emergirão desse tempo de escuta e discernimento dizem respeito a toda a Congregação, convidando cada Pía Discípula, onde quer que esteja, a sentir-se parte desse caminho comum.

A Superiora geral, em suas comunicações, sublinha o desejo de que este Conselho seja vivido como uma experiência de peregrinação, marcada pela paz, pela esperança e pela unidade. Trata-se de um chamado a caminhar juntas, reconhecendo as fragilidades como lugar de passagem para processos novos e geradores de vida.

Em um mundo atravessado por rápidas transformações, incertezas e desafios complexos, o Conselho de Instituto de 2026 se apresenta como um espaço privilegiado para renovar o olhar, fortalecer a identidade carismática e reafirmar a missão das Pias Discípulas do Divino Mestre a serviço da Igreja e da humanidade.

Assim, ao olhar para o céu e “contar as estrelas”, a Congregação se dispõe a reconhecer os sinais da fidelidade de Deus no passado, a acolher com realismo o presente e a projetar o futuro com confiança, criatividade e esperança.